terça-feira, 17 de agosto de 2010

Idiotas morais

Via Cláudio Anaia, a quem agradeço ter realçado a notícia, vim a saber deste novo disparate: Burla e fraude deixaram de ser crime.

À partida, a ideia até parece fazer algum sentido: se alguém rouba ou atenta contra o património de outrem, e depois ressarcir o lesado, o processo judicial não avança e o acto não é considerado crime. Dá-se uma negociação entre o gatuno e o lesado, e a coisa morre na praia.

Este "avanço" fantástico é defendido desta forma por Germano Marques da Silva, segundo a notícia, um "especialista em Direito Penal": «O Direito não tem um conteúdo nem moral nem ético. A sua função é resolver conflitos da sociedade».

Esta visão "utilitarista" do Direito está perfeitamente alinhada com as novas modas instauradas por alguns destacados filósofos morais contemporâneos, que procuram dissolver conceitos como "certo" e "errado", e cada vez instaurar de forma mais profunda o relativismo moral e ético.

Segundo pontifica o "especialista" Marques da Silva, o Direito "não tem um conteúdo nem moral nem ético". Ora, aqui o não especialista interroga-se: o Direito deixou de ter alguma coisa a ver com Justiça? Em que dia é que os "especialistas" decretaram a separação entre Direito e Justiça? Decidiram por voto?

É que o cidadão comum, aquele que não é especialista nem lecciona em Universidades, interroga-se, afinal de contas, acerca da relação que ele supunha existir entre Direito e Justiça. É que não há Justiça sem reparação do mal cometido. E, antigamente, quando as pessoas tinham cérebro, achava-se que a atribuição de uma pena por parte de um Tribunal era uma forma de a sociedade ser reparada pelo mal cometido pelo prevaricador.

Mas não: isso agora pertence ao passado. Segundo outro "especialista", desta feita Costa Andrade da Universidade de Coimbra: «Pode ser discutível desde o ponto de vista ético, mas esse é o futuro. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, tudo se negoceia».

Este "especialista" afirma que este tipo de decisão é "discutível do ponto de vista ético". A sério, professor? Quem diria?

Mas claro, cá vem a palhaçada do mito do progresso, pois se os especialistas dizem que certa nova moda jurídica é "o futuro", está tudo dito! O futuro é sempre risonho para estes novos visionários! Se a coisa já se faz nos "States" é porque está certo, pá!

Tudo isto é uma verdadeira miséria racional. É a destruição da razão, do intelecto, do bom senso, e um puro dinamitar da Justiça. A nossa sociedade está entregue a idiotas morais.

O nosso pragmatista prossegue, em defesa da ideia peregrina da não prisão dos prevaricadores: "alguém tem de ficar cá fora para trabalhar". Ah, bravo, senhor Professor! E porque não descriminalizar outros crimes, e resolver a chatice que é ter os violadores e os assassinos atrás de barras? Bela lógica, hã? E dão cadeiras a esta gente, para eles meterem estas burradas nas cabeças dos alunos. É a desgraça.

Ainda Marques da Silva: "o Direito só deve intervir para assegurar a paz". Mas há paz sem justiça, Professor? E ainda: «É fácil legislar e mandar toda a gente para a cadeia. Mais difícil é resolver os problemas sociais que são causa de criminalidade.» Belo sofisma: mas o que fica por explicar é de que forma é que dinamitando a Justiça, e acabando com o conceito de reparação que sempre esteve por detrás do Direito e da Justiça Penal, é que se vai atacar esses "problemas sociais".

Gente pateta. Problemas sociais? Mas a sociedade é um indivíduo? A criminalidade é um problema social, é certo, mas a culpa dessa criminalidade é da sociedade? A culpa é dos criminosos, cuja mole é responsável pela criminalidade. Isto é lógica, estúpido. E como se ataca a criminalidade? Atacando os criminosos, ora bolas. Metendo-os atrás de barras. Com o duplo e clássico efeito: proteger a sociedade dos patifes, isolando-os na cadeia, e fazendo-os retribuir à sociedade pelo mal cometido. Como? Pela pena de privação da liberdade, à qual se poderia e deveria sempre juntar o pagamento de coimas, ou na falta de recursos por parte do criminoso, na prestação de serviço obrigatório à sociedade.

Claro que, para bom observador, o que está por detrás destas modernices balofas é o puro pragmatismo de quem não quer organizar nem pagar o sistema penal e o estado de Direito. Emagrecer os tribunais e as prisões, reduzir as penas, reduzir os crimes, são tudo formas muito pragmáticas (e muito estúpidas) de desbloquear os tribunais e fechar as prisões. Pela mesma lógica, no combate aos incêndios em Portugal, deveria adoptar-se a política da terra queimada. É uma medida bem pragmática, e que garante, de certeza absoluta, que no futuro Portugal nunca mais haverá lenha para arder. Aplique-se isto à mole de patifes que cirandam pelas ruas: acabe-se com o conceito de crime e deixam de existir criminosos. Logo, deixam de existir prisões, e pode-se gastar o dinheiro noutras coisas mais importantes. Como por exemplo, comprar mais Magalhães e mais "magic boards" para as escolas, ou construir uma 4ª e uma 5ª travessias do Tejo, ou ainda construir um aeroporto no Poceirão.

Uma nota final, e sinistra: Marques da Silva é professor na Universidade Católica.

23 comentários:

Jairo Entrecosto disse...

Bernardo, infelizmente estes episódios não podem ser vistos como casos isolados, mas como resultados práticos da estratégica gramsciana que tomou conta das faculdades um pouco por todo o mundo ( anteriormente) civilizado.

Ao contrário do que dizem por aí, os comunistas venceram a guerra fria. O muro de berlim pode ter ruído, mas cultural e moralmente as sementes da destruição já tinham sido lançadas no inimigo. Esse texto é marxista dos pés à cabeça e o mais provável é que o seu autor nem sequer o saiba: em vez de ética e moral, "resolver conflitos" ( dialéctica materialista), o futuro dará razão ( justificar moralmente actos loucos no presente por algo que, por definição, nunca será visto); a sociedade é a responsável pela gandulagem ( marxista que é marxista acarinha tudo o que é banditismo e malandragem porque isso contribui para derrubar o poder instituído).

Parece que Krutchev confessou a táctica de revolução cultural ao governante norte-americano Ezra Taft Benson, nos anos 60.

Hoje vemos os primeiros resultados da sabotagem.

Cumprimentos

Nuno disse...

Que bela palhaçada, cada vez mais se desculpa o criminoso e se carrega em cima do lesado. De há uns anos para cá essa atitude instalou-se em todo o lado, até no modo como se educam as crianças e se quer educar os jovens: cada vez menos sanções, menos proibições, menos limites, menos estrutura. E depois? Temos moluscos andantes, de uma ignorância estupidificante e acefalia incurável, facilmente dispostos em manada (ao contrário do que eles próprios pensam). Onde irá isto parar?

Abraço

Xiquinho disse...

Olá Bernardo,

Ora até que enfim, um assunto em que não estamos em total desacordo: quero registar que compartilho da sua preocupação com o estado da justiça e a brandura excessiva que cada vez mais se verifica para com os criminosos.

Apenas acrescentaria que as penas de prisão deveriam ter como principal objectivo a reintegração do criminoso na sociedade, de forma socialmente responsável para que não reincidam nos crimes cometidos. Só assim entendidas é que as penas de prisão têm uma utilidade efectiva.

Note, no entanto, que a burla não ser considerada como crime não é propriamente uma novidade: Sabemos de burlas e fraudes que são praticadas de forma repetida e continuamente desde há mais de 2000 anos e até hoje não consta que alguém já tenha sido criminalizado por isso.

Cumprimentos estivais :)

Espectadores disse...

Jairo,

Não tinha ainda visto as coisas por esse prisma, realmente assustador. Mas o que dizes faz todo o sentido.
Eu não sei se alinho numa teoria da conspiração, no sentido de que tudo isto foi orquestrado por comunistas, mas certamente faz sentido que a "doença" intelectual do comunismo tenha deixado sequelas graves na nossa sociedade. Esta é seguramente uma dessas sequelas: a do estado-mãe, protector, omnipresente, e que infantiliza o indivíduo. O indivíduo desaparece, juntamente com a responsabilidade individual, para aparecer a sociedade, dividida na guerra de classes.

E, realmente, a abolição da moral, com o fim da culpa individual, trocada pela culpa colectiva (a culpada dos crimes é a classe dominante, a burguesa) é um sintoma marxista evidente.

Abraço!

Espectadores disse...

Nuno,

Tocou num ponto importante: este tipo de medidas infantilizam e estupidificam o próprio indivíduo. A prisão de um criminoso é um bem necessário também para o próprio criminoso. Uma pessoa moralmente sã, que tenha a infeliz decisão de cometer um crime, quer "pagar" à sociedade pelo seu crime. Isso vê-se, raramente, quando um determinado criminoso assume a sua culpa e pede que lhe dêem uma pena. Essa é a reacção correcta (mas rara) do homem ou da mulher íntegros, que sabem que a reparação do mal cometido é essencial no percurso de reposição da justiça, e é crucial para a sua própria liberdade.

Só há Homem livre onde há Homem responsável.

Abraço!

Espectadores disse...

Xiquinho,

Eu não seria um cristão coerente se não defendesse a procura da reintegração social do criminoso. Se reparar, o sacramento cristão da reconciliação (também conhecido como sacramento da confissão) está todo ele assente na confiança divina na capacidade de regeneração do ser humano.

Qualquer cristão tem a obrigação de acreditar, e procurar, que um indivíduo detido seja um dia reintegrado em pleno direito na comunidade.

O meu texto peca por não referir a reintegração social, e agradeço-lhe por relembrar este aspecto.

Mas o Xiquinho, quiçá por causa de algum utilitarismo que mina o seu sistema filosófico, só me parece que esteja a ver o lado "útil" da coisa, ou seja, a reintegração social.

Mas a detenção numa prisão tem outros efeitos, a saber:

a) reparação à sociedade pelo mal feito: o criminoso deve sofrer uma pena proporcional ao mal efectuado, pois o princípio de reparação subjaz ao conceito de justiça; isto não tem nada a ver com vingança: se alguém matasse o meu filho, eu não pediria olho por olho (ou pelo menos, espero que tivesse o bom senso para não o pedir), mas certamente pediria que a sociedade trancasse o bandido por largos e penosos anos, pois corresponde à justiça mais elementar que quem causa grande sofrimento a outrém tenha que passar também por grande sofrimento individual

b) reforço da responsabilidade do criminoso: o criminoso que atravessa uma longa pena de prisão, se for bem orientado e acompanhado durante esse percurso, deverá amadurecer o seu arrependimento, aprofundar a compreensão dos seu erros, e no final da pena, sentir-se fortalecido por ter prestado contas à sociedade; o efeito a) da reparação tem a grande vantagem de produzir, no criminoso regenerado, aquela sensação de "dívida paga" que é essencial para uma boa reintegração social

Se um tipo mata uma pessoa, e passa 20 ou 30 anos na cadeia para, de alguma forma (imperfeita), "pagar" à sociedade pelo mal cometido, ele deverá sair cá para fora, finda a pena, uma pessoa nova, com a sensação de que sofreu o suficiente para sentir a sua ofensa reparada, e para enfrentar o tempo de vida que lhe restar com a confiança do homem que aceitou as consequências da justiça e da responsabilidade.

Abraço

Espectadores disse...

Esqueci-me de referir que o Homem livre não é só aquele que sai da prisão, depois de uma longa pena. O Homem livre é aquele que sente aquela liberdade de quem fez à sociedade a retribuição justa e devida.

Se um criminoso sai da cadeia cedo demais, sem ter sofrido o suficiente para, de alguma forma, "reparar" à sociedade o crime cometido, ele vai estar "livre" no sentido em que estará fora da prisão, mas não será um homem realmente livre. Sofrerá, mesmo que de forma inconsciente, devido à injustiça da sua libertação precoce. Dificilmente será reintegrado.

Jairo Entrecosto disse...

Bernardo,

"Eu não sei se alinho numa teoria da conspiração, no sentido de que tudo isto foi orquestrado por comunistas"

Por agentes do KGB, ao mílimetro, também não acredito. :)

Vamos a uma lista de lugares-comuns que nos invadem as televisões e jornais diariamente:

-Economia é uma coisa separada da ética. Só o estado pode "moralizar" a economia.

-Ética não tem nada a ver com Deus.

-Bem e Mal, Certo e Errado, são convenções, não coisas que existam realmente.

-As revolucões socialistas, embora tenham cometido muitos erros, foram responsáveis pela melhoria das condições de vida do proletariado.

-Temos de respeitar a verdade de cada um, para mim pode ser de uma maneira, para ti não.

Alguém que comece por dizer que todas estas cinco noções comuns são mentiras descaradas, corre o risco de ser queimado vivo... :)

E poderíamos ir por aí fora, "conservador" serve para insultar, "progressista" é um elogio.
Repare-se que já em 75, Freitas do Amaral, supostamente democrata-cristão e conservador,fazia discursos a elogiar a contribuição dos partidos socialistas para o bem dos trabalhadores e assumindo que também era interesse do seu partido a construção de uma sociedade sem classes.

http://www.youtube.com/watch?v=ilqlZX2QUMg

Portanto, os crimes socialistas que mataram e oprimiram pela fome e pobreza milhões de pessoas durante os tais 50 anos a que se referia Freitas,não são apenas ocultados pelos socialistas, mas também pelos seus supostos inimigos. Quando assim é, vitória completa e total do marxismo!

Construir uma sociedade sem classes, era também um ideal que Freitas queria concretizar. Aceita portanto a mentalidade revolucionária de que está nas suas mãos mudar o mundo e entra em contradição porque tendo dito que todos os homens são iguais, não pode depois afirmar que existem "classes", pois isso é contraditório. "Classes" é uma mentira marxista,na realidade existem homens e mulheres, sendo impossível distinguir interesses comuns numa "classe" por oposição a outra, como se falássemos de zebras versus leões.

Coisas como essa ocorrem porquê, senão pelo facto de como cultura termos aceitado jogar com as regras e pressupostos esquerdista, antes de os analisarmos como verdadeiros ou falsos?

Este texto do Luciano Henrique, embora tenha um ligeira incorrecção que apontei nos comentários, resume bem o problema da estratégia gramsciana.

http://neoateismodelirio.wordpress.com/2010/04/04/desvendando-a-ilusao-do-neo-ateismo-parte-5-a-estrategia-gramsciana/

Cumprimentos

O Insuspeito disse...

O comunismo?

Esse dragão vermelho está bem infiltrado na sociedade, bem camuflado, até ecologicamente camuflado!

Assuntos como estes, notícias como estas, leis ilegítimas como as que são promulgadas nos dias de hoje, em que dignidade humana é espezinhada descaradamente, longe de compactuar com teorias de conspiração/delírios persecutórios/etc...faz cada vez mais sentido para mim as palavras de Nossa Senhora em Fátima:

"Se não, a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo".

O mundo está objectiva e evidentemente para pior.

Será necessária uma consagração da Rússia eficaz para destruir esse instrumento do Demónio - o comunismo - e salvar o mundo.

Gostaria mesmo muito que fizessem sentido as palavras da mesma Mãe de Deus:

"Em Portugal, conservar-se-á sempre o dogma da Fé".

Não querendo duvidar, de maneira nenhuma, da Mãe Santíssima, custa-me perceber como se conservará a Fé neste país e na Europa, com os erros que estão cada vez mais espalhados por esse mundo fora...

Portugal, Nação Fidelíssima?

Deus permita!

O sofrologista católico disse...

«O Direito não tem um conteúdo nem moral nem ético. A sua função é resolver conflitos da sociedade».

"o Direito só deve intervir para assegurar a paz"

O Professor só se engana porque o Direito tem um conteúdo moral. o de assegurar a paz. Um valor eminentemente cristão.

Quem pense o contrário anda a leste do cristianismo (e do catolicismo)

Space Shanty disse...

Pelos vistos o dito: "Quem pode mais chora menos" continua valendo.

O Deus do "money" está vencendo mais uma!!!

"Não os perdoeis, eles SABEM MUITO BEM O QUE FAZEM!!!

Space Shanty disse...

Desculpem, acho que ERREI no tempo do verbo PERDOAR, mas fica valendo assim mesmo!!!

Espectadores disse...

Jairo,

Muito obrigado, não só pelo vídeo espantoso (e chocante) do Freitas, mas também pela nota fundamental acerca do Gramsci.

Estive a ler algumas coisas, e fique espantado com a produção teórica desse comunista italiano.

O que dizes faz todo o sentido.
Não é uma questão, realmente, de uma mega-conspiração bem organizada. É, sim, uma questão de eficácia de estratégia. Os adeptos do chamado "eurocomunismo" (a linhagem dos comunistas mais críticos da subserviência a Moscovo, e mais preparados para o realismo político em ambiente democrático), inaugurado por Gramsci, depressa viram como promissora a via da hegemonia cultural preconizada pelo italiano.

Faz muito mais sentido: primeiro, inculturar o marxismo na sociedade. Depois, fica tudo mais fácil. O esquema proposto por Gramsci é insidioso: parcerias políticas, infiltração nas universidades, nas escolas, nos tribunais, etc., e invasão cultural. Lenta, mas eficaz.

Só não foi mais longe porque, realmente, um bom plano precisa de bons executantes. E, felizmente, a ideia marxista é tão má, mas tão má, que mal se tenta aplicar, dá asneira.

O que fica?
Felizmente, não uma sociedade socialista. Mas ficamos com uma sociedade podre, ineficiente, infantilizada, "estatal", à espera que outros trabalhem por nós, facilitista, sempre pronta a reivindicar, mas pouco pronta para trabalhar.

Um abraço!

Jairo Entrecosto disse...

Bernardo

"O que fica?
Felizmente, não uma sociedade socialista"

Que seria sempre impossível, como muitos socialistas revolucionários sabem. Os que não sabem, e acreditam na possibilidade, são apenas idiotas úteis, ao serviço de quem acaba eventualmente por dominar o que realmente "fica" com esta brincadeira: um estado poderoso e uma sociedade fragilizada.

O problema é distinguir os que sinceramente acreditam no socialismo, daqueles que sabem que a proposta mais não é do que um meio para estabelecer uma oligarquia mafiosa. E tudo isto se torna mais complicado à medida que os sinceros idiotas e ingénuos passam a cínicos maquiavélicos, quando tomam o poder.

A ameaça não é o perigo de nos tornarmos uma sociedade socialista, porque nem na URSS alguma vez isso existiu;mas o estado tornar-se demasiado poderoso e dominado por doidos.

Cumprimentos.

Simão disse...

"parcerias políticas, infiltração nas universidades, nas escolas, nos tribunais, etc., e invasão cultural. Lenta, mas eficaz"

Curioso: assim de repente, tudo isto me faz lembrar a Igreja (nomeadamente, a Opus Dei). Quer que lhe faça uma lista das centenas de escolas católicas neste país?

Bernardo, concordo genericamente com a abordagem que faz acerca da ausência de uma conduta ética no Direito (e já agora, adianto eu, eu todas as dimensões sócio-profissionais da sociedade).

Mas daí a dizer que essa ausência de ética provêm de um esquema conspirativo ou é apanágio de uma visão comunista/marxista/leninista/maoista/etc., é um argumento demasiado primário e infantil. Pensava que já se tinha deixado de teorias da conspiração (ainda por cima, direccionadas exclusivamente à esquerda) há algum tempo.

Quanto a gente sem ética como esse tal de Germano,espanta-me que se espante que ele dê aulas na Católica; vocÊ tem gente muito mais rasca do que ele a dar aulas em instituições católicas. Quer lhe lembre onde dá aulas um determinado líder da extrema-direita?

Deixe-se de sectarismos e aprenda a ver a realidade sem "filtros católicos"; há gente boa e gente má em todo o lado.

Cumprimentos

Espectadores disse...

Caro Jairo,

É, realmente, isso que é preocupante. Um estado demasiado poderoso governado por doidos. Já estivemos mais longe disso.

Abraço!

Espectadores disse...

Simão,

«Curioso: assim de repente, tudo isto me faz lembrar a Igreja (nomeadamente, a Opus Dei).»

Bom, nada mau. Pelo menos não diz, como o Dan Brown, que o Opus Dei é uma seita. Lamento não jogar o seu jogo, mas as teorias de conspiração anti-Opus Dei não pegam comigo. Sucede que conheço o Opus Dei, e bastantes dos seus membros, ao ponto de não poder alinhar nessas paranóias. Os inimigos do Opus Dei são a versão contemporânea dos inimigos antigos dos Jesuítas. Só não percebe isto quem é parvo. Ou cínico.

Já agora, qual é a dimensão do "polvo" Opus Dei? O Jardim Gonçalves? O Teixeira Pinto? O Mota Amaral? Como é que monta essa teoria da conspiração? Com estas três pessoas? Qual o papel que cada uma delas joga? Como conspiram? Que planos secretos de domínio mundial estão a tecer? Onde se reúnem? Tem fotos das reuniões secretas?

«Quer que lhe faça uma lista das centenas de escolas católicas neste país?»

E?
Escolas cada vez mais controladas pelo Estado? Escolas onde se vai forçar a (des)educação sexual? Escolas que dificilmente conseguem apoios públicos? Escolas onde o ensino de qualidade é só para ricos, pois o Estado não dá benefícios fiscais a quem opta pelo privado?

«Bernardo, concordo genericamente com a abordagem que faz acerca da ausência de uma conduta ética no Direito (e já agora, adianto eu, eu todas as dimensões sócio-profissionais da sociedade).»

Fico satisfeito!

«Mas daí a dizer que essa ausência de ética provêm de um esquema conspirativo ou é apanágio de uma visão comunista/marxista/leninista/maoista/etc., é um argumento demasiado primário e infantil.»

Eu falei em esquema conspirativo? Falei em estratégias eficazes. O que é algo de bem diferente. Pessoas diferentes podem enveredar por certas estratégias sem estarem a conspirar.

«Pensava que já se tinha deixado de teorias da conspiração (ainda por cima, direccionadas exclusivamente à esquerda) há algum tempo.»

A que se refere?
E, já agora, quem é você, para estar a falar sobre o meu passado com tanta segurança?
E, já agora, porque é que se contradiz, ao aderir a teorias da conspiração anti-Opus Dei?

«Quanto a gente sem ética como esse tal de Germano,espanta-me que se espante que ele dê aulas na Católica;»

Espanto-me, pois as ideias desse professor são incompatíveis com o catolicismo (pois são incompatíveis com o bom senso, e o catolicismo tem a ver com bom senso), e se eu fosse reitor da UCP, estaria preocupado.

«vocÊ tem gente muito mais rasca do que ele a dar aulas em instituições católicas.»

Não sei o que entende por rasca. Isso pode querer dizer muita coisa. Germano Marques da Silva até pode ser muito civilizado e bem educado. E no entanto, ter ideias péssimas. Penso que "rasca" é uma palavra muito vaga e demasiado forte.

«Quer lhe lembre onde dá aulas um determinado líder da extrema-direita?»

Não sei a quem se refere.

«Deixe-se de sectarismos e aprenda a ver a realidade sem "filtros católicos"»

Obrigado pela sugestão amiga.

«há gente boa e gente má em todo o lado.»

Nunca tinha pensado em tal coisa! Tem razão!

Cumprimentos

Simão disse...

Bernardo

"Pelo menos não diz, como o Dan Brown, que o Opus Dei é uma seita."

Dan quem? Só conheço o Dan Cake.

"Lamento não jogar o seu jogo, mas as teorias de conspiração anti-Opus Dei não pegam comigo"

Obviamente. Consigo, só pegam as teorias anti-marxistas.

"Já agora, qual é a dimensão do "polvo" Opus Dei? O Jardim Gonçalves? O Teixeira Pinto? O Mota Amaral?"

Está a ver como sabe?...

"pois o Estado não dá benefícios fiscais a quem opta pelo privado"

"Opta?" Não creio que "opção" seja a palavra correcta quando não há por onde optar: "ora deixa cá ver...uma escola jesuíta ou dominicana...?uma escola da opus dei ou fransciscana...?" Quando existirem escolas não-confessionais (excepto essa "amostra" chamada Colégio Moderno), então depois conversamos.

"E, já agora, quem é você, para estar a falar sobre o meu passado com tanta segurança?"

Relaxe. Está muito tenso. Ninguém quer saber do seu passado para nada. Estava a referir-me a esse momento do passado onde todos nós estivemos: no berço, com uma chucha na boca e a acreditarmos em fadas e duendes. Bem...é certo que alguns continuam esse processo (apenas sem a chucha e sem o berço).

"E, já agora, porque é que se contradiz, ao aderir a teorias da conspiração anti-Opus Dei?"

Eu? Eu aderi a qualquer isso? Tem de me mostrar essa ficha de inscrição.

"Germano Marques da Silva até pode ser muito civilizado e bem educado. E no entanto, ter ideias péssimas. Penso que "rasca" é uma palavra muito vaga e demasiado forte"

Eu penso que é apropriadíssima. Nazis de topo também gostavam de tocar piano e beber o chá das cinco (civilizados, portanto, de acordo com o seu standard comportamental) e isso nada abona a seu favor. Para mim, gente sem ética, é gente rasca.

"Não sei a quem se refere."

O Sr. Pinto Coelho, líder do PNR, que dá aulas no Colégio Planalto.

"Nunca tinha pensado em tal coisa! Tem razão!"

Óptimo!Fico contente que as suas epifanias não se confinem à dimensão religiosa. Parabéns!

Cumprimentos

Espectadores disse...

Caro Simão,

«Dan quem? Só conheço o Dan Cake.»

A sua teoria acerca do Opus Dei roça a sofisticação da teoria quase idêntica do romancista norte-americano Dan Brown, autor que foi descrito de forma muito elegante por David Bentley Hart como um "borderline illiterate".

«Obviamente. Consigo, só pegam as teorias anti-marxistas.»

Exacto: o corpo teórico defendido pelo Opus Dei é o catolicismo, que é verdadeiro. O corpo teórico defendido pelos marxistas é o marxismo, que é falso.

«Está a ver como sabe?...»

Sei o quê?
Sei que essas três pessoas são sempre as mesmas referenciadas como sendo do Opus Dei. O que é um truísmo, visto que os mesmos admitem serem do Opus Dei (ao invés de muito irmão três pontos). Agora pense comigo: que fazem estas três pessoas, juntas, em grave conspiração, para mandar no país? Porque é que ainda não mandam? (eu até gostava que mandassem: é daquelas conspirações inexistentes que até dava jeito que existissem)

Trocado por miúdos, para não o baralhar: Simão, exactamente de que forma é que está construída a sua teoria da conspiração? Com base nestas três pessoas? Há mais pessoas envolvidas? Quais? Onde se reúnem? Que planos têm? Como vão executá-los?

Se não tem resposta para estas questões, faz triste figura.

«Quando existirem escolas não-confessionais (excepto essa "amostra" chamada Colégio Moderno), então depois conversamos.»

Ouça: terá que falar com o Grande Oriente, para lhes perguntar porque é que não fazem mais Colégios Modernos. Eu sei a resposta: não precisam. Eles já têm o ensino público. Quer algo mais maçónico e fanaticamente secularista que o ensino público?

O ensino neutro em matéria religiosa é uma treta inexistente. Há o ensino confessional, e há o ensino ateu. Há o ensino em que se fala de Deus (existente, pois Ele existe) aos miúdos. E o ensino em que se esconde dos miúdos que Deus existe.

«Relaxe. Está muito tenso.»

Estou calmíssimo.

«Ninguém quer saber do seu passado para nada.»

Disse que eu me tinha deixado há muito de teorias da conspiração. Ora, qualquer cérebro funcionante vê na sua afirmação um postulado de conhecimento acerca do meu passado.

«Estava a referir-me a esse momento do passado onde todos nós estivemos: no berço, com uma chucha na boca e a acreditarmos em fadas e duendes.»

Há quem nunca saia dele... A fada do marxismo, o duende do ateísmo, o unicórnio do secularismo...

«Bem...é certo que alguns continuam esse processo (apenas sem a chucha e sem o berço).»

Esta deve ser a sua forma de tentar espremer um ataque "ad hominem" sob a forma de pseudo-argumento.

(continua)

Espectadores disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Espectadores disse...

(continuação)

«Eu? Eu aderi a qualquer isso? Tem de me mostrar essa ficha de inscrição.»

Se se preocupa muito com o poder e a influência do Opus Dei, que afirma ser omnipresente, e como isso é uma fantasia, está provada a sua inscrição no clube dos amigos de Dan Brown.

«Para mim, gente sem ética, é gente rasca.»

Eu faço uma distinção importante: gente sem ética e que julga que a tem é gente ignorante (o caso em questão). Gente sem ética e que sabe que não tem ética é gente rasca.

«O Sr. Pinto Coelho, líder do PNR, que dá aulas no Colégio Planalto.»

Não fazia ideia. O que penso? Discordo. Pela mesma razão do Germano: eu acho que o Germano não deveria dar aulas na UCP, pois tem uma visão marxista do mundo, incompatível com a visão católica. Do senhor Pinto Coelho, de declarações suas que li, vi o suficiente para depreender que o seu catolicismo é heterodoxo, pelo que também não deveria leccionar no Planalto.

No entanto, como todos sabemos, professores marxistas é do que mais há no ensino público. E isso nunca foi incómodo para o Ministério da Educação.

Já agora, só uma pequena nota, para sua elucidação: o Planalto pertence a uma Cooperativa, a dos Colégios Fomento. Essa Cooperativa não é propriedade do Opus Dei. Os Colégios Fomento entregam a orientação espiritual (que não é dada por Pinto Coelho, felizmente) a padres do Opus Dei. E fazem muito bem, pois os padres do Opus Dei são, regra geral, catolicíssimos, de profunda cultura católica e vida espiritual ginasticada.

Eu posso atestar que já dei palestras para alunos e professores dos Colégios Fomento, e fiquei muito bem impressionado pela qualidade do ensino e pelo esmero da educação dos alunos.

Cumprimentos

MC disse...

"E fazem muito bem, pois os padres do Opus Dei são, regra geral, catolicíssimos, de profunda cultura católica e vida espiritual ginasticada."

amo de paixão estes arroubos apologetas do Bernardo. O que será uma "vida espiritual ginasticada"?

Abraço, Bernardo, e cuide-se: o mundo, nem tão pouco o catolicismo, espera a sua salvação. Deixe-se disso!

O sofrologista católico disse...

Eu peço desculpa por voltar a incomodar.

Mas se o Direito tem um conteúdo moral, o de assegurar a paz, e este é um valor eminentemente cristão, o Professor Germano será assim tão pouco católico?