"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A Igreja Católica e a Maçonaria
No passado Sábado fiz uma palestra intitulada A Igreja Católica e a Maçonaria, na qual expus as origens históricas da Maçonaria moderna (especulativa, simbólica) e alguns detalhes acerca da primeira condenação papal e das suas razões. Historicamente, cingi-me apenas ao século XVIII, pelo que esta apresentação, necessariamente, nada contém acerca da maçonaria irregular ou da fase anticlerical de certas correntes maçónicas. Creio que, demonstrando de que forma a Maçonaria, na sua génese cristã (protestante) e inglesa, já é incompatível com a doutrina católica, será ainda mais evidente a sua incompatibilidade em ulteriores épocas históricas quando certos elementos e correntes da Maçonaria trabalharam contra a Igreja Católica e contra o cristianismo.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Maçon e católico?
Maçon e católico? Impossível. Uma contradição. Aqui fica alguma documentação, que peca certamente por omissão, acerca da incompatibilidade entre catolicismo e Maçonaria. A pertença de um católico à Maçonaria está vedada desde 28 de Abril de 1738, data da bula "In eminenti" de Clemente XII, o primeiro documento do Magistério a declarar a incompatibilidade e a condenar a Maçonaria de forma clara. Para se ter uma ideia das datas em questão, a Maçonaria moderna data de 1717, ano da fundação da Grande Loja de Inglaterra, a loja mãe da Maçonaria, que é o resultado da fusão de quatro pequenas lojas londrinas que se reuniam em tabernas. O projecto de fundação tem como figuras de proa o pastor protestante escocês (presbiteriano) James Anderson (1680-1739) e o cientista Téophile Desaguliers, oriundo de uma família calvinista francesa, e membro da Royal Society. Dado que o projecto da Maçonaria moderna nasceu em solo protestante, e pela mão de protestantes, nunca fez grande sentido ser-se católico e maçon, apesar de terem existido lojas quase exclusivamente compostas por católicos, como é um caso paradigmático a Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia, um órgão independente da maçonaria andersoniana, composta maioritariamente por católicos irlandeses, e estabelecida em Lisboa por volta de 1733-34, mas que se dissolveu voluntariamente aquando da bula de Clemente XII.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Plano Inclinado - Não se pode dizer mal do avental!
O programa Plano Inclinado foi cancelado. A SIC Notícias procurou explicar, desde modo, o porquê:
“Estamos a ponderar uma nova estratégia para o programa, como já aconteceu noutras situações. Estamos a pensar o que queremos para o programa no futuro”, disse ao PÚBLICO António José Teixeira, director do canal. Para o responsável a suspensão do programa faz parte de "uma estratégia de renovação”. Teixeira não diz se o programa volta. “Mas não há nenhum programa novo para aquele lugar de grelha”, confirma.
Como se vê, a SIC Notícias não explicou nada. António José Teixeira diz que acabou com o Plano Inclinado como parte de "uma estratégia de renovação", ao mesmo tempo que diz que "não há nenhum programa novo para aquele lugar de grelha". Ou seja, "renovou" a grelha trocando o Plano inclinado pelo vazio. Mas há-de-se arranjar, num instante, qualquer coisinha boa para preencher o lugar do Crespo e do Medina!
À primeira vista, poder-se-ia pensar que o Governo teria decidido acabar com o programa, depois de se ver enxovalhado ao longo de quase todos os programas do Plano Inclinado, programas esses que desmascararam a podridão, a incompetência, a bandalheira da nossa classe política, sobretudo da pandilha que nos governa. Não seria a primeira vez que este Governo acabaria com um programa incómodo. Mas é estranho: porquê tanto tempo para o Governo acabar com o Plano Inclinado? Por masoquismo?
Curiosamente, e certamente por coincidência, por pura coincidência, o último programa que foi para o ar teve como convidado Henrique Neto, o engenheiro socialista que se tem atrevido a criticar a influência negativa de certa Maçonaria na classe política portuguesa:
E pronto. Acabou-se o único programa da televisão nacional que eu ainda via com gosto...
Era indispensável silenciar quem fala a verdade! O último programa ultrapassou o que certas pessoas eram capazes de tolerar, ao denunciar os escândalos dos financiamentos partidários. Mas a heresia da crítica das ligações da Maçonaria à política foi a sentença de morte do Plano Inclinado. Veja-se, em especial, a conversa após o instante 26'30, e o testemunho de Henrique Neto:
«E verifiquei, pouco a pouco, que havia como que... a Maçonaria era usada para proteger ou para potenciar as possibilidades de certas pessoas, de certos membros, quando eles tinham oportunidades de acesso a lugar qualquer: lugar na Economia, lugar na... bom, essa prática que eu verifiquei que era uma prática, a chamada "solidariedade" entre os maçónicos, que também já estava a ser utilizada por pessoas que nem sequer eram das irmandades...»
PS: Jorge Coelho foi o autor da célebre: "Quem se mete com o PS, leva!". Está na altura de actualizar, e precisar melhor, essa bela tirada: "Quem se mete com os aventais, leva!".
“Estamos a ponderar uma nova estratégia para o programa, como já aconteceu noutras situações. Estamos a pensar o que queremos para o programa no futuro”, disse ao PÚBLICO António José Teixeira, director do canal. Para o responsável a suspensão do programa faz parte de "uma estratégia de renovação”. Teixeira não diz se o programa volta. “Mas não há nenhum programa novo para aquele lugar de grelha”, confirma.
Como se vê, a SIC Notícias não explicou nada. António José Teixeira diz que acabou com o Plano Inclinado como parte de "uma estratégia de renovação", ao mesmo tempo que diz que "não há nenhum programa novo para aquele lugar de grelha". Ou seja, "renovou" a grelha trocando o Plano inclinado pelo vazio. Mas há-de-se arranjar, num instante, qualquer coisinha boa para preencher o lugar do Crespo e do Medina!
À primeira vista, poder-se-ia pensar que o Governo teria decidido acabar com o programa, depois de se ver enxovalhado ao longo de quase todos os programas do Plano Inclinado, programas esses que desmascararam a podridão, a incompetência, a bandalheira da nossa classe política, sobretudo da pandilha que nos governa. Não seria a primeira vez que este Governo acabaria com um programa incómodo. Mas é estranho: porquê tanto tempo para o Governo acabar com o Plano Inclinado? Por masoquismo?
Curiosamente, e certamente por coincidência, por pura coincidência, o último programa que foi para o ar teve como convidado Henrique Neto, o engenheiro socialista que se tem atrevido a criticar a influência negativa de certa Maçonaria na classe política portuguesa:
E pronto. Acabou-se o único programa da televisão nacional que eu ainda via com gosto...
Era indispensável silenciar quem fala a verdade! O último programa ultrapassou o que certas pessoas eram capazes de tolerar, ao denunciar os escândalos dos financiamentos partidários. Mas a heresia da crítica das ligações da Maçonaria à política foi a sentença de morte do Plano Inclinado. Veja-se, em especial, a conversa após o instante 26'30, e o testemunho de Henrique Neto:
«E verifiquei, pouco a pouco, que havia como que... a Maçonaria era usada para proteger ou para potenciar as possibilidades de certas pessoas, de certos membros, quando eles tinham oportunidades de acesso a lugar qualquer: lugar na Economia, lugar na... bom, essa prática que eu verifiquei que era uma prática, a chamada "solidariedade" entre os maçónicos, que também já estava a ser utilizada por pessoas que nem sequer eram das irmandades...»
PS: Jorge Coelho foi o autor da célebre: "Quem se mete com o PS, leva!". Está na altura de actualizar, e precisar melhor, essa bela tirada: "Quem se mete com os aventais, leva!".
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Cristianismo e Maçonaria
Placa comemorativa da primeira reunião da Grande Loja de Londres, em 1717, afixada na entrada da taberna "Goose and Gridiron" (créditos da fotografia: JaneMT)
No último Sábado, deu entrada um comentário assinado "José" no meu texto já antigo, de Outubro do ano passado, intitulado Dan Brown e a Maçonaria.
O comentário é muito importante, pois é escrito, ao que tudo indica, por um cristão que também pertence à Maçonaria. Não é pequeno o número de cristãos membros de filiações maçónicas, alguns inconscientes da incompatibilidade entre ambas as pertenças, outros conscientes mas displicentes em relação a essa incompatibilidade, e outros ainda defensores categóricos da compatibilidade (e mesmo complementaridade) entre Cristianismo e Maçonaria. O comentador José pertence a este último grupo.
Antes de refutar o comentário do José, queria deixar bem claro um ponto: tenho o maior fascínio pelo fenómeno da Maçonaria, cuja história estudo, informalmente, há vários anos. Por essa razão, e como sucede com todos os que procuram seriamente compreender a Maçonaria, eu não adiro a teorias demonizadoras da Maçonaria, que fazem dela a grande conspiradora, e a causa de todos os males sociais e de todas as revoluções e desestabilizações.
O antimaçonismo católico tem uma longa história, e tem coisas boas e coisas más. Acerca das coisas más, podemos dizer que não poucos católicos antimaçónicos deixaram para a posteridade uma mole de obras cujo fio condutor foi, em grande medida, o de "desvendar a grande conspiração". Muitas obras não eram escritas por historiadores, e frequentemente, o autor não estava muito preocupado com o rigor histórico, mas sim com a eficácia da guerra em questão.
Mas o antimaçonismo católico também teve, e tem, coisas muito boas. Talvez a coisa mais valiosa que se possa retirar do legado católico antimaçónico é o demonstrar a clara e insolúvel incompatibilidade entre cristianismo e Maçonaria. Todo o cristão que se filia na Maçonaria, seja qual for o seu ramo, regular ou irregular, está em contradição. Mesmo que se trate de uma filiação que exige uma prática religiosa aos seus membros, como sucederá em correntes maçónicas regulares, a contradição não desaparece. É essa contradição que passo agora a explicar, com base no comentário aqui deixado pelo comentador José, e que aproveitarei para melhor elucidar os erros da sua posição.
Começa o José:
«Considero completamente infundada a alegada incompatibilidade entre a Maçonaria e a doutrina católica. Se ela existe é certamente por confusão de quem a estabeleceu.»
A incompatibilidade entre Maçonaria e Igreja Católica é um facto, ainda mais fácil de estabelecer que a incompatibilidade entre a Maçonaria e o cristianismo "lato sensu". A constatação mais evidente é a de que o Magistério da Igreja tem longa tradição nesse sentido. É, talvez, uma das áreas onde a condenação da Igreja foi mais clara. Mesmo pegando apenas nos documentos papais mais importantes, ou seja, deixando de parte discursos papais menos solenes e documentos e discursos de outros Bispos da Igreja, o rol é impressionante. Condenaram a Maçonaria de forma clara Clemente XII (uma Bula), Bento XIV (uma Constituição Apostólica), Pio VII (uma Bula), Leão XII (uma Constituição Apostólica), Pio VIII (uma Encíclica e uma Carta), Gregório XIV (uma Encíclica), Pio IX (três Encíclicas e duas Alocuções), Leão XIII (sete Encíclicas e uma Carta Apostólica), Bento XV (na sua revisão do Código de Direito Canónico, cânone 2335 que instaura uma proibição explícita de pertença à Maçonaria), João Paulo II (na sua revisão do Código de Direito Canónico, cânone 1374 que mantém uma proibição, mas não explícita). A listagem e descrição das condenações papais à Maçonaria encontra-se aqui.
A quem, confrontado com estes factos, alegar que a Igreja abandonou a antiga condenação da Maçonaria e que agora, sobretudo após o Vaticano II, toleraria a pertença do cristão a uma filiação maçónica, nada como apresentar este trecho da Declaração sobre a Maçonaria, da Congregação para a Doutrina da Fé, publicado a 26 de Novembro de 1983 e assinado pelo actual Papa, o então Cardeal Ratzinger:
«Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.»
O comentador José nem uma só palavra diz acerca destes factos, que chocam de frente com as suas "certezas" de que não há incompatibilidade.
«Desde logo, não existe tal coisa como um ideário filosófico da Maçonaria. Existem princípios,regras e rituais. Mas não existe doutrina. A Maçonaria não é uma religião nem visa usurpar o papel das religiões.»
É, certamente, uma questão semântica a distinção algo subtil entre "doutrina" e "princípios, regras e rituais". Que "rituais" é algo que possa ficar de fora da "doutrina", ainda se entende. Mas se os princípios e regras de que fala o José não são "doutrinais", que serão? Não falamos, certamente, de doutrina religiosa, mas acho discutível a afirmação de que não há uma doutrina filosófica por detrás da Maçonaria.
Mas, concedendo-lhe este ponto, pergunto: o facto de a Maçonaria não se ver a ela mesma como uma religião deve levar-nos, "ipso facto", a afirmar que não há problemas de compatibilidade com o cristianismo? Basta um contra-exemplo: tanto o nazismo como o comunismo não são religiões, e no entanto, são incompatíveis com o cristianismo.
Prossegue o José:
«A Maçonaria é apenas (e isso já é muito) uma Via Iniciática.»
Esta afirmação é muito problemática. Pois toda a via iniciática pressupõe uma cadeia de transmissão. E a questão que o historiador coloca é esta: onde nos leva a cadeia de transmissão das correntes maçónicas modernas? Leva-nos às quatro tabernas londrinas, onde se reuniam os fundadores da maçonaria moderna, que a 24 de Junho de 1717 instituíram a Grande Loja de Londres, loja-mãe de todas as filiações modernas:
Loja 1: A cervejaria (“ale house”) “Goose and Gridiron”, no pátio de St. Paul’s; hoje em dia chamada “Antiquity Lodge n.º 2”; dataria de 1691, de acordo com a “List of Lodges” de 1729;
Loja 2: A cervejaria “Crown”, em Parker’s Lane, Lincoln’s Inn Field, perto de Drury Lane; em 1724, esta Loja muda o local das reuniões para o “Queen’s Head”, em Turnstile; desaparece em 1736; dataria de 1712, de acordo com a “List of Lodges” de 1729;
Loja 3: A taberna (“tavern”) “Apple Tree”, em Charles Street, Covent Garden; em 1724, esta Loja muda o local das reuniões para o “Queen’s Head”, em Knave’s Acre; hoje em dia chamada “Lodge of Fortitude and Old Cumberland n.º 12”; desconhece-se a data de fundação;
Loja 4: A taberna “Rummer and Grapes”, em Channel Row, Westminster; em 1724, esta Loja muda o local das reuniões para o “Horne” em Westminster; hoje em dia chamada “Royal Somerset House and Inverness Lodge n.º 4”; desconhece-se a data de fundação.
A questão da "via iniciática" parece encontrar um obstáculo neste acto fundador da maçonaria moderna. James Anderson e Téophile Desaguliers, figuras de proa da instituição da Grande Loja de Londres, e co-redactores dos seus estatutos, partiram do zero? Quase ninguém o afirma. Então partiram de quê? Entra em cena a questão central das "old charges", ou seja, dos estatutos maçónicos medievais, em uso pelas confrarias de pedreiros. É escusado afirmar que, antes de Henrique VIII, estamos perante confrarias católicas de profissionais do ofício de pedreiro. Porque razão, então, Anderson e Desaguliers vão "reformular" de tal forma as "old charges" que desaparecem referências como "to be true to God and the Holy Church"?
Diz o José:
«Por isso, a Maçonaria não tem doutrina e é adogmática.»
1) Primeiro, vê-se que a questão das raízes ideológicas da Maçonaria moderna é complexa, e tem o seu berço numa manobra de "reorganização" documental, na qual Anderson e Desaguliers distorcem as "old charges" e fundam uma nova maçonaria, que já nada tem a ver com a maçonaria operativa medieval; isto fragiliza a sua afirmação acerca da "via iniciática"
2) Segundo, com a sua afirmação de que a Maçonaria é "adogmática", perguntamos: antes ou depois da fundação da Grande Loja de Londres? É que a maçonaria medieval especificava a obrigatoriedade de ser verdadeiro para com Deus e para com a Santa Igreja
Continua o José...
«Enquanto tal, através de símbolos e rituais, propõe-se conferir aos seus membros ferramentas simbólicas que estes devem utilizar interiormente, de modo a aceder a um Conhecimento de natureza diferente, insusceptível de ser adquirido pela mera leitura de livros ou por via doutrinária, o Conhecimento esotérico.»
E ainda não vê contradição?
Com esta sua frase, que reflecte correctamente a visão que a maioria dos maçons têm da própria Maçonaria, você acabou de me dar razão. É que a sua frase postula que a Maçonaria é a fonte de conhecimentos e de metodologias e progresso espiritual que estão acima da doutrina da Igreja. Logo, o cristão que é maçon coloca a Maçonaria acima da Igreja. Logo, coloca a Maçonaria acima de Cristo, pois para todo o cristão, Cristo é o "esposo" e a Igreja é a "esposa". Um não vem sem o outro. Um dos grandes problemas da Maçonaria, ou de qualquer outra via "esotérica" desgarrada de uma ortodoxia religiosa, é o problema das hierarquias: a Maçonaria, como caminho e como via, coloca-se acima do caminho traçado pela Igreja.
Cristo disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". E disse ainda a Pedro: "E sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja". Não vejo como conciliar isto, na cabeça do cristão sério e coerente, com a pertença a uma organização que pretende estar acima disto.
«E apesar de ter uma matriz histórica cristã, a Maçonaria utiliza o conceito de Grande Arquitecto do Universo, para se referir ao Princípio Criador Universal, de modo tão suficientemente genérico, que permite receber no seu seio, membros de todos os credos religiosos.»
E o José volta a dar-me razão. Este é outro dos problemas que provocam a incompatibilidade entre cristianismo e Maçonaria. Não se pode servir vários mestres. O cristão segue Cristo, pois acredita que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida para TODOS os seres humanos. O relativismo que a Maçonaria institui como "credo" choca com a doutrina cristã acerca da salvação através de Cristo. Só nos salvamos por Cristo. Logo, é bizarro pretendermos que, acima de Cristo, Deus e Filho de Deus, há uma divindade "genérica" (usando a sua palavra) feita para acomodar várias religiões diferentes. A Maçonaria dinamita o preceito de Cristo: "Ide e anunciai a Boa Nova". Nas reuniões maçónicas, onde o cristão segura no Evangelho de São João, o judeu segura na Torah e o muçulmano segura no Corão, onde está o mandamento de Cristo? Para onde vai a evangelização? Para debaixo do avental?
«A Maçonaria regular pressupõe a crença em Deus, enquanto Princípio Criador (que cada um, interiormente, representa de acordo com a sua confissão ou crença religiosa).»
Isto é sempre a mesma coisa: trata-se de uma posição filosófica relativista, que não pretende afirmar o cristianismo como verdadeiro e como religião verdadeira. Nenhum cristão pode concordar com isto.
«Neste sentido, não sendo uma religião ou seita, a Maçonaria é conciliadora entre os homens de boa vontade e, talvez por isso, consiga ser, mais eficazmente diga-se, ecuménica.»
Duas notas:
1) O ecumenismo dá-se entre cristãos; a relação entre o cristianismo e as restantes religiões tem o nome de "diálogo interreligioso"
2) O ecumenismo não tem nada a ver com relativismo: tem a ver com diálogo com o outro, para o conhecermos melhor e para ele nos conhecer melhor: tem a ver com respeito da diferença; não implica, de forma nenhuma, abdicarmos da verdade da nossa posição e da superioridade da nossa posição
«Do ponto de vista institucional, enquanto organização que é, a Maçonaria é marcada por princípios e valores morais, como a Paz entre os homens, a Tolerância, o respeito pela dignidade humana, a Liberdade,a Igualdade e a Fraternidade.»
Nada a opor, neste aspecto. Mas a Maçonaria, como vimos, tem vários aspectos problemáticos.
«Nada disto é incompatível com a doutrina católica em particular nem com o Cristianismo em geral.»
Acabei de demonstrar porque razão o José está errado. E dei várias razões sólidas.
«Por isso insisto que só por ignorância ou confusão se pode estabelecer uma relação de incompatibilidade entre a Maçonaria (regular)e a doutrina católica.»
Não vale a pena insistir, já que se viu que não tem razão. Cabe a si tentar refutar as claras incompatibilidades que apresentei. Creio que não terá sucesso.
«Não se pode generalizar o passado (ou o presente) de algumas Potências maçónicas irregulares, de modo a qualificar o que é a Maçonaria (regular), como não é a Inquisição, o comportamento pedófilo de alguns sacerdotes ou a recente iniciativa de um Pastor de queimar o Corão, que nos permite afirmar que a Religião e as Igrejas em geral são incompatíveis com a Moral e os Bons Costumes.»
Como vê, as incompatibilidades que apresentei também se constatam na Maçonaria regular. É inegável que qualquer cristão pode ter maior simpatia pelo maçon regular, que vive num quadro mental mais aproximado do seu do que um maçon irregular. No entanto, essa maior proximidade de ideias não é suficiente para eliminar as graves incompatibilidades que indiquei atrás.
Termino com umas palavras finais para o José: em primeiro lugar, agradeço a sua visita a este blogue e o seu comentário. Em segundo lugar, como cristão, e em nome da mesma fé em Cristo que partilhamos, peço-lhe que reconsidere a sua pertença à Maçonaria. Nunca é tarde demais para desfazer um erro. Não há razão para que o cristão que abandona a Maçonaria tenha que, por isso, quebrar amizades pessoais. E é perfeitamente possível a um cristão desenvolver estudos sobre Maçonaria, um tema fascinante, sem que o cristão caia no erro de aderir às ideias maçónicas, ou de pertencer a uma organização cujos princípios colidem com o cristianismo.
P.S.: Este meu texto é extremamente sintético, e deixa de fora outras razões para a manifesta incompatibilidade entre cristianismo e Maçonaria. Recomendo a leitura do artigo do padre Robert Bradley, S.J., Catholicism vs. Freemasonry — irreconcilable forever.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A influência da Maçonaria na IIIª República Portuguesa
Há vários textos a circular na Internet sobre a Maçonaria e o Portugal contemporâneo. Quase nenhum tem aspecto verosímil, e alguns arriscam mesmo vaticínios que são autênticas contradições.
Este texto é uma excepção e merece uma leitura mais atenta:
A influência da Maçonaria na IIIª República Portuguesa
O que me chamou a atenção foi a introdução, com detalhes de rigor histórico que demonstram que o autor (anónimo) tem conhecimento da História da Maçonaria.
Este texto é uma excepção e merece uma leitura mais atenta:
A influência da Maçonaria na IIIª República Portuguesa
O que me chamou a atenção foi a introdução, com detalhes de rigor histórico que demonstram que o autor (anónimo) tem conhecimento da História da Maçonaria.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Igreja Católica e Maçonaria
Ainda é frequente encontrar-se a opinião de que se pode ser católico e maçon em simultâneo. Muitas vezes esta opinião é emitida por maçons que procuram evidenciar a atitude inclusiva e aberta da Maçonaria, ou por católicos que frequentam as lojas maçónicas.
Os maçons mais bem informados sabem que a incompatibilidade se mantém em vigor, e está em vigor praticamente desde os primórdios da Maçonaria moderna, que surge em 1717. A primeira condenação papal surge em 1738, e desde então a posição da Santa Sé não mudou, pois a natureza da Maçonaria também não mudou. Porém, alguns maçons não tão bem informados continuam a afirmar que há compatibilidade, chegando mesmo alguns a afirmar que a Igreja teria mudado recentemente a sua posição, acabando com a condenação. Tal afirmação é falsa.
Para ilustrar a consistência das condenações da Igreja Católica à Maçonaria, independentemente da sua filiação ou ritual, acrescentei um curto artigo à secção "Artigos em PDF", ali do lado direito. Esse artigo elenca as condenações mais importantes, ordenadas por data.
Este artigo faz parte de um trabalho de fundo que está em preparação, trabalho esse dedicado às origens da Maçonaria e à apresentação e discussão dos seus mais importantes problemas filosóficos.
Para levantar um pouco o véu, pode-se desde já afirmar que, ao contrário do que se costuma dizer, a condenação da Igreja Católica não incide apenas sobre as organizações maçónicas que conspiram contra ela. É verdade que muitos maçons, hoje em dia, já não dedicam a sua actividade maçónica à conspiração contra a Igreja: se isto já é em parte verdade no que diz respeito a maçons de filiação irregular (da dita "Maçonaria Continental"), ainda é mais completamente no que diz respeito aos maçons de ritos regulares (da dita "Maçonaria Azul", "Inglesa", ou "Andersoniana", ou da dita "Maçonaria Escocesa"). No entanto, a incompatibilidade persiste, uma vez que é o próprio ideário filosófico da Maçonaria, intrinsecamente relativista e muitas vezes sincrético, e presente em todas as filiações maçónicas, que a torna incompatível com a doutrina católica.
Os maçons mais bem informados sabem que a incompatibilidade se mantém em vigor, e está em vigor praticamente desde os primórdios da Maçonaria moderna, que surge em 1717. A primeira condenação papal surge em 1738, e desde então a posição da Santa Sé não mudou, pois a natureza da Maçonaria também não mudou. Porém, alguns maçons não tão bem informados continuam a afirmar que há compatibilidade, chegando mesmo alguns a afirmar que a Igreja teria mudado recentemente a sua posição, acabando com a condenação. Tal afirmação é falsa.
Para ilustrar a consistência das condenações da Igreja Católica à Maçonaria, independentemente da sua filiação ou ritual, acrescentei um curto artigo à secção "Artigos em PDF", ali do lado direito. Esse artigo elenca as condenações mais importantes, ordenadas por data.
Este artigo faz parte de um trabalho de fundo que está em preparação, trabalho esse dedicado às origens da Maçonaria e à apresentação e discussão dos seus mais importantes problemas filosóficos.
Para levantar um pouco o véu, pode-se desde já afirmar que, ao contrário do que se costuma dizer, a condenação da Igreja Católica não incide apenas sobre as organizações maçónicas que conspiram contra ela. É verdade que muitos maçons, hoje em dia, já não dedicam a sua actividade maçónica à conspiração contra a Igreja: se isto já é em parte verdade no que diz respeito a maçons de filiação irregular (da dita "Maçonaria Continental"), ainda é mais completamente no que diz respeito aos maçons de ritos regulares (da dita "Maçonaria Azul", "Inglesa", ou "Andersoniana", ou da dita "Maçonaria Escocesa"). No entanto, a incompatibilidade persiste, uma vez que é o próprio ideário filosófico da Maçonaria, intrinsecamente relativista e muitas vezes sincrético, e presente em todas as filiações maçónicas, que a torna incompatível com a doutrina católica.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dan Brown e a Maçonaria
Já há muito tempo que não se fala neste blogue sobre Dan Brown.
Há muito tempo que se especulava acerca do conteúdo do novo "pré-best-seller" do autor norte-americano. Quase na esteira imediata do "The Da Vinci Code", os "media" agitavam-se com a especulação de que o seu próximo livro seria também polémico porque seria sobre a Maçonaria.

(Foto: Andrew Medichini/Associated Press)
A especulação provou estar certa. Realmente, o novo livro de Dan Brown, "The Lost Symbol", versa sobre a Maçonaria. Esperava-se, evidentemente, um romance policial feito sobre uma base histórica muito deficiente, como n'O Código da Vinci. Se Dan Brown não se preparou (ou não se quis preparar) convenientemente para escrever sobre a temática já velhinha (de umas quantas décadas) do Priorado de Sião e das teses pseudo-históricas da "linhagem sagrada" de Cristo, não era de esperar que se preparasse grande coisa para escrever sobre a Maçonaria.
Logo, a questão do rigor histórico não se colocava, nem com as obras passadas de Dan Brown, nem com as futuras. No entanto, confesso que esperava, ingenuamente, que Dan Brown, desta vez, neste novo livro, abandalhasse a história da Maçonaria como fez com a da Igreja Católica. Sempre mostraria alguma imparcialidade da parte do autor!
Não foi isso que aconteceu.
O novo romance de Dan Brown é uma apologia da Maçonaria. Mais concretamente, é uma apologia (historicamente muito mal feita, é claro) da tese controversa das presumidas origens maçónicas dos E.U.A., e como bem apontou Massimo Introvigne, o real objectivo deste novo romance de Dan Brown (que se desiludam os ingénuos que pensam que a máquina de dinheiro por detrás de Brown apenas quer vender) é o de atacar a tese da fundação cristã dos E.U.A., trocando-a pela tese da fundação maçónica dos E.U.A.:
Lança-se a confusão na opinião pública: os E.U.A. como "christian nation" ou como "masonic nation"?
Dan Brown já escolheu!
Veja-se o que pensa o autor acerca da Maçonaria, numa entrevista à CBC News:
Se se procurasse uma melhor explicação da profunda incompatibilidade entre cristianismo (mais especificamente, catolicismo) e Maçonaria, não seria fácil encontrá-la. Neste aspecto, Dan Brown fornece, com estas palavras, o melhor exemplo da incompatibilidade entre ser cristão e ser maçon.
Sem perceber nada da história da Maçonaria, Dan Brown conseguiu a proeza de captar um dos seus traços mais importantes, e que está na raiz da tal incompatibilidade: é que, de forma muito generalizada (há raríssimas excepções documentadas), os maçons são relativistas e anti-dogmáticos.
Há então na Maçonaria, em maior ou menor grau dependendo da filiação, uma generalizada atitude intelectual que é aversa à procura e à defesa de verdades doutrinais objectivas, sendo antes promovido um "espírito de clã", de irmandade, sacrificando-se a procura e a defesa intelectual da verdade de uma doutrina.
Entende-se, então, porque razão mais de uma dezena de Papas, desde o século XVIII, têm declarado a Maçonaria como uma organização vedada ao católico: o relativismo é a razão mais forte de todas, bem mais forte do que o anticlericalismo de algumas importantes filiações maçónicas.
Sem qualquer ironia, tem que se agradecer a Dan Brown por ter demonstrado, de forma tão concisa, esta incompatibilidade.
PS: Quando o autor deste artigo da CBC News tentou dar alguma informação histórica sobre a Maçonaria, só disse asneiras:
A Maçonaria não data da Idade Média, mas sim de 1717, data da fundação da Grande Loja de Inglaterra, pelo pastor protestante James Anderson.
Esta frase é uma generalização errada. Nem todas as filiações maçónicas requerem a crença num "poder superior", e nem todas as filiações maçónicas permitem membros de qualquer "background" religioso. Várias filiações, algumas extintas outras não, têm ou tiveram condições restritivas de acesso, vedando, por exemplo, o acesso a não cristãos.
Há muito tempo que se especulava acerca do conteúdo do novo "pré-best-seller" do autor norte-americano. Quase na esteira imediata do "The Da Vinci Code", os "media" agitavam-se com a especulação de que o seu próximo livro seria também polémico porque seria sobre a Maçonaria.

(Foto: Andrew Medichini/Associated Press)
A especulação provou estar certa. Realmente, o novo livro de Dan Brown, "The Lost Symbol", versa sobre a Maçonaria. Esperava-se, evidentemente, um romance policial feito sobre uma base histórica muito deficiente, como n'O Código da Vinci. Se Dan Brown não se preparou (ou não se quis preparar) convenientemente para escrever sobre a temática já velhinha (de umas quantas décadas) do Priorado de Sião e das teses pseudo-históricas da "linhagem sagrada" de Cristo, não era de esperar que se preparasse grande coisa para escrever sobre a Maçonaria.
Logo, a questão do rigor histórico não se colocava, nem com as obras passadas de Dan Brown, nem com as futuras. No entanto, confesso que esperava, ingenuamente, que Dan Brown, desta vez, neste novo livro, abandalhasse a história da Maçonaria como fez com a da Igreja Católica. Sempre mostraria alguma imparcialidade da parte do autor!
Não foi isso que aconteceu.
O novo romance de Dan Brown é uma apologia da Maçonaria. Mais concretamente, é uma apologia (historicamente muito mal feita, é claro) da tese controversa das presumidas origens maçónicas dos E.U.A., e como bem apontou Massimo Introvigne, o real objectivo deste novo romance de Dan Brown (que se desiludam os ingénuos que pensam que a máquina de dinheiro por detrás de Brown apenas quer vender) é o de atacar a tese da fundação cristã dos E.U.A., trocando-a pela tese da fundação maçónica dos E.U.A.:
«Se i padri fondatori, senza troppo dirlo, volevano fondare l’esperimento americano su una sorta di naturalismo neo-pagano, gnostico, “massonico” nel senso di questo termine corrente oggi (ma si dimentica che la massoneria americana del Settecento non era quella europea del XIX secolo o di oggi), allora le pretese – care a Bush – di presentare gli Stati Uniti come una Christian nation con una missione religiosa da compiere crollano come un castello di carte.»
Lança-se a confusão na opinião pública: os E.U.A. como "christian nation" ou como "masonic nation"?
Dan Brown já escolheu!
Veja-se o que pensa o autor acerca da Maçonaria, numa entrevista à CBC News:
"I have enormous respect for the Masons," Brown said. "In the most fundamental terms, with different cultures killing each other over whose version of God is correct, here is a worldwide organization that essentially says, 'We don't care what you call God, or what you think about God, only that you believe in a god and let's all stand together as brothers and look in the same direction'."
Se se procurasse uma melhor explicação da profunda incompatibilidade entre cristianismo (mais especificamente, catolicismo) e Maçonaria, não seria fácil encontrá-la. Neste aspecto, Dan Brown fornece, com estas palavras, o melhor exemplo da incompatibilidade entre ser cristão e ser maçon.
Sem perceber nada da história da Maçonaria, Dan Brown conseguiu a proeza de captar um dos seus traços mais importantes, e que está na raiz da tal incompatibilidade: é que, de forma muito generalizada (há raríssimas excepções documentadas), os maçons são relativistas e anti-dogmáticos.
Há então na Maçonaria, em maior ou menor grau dependendo da filiação, uma generalizada atitude intelectual que é aversa à procura e à defesa de verdades doutrinais objectivas, sendo antes promovido um "espírito de clã", de irmandade, sacrificando-se a procura e a defesa intelectual da verdade de uma doutrina.
Entende-se, então, porque razão mais de uma dezena de Papas, desde o século XVIII, têm declarado a Maçonaria como uma organização vedada ao católico: o relativismo é a razão mais forte de todas, bem mais forte do que o anticlericalismo de algumas importantes filiações maçónicas.
Sem qualquer ironia, tem que se agradecer a Dan Brown por ter demonstrado, de forma tão concisa, esta incompatibilidade.
PS: Quando o autor deste artigo da CBC News tentou dar alguma informação histórica sobre a Maçonaria, só disse asneiras:
«Freemasonry is an old fraternity dating back to the Middle Ages, and at various periods in history it has come under suspicion because its rules and rituals are secret.»
A Maçonaria não data da Idade Média, mas sim de 1717, data da fundação da Grande Loja de Inglaterra, pelo pastor protestante James Anderson.
«It requires belief in a higher power, but members may be of any religious background.»
Esta frase é uma generalização errada. Nem todas as filiações maçónicas requerem a crença num "poder superior", e nem todas as filiações maçónicas permitem membros de qualquer "background" religioso. Várias filiações, algumas extintas outras não, têm ou tiveram condições restritivas de acesso, vedando, por exemplo, o acesso a não cristãos.
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