"Nós vivemos neste mundo absurdo em que duzentas e vinte e cinco pessoas têm a riqueza de quarenta e sete por cento da humanidade. E vivemos ainda num mundo absurdo em que somos capazes de enviar a Marte um aparelho para saber qual é a composição das rochas de Marte ao mesmo tempo que neste mesmo mundo morrem milhões de pessoas de fome. É um mundo realmente esquizofrénico".
José Saramago
Abraço,
Duarte
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
terça-feira, 14 de outubro de 2003
Os estudantes e as propinas
Os protestos ridículos e as estranhas cenas que parte dos estudantes do nosso ensino superior têm protagonizado nos últimos tempos, são o reflexo dos erros estruturais do ensino básico e secundário.
A verdade é que os alunos, pelo menos aqueles que frequentam os estabelecimentos de ensino público, crescem num ambiente pervertido, no que respeita a questões como a exigência e o rigor.
Parece-me inconcebível que a progressão de carreira dos docentes esteja assente num único elemento, os ANOS DE SERVIÇO, decepando à partida toda a eventual motivação na preparação das aulas e na procura da qualidade (o facto de um docente ser BOM ou MAU profissional não tem relevância absolutamente nenhuma na avaliação e progressão da sua carreira).
Para além desta evidência temos ainda que acrescentar o despesismo na gestão escolar, colocando invariavelmente as escolas no papel do miserável que implora uns tostões ao estado.
Obviamente que no final deste percurso, no mínimo sinuoso, os estudantes estão encarcerados numa espécie de paralisante dependência do Estado, que está na base de um conjunto de motivações erradas e pouco saudáveis como “...não temos que pagar NADA para frequentar o ensino superior...”
Se por último acrescentarmos os efeitos da nossa recente cultura pimba, temos o resultado final ...AS TRISTES CENAS DOS ESTUDANTES DO NOSSO ENSINO SUPERIOR...
Um abraço,
Duarte
A verdade é que os alunos, pelo menos aqueles que frequentam os estabelecimentos de ensino público, crescem num ambiente pervertido, no que respeita a questões como a exigência e o rigor.
Parece-me inconcebível que a progressão de carreira dos docentes esteja assente num único elemento, os ANOS DE SERVIÇO, decepando à partida toda a eventual motivação na preparação das aulas e na procura da qualidade (o facto de um docente ser BOM ou MAU profissional não tem relevância absolutamente nenhuma na avaliação e progressão da sua carreira).
Para além desta evidência temos ainda que acrescentar o despesismo na gestão escolar, colocando invariavelmente as escolas no papel do miserável que implora uns tostões ao estado.
Obviamente que no final deste percurso, no mínimo sinuoso, os estudantes estão encarcerados numa espécie de paralisante dependência do Estado, que está na base de um conjunto de motivações erradas e pouco saudáveis como “...não temos que pagar NADA para frequentar o ensino superior...”
Se por último acrescentarmos os efeitos da nossa recente cultura pimba, temos o resultado final ...AS TRISTES CENAS DOS ESTUDANTES DO NOSSO ENSINO SUPERIOR...
Um abraço,
Duarte
Evolucionismo - Um ataque cego?
A todos os que podem achar as minhas críticas algo cegas, obscuras e fanáticas, ou até àqueles que rapidamente me poderiam atribuir uma leitura literal do Génesis, queria deixar algumas palavras...
Infelizmente, não é raro ver pessoas sem preparação, munidas apenas de uma fé pouco esclarecida, atacarem o modelo evolucionista. E contra mim falo!
Por isso, saio de cena e deixo falar outros muito mais esclarecidos.
Hoje quero aqui deixar um texto do tradicionalista Titus Burckhardt (1908-1984): "El Origen de las Especies". Este texto é uma tradução espanhola e encontra-se no site Textos Tradicionales.
Bernardo
Infelizmente, não é raro ver pessoas sem preparação, munidas apenas de uma fé pouco esclarecida, atacarem o modelo evolucionista. E contra mim falo!
Por isso, saio de cena e deixo falar outros muito mais esclarecidos.
Hoje quero aqui deixar um texto do tradicionalista Titus Burckhardt (1908-1984): "El Origen de las Especies". Este texto é uma tradução espanhola e encontra-se no site Textos Tradicionales.
Bernardo
segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Erros meus...
Uma questão tão complicada como a da crítica da Evolução e do Progresso não pode ser resolvida em mensagens de blogue, por muitas que escrevessemos.
Os argumentos apresentados pelo Pedro Cordeiro são, sem dúvida, muito importantes e pertinentes, e vêm no sentido de corrigir erros num texto que apresentei há dias.
Com os erros e imperfeições próprios do meu amadorismo, poderei ter confundido quem me leu. Para permitir que se siga o "fio à meada" não vou alterar a versão original do texto que apresentei. Daqui para a frente farei sempre assim, ou seja, irei identificar e reconhecer os meus erros em mensagens posteriores, sem alterar a mensagem original.
Acredito que Verdade que tento transmitir deve permanecer, independentemente dos meus erros de expressão.
Sugiro, para uma primeira abordagem à crítica que o Tradicionalismo faz à teoria evolucionista, que se leia com atenção a posição do tradicionalista Frithjof Schuon.
A leitura do site Sophia Perennis é muito interessante, se bem que, pessoalmente, não partilhe da totalidade do pensamento de Schuon.
Também devo sugerir uma saltada a Biblical Implications of Creation vs Evolution, onde são apresentados argumentos contra a evolução das espécies, e mesmo contra a selecção natural. Tenho sempre um ENORME cuidado ao ler tudo o que se apresente como "religioso" e "americano" ao mesmo tempo, porque normalmente não presta. Faço a mesma recomendação a quem consultar este site que, aparentemente, parece ser uma feliz e útil excepção...
Bernardo
Os argumentos apresentados pelo Pedro Cordeiro são, sem dúvida, muito importantes e pertinentes, e vêm no sentido de corrigir erros num texto que apresentei há dias.
Com os erros e imperfeições próprios do meu amadorismo, poderei ter confundido quem me leu. Para permitir que se siga o "fio à meada" não vou alterar a versão original do texto que apresentei. Daqui para a frente farei sempre assim, ou seja, irei identificar e reconhecer os meus erros em mensagens posteriores, sem alterar a mensagem original.
Acredito que Verdade que tento transmitir deve permanecer, independentemente dos meus erros de expressão.
Sugiro, para uma primeira abordagem à crítica que o Tradicionalismo faz à teoria evolucionista, que se leia com atenção a posição do tradicionalista Frithjof Schuon.
A leitura do site Sophia Perennis é muito interessante, se bem que, pessoalmente, não partilhe da totalidade do pensamento de Schuon.
Também devo sugerir uma saltada a Biblical Implications of Creation vs Evolution, onde são apresentados argumentos contra a evolução das espécies, e mesmo contra a selecção natural. Tenho sempre um ENORME cuidado ao ler tudo o que se apresente como "religioso" e "americano" ao mesmo tempo, porque normalmente não presta. Faço a mesma recomendação a quem consultar este site que, aparentemente, parece ser uma feliz e útil excepção...
Bernardo
Uma batatada a jeito!
O Pedro mandou-me hoje uma bela batatada, directamente do seu blogue.
De certo modo já a esperava!
Trata-se da minha crítica às teorias evolucionistas e ao conceito de Progresso em geral.
Gostei das críticas do Pedro, que são muito pertinentes.
E gostei sobretudo das suas correcções. Obrigado, Pedro!
A minha seguinte frase:
"Então o que nos diz o senhor Darwin? Diz-nos que as espécies transformam-se ao longo do tempo, que alterações no código genético das espécies levam-nas a evoluir de formas primitivas para formas mais sofisticadas."
está profundamente errada.
No tempo de Darwin, ainda se estava longe de conhecer a Genética.
Além disso, Darwin fala sobretudo da "selecção natural", e a sua tónica é sempre na sobrevivência das espécies mais capazes de resistir às alterações do seu ambiente. Também não foi correcto da minha parte falar na "Teoria da Evolução das Espécies", uma vez que a obra de Darwin se chama "A Origem das Espécies".
Mas tentarei, agora com mais cuidado, explicar melhor aquilo que quis transmitir.
No campo da Genética, foram e estão a ser descobertas coisas surpreendentes. A transmissão hereditária de características em todas as espécies é algo que não se pode negar. De certo modo, Darwin, e isso correctamente, deu-se conta, como o Pedro refere e muito bem, que mudanças no meio provocam a extinção das espécies menos preparadas para as ditas.
Assim, numa dada altura da História, constatamos a existência das espécies que melhor suportaram as adversidades do meio.
Darwin deu à sua obra o título de "A Origem das Espécies", e nela trata o que chamou de "selecção natural". Talvez, em rigor, Darwin não tenha defendido, pelo menos por escrito, a "evolução das espécies" mas sim a sua modificação no contexto da "selecção natural", por outras palavras, o "devir" das espécies. Mas certamente motivou e influenciou directamente uma escola de seguidores que acentuaram fortemente o conceito de "evolução", talvez mascarado ou até inexistente em Darwin.
E é esta "evolução" que eu critico! Porque "evolução" significa claramente "mudança para melhor". E esta coisa da "mudança para melhor" é algo claramente contrário às teorias cíclicas das mais variadas tradições.
Se as condições do meio mudam, não podemos ter a veleidade de classificar estas mudanças como "boas" ou "más", uma vez que as mesmas condições podem ser benéficas para umas espécies e prejudiciais para outras. Por isso, a constante e lenta adaptação das espécies (e entendendo adaptação por "sobrevivência dos que se possuem características adaptáveis") às metamorfoses do meio não permite que se diga que as espécies "evoluem". O Homem incluído!
Mais... As espécies existentes sobre a Terra no ano 2000 não são as "vencedoras", nem as mais bem adaptadas em absoluto! Como poderíamos sustentar essa ideia se as condições estão, também elas, em permanente mudança desde o início dos tempos?
Regressando à espécie humana, eu não nego a realidade do "homo erectus" ou do "homo habilis". O que eu recuso é que se admita imediatamente que essas criaturas são "antepassados" do Homem moderno. As descobertas arqueológicas nesta área são importantíssimas, e deveriam fazer-nos pensar o quanto desconhecemos do nosso passado. Mas seguramente não devemos, na ausência de quaisquer provas, aderir à suposição não fundamentada de que o Homem moderno é, biológica e intelectualmente, uma Lucy "evoluída".
Posto em linguagem sintética:
1. Se existe uma criatura "A" sobre a Terra no ano X;
2. E se existe uma criatura "B" sobre a Terra no ano Y, em que Y>X;
Não se pode concluir que A se transformou em B ao longo desses Y-X anos, só porque "A" é suficientemente parecido com "B" e não foram encontradas provas arqueológicas de que B já existia no ano X.
Exemplificando: porque é que se nega que no tempo de Lucy não existiam já civilizações sobre a Terra? Só porque não foram encontrados vestígios arqueológicos?
Indo mais longe...
Supondo que se provava, e se calhar já se provou, que o património genético da Lucy era idêntico ou semelhante ao do Homo sapiens. Mesmo assim, não podemos ter a tentação dos medíocres raelianos! A identidade dos genes não equivale à identidade dos seres! A acepção de "ser" que uso aqui é a mais geral e abrangente possível, e não apenas a acepção da Biologia e da Genética.
Deixemos a pateta Dra. Brigitte Boisselier, ou pior, aqueles que a seguem, acreditar que é possível ressuscitar seres humanos pela clonagem!
Aquilo que eu mais quis atacar com o texto que escrevi foi que a mentalidade hodierna relativamente à História do Homem desde as origens está errada. E que o Homem não está coisíssima nenhuma no seu pico de sofisticação "intelectual", como tanta e tanta gente supõe. Quando muito, como todas as espécies, o Homem está a adaptar-se biologicamente às condições, também elas em constante mudança, do Mundo em que vive. Esta adaptação é muito lenta. Mas eu procurava sobretudo criticar a crença na "evolução intelectual", ou melhor, no "progresso intelectual".
Eu acredito que estamos a viver a Idade Escura de que falei, e que estamos em acelerada decadência intelectual (dando a esta palavra uma acepção o mais geral possível).
Os sinais dos tempos estão por todo o lado!
Bernardo
De certo modo já a esperava!
Trata-se da minha crítica às teorias evolucionistas e ao conceito de Progresso em geral.
Gostei das críticas do Pedro, que são muito pertinentes.
E gostei sobretudo das suas correcções. Obrigado, Pedro!
A minha seguinte frase:
"Então o que nos diz o senhor Darwin? Diz-nos que as espécies transformam-se ao longo do tempo, que alterações no código genético das espécies levam-nas a evoluir de formas primitivas para formas mais sofisticadas."
está profundamente errada.
No tempo de Darwin, ainda se estava longe de conhecer a Genética.
Além disso, Darwin fala sobretudo da "selecção natural", e a sua tónica é sempre na sobrevivência das espécies mais capazes de resistir às alterações do seu ambiente. Também não foi correcto da minha parte falar na "Teoria da Evolução das Espécies", uma vez que a obra de Darwin se chama "A Origem das Espécies".
Mas tentarei, agora com mais cuidado, explicar melhor aquilo que quis transmitir.
No campo da Genética, foram e estão a ser descobertas coisas surpreendentes. A transmissão hereditária de características em todas as espécies é algo que não se pode negar. De certo modo, Darwin, e isso correctamente, deu-se conta, como o Pedro refere e muito bem, que mudanças no meio provocam a extinção das espécies menos preparadas para as ditas.
Assim, numa dada altura da História, constatamos a existência das espécies que melhor suportaram as adversidades do meio.
Darwin deu à sua obra o título de "A Origem das Espécies", e nela trata o que chamou de "selecção natural". Talvez, em rigor, Darwin não tenha defendido, pelo menos por escrito, a "evolução das espécies" mas sim a sua modificação no contexto da "selecção natural", por outras palavras, o "devir" das espécies. Mas certamente motivou e influenciou directamente uma escola de seguidores que acentuaram fortemente o conceito de "evolução", talvez mascarado ou até inexistente em Darwin.
E é esta "evolução" que eu critico! Porque "evolução" significa claramente "mudança para melhor". E esta coisa da "mudança para melhor" é algo claramente contrário às teorias cíclicas das mais variadas tradições.
Se as condições do meio mudam, não podemos ter a veleidade de classificar estas mudanças como "boas" ou "más", uma vez que as mesmas condições podem ser benéficas para umas espécies e prejudiciais para outras. Por isso, a constante e lenta adaptação das espécies (e entendendo adaptação por "sobrevivência dos que se possuem características adaptáveis") às metamorfoses do meio não permite que se diga que as espécies "evoluem". O Homem incluído!
Mais... As espécies existentes sobre a Terra no ano 2000 não são as "vencedoras", nem as mais bem adaptadas em absoluto! Como poderíamos sustentar essa ideia se as condições estão, também elas, em permanente mudança desde o início dos tempos?
Regressando à espécie humana, eu não nego a realidade do "homo erectus" ou do "homo habilis". O que eu recuso é que se admita imediatamente que essas criaturas são "antepassados" do Homem moderno. As descobertas arqueológicas nesta área são importantíssimas, e deveriam fazer-nos pensar o quanto desconhecemos do nosso passado. Mas seguramente não devemos, na ausência de quaisquer provas, aderir à suposição não fundamentada de que o Homem moderno é, biológica e intelectualmente, uma Lucy "evoluída".
Posto em linguagem sintética:
1. Se existe uma criatura "A" sobre a Terra no ano X;
2. E se existe uma criatura "B" sobre a Terra no ano Y, em que Y>X;
Não se pode concluir que A se transformou em B ao longo desses Y-X anos, só porque "A" é suficientemente parecido com "B" e não foram encontradas provas arqueológicas de que B já existia no ano X.
Exemplificando: porque é que se nega que no tempo de Lucy não existiam já civilizações sobre a Terra? Só porque não foram encontrados vestígios arqueológicos?
Indo mais longe...
Supondo que se provava, e se calhar já se provou, que o património genético da Lucy era idêntico ou semelhante ao do Homo sapiens. Mesmo assim, não podemos ter a tentação dos medíocres raelianos! A identidade dos genes não equivale à identidade dos seres! A acepção de "ser" que uso aqui é a mais geral e abrangente possível, e não apenas a acepção da Biologia e da Genética.
Deixemos a pateta Dra. Brigitte Boisselier, ou pior, aqueles que a seguem, acreditar que é possível ressuscitar seres humanos pela clonagem!
Aquilo que eu mais quis atacar com o texto que escrevi foi que a mentalidade hodierna relativamente à História do Homem desde as origens está errada. E que o Homem não está coisíssima nenhuma no seu pico de sofisticação "intelectual", como tanta e tanta gente supõe. Quando muito, como todas as espécies, o Homem está a adaptar-se biologicamente às condições, também elas em constante mudança, do Mundo em que vive. Esta adaptação é muito lenta. Mas eu procurava sobretudo criticar a crença na "evolução intelectual", ou melhor, no "progresso intelectual".
Eu acredito que estamos a viver a Idade Escura de que falei, e que estamos em acelerada decadência intelectual (dando a esta palavra uma acepção o mais geral possível).
Os sinais dos tempos estão por todo o lado!
Bernardo
Manuais escolares
Os meus parabéns aos responsáveis pela Educação em Portugal.
Os meus parabéns ao Governo e aos vários Ministros da Educação.
Os meus parabéns aos autores de manuais escolares.
E finalmente, os meus parabéns ao bom gosto e profissionalismo dos editores de livros escolares.
Li agora no Público que o manual "Comunicar" (Porto Editora) da disciplina de Português do 10º ano inclui nas suas páginas o regulamento do concurso televisivo Big Brother.
Palavras para quê?
Aqui fica um pequeno excerto da notícia:
«Gabriela Lança e Conceição Jacinto, autoras do manual "Comunicar", esclarecem as suas opções.
Em primeiro lugar, é o próprio programa de Língua Portuguesa que prevê a leitura de "regulamentos de concursos televisivos", conteúdo que deve ser abordado no âmbito da "oralidade". O objectivo é que os alunos revelem a sua compreensão do texto que vai ser lido, lembram.
Quanto à escolha do regulamento do Big Brother, as autoras justificam que o facto de sugerirem a audição de um texto sobre um concurso televisivo que os alunos conhecem "possibilitará uma escuta activa por parte destes, pois o conhecimento prévio do concurso em causa facilita a compreensão do seu regulamento".»
O que eu gostaria de saber é como é que deixam pessoas como estas escrever manuais de Português...
Uma sugestão para as senhoras Gabriela Lança e Conceição Jacinto, para a próxima pérola didáctica que venham a escrever: que tal uma parceria com o próprio Zé Maria, já que é uma pessoa que possibilita a escuta activa das crianças porque é um "famoso" do qual elas possuem um "conhecimento prévio"?
Ou quem sabe, incluir nos Trabalhos para Casa algumas sugestões de boa leitura contemporânea como Margarida Rebelo Pinto? Esta última, contudo, talvez fosse mais adequada para o 12º ano, logo após os alunos tomarem contacto pela primeira vez com Camões e Saramago. Se o programa ficasse "apertado" em termos de tempo, talvez as professoras pudessem simplesmente eliminar o primeiro, que é tão complicado para as crianças (e professores)!
Bernardo
Os meus parabéns ao Governo e aos vários Ministros da Educação.
Os meus parabéns aos autores de manuais escolares.
E finalmente, os meus parabéns ao bom gosto e profissionalismo dos editores de livros escolares.
Li agora no Público que o manual "Comunicar" (Porto Editora) da disciplina de Português do 10º ano inclui nas suas páginas o regulamento do concurso televisivo Big Brother.
Palavras para quê?
Aqui fica um pequeno excerto da notícia:
«Gabriela Lança e Conceição Jacinto, autoras do manual "Comunicar", esclarecem as suas opções.
Em primeiro lugar, é o próprio programa de Língua Portuguesa que prevê a leitura de "regulamentos de concursos televisivos", conteúdo que deve ser abordado no âmbito da "oralidade". O objectivo é que os alunos revelem a sua compreensão do texto que vai ser lido, lembram.
Quanto à escolha do regulamento do Big Brother, as autoras justificam que o facto de sugerirem a audição de um texto sobre um concurso televisivo que os alunos conhecem "possibilitará uma escuta activa por parte destes, pois o conhecimento prévio do concurso em causa facilita a compreensão do seu regulamento".»
O que eu gostaria de saber é como é que deixam pessoas como estas escrever manuais de Português...
Uma sugestão para as senhoras Gabriela Lança e Conceição Jacinto, para a próxima pérola didáctica que venham a escrever: que tal uma parceria com o próprio Zé Maria, já que é uma pessoa que possibilita a escuta activa das crianças porque é um "famoso" do qual elas possuem um "conhecimento prévio"?
Ou quem sabe, incluir nos Trabalhos para Casa algumas sugestões de boa leitura contemporânea como Margarida Rebelo Pinto? Esta última, contudo, talvez fosse mais adequada para o 12º ano, logo após os alunos tomarem contacto pela primeira vez com Camões e Saramago. Se o programa ficasse "apertado" em termos de tempo, talvez as professoras pudessem simplesmente eliminar o primeiro, que é tão complicado para as crianças (e professores)!
Bernardo
sábado, 11 de outubro de 2003
Alegoria
“Uma criança que se perde na floresta e que depois encontra uma pessoa e diz: ainda bem que o encontrei. Você vai indicar-me o caminho. A pessoa responde: eu estou perdido como tu, também procuro o caminho. Mas há uma coisa que eu te posso dizer: não vás por ali porque de lá já eu vim”.
Esta alegoria foi utilizada por D. José Policarpo alertando para o perigo dos fanatismos religiosos, étnicos e culturais neste novo século e para a necessidade de um mundo mais fraterno.
Abraço,
Duarte
Esta alegoria foi utilizada por D. José Policarpo alertando para o perigo dos fanatismos religiosos, étnicos e culturais neste novo século e para a necessidade de um mundo mais fraterno.
Abraço,
Duarte
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Nobel da Paz
Os acontecimentos sucedem-se a um ritmo alucinante, por isso, cá vai mais um comentário...
Já é conhecido o nome do galardoado com o Nobel da Paz.
Chama-se Shirin Ebadi.
Trata-se de uma iraniana que tem desenvolvido um enorme trabalho pelos direitos humanos e pela dignidade da mulher nas sociedades islâmicas.
Não posso deixar de emitir a minha opinião.
Primeira Parte - O Papa
Para já, não foi feliz a colocação do Papa na lista dos nomeados para o Nobel, e isto principalmente por duas razões:
a) para os crentes, o Papa é o "fazedor de pontes" entre o Céu e a Terra, é esse o significado da palavra "pontifex", ou "pontífice"; para os crentes, colocar o trabalho deste Papa em prol da paz, que é intrínseco à sua função, ao nível do trabalho desenvolvido pelos outros nomeados pode ser ofensivo. Não por uma questão de esforço ou empenho pessoal, mas por uma questão de hierarquia. Mas enfim, o mundo hoje em dia é laico e isso é uma realidade.
b) ao colocar o Papa como nomeado, parece-me ainda mais ofensivo não lhe atribuir o Nobel; deste modo, o comité Nobel desiludiu-me mais uma vez; se eu atribuia ainda o benefício da dúvida ao comité por parecer querer afirmar de boa vontade o valor do trabalho de João Paulo II, desta vez tudo parece ser maquinado para relativizar a importância do Papa.
Segunda Parte - A nomeada Shirin Ebadi
Apesar de louvar o esforço de quem quer que trabalhe em prol dos Direitos Humanos, paira no ar uma sensação estranha, que mais uma vez é verificada pela notícia que li hoje no Público, na qual alguns comentadores realçaram a importância de se distinguir uma lutadora pela democracia no Islão.
Democracia no Islão?
Já não basta termos que sofrer com os nossos imperfeitos modelos de governação, e temos agora que impô-los à força numa sociedade plenamente tradicional como é o (verdadeiro) Islão?
Não chegam as aventuras de Bush na construção do "Iraque democrático"?
Devo explicar-me...
O Islão, como qualquer tradição que se preze, DEVE defender os direitos humanos, DEVE proteger e respeitar as mulheres, DEVE condenar o terrorismo, DEVE combater a ignorância e a superstição.
O Islão é feito, tal qual o cristianismo, de várias pessoas, vários grupos, vários movimentos, várias correntes, várias opiniões.
Como é evidente, algumas destas opiniões serão mais puras no seu islamismo, outras serão mais impuras, e nalguns casos mais extremos, poderão mesmo ser heréticas.
Os Taliban não são o Islão. São assassinos e criminosos fanáticos.
O regime iraniano idem. O Corão pode ser lido e interpretado ao sabor dos erros dos homens. Pode, mas não deve!
Mais uma vez, a obsessão do homem moderno ocidental em sistematizar tudo, e em simplificar demasiado assuntos que são complexos, pretende etiquetar o Islão como fanático, opressor, retrógrado, etc, etc...
E o cristianismo?
Não temos na História do Cristianismo uma lista de pessoas e movimentos que tentaram perverter a mensagem de Cristo?
Não temos a Teologia da Libertação e as suas perigosas aproximações marxistas?
Não tivemos Teilhard de Chardin que tentou materializar o cristianismo com o seu "Cristo evolutor"?
Não tivemos Alfred Loisy, o pai francês do Modernismo, cujas nefastas influências na intelectualidade cristã ainda hoje se fazem sentir?
Porque não então admitir que está a suceder o mesmo no Islão?
A função clara dos Taliban é, sob a máscara da ortodoxia (que é sempre desejável), destruir o Islão por dentro.
Um islâmico defensor da democracia é tão ilógico com um Taliban dizer-se islâmico...
Temos, isso sim, que olhar para estes acontecimentos a partir de um ângulo mais generalista.
O que se passa é que assistimos, por toda a parte, à destruição das tradições e da verdadeira espiritualidade. Este trabalho começou há alguns séculos, com mudanças sociais e mentais. Neste momento, o trabalho continua através da implosão das religiões que ainda subsistem.
Assim, para quem lê nas entrelinhas, este Nobel até pode ter sido bem atribuido, mas o contexto que o rodeia, sobretudo o abuso anti-tradicional que se faz dele, é mais um sinal dos tempos, da "Idade Escura" de que escrevi há pouco.
Bernardo
Já é conhecido o nome do galardoado com o Nobel da Paz.
Chama-se Shirin Ebadi.
Trata-se de uma iraniana que tem desenvolvido um enorme trabalho pelos direitos humanos e pela dignidade da mulher nas sociedades islâmicas.
Não posso deixar de emitir a minha opinião.
Primeira Parte - O Papa
Para já, não foi feliz a colocação do Papa na lista dos nomeados para o Nobel, e isto principalmente por duas razões:
a) para os crentes, o Papa é o "fazedor de pontes" entre o Céu e a Terra, é esse o significado da palavra "pontifex", ou "pontífice"; para os crentes, colocar o trabalho deste Papa em prol da paz, que é intrínseco à sua função, ao nível do trabalho desenvolvido pelos outros nomeados pode ser ofensivo. Não por uma questão de esforço ou empenho pessoal, mas por uma questão de hierarquia. Mas enfim, o mundo hoje em dia é laico e isso é uma realidade.
b) ao colocar o Papa como nomeado, parece-me ainda mais ofensivo não lhe atribuir o Nobel; deste modo, o comité Nobel desiludiu-me mais uma vez; se eu atribuia ainda o benefício da dúvida ao comité por parecer querer afirmar de boa vontade o valor do trabalho de João Paulo II, desta vez tudo parece ser maquinado para relativizar a importância do Papa.
Segunda Parte - A nomeada Shirin Ebadi
Apesar de louvar o esforço de quem quer que trabalhe em prol dos Direitos Humanos, paira no ar uma sensação estranha, que mais uma vez é verificada pela notícia que li hoje no Público, na qual alguns comentadores realçaram a importância de se distinguir uma lutadora pela democracia no Islão.
Democracia no Islão?
Já não basta termos que sofrer com os nossos imperfeitos modelos de governação, e temos agora que impô-los à força numa sociedade plenamente tradicional como é o (verdadeiro) Islão?
Não chegam as aventuras de Bush na construção do "Iraque democrático"?
Devo explicar-me...
O Islão, como qualquer tradição que se preze, DEVE defender os direitos humanos, DEVE proteger e respeitar as mulheres, DEVE condenar o terrorismo, DEVE combater a ignorância e a superstição.
O Islão é feito, tal qual o cristianismo, de várias pessoas, vários grupos, vários movimentos, várias correntes, várias opiniões.
Como é evidente, algumas destas opiniões serão mais puras no seu islamismo, outras serão mais impuras, e nalguns casos mais extremos, poderão mesmo ser heréticas.
Os Taliban não são o Islão. São assassinos e criminosos fanáticos.
O regime iraniano idem. O Corão pode ser lido e interpretado ao sabor dos erros dos homens. Pode, mas não deve!
Mais uma vez, a obsessão do homem moderno ocidental em sistematizar tudo, e em simplificar demasiado assuntos que são complexos, pretende etiquetar o Islão como fanático, opressor, retrógrado, etc, etc...
E o cristianismo?
Não temos na História do Cristianismo uma lista de pessoas e movimentos que tentaram perverter a mensagem de Cristo?
Não temos a Teologia da Libertação e as suas perigosas aproximações marxistas?
Não tivemos Teilhard de Chardin que tentou materializar o cristianismo com o seu "Cristo evolutor"?
Não tivemos Alfred Loisy, o pai francês do Modernismo, cujas nefastas influências na intelectualidade cristã ainda hoje se fazem sentir?
Porque não então admitir que está a suceder o mesmo no Islão?
A função clara dos Taliban é, sob a máscara da ortodoxia (que é sempre desejável), destruir o Islão por dentro.
Um islâmico defensor da democracia é tão ilógico com um Taliban dizer-se islâmico...
Temos, isso sim, que olhar para estes acontecimentos a partir de um ângulo mais generalista.
O que se passa é que assistimos, por toda a parte, à destruição das tradições e da verdadeira espiritualidade. Este trabalho começou há alguns séculos, com mudanças sociais e mentais. Neste momento, o trabalho continua através da implosão das religiões que ainda subsistem.
Assim, para quem lê nas entrelinhas, este Nobel até pode ter sido bem atribuido, mas o contexto que o rodeia, sobretudo o abuso anti-tradicional que se faz dele, é mais um sinal dos tempos, da "Idade Escura" de que escrevi há pouco.
Bernardo
O Triunfo da Estética
É um erro tremendo subestimar a capacidade que os nossos políticos têm de nos surpreender a cada dia, a cada hora.
Temos que tirar o chapéu a Ferro Rodrigues e seus amigos, pela criatividade delirante que demonstraram na última Quarta-feira e que lhes permitiu alcançar uma das mais revolucionárias descobertas no domínio da cirurgia estética.
As potencialidades da Assembleia da República postas a nu pela equipa socialista não deixam dúvidas. De hoje em diante qualquer cidadão, desde que inserido no famosíssimo jogo de influências, poderá deslocar-se à Assembleia da República para sofrer as seguintes intervenções: 1- Lavagem de Imagem; 2- Retoques no Peeling; 3- (a jóia da coroa) a já famosa operação ...de criminoso a herói nacional...
Estou profundamente convencido que esta sublime descoberta de Ferro e seus camaradas, permitirá tornar este país num projecto de futuro e além fronteiras.
Resta-me, como cidadão, agradecer e deixar uma palavra de incentivo.
E VIVA A PIMBALHADA...
Um abraço,
Duarte
Temos que tirar o chapéu a Ferro Rodrigues e seus amigos, pela criatividade delirante que demonstraram na última Quarta-feira e que lhes permitiu alcançar uma das mais revolucionárias descobertas no domínio da cirurgia estética.
As potencialidades da Assembleia da República postas a nu pela equipa socialista não deixam dúvidas. De hoje em diante qualquer cidadão, desde que inserido no famosíssimo jogo de influências, poderá deslocar-se à Assembleia da República para sofrer as seguintes intervenções: 1- Lavagem de Imagem; 2- Retoques no Peeling; 3- (a jóia da coroa) a já famosa operação ...de criminoso a herói nacional...
Estou profundamente convencido que esta sublime descoberta de Ferro e seus camaradas, permitirá tornar este país num projecto de futuro e além fronteiras.
Resta-me, como cidadão, agradecer e deixar uma palavra de incentivo.
E VIVA A PIMBALHADA...
Um abraço,
Duarte
No reino do Dragão...
O senhor Jorge Nuno Pinto da Costa fez ontem, infelizmente, mais uma das suas aparições.
Ao referir-me a ele não usarei o costumeiro título "Dr.", porque me parece que ele não é douto em nada. Quando muito, será douto em boçalidade.
E, desta vez, o que é que nos incomodou nas suas palavras?
Como sempre, a boçalidade, mas desta vez, também a profunda ignorância dos mais básicos conceitos de protocolo, e de forma mais geral, de vivência em sociedade.
Relativamente à inaguração do estádio do Dragão, o dito senhor Pinto da Costa afirmou às antenas da Comunicação Social que não iria convidar para a cerimónia o Dr. Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto.
"Só se eu fosse maluco!", disse, "depois de tudo o que ele fez!"
Pois sim, então talvez seja conveniente lembrar ao senhor Pinto da Costa alguns factos:
1. Ele não é o dono do Futebol Clube do Porto, é um presidente eleito por sufrágio, logo, o clube não lhe pertence;
2. Por acréscimo, o estádio do Dragão também não lhe pertence; o estádio pertence ao FCP e aos Portugueses que o pagaram com esforço e trabalho; e como o estádio se encontra dentro da cidade do Porto, é também natural que faça parte do equipamento social da cidade; se não, veja-se a estrutura de custos:
Estádio do Dragão
- Promotor: Futebol Clube do Porto
- Custo total (estimado) € 97.755.318
- Comparticipação do Estado
€16.859.369 (estádio)
€ 1.571.587 (estacionamentos)
3. O FCP é o promotor, mas usa fundos do erário público, e portanto não é o proprietário único do estádio; por isso, o senhor Pinto da Costa não está a convidar amigos para a festa de inauguração do seu estádio; deve estar, isso sim, a convidar, entre outros, os representantes dos portugueses, e mais especificamente, dos portuenses; e ao convidá-los, deve fazê-lo não como Pinto da Costa, mas sim como Presidente do FCP;
4. Se o senhor Pinto da Costa, no cargo de Presidente do FCP, convida, por exemplo, o Dr. Jorge Sampaio ou o Dr. Durão Barroso, ele não os está a convidar pelas suas pessoas, ele está, em representação do FCP, a convidar o Exmo. Senhor Presidente da República e o Exmo. Senhor Primeiro Ministro; do mesmo modo, não é mais que a sua obrigação convidar também o Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, que eleito como foi para o cargo que ocupa, representa os portuenses, TODOS!
Assim, em vez de se comportar como uma menina de colégio que não convida a amiga que lhe roubou o namorado, o senhor Pinto da Costa deveria cumprir as suas obrigações, ao abrigo do cargo que ocupa e do poder que lhe foi concedido pelos sócios do FCP, e convidar todas as entidades de direito.
É que ele não deve convidar o Dr. Rui Rio, "per se".
Deve, isso sim, convidar o Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto.
É a profunda ignorância destas realidades que transforma lentamente este país numa paródia.
Bernardo
Ao referir-me a ele não usarei o costumeiro título "Dr.", porque me parece que ele não é douto em nada. Quando muito, será douto em boçalidade.
E, desta vez, o que é que nos incomodou nas suas palavras?
Como sempre, a boçalidade, mas desta vez, também a profunda ignorância dos mais básicos conceitos de protocolo, e de forma mais geral, de vivência em sociedade.
Relativamente à inaguração do estádio do Dragão, o dito senhor Pinto da Costa afirmou às antenas da Comunicação Social que não iria convidar para a cerimónia o Dr. Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto.
"Só se eu fosse maluco!", disse, "depois de tudo o que ele fez!"
Pois sim, então talvez seja conveniente lembrar ao senhor Pinto da Costa alguns factos:
1. Ele não é o dono do Futebol Clube do Porto, é um presidente eleito por sufrágio, logo, o clube não lhe pertence;
2. Por acréscimo, o estádio do Dragão também não lhe pertence; o estádio pertence ao FCP e aos Portugueses que o pagaram com esforço e trabalho; e como o estádio se encontra dentro da cidade do Porto, é também natural que faça parte do equipamento social da cidade; se não, veja-se a estrutura de custos:
Estádio do Dragão
- Promotor: Futebol Clube do Porto
- Custo total (estimado) € 97.755.318
- Comparticipação do Estado
€16.859.369 (estádio)
€ 1.571.587 (estacionamentos)
3. O FCP é o promotor, mas usa fundos do erário público, e portanto não é o proprietário único do estádio; por isso, o senhor Pinto da Costa não está a convidar amigos para a festa de inauguração do seu estádio; deve estar, isso sim, a convidar, entre outros, os representantes dos portugueses, e mais especificamente, dos portuenses; e ao convidá-los, deve fazê-lo não como Pinto da Costa, mas sim como Presidente do FCP;
4. Se o senhor Pinto da Costa, no cargo de Presidente do FCP, convida, por exemplo, o Dr. Jorge Sampaio ou o Dr. Durão Barroso, ele não os está a convidar pelas suas pessoas, ele está, em representação do FCP, a convidar o Exmo. Senhor Presidente da República e o Exmo. Senhor Primeiro Ministro; do mesmo modo, não é mais que a sua obrigação convidar também o Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, que eleito como foi para o cargo que ocupa, representa os portuenses, TODOS!
Assim, em vez de se comportar como uma menina de colégio que não convida a amiga que lhe roubou o namorado, o senhor Pinto da Costa deveria cumprir as suas obrigações, ao abrigo do cargo que ocupa e do poder que lhe foi concedido pelos sócios do FCP, e convidar todas as entidades de direito.
É que ele não deve convidar o Dr. Rui Rio, "per se".
Deve, isso sim, convidar o Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto.
É a profunda ignorância destas realidades que transforma lentamente este país numa paródia.
Bernardo
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