Mostrar mensagens com a etiqueta Bento XVI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bento XVI. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Quaresma de 2013 A.D.

Um texto de um amigo meu que estava na Basílica de São Pedro, em Roma, aquando da missa de Quarta-feira de Cinzas de 2013:

A Missa de Quarta-feira de Cinzas do Papa costuma ser todos os anos na Basílica de Santa Sabina, casa mãe da Ordem dos Pregadores, mais conhecida pela ordem dos Dominicanos. Este ano o local da Santa Missa foi mudado de véspera para a Basílica de S. Pedro devido ao anúncio da abdicação à Cátedra do Bispo de Roma pelo Papa Bento XVI. 
O final desta Missa está por todo o lado na internet. O discurso do Cardeal Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, foi comovente, tanto nas palavras como na forma: notou-se o esforço para controlar a emoção enquanto lia o discurso de agradecimento ao Papa Bento. Pouco depois a assembleia (e a basílica estava totalmente cheia!) rebentou num grande aplauso de longos minutos. Conhecendo bem os pensamentos do Papa sobre bater palmas na igreja eu só me atrevi a fazê-lo depois de ver o Msgr. Marini, mestre de cerimónias do Papa, a bater palmas também.
Mas não foi só por isso, claro. A verdade é que este momento contrastou imenso com o ambiente que se viveu na Basílica vaticana durante a cerimónia toda. As fotografias que se vêem nas notícias são o Papa a espalhar sorrisos pela Basílica na procissão de saída. Mas a procissão de entrada foi completamente diferente, não têm noção, eu nunca vi nada assim. Antes da procissão começou a Missa com o ritual próprio da Quarta-Feira de Cinzas e houve um tema em gregoriano chamado Audi, Benigne Conditor, dizendo a Deus que o nosso coração se quer preparar para O ver, através da penitência e do jejum. Só depois é que começou a procissão, ao mesmo tempo que se rezou a Ladainha de Todos os Santos. Foi a maior que alguma vez ouvi, incluía santos como S. Paulo Miki, Sta. Rosa de Lima e St. John Fisher e St. Thomas More, entre muitos outros. Todos os padres e bispos, vestidos com as cores da quaresma, passaram sem sorrisos na cara. Eram muitos. 
Eu só me apercebi que os cardeais todos já tinham passado quando vi o Papa a chegar, porque pelos paramentos e com a mitra nem dava para distinguir. O Papa passou numa serenidade e seriedade imensa, a rezar a ladainha, a olhar para o crucifixo do altar, ao fundo da Basílica. Tudo isto fazia a própria basílica, com toda a assembleia, respirar este ambiente austero. Não houve nenhum "Viva il Papa" e os que perderam tempo a tirar fotografias com iPads e telemóveis são uns tontos, levaram todos um grande desprezo do Papa, sempre com o olhar fixo em Cristo na Cruz, no altar. Ou seja, acabou a festa.
É assim que se começa a Quaresma na Santa Sé, servindo como exemplo para todo o mundo Católico. A ladainha de todos os Santos servia para isso mesmo, para nos lembrar que muitos homens e mulheres já passaram por este mundo, sofreram e venceram. Agora estamos cá nós, preparados para fazer penitência e jejum e limparmos a nossa alma de todo o pecado. As cinzas servem também para isso: mostrar que somos pó da terra, não valemos nada sem ser pela infinita graça de Deus. Podíamos pensar que isto foi assim por ser a Santa Missa de despedida do Papa Bento XVI, mas não é verdade. Disse-me um amigo que esteve há uns anos em Santa Sabina, também na Quarta-Feira de Cinzas com o Papa Bento, e aí houve alguém que gritou "Viva il Papa" e todos à volta o mandaram calar. Começámos a Quaresma. E durante a Quaresma vamos passar por Sede Vacante.  
Nada é por acaso. 
Attende, Domine, et miserere, quia pecavimus tibi.

sábado, 28 de maio de 2011

15 de Maio de 2011: o rito antigo de volta a São Pedro!


Quando foi eleito para a cátedra de São Pedro, Bento XVI foi considerado por muitos como um papa de transição. Com seis anos de papado concluídos, Bento XVI não pára de surpreender, refutando os que o viam como um Papa meramente transitório entre João Paulo II e um futuro Papa mais novo (Joseph Ratzinger foi eleito Papa com 78 anos de idade).

No dia 7 de Julho de 2007, Bento XVI encerrou um capítulo doloroso para a Igreja, e escancarou as portas do futuro da liturgia romana, com a promulgação da Carta Apostólica Summorum Pontificum, na qual liberou o uso do rito antigo, agora chamado de "forma extraordinária" da liturgia romana, cuja última edição datava de 1962, durante o Papado de João XXIII. Digo doloroso, porque na esteira de reforma litúrgica que culminou com a publicação do novo missal (agora chamado de "forma ordinária" da liturgia romana) de Paulo VI, não foram poucas as pessoas que quiseram, desde então, manter a prática do rito antigo, enquanto este era abandonado um pouco por toda a parte. E, tragicamente, alguns grupos de católicos, por vezes chamados de "tradicionalistas", associaram a manutenção da prática desse rito à rejeição do Concílio Vaticano II. Alguns mais extremistas, rejeitando não só a reforma litúrgica e o Vaticano II, chegaram ao ponto de dizer que a Sé de Pedro estava vaga desde Pio XII, considerando hereges todos os papas posteriores (são os "sedevacantistas"). Estes movimentos, cuja desobediência a Roma varia em maior ou menor grau, afastaram-se da Igreja Católica, e o seu afastamento gerou feridas. Por outro lado, outros movimentos dentro da Igreja, cuja heresia modernista varia em maior ou menor grau, promovendo consciente ou inconscientemente uma erosão da liturgia (aliás, em contraste com as decisões do Concílio), geraram feridas de sinal oposto. Bento XVI está a colocar um ponto final em tudo isto, dando uma lição, quer aos "tradicionalistas" que desobedecem ao Santo Padre, quer aos hereges "modernistas" que têm promovido, no último meio século, a dissolução da tradição católica, nomeadamente da liturgia.

Bento XVI, em 2007, com a Summorum Pontificum, sarou essas feridas. Bento XVI não iniciou este processo, uma vez que João Paulo II já tinha dado passos importantes no sentido do que veio a ser a Summorum Pontificum (por exemplo, a Carta Apostólica Ecclesia Dei, de 1998). Mas Bento XVI levou o processo até ao fim.

Porque é que tudo isto é importante?
Alguns católicos julgam que isto não passa de saudosismos inúteis. Outros julgam que isto implica o regresso do latim à liturgia. Os equívocos são imensos. O missal de Paulo VI era em latim, e o rito ordinário previa o uso do vernáculo como excepção. Infelizmente, o vernáculo tornou-se regra, a tal ponto que hoje em dia o comum dos fiéis tem enormes dificuldades em pronunciar as mais simples expressões litúrgicas em latim. No espaço de meio século, os católicos praticamente perderam um património litúrgico multissecular, quer simbólico, quer pictórico, quer arquitectónico, quer musical, quer textual, quer gestual.

A depredação litúrgica que se seguiu ao Vaticano II não consistiu numa obediência a esse grande concílio, mas sim numa traição ao mesmo. Hoje em dia, as nossas liturgias estão marcadas pela banalização de gestos espúrios à tradição católica, confusões infindáveis acerca do papel dos leigos e do sacerdote na liturgia, e emprego de formas musicais de tão má qualidade, e de origem tão pouco sacra, que se tornou impossível reconhecê-las como música litúrgica. Deitámos fora um tesouro.

Bento XVI está a recuperar esse tesouro, que todos nós deitamos na lixeira há meio século atrás. Esta recuperação ficará na História como uma das marcas mais indeléveis do seu papado. Mantendo a fidelidade ao Concílio Vaticano II, e à reforma litúrgica que culminou no Missal de Paulo VI (afinal de contas, o rito ordinário, ou seja, principal da liturgia romana), o actual Papa trouxe de volta o usus antiquior, e com ele voltou todo o esplendor litúrgico dessa tradição. Como o Papa explica, a forma ordinária da liturgia romana pode ser enriquecida com a prática da forma extraordinária, e vice-versa. É precisamente a mesma hermenêutica da "reforma na continuidade", aplicada agora à liturgia, que Bento XVI tem aplicado de forma incansável em defesa da correcta leitura do Vaticano II.

Os velhos do Restelo dirão que a forma extraordinária é antiquada. Mas, um pouco como dizia o Chesterton, há algo de curioso acerca das coisas consideradas antiquadas pelos que se acham "modernos". Se uma coisa sobrevive tempo suficiente para ser considerada antiquada pelos "modernos", é porque tem certamente mais valor do que outras coisas que nem sequer sobreviveram para receber esse epíteto dos bem-pensantes do nosso tempo.

Aqui em Portugal, não tem faltado resistência à Summorum Pontificum. Dizem-nos que é porque os portugueses não estão interessados na forma extraordinária, ou porque já se esqueceram do latim. Uma curiosa ironia, visto que, como referi atrás, o rito ordinário, o de Paulo VI, prescreve o latim como norma. Ou seja, os guardiães do rito ordinário não o têm aplicado bem, o que teve com consequência a óbvia erosão da cultura litúrgica dos fiéis. No entanto, cresce de dia para dia o número de católicos desejosos de conhecer e de viver essa experiência litúrgica multissecular que é a forma extraordinária do rito romano.

Na Summorum Pontificum, Bento XVI propôs um período de três anos para se avaliar a eficácia da sua aplicação e para se debaterem eventuais dificuldades. Passado esse período, e depois de realizados três Congressos dedicados ao tema, a Comissão Pontifícia Ecclesia Dei assinou, no passado dia 30 de Abril, a instrução Universae Ecclesiae, tornada pública a 13 de Maio, uma data que certamente não é uma coincidência.

Este documento torna definitiva a liberalização do rito antigo para todos os fiéis que o pretenderem, esclarecendo certos termos e expressões da Summorum Pontificum que tinham recebido interpretações erradamente restritivas. Aguardo com grande expectativa a primeira missa segundo o usus antiquior aqui em Lisboa. Será certamente algo de admirável e memorável!

No passado dia 15 de Maio, quase meio século depois, a forma extraordinária do rito romano regressou à Basílica de São Pedro. Uma data histórica! Foi celebrada Missa Pontifícia no Faldistório, no altar da Cátedra, pelo Cardeal Walter Brandmüller. O facto de ter sido o Cardeal Brandmüller a celebrá-la enche-me de imensa satisfação. Trata-se de um grande historiador, um dos maiores especialistas em história conciliar, e um dos braços direitos de Bento XVI na defesa da interpretação do Concílio Vaticano II segundo a hermenêutica da continuidade, e contra a hermenêutica da ruptura, que pretende fazer do Vaticano II um Concílio contra todos os anteriores. Brandmüller é um dos mais recentes cardeais do Colégio Cardinalício (20 de Novembro de 2010), mas a sua obra publicada é há muito conhecida dos que se interessam por certos temas importantes da História da Igreja, como sejam o caso Galileu, o papel da Igreja Católica na Segunda Guerra Mundial, ou a história dos Concílios.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Cardeal Burke fala sobre a nova "crise" mediática em torno do uso do preservativo

O recentemente feito Cardeal Raymond Burke, norte-americano natural do Wisconsin, em entrevista ao National Catholic Register, demonstra na prática as razões que fazem dele um dos mais espectaculares Cardeais do colégio cardinalício e uma das figuras de proa da Igreja Católica contemporânea.

É, até ao momento, uma das melhores e mais autorizadas desmontagens da mais recente trapalhada mediática em torno do livro-entrevista que o Papa Bento XVI concedeu ao jornalista alemão Peter Seewald, e que será editado muito em breve em várias línguas. Em Portugal, será editado pela Lucerna, com o título Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald.

O Cardeal Burke, depois de desmontar as trapalhices de alguns órgãos mediáticos, que afirmaram erradamente que Bento XVI tinha mudado a doutrina da Igreja face ao uso do preservativo, faz uma interessante apresentação do livro-entrevista de Peter Seewald a Bento XVI, uma obra que, tudo indica, nos irá dar um dos mais actuais e detalhados retratos de Bento XVI e do seu pensamento.

PS: Ver também a nota oficial do Director da Sala de Imprensa da Santa Sé em resposta ao alarmismo mediático levantado em torno da questão do uso do preservativo: NOTA DEL DIRETTORE DELLA SALA STAMPA DELLA SANTA SEDE, P. FEDERICO LOMBARDI, S.I., SULLE PAROLE DEL SANTO PADRE NEL LIBRO "LUCE DEL MONDO", A RIGUARDO DELL’USO DEL PROFILATTICO , 21.11.2010.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Porque razão está Bento XVI a reintroduzir a comunhão de joelhos

Um interessantíssimo artigo de Sandro Magister explica as razões de Bento XVI para a recuperação do bom hábito da genuflexão. O artigo traz, no final, um valioso e surpreendente texto de Monsenhor Marco Agostini, que explica que a beleza dos pavimentos de muitas das igrejas mais antigas tinha como destinatários principais os fiéis ajoelhados.

domingo, 27 de junho de 2010

O que é a fé adulta

No encerramento do Ano Paulino (2008-2009), Bento XVI explicou de que forma é que a tradição recebida de São Paulo nos faz ver o que é uma fé adulta. É um texto muito apropriado, para ser lido logo a seguir à entrevista do Jornal "i" ao Bispo D. Januário...

«O próprio pensamento de uma necessária renovação do nosso ser pessoas humanas, Paulo explicou-o ulteriormente em dois trechos da Carta aos Efésios, sobre os quais portanto agora queremos reflectir brevemente. No capítulo 4 da Carta, o Apóstolo diz-nos que com Cristo temos que atingir a idade adulta, uma fé madura. Não podemos mais permanecer como "meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina..." (4, 14). Paulo deseja que os cristãos tenham uma fé "responsável", uma "fé adulta". A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc". E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja. Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. Este é o não-conformismo da fé ao qual Paulo chama uma "fé adulta". É a fé que ele quer. Por outro lado, qualifica como infantil o correr atrás dos ventos e das correntes do tempo. Assim faz parte da fé adulta, por exemplo, empenhar-se pela inviolabilidade da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se assim de forma radical ao princípio da violência, precisamente também na defesa das criaturas humanas mais inermes. Faz parte da fé adulta reconhecer o matrimónio entre um homem e uma mulher para toda a vida, como ordenamento do Criador, restabelecido novamente por Cristo. A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo. No entanto, também aqui Paulo não se detém na negação, mas leva-nos ao grande "sim". Descreve a fé madura, verdadeiramente adulta, de maneira positiva com a expressão: "agir segundo a verdade na caridade" (cf. Ef 4, 15). O novo modo de pensar, que nos foi dado pela fé, verifica-se antes de tudo em relação à verdade. O poder do mal é a mentira. O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus. E Deus torna-se-nos visível no rosto de Jesus Cristo. Olhando para Cristo, reconhecemos mais uma coisa: verdade e caridade são inseparáveis. Em Deus, ambas são inseparavelmente uma só coisa: a essência de Deus é precisamente esta. Por isso, para os cristãos verdade e caridade caminham juntas. A caridade é a prova da verdade. Sempre de novo, deveríamos ser medidos em conformidade com este critério, para que a verdade se torne caridade e a caridade nos torne verídicos.» - Bento XVI, Homilia da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Basílica de São Paulo Fora de Muros, 28 de Junho de 2009 (negrito meu).

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Papa em Fátima



Ontem, em Fátima, por volta das 9h41. Esta era a vista da multidão para quem olhava na direcção da Igreja da Santíssima Trindade. O que mais impressionou? Que era uma multidão verdadeiramente internacional. Do ponto de vista de um lisboeta que fez cento e poucos quilómetros para ir a Fátima, impressionou-me fortemente o gesto de tantos que viajaram milhares de quilómetros para estar ali, no 13 de Maio. Também de referir a forte presença dos nossos irmãos do Caminho Neocatecumenal. Eram às centenas, oriundos de Portugal, Espanha, França, Estados Unidos, Alemanha, etc., e destacavam-se pelas suas enormes faixas e pelos cânticos incessantes. Um bem-haja para eles!

O tempo ajudou. Uma curta chuva antes de a missa começar, e foi tudo! Todos receávamos que se abatesse um temporal durante a santa missa. Nada disso: o sol brilhou quase sempre!

O que fica?
Uma intensa admiração pela inteligência espiritual dos beatos Jacinta e Francisco, admiração que saiu reforçada pelas palavras do Santo Padre:

"Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127)."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa no Centro Cultural de Belém



A péssima qualidade da fotografia não é só culpa do fotógrafo. Tirei-a com o meu telemóvel em difíceis condições de clandestinidade. Toda a gente tirou milhares de fotografias, com máquinas a sério e com os seus telemóveis. Mas eu estava muito perto de uma zelosa colaboradora da organização, e tive que ser discreto ao tirar esta fotografia.

Foi memorável.
D. Manuel Clemente falou muitíssimo bem. O que não tem apenas a ver com a forma (muito cuidada, como é seu hábito) do seu discurso. Quando digo que D. Manuel Clemente falou muitíssimo bem, digo-o porque ele proferiu verdades importantes.
Manoel de Oliveira surpreendeu-me. Talvez a surpresa tenha como principal razão o meu profundo desconhecimento do cineasta, e da sua vida e obra. Palavras comoventes e verdadeiras, que certamente tocaram Bento XVI.
Sobre o discurso do Papa escreverei mais tarde...

Terreiro do Paço - Nascente



Tentei chegar cedo ao Terreiro do Paço. Mas por volta das 15 horas, já só consegui ter esta vista. No sector Poente, mesmo de frente para o altar, havia uma área enorme que esteve vazia até perto das 17 horas. Por várias vezes pensei, e comigo pensaram os que estavam ao meu lado, que alguém teria que preencher aquele espaço fantástico. Vieram aos magotes, milhares de jovens vestidos de "t-shirt" azul, e encheram depressa uma área que parecia enorme.
O discurso de muitos inimigos do catolicismo está repleto de alusões depreciativas à terceira idade: que os crentes são quase sempre idosos (pretendendo-se com isso desprestigiar o catolicismo, sabe-se lá porquê: a presença da terceira idade, com a sua sabedoria de vida, tende pelo contrário a prestigiar). Perante uma imagem destas, que ilustra a dimensão da adesão da juventude ao Papa e à Igreja Católica, uma adesão espontânea e entusiasta, as críticas mudam de tom: a desculpa passa a ser a de que a juventude que lá esteve terá que ser ignorante, inculta e acrítica. Para algumas pessoas, tudo vale...
Mas, mais uma vez, uma imagem vale mais do que mil palavras mentirosas.

Terreiro do Paço - Poente



O Terreiro do Paço, nas horas que antecederam a primeira missa presidida pelo Santo Padre em Portugal. É nestes momentos, e com estas imagens, que se dissipam as palavras vãs dos que vaticinaram o fracasso do evento. Também se vê que, pese embora a realidade da propaganda mediática que alguns fazem contra a Igreja Católica, os "media" também mostram aqui a sua valência positiva: a transmissão televisiva não pôde ocultar que algo de especial se passou ontem no Terreiro do Paço ao final da tarde.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Papa na Nunciatura


A Av. Luís Bívar estava à cunha. Uma barulheira incrível.
Viva o Papa Bento XVI! Viva Portugal, Terra de Santa Maria!

Papa na Avenida da República


A Av. da República estava eufórica. Inesquecível.

Quase ninguém leu isto, pois não?

No programa "Prós e Contras" terminado há poucas horas atrás, a apresentadora lançou a pergunta: "Qual é o legado que este Papa vai deixar?". Bom... Para além de se achar erradamente que Bento XVI já deu tudo o que tinha para dar, há que ver que ele já nos deixou toneladas de coisas boas.

Com o Papa Bento XVI quase a aterrar em Lisboa, achei que era interessante ir ao baú de Joseph Ratzinger buscar uma coisa boa, que está mesmo no topo, pois não é muito antiga. Trata-se do seu esplêndido discurso na Aula Magna da Universidade de Regensburgo, a 12 de Setembro de 2006.

Cada vez tenho menos dúvidas de que este discurso foi distorcido e manipulado precisamente porque era bom demais para ser conhecido no original. É que era um contributo importante e decisivo para a questão da fé racional e racionalmente consistente. A "catequese" novo-laicista pretende que a fé é uma coisa privada e supersticiosa, incompatível com a razão. Bento XVI estragou-lhes o arranjinho, pelo que as suas palavras teriam que ser mediaticamente distorcidas, para que quase ninguém as recebesse na forma original.

Então, pro memoria, e contra o esquecimento, e contra a distorção mediática, cá vai... Bento XVI no seu melhor!

No sétimo colóquio (διάλεξις – controvérsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador aborda o tema da jihād, da guerra santa. O imperador sabia seguramente que, na sura 2, 256, lê-se: «Nenhuma coacção nas coisas de fé». Esta é provavelmente uma das suras do período inicial – segundo uma parte dos peritos – quando o próprio Maomé se encontrava ainda sem poder e ameaçado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia também as disposições que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcorão. Sem se deter em pormenores como a diferença de tratamento entre os que possuem o «Livro» e os «incrédulos», ele, de modo surpreendentemente brusco – tão brusco que para nós é inaceitável –, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: «Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava». O imperador, depois de se ter pronunciado de modo tão ríspido, passa a explicar minuciosamente os motivos pelos quais não é razoável a difusão da fé mediante a violência. Esta está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. Diz ele: «Deus não se compraz com o sangue; não agir segundo a razão – «σὺν λόγω» – é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e não da violência nem da ameaça... Para convencer uma alma racional não é necessário dispor do próprio braço, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa ameaçar de morte uma pessoa...».

Nesta argumentação contra a conversão através da violência, a afirmação decisiva está aqui: não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus. E o editor, Theodore Khoury, comenta: para o imperador, como bizantino que cresceu na filosofia grega, esta afirmação é evidente; mas não o é para a doutrina muçulmana, porque Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está vinculada a nenhuma das nossas categorias, incluindo a da razoabilidade. Neste contexto, Khoury cita uma obra do conhecido islamita francês R. Arnaldez, onde este assinala que Ibn Hazm chega a declarar que Deus nem sequer estaria vinculado à sua própria palavra e que nada O obrigaria a revelar-nos a verdade. Se fosse a sua vontade, o homem deveria inclusive praticar a idolatria.

Aqui gera-se um dilema, na compreensão de Deus e consequentemente na realização concreta da religião, que nos desafia hoje de maneira muito directa: a convicção de que o agir contra a razão estaria em contradição com a natureza de Deus, faz parte apenas do pensamento grego ou é válida sempre e por si mesma? Penso que, neste ponto, se manifesta a profunda concordância entre o que é grego na sua parte melhor e o que é a fé em Deus baseada na Bíblia. Modificando o primeiro versículo do livro do Génesis, o primeiro versículo de toda a Sagrada Escritura, João iniciou o prólogo do seu Evangelho com estas palavras: «No princípio era o λόγος». Ora, é precisamente esta a palavra que usa o imperador: Deus age «σὺν λόγω», com logos. Logos significa conjuntamente razão e palavra – uma razão que é criadora e capaz de se comunicar, mas precisamente enquanto razão. Com este termo, João ofereceu-nos a palavra conclusiva para o conceito bíblico de Deus, uma palavra na qual todos os caminhos, muitas vezes cansativos e sinuosos, da fé bíblica alcançam a sua meta, encontram a sua síntese. No princípio era o logos, e o logos é Deus: diz-nos o evangelista. Este encontro entre a mensagem bíblica e o pensamento grego não era simples coincidência. A visão de São Paulo – quando diante dele se estavam fechando os caminhos da Ásia e, em sonho, viu um macedónio que lhe suplicava: «Passa à Macedónia e vem ajudar-nos!» (cf. Act 16, 6-10) – esta visão pode ser interpretada como a «condensação» da necessidade intrínseca de aproximação entre a fé bíblica e a indagação grega.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os anúncios da Adecco...

Nas últimas horas os ditos anúncios têm sido apagados de vários sites de emprego (basta abrir o Google e procurar por "Adecco Papa" e verificar que a maioria dos anúncios desapareceu), mas ainda se pode ver o anúncio em alguns deles. Por exemplo, às 18 horas de hoje, neste site e neste site, ainda se pode ler o seguinte:

«A Adecco, Líder Mundial de Recursos Humanos, no seguimento da sua política de desenvolvimento e expansão, pretende recrutar Apoiantes (M/F) ao Papa Bento XVI na sua missão a Lisboa no dia 11 de Maio de 2010:

Local: Praça do Comércio.
Horário de trabalho: Manhã e/ou tarde

Requisitos:
- Muito boa apresentação;
- Gosto pelo contacto com o público;
- Dinamismo e responsabilidade;
- Resistência Física.

Entregamos:
- 1 T-shirt alusiva ao evento (ficará para os participantes)
- 1 Bandeira ou 1 Faixa alusiva ao evento (a devolver a agência)

Se reúne os requisitos, envie já o seu Curriculum Vitae para: merchandising@adecco.com com a REF:APB.»


Mas o mais provável é que estes anúncios sejam em breve apagados, assim que as empresas responsáveis pelos respectivos sites se dêem conta e apaguem os ditos.

O que está a acontecer?

1) Se o anúncio é a sério, porque é que está a ser retirado dos vários sites de emprego? Já preencheram todas as vagas?

2) Alguém acredita que os organizadores da Visita do Papa recorreriam à medida desonesta, imoral e desesperada de pagar "apoiantes"?

3) Alguém acredita que são precisos mais "apoiantes" para encher as ruas, avenidas e praças de Lisboa, Fátima e Porto, que vão ser poucas e apertadas para acolher todos os católicos que irão ver o Papa?

Não é difícil entender para que é que serve um anúncio destes.
Serve, entre outros propósitos, para isto e para isto.

E, é claro, serve para lançar ainda mais alto o papagaio da "imoralidade" da Igreja Católica. «Que raio de gente, estes católicos, hã? Andam por aí, a aproveitar-se do desemprego para comprar "apoiantes"? Que vergonha...»

Mas não terá sido "atrevido" da parte dos autores do anúncio a expressão "Muito boa apresentação"? Alguém acredita que a religião do Cristo crucificado, a religião do Bom Samaritano, iria pedir "boa apresentação"? O anúncio já era arriscado (pretender que a Igreja Católica compraria "apoiantes"), mas não terá sido arriscado demais meter a frase da "muito boa apresentação", deixando assim a cauda de fora?

O que dirá este gente quando vir o banho de multidão?
Que a Adecco está a facturar em grande com a vinda do Papa?

Visita do Papa - agradece-se divulgação


Esclarecimento da Organização da Visita do Santo Padre a Portugal:



ESCLARECIMENTO

Na sequência de notícias dando conta de que estaria em curso uma acção de recrutamento de pessoas para participarem nas Missas presididas pelo Santo Padre, a Comissão Organizadora da Visita do Papa Bento XVI a Portugal informa que não recorreu a qualquer serviço de recrutamento para trabalho temporário relacionado com as cerimónias que vão ter lugar em Lisboa, Fátima e Porto.

Milhares de voluntários associaram-se a este momento sem receberem nada em troca.

É esse o espírito que torna esta Viagem um momento de alegria para muitos portugueses.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bento XVI sobre a felicidade

«Feliz o homem que dá; feliz o homem que não utiliza a vida em proveito próprio, mas que a dá; feliz o homem misericordioso, bom e justo; feliz o homem que vive no amor de Deus e do próximo. É assim que se vive bem e, vivendo assim, não precisamos de ter medo da morte, porque estamos na felicidade que vem de Deus e nunca acaba»

- Catequese da Audiência Geral de 2 de Novembro de 2005, em "Bento XVI, Pensamentos espirituais", n.º 65, Lucerna, 2006, recebido via lista de distribuição É o Carteiro

Esta é uma excelente definição de felicidade, e ligada de forma muito simples e clara à verdade da vida eterna.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Histeria!

E não querem eles que os católicos falem em histeria...

UN Judge Says Pope Should be Prosecuted at International Criminal Court

Ou seja, tratar o Papa Bento XVI como um criminoso de guerra como o Milosevic...

O autor desta ideia peregrina dá pelo nome de Geoffrey Robertson e é um pelintra bem conhecido de quem tem andado a par das movimentações anticatólicas no seio das Nações Unidas. Em 1999, este Robertson fez parte da campanha que pretendia retirar à Santa Sé o seu estatuto na ONU. A iniciativa saiu furada, porque a maioria dos estados membros não foi na cantiga, e em 2004, o estatuto da Santa Sé na ONU saiu reforçado.

Que mais será preciso para que os cegos não vejam as movimentações de bastidores por detrás destes escândalos mediáticos?