É cada vez mais sabido que os EUA estão bem fornecidos de Bispos de categoria. Tenho citado neste blogue vários bons exemplos. Eis mais um texto lúcido e importante do Arcebispo de Denver, Charles Chaput, do qual tomei conhecimento via Infovitae.
Living within the truth: Religious liberty and Catholic mission in the new order of the world
Eis um excerto deste texto poderoso:
«This diagnosis helps us understand one of the foundational injustices in the West today -- the crime of abortion.
I realize that the abortion license is a matter of current law in almost every nation in the West. In some cases, this license reflects the will of the majority and is enforced through legal and democratic means. And I’m aware that many people, even in the Church, find it strange that we Catholics in America still make the sanctity of unborn life so central to our public witness.
Let me tell you why I believe abortion is the crucial issue of our age.
First, because abortion, too, is about living within the truth. The right to life is the foundation of every other human right. If that right is not inviolate, then no right can be guaranteed.
Or to put it more bluntly: Homicide is homicide, no matter how small the victim.
Here’s another truth that many persons in the Church have not yet fully reckoned: The defense of newborn and preborn life has been a central element of Catholic identity since the Apostolic Age.
I’ll say that again: From the earliest days of the Church, to be Catholic has meant refusing in any way to participate in the crime of abortion -- either by seeking an abortion, performing one, or making this crime possible through actions or inactions in the political or judicial realm. More than that, being Catholic has meant crying out against all that offends the sanctity and dignity of life as it has been revealed by Jesus Christ.
The evidence can be found in the earliest documents of Church history. In our day -- when the sanctity of life is threatened not only by abortion, infanticide and euthanasia, but also by embryonic research and eugenic temptations to eliminate the weak, the disabled and the infirm elderly -- this aspect of Catholic identity becomes even more vital to our discipleship.
My point in mentioning abortion is this: Its widespread acceptance in the West shows us that without a grounding in God or a higher truth, our democratic institutions can very easily become weapons against our own human dignity.
Our most cherished values cannot be defended by reason alone, or simply for their own sake. They have no self-sustaining or “internal” justification.
There is no inherently logical or utilitarian reason why society should respect the rights of the human person. There is even less reason for recognizing the rights of those whose lives impose burdens on others, as is the case with the child in the womb, the terminally ill, or the physically or mentally disabled.
If human rights do not come from God, then they devolve to the arbitrary conventions of men and women. The state exists to defend the rights of man and to promote his flourishing. The state can never be the source of those rights. When the state arrogates to itself that power, even a democracy can become totalitarian.
What is legalized abortion but a form of intimate violence that clothes itself in democracy? The will to power of the strong is given the force of law to kill the weak.»
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Há momentos...
"Há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um"
Foi com esta frase triste e profundamente errada que o Senhor Presidente Aníbal Cavaco Silva, dando a sua assinatura a mais uma lei imoral, entra para a história de Portugal como o Presidente da República que mais cooperou com o mal. Sabendo-se que ele é católico, tal situação é trágica. Primeiro, Cavaco pactuou com o mal do aborto, infanticídio tornado direito subsidiado pelo Estado, e que ele ratificou com a sua assinatura. Depois, com a famigerada lei do "divórcio na hora", que institucionalizou a irresponsabilidade e a fragilidade social, Cavaco pactuou com a injusta lei que já tem lançado na miséria e na precariedade várias pessoas. Agora, Cavaco dá o golpe final no conceito de casamento civil, insultando todos os casais dignos desse nome, ao institucionalizar a imoralidade e a perversidade da homossexualidade, chamando-a de "casamento".
Nestes minutos, todos aqueles católicos que votaram Cavaco devem estar a sentir-se muito estúpidos. Eu sou um desses estúpidos, que um dia achou, ingenuamente, que votar num político católico implicaria que tal político, uma vez eleito, se pautaria por princípios e valores católicos. Fui enganado por Cavaco Silva. E como eu, foram enganados todos os católicos que votaram nele. Não volto a cair noutra...
Este tipo de político incoerente e pactuante com o mal «um dia, brevemente, terá de responder diante do Supremo Juiz, prestando rigorosas contas dos imensos crimes por que foi responsável», como justamente escreveu o Padre Nuno Serras Pereira.
Foi com esta frase triste e profundamente errada que o Senhor Presidente Aníbal Cavaco Silva, dando a sua assinatura a mais uma lei imoral, entra para a história de Portugal como o Presidente da República que mais cooperou com o mal. Sabendo-se que ele é católico, tal situação é trágica. Primeiro, Cavaco pactuou com o mal do aborto, infanticídio tornado direito subsidiado pelo Estado, e que ele ratificou com a sua assinatura. Depois, com a famigerada lei do "divórcio na hora", que institucionalizou a irresponsabilidade e a fragilidade social, Cavaco pactuou com a injusta lei que já tem lançado na miséria e na precariedade várias pessoas. Agora, Cavaco dá o golpe final no conceito de casamento civil, insultando todos os casais dignos desse nome, ao institucionalizar a imoralidade e a perversidade da homossexualidade, chamando-a de "casamento".
Nestes minutos, todos aqueles católicos que votaram Cavaco devem estar a sentir-se muito estúpidos. Eu sou um desses estúpidos, que um dia achou, ingenuamente, que votar num político católico implicaria que tal político, uma vez eleito, se pautaria por princípios e valores católicos. Fui enganado por Cavaco Silva. E como eu, foram enganados todos os católicos que votaram nele. Não volto a cair noutra...
Este tipo de político incoerente e pactuante com o mal «um dia, brevemente, terá de responder diante do Supremo Juiz, prestando rigorosas contas dos imensos crimes por que foi responsável», como justamente escreveu o Padre Nuno Serras Pereira.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
A falta de educação é uma tragédia
A Internet tem, de facto, a vantagem de trazer glória fácil a certas pessoas cujo perfil intelectual nunca lhes permitiria grangear tanta facilidade comunicativa.
Fernanda Câncio, e colaboradores, costumam brindar-nos, de tempos a tempos, com pérolas opinativas bastante singulares.
Desta vez, apetece-me comentar dois pequenos textos, escritos num tom serôdio, que evidenciam certas lacunas em termos de educação e cultura.
Os dois textos comentam o recente protocolo de Estado por altura das comemorações do 25 de Abril. Infelizmente, revelam que os autores destes textos opinativos desconhecem o significado e a importância do protocolo, que estão ligados de forma umbilical à educação e à formação cívica.
O primeiro texto, de Nuno Simas, E la nave va..., escrito num tom jocoso pseudo-intelectual, mas a armar ao intelectual, pretende gozar com o texto protocolar. Contudo, lendo o texto protocolar, deparamo-nos com algo normal e regular. O autor destaca, em particular, um trecho a explicar o protocolo de contacto entre as mulheres de Cavaco Silva e de Jaime Gama. Porventura, o autor nunca terá lido mais nenhum documento protocolar na sua vida, mas é perfeitamente normal estabelecer, num documento de protocolo, o modo exacto como as pessoas presentes se deverão comportar e dirigir umas às outras. É isso que recebe o nome de... protocolo!
Num segundo texto, este já de Fernanda Câncio, A senhora de, a linguagem desce à sargeta, encontrando-se infelizmente algum vernáculo (também na moda para alguma pseudo-intelectualidade hodierna). Também se encontra um anglo-saxónico "helllooo?", resultado de uma subserviência cultural da autora face a séries televisivas norte-americanas.
Depois, a triste insistência num discurso fanático feminista, mostrando-se chocada com o uso da expressão "senhora de...". Pessoalmente, eu preferiria usar a expressão "mulher de...", mas seja como for, a expressão do documento parece-me muito aceitável, uma vez que as figuras de proa do protocolo são Cavaco Silva e Jaime Gama. As respectivas mulheres têm um papel protocolar subordinado ao dos seus maridos, que, esses sim, ocupam lugares de Estado. Se tivessemos um primeiro ministro mulher, certamente que o protocolo mudaria para se indicar "marido de...", uma vez que seria então a mulher a figura de proa do protocolo. Como é óbvio, um mínimo de cultura geral (não falo de uma formação específica em Protocolo de Estado, falo num mínimo de cultura geral) permitiria tirar quaisquer dúvidas face a um suposto machismo protocolar, que evidentemente não existe.
Depois ainda, encontramos este trecho:
«e nem vou comentar o facto de o caríssimo cardeal patriarca continuar a sentar-se ao lado dos presidentes da república, mantendo assim o lugar protocolar que foi atribuído pelo regime de salazar ao representante da igreja católica. já comentei isso que chegue, mais a óbvia violação da lei da liberdade religiosa e da constituição da república que obviamente é.»
Uma "óbvia" violação da lei da liberdade religiosa?
E da constituição?
Convidar para a cerimónia o representante hierarquicamente mais elevado da religião com maior representatividade em Portugal? Da religião que assistiu Portugal na fundação da nacionalidade? Porventura, Fernanda Câncio não saberá que a Ordem do Templo, organização militar e religiosa católica, ajudou o nosso Rei D. Afonso Henriques a consolidar a Nação? E só para dar um exemplo recuado no tempo? E o que dizer do facto de a autora achar que este lugar de destaque no protocolo foi instituido por Salazar? É por estas e por outras que é importante apostar no Ensino Básico e Secundário.
No fim de contas, e para usar um termo caro a Fernanda Câncio, toda esta sua agitação só é um claro sinal da "saloiice" do texto da autora.
Fernanda Câncio, e colaboradores, costumam brindar-nos, de tempos a tempos, com pérolas opinativas bastante singulares.
Desta vez, apetece-me comentar dois pequenos textos, escritos num tom serôdio, que evidenciam certas lacunas em termos de educação e cultura.
Os dois textos comentam o recente protocolo de Estado por altura das comemorações do 25 de Abril. Infelizmente, revelam que os autores destes textos opinativos desconhecem o significado e a importância do protocolo, que estão ligados de forma umbilical à educação e à formação cívica.
O primeiro texto, de Nuno Simas, E la nave va..., escrito num tom jocoso pseudo-intelectual, mas a armar ao intelectual, pretende gozar com o texto protocolar. Contudo, lendo o texto protocolar, deparamo-nos com algo normal e regular. O autor destaca, em particular, um trecho a explicar o protocolo de contacto entre as mulheres de Cavaco Silva e de Jaime Gama. Porventura, o autor nunca terá lido mais nenhum documento protocolar na sua vida, mas é perfeitamente normal estabelecer, num documento de protocolo, o modo exacto como as pessoas presentes se deverão comportar e dirigir umas às outras. É isso que recebe o nome de... protocolo!
Num segundo texto, este já de Fernanda Câncio, A senhora de, a linguagem desce à sargeta, encontrando-se infelizmente algum vernáculo (também na moda para alguma pseudo-intelectualidade hodierna). Também se encontra um anglo-saxónico "helllooo?", resultado de uma subserviência cultural da autora face a séries televisivas norte-americanas.
Depois, a triste insistência num discurso fanático feminista, mostrando-se chocada com o uso da expressão "senhora de...". Pessoalmente, eu preferiria usar a expressão "mulher de...", mas seja como for, a expressão do documento parece-me muito aceitável, uma vez que as figuras de proa do protocolo são Cavaco Silva e Jaime Gama. As respectivas mulheres têm um papel protocolar subordinado ao dos seus maridos, que, esses sim, ocupam lugares de Estado. Se tivessemos um primeiro ministro mulher, certamente que o protocolo mudaria para se indicar "marido de...", uma vez que seria então a mulher a figura de proa do protocolo. Como é óbvio, um mínimo de cultura geral (não falo de uma formação específica em Protocolo de Estado, falo num mínimo de cultura geral) permitiria tirar quaisquer dúvidas face a um suposto machismo protocolar, que evidentemente não existe.
Depois ainda, encontramos este trecho:
«e nem vou comentar o facto de o caríssimo cardeal patriarca continuar a sentar-se ao lado dos presidentes da república, mantendo assim o lugar protocolar que foi atribuído pelo regime de salazar ao representante da igreja católica. já comentei isso que chegue, mais a óbvia violação da lei da liberdade religiosa e da constituição da república que obviamente é.»
Uma "óbvia" violação da lei da liberdade religiosa?
E da constituição?
Convidar para a cerimónia o representante hierarquicamente mais elevado da religião com maior representatividade em Portugal? Da religião que assistiu Portugal na fundação da nacionalidade? Porventura, Fernanda Câncio não saberá que a Ordem do Templo, organização militar e religiosa católica, ajudou o nosso Rei D. Afonso Henriques a consolidar a Nação? E só para dar um exemplo recuado no tempo? E o que dizer do facto de a autora achar que este lugar de destaque no protocolo foi instituido por Salazar? É por estas e por outras que é importante apostar no Ensino Básico e Secundário.
No fim de contas, e para usar um termo caro a Fernanda Câncio, toda esta sua agitação só é um claro sinal da "saloiice" do texto da autora.
quarta-feira, 30 de junho de 2004
Vergonhosa decisão...
... do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Leia-se a notícia no Público.
Esta notícia é verdadeiramente surpreendente:
"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entende que não existe qualquer violação da liberdade religiosa na interdição do uso do véu islâmico nas escolas e universidades."
Diz o tribunal que:
"a liberdade de manifestar a religião pode ser restringida a fim de preservar os valores democráticos e os princípios invioláveis da liberdade de religião e da igualdade dos cidadãos perante a lei"
Será que ninguém se dá conta do anacronismo? "a liberdade pode ser restringida", diz o tribunal... Ou seja, já não é bem uma liberdade. Como todas as novas "liberdades" que se aplicam aos crentes, trata-se de uma pseudo-liberdade. Querem eles "preservar valores" e "princípios"!
Que "valores"? Até dá vontade de rir. Nunca houve tanta falta de valores e princípios como nos tempos que correm, onde a pulsão niilista acomete com todas as suas forças para destruir a verdadeira espiritualidade onde quer que esta se manifeste. Qual é o mal com o uso dos véus? Ofende quem não usa?
Repare-se no outro lado da questão, o da aluna islâmica que quer usar o véu...
Então se uma estudante islâmica quer usar, por pudor, o seu véu, ela tem que aturar a falta de pudor dos outros. Até aqui tudo bem, porque foi ela quem escolheu estudar numa escola ocidental. Mas porque raio ficariam ofendidas ou "pressionadas" as restantes alunas?
"o tribunal não perdeu de vista que existem movimentos políticos extremistas, na Turquia, que procuram impor a toda a sociedade os seus símbolos religiosos e a sua concepção de sociedade baseada em princípios religiosos"
De que "movimentos políticos extremistas" falam eles? Do Islão? Desde quando é que ser islâmico, e querer viver a sua vida de acordo com as crenças islâmicas, é fazer parte de "movimentos políticos extremistas"? Estes senhores, com esta decisão infame e injusta, não estão a combater o que eles chamam eufemisticamente de "movimentos políticos extremistas". Estão sim a combater a religião, mais concretamente e neste caso o Islão. Pulsão niilista anti-religiosa, é o que isto é.
"As escolas podem tomar medidas para prevenir que certos movimentos religiosos fundamentalistas pressionem os estudantes que não praticam a fé da mesma forma e os que não têm a mesma fé"
Mas de que pressão falam eles, meu Deus?
Se uma criança levar um crucifixo ao peito para a escola, estará a "pressionar" os restantes alunos?
Que o Governo francês é pateta, isso não admira e é do conhecimento geral. A forma como conduziram toda esta questão do véu, a troco de um forçado e abusivo "laicismo" foi desastrosa e ficará na memória como um momento negro da pseudo-democracia francesa.
Agora, que seja o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a ditar semelhante sentença, parece-me particularmente grave.
A patetice e o gosto pelo saloio tomaram de assalto as instituições a nível europeu. Como pode qualquer pessoa confiar o que quer que seja a este tribunal quando ele falha tão cabalmente, e numa questão tão elementar de justiça como esta?
De acordo com a mais elementar liberdade, toda e qualquer mulher islâmica deve poder usar o véu que quiser, como quiser, e onde quiser. Tudo o resto é conversa.
Afinal, para quê tudo isto? Para travar o Islão. Não para travar o terrorismo ou o fanatismo (usar o véu nada tem de fanático, é um preceito normal e natural do Islão), mas sim para travar a religião. Dizem eles que é tudo em nome de uma "separação entre religião e estado", mas ninguém está a discutir poderes, mas sim a discutir a liberdade das mulheres islâmicas poderem trajar o véu, que é parte do seu vestuário tradicional, quando frequentam uma escola ocidental.
Tudo isto é muito triste e medíocre.
Bernardo
Leia-se a notícia no Público.
Esta notícia é verdadeiramente surpreendente:
"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entende que não existe qualquer violação da liberdade religiosa na interdição do uso do véu islâmico nas escolas e universidades."
Diz o tribunal que:
"a liberdade de manifestar a religião pode ser restringida a fim de preservar os valores democráticos e os princípios invioláveis da liberdade de religião e da igualdade dos cidadãos perante a lei"
Será que ninguém se dá conta do anacronismo? "a liberdade pode ser restringida", diz o tribunal... Ou seja, já não é bem uma liberdade. Como todas as novas "liberdades" que se aplicam aos crentes, trata-se de uma pseudo-liberdade. Querem eles "preservar valores" e "princípios"!
Que "valores"? Até dá vontade de rir. Nunca houve tanta falta de valores e princípios como nos tempos que correm, onde a pulsão niilista acomete com todas as suas forças para destruir a verdadeira espiritualidade onde quer que esta se manifeste. Qual é o mal com o uso dos véus? Ofende quem não usa?
Repare-se no outro lado da questão, o da aluna islâmica que quer usar o véu...
Então se uma estudante islâmica quer usar, por pudor, o seu véu, ela tem que aturar a falta de pudor dos outros. Até aqui tudo bem, porque foi ela quem escolheu estudar numa escola ocidental. Mas porque raio ficariam ofendidas ou "pressionadas" as restantes alunas?
"o tribunal não perdeu de vista que existem movimentos políticos extremistas, na Turquia, que procuram impor a toda a sociedade os seus símbolos religiosos e a sua concepção de sociedade baseada em princípios religiosos"
De que "movimentos políticos extremistas" falam eles? Do Islão? Desde quando é que ser islâmico, e querer viver a sua vida de acordo com as crenças islâmicas, é fazer parte de "movimentos políticos extremistas"? Estes senhores, com esta decisão infame e injusta, não estão a combater o que eles chamam eufemisticamente de "movimentos políticos extremistas". Estão sim a combater a religião, mais concretamente e neste caso o Islão. Pulsão niilista anti-religiosa, é o que isto é.
"As escolas podem tomar medidas para prevenir que certos movimentos religiosos fundamentalistas pressionem os estudantes que não praticam a fé da mesma forma e os que não têm a mesma fé"
Mas de que pressão falam eles, meu Deus?
Se uma criança levar um crucifixo ao peito para a escola, estará a "pressionar" os restantes alunos?
Que o Governo francês é pateta, isso não admira e é do conhecimento geral. A forma como conduziram toda esta questão do véu, a troco de um forçado e abusivo "laicismo" foi desastrosa e ficará na memória como um momento negro da pseudo-democracia francesa.
Agora, que seja o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a ditar semelhante sentença, parece-me particularmente grave.
A patetice e o gosto pelo saloio tomaram de assalto as instituições a nível europeu. Como pode qualquer pessoa confiar o que quer que seja a este tribunal quando ele falha tão cabalmente, e numa questão tão elementar de justiça como esta?
De acordo com a mais elementar liberdade, toda e qualquer mulher islâmica deve poder usar o véu que quiser, como quiser, e onde quiser. Tudo o resto é conversa.
Afinal, para quê tudo isto? Para travar o Islão. Não para travar o terrorismo ou o fanatismo (usar o véu nada tem de fanático, é um preceito normal e natural do Islão), mas sim para travar a religião. Dizem eles que é tudo em nome de uma "separação entre religião e estado", mas ninguém está a discutir poderes, mas sim a discutir a liberdade das mulheres islâmicas poderem trajar o véu, que é parte do seu vestuário tradicional, quando frequentam uma escola ocidental.
Tudo isto é muito triste e medíocre.
Bernardo
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