Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A moral viscosa de Passos Coelho

É de se pasmar...
Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...

«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»

Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.

Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.

E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.

Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".

O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.

Adenda (30 de Maio) : Após ler os comentários que foram feitos a este "post", sinto-me obrigado a clarificar o seguinte: este "post" visava criticar o oportunismo político de Passos Coelho, que está claramente a querer ir buscar mais uns quantos votos à direita do PSD, dando na entrevista à RR um ar de "conservador" que choca com o ar de "progressista" que ele quis dar há uns tempos, quando pela primeira vez se pronunciou sobre o tema do aborto. No entanto, este meu "post" não deve ser interpretado como um apelo ao voto no CDS, e vejo que alguns leitores assim o interpretaram (o meu texto permitia essa interpretação). Não critico as pessoas que, de boa consciência católica, queiram votar CDS por causa das várias posições pró-vida desse partido, mas eu não estou em condições de recomendar o voto no CDS, uma vez que não tenho a minha decisão ainda tomada nessa matéria. É sabido que há posições dentro do CDS que não são compatíveis com a Doutrina da Igreja, pelo que a questão não é fácil.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Razões para não votar Cavaco Silva - Parte IV

Alteração do regime jurídico do divórcio
(Lei n.º 61/2008, de 31 de Outubro).


O que é que se destruiu de fundamental com esta alteração do regime jurídico do divórcio?
Não é preciso ser jurista para entender as alterações mais significativas, de entre as quais esta alteração estruturante, patente na nova redacção do Artigo 1773º, logo no ponto 1:

«1 — O divórcio pode ser por mútuo consentimento ou sem consentimento de um dos cônjuges.»

O casamento deixa de ser visto juridicamente como um contrato com regras, sendo que ambas as partes têm que ter justa causa para o rescindir, caso contrário terão que ressarcir a outra parte. Porque é que isto desaparece? Vejamos o ponto 3 do mesmo Artigo 1773º:

«3 — O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges é requerido no tribunal por um dos cônjuges contra o outro, com algum dos fundamentos previstos no artigo 1781.º»

À primeira vista, a coisa parece bem. Se o casamento é para romper sem o consentimento de uma das partes, parece que a parte interessada no divórcio terá que o fazer com base em alguns fundamentos, previstos no tal Artigo 1781º. Vamos então vê-lo, para vermos que fundamentos são esses:

«Artigo 1781.º
Ruptura do casamento
São fundamento do divórcio sem consentimento de um dos cônjuges:
a) A separação de facto por um ano consecutivo;
b) A alteração das faculdades mentais do outro cônjuge, quando dure há mais de um ano e, pela sua gravidade, comprometa a possibilidade de vida em comum;
c) A ausência, sem que do ausente haja notícias, por tempo não inferior a um ano;
d) Quaisquer outros factos que, independentemente da culpa dos cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento.»


É de génio, a alínea d), e revela os espantosos poderes de raciocínio do Legislador. As alíneas a), b), c) e d) dão algumas razões que fundamentam o divórcio sem consentimento de um dos cônjugues. Independentemente de se considerarem essas razões suficientes ou não para legitimar o divórcio unilateral, o problema é de índole lógica. É que a alínea d) serve para tudo e mais alguma coisa. Em bom rigor, as alíneas anteriores são irrelevantes e redundantes, dada a alínea d). Outro ponto importante da alínea d), a tal alínea "guarda-chuva" debaixo da qual cabe tudo, é que está lá escrito "independentemente da culpa dos cônjugues". Assim, basta uma razão tão simples quanto aquela apontada por uma deputada do Bloco de Esquerda: "às vezes o amor acaba". O Legislador desce assim da digna cadeira de entidade interessada na redacção de leis justas e importantes para a sociedade, e cai na sarjeta das revistas sentimentais. Realmente, é possível aceitar, no âmbito da alínea d), como fundamento para divórcio unilateral, a razão sentimental de que "o amor acabou".

Que mal tem isto, perguntarão alguns?
Deve o Estado obrigar uma pessoa a permanecer casada com outra, quando a primeira já não quer estar casada com a segunda? É defensável o argumento de que não deva. Mas a Justiça deve intervir, pois o casamento, aos olhos da Lei, é um contrato civil com direitos e deveres. Assim, o conceito de culpa é fundamental para se avaliar se a parte interessada no divórcio unilateral não terá que ressarcir a parte não interessada. Se desaparece o conceito de culpa, então um espertalhão que cometa adultério com uma colega do trabalho pode dar um chuto na mulher e nos filhos pois "o amor acabou". Culpa? Desapareceu. "Eu quero o divórcio, pois surgiu um novo amor na minha vida". E o Legislador aprova.

Esta é mais uma porcaria de lei, uma lei que mina as estruturas da sociedade, ao depreciar de forma fatal o contrato civil do casamento. Desta lei, é impossível que não nasçam situações de real injustiça social e de grande fragilidade sócio-económica. Sem o conceito de culpa, o cônjuge que salta fora do casamento não tem que explicar nada em tribunal. Veja-se, por exemplo, mais esta pérola, no ponto 3 do Artigo 21016º-A:

«3 — O cônjuge credor não tem o direito de exigir a manutenção do padrão de vida de que beneficiou na constância do matrimónio.»

No nosso exemplo, muito provavelmente, a mulher que fica com as crianças, perdendo a entrada do vencimento do marido adúltero no orçamento familiar, poderá ter que fazer mudanças drásticas na sua vida e na vida dos seus filhos, mudanças ao nível da habitação e/ou da educação, duas das áreas mais pesadas nos orçamentos familiares. E note-se: tudo por causa da vontade egoísta do adúltero.

Como sempre, as crianças vão ficando cada vez mais prejudicadas e desprotegidas. No Artigo 1906º, a cláusula geral introduz esta mudança radical:

«1 — As responsabilidades parentais relativas às questões de particular importância para a vida do filho são exercidas em comum por ambos os progenitores nos termos que vigoravam na constância do matrimónio, salvo nos casos de urgência manifesta, em que qualquer dos progenitores pode agir sozinho, devendo prestar informações ao outro logo que possível.»

No exemplo dado atrás, a mulher que foi abandonada à sua sorte, juntamente com os seus filhos, pelo seu marido adúltero que se pôs a andar com a amante tem agora, ao abrigo da nova lei, e ao abrigo específico deste ponto 1 do Artigo 1906º, que passar a dar cavaco ao adúltero das decisões "de particular importância" que toma relativamente à vida dos seus filhos.

Não só a culpa desaparece, pois o culpado deixa de o ser, como o dito ainda passa a ter mais direitos, devendo ser envolvido nas decisões "de particular importância" relativas à vida dos filhos que abandonou. É de génio!

Nas vésperas da aprovação desta alteração do regime jurídico do divórcio, é de supor que uma série de crápulas (de ambos os sexos, entenda-se, mas com previsível predominância de crápulas do sexo masculino) estivessem já a postos para "meter os papéis" assim que esta porcaria legislativa entrasse em vigor. Nenhum crápula com dois dedos de testa, sabendo do que aí vinha, avançaria com um divórcio antes dessa data de entrada em vigor. Assim temos o Legislador a pactuar com crápulas.

Cavaco Silva assinou esta lei injusta a 21 de Outubro de 2008. Está lá o nome dele. Só por esta razão, uma pessoa de bem não pode voltar a votar em Cavaco Silva. Mas, infelizmente, há mais razões...

(continua)

PS: Os especialistas, felizmente, não ficaram calados: Especialistas criticam nova lei do divórcio. Mas, mais uma vez, Sócrates e o seu Governo mostraram que nada se poderia colocar no seu caminho de reengenharia social, nem sequer as incómodas críticas dos especialistas, que não parecem apreciar o admirável mundo novo em criação. E Cavaco ajudou à festa.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Razões para não votar Cavaco Silva - Parte III

A Lei da Exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez
(Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril).


É um título horroroso para uma lei: "Exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez". Está escrito assim, de propósito, para não saltar aos olhos o horror de lei que é. Trocado por miúdos, trata-se da Lei do Aborto: da lei que legitima, legaliza, subsidia (e portanto, promove) o aborto "por opção da mulher", ou seja, do aborto sem perguntas. Do aborto porque sim. Do aborto "não tens nada a ver com isso".

Se dúvidas existissem de que a dita lei promove o aborto, bastaria verificar como os números apoiam a conclusão que se poderia fazer pela via do bom senso: no primeiro ano (Julho de 2007 a Junho de 2008) 15.370 abortos "por opção da mulher"; no segundo ano (Julho de 2008 a Junho de 2009) 18.856 abortos "por opção da mulher"; e no terceiro ano de vigência da lei (Julho de 2009 a Junho de 2010) 19.456 abortos "por opção da mulher".
(Fonte: Federação Portuguesa pela Vida)

Em 2007, por altura do referendo, despendi algum tempo e esforço na elaboração de um argumentário contra o pretenso direito a abortar. Esse argumentário ainda se encontra numa secção do lado direito deste blogue, intitulada "Artigos em PDF". Passados estes anos, chego à conclusão de que argumentários deste tipo de pouco valem. E sobretudo porque o outro lado da barricada, onde se encontram os defensores do pretenso direito a abortar, não quer um debate ético e racional sobre o tema "aborto". Eles querem que se possa abortar. Ponto final. Porque querem sexo livre, e às vezes a contracepção falha, e há que abortar. Faz tudo parte de um mesmo esquema maquiavélico: educação sexual para promover a promiscuidade, contracepção para promover a promiscuidade, aborto para resolver as falhas da contracepção. É uma indústria e ao mesmo tempo uma ideologia. Para esta gente, o nosso tempo gasto em argumentários é tempo desperdiçado. Quando muito, os argumentários serão úteis para quem, honestamente, tem dúvidas sobre a matéria. Os defensores do pretenso "direito" ao aborto não têm dúvidas. Muito menos honestas.

Hoje em dia, e passados três anos de aborto livre em Portugal, e sabe-se lá quantas facturas da Yolanda passadas ao Estado Português (que tem que pagar a "clínicas" privadas para que estas o ajudem a matar portugueses), o negócio prospera. Com o aumento evidente do número de casos de aborto, fica patente como o aborto "legal" está longe de ser uma excepção, ou mesmo uma pretensa solução para o aborto clandestino. Além de que abortar é matar um ser humano. E é, realmente, secundário se o matamos clandestinamente ou "legalmente". A subtil distinção tem, mais uma vez, laivos de Terceiro Reich.

Desde a promulgação desta lei criminosa e assassina o aborto aumentou.
Mataram-se, "legalmente", e "por opção da mulher", 53.682 portugueses. Gente que, de outra forma, teria nascido. Gente que já teria hoje direito ao seu moderno "Cartão de Cidadão". Gente que teria um nome. Uma vida.

A única reacção natural, racional, lógica, estruturada, e bem formada a esta lei hedionda é a reacção de nojo. De asco. De repulsa. De vómito. De náusea. Em Portugal, e desde Julho de 2007, mataram-se mais de 50.000 bebés portugueses, quer em hospitais públicos, quer em clínicas privadas subsidiadas pelo Estado Português. Sim, senhor contribuinte, eu e o senhor, com os nossos impostos, ajudámos a matar uma destas crianças. Sim, senhora contribuinte, eu e a senhora, com os nossos impostos, ajudámos a matar uma destas crianças. Uma percentagem pequena do total, este nosso contributo, mas ajudámos ao total...

Felizmente para os "profissionais" da vampiresca indústria do aborto, a maioria destes crimes é perpetrada pela via do aborto químico, algo que deixa um rastro de pequenas dimensões (dada a tenra idade do ser humano em questão), sendo portanto um tipo de crime cujo efeito material é facilmente negligenciado pela sociedade... O pior rastro, esse, fica na consciência da mãe que matou o seu filho.

Cavaco Silva assinou esta monstruosidade a 10 de Abril de 2007. Está lá o nome dele. Só por esta razão, uma pessoa de bem não pode voltar a votar em Cavaco Silva. Mas, infelizmente, há mais razões...

(continua)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Razões para não votar Cavaco Silva - Parte II

A Lei da Procriação Medicamente Assistida
(Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho).


Aníbal Cavaco Silva principiou o seu mandato presidencial a 9 de Março de 2006.
Ao ritmo curioso de uma lei revoltantemente imoral por ano, Cavaco Silva promulgou em 2006 a Lei da Procriação Medicamente Assistida, em 2007 a Lei do Aborto, em 2008 a Lei do Divórcio, em 2009 a Lei da Educação Sexual. Em 2010, os Portugueses tiveram direito a dose dupla: a Lei do Casamento Homossexual, e já no final do ano, à laia de festejo de "réveillon", a Lei que regula o Apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo.

Nesta Segunda Parte, iremos abordar a Lei da Procriação Medicamente Assistida. Esta lei criminosa permite a destruição de seres humanos, mais concretamente, de embriões humanos. No ponto 5.º do Artigo 25.º, que regula o destino dos embriões, diz-se: "5 — Aos embriões que não tiverem possibilidade de ser envolvidos num projecto parental aplica-se o disposto no artigo 9.º". Bom, somos levados a esse magnífico Artigo 9.º, que diz: "3 — O recurso a embriões para investigação científica só pode ser permitido desde que seja razoável esperar que daí possa resultar benefício para a humanidade (...)".

Trocado por miúdos, vale quase tudo no que diz respeito a querer ter filhos: inclusive destruir embriões humanos, caso estes não possam "ser envolvidos num projecto parental". O requinte poético da linguagem do Legislador cai trágico numa lei criminosa e iníqua. Embrião: se ninguém te quiser "envolver" num "projecto paternal", estás tramado. Mas fica descansado: podes ser usado para experiências científicas. Faz lembrar a mítica citação do filme dos Monty Python, The Meaning of Life, na qual um pai de muitos anuncia o seguinte aos seus filhos, que ele não pode sustentar: "I'm afraid I have no choice but to sell you all for scientific experiments." Ao embrião quase a ser desmontado para experiências, a esse ser humano de curta vida e nenhuma voz social, resta o consolo de vir a ser mais um tijolo no nobre edifício da Ciência. Uma ciência estilo Terceiro Reich, é certo, mas ciência todavia!

É o Progresso, pá!

Cavaco Silva assinou assim, com data oficial de 26 de Julho de 2006, a criminosa Lei da Procriação Medicamente Assistida que regula, entre outras coisas edificantes, a forma científica como podem ser "legalmente" destruídos os seres humanos que não se encontrem "envolvidos num projecto paternal". Só por esta razão, uma pessoa de bem não pode voltar a votar em Cavaco Silva. Mas, infelizmente, há mais razões...

(continua)

PS: Há sempre uns engraçadinhos preparados para dizer que um embrião não é um ser humano. Brincam com coisas sérias. Nunca explicam porque é que um aluno do 6º ano arrisca reprovar num teste de Ciências da Natureza (se é que algum aluno ainda reprova) se não souber que a vida humana principia com a fertilização do óvulo humano pelo espermatozóide humano, e ao mesmo tempo, sete vetustos senhores do nobre Tribunal Constitucional alinhavam milhares de linhas para defender a legitimidade do homicídio de seres humanos cujo único azar é a sua pouca idade. Sete em treze juízes (aplaudam-se e respeitem-se os distintos seis juízes que votaram vencidos) invocaram, para se poder matar estes seres humanos, algo belo e erudito como isto: «A reflexão sobre valores numa sociedade democrática, pluralista e de matriz liberal quanto aos direitos fundamentais tem sido objecto privilegiado do pensamento filosófico contemporâneo. Tal reflexão exprime-se na ideia de um “consenso de sobreposição” (overlapping consensus) desenvolvida por JOHN RAWLS, em Political Liberalism, 1993, p. 133 e ss.».
Zigoto humano, embrião humano, feto humano, porque razão dizem eles que te podem matar?
É por causa do Rawls, pá! Vai ler o Rawls, pá!

PPS: O raciocínio ético que leva qualquer cérebro operacional à conclusão de que são seres humanos válidos, quer um zigoto, quer um embrião, quer um feto da espécie Homo Sapiens, é um raciocínio simples e claro. Tão simples que uma criança lúcida (como elas costumam ser) é capaz de o fazer. Eis um dos muitos exemplos de argumento, escrito por mim há uns meses: O estatuto ético do zigoto humano. O raciocínio contrário nem merece ser chamado de raciocínio: a defesa do pretenso "direito" a matar seres humanos inocentes de tenra idade estrutura-se numa prevalência da vontade tirana sobre a razão e a verdade morais. Num utilitarismo unilateral (desprezando-se a negativa utilidade do aborto para o próprio do ser humano abortado), aborta-se porque sim. Porque dá jeito. E se for necessário, para afirmar esse pretenso direito, invocar as glórias da Ciência (como a Lei da Procriação Medicamente Assistida), os louros da Liberdade, ou pura e simplesmente a Mentira, então faça-se!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Razões para não votar Cavaco Silva - Parte I

Considerações preliminares
  • Eu votei Cavaco Silva nas últimas eleições presidenciais;
  • Se Cavaco Silva tivesse tomado decisões diametralmente opostas às que de seguida irei criticar, eu voltaria a votar Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais;
  • Todos os candidatos presidenciais são maus candidatos, e Cavaco Silva é, sem dúvida, o melhor dos maus;
  • Não concordo com a estratégia do "voto útil": é por causa dessa estratégia miserável que o País tem alternado, nas últimas décadas, e com as consequências que se sabem, entre um "laranja" e um "rosa" que pouco diferem, num patético e incompetente "centrão" que se perpetua no poder, e que perpetua a nossa desgraça; o voto útil, nestas eleições presidenciais, e à falta de candidatos decentes, é o voto em branco (*): este é o único voto que passa a mensagem correcta, a de que precisamos de uma nova classe de dirigentes políticos, dotada de moral, de competência e de princípios;
  • Não irei fazer a Cavaco Silva nenhuma das imbecis críticas que lhe têm feito, desonestamente, os seus opositores políticos; não lhe vejo nada que se possa apontar em matéria de investimentos pessoais na banca privada, nem em matéria de alegado anti-patriotismo (esta última uma crítica bizarra, visto que a crítica vem da esquerda, essa mesma esquerda que considera o patriotismo como um pecado grave).
Eixo central das críticas a Cavaco Silva
  • Ter aprovado, com a sua assinatura, uma série de leis injustas, iníquas, imorais e, nalguns casos, mesmo criminosas;
  • Apesar de o Presidente, frequentemente, ter feito acompanhar a sua aprovação dessas leis de um ou outro comentário reprobatório no qual se destacava do texto legislativo, esses seus gestos foram também altamente censuráveis: qual Pilatos, o Presidente promulgou uma série de leis com as quais discordava em questões de fundo, estruturantes: então, porque razão as assinou?
  • Cavaco foi um presidente tíbio: em nome da "estabilidade governativa" ou das "boas relações institucionais" entre Presidência e Governo, ou ainda da "maturidade democrática", o Presidente não transformou os seus princípios, os seus pensamentos e palavras, em acções; as suas várias inacções são cúmplices, são colaboradoras, são co-autoras dos males que entretanto foram plasmados na Lei.
Erros estratégicos de Cavaco Silva
  • Não foi boa a ideia de defraudar uma parte significativa do seu eleitorado, sobretudo aquela parte que comunga dos mesmos valores que ele, e que votou nele precisamente por essa razão;
  • Não é sensato, agora, depois de ter traído essa parte significativa do seu eleitorado, confiar no "voto útil", tentando capitalizar sobre a inépcia dos seus adversários: há eleitores, e eu sou um deles, que mesmo sem alternativa credível a Cavaco Silva, não vão voltar a cometer o erro de votar em Cavaco: os eleitores não são todos trouxas.
(continua)

PS: Vários familiares e amigos já me têm dito: "Mas o Manuel Alegre é péssimo, e era uma desgraça se ele fosse eleito!". Certo. Manuel Alegre é um péssimo candidato. Mas as desgraças são relativas... Como veremos de seguida, quando percorrermos as desgraças legislativas que Cavaco Silva promulgou neste seu último mandato, é muito difícil, ou mesmo impossível, caso Manuel Alegre seja eleito, superar o rol de desgraças cometidas nos últimos anos. É triste dizer isto, sobretudo a quem, como eu, votou Cavaco nas últimas eleições, mas dado o que Cavaco fez, ou ajudou a fazer, é difícil, ou mesmo impossível, fazer pior do que ele. A razão é simples: as piores leis que se possam imaginar já foram todas aprovadas e promulgadas por Cavaco Silva: sobra pouco para estragar... Sim, falta promulgar ainda a monstruosidade da eutanásia: mas, quando confrontado com essa lei, Cavaco iria promulgá-la certamente: se promulgou o aborto, legitimando a destruição de seres humanos sem se consultar a vontade dos próprios, seria bizarro não promulgar a eutanásia.

PPS: Uma queda dramática no número de votos em Cavaco Silva, mesmo que não chegasse para impedir a sua reeleição, teria ainda um outro efeito útil e positivo: transmitir uma forte e inesquecível lição àquelas mentes iluminadas da nossa direita que julgam que é "chique", "moderno" e "urbano" ser-se de direita e anticristão.

(*) Tenho recebido vários e bons argumentos a favor, quer do voto nulo, quer da abstenção. Para o sentido do meu texto, é realmente secundário se a opção melhor será a de votar em branco, votar nulo, ou não votar de todo. O essencial do meu texto está em reiterar que é imoral (e até ilógico) que uma pessoa de princípios morais sólidos vote em Cavaco Silva.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O "Casamento Homossexual"

Preâmbulo

Caros todos,

Apesar do meu nome constar neste blog desde o exacto dia da sua criação, tem sido parca a minha contribuição, quer em número de posts, quer em comentários aos post colocados pelo Bernardo. Resta-me a esperança que a quantidade não seja sinónimo de qualidade… Já agora, aproveito para felicitar e agradecer aos “comentadores residentes” pela qualidade dos vossos argumentos que, aliados às excelentes respostas do Bernardo, têm contribuído para o amadurecimento da minha Fé.

Duarte Fragoso


O "Casamento Homossexual"

Sinto-me como que sugado pelo turbilhão de informação sobre o tema, que não era tema mas passou a ser, do novo modelo de Casamento. De facto, toda esta informação, marcada por um radicalismo a raiar o fanático, tem lançado uma espécie de onda magnética sobre a opinião pública, deixando-a meio atordoada. De tal forma isto é assim que neste momento, em que supostamente já teria havido um debate profundo e esclarecedor sobre o tema, a pergunta que se impõe, pelo menos para mim, é a seguinte:

Mas afinal o que é que está em causa com o alargamento do Casamento a pessoas do mesmo sexo?

Se olharmos para o tema de uma forma objectiva, despindo-o de toda a “bull-shit” para aí apregoada, concluímos que não estão em causa nem direitos fundamentais nem tão pouco discriminações inaceitáveis, que tantos parecem interessados em fazer parecer. Na verdade, acabamos por concluir que tudo não passa de uma questão de concepção. Concebemos o Casamento como ele de facto é, ou seja, reflectindo a união entre um homem e uma mulher, ou, pelo contrário, achamos que o conceito de Casamento deve ser alargado, passando a reflectir também outro tipo de uniões, nomeadamente entre pessoas do mesmo sexo?
É tão só isto que está em causa.

É evidente que as consequências da adulteração do conceito de Casamento, nomeadamente com o alargamento do mesmo a uniões entre pessoas do mesmo sexo, é um erro grave com consequências nefastas para a sociedade. E considero que se trata de um erro grave pelas razões simples que abaixo enumero:

- Identificar de forma igual, relações que são absolutamente diferentes:
Uma relação entre um homem e uma mulher é, obrigatoriamente, diferente de uma relação entre dois homens ou duas mulheres. É diferente a todos os níveis; antropológico; filosófico; sociológico. E por isso mesmo, estes dois tipos de relação têm, obrigatoriamente, direitos e deveres diferentes, portanto devem ser enquadradas de forma diferente. Independentemente de um tipo de relação ser, ou não, melhor do que o outro, o que é um facto é que são diferentes. Assim como um jovem é diferente de um velho e ambos têm direitos e deveres diferentes na sociedade, sem que isso encerre algum tipo de discriminação negativa. Trata-se de situações distintas que devem ser olhadas como tal, sem prejuízo de ninguém.

- Construir uma igualdade artificial através da legislação:
Procura-se forçar uma igualdade falsa através da legislação. Chamar pelo mesmo nome, a partir do dia x, duas coisas que são diferentes e por isso denominadas de forma diferente. Isto é de tal forma absurdo que os defensores da causa, são os primeiros a apelidar este novo conceito de Casamento como o “Casamento Homossexual”. Se lhe chamassem apenas Casamento, as pessoas associariam a uma união entre um homem e uma mulher. Ou, pelo mesmo, não iriam perceber a que tipo de relação é que o seu interlocutor se estava referir, dado que este estaria a utilizar o mesmo nome para se referir a duas relações totalmente distintas entre si.

- Adulterar o Conceito de Casamento:
A partir do momento em que se adultera o conceito de casamento, alargando-o a relações entre pessoas do mesmo sexo, abrimos um precedente perigoso e que se pode
revelar perverso. A partir desse momento qual será o argumento para impedir o alargamento do conceito de Casamento a relações entre várias pessoas, a poligamia, ou a relações incestuosas?

- Estabilidade da família e defesa da procriação:
Não é por acaso que a sociedade se organizou, espontaneamente, em família e que daí tenha surgido o Casamento. A família é a base e o equilíbrio da sociedade. É o garante da sua continuidade. Ao adulterar aquilo que é o Casamento, o acto que oficializa publicamente a relação entre um homem e uma mulher e que os apresenta, perante a sociedade, como uma família apta, entre outras coisas, a procriar, pode ter consequências muito graves. O desmoronar da instituição família significa o desmoronar da sociedade.

- Aumento da homofobia:
Ao transformar um não tema num tema, apenas para servir todos os oportunismos políticos e dar palco a tantos pavões cheios de vaidades, podemos estar a aumentar a homofobia, dado que estamos a criar um ambiente propício ao extremar de posições. Alguém acha que os homossexuais que efectivamente têm uma vida difícil, não alguns histéricos que adoram desafiar a sua própria dignidade naquelas paradas deprimentes, que vivem no seu recato e que se dão ao respeito, estão interessados neste espectáculo? Alguém acha que esses homens e mulheres se vão casar?
Por tudo isto, parece-me claro que esta proposta de lei é um autêntico disparate. Um atentado social a todos os níveis. Em suma, uma inconsciência sem limites!
Ao mesmo nível desta proposta de lei, está a recusa da Assembleia da Republica face ao pedido de realização de um referendo sobre o tema, apresentado numa petição subscrita por mais de 90.000 Portugueses. Lembro que este elevadíssimo número de assinaturas foi recolhido em tempo recorde, sem recurso a qualquer máquina partidária, o que reflecte bem o sentimento colectivo dos Portugueses face a este assunto.

Os grupos parlamentares que recusaram o referendo justificaram a sua decisão tendo por base dois argumentos:

- Esta proposta já constava nos programas eleitorais do PS, PCP, BE e VERDES, sufragados nas últimas eleições e, portanto, a AR teria toda a legitimidade para legislar sobre este tema;

- Não se referendam direitos básicos.

Ora ambos os argumentos são fracos e facilmente refutáveis. O primeiro argumento cheira mesmo a batota… Digo isto porque seria fácil desafiar o PS a encontrar 1 só eleitor, que tenha votado no Partido Socialista, que conheça as mais de 700 medidas que constam no programa eleitoral do PS e, para além disso, concorde com todas essas medidas. É evidente que a existir algum eleitor nessas circunstâncias será, certamente, uma minoria.
Já o segundo argumento apresenta também inúmeras debilidades, a começar pelo facto de ser contraditório face ao primeiro. Se não se referendam direitos básicos, então porque estaria esse mesmo direito presente nos programas eleitorais acima referidos? Confuso não? Mas a resposta é simples. O alargamento do Casamento a uniões entre pessoas do mesmo sexo estava presente nos programas eleitorais dos partidos de esquerda porque, efectivamente o que está em causa não é um direito, é tão só uma questão de concepção do modelo de Casamento.
Resumindo, são dois argumentos frágeis que tentam justificar o injustificável. E o injustificável é o facto de a AR ter, pura e simplesmente, ignorado uma petição fortíssima, organizada de um dia para o outro que reflecte o pulsar da sociedade civil. É evidente que este tema deve ser alvo de um referendo, porque tem a ver com a mais elementar organização social. Isto é claro para todos aqueles que não foram dominados por este fanatismo absurdo.

Não há dúvida que no fim do dia a Assembleia da República, símbolo absoluto da democracia, fica manchada por um tique ditatorial inaceitável, protagonizado, sobretudo, por uma esquerda burguesa e arrogante, que se considera dona das vontades do povo e, como demonstra ao recusar ouvi-lo, o despreza profundamente.

Duarte Fragoso

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um Bispo colossal

A 29 de Outubro de 2009, o congressista Patrick Kennedy fez a seguinte afirmação:

“The fact that I disagree with the hierarchy on some issues does not make me any less of a Catholic.”

Teve a resposta que merecia do Bispo de Providence, Monsenhor Thomas Tobin:

«Since our recent correspondence has been rather public, I hope you don’t mind if I share a few reflections about your practice of the faith in this public forum. I usually wouldn’t do that – that is speak about someone’s faith in a public setting – but in our well-documented exchange of letters about health care and abortion, it has emerged as an issue. I also share these words publicly with the thought that they might be instructive to other Catholics, including those in prominent positions of leadership.

For the moment I’d like to set aside the discussion of health care reform, as important and relevant as it is, and focus on one statement contained in your letter of October 29, 2009, in which you write, “The fact that I disagree with the hierarchy on some issues does not make me any less of a Catholic.” That sentence certainly caught my attention and deserves a public response, lest it go unchallenged and lead others to believe it’s true. And it raises an important question: What does it mean to be a Catholic?

“The fact that I disagree with the hierarchy on some issues does not make me any less of a Catholic.” Well, in fact, Congressman, in a way it does. Although I wouldn’t choose those particular words, when someone rejects the teachings of the Church, especially on a grave matter, a life-and-death issue like abortion, it certainly does diminish their ecclesial communion, their unity with the Church. This principle is based on the Sacred Scripture and Tradition of the Church and is made more explicit in recent documents.

For example, the “Code of Canon Law” says, “Lay persons are bound by an obligation and possess the right to acquire a knowledge of Christian doctrine adapted to their capacity and condition so that they can live in accord with that doctrine.” (Canon 229, #1)

The “Catechism of the Catholic Church” says this: “Mindful of Christ’s words to his apostles, ‘He who hears you, hears me,’ the faithful receive with docility the teaching and directives that their pastors give them in different forms.” (#87)

Or consider this statement of the Church: “It would be a mistake to confuse the proper autonomy exercised by Catholics in political life with the claim of a principle that prescinds from the moral and social teaching of the Church.” (Congregation for the Doctrine of the Faith, 2002)

There’s lots of canonical and theological verbiage there, Congressman, but what it means is that if you don’t accept the teachings of the Church your communion with the Church is flawed, or in your own words, makes you “less of a Catholic.”

But let’s get down to a more practical question; let’s approach it this way: What does it mean, really, to be a Catholic? After all, being a Catholic has to mean something, right?

Well, in simple terms – and here I refer only to those more visible, structural elements of Church membership – being a Catholic means that you’re part of a faith community that possesses a clearly defined authority and doctrine, obligations and expectations. It means that you believe and accept the teachings of the Church, especially on essential matters of faith and morals; that you belong to a local Catholic community, a parish; that you attend Mass on Sundays and receive the sacraments regularly; that you support the Church, personally, publicly, spiritually and financially.

Congressman, I’m not sure whether or not you fulfill the basic requirements of being a Catholic, so let me ask: Do you accept the teachings of the Church on essential matters of faith and morals, including our stance on abortion? Do you belong to a local Catholic community, a parish? Do you attend Mass on Sundays and receive the sacraments regularly? Do you support the Church, personally, publicly, spiritually and financially?

In your letter you say that you “embrace your faith.” Terrific. But if you don’t fulfill the basic requirements of membership, what is it exactly that makes you a Catholic? Your baptism as an infant? Your family ties? Your cultural heritage?

Your letter also says that your faith “acknowledges the existence of an imperfect humanity.” Absolutely true. But in confronting your rejection of the Church’s teaching, we’re not dealing just with “an imperfect humanity” – as we do when we wrestle with sins such as anger, pride, greed, impurity or dishonesty. We all struggle with those things, and often fail.

Your rejection of the Church’s teaching on abortion falls into a different category – it’s a deliberate and obstinate act of the will; a conscious decision that you’ve re-affirmed on many occasions. Sorry, you can’t chalk it up to an “imperfect humanity.” Your position is unacceptable to the Church and scandalous to many of our members. It absolutely diminishes your communion with the Church.

Congressman Kennedy, I write these words not to embarrass you or to judge the state of your conscience or soul. That’s ultimately between you and God. But your description of your relationship with the Church is now a matter of public record, and it needs to be challenged. I invite you, as your bishop and brother in Christ, to enter into a sincere process of discernment, conversion and repentance. It’s not too late for you to repair your relationship with the Church, redeem your public image, and emerge as an authentic “profile in courage,” especially by defending the sanctity of human life for all people, including unborn children. And if I can ever be of assistance as you travel the road of faith, I would be honored and happy to do so.

Sincerely yours,

Thomas J. Tobin

Bishop of Providence»

- Bishop Tobin's Public Letter to Rep. Kennedy

Quem fala assim não é gago.
Em Portugal, há muito político "católico" a precisar de ouvir coisas destas...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

José Manuel Pureza, o católico

Da entrevista publicada pelo Sol ao líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda:

«É católico, vai à missa?
Vou, claro.
Estas questões, o aborto, como as resolve?
Muito bem, não vejo nenhuma dificuldade. Sei que há diferenças entre o que penso e o que pensa essa outra gente que é católica, também sei que não estou isolado: viu-se o que aconteceu no referendo na IVG. Mas compreendo que estamos habituados a uma matriz ideológica de comportamento de católicos que é predominantemente conservadora.
No aborto, há a questão quando é concebida a vida…
Pois há. Mas baseio-me não num conhecimento do séc. XVI, mas num conhecimento do ponto de vista das ciências da vida do séc. XXI, que me mostra, tanto quanto me é possível mostrar, que o que alguns chamam vida absoluta desde o momento da concepção é muito discutível. Há pessoas que ainda acham que eliminar espermatozóides é um crime que lesa a vida. Essa coisa de pôr os católicos em matéria de bioética, no séc. XVI é o pior que se pode fazer para a Igreja Católica.»


Pede-se aos nossos leitores católicos a amabilidade de localizarem alguém que conheça José Manuel Pureza e saiba a que missa ele vai. É imperativo abordar este nosso irmão católico à saída da missa e explicar-lhe o catecismo por gestos. A única explicação que se vislumbra para as posições exóticas deste nosso irmão só poderá ser a de ele sofrer de graves problemas de leitura e de audição, uma vez que nunca se deparou com uma só frase dos quilómetros existentes acerca da impossibilidade em se ser católico e defender o direito ao aborto.

Por outro lado, só uma surdez intransponível pode explicar o facto aparentemente misterioso de ele nunca ter ouvido um só sacerdote ou leigo a explicar o porquê da dita incompatibilidade. Para além de tudo isto, é também notório o alheamento deste nosso irmão, uma vez que, em total contra-ciclo, no preciso momento histórico em que um grupo importante de anglicanos se junta à Igreja Católica precisamente para reagir à facção radical que quer casar e ordenar homossexuais, José Manuel Pureza está a defender essa ideia peregrina.

Pureza está de tal forma baralhado, que foi logo escolher ser membro do Bloco de Esquerda, acabando em líder parlamentar! Pasme-se... É verdade que é preciso escavar para encontrar, na Assembleia da República, um partido católico (esse partido está enterrado: são os monges de São Bento que lá viveram há uns quantos séculos). Mas Pureza foi logo escolher um dos partidos cuja doutrina está mais em choque com o catolicismo.

Alguém que acuda!

PS: Quem estiver nos próximos tempos com José Manuel Pureza faça a amabilidade de lhe explicar que católico algum defendeu o direito à vida de um espermatozóide.

PS2: De caminho, expliquem-lhe que os mecanismos complexos da fertilização foram descobertos no século XIX, aprofundados durante o século XX, e ainda em activo estudo no século XXI. Fenómenos importantes para a fertilização humana e para a marcação biológica do início da vida, como por exemplo o bloqueio rápido da polispermia, são descobertas recentes da ciência, e não datam do século XVI.

domingo, 9 de agosto de 2009

Progressistas e Conservadores

Um dos mais preocupantes sinais de esquizofrenia colectiva consiste em usar palavras cujo significado já se perdeu, ou em usá-las com um significado novo e ilógico, porque nada tem a ver com a sua etimologia.

O "progressista" e o "conservador" surgem assim, a partir do século XIX (e a moda não passa de moda), como dois dos mais irritantes adjectivos de uso comum. Irritantes porque, de tanto e mau uso, tornaram-se em palavras ocas. Todos as usam, e ninguém se dá conta da tontice.

Estes adjectivos nasceram na política, e da política. O "conservador" era, e ainda é, associado com a chamada "direita" política, e o "progressista" com a chamada "esquerda". Escusado será dizer que "direita" e "esquerda" são, também eles, termos muito irritantes, cuja frequência de uso é directamente proporcional à vacuidade do discurso onde surgem inseridas.

Tudo isto é muito pateta. Porque, na verdade, não é nada recomendável alguém ser conservador. E não é mais recomendável alguém ser progressista.

É o mesmo tipo de tontice daquele maluco que é pelo olho direito, ou daquele residente do hospital psiquiátrico que diz que prefere o rim esquerdo.

Como dizia o Chesterton, e como é bem sabido, a ocupação do progressistas consiste em fazer asneiras e a dos conservadores consiste em evitar que elas sejam corrigidas.

Eu acrescentaria que a paranóia do progressista está em preferir o novo porque é novo (mesmo que seja algo muito mau) e a paranóia do conservador está em preferir o velho porque é velho (mesmo que seja algo muito mau).

Evidentemente, não existem progressistas, como não existem conservadores. Quando muito, existirão nalguma ala psiquiátrica, afectados por alguma patologia rara. Mas, cá fora, simplesmente não existem.

Porque até o progressista mais radical e mais fanático é o primeiro a reconhecer a rotina conservadora do seu banho frequente (já nem digo diário, mas apenas frequente): é quase certo que o progressista não consegue inovar no que toca às partes do corpo que tem que lavar todos os dias: nessa matéria, e em muitas outras, não há progresso possível: um braço é sempre um braço e tem que ser limpo, um pé é sempre um pé, e claramente tem que ser limpo. E assim por diante, numa conservadora monotonia, mas que conserva o progressista num estado socialmente apresentável.

Já o conservador mais radical e mais fanático não tem como fugir ao facto de que, com a devida rotina, há que progredir da roupa suja para a roupa lavada. Sentirá, certamente, uma raiva contra a mudança que lhe vem do seu obstinado conservadorismo, mas conservador que se preze não é socialmente apresentável se não trocar de vez em quando a sua roupa suja por roupa lavada.

Alguém distraído pensaria agora que é a higiene que une o progressista ao conservador, mas é preciso ir mais além. O exemplo que dei mostra, claramente, que a higiene pode ser uma ponte entre progressistas e conservadores, mas a coisa é mais profunda. É agora o momento certo para se fazer uma revelação bombástica...

É que... na verdade... o ideal seria mudar do mau para bom, ou seja, ser progressista para melhor, e o ideal seria também, e ao mesmo tempo, manter o bom, ou seja, ser conservador face ao melhor.

Por isso, a pessoa equilibrada é progressista para melhor e conservadora face ao melhor. E então, a pessoa equilibrada, dotada do mais elementar bom senso, não se atreve a proferir esse disparate que é o de se intitular progressista ou conservador.

Os mais que simpáticos visitantes deste blogue, esse raro mas valioso grupo de apoiantes, já devem estar neste momento a pensar porque razão ainda não meti nenhum ingrediente religioso, visto que neste blogue quase só se fala de religião. Mas já vem aí, o ingrediente religioso...

É que, se é certo que há pessoas que vêem tudo do ponto de vista religioso (eu sofro dessa obsessão), há também pessoas que vêem tudo do ponto de vista político. Sabendo de antemão que há muita gente que diz que há assuntos para os quais a religião não é chamada, atrevo-me a dizer, de outro ponto de vista, que há assuntos para os quais a política não é chamada (escândalo!). É verdade. É que há mesmo assuntos desses...

Por exemplo, quando os "media", ou a opinião pública (tantas vezes andam de mãos dadas), falam sobre religião, costumam dizer "este bispo é conservador", ou então "aquele padre é progressista", ou ainda "venceu a ala conservadora do Vaticano", ou então "a Igreja precisa de um Papa mais progressista". Tal esquizofrenia é doentia e intoxicante. Porque acharão que uma Igreja deve ser analisada com ferramentas clássicas (mas não por isso inquestionáveis) da política?

Todo este texto vai então, descaradamente, desembocar nesta afirmação peremptória: não há católicos progressistas. Nem há católicos conservadores. Há católicos. Ponto final. E depois há católicos com problemas de identidade (ah, se os há!).

É que, mais uma vez, os epítetos de "progressista" e de "conservador" mostram-se incapazes de ajudar-nos a compreender realidades complexas. Porque, claramente, não servem para classificar pessoas. Logo, não servem como adjectivos aglutinadores de pessoas parecidas, se nem sequer acertam na classificação de uma só pessoa que seja.

Por exemplo: os teólogos chamados de "progressistas" nos anos 60 andavam todos entusiasmados com a ideia de abolir o dogma. Pregaram até à exaustão a liberdade de consciência do leigo, a sua autonomia e o seu inegável direito até a decidir a própria doutrina católica, ou a doutrina católica que cada um queria para si. Foram idolatrados e adorados, estes teólogos. Depois, ficaram sem audiência. Os leigos foram-se embora. Os seminários por eles orientados ficaram vazios. Dos alunos por eles ensinados, poucos seguiram vocações. Foi o deserto.

A certa altura, a Igreja entendeu pôr fim a essa patetice do "teólogo progressista", cujo problema não era ser teólogo, mas sim achar-se, e ser visto como, progressista, visto que, como vimos, não há pessoas progressistas nem conservadoras. Que não haja a mais pequena dúvida de que a Igreja tem a mesma tenacidade em querer acabar com os "teólogos conservadores", ou seja, gente a querer manter as coisas na mesma só por serem antigas. Se assim não fosse, espécimes raras como as de teólogos a defender a escravatura ou a defender os autos-de-fé ainda andariam por aí a ensinar cursos de Teologia.

(Note-se que, mais uma vez, o teólogo "conservador" em fim de carreira, que defendia obstinadamente coisas indefensáveis, fazia parte da mesma estirpe que, em tempos, apresentara essas coisas indefensáveis como "progresso")

Mas o que é irónico constatar, hoje em dia, é que o "teólogo progressista" dos anos 60, ainda cheio de ímpeto durante os anos 70 e 80, hoje em dia é um dinossauro fossilizado. Uma Igreja nova, rejuvenescida, que sabe desmontar os disparates do chamado "espírito do Concílio" (totalmente contrário ao que realmente se passou e decidiu no Concílio), realmente sobreviveu às paranóias de alguns (a certa altura, muitos) teólogos "progressistas". E, hoje em dia, o "progressista" passou a ser visto por muitos como um "conservador", como alguém que se opõe tenazmente às orientações realmente progressistas (no sentido de ir do pior para o melhor) de Roma. Visto que tal estirpe de teólogo optou, no seu tempo de juventude, por criar uma teologia individual e própria, essa teologia individual e própria envelheceu e definhou, como todas as coisas que não são eternas nem verdadeiras. E, ao se deparar com a futilidade das suas guerras de juventude, o agora velho teólogo, se se mantiver obstinado e não quiser seguir o rumo do verdadeiro progresso, irá naturalmente tentar "conservar" o velho só porque é seu, só porque representa os seus tempos de juventude. Ele não se dá conta, na verdade, de que caiu na fatalidade do conservador, do conservador que ele tanto repudiava em novo: é que ele, na verdade, tombou na pedra de tropeço de todos os conservadores: está a conservar o velho por ser velho.

Termino com um desafio aos que trombeteiam diariamente as palavras "progressista" e "conservador": façam um esforço sério por nos explicar porque é que querem mudar (e porque é que consideram o antes como mau e o depois como bom), e porque é que querem conservar (porque é que consideram bom o que querem conservar).

Já basta de querer lançar o novo só por ser novo, e de querer manter o velho só por ser velho...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Paulo Rangel e a Igreja Católica

Comentário à entrevista de Paulo Rangel para a revista "i", intitulada: "A Igreja deveria abrir mais na questão homossexual".

A coerência, como valor pessoal e intelectual fundamental, está fora de moda.
Muitas figuras públicas, sobretudo nos meandos da política, são descaradamente incoerentes, e não se preocupam por aí além.
Hoje em dia, é sobretudo valorizada a dissidência, ou seja, uma espécie de atitude de "jovem rebelde" ou "livre-pensador". A coerência passa para segundo plano, ou sai mesmo de cena. O que deve fazer um eleitor que procure, hoje em dia, um político coerente em quem depositar o seu voto?

«É um católico mesmo praticante? Vai à missa?

Sim, mas sou um progressista, não me revejo na moral de costumes da Igreja Católica, na não ordenação das mulheres, no não casamento dos padres.»


É realmente espantoso que seja católico (mesmo da tal estirpe especial e minoritária dos "praticantes") e não se reveja em questões importantes da doutrina da Igreja.
É caso para perguntar: porque escolheu a Igreja Católica, quando há outras religiões que não apresentam a Paulo Rangel as objecções que ele levanta?

«Defende o casamento dos padres?

Em primeiro lugar defendo a ordenação das mulheres. Não compreendo que hoje, 2009, a Igreja tenha esta restrição. Olhe, o São Paulo, que tem aura de ser um autor sexista, em grande parte das igrejas que fundou as chefes eram mulheres. O que revela bem que o estatuto da mulher não era assim tão subalterno quanto pode parecer da leitura de alguns textos.» (negrito meu)


Este trecho é uma contradição.
Paulo Rangel defende a ordenação das mulheres na Igreja Católica, e logo a seguir, diz que "não compreende" essa restrição. Se não a compreende, como pode ser contra ela? Trata-se de simples lógica: se não compreende uma tese T, então não pode concordar com T nem com a sua negação: simplesmente não pode ter uma posição enquanto não compreender a tese T, e decidir a seu favor ou contra ela.

Outra erro terrível para qualquer católico é o de considerar que o sacerdote é um "chefe". É perfeitamente normal que São Paulo tenha dado responsabilidades de chefia a mulheres, mas isso não fez delas sacerdotes. As funções de sacerdote não são as funções de um "chefe".

«Na Igreja é [subalterno, o papel da mulher].

Na igreja institucional, sim. Mas com Jesus Cristo não. Tudo o que se conhece até aponta para um certo escândalo por ele ter mulheres apóstolas. E São Paulo também, curiosamente.»


Paulo Rangel diz que, na Igreja Católica institucional, o papel da mulher é subalterno. O que, mais uma vez, nos faz pensar porque razão terá Paulo Rangel escolhido uma religião machista para dela fazer parte. Mas, mais uma vez, Paulo Rangel erra, ao considerar que o papel da mulher na Igreja Católica é subalterno, e pelas razões atrás mencionadas: o sacerdote não é um "chefe".

«Concordou com a despenalização do aborto?

Eu estou de acordo com a posição da Igreja quanto ao aborto e à eutanásia. No resto não. Nos anticonceptivos sou um radical activista contra as posições da Igreja. Na moral sexual em geral sou contra: casamento, divórcio, a questão dos homossexuais.»


Paulo Rangel, aqui, usa a Igreja Católica como um supermercado. Vai ao corredor procurado, retira as partes que deseja, deixa o resto de parte. Uma religião "self-service". Note-se que Paulo Rangel, para além de se afirmar como um "radical activista" diz que na moral sexual, em geral, é contra as posições da Igreja. De novo, surge a teimosa pergunta: então, se é contra, porque razão escolheu a Igreja Católica?

«Defende o casamento gay?

Não é uma coisa que eu defenda hoje. Defendo uma instituição à parte.

A solução inglesa?

Um instituto análogo ao casamento. Para a sociedade portuguesa seria a melhor solução agora. Não porque eu não reconheça o direito? Eu percebo muito bem as reivindicações dos activistas e das activistas dos movimentos gay, mas acho que sociologicamente também temos que respeitar as convicções da maioria da população portuguesa, que é muito conservadora nesta matéria. Temos de encontrar um equilíbrio. A terceira via é um bom equilíbrio. Aliás, nas associações activistas há uma certa contradição. Elas dizem: agora falamos em casamento e mais tarde na adopção, é preciso um primeiro passo. Mas eu acho que é preciso um primeiro passo antes do casamento. Se aceitássemos a teoria gradualista, criavam- -se menos fracturas.»


Disfarçada sobre a capa de "respeito" pelas "convicções da maioria da população portuguesa", está uma escandalosa arrogância: a de pensar que a sociedade portuguesa ainda é "muito conservadora nesta matéria", o que é o mesmo que dizer que ele, Paulo Rangel, e os que pensam como ele, estão do lado do progresso, e que é só uma questão de tempo até os "atrasados" apanharem o comboio do progresso.

Outro problema para o Paulo Rangel católico: os católicos não se opõem ao "casamento gay" apenas porque isso "usurparia" uma palavra que lhes é cara. Eles opõem-se ao "casamento gay" porque se opõem à homossexualidade como tendência imoral, ou seja, errada.

«Mas eu percebo que há aqui questões sociológicas, de respeito pelas convicções dominantes na sociedade. E também têm de ser tidas em conta, não há aqui só direitos de uns. Prefiro uma engenharia social gradual. Mas acho que é aqui, na relação com os homossexuais, que a Igreja deveria abrir mais. Em toda a moral sexual é preciso uma grande renovação na Igreja. E há coisas que não compreendo de maneira nenhuma: a ordenação das mulheres, o casamento dos padres, a questão dos anticonceptivos, não percebo como é que se consegue continuar com este discurso.» (negrito meu)


Para além de uma linguagem metafórica ridícula (a da Igreja "fechada" e "aberta"), que se aplica a portas e janelas, e não a uma doutrina, Paulo Rangel mostra, neste trecho final, a incoerência apontada atrás: na mesma frase, sugere alterações profundas para a Igreja Católica, ao mesmo tempo que usa repetidamente expressões como "não compreendo" e "não percebo".

Recomendo a Paulo Rangel a consulta urgente do Catecismo da Igreja Católica.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conferência

A pedido do Miguel Conceição, divulga-se o seguinte evento:

O brasileiro Mateus Soares de Azevedo vem a Lisboa.
Está prevista uma palestra para o próximo dia 30 de Abril.
Mais detalhes aqui: Apresentação de livros em Lisboa

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A histeria do caso Williamson

Os factos:

- o Bispo Williamson, da Sociedade de São Pio X, sociedade ainda em cisma com a Igreja Católica, faz uma série de afirmações públicas negando ou mostrando dúvida sobre a historicidade de certos factos relativos ao Holocausto

- o Papa Bento XVI, após décadas de esforços de aproximação à Sociedade de São Pio X, decide, num gesto de misericórdia, levantar a excomunhão a quatro bispos da dita Sociedade, entre os quais, Williamson

- a histeria instala-se em todos os quadrantes, católicos e não católicos, mediáticos, políticos, diplomáticos: desde os moderados que manifestam perplexidade pela decisão papal, até aos radicais que propõem que o Papa abdique

O que é que Williamson não afirmou:

- Williamson não afirmou que o Holocausto fora uma coisa boa, ou até desculpável ou compreensível: isso colocava-o numa situação incompatível com a moral católica

- Williamson não afirmou que os nazis não mataram judeus: ele afirmou que o número de mortos foi substancialmente menor que o número avançado pelos historiadores, e que não foram usadas câmaras de gás

Os erros de Williamson nesta matéria:

- são erros históricos, que podem ser um preocupante sinal da proximidade a ideias políticas de mau gosto e reputação, como a dos famigerados Protocolos dos Sábios de Sião, e outras teorias conspiratórias pouco recomendáveis

- não são erros morais, no sentido em que Williamson nunca afirmou ter concordado com os crimes morais do Terceiro Reich

- apesar de serem gritantes, os erros de Williamson não fazem dele um puro negacionista, pois ele não nega que houve Holocausto, mas sim a sua extensão e alguns dos macabros procedimentos que foram usados

- a mais elementar justiça faz com que se pondere o seguinte: há, na Igreja, pessoas em cargos de responsabilidade que perfilham ideias doutrinais e morais incompatíveis com a doutrina e com a moral católicas: tais casos são, sem sombra de dúvidas, mais graves do que o caso Williamson

O Papa errou?

- o levantamento da excomunhão foi um acto de misericórdia, que se cinge ao remover de uma pena canónica, imposta pela desobediência de Monsenhor Lefébvre e pela conivência dos quatro bispos em questão

- tal levantamento não conduz os bispos ao exercício de actividades dentro da Igreja: eles ainda fazem parte de um grupo cismático, e o cisma não foi resolvido

- é para todos evidente que o Papa não pode concordar com as posições pessoais do bispo Williamson sobre o Holocausto; é claro o aviso recente do Papa a Williamson, de que este deve rejeitar tais posições sobre o Holocausto, bem como as suas ideias cismáticas, para poder exercer um cargo na Igreja

- por tudo isto, o Papa não errou, nem nas intenções nem nas acções que tomou; apesar de ser sensato supor que a gestão interna e externa deste caso possa ter sido mal conduzida por certos órgãos da Curia Romana

O que está por detrás da histeria?

Na Alemanha, figuras importantes como os bispos de Hamburgo, e de Rotemburgo-Estugarda confessaram sentimentos de "incerteza, incompreensão e decepção" e ainda constataram "uma óbvia perda de confiança" no Papa Bento XVI. Um teólogo alemão, Hermann Haering, chegou à posição extremista de pedir que Bento XVI resignasse "para fazer algum bem à Igreja".

O que está por detrás disto tudo?
Muitos jornalistas explicaram estas posições radicais por parte de prelados e teólogos alemães recorrendo ao facto de que o negacionismo é crime na Alemanha. Isto explica? Eu acho que não.

A explicação parece estar noutro lado: a já velha tradição de alguma teologia alemã em contestar a doutrina católica, com este caso Williamson, veio toda cá para fora e resolveu, atraída pelos microfones e pelas câmaras de televisão, dar um ar da sua graça.
É inegável o aproveitamento deste caso por parte dos ditos "católicos liberais", termo vago que se refere aos católicos que contestam o catolicismo. Para mim, é isso que se torna claro como a água nesta histeria em torno de Williamson, que noutro contexto mais não seria do que uma pessoa com ideias tontas acerca do Holocausto: este caso, e a reacção histérica a ele, não é mais do que um sinal das forças de bloqueio ao Papa que ainda estão vivas, apesar de mais moribundas do que há trinta anos.

Para o papado, para o primado de Pedro na Igreja Católica, é muito maior o risco extremista e auto-destrutivo dos teólogos "liberais", que nestas ocasiões são os primeiros a lançar pedras ao Papa, do que as tontices que Williamson disse sobre o Holocausto.

Como católicos, devemos estar atentos a uma certa atitude malsã contra a Sociedade de São Pio X. Se há algo que me divide, como católico, dessa cismática sociedade é a atitude por ela demonstrada de desobediência ao Papa e de não aceitação do Concílio Vaticano II. São pontos graves, estes, que separam católicos de lefebvristas, mas devemos estar atentos aos imensos pontos que nos unem, em termos de tradição católica, de doutrina, de fé sincera e coerente, de amor a Cristo.

Há muita gente, "soi-disant" católica, que baseia a sua raiva malsã contra os lefebvristas, não sobre os pontos importantes que acima referi, mas sobre uma evidente agenda modernista, que promovem abertamente em contradição com a doutrina católica que se dizem professar.

sábado, 25 de agosto de 2007

Verde miséria

O desregulamento intelectual das sociedades modernas traz ao de cima, como um dos seus mais preocupantes sintomas, a multiplicação dos paradoxos morais.
Recentemente, um bando de indigentes "ecoterroristas", que usam uma fachada de pseudo-ecologia para entrar em acções agressivas, subversivas e anárquicas, destruiu parte de uma plantação de milho transgénico.
Chamar este acto analfabeto de "activismo ecológico", não passa, certamente, de um "verde" eufemismo...

O assunto foi noticiado ad nauseam pela Imprensa, ao ponto de se tornar irrelevante discutir os detalhes. Sobretudo, é precoce discutir o facto de a polícia pouco ou nada ter feito, e de os nossos "ecoterroristas" não terem sido sancionados ou obrigados a pagar os estragos físicos e psicológicos, porque o problema encontra-se mais a montante.

Quer se queira, quer não, tornou-se socialmente aceitável usar da violência em nome de certas causas "politicamente correctas" como a ecologia, a protecção dos animais, ou mesmo essa vaga e intelectualmente confrangedora luta contra o "G-8".

Os nossos políticos, independentemente do seu quadrante (sendo certamente mais presentes na extrema esquerda a tendência para a apologia e mesmo patrocínio deste tipo de violência), começam a pouco e pouco a aceitar certos actos de violência como parte da liberdade de expressão.

Queimar viaturas passa a ter uma causa justa: a opressão económica do G-8 sobre o Mundo!
Conspurcar e vandalizar praças de toiros passa a ter uma causa justa: defender o pobre toiro da violência humana.
Destruir colheitas passa a ter uma causa justa: lutar contra os alimentos geneticamente modificados (independentemente do gene que é modificado, até porque tal gente não sabe bem o que é isso de genética).

Contudo, os mesmos activistas, apostando numa versão invertida e perversa de "causa justa", distorcem o real significado do que é uma luta por uma causa justa.

A ética mais justa e universal considera que é justo lutar (usar da violência) em auto-defesa, ou em defesa daqueles que temos à nossa responsabilidade.

Acima de todos os direitos está o direito à vida. Quando certos activistas anti-aborto atacam os matadouros onde se pratica o aborto "legal", os mesmos defensores da violência contra o milho transgénico ou da violência contra as praças de touros, indignam-se perante actos que, segundo eles, atentam contra direitos da mulher. Chegam a chamar de fanáticos aqueles que atentam contra tais "clínicas".

Estranha distorção de conceitos...
É certamente ilegítimo matar um "médico" abortista, mesmo que durante a prática do seu vil acto, se existir uma alternativa não cruenta. Contudo, é eticamente discutível se será assim tão errado tentar impedir um aborto provocando estragos materiais, sem atentar contra a vida de ninguém.

Destruir material médico, ou partir vidros de uma clínica, como estratégia para evitar a morte de um feto humano parece-me algo que dificilmente poderá ser visto como não ético, a não ser numa nova forma "moderna" de ética que dá mais valor ético aos vidros e aos aparelhos médicos do que ao ser humano.

Mas a essência desta minha interrogação está aqui: que raio de perversão intelectual viverá na mente daqueles activistas (e respectivos protectores políticos) que usam da violência para defender o milho natural e os toiros, mas que não se sentem minimamente apiedados pela vida humana fetal ou embrionária?

Aos olhos de certos políticos da esquerda radical (mas a doença também se alastra para a direita), faz parte da moderna "kulturkampf" valorizar mais a vida animal ou vegetal do que a humana... A verdade é que a corrente utilitarista, que hoje em dia campeia no estudo da Ética, com prejuízo para a clássica ética deontológica, tem cumprido a sua função de dissolução da hierarquia de valores.

O ser humano moderno, viciado numa falsa intelectualidade, perdido na árdua batalha quotidiana para conseguir hierarquizar minimamente os seus valores éticos, está agora a ser convencido pela ética utilitarista moderna a abdicar totalmente desses mesmos valores, que são vistos pelos "novos pensantes" como algo semelhante a fósseis de uma antiga religiosidade caduca, que urge extinguir em nome do dogma do "Progresso".

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Zé?

Outdoor do Bloco de Esquerda

“O ZÉ FAZ FALTA”

Refrescante o conteúdo programático desta candidatura!

Duarte Fragoso

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Momento de Génio

Estou extasiado… O brilhantismo do Dr. Almeida Santos é surpreendente. Diz ele que o Aeroporto não deverá ser construído na margem sul do Tejo, por uma questão de segurança nacional “…os terroristas podem dinamitar as pontes sobre o Tejo e assim boicotar o funcionamento do Aeroporto…”

Análise brilhante, original, rebuscada!

Fico apenas com uma pequeníssima dúvida! Será que a A1 e a A8, os seus inúmeros viadutos, não serão passíveis de atentados terroristas?

Fico satisfeito por um homem tão brilhante ter sido presidente da Assembleia da República.

Duarte Fragoso
Será que a Directora Regional de Educação não quererá assumir o lugar de Provedora Geral do governo Sócrates?

É que, dado o insólito sentido de humor dos nossos ministros, parece-me terreno fértil para instauração de processos disciplinares e muitas suspensões preventivas.

Duarte Fragoso

sexta-feira, 18 de maio de 2007

De pequenino se torce o pepino...

É bem sabido que as "jotas", ou seja, as juventudes partidárias, são aqueles ninhos de pré-políticos que, para aparecerem na linha da frente, fazem o possível e o impossível para promover pseudo-causas.

Ontem, foi a vez de Pedro Nuno Santos, da JS. O jovem político, que ontem propôs a adopção do Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia, falou nestes termos:

"Chegou a hora de Portugal assumir de frente a última discriminação consagrada na nossa lei: a discriminação dos gays e lésbicas face ao casamento civil. Esse debate tem de ser feito"

Até aqui, nada de surpreendente: o mesmo discurso terrorista, feito dos mesmos chavões. Procurar transformar a homossexualidade numa coisa normal, procurar dissolver o significado social do casamento, que é heterossexual por natureza. Procurar dissolver a moralidade, procurar reduzir o catolicismo em Portugal a quase nada. Já por várias vezes me perguntei, e perguntei a várias pessoas (sem obter resposta satisfatória), porque razão não bastaria consagrar alguns direitos na figura da "união de facto", deixando o pobre do casamento em paz...

Basta estar atento para ver que o casamento está a ser atacado por todos os lados. Recentemente, o PS recusou a proposta bizarra do Bloco de Esquerda, que queria enfraquecer ainda mais o contrato civil presente no casamento. Mas tenhamos presente que o PS só o fez porque quer ser reeleito. Daí o discurso omnipresente na boca de muitos membros do Governo: "não há mais causas fracturantes até 2009".

Mas, se nada nos surpreende no discurso de Pedro Nuno Santos, que sabe que tem que "fazer pela vida" para ter uma carreira política fulgurante, há um dado que revela a imaturidade deste jovem político...
Porque razão falou ele, precipitadamente, na "última discriminação"? É precipitação! Então e a adopção de crianças por casais homossexuais? Há que manter aberto o caminho do Progresso!

É certo que, em Política, os discursos de hoje podem ser distorcidos e invertidos já amanhã. Mas haja bom senso! Nos anos noventa, um político poderia dizer que o casamento civil para homossexuais era a "última discriminação" que se pedia à sociedade para eliminar. Hoje em dia, quando o Progresso já se vê em tantos países, um político não pode apontar para algo abaixo da adopção!

É que, já amanhã, quando precisar de se voltar a colocar em bicos de pés perante a Assembleia, o jovem Pedro Nuno Santos vai precisar de usar a adopção de crianças por homossexuais, e aí vai ter que voltar a falar disso como a "última discriminação".

Mas já se sabe: os entusiasmos de juventude são assim mesmo!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Complexos da esquerda radical

É certo que já ninguém lhes liga nenhuma. Que os "amanhãs cantantes" do Avante estão a desaparecer, finalmente, da nossa sociedade, ainda marcada por um forte complexo de esquerda.
Mas, de tempos a tempos, e porque eles ainda não morreram todos, lá temos que aturar com a chinfrineira dos "anti-fascistas".
O que se viu neste fim-de-semana em Santa Comba Dão foi de uma tristeza e de uma miséria profundas, daquelas que há vários anos não se viam em Portugal. Só faltou uma bombazita no cemitério, na campa do Salazar, para nos recordar os belos anos do terrorismo "anti-fascista" das FP-25.

Eles nunca perceberam a diferença entre nazismo e fascismo. Por isso é que alguns confundem nazismo ou neonazismo com apoio a Salazar. Nem nunca perceberam as enormes diferenças entre o regime fascista de Mussolini (o único ao qual se pode aplicar correctamente o termo "fascista") e o regime ditatorial de Salazar.
É que a palavra "facho" evoca um simbolismo que se apresentava como saudosista do Império Romano, recuperando alguma iconografia dos tempos imperiais, o que só seria útil para um governo centrado em Roma.

Só que a palavra "fascista" é sonora: arranha na garganta.
Ouve-se aquela gente a gritar "FAXISTA", assim mesmo com um "X" bem vincado na garganta, e até se sentem os perdigotos na cara. É uma palavra áspera, fica bem. É bruta. Só que, historicamente, não tem nada a ver com Salazar nem com o Estado Novo.

O mais triste disto tudo é constatarmos que os extremos se atraem sempre. Enquanto os fanáticos gritavam impropérios contra Salazar, a normalmente boa e pacífica população de Santa Comba Dão entusiasmava-se demais, e o sentimento dava origem a gritos disparatados de sentido oposto, exageradamente laudatórios à figura do ditador.

O fanatismo gera sempre fanatismo, e atrai novo fanatismo.
E o ódio cego e irracional "anti-fascista" atrai sempre o seu congénere de sinal oposto. Até me espantei por não ver em Santa Comba Dão os desmiolados "nacionalistas" rapados do costume...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Na Vanguarda

Transformámo-nos num país tão intrinsecamente corrupto que sob a capa do seu combate assistimos à mais descarada corrupção!

Que ninguém nos diga que pecamos por falta de originalidade…