Mostrar mensagens com a etiqueta Quaresma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Quaresma. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Quaresma de 2013 A.D.

Um texto de um amigo meu que estava na Basílica de São Pedro, em Roma, aquando da missa de Quarta-feira de Cinzas de 2013:

A Missa de Quarta-feira de Cinzas do Papa costuma ser todos os anos na Basílica de Santa Sabina, casa mãe da Ordem dos Pregadores, mais conhecida pela ordem dos Dominicanos. Este ano o local da Santa Missa foi mudado de véspera para a Basílica de S. Pedro devido ao anúncio da abdicação à Cátedra do Bispo de Roma pelo Papa Bento XVI. 
O final desta Missa está por todo o lado na internet. O discurso do Cardeal Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, foi comovente, tanto nas palavras como na forma: notou-se o esforço para controlar a emoção enquanto lia o discurso de agradecimento ao Papa Bento. Pouco depois a assembleia (e a basílica estava totalmente cheia!) rebentou num grande aplauso de longos minutos. Conhecendo bem os pensamentos do Papa sobre bater palmas na igreja eu só me atrevi a fazê-lo depois de ver o Msgr. Marini, mestre de cerimónias do Papa, a bater palmas também.
Mas não foi só por isso, claro. A verdade é que este momento contrastou imenso com o ambiente que se viveu na Basílica vaticana durante a cerimónia toda. As fotografias que se vêem nas notícias são o Papa a espalhar sorrisos pela Basílica na procissão de saída. Mas a procissão de entrada foi completamente diferente, não têm noção, eu nunca vi nada assim. Antes da procissão começou a Missa com o ritual próprio da Quarta-Feira de Cinzas e houve um tema em gregoriano chamado Audi, Benigne Conditor, dizendo a Deus que o nosso coração se quer preparar para O ver, através da penitência e do jejum. Só depois é que começou a procissão, ao mesmo tempo que se rezou a Ladainha de Todos os Santos. Foi a maior que alguma vez ouvi, incluía santos como S. Paulo Miki, Sta. Rosa de Lima e St. John Fisher e St. Thomas More, entre muitos outros. Todos os padres e bispos, vestidos com as cores da quaresma, passaram sem sorrisos na cara. Eram muitos. 
Eu só me apercebi que os cardeais todos já tinham passado quando vi o Papa a chegar, porque pelos paramentos e com a mitra nem dava para distinguir. O Papa passou numa serenidade e seriedade imensa, a rezar a ladainha, a olhar para o crucifixo do altar, ao fundo da Basílica. Tudo isto fazia a própria basílica, com toda a assembleia, respirar este ambiente austero. Não houve nenhum "Viva il Papa" e os que perderam tempo a tirar fotografias com iPads e telemóveis são uns tontos, levaram todos um grande desprezo do Papa, sempre com o olhar fixo em Cristo na Cruz, no altar. Ou seja, acabou a festa.
É assim que se começa a Quaresma na Santa Sé, servindo como exemplo para todo o mundo Católico. A ladainha de todos os Santos servia para isso mesmo, para nos lembrar que muitos homens e mulheres já passaram por este mundo, sofreram e venceram. Agora estamos cá nós, preparados para fazer penitência e jejum e limparmos a nossa alma de todo o pecado. As cinzas servem também para isso: mostrar que somos pó da terra, não valemos nada sem ser pela infinita graça de Deus. Podíamos pensar que isto foi assim por ser a Santa Missa de despedida do Papa Bento XVI, mas não é verdade. Disse-me um amigo que esteve há uns anos em Santa Sabina, também na Quarta-Feira de Cinzas com o Papa Bento, e aí houve alguém que gritou "Viva il Papa" e todos à volta o mandaram calar. Começámos a Quaresma. E durante a Quaresma vamos passar por Sede Vacante.  
Nada é por acaso. 
Attende, Domine, et miserere, quia pecavimus tibi.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Salmo de hoje, Quarta-Feira de Cinzas

Permitam-me a repetição de um "post" anterior. É que é especialmente apropriado ao dia de hoje, Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma. Hoje, na missa, escutámos o Salmo 51:



«Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam.
Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut iustificeris in sermonibus tuis, et vincas cum iudicaris.
Ecce enim in inquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifestasti mihi.
Asperges me, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium et laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne proiicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et impii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea iustitiam tuam. Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocaustis non delectaberis.
Sacrificium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Ierusalem.
Tunc acceptabis sacrificium iustitiae, oblationes, et holocausta: tunc imponent super altare tuum vitulos.»

«Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade; pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.
Lava-me de toda a iniquidade; purifica-me dos meus delitos.
Reconheço as minhas culpas e tenho sempre diante de mim os meus pecados.
Contra ti pequei, só contra ti, fiz o mal diante dos teus olhos;
por isso é justa a tua sentença e recto o teu julgamento.
Eis que nasci na culpa e a minha mãe concebeu-me em pecado.
Tu aprecias a verdade no íntimo do ser e ensinas-me a sabedoria no íntimo da alma.
Purifica-me com o hissope e ficarei puro, lava-me e ficarei mais branco do que a neve.
Faz-me ouvir palavras de gozo e alegria e exultem estes ossos que trituraste.
Desvia o teu rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas culpas.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito.
Não me afastes da tua presença, nem me prives do teu santo espírito!
Dá-me de novo a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito generoso.
Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos e os pecadores hão-de voltar para ti.
Ó Deus, meu salvador, livra-me do crime de sangue, e a minha língua anunciará a tua justiça.

Abre, Senhor, os meus lábios, para que a minha boca possa anunciar o teu louvor.
Não te comprazes nos sacrifícios nem te agrada qualquer holocausto que eu te ofereça.
O sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito; ó Deus, não desprezes um coração contrito e arrependido.

Pela tua bondade, trata bem a Sião; reconstrói os muros de Jerusalém.
Então aceitarás com agrado os sacrifícios devidos, os holocaustos e as ofertas; então serão oferecidos novilhos no teu altar.»


[Partitura]