quinta-feira, 16 de outubro de 2003

O Monte EVEREST

A descrição de João Garcia quando em 1999 atingiu o cume do monte Everest:

“Olhamos à volta e não há nada mais alto. O céu azul é o limite”

Abraço,
Duarte

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

A noção de Criação e os católicos modernos

«É profundamente erróneo supor que, no que diz respeito às verdades da fé, seja indiferente o que se pense sobre a criação desde que se tenha uma concepção exacta de Deus, porque um erro sobre a natureza da criação reflectirá sempre uma errónea noção de Deus.» - S. Tomás de Aquino.

(esta citação foi retirada de uma tradução espanhola de um excerto do livro "Ciência Moderna e Sabedoria Tradicional", de Titus Burckhardt, no site Textos Tradicionales)

Quero deixar aqui uma sugestão de reflexão, baseada nestas palavras de S. Tomás de Aquino: os católicos modernos não podem demitir-se da obrigação fulcral de "resolverem" a nível pessoal, ou seja, na fé de cada um, este antagonismo entre a Criação ex nihilo ("do nada"), conforme diz a doutrina Católica, e as modernas teorias evolucionistas e cosmológicas.

Não é possível ter o "melhor de dois mundos", ou seja, acreditar no Deus católico, e na doutrina da Igreja Católica, e tentar "encaixar" à força Charles Darwin e os seus sucessores, e teorias como a do Big Bang.

A solução para este dilema não passa pela leitura literal do Génesis. Passa por um sério e moroso esforço de aprofundamento do conhecimento e da fé.

Ninguém disse que ser católico no século XXI era fácil!

Bernardo

De novo os "estudantes"...

Ontem assistimos de novo ao triste espectáculo pseudo-estudantil (aquela gente estuda?) dos protestos anti-propinas.

Até quando vamos ter que aturá-los?

Aquele pequeníssimo grupo de "estudantes" deveria dar-se conta de duas coisas:

1. Eles sabem MUITO POUCO, ou seja, a ignorância média de um aluno do Ensino Superior é gritante.
2. Eles estão MUITO POUCO preparados para o mercado de trabalho, ou seja, mais do que não saber nada eles não sabem FAZER nada.

Mais cedo ou mais tarde vão ter que sair do conforto e da protecção da universidade e "fazer pela vida". Ora se eles não estão preparados para fazer nada, não deveria ser essa a sua principal preocupação?

A questão não pode ser a do dinheiro, ou da falta dele.
Lanço aqui algumas sugestões aos contestatários, para que possam reunir facilmente os eurozitos que precisam para pagar a propina:

1. Não comprem trajes académicos, sobretudo se não estiverem a estudar na Universidade de Coimbra! É ridículo... E os trajes são quase tão caros como a propina média;
2. Não peçam tanto dinheiro aos vossos paizinhos para gasolina, álcool e tabaco; aproveitem antes para lhes pedir que vos paguem as propinas, e assim o português médio não terá que pagar a vossa vida diletante;
3. Àqueles estudantes mais politizados, que tal pegar no dinheiro que vos chega dos partidos, fazer um bolo, e pagar as propinas a vocês e aos vossos amigos?

Bernardo

terça-feira, 14 de outubro de 2003

Mundo Absurdo

"Nós vivemos neste mundo absurdo em que duzentas e vinte e cinco pessoas têm a riqueza de quarenta e sete por cento da humanidade. E vivemos ainda num mundo absurdo em que somos capazes de enviar a Marte um aparelho para saber qual é a composição das rochas de Marte ao mesmo tempo que neste mesmo mundo morrem milhões de pessoas de fome. É um mundo realmente esquizofrénico".

José Saramago

Abraço,
Duarte

Os estudantes e as propinas

Os protestos ridículos e as estranhas cenas que parte dos estudantes do nosso ensino superior têm protagonizado nos últimos tempos, são o reflexo dos erros estruturais do ensino básico e secundário.

A verdade é que os alunos, pelo menos aqueles que frequentam os estabelecimentos de ensino público, crescem num ambiente pervertido, no que respeita a questões como a exigência e o rigor.

Parece-me inconcebível que a progressão de carreira dos docentes esteja assente num único elemento, os ANOS DE SERVIÇO, decepando à partida toda a eventual motivação na preparação das aulas e na procura da qualidade (o facto de um docente ser BOM ou MAU profissional não tem relevância absolutamente nenhuma na avaliação e progressão da sua carreira).

Para além desta evidência temos ainda que acrescentar o despesismo na gestão escolar, colocando invariavelmente as escolas no papel do miserável que implora uns tostões ao estado.

Obviamente que no final deste percurso, no mínimo sinuoso, os estudantes estão encarcerados numa espécie de paralisante dependência do Estado, que está na base de um conjunto de motivações erradas e pouco saudáveis como “...não temos que pagar NADA para frequentar o ensino superior...”

Se por último acrescentarmos os efeitos da nossa recente cultura pimba, temos o resultado final ...AS TRISTES CENAS DOS ESTUDANTES DO NOSSO ENSINO SUPERIOR...

Um abraço,
Duarte

Evolucionismo - Um ataque cego?

A todos os que podem achar as minhas críticas algo cegas, obscuras e fanáticas, ou até àqueles que rapidamente me poderiam atribuir uma leitura literal do Génesis, queria deixar algumas palavras...

Infelizmente, não é raro ver pessoas sem preparação, munidas apenas de uma fé pouco esclarecida, atacarem o modelo evolucionista. E contra mim falo!

Por isso, saio de cena e deixo falar outros muito mais esclarecidos.
Hoje quero aqui deixar um texto do tradicionalista Titus Burckhardt (1908-1984): "El Origen de las Especies". Este texto é uma tradução espanhola e encontra-se no site Textos Tradicionales.

Bernardo

segunda-feira, 13 de outubro de 2003

Erros meus...

Uma questão tão complicada como a da crítica da Evolução e do Progresso não pode ser resolvida em mensagens de blogue, por muitas que escrevessemos.

Os argumentos apresentados pelo Pedro Cordeiro são, sem dúvida, muito importantes e pertinentes, e vêm no sentido de corrigir erros num texto que apresentei há dias.

Com os erros e imperfeições próprios do meu amadorismo, poderei ter confundido quem me leu. Para permitir que se siga o "fio à meada" não vou alterar a versão original do texto que apresentei. Daqui para a frente farei sempre assim, ou seja, irei identificar e reconhecer os meus erros em mensagens posteriores, sem alterar a mensagem original.

Acredito que Verdade que tento transmitir deve permanecer, independentemente dos meus erros de expressão.

Sugiro, para uma primeira abordagem à crítica que o Tradicionalismo faz à teoria evolucionista, que se leia com atenção a posição do tradicionalista Frithjof Schuon.

A leitura do site Sophia Perennis é muito interessante, se bem que, pessoalmente, não partilhe da totalidade do pensamento de Schuon.

Também devo sugerir uma saltada a Biblical Implications of Creation vs Evolution, onde são apresentados argumentos contra a evolução das espécies, e mesmo contra a selecção natural. Tenho sempre um ENORME cuidado ao ler tudo o que se apresente como "religioso" e "americano" ao mesmo tempo, porque normalmente não presta. Faço a mesma recomendação a quem consultar este site que, aparentemente, parece ser uma feliz e útil excepção...

Bernardo

Uma batatada a jeito!

O Pedro mandou-me hoje uma bela batatada, directamente do seu blogue.

De certo modo já a esperava!
Trata-se da minha crítica às teorias evolucionistas e ao conceito de Progresso em geral.

Gostei das críticas do Pedro, que são muito pertinentes.
E gostei sobretudo das suas correcções. Obrigado, Pedro!

A minha seguinte frase:
"Então o que nos diz o senhor Darwin? Diz-nos que as espécies transformam-se ao longo do tempo, que alterações no código genético das espécies levam-nas a evoluir de formas primitivas para formas mais sofisticadas."
está profundamente errada.

No tempo de Darwin, ainda se estava longe de conhecer a Genética.
Além disso, Darwin fala sobretudo da "selecção natural", e a sua tónica é sempre na sobrevivência das espécies mais capazes de resistir às alterações do seu ambiente. Também não foi correcto da minha parte falar na "Teoria da Evolução das Espécies", uma vez que a obra de Darwin se chama "A Origem das Espécies".

Mas tentarei, agora com mais cuidado, explicar melhor aquilo que quis transmitir.

No campo da Genética, foram e estão a ser descobertas coisas surpreendentes. A transmissão hereditária de características em todas as espécies é algo que não se pode negar. De certo modo, Darwin, e isso correctamente, deu-se conta, como o Pedro refere e muito bem, que mudanças no meio provocam a extinção das espécies menos preparadas para as ditas.

Assim, numa dada altura da História, constatamos a existência das espécies que melhor suportaram as adversidades do meio.

Darwin deu à sua obra o título de "A Origem das Espécies", e nela trata o que chamou de "selecção natural". Talvez, em rigor, Darwin não tenha defendido, pelo menos por escrito, a "evolução das espécies" mas sim a sua modificação no contexto da "selecção natural", por outras palavras, o "devir" das espécies. Mas certamente motivou e influenciou directamente uma escola de seguidores que acentuaram fortemente o conceito de "evolução", talvez mascarado ou até inexistente em Darwin.

E é esta "evolução" que eu critico! Porque "evolução" significa claramente "mudança para melhor". E esta coisa da "mudança para melhor" é algo claramente contrário às teorias cíclicas das mais variadas tradições.

Se as condições do meio mudam, não podemos ter a veleidade de classificar estas mudanças como "boas" ou "más", uma vez que as mesmas condições podem ser benéficas para umas espécies e prejudiciais para outras. Por isso, a constante e lenta adaptação das espécies (e entendendo adaptação por "sobrevivência dos que se possuem características adaptáveis") às metamorfoses do meio não permite que se diga que as espécies "evoluem". O Homem incluído!

Mais... As espécies existentes sobre a Terra no ano 2000 não são as "vencedoras", nem as mais bem adaptadas em absoluto! Como poderíamos sustentar essa ideia se as condições estão, também elas, em permanente mudança desde o início dos tempos?

Regressando à espécie humana, eu não nego a realidade do "homo erectus" ou do "homo habilis". O que eu recuso é que se admita imediatamente que essas criaturas são "antepassados" do Homem moderno. As descobertas arqueológicas nesta área são importantíssimas, e deveriam fazer-nos pensar o quanto desconhecemos do nosso passado. Mas seguramente não devemos, na ausência de quaisquer provas, aderir à suposição não fundamentada de que o Homem moderno é, biológica e intelectualmente, uma Lucy "evoluída".

Posto em linguagem sintética:

1. Se existe uma criatura "A" sobre a Terra no ano X;
2. E se existe uma criatura "B" sobre a Terra no ano Y, em que Y>X;

Não se pode concluir que A se transformou em B ao longo desses Y-X anos, só porque "A" é suficientemente parecido com "B" e não foram encontradas provas arqueológicas de que B já existia no ano X.

Exemplificando: porque é que se nega que no tempo de Lucy não existiam já civilizações sobre a Terra? Só porque não foram encontrados vestígios arqueológicos?

Indo mais longe...
Supondo que se provava, e se calhar já se provou, que o património genético da Lucy era idêntico ou semelhante ao do Homo sapiens. Mesmo assim, não podemos ter a tentação dos medíocres raelianos! A identidade dos genes não equivale à identidade dos seres! A acepção de "ser" que uso aqui é a mais geral e abrangente possível, e não apenas a acepção da Biologia e da Genética.
Deixemos a pateta Dra. Brigitte Boisselier, ou pior, aqueles que a seguem, acreditar que é possível ressuscitar seres humanos pela clonagem!

Aquilo que eu mais quis atacar com o texto que escrevi foi que a mentalidade hodierna relativamente à História do Homem desde as origens está errada. E que o Homem não está coisíssima nenhuma no seu pico de sofisticação "intelectual", como tanta e tanta gente supõe. Quando muito, como todas as espécies, o Homem está a adaptar-se biologicamente às condições, também elas em constante mudança, do Mundo em que vive. Esta adaptação é muito lenta. Mas eu procurava sobretudo criticar a crença na "evolução intelectual", ou melhor, no "progresso intelectual".

Eu acredito que estamos a viver a Idade Escura de que falei, e que estamos em acelerada decadência intelectual (dando a esta palavra uma acepção o mais geral possível).

Os sinais dos tempos estão por todo o lado!

Bernardo

Manuais escolares

Os meus parabéns aos responsáveis pela Educação em Portugal.
Os meus parabéns ao Governo e aos vários Ministros da Educação.
Os meus parabéns aos autores de manuais escolares.
E finalmente, os meus parabéns ao bom gosto e profissionalismo dos editores de livros escolares.

Li agora no Público que o manual "Comunicar" (Porto Editora) da disciplina de Português do 10º ano inclui nas suas páginas o regulamento do concurso televisivo Big Brother.

Palavras para quê?
Aqui fica um pequeno excerto da notícia:

«Gabriela Lança e Conceição Jacinto, autoras do manual "Comunicar", esclarecem as suas opções.
Em primeiro lugar, é o próprio programa de Língua Portuguesa que prevê a leitura de "regulamentos de concursos televisivos", conteúdo que deve ser abordado no âmbito da "oralidade". O objectivo é que os alunos revelem a sua compreensão do texto que vai ser lido, lembram.

Quanto à escolha do regulamento do Big Brother, as autoras justificam que o facto de sugerirem a audição de um texto sobre um concurso televisivo que os alunos conhecem "possibilitará uma escuta activa por parte destes, pois o conhecimento prévio do concurso em causa facilita a compreensão do seu regulamento".»


O que eu gostaria de saber é como é que deixam pessoas como estas escrever manuais de Português...

Uma sugestão para as senhoras Gabriela Lança e Conceição Jacinto, para a próxima pérola didáctica que venham a escrever: que tal uma parceria com o próprio Zé Maria, já que é uma pessoa que possibilita a escuta activa das crianças porque é um "famoso" do qual elas possuem um "conhecimento prévio"?
Ou quem sabe, incluir nos Trabalhos para Casa algumas sugestões de boa leitura contemporânea como Margarida Rebelo Pinto? Esta última, contudo, talvez fosse mais adequada para o 12º ano, logo após os alunos tomarem contacto pela primeira vez com Camões e Saramago. Se o programa ficasse "apertado" em termos de tempo, talvez as professoras pudessem simplesmente eliminar o primeiro, que é tão complicado para as crianças (e professores)!

Bernardo

sábado, 11 de outubro de 2003

Alegoria

“Uma criança que se perde na floresta e que depois encontra uma pessoa e diz: ainda bem que o encontrei. Você vai indicar-me o caminho. A pessoa responde: eu estou perdido como tu, também procuro o caminho. Mas há uma coisa que eu te posso dizer: não vás por ali porque de lá já eu vim”.

Esta alegoria foi utilizada por D. José Policarpo alertando para o perigo dos fanatismos religiosos, étnicos e culturais neste novo século e para a necessidade de um mundo mais fraterno.

Abraço,
Duarte