Parte I - Prelúdio
O Ludwig escreveu hoje uma sátira no seu blogue, sob a pena do alter-ego "Dom Mário Neto", que representa a ideia que o Ludwig faz de uma realidade que ele ainda não conhece nem compreende: a da Teologia (e do teólogo). "Dom Mário Neto" é aquilo que o Ludwig imagina ser um teólogo, e usa esse alter-ego para satirizar as crenças religiosas em geral, com especial incidência, por razões óbvias (culturais) no cristianismo.
A discussão começara ontem, quando o Ludwig satirizou um trecho do Primeiro Livro de Samuel. Os detalhes podem ser lidos aqui.
O início da discussão não é interessante por si mesmo (uma disputa acerca da tradução de um termo hebraico), mas sim pelas realidades que faz ressaltar. Devo confessar que até há um quarto de hora atrás, eu não tinha ainda compreendido a objecção do Ludwig: achava que ele queria simplesmente teimar num determinado suposto absurdo conceptual que ele teria encontrado num dos livros do Antigo Testamento. Compreensão lenta a minha, porque na realidade, o problema do Luwdig estava na eterna questão da relação entre os bens materiais e a religião. Juro que só agora é que entendi que este sempre foi o cerne da questão levantada pelo Ludwig no seu texto de Sábado.
Com este comentário do Ludwig, apresentado de seguida, fica-se com a ideia de que o capítulo em questão constitui, para ele, uma prova de algo de muito grave em termos da atitude religiosa de um crente:
«Este relato continua a revelar algo de profundamente ridículo e perturbante com estas crenças religiosas.»
Não pode ser coisa pouca!
Na mesma caixa de comentários, Ludwig escreveu:
«Mesmo com a sua explicação, cuja ideia já conhecia, a minha opinião mantém-se. Ninguém oferece os pecados. Hoje em dia oferece-se dinheiro e jóias, e antigamente era comida, dinheiro e jóias. Ou seja, coisas de valor e não as coisas más de que nos queremos livrar.
E isso é quase universal na religião humana porque todos temos uma grande costela de comerciante.»
Vemos então que, afinal, a questão sempre foi a do ouro, e não tinha propriamente a ver com problemas de tradução. Para Ludwig, o "desastre" revelado no capítulo 6 do Primeiro Livro de Samuel era o facto de que seres humanos (racionais), neste caso os Filisteus, ofereceram ouro a um deus para expiação de pecados.
Este pode bem ser definido como um dos grandes "pecados mortais" do ateísmo esclarecido. Aos olhos destes iluminados, estamos perante algo não menor do que suicídio racionalista. A morte do bom senso. O enterro da Razão.
Parte II - Uma aparente condenação do materialismo
Numa primeira abordagem, Ludwig escolhe um caminho já bem trilhado e pisado por muitos antes dele, nos últimos séculos. A crítica à relação da Igreja com os bens materiais (vou cingir-me ao cristianismo, mas sei que o Ludwig aponta para algo em sentido lato, algo que vise todas as principais religiões). Para o Ludwig, e penso não estar a fazer um juízo errado, toda a Igreja, tendo que existir (idealmente, não existiria no mundo perfeito imaginado por Ludwig, composto por pessoas inteligentes e racionais), deveria ser composta por "Sãos Franciscos", por pessoas totalmente mendicantes, que nunca tocassem em bens materiais. Só dessa forma, na cosmovisão ludwiguiana, a Igreja seria coerente com aquilo que professa.
Trocado por miúdos, esta é a catequese iluminista, defendida por Ludwig, e que hoje em dia se tornou num facto consumado para uma crescente parte dos nossos concidadãos, num verdadeiro mito moderno:
A. Deus não existe (axioma).
1. Os crentes são pessoas pouco cultivadas: uma pessoa com conhecimentos não precisa de Deus para nada.
2. Os crentes de antigamente procuravam consolo na religião porque tinham medo da morte, mas também porque não conseguiam explicar certos fenómenos, hoje explicados pela Ciência; a Ciência deveria ter tornado a Religião num fenómeno caduco e condenado a desaparecer.
3. Os crentes de hoje ainda procuram consolo na religião porque têm medo da morte, mas também porque precisam ainda de uma explicação fácil para as injustiças: a religião é, e sempre foi, uma atitude subjectiva porque totalmente sentimental.
4. As Igrejas são dirigidas por comerciantes, que trocam bens materiais por consolo psicológico.
Sem o axioma, tudo isto cai, certamente, por terra. É na firme certeza filosófica (pela sua natureza, não pode ser uma certeza científica) de que Deus não existe que eles radicam a sua visão de que a religião é um gigantesco engano (para alguns, o maior engano de todos). Há então os que enganam (o clero) e os que são enganados (o povo). A religião, vista como algo que Marx apelidou de "ópio do povo".
A luta da Ciência contra a Religião, levada a cabo por estes bravos lutadores pós-Iluminismo, é então a eterna luta da Luz racionalista contra as Trevas da religião.
Em suma, o ateu esclarecido tem a resposta na ponta da língua:
a) O que quer um papa ou um bispo?
OURO e PODER
b) O que quer o crente?
CONSOLO
Supor que existam altos dirigentes da Igreja que vivem uma vida de fé sincera e devota é algo de aberrante: um alto dirigente da Igreja só lá está pelo poder e pelo ouro.
Supor que existam padres com pouco poder e crentes pobres já é algo de compreensível: são pessoas ignorantes exploradas pelo "sistema" religioso.
Para uma pessoa como o Ludwig, um mártir (que dá a sua vida por Cristo) representa uma tragédia humana enorme, não pelo sacrifício pessoal mas pelo absurdo da causa. O mártir deverá ser, para Ludwig, o supremo da loucura: uma pessoa dar a sua vida (para eles, a única) para encher a barriga e os cofres da padralhada.
Esta visão, está claro, é preconceituosa e baseia-se na ignorância. E é errada. O que é terrível, sobretudo quando tal visão é defendida por espíritos inteligentes, que deveriam ter alguma capacidade para escapar às condicionantes sociais que nos impõem esses preconceitos diariamente...
Parte III - A profissão (inconsciente) do mais arreigado materialismo
A atitude do Ludwig, disse atrás, parece à primeira vista (e parecer-lhe-á a ele mesmo) uma crítica do materialismo da Igreja. Ou seja, uma posição que teria tudo para ser anti-materialista. O Ludwig não aceita que as oferendas a Deus (por intermédio da Igreja) possam ter um significado sofisticado ou metafísico, ou possam ser gestos razoáveis ou aceitáveis. Para o Ludwig, tais significados metafísicos são normalmente "cozinhados" pelo blinólogo Dom Mário Neto de serviço. Porque não há, para o Ludwig, nenhum mistério numa oferenda destas: é apenas um crente a ir na argolada da Igreja.
Para o Ludwig, quando uma pessoa crente como eu coloca uma moeda no cestinho do ofertório, durante a Missa, está a ser burlado: a trocar consolo por dinheiro. Do lado de lá do altar, está o supremo comerciante: o padreco, esse gatuno do trabalho dos outros.
Esta visão, tão típica (será das mais típicas) do Iluminismo, do Modernismo, e ainda viva nesta época pós-modernista, longe de ser anti-materialista, é, na realidade, uma visão no extremo máximo do materialismo.
Sem modelos nem referências transcendentais, o ateu radica a sua existência no hic et nunc, no "aqui e agora" utilitarista, na fruição da experiência existencial tal qual ela é, sem grandes interrogações ou suposições metafísicas.
Por isso, a vida do ateu é explicada de forma simples: "Trabalho para obter dinheiro; uso o dinheiro para obter comida; como para me manter vivo; morro. Ponto final.".
Neste sentido, os bens materiais são preciosos para o ateu: são o combustível que mantém em movimento toda a máquina existencial ateísta: o corpo humano, esse robô sofisticado que um dia, segundo eles, a Ciência não só emulará, mas melhorará infinitamente. O ateu luta arduamente para evitar a morte. Ficar vivo só porque sim, só para aproveitar a vida, os bens materiais desta vida, é isso que o ateu quer.
Haverá então maior pecado ateísta, maior violação ética ao código comportamental do ateu, do que desperdiçar bens materiais? Do que perder a vida? Do que não procurar a satisfação sensorial? Do que perder a oportunidade de fruir destes bens numa sofreguidão individualista e epicurista?
Violar o carpe diem, este é o maior pecado do Homem aos olhos do ateu...
Isto é puro materialismo.
Como diz o Ludwig, o ser humano tem sempre algo de comerciante. O ateu radica a existência humana nos bens materiais, é deles que tudo parte, é para eles que tudo regressa. Os bens materiais explicam tudo. "Money makes the world go round!".
No fundo, na base da crítica que o Ludwig faz à existência de uma relação entre os bens materiais e a Igreja, está, paradoxalmente, um amor enorme (não confessado) aos bens materiais, essa bóia de salvação existencial, essa realidade tangível (para eles, o intangível é inútil, mais, é irreal) que dá aos ateus a sua sensação de segurança ontológica.
Parte IV - A religião e os bens materiais
Para o crente, que não sofre destes dilemas existenciais insolúveis, a coisa é relativamente simples:
1. Deus criou tudo. Rigorosamente tudo, incluindo os bens materiais.
2. A vida não pertence ao Homem, mas sim a Deus: é um dom de Deus para o Homem.
3. Os bens materiais não pertencem ao Homem: são colocados por Deus à disposição do Homem.
4. Os homens entregam o fruto do seu trabalho (em géneros ou dinheiro) em oferenda a Deus, colocando-o nas mãos daqueles que vivem exclusivamente para o serviço a Deus (o clero).
5. O clero fica responsável (depositário) de bens que não lhe pertencem, e que se destinam ao serviço divino.
Quando vemos um determinado prelado a viver uma vida de luxo desnecessário, podemos indignar-nos com razão: aquele homem está a esbanjar algo que não lhe pertence, não está a aplicar os bens que lhe foram confiados para servir a Deus.
Mas, e esta é a tragédia da incompreensão do Ludwig, há um abismo enorme entre esta atitude de cupidez humana, infelizmente demasiado frequente devido à nossa fraca natureza, e a atitude do prelado responsável, que gere bem os bens que lhe são confiados, e que os usa nas variadas vertentes do serviço a Deus, que passa pela ajuda aos que não têm, pelo trabalho de evangelização, pela defesa do património cultural do cristianismo, pela defesa da Igreja face aos seus agressores externos.
Quando eu entrego a minha dádiva no cesto, durante o Ofertório, tenho a perfeita consciência de que essa deve ser a menor parte da minha dádiva à sociedade, à Igreja, e a Deus enquanto cristão. Tenho muito mais que posso dar, e devo procurar oferecer, sobretudo, bens imateriais. Mas também tenho a consciência de que estou a depositar algo de material e que tem valor, à guarda de pessoas nas quais confio. Em muitos casos, porque o sacerdote costuma dizê-lo, até posso saber o destino dessa dádiva.
Se determinadas pessoas falham nessa minha confiança, se usam mal esses bens, serão elas a responder perante o Criador, e não eu. Acima de tudo, não é o acto de oferecer que está errado. Não é quem oferece que está errado. Oferecer está certíssimo. É a forma natural e racional de proceder.
Assim, como vemos, para o crente, os bens materiais devem fluir na sociedade, não só para a subsistência material da mesma, mas também para a maior glória de Deus. É nesse sentido que todo o crente razoável sabe que o trabalho de Deus nesta Terra também requer bens materiais. Em maior ou menor quantidade, consoante o destino dos mesmos. Esse destino tem é que ser justo e proporcional, mas isso é uma questão secundária e não central ao acto de dar.
A Igreja não é gnóstica: não há nada de maligno na Criação, nem nos bens, nem sequer no ouro, na prata, ou nas pedras preciosas. O que a Igreja ensina é algo de elementar e simples: quanto mais valioso é o bem, maior a responsabilidade do seu proprietário (ou do seu guardião) em dar-lhe bom uso.
Os bens servem o Homem. Mas isto tem muitas dimensões, para além da biológica, orgânica, psicológica ou social. Para o crente, o serviço dos bens ao Homem terá que passar, indiscutivelmente, por aproximá-lo de Deus. Logo, o destino mais elevado de um bem material é o de ser empregue para a glória de Deus, para fazer a ponte entre o Homem e Deus.
Na verdade, o bom crente dá um valor relativo aos bens materiais. Um valor não nulo, um valor positivo, mas incomparavelmente menor que o valor que um ateu lhes dá. Porque o crente sabe que a sua vida é finita. Que um dia acaba. E que nada de material, nem sequer o nosso corpo, se leva desta vida para a outra. Para o ateu, tudo o que há é para ser gozado nesta vida, que para eles é a única.
Assim, o ateísmo é, na verdade, um puro materialismo. Por definição.
Sobre a cupidez dos padres, muitos e santos homens escreveram afincadamente. Por exemplo, o nosso Santo António de Lisboa dedicou-lhes muitas e duras palavras (ver, entre muitos outros, o sermão do 5º Domingo depois da Páscoa, I, 663, sobre os vícios dos sacerdotes). O sacerdote que dá mau uso aos bens ao seu cuidado, e que não se arrependa a tempo, está perdido. Pobres de tais sacerdotes, indignos servidores de Deus, traidores na causa mais nobre. O mais triste é que tais pessoas estão reféns de um bloqueio intelectual que os faz servir o senhor errado. Servem o metal em vez de servir a Deus. Mas isso não faz do metal algo de mau, nem obriga a um divórcio entre os bens materiais e o serviço a Deus.
Este conceito que procurei explicar, o da utilidade e justeza do uso dos bens materiais no serviço a Deus, é incompreensível à "luz" (que raio de luz, esta, que escurece as mentes!) da distorcida cosmovisão do "ateísmo esclarecido", nascido da defesa dos novos dogmas decretados pela soi disant "Razão" contra Deus no século XVIII.
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
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domingo, 26 de agosto de 2007
segunda-feira, 11 de julho de 2005
Sincrético, José? Eu?
Meister José, um velho amigo destas andanças blogosféricas, honrou-me na semana passada com esta menção, num artigo intitulado Música celestial:
O Bernardo Motta, outro indivíduo de mistério, autor publicado, vindo das trevas do esoterismo e chegado à claridade do Catecismo, católico tradicionalista mas sincrético, atento leitor de René Guénon mas também de Ananda Coomaraswamy.
Como diria o outro, olha que não, José, olha que não!
É, de facto, bem feito para mim que o José me chame de sincrético. E, não fosse eu estar agora aqui prontinho para tentar fugir com o rabo à seringa, estaria tudo dito! Mas vou tentar safar a minha pele...
Meu caro José, na parte do católico tradicionalista acertas em cheio, se bem que a expressão é perigosa, uma vez que permitiria supor que eu tenho alguma coisa a ver com os católicos também ditos "tradicionalistas" que não reconhecem nenhum papa como válido desde o Concílio Vaticano II. Não é o meu caso. Por isso, deixando bem claro que me sinto plenamente integrado na Igreja Católica, não deixo de ser profundamente tradicionalista.
Agora vamos à questão do esoterismo e do sincretismo, que é bem mais espinhosa.
Tal como o dia é luminoso e a noite é escura, eu tenho a minha fé católica como a parte segura, luminosa, "diurna" da minha personalidade.
Por outro lado, a parte "noctura" de mim procura incessantemente tudo o que se mexe espiritualmente. Sou um curioso nato, e é algo que tenho em comum contigo, José. Mas a minha curiosidade leva-me a sair, à noite, da segurança da Cidade de Deus para os terrenos inexplorados onde há tanta coisa para descobrir.
Fora da cidade, também haverá profetas?
Penso que sim, e é isso que me faz sair, por vezes, da segurança das fronteiras bem definidas. Serei esoterista? Acho que não, sou apenas um curioso destas temáticas. Serei sincrético? Julgo que não, porque dos esoterismos retiro, sobretudo, interesse intelectual, e não opção religiosa ou pística. Seria sincrético se, paralelamente à fé católica, eu mantivesse crenças e convicções de fé externas a ela. Não é o caso.
Contudo, pela maneira como escrevo, ou quando defendo a qualidade que existe, inegavelmente, em certos esoterismos, é natural que eu pareça sincrético. René Guénon, e Ananda Coomaraswamy são os exemplos que levantas, José, e são bons exemplos. São exemplos do esoterismo sério e culto. Não os ler é, a meu ver, perder um manancial de intelectualidade. Isso não quer dizer que eu adira à totalidade (ou a grande parte) das suas ideias. René Guénon é um autor com imenso para ensinar a católicos, mas a sua obra contém também uma série de ideias incompatíveis com a fé católica.
Discernir é difícil, mas sabes bem que isso me diverte imenso.
Somos muito parecidos em termos de fé, José, e ambos tivemos uma conversão tardia (eu sempre fui "formalmente" católico, mas só me converti de facto já em idade adulta, quando finalmente pude pensar de forma madura sobre estes assuntos). Dizem que os que se convertem tardiamente se tornam fanáticos. Espero que isso não esteja a acontecer comigo. Para combater isso é que eu sou, como tu, intelectualmente irrequieto e inquieto. Isso é bom. Desde que seja temperado com bom senso!
Um abraço,
Bernardo
O Bernardo Motta, outro indivíduo de mistério, autor publicado, vindo das trevas do esoterismo e chegado à claridade do Catecismo, católico tradicionalista mas sincrético, atento leitor de René Guénon mas também de Ananda Coomaraswamy.
Como diria o outro, olha que não, José, olha que não!
É, de facto, bem feito para mim que o José me chame de sincrético. E, não fosse eu estar agora aqui prontinho para tentar fugir com o rabo à seringa, estaria tudo dito! Mas vou tentar safar a minha pele...
Meu caro José, na parte do católico tradicionalista acertas em cheio, se bem que a expressão é perigosa, uma vez que permitiria supor que eu tenho alguma coisa a ver com os católicos também ditos "tradicionalistas" que não reconhecem nenhum papa como válido desde o Concílio Vaticano II. Não é o meu caso. Por isso, deixando bem claro que me sinto plenamente integrado na Igreja Católica, não deixo de ser profundamente tradicionalista.
Agora vamos à questão do esoterismo e do sincretismo, que é bem mais espinhosa.
Tal como o dia é luminoso e a noite é escura, eu tenho a minha fé católica como a parte segura, luminosa, "diurna" da minha personalidade.
Por outro lado, a parte "noctura" de mim procura incessantemente tudo o que se mexe espiritualmente. Sou um curioso nato, e é algo que tenho em comum contigo, José. Mas a minha curiosidade leva-me a sair, à noite, da segurança da Cidade de Deus para os terrenos inexplorados onde há tanta coisa para descobrir.
Fora da cidade, também haverá profetas?
Penso que sim, e é isso que me faz sair, por vezes, da segurança das fronteiras bem definidas. Serei esoterista? Acho que não, sou apenas um curioso destas temáticas. Serei sincrético? Julgo que não, porque dos esoterismos retiro, sobretudo, interesse intelectual, e não opção religiosa ou pística. Seria sincrético se, paralelamente à fé católica, eu mantivesse crenças e convicções de fé externas a ela. Não é o caso.
Contudo, pela maneira como escrevo, ou quando defendo a qualidade que existe, inegavelmente, em certos esoterismos, é natural que eu pareça sincrético. René Guénon, e Ananda Coomaraswamy são os exemplos que levantas, José, e são bons exemplos. São exemplos do esoterismo sério e culto. Não os ler é, a meu ver, perder um manancial de intelectualidade. Isso não quer dizer que eu adira à totalidade (ou a grande parte) das suas ideias. René Guénon é um autor com imenso para ensinar a católicos, mas a sua obra contém também uma série de ideias incompatíveis com a fé católica.
Discernir é difícil, mas sabes bem que isso me diverte imenso.
Somos muito parecidos em termos de fé, José, e ambos tivemos uma conversão tardia (eu sempre fui "formalmente" católico, mas só me converti de facto já em idade adulta, quando finalmente pude pensar de forma madura sobre estes assuntos). Dizem que os que se convertem tardiamente se tornam fanáticos. Espero que isso não esteja a acontecer comigo. Para combater isso é que eu sou, como tu, intelectualmente irrequieto e inquieto. Isso é bom. Desde que seja temperado com bom senso!
Um abraço,
Bernardo
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
À segunda-feira sai sempre um especial "Terra da Alegria"...
... que convém ler com atenção:
Terra da Alegria
E, a cada segunda-feira, eu me pergunto ao espelho: "E tu, preguiçoso? Para quando outro artigo para a Terra da Alegria?"
Aqui fica um compromisso de honra em relação a um artigo de substância, para breve.
Até lá, não deixem de consultar a TdA, às segundas e às quartas-feiras!
Bernardo
Terra da Alegria
E, a cada segunda-feira, eu me pergunto ao espelho: "E tu, preguiçoso? Para quando outro artigo para a Terra da Alegria?"
Aqui fica um compromisso de honra em relação a um artigo de substância, para breve.
Até lá, não deixem de consultar a TdA, às segundas e às quartas-feiras!
Bernardo
segunda-feira, 19 de julho de 2004
"A Língua dos Pássaros", na Terra da Alegria
Hoje é dia de Terra da Alegria, e no número de hoje abundam bons textos, sendo que a temática dos artigos incide sobretudo no diálogo inter-religioso.
O meu artigo fala sobre a "Língua dos Pássaros", ou como também é por vezes referida, a "Língua dos Anjos". Este artigo faz parte de uma intenção minha de escrever sobre a temática da angeologia, que é um tema fortemente incompreendido, mesmo pelos crentes.
Há muito boa gente, crente, que se envergonharia se tivesse que admitir publicamente que acredita em anjos ou em demónios. Dessa postura tão frequente quanto inaceitável, que só pode derivar de uma crença pouco informada ou insegura, é fácil cair-se na tentação de ver os textos sagrados das diversas tradições espirituais como simples "textos poéticos". A "metamorfose" da exegese do texto revelado numa profana "análise poética" é algo de profundamente deplorável. Aqueles que vêem os textos sagrados como simples "poemas" estão gravemente equivocados, e estão mais influenciados pela atitude materialista moderna do que supõem.
O texto de Guénon que traduzi para o artigo de hoje na Terra da Alegria é um texto muito útil, porque demonstra de forma clara e abrangente que as tradições espirituais verdadeiras só podem concordar entre si, e que sob as aparentes diferenças de forma, encontra-se uma unidade doutrinal que inviabiliza a tese da sua origem ser puramente humana.
O texto serve também de lição para alguns ateus que vêem o fenómeno da espiritualidade e da crença como um amontoado de superstições tolas e vazias de realidade. Que este texto sirva para dar força aos crentes que vacilem perante alguns aspectos da sua fé, para que estes não duvidem da necessidade da intelectualidade na atitude do crente, e para que estes não se deixem intimidar por certos discursos anti-religiosos ofensivos, que para a pessoa informada não passam de patéticas demonstrações de ignorância.
O diálogo inter-religioso só pode ser favorecido pelo conhecimento do trabalho de intérpretes competentes como Guénon, que conhecendo a fundo as várias doutrinas ao serviço do Homem, souberam lançar luz e mostrar paralelos onde por vezes eles pareciam não existir. "Entente et non fusion", dizia Guénon. O verdadeiro Ecumenismo deverá ser um entendimento ao nível dos princípios metafísicos, e nunca a fusão das várias formas tradicionais numa suspeita "nova religião".
Os perigosos discursos "neo-religiosos", que falam de uma nova forma de encarar a espiritualidade, que advogam o laxismo doutrinal para permitir uma melhor "fusão" das diversas tradições, são discursos fortemente anti-tradicionais. De forma insuspeita, romances como o "Código Da Vinci" de Dan Brown vão permitindo preparar a massa ingénua da opinião pública no sentido desta aceitar mais facilmente este tipo de ideias "neo-religiosas". Estas ideias são traições às diversas formas da Verdade revelada. A diversidade das formas do revelatum é consequência da diversidade das culturas humanas por esse Mundo fora. Pessoas diferentes necessitam de mensagens com forma diferente, que melhor se adapte à sua maneira de ser.
Por isso, apelo aos católicos para que, ajudados por uma profunda compreensão da doutrina católica, saibam também estudar, compreender e aceitar a profundidade das restantes doutrinas válidas, que servem o útil propósito de lançar, por vezes, nova luz sobre aspectos mais obscuros da nossa própria doutrina.
Evitemos, sobretudo, estes dois grandes perigos:
1. A tentação de nos mudarmos para outra tradição na expectativa de encontrar aquilo que julgamos faltar à nossa tradição;
2. A tentação de aceitar como algo de bom e desejável a instituição de uma nova religião, feita da fusão das religiões ainda existentes: esta fusão seria o golpe final na verdadeira espiritualidade, seria uma dissolução da verdadeira espiritualidade numa mescla caótica, indistinta e sincrética.
Bernardo
O meu artigo fala sobre a "Língua dos Pássaros", ou como também é por vezes referida, a "Língua dos Anjos". Este artigo faz parte de uma intenção minha de escrever sobre a temática da angeologia, que é um tema fortemente incompreendido, mesmo pelos crentes.
Há muito boa gente, crente, que se envergonharia se tivesse que admitir publicamente que acredita em anjos ou em demónios. Dessa postura tão frequente quanto inaceitável, que só pode derivar de uma crença pouco informada ou insegura, é fácil cair-se na tentação de ver os textos sagrados das diversas tradições espirituais como simples "textos poéticos". A "metamorfose" da exegese do texto revelado numa profana "análise poética" é algo de profundamente deplorável. Aqueles que vêem os textos sagrados como simples "poemas" estão gravemente equivocados, e estão mais influenciados pela atitude materialista moderna do que supõem.
O texto de Guénon que traduzi para o artigo de hoje na Terra da Alegria é um texto muito útil, porque demonstra de forma clara e abrangente que as tradições espirituais verdadeiras só podem concordar entre si, e que sob as aparentes diferenças de forma, encontra-se uma unidade doutrinal que inviabiliza a tese da sua origem ser puramente humana.
O texto serve também de lição para alguns ateus que vêem o fenómeno da espiritualidade e da crença como um amontoado de superstições tolas e vazias de realidade. Que este texto sirva para dar força aos crentes que vacilem perante alguns aspectos da sua fé, para que estes não duvidem da necessidade da intelectualidade na atitude do crente, e para que estes não se deixem intimidar por certos discursos anti-religiosos ofensivos, que para a pessoa informada não passam de patéticas demonstrações de ignorância.
O diálogo inter-religioso só pode ser favorecido pelo conhecimento do trabalho de intérpretes competentes como Guénon, que conhecendo a fundo as várias doutrinas ao serviço do Homem, souberam lançar luz e mostrar paralelos onde por vezes eles pareciam não existir. "Entente et non fusion", dizia Guénon. O verdadeiro Ecumenismo deverá ser um entendimento ao nível dos princípios metafísicos, e nunca a fusão das várias formas tradicionais numa suspeita "nova religião".
Os perigosos discursos "neo-religiosos", que falam de uma nova forma de encarar a espiritualidade, que advogam o laxismo doutrinal para permitir uma melhor "fusão" das diversas tradições, são discursos fortemente anti-tradicionais. De forma insuspeita, romances como o "Código Da Vinci" de Dan Brown vão permitindo preparar a massa ingénua da opinião pública no sentido desta aceitar mais facilmente este tipo de ideias "neo-religiosas". Estas ideias são traições às diversas formas da Verdade revelada. A diversidade das formas do revelatum é consequência da diversidade das culturas humanas por esse Mundo fora. Pessoas diferentes necessitam de mensagens com forma diferente, que melhor se adapte à sua maneira de ser.
Por isso, apelo aos católicos para que, ajudados por uma profunda compreensão da doutrina católica, saibam também estudar, compreender e aceitar a profundidade das restantes doutrinas válidas, que servem o útil propósito de lançar, por vezes, nova luz sobre aspectos mais obscuros da nossa própria doutrina.
Evitemos, sobretudo, estes dois grandes perigos:
1. A tentação de nos mudarmos para outra tradição na expectativa de encontrar aquilo que julgamos faltar à nossa tradição;
2. A tentação de aceitar como algo de bom e desejável a instituição de uma nova religião, feita da fusão das religiões ainda existentes: esta fusão seria o golpe final na verdadeira espiritualidade, seria uma dissolução da verdadeira espiritualidade numa mescla caótica, indistinta e sincrética.
Bernardo
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Saiu mais um "Terra da Alegria"...
segunda-feira, 12 de julho de 2004
À segunda-feira...
... é dia de Terra da Alegria!
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
segunda-feira, 8 de março de 2004
Comentários
Foi adicionada a possibilidade de fazer comentários ao que por cá se escreve.
Convidam-se os leitores a que usem e abusem (dentro dos limites da decência) desta ferramenta!
Bernardo
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Bernardo
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
Blógica da Batata
Queria agradecer ao meu amigo Pedro Cordeiro (Blógica da Batata) a mensagem espectacular que nos dedicou nestes nossos primeiros dias de blogosfera. Já nos conhecemos há muito, muito tempo, e ao longo destes anos todos as nossas divergências ideológicas só têm alimentado muitas e boas horas de conversa.
Por isso, só posso encaminhar os visitantes deste blogue para a Blógica da Batata, onde eu sei que estará sempre um amigo atento ao que eu e o Duarte escrevemos, e sempre pronto a largar a sua batata no nosso caldeirão bloguístico.
Ou a dar-nos umas batatadas, se for preciso!
Um grande abraço, Pedro!
Bernardo
Por isso, só posso encaminhar os visitantes deste blogue para a Blógica da Batata, onde eu sei que estará sempre um amigo atento ao que eu e o Duarte escrevemos, e sempre pronto a largar a sua batata no nosso caldeirão bloguístico.
Ou a dar-nos umas batatadas, se for preciso!
Um grande abraço, Pedro!
Bernardo
quarta-feira, 8 de outubro de 2003
O Duarte apresenta-se...
Caros todos,
Tal como o meu amigo Bernardo escreveu, a ideia de criar este Blog, não assume qualquer outro contorno que não seja o de opinar... Opinar sobre o que se quiser e quando se quiser.
Chamo-me Duarte, sou casado e recém licenciado. Gosto de partilhar as minhas ideias, confesso que por vezes sou um bocadinho chato, mas neste Blog, não será o caso!
Deixo-vos, para os que tiverem paciência, com a minha primeira intervenção!
Insólitos Democráticos
Como grande parte dos Portugueses, a Democracia é mais um dos pacientes que espera na imensa lista da saúde, para se curar de doenças terríveis como a esquizofrenia ou a profunda amnésia em que tem vivido nos últimos anos.
O caso é realmente grave, se não veja-se. Numa altura crucial para o País, em que urgem reformas na educação, na função pública, na indústria (entre outras), a Nação pára e debate-se ferozmente, o governo oscila porque a jovem Diana quer, porque quer, entrar em medicina, independentemente de ter direito ou não.
Casos como este são inúmeros no passado recente da nossa vida política. Quem não se lembra do caso Vitorino e a Sisa ou das contas milionárias na Suíça.
O País vai realmente mal e a classe política vai ainda pior. O que transparece é que caímos numa total cegueira governativa, onde a única coisa que interessa é tirar os que estão no poder, para assegurar mais tachos. O princípio de governar pelo interesse Nacional há muito que deixou S. Bento, se é que alguma vez lá parou.
Mas o mais bizarro é a passividade da opinião pública. Vivemos o dia a dia numa doce apatia, conduzida exemplarmente pelos Órgãos de Comunicação Social, que vão ditando aquilo que devemos ver, falar e até pensar.
Valha-nos a ilusão da liberdade, nem que esteja confinada ao Zapping...
Duarte
Tal como o meu amigo Bernardo escreveu, a ideia de criar este Blog, não assume qualquer outro contorno que não seja o de opinar... Opinar sobre o que se quiser e quando se quiser.
Chamo-me Duarte, sou casado e recém licenciado. Gosto de partilhar as minhas ideias, confesso que por vezes sou um bocadinho chato, mas neste Blog, não será o caso!
Deixo-vos, para os que tiverem paciência, com a minha primeira intervenção!
Insólitos Democráticos
Como grande parte dos Portugueses, a Democracia é mais um dos pacientes que espera na imensa lista da saúde, para se curar de doenças terríveis como a esquizofrenia ou a profunda amnésia em que tem vivido nos últimos anos.
O caso é realmente grave, se não veja-se. Numa altura crucial para o País, em que urgem reformas na educação, na função pública, na indústria (entre outras), a Nação pára e debate-se ferozmente, o governo oscila porque a jovem Diana quer, porque quer, entrar em medicina, independentemente de ter direito ou não.
Casos como este são inúmeros no passado recente da nossa vida política. Quem não se lembra do caso Vitorino e a Sisa ou das contas milionárias na Suíça.
O País vai realmente mal e a classe política vai ainda pior. O que transparece é que caímos numa total cegueira governativa, onde a única coisa que interessa é tirar os que estão no poder, para assegurar mais tachos. O princípio de governar pelo interesse Nacional há muito que deixou S. Bento, se é que alguma vez lá parou.
Mas o mais bizarro é a passividade da opinião pública. Vivemos o dia a dia numa doce apatia, conduzida exemplarmente pelos Órgãos de Comunicação Social, que vão ditando aquilo que devemos ver, falar e até pensar.
Valha-nos a ilusão da liberdade, nem que esteja confinada ao Zapping...
Duarte
terça-feira, 7 de outubro de 2003
O Bernardo apresenta-se...
O Homem tem uma vontade desmedida de comunicar.
A Mulher ainda mais, como se sabe...
Este canto da Internet, onde vão começar a aparecer opiniões sobre os mais diversos assuntos, assume sobretudo a função de válvula de escape.
Todos opinam. Não quero, neste aspecto, ser diferente dos outros.
Gosto de opinar...
O impacto das minhas opiniões é, sem dúvida, muito limitado.
Ninguém muda o mundo com um blogue opinativo.
Não é essa a minha intenção.
Escrevo para me divertir, e para comunicar as minhas ideias e opiniões àqueles que não estão a trabalhar, mas sim a perder tempo na Internet a ler blogues desinteressantes!
Antes de começar a disparar os meus disparates em todas as direcções, acho importante falar um pouco, muito pouco, sobre mim. Parece-me essencial que os escassos leitores deste blogue possam contextualizar correctamente a minha verborreia à medida que ela for acontecendo.
Temas que me interessam: quase tudo.
Vai-se, contudo, notar que há uma ligeiríssima obcessão da minha parte por estes temas:
- religião
- religião e espiritualidade
- espiritualidade
- espiritualidade religiosa
- religião espiritual
- etc, etc...
Também gosto de opinar sobre política, se bem que nesta área quase não se arranja nada de bom para dizer, e por isso, o blogue pode tornar-se rapidamente muito depressivo.
Como todos sabem, política e religião são dois temas explosivos, e que fazem um belo conjunto.
Vou certamente dizer coisas muito horrorosas e polémicas e que poderão causar indigestões aos que por cá passem, por isso, que fique muito claro que isto é um aviso prévio.
A vantagem de um blogue é que não vou ser agredido, nem fisicamente nem verbalmente, pelos muitos que discordarão de mim.
Possivelmente o meu amigo Duarte poderá dinamitar a minha casa, visto que mora mesmo por baixo de mim, mas à parte dele, acho que estarei em relativa segurança.
Sobre a minha pessoa, para concluir:
- Espiritualmente, TENTO ser católico...
- Politicamente, TENTO ser conservador...
Contudo, como irão reparar em breve, tenho a língua solta no que toca a críticas ao mundo Católico, e no que toca à classe política conservadora.
Para já é tudo!
Se interrompeu o seu trabalho para ler isto, por favor, volte a trabalhar... O país precisa de si!!
Bernardo Sanchez da Motta
A Mulher ainda mais, como se sabe...
Este canto da Internet, onde vão começar a aparecer opiniões sobre os mais diversos assuntos, assume sobretudo a função de válvula de escape.
Todos opinam. Não quero, neste aspecto, ser diferente dos outros.
Gosto de opinar...
O impacto das minhas opiniões é, sem dúvida, muito limitado.
Ninguém muda o mundo com um blogue opinativo.
Não é essa a minha intenção.
Escrevo para me divertir, e para comunicar as minhas ideias e opiniões àqueles que não estão a trabalhar, mas sim a perder tempo na Internet a ler blogues desinteressantes!
Antes de começar a disparar os meus disparates em todas as direcções, acho importante falar um pouco, muito pouco, sobre mim. Parece-me essencial que os escassos leitores deste blogue possam contextualizar correctamente a minha verborreia à medida que ela for acontecendo.
Temas que me interessam: quase tudo.
Vai-se, contudo, notar que há uma ligeiríssima obcessão da minha parte por estes temas:
- religião
- religião e espiritualidade
- espiritualidade
- espiritualidade religiosa
- religião espiritual
- etc, etc...
Também gosto de opinar sobre política, se bem que nesta área quase não se arranja nada de bom para dizer, e por isso, o blogue pode tornar-se rapidamente muito depressivo.
Como todos sabem, política e religião são dois temas explosivos, e que fazem um belo conjunto.
Vou certamente dizer coisas muito horrorosas e polémicas e que poderão causar indigestões aos que por cá passem, por isso, que fique muito claro que isto é um aviso prévio.
A vantagem de um blogue é que não vou ser agredido, nem fisicamente nem verbalmente, pelos muitos que discordarão de mim.
Possivelmente o meu amigo Duarte poderá dinamitar a minha casa, visto que mora mesmo por baixo de mim, mas à parte dele, acho que estarei em relativa segurança.
Sobre a minha pessoa, para concluir:
- Espiritualmente, TENTO ser católico...
- Politicamente, TENTO ser conservador...
Contudo, como irão reparar em breve, tenho a língua solta no que toca a críticas ao mundo Católico, e no que toca à classe política conservadora.
Para já é tudo!
Se interrompeu o seu trabalho para ler isto, por favor, volte a trabalhar... O país precisa de si!!
Bernardo Sanchez da Motta
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