Não vou comentar, apenas citar:
«Duelos de "varinhas mágicas", malabarismos com fogo e uma mesa para preparar "poções" serviram para recriar, no Panteão Nacional, a escola de feitiçaria de Hogwarts, durante a cerimónia de lançamento de "Harry Potter e a Ordem da Fénix".
Às 21h45 nem a chuva afastava os convidados para o espectáculo que a Editorial Presença levou três meses a preparar, e cerca de duzentas pessoas concentravam-se à porta do monumento, aguardando o início da festa de lançamento do quinto volume da saga de J. K. Rowling, que tem exactamente 750 páginas.
E, a avaliar pelo entusiasmo de miúdos e graúdos, a espera compensou os fãs do mundo mágico da escritora inglesa, pois o Panteão animou-se a partir das 22h00 com intervenções de alunos do colégio Valsassina e da Escola EB 2,3 de Telheiras nº1, vestidos com um uniforme similar ao da escola de magia de Hogwarts.» - Público, "Magia não evita chuva, mas segura leitores da saga Harry Potter".
Sem comentários.
O que eu mais gostava de saber era o nome da pessoa ou da instituição que autorizou que semelhante barbaridade profanasse o Panteão Nacional.
Bernardo
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Liberdade de Educação
Este fim-de-semana tive o prazer e a honra de participar numa conferência organizada pelo Fórum para a Liberdade de Educação.
Este fórum, composto por pessoas cuja motivação é única e exclusivamente o seu elevado sentido cívico, tem como objectivo garantir que o direito à liberdade de educação, contemplado na nossa constituição, seja efectivamente garantido. Coisa que, actualmente, não acontece.
Nesse sentido o fórum tem vindo a organizar um conjunto de sessões de esclarecimento, tais como conferências, debates, mesas redondas, etc., abertas a quem quiser participar, e procurado exercer um lobying organizado junto das entidades competentes, para que esta situação, objectivamente ilegal, possa ser alterada.
Para aqueles que estiverem interessados em saber mais informações sobre este interessantíssimo e importantíssimo projecto, sugiro que consultem o site, www.liberdade-educacao.org.
Gostaria mais uma vez de tirar o chapéu a este grupo de pessoas pela seu espirito empreendedor e pelo elevado sentido cívico.
Abraço,
Duarte
Este fórum, composto por pessoas cuja motivação é única e exclusivamente o seu elevado sentido cívico, tem como objectivo garantir que o direito à liberdade de educação, contemplado na nossa constituição, seja efectivamente garantido. Coisa que, actualmente, não acontece.
Nesse sentido o fórum tem vindo a organizar um conjunto de sessões de esclarecimento, tais como conferências, debates, mesas redondas, etc., abertas a quem quiser participar, e procurado exercer um lobying organizado junto das entidades competentes, para que esta situação, objectivamente ilegal, possa ser alterada.
Para aqueles que estiverem interessados em saber mais informações sobre este interessantíssimo e importantíssimo projecto, sugiro que consultem o site, www.liberdade-educacao.org.
Gostaria mais uma vez de tirar o chapéu a este grupo de pessoas pela seu espirito empreendedor e pelo elevado sentido cívico.
Abraço,
Duarte
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Criação
Volto de novo a esta noção essencial de Criação, começando por traduzir um pequeno excerto de René Guénon:
«Estas últimas considerações levam-nos directamente a explicar a ideia de "criação": esta concepção, que é tão estranha aos Orientais, excepto aos Muçulmanos, como o foi na antiguidade greco-romana, aparece como especificamente judaica na sua origem; a palavra que a designa é latina na sua forma, mas não na acepção que recebeu com o Cristianismo, porque "creare" não queria dizer à partida nada mais que "fazer", sentido que sempre permaneceu, em sânscrito, o da raíz verbal "kri", que é idêntica a esta palavra; ocorreu uma modificação profunda do significado, e este caso é, como o dissemos, similar ao caso do termo "religião". Foi evidentemente do Judaísmo que a ideia passou ao Cristianismo e ao Islamismo; e quanto à sua razão de ser essencial, ela é no fundo a mesma da interdição dos símbolos antropomorfos. Com efeito, a tendência a conceber Deus como "um ser" mais ou menos análogo aos seres individuais e particularmente aos seres humanos, teve por corolário natural, onde quer que ocorreu, a tendência de se lhe atribuir um papel simplesmente "demiúrgico", ou seja uma acção que se exerce sobre uma "matéria" suposta exterior a ele, o que é o modo de acção próprio dos seres individuais.
Nestas condições, era necessário, para salvar a noção de unidade e infinidade divinas, afirmar expressamente que Deus "fez o mundo do nada", ou seja, de nada que lhe fosse exterior, e cuja suposição teria por efeito limitá-lo, dando origem a um dualismo radical. A heresia teológica não é senão a expressão de um absurdo metafísico, o que é o caso habitual; mas o perigo, inexistente quanto à metafísica pura, torna-se muito real no ponto de vista religioso, porque o absurdo, sob esta forma derivada, não aparece tão imediatamente. A concepção teológica da "criação" é uma tradução apropriada da concepção metafísica da "manifestação universal"; e a melhor adaptada à mentalidade dos povos ocidentais; mas não existe equivalência a estabelecer entre estas duas concepções, desde logo que há necessariamente entre elas toda a diferença dos pontos de vista respectivos aos quais elas se referem: é mais um exemplo que vem apoiar o que expusemos no capítulo precedente." - René Guénon, "Introduction Génerale à L'Étude des Doctrines Hindoues" (1921), pp. 120 e 121.
O que Guénon quer dizer é que a noção de Criação surgiu como conceito teológico para evitar precisamente o abaixamento de Deus, o Criador, ao papel de um simples "demiurgo", de um ser que produzisse o Mundo a partir de algo que lhe era exterior.
Há dois erros que importa evitar no que diz respeito à Criação:
1. Deus não criou o Mundo a partir de algo que lhe fosse exterior
2. O Mundo não emanou de Deus, no sentido em que houve uma transferência de substância entre Deus e a Criação.
Estes dois erros foram repetidamente apresentados pela Igreja Católica como constituindo anátema. Também o Islão repousa num puro conceito monoteísta que rejeita, portanto, estes dois erros.
O erro nº.1 é relativamente simples de aceitar como tal, porque admitir que Deus tivesse criado o Mundo a partir de algo que lhe fosse exterior seria dizer imediatamente que Deus não era infinito e uno.
O erro nº.2 é mais complicado de entender. Para o entendermos, podemos recorrer ao Credo, na forma do Símbolo de Niceia:
"Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesum Christum, Filium Dei unigenitum, et ex Patre natum ante omnia saecula.
Deum de Deo, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero, genitum non factum, consubstantialem Patri; per quem omnia facta sunt.
Qui propter nos homines et propter nostram salutem descendit de caelis.
Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est.
Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est, et resurrexit tertia die, secundum Scripturas, et ascendit in caelum, sedet ad dexteram Patris.
Et iterum venturus est cum gloria, iudicare vivos et mortuos, cuius regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre Filioque procedit.
Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per prophetas.
Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum.
Et expecto resurrectionem mortuorum, et vitam venturi saeculi.
Amen."
Como podemos ler, relativamente à segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo, é dito:
"(...) et ex Patre natum ante omnia saecula. (...) genitum non factum, consubstantialem Patri"
ou seja
"(..) nascido do Pai antes de todos os séculos. (...) gerado não criado, consubstancial ao Pai"
Isto implica claramente duas coisas:
1. Jesus Cristo é "anterior" à Criação, com o cuidado de não dar à palavra "anterior" um significado cronológico mas sim causal
2. Jesus Cristo é da mesma substância do Pai ("homoousion" em grego), ao contrário da Criação.
Por isso, vemos que a Criação não emana do Pai, ou seja, a substância da Criação não é a mesma da do Pai. Por isso, a Criação "ex nihilo", "do nada", é uma verdade essencial para as religiões monoteístas.
Como advertência final, devo referir que a citação de Guénon deve ser contextualizada.
Guénon colocou a Teologia num plano inferior ao que ele chamou de "metafísica" e que corresponde à "jaina" hindu, e à "gnose" grega. Tal posição foi fortemente contestada, e sobressai como um dos grandes problemas para a compreensão do legado de Guénon.
A recusa da parte de Guénon em usar o termo "gnose", preferindo o termo "metafísica", vem do facto de que o repugnava ser acusado de "gnóstico". Frequentemente Guénon distinguiu o que se devia entender como "gnose" daquilo que era clara heresia, o "gnosticismo".
Mas este assunto, demasiado extenso, fica para outra altura.
Bernardo
«Estas últimas considerações levam-nos directamente a explicar a ideia de "criação": esta concepção, que é tão estranha aos Orientais, excepto aos Muçulmanos, como o foi na antiguidade greco-romana, aparece como especificamente judaica na sua origem; a palavra que a designa é latina na sua forma, mas não na acepção que recebeu com o Cristianismo, porque "creare" não queria dizer à partida nada mais que "fazer", sentido que sempre permaneceu, em sânscrito, o da raíz verbal "kri", que é idêntica a esta palavra; ocorreu uma modificação profunda do significado, e este caso é, como o dissemos, similar ao caso do termo "religião". Foi evidentemente do Judaísmo que a ideia passou ao Cristianismo e ao Islamismo; e quanto à sua razão de ser essencial, ela é no fundo a mesma da interdição dos símbolos antropomorfos. Com efeito, a tendência a conceber Deus como "um ser" mais ou menos análogo aos seres individuais e particularmente aos seres humanos, teve por corolário natural, onde quer que ocorreu, a tendência de se lhe atribuir um papel simplesmente "demiúrgico", ou seja uma acção que se exerce sobre uma "matéria" suposta exterior a ele, o que é o modo de acção próprio dos seres individuais.
Nestas condições, era necessário, para salvar a noção de unidade e infinidade divinas, afirmar expressamente que Deus "fez o mundo do nada", ou seja, de nada que lhe fosse exterior, e cuja suposição teria por efeito limitá-lo, dando origem a um dualismo radical. A heresia teológica não é senão a expressão de um absurdo metafísico, o que é o caso habitual; mas o perigo, inexistente quanto à metafísica pura, torna-se muito real no ponto de vista religioso, porque o absurdo, sob esta forma derivada, não aparece tão imediatamente. A concepção teológica da "criação" é uma tradução apropriada da concepção metafísica da "manifestação universal"; e a melhor adaptada à mentalidade dos povos ocidentais; mas não existe equivalência a estabelecer entre estas duas concepções, desde logo que há necessariamente entre elas toda a diferença dos pontos de vista respectivos aos quais elas se referem: é mais um exemplo que vem apoiar o que expusemos no capítulo precedente." - René Guénon, "Introduction Génerale à L'Étude des Doctrines Hindoues" (1921), pp. 120 e 121.
O que Guénon quer dizer é que a noção de Criação surgiu como conceito teológico para evitar precisamente o abaixamento de Deus, o Criador, ao papel de um simples "demiurgo", de um ser que produzisse o Mundo a partir de algo que lhe era exterior.
Há dois erros que importa evitar no que diz respeito à Criação:
1. Deus não criou o Mundo a partir de algo que lhe fosse exterior
2. O Mundo não emanou de Deus, no sentido em que houve uma transferência de substância entre Deus e a Criação.
Estes dois erros foram repetidamente apresentados pela Igreja Católica como constituindo anátema. Também o Islão repousa num puro conceito monoteísta que rejeita, portanto, estes dois erros.
O erro nº.1 é relativamente simples de aceitar como tal, porque admitir que Deus tivesse criado o Mundo a partir de algo que lhe fosse exterior seria dizer imediatamente que Deus não era infinito e uno.
O erro nº.2 é mais complicado de entender. Para o entendermos, podemos recorrer ao Credo, na forma do Símbolo de Niceia:
"Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesum Christum, Filium Dei unigenitum, et ex Patre natum ante omnia saecula.
Deum de Deo, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero, genitum non factum, consubstantialem Patri; per quem omnia facta sunt.
Qui propter nos homines et propter nostram salutem descendit de caelis.
Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est.
Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est, et resurrexit tertia die, secundum Scripturas, et ascendit in caelum, sedet ad dexteram Patris.
Et iterum venturus est cum gloria, iudicare vivos et mortuos, cuius regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre Filioque procedit.
Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per prophetas.
Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum.
Et expecto resurrectionem mortuorum, et vitam venturi saeculi.
Amen."
Como podemos ler, relativamente à segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo, é dito:
"(...) et ex Patre natum ante omnia saecula. (...) genitum non factum, consubstantialem Patri"
ou seja
"(..) nascido do Pai antes de todos os séculos. (...) gerado não criado, consubstancial ao Pai"
Isto implica claramente duas coisas:
1. Jesus Cristo é "anterior" à Criação, com o cuidado de não dar à palavra "anterior" um significado cronológico mas sim causal
2. Jesus Cristo é da mesma substância do Pai ("homoousion" em grego), ao contrário da Criação.
Por isso, vemos que a Criação não emana do Pai, ou seja, a substância da Criação não é a mesma da do Pai. Por isso, a Criação "ex nihilo", "do nada", é uma verdade essencial para as religiões monoteístas.
Como advertência final, devo referir que a citação de Guénon deve ser contextualizada.
Guénon colocou a Teologia num plano inferior ao que ele chamou de "metafísica" e que corresponde à "jaina" hindu, e à "gnose" grega. Tal posição foi fortemente contestada, e sobressai como um dos grandes problemas para a compreensão do legado de Guénon.
A recusa da parte de Guénon em usar o termo "gnose", preferindo o termo "metafísica", vem do facto de que o repugnava ser acusado de "gnóstico". Frequentemente Guénon distinguiu o que se devia entender como "gnose" daquilo que era clara heresia, o "gnosticismo".
Mas este assunto, demasiado extenso, fica para outra altura.
Bernardo
quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Mito Moderno nº. 3 - A Meditação Transcendental
A Time brinda-nos de novo com uma capa em grande:
"The Science of Meditation"
E continua na capa:
"New Age mumbo jumbo? Not for millions of people who meditate for health and well-being. Here's how it works"
Aqui temos todo o tipo de exemplos da mediocridade e ignorância que grassa em muitos periódicos modernos. O destaque na capa faz-nos pensar que vamos encontrar no interior da revista um artigo jornalístico de alto gabarito e repleto de informações importantes sobre a "meditação". Errado!
Para já, o que a Time entende por "meditação" é, nada mais nada menos, que a famigerada "transcendental meditation", ou afectivamente "TM" (como eles adoram as siglas!), da qual a moderna cultura anglo-saxónica tanto gosta. O mundo ocidental moderno já esqueceu que deve todas estas prostituições das verdadeiras doutrinas orientais a uma senhora, de seu nome Helena Petrovna Blavatsky, que fundou a famigerada Sociedade Teosófica há um século atrás. Foi esta senhora a culpada pela introdução no Ocidente de uma pseudo-doutrina, altamente heterodoxa e sincretista, que teve tanto sucesso no mundo anglo-saxónico, e não só.
A Sociedade Teosófica, da qual falaremos mais detalhadamente noutra altura, deu origem a uma onda de "redescoberta" das doutrinas orientais, mas infelizmente através das piores fontes e inspirações. O triste legado de Blavatsky subsiste hoje (ainda existe a Sociedade Teosófica) através de uma série de movimentos que por ela foram influenciados: a Cientologia, os Raelianos, a Antroposofia, etc, etc...
Nesta vaga de entusiasmo, que durou todo o século XX, e que graças à New Age vai entrar agora vitoriosamente no século XXI, surgiram no Ocidente uma série de pseudo-gurus como o vigarista Maharishi Mahesh Yogi, entre outros, que lançaram as bases para o estabelecimento de uma quantidade enorme de escolas de falso Yoga e de falsa meditação, todas elas cheias de pseudo-mestres.
Mas sigamos a Time, regressando de novo à capa, onde várias coisas podem ser ditas:
1. "New Age mumbo jumbo?". Resposta: SIM!
2. "Not for millions of people who meditate for health and well-being.". Aqui temos de novo a mania moderna da Quantidade. Porque uma coisa é feita por muita gente, automaticamente é boa.
3. "Here's how it works". Ou seja, vamos lá encaixar milénios das mais variadas tradições dentro das folhinhas da Time, para que o leitor médio fique a saber "tudo" sobre meditação. Bravo! Que tal isto como exemplo fantástico de "massificação do conhecimento"?
Basta de capa.
Ficamos a saber, por uma fotografia nas páginas 46 e 47, que existe uma "Maharishi School of the Age of Englightment", onde vemos um grupo de adolescentes a praticar TM (lá está a sigla!), que segundo nos dizem, acontece duas vezes ao dia.
Este detalhe é delicioso! Porque é um psedo-guru vindo directamente da Índia e que se afirma hindu, Maharishi Maheshi Yogi, que dá o nome a esta escola de "meditação" auto-intitulada "School of the Age of Englightment"! Isto é fantástico, sobretudo se tivermos em consideração que as doutrinas hindus defendem que vivemos presentemente no Kali Yuga, ou "Idade Escura", conforme escrevi aqui há dias. Que tal para uma completa perversão do Hinduismo?
Em frente...
Na página 48, a Time mostra-nos em 4 simples passos, numerados de 1 a 4 (para ser mais fácil), como meditar. Que poder de síntese!
Depois temos um quadro científico, reforço, CIENTÍFICO, onde se pode ver um esquema do cérebro, e da actividade cerebral medida a indivíduos em suposta "meditação". Os cientistas verificaram (graças a Deus que o fizeram) que o cérebro emitia menos ondas beta durante a meditação. O que não deixa de espantar é que a obcessão moderna com o "medir" chega ao cúmulo de querer validar realidades espirituais usando instrumentos de medição!
Ninguém nega, pois, que o cérebro baixa a sua actividade durante a tal "meditação". Contudo, esta "meditação" nada tem a ver com a verdadeira meditação. Pelo simples facto de que o Princípio está ausente! Onde está o fundamento, a razão para meditar? De que vale meditar, então? Para o bem-estar, dizem-nos. Pois isso é bom, mas não seria melhor procurar esse bem-estar nas tradições verdadeiras de todas as culturas, em vez de experimentar graves perigos psíquicos usando metodologias ocas que vieram de pretensos gurus, de intrujões?
Parece-me evidente que todo aquele que procurar uma "calma" através do abaixamento da sua actividade física e mental vai obter vantagens.
Agora não se chame a isto "meditação" e não se queira comparar o que é um simples exercício de descontracção com o que é a profundidade e intensidade da verdadeira espiritualidade.
Haveria muita asneira a apontar neste artigo, mas fazê-lo seria monótono e muito deprimente.
Termino com uma referência a uma fotografia intitulada "Monk", na página 50, onde se vê um monge tibetano a ser enfiado dentro de um aparelho de Ressonância Magnética.
Para um aprofundamento desta questão dos falsos gurus, recomendo vivamente o artigo de Rama Coomaraswamy, "Hinduism for Western Consumption".
Para acabar em beleza, uma salva de palmas à Time!
Bernardo
"The Science of Meditation"
E continua na capa:
"New Age mumbo jumbo? Not for millions of people who meditate for health and well-being. Here's how it works"
Aqui temos todo o tipo de exemplos da mediocridade e ignorância que grassa em muitos periódicos modernos. O destaque na capa faz-nos pensar que vamos encontrar no interior da revista um artigo jornalístico de alto gabarito e repleto de informações importantes sobre a "meditação". Errado!
Para já, o que a Time entende por "meditação" é, nada mais nada menos, que a famigerada "transcendental meditation", ou afectivamente "TM" (como eles adoram as siglas!), da qual a moderna cultura anglo-saxónica tanto gosta. O mundo ocidental moderno já esqueceu que deve todas estas prostituições das verdadeiras doutrinas orientais a uma senhora, de seu nome Helena Petrovna Blavatsky, que fundou a famigerada Sociedade Teosófica há um século atrás. Foi esta senhora a culpada pela introdução no Ocidente de uma pseudo-doutrina, altamente heterodoxa e sincretista, que teve tanto sucesso no mundo anglo-saxónico, e não só.
A Sociedade Teosófica, da qual falaremos mais detalhadamente noutra altura, deu origem a uma onda de "redescoberta" das doutrinas orientais, mas infelizmente através das piores fontes e inspirações. O triste legado de Blavatsky subsiste hoje (ainda existe a Sociedade Teosófica) através de uma série de movimentos que por ela foram influenciados: a Cientologia, os Raelianos, a Antroposofia, etc, etc...
Nesta vaga de entusiasmo, que durou todo o século XX, e que graças à New Age vai entrar agora vitoriosamente no século XXI, surgiram no Ocidente uma série de pseudo-gurus como o vigarista Maharishi Mahesh Yogi, entre outros, que lançaram as bases para o estabelecimento de uma quantidade enorme de escolas de falso Yoga e de falsa meditação, todas elas cheias de pseudo-mestres.
Mas sigamos a Time, regressando de novo à capa, onde várias coisas podem ser ditas:
1. "New Age mumbo jumbo?". Resposta: SIM!
2. "Not for millions of people who meditate for health and well-being.". Aqui temos de novo a mania moderna da Quantidade. Porque uma coisa é feita por muita gente, automaticamente é boa.
3. "Here's how it works". Ou seja, vamos lá encaixar milénios das mais variadas tradições dentro das folhinhas da Time, para que o leitor médio fique a saber "tudo" sobre meditação. Bravo! Que tal isto como exemplo fantástico de "massificação do conhecimento"?
Basta de capa.
Ficamos a saber, por uma fotografia nas páginas 46 e 47, que existe uma "Maharishi School of the Age of Englightment", onde vemos um grupo de adolescentes a praticar TM (lá está a sigla!), que segundo nos dizem, acontece duas vezes ao dia.
Este detalhe é delicioso! Porque é um psedo-guru vindo directamente da Índia e que se afirma hindu, Maharishi Maheshi Yogi, que dá o nome a esta escola de "meditação" auto-intitulada "School of the Age of Englightment"! Isto é fantástico, sobretudo se tivermos em consideração que as doutrinas hindus defendem que vivemos presentemente no Kali Yuga, ou "Idade Escura", conforme escrevi aqui há dias. Que tal para uma completa perversão do Hinduismo?
Em frente...
Na página 48, a Time mostra-nos em 4 simples passos, numerados de 1 a 4 (para ser mais fácil), como meditar. Que poder de síntese!
Depois temos um quadro científico, reforço, CIENTÍFICO, onde se pode ver um esquema do cérebro, e da actividade cerebral medida a indivíduos em suposta "meditação". Os cientistas verificaram (graças a Deus que o fizeram) que o cérebro emitia menos ondas beta durante a meditação. O que não deixa de espantar é que a obcessão moderna com o "medir" chega ao cúmulo de querer validar realidades espirituais usando instrumentos de medição!
Ninguém nega, pois, que o cérebro baixa a sua actividade durante a tal "meditação". Contudo, esta "meditação" nada tem a ver com a verdadeira meditação. Pelo simples facto de que o Princípio está ausente! Onde está o fundamento, a razão para meditar? De que vale meditar, então? Para o bem-estar, dizem-nos. Pois isso é bom, mas não seria melhor procurar esse bem-estar nas tradições verdadeiras de todas as culturas, em vez de experimentar graves perigos psíquicos usando metodologias ocas que vieram de pretensos gurus, de intrujões?
Parece-me evidente que todo aquele que procurar uma "calma" através do abaixamento da sua actividade física e mental vai obter vantagens.
Agora não se chame a isto "meditação" e não se queira comparar o que é um simples exercício de descontracção com o que é a profundidade e intensidade da verdadeira espiritualidade.
Haveria muita asneira a apontar neste artigo, mas fazê-lo seria monótono e muito deprimente.
Termino com uma referência a uma fotografia intitulada "Monk", na página 50, onde se vê um monge tibetano a ser enfiado dentro de um aparelho de Ressonância Magnética.
Para um aprofundamento desta questão dos falsos gurus, recomendo vivamente o artigo de Rama Coomaraswamy, "Hinduism for Western Consumption".
Para acabar em beleza, uma salva de palmas à Time!
Bernardo
terça-feira, 21 de outubro de 2003
Casa Pia
E no final de tudo...
No final das inquirições e audiências, dos recursos e dos acordãos, das escutas, das suspeitas, das intrigas e das cabalas....
No final de tudo isto... ainda alguém acredita que se fará justiça?
Eu não... e isso angustia-me muito.
Abraço,
Duarte.
No final das inquirições e audiências, dos recursos e dos acordãos, das escutas, das suspeitas, das intrigas e das cabalas....
No final de tudo isto... ainda alguém acredita que se fará justiça?
Eu não... e isso angustia-me muito.
Abraço,
Duarte.
segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Jornalismo moderno
Que há bom e mau jornalismo, toda a gente sabe.
Sou um leitor assíduo da Time desde há uns dois anos. Na euforia posterior ao 11 de Setembro, recordo-me que me revoltava a extrema parcialidade dos jornalistas relativamente às medidas de política externa da Administração Bush. Os artigos de um comentador em particular, Michael Elliot, por sinal um dos mais importantes comentadores assíduos da revista, roçavam por vezes o extremo do mau gosto. Naqueles tempos, tudo era permitido à América ferida.
Também a selecção de cartas dos leitores que constitui a primeira parte da revista sempre me pareceu constituir uma forma subtil de moldar a opinião pública. A postura frequentemente anti-europeia também sempre me irritou, sobretudo porque a edição que me chega às mãos é a edição europeia.
Habituei-me que poderia encontrar bom e mau jornalismo na Time, se bem que comecei a achar que o mau jornalismo estava a ganhar pontos naquela revista.
Recentemente, com o desaparecimento misterioso das "armas de destruição maçiça" no Iraque, notei na Time uma lenta mas decidida mudança de equipa. Bush começou a aparecer nas capas ou nos artigos de política internacional como um homem em apuros. Começaram a surgir as primeiras críticas vindas dos comentadores da praxe. Enfim, o "volte-face" estava consumado...
Tudo isto me fez ver que aquela revista, que antes de conhecer de perto eu respeitava, afinal poderia conter jornalismo do mais grosseiro e da mais baixa qualidade, nas linhas do nosso "Tal e Qual", do "24 Horas" ou de outras pérolas do nosso jornalismo. Lá por ser "estrangeira", e a nós tanto nos deslumbra o que é estrangeiro, a revista Time poderia também como tantas outras, "chafurdar no lodo" se me é permitida a expressão.
Por isso, devo admitir, não me surpreendeu ver Bragança transformada na "red light district" europeia, segundo a Time. Não contesto a veracidade dos factos, nem a vergonha que se abateu sobre Bragança (merecerá o relevo de caso "exemplar" europeu que lhe foi dado?), mas simplesmente parece-me demais para a capa da Time europeia. Todos os países têm telhados de vidro, e não vou sequer entrar em polémicas face às medidas tomadas, talvez despropositadamente, pelo Estado no que diz respeito à revista Time e aos anúncios ao Euro 2004.
Li o artigo da Time, e só acho que se trata de uma patética lição de mau jornalismo. Mais nada...
Mas porquê ir buscar esta notícia antiga?
Porque vem a propósito de mais uma pérola jornalística, desta vez do El País, pela caneta do jornalista Luis Gómez: "Portugal, en quiebra política y social".
Aqui fica um excerto para quem não leu:
"En medio de los incendios que devastaban el país, un viaducto cercano a Lisboa se derrumbó este verano y pudo haber causado un gran desastre cuando dos días antes había recibido el visto bueno de los inspectores. El incidente fue interpretado como otro síntoma de que el Estado no funciona, de que la crisis es algo más profunda en Portugal. La sensación de declive ha ido en aumento desde entonces. La euforia de 1998 ha dado paso a una pesadilla, repleta de malos augurios."
Vamos dizer o mesmo em relação ao metro descarrilado em Londres neste fim-de-semana? Que é um mau augúrio para o trabalho dos inspectores ferroviários britânicos?
Vamos lembrar ao senhor Luis Gómez que a Galiza está banhada pelo crude há largos meses, naquele que é talvez o pior desastre ecológico ibérico de sempre?
Francamente, "una pesadilla" é este artigo pobre e cheio de alarmismo e sensacionalismo.
"El colegio de los horrores" é como Luis Gómez chama à Casa Pia:
"Los casos de pederastia en la Casa Pía, la institución educativa más prestigiosa de Portugal, hipotecan la agenda política del país (...)"
Ficamos, pois, a saber que a Casa Pia é a instituição educativa mais prestigiosa de Portugal. Bravo!
De facto, quem ler este artigo do El País fica com uma esplêndida, e mui precisa, ideia de Portugal e do seu estado actual.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...
Bernardo
Sou um leitor assíduo da Time desde há uns dois anos. Na euforia posterior ao 11 de Setembro, recordo-me que me revoltava a extrema parcialidade dos jornalistas relativamente às medidas de política externa da Administração Bush. Os artigos de um comentador em particular, Michael Elliot, por sinal um dos mais importantes comentadores assíduos da revista, roçavam por vezes o extremo do mau gosto. Naqueles tempos, tudo era permitido à América ferida.
Também a selecção de cartas dos leitores que constitui a primeira parte da revista sempre me pareceu constituir uma forma subtil de moldar a opinião pública. A postura frequentemente anti-europeia também sempre me irritou, sobretudo porque a edição que me chega às mãos é a edição europeia.
Habituei-me que poderia encontrar bom e mau jornalismo na Time, se bem que comecei a achar que o mau jornalismo estava a ganhar pontos naquela revista.
Recentemente, com o desaparecimento misterioso das "armas de destruição maçiça" no Iraque, notei na Time uma lenta mas decidida mudança de equipa. Bush começou a aparecer nas capas ou nos artigos de política internacional como um homem em apuros. Começaram a surgir as primeiras críticas vindas dos comentadores da praxe. Enfim, o "volte-face" estava consumado...
Tudo isto me fez ver que aquela revista, que antes de conhecer de perto eu respeitava, afinal poderia conter jornalismo do mais grosseiro e da mais baixa qualidade, nas linhas do nosso "Tal e Qual", do "24 Horas" ou de outras pérolas do nosso jornalismo. Lá por ser "estrangeira", e a nós tanto nos deslumbra o que é estrangeiro, a revista Time poderia também como tantas outras, "chafurdar no lodo" se me é permitida a expressão.
Por isso, devo admitir, não me surpreendeu ver Bragança transformada na "red light district" europeia, segundo a Time. Não contesto a veracidade dos factos, nem a vergonha que se abateu sobre Bragança (merecerá o relevo de caso "exemplar" europeu que lhe foi dado?), mas simplesmente parece-me demais para a capa da Time europeia. Todos os países têm telhados de vidro, e não vou sequer entrar em polémicas face às medidas tomadas, talvez despropositadamente, pelo Estado no que diz respeito à revista Time e aos anúncios ao Euro 2004.
Li o artigo da Time, e só acho que se trata de uma patética lição de mau jornalismo. Mais nada...
Mas porquê ir buscar esta notícia antiga?
Porque vem a propósito de mais uma pérola jornalística, desta vez do El País, pela caneta do jornalista Luis Gómez: "Portugal, en quiebra política y social".
Aqui fica um excerto para quem não leu:
"En medio de los incendios que devastaban el país, un viaducto cercano a Lisboa se derrumbó este verano y pudo haber causado un gran desastre cuando dos días antes había recibido el visto bueno de los inspectores. El incidente fue interpretado como otro síntoma de que el Estado no funciona, de que la crisis es algo más profunda en Portugal. La sensación de declive ha ido en aumento desde entonces. La euforia de 1998 ha dado paso a una pesadilla, repleta de malos augurios."
Vamos dizer o mesmo em relação ao metro descarrilado em Londres neste fim-de-semana? Que é um mau augúrio para o trabalho dos inspectores ferroviários britânicos?
Vamos lembrar ao senhor Luis Gómez que a Galiza está banhada pelo crude há largos meses, naquele que é talvez o pior desastre ecológico ibérico de sempre?
Francamente, "una pesadilla" é este artigo pobre e cheio de alarmismo e sensacionalismo.
"El colegio de los horrores" é como Luis Gómez chama à Casa Pia:
"Los casos de pederastia en la Casa Pía, la institución educativa más prestigiosa de Portugal, hipotecan la agenda política del país (...)"
Ficamos, pois, a saber que a Casa Pia é a instituição educativa mais prestigiosa de Portugal. Bravo!
De facto, quem ler este artigo do El País fica com uma esplêndida, e mui precisa, ideia de Portugal e do seu estado actual.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...
Bernardo
sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Cegueira ideológica
Há poucos dias, o Duarte publicou uma citação de Saramago.
Porventura esta citação terá gerado alguma polémica entre os estimados leitores deste blogue, pelo que gostaria de dizer algumas palavras.
Apesar de estar no oposto ideológico de Saramago, e até de pessoalmente desgostar da sua escrita, não posso deixar de concordar com a citação que o Duarte apresentou. A expressão de Saramago é uma justa e importante crítica ao perigo da tecnologia.
A tecnologia em si não é má, mas podem ser-lhe dados usos desumanos que geram realidades paródicas como a que Saramago descreve.
Como não concordar com ele?
Quem diz a Verdade merece ser ouvido.
Porque não citar Saramago quando ele diz verdades?
Causa assim tanto horror aos nossos leitores de direita?
Somos assim tão cegos, surdos e insensíveis?
Faz-me lembrar o grande Carlos Paredes, cuja música sofre por vezes de igual depreciação...
Não nos deu ele um reflexo da alma lusa em sublime forma musical?
Não será a sua música uma obra-prima de inspiração divina?
Então porque é que recusaríamos o extraordinário legado de Paredes, que tanta saúde dá à alma lusitana, tão esquecida nestes dias do que significa ser português?
Só devido às opções ideológicas, e estritamente pessoais, do próprio Paredes?
Tenhamos juízo, e estejamos atentos à Beleza e à Verdade que nos rodeia...
Bernardo
Porventura esta citação terá gerado alguma polémica entre os estimados leitores deste blogue, pelo que gostaria de dizer algumas palavras.
Apesar de estar no oposto ideológico de Saramago, e até de pessoalmente desgostar da sua escrita, não posso deixar de concordar com a citação que o Duarte apresentou. A expressão de Saramago é uma justa e importante crítica ao perigo da tecnologia.
A tecnologia em si não é má, mas podem ser-lhe dados usos desumanos que geram realidades paródicas como a que Saramago descreve.
Como não concordar com ele?
Quem diz a Verdade merece ser ouvido.
Porque não citar Saramago quando ele diz verdades?
Causa assim tanto horror aos nossos leitores de direita?
Somos assim tão cegos, surdos e insensíveis?
Faz-me lembrar o grande Carlos Paredes, cuja música sofre por vezes de igual depreciação...
Não nos deu ele um reflexo da alma lusa em sublime forma musical?
Não será a sua música uma obra-prima de inspiração divina?
Então porque é que recusaríamos o extraordinário legado de Paredes, que tanta saúde dá à alma lusitana, tão esquecida nestes dias do que significa ser português?
Só devido às opções ideológicas, e estritamente pessoais, do próprio Paredes?
Tenhamos juízo, e estejamos atentos à Beleza e à Verdade que nos rodeia...
Bernardo
quinta-feira, 16 de outubro de 2003
O Monte EVEREST
A descrição de João Garcia quando em 1999 atingiu o cume do monte Everest:
“Olhamos à volta e não há nada mais alto. O céu azul é o limite”
Abraço,
Duarte
“Olhamos à volta e não há nada mais alto. O céu azul é o limite”
Abraço,
Duarte
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
A noção de Criação e os católicos modernos
«É profundamente erróneo supor que, no que diz respeito às verdades da fé, seja indiferente o que se pense sobre a criação desde que se tenha uma concepção exacta de Deus, porque um erro sobre a natureza da criação reflectirá sempre uma errónea noção de Deus.» - S. Tomás de Aquino.
(esta citação foi retirada de uma tradução espanhola de um excerto do livro "Ciência Moderna e Sabedoria Tradicional", de Titus Burckhardt, no site Textos Tradicionales)
Quero deixar aqui uma sugestão de reflexão, baseada nestas palavras de S. Tomás de Aquino: os católicos modernos não podem demitir-se da obrigação fulcral de "resolverem" a nível pessoal, ou seja, na fé de cada um, este antagonismo entre a Criação ex nihilo ("do nada"), conforme diz a doutrina Católica, e as modernas teorias evolucionistas e cosmológicas.
Não é possível ter o "melhor de dois mundos", ou seja, acreditar no Deus católico, e na doutrina da Igreja Católica, e tentar "encaixar" à força Charles Darwin e os seus sucessores, e teorias como a do Big Bang.
A solução para este dilema não passa pela leitura literal do Génesis. Passa por um sério e moroso esforço de aprofundamento do conhecimento e da fé.
Ninguém disse que ser católico no século XXI era fácil!
Bernardo
(esta citação foi retirada de uma tradução espanhola de um excerto do livro "Ciência Moderna e Sabedoria Tradicional", de Titus Burckhardt, no site Textos Tradicionales)
Quero deixar aqui uma sugestão de reflexão, baseada nestas palavras de S. Tomás de Aquino: os católicos modernos não podem demitir-se da obrigação fulcral de "resolverem" a nível pessoal, ou seja, na fé de cada um, este antagonismo entre a Criação ex nihilo ("do nada"), conforme diz a doutrina Católica, e as modernas teorias evolucionistas e cosmológicas.
Não é possível ter o "melhor de dois mundos", ou seja, acreditar no Deus católico, e na doutrina da Igreja Católica, e tentar "encaixar" à força Charles Darwin e os seus sucessores, e teorias como a do Big Bang.
A solução para este dilema não passa pela leitura literal do Génesis. Passa por um sério e moroso esforço de aprofundamento do conhecimento e da fé.
Ninguém disse que ser católico no século XXI era fácil!
Bernardo
De novo os "estudantes"...
Ontem assistimos de novo ao triste espectáculo pseudo-estudantil (aquela gente estuda?) dos protestos anti-propinas.
Até quando vamos ter que aturá-los?
Aquele pequeníssimo grupo de "estudantes" deveria dar-se conta de duas coisas:
1. Eles sabem MUITO POUCO, ou seja, a ignorância média de um aluno do Ensino Superior é gritante.
2. Eles estão MUITO POUCO preparados para o mercado de trabalho, ou seja, mais do que não saber nada eles não sabem FAZER nada.
Mais cedo ou mais tarde vão ter que sair do conforto e da protecção da universidade e "fazer pela vida". Ora se eles não estão preparados para fazer nada, não deveria ser essa a sua principal preocupação?
A questão não pode ser a do dinheiro, ou da falta dele.
Lanço aqui algumas sugestões aos contestatários, para que possam reunir facilmente os eurozitos que precisam para pagar a propina:
1. Não comprem trajes académicos, sobretudo se não estiverem a estudar na Universidade de Coimbra! É ridículo... E os trajes são quase tão caros como a propina média;
2. Não peçam tanto dinheiro aos vossos paizinhos para gasolina, álcool e tabaco; aproveitem antes para lhes pedir que vos paguem as propinas, e assim o português médio não terá que pagar a vossa vida diletante;
3. Àqueles estudantes mais politizados, que tal pegar no dinheiro que vos chega dos partidos, fazer um bolo, e pagar as propinas a vocês e aos vossos amigos?
Bernardo
Até quando vamos ter que aturá-los?
Aquele pequeníssimo grupo de "estudantes" deveria dar-se conta de duas coisas:
1. Eles sabem MUITO POUCO, ou seja, a ignorância média de um aluno do Ensino Superior é gritante.
2. Eles estão MUITO POUCO preparados para o mercado de trabalho, ou seja, mais do que não saber nada eles não sabem FAZER nada.
Mais cedo ou mais tarde vão ter que sair do conforto e da protecção da universidade e "fazer pela vida". Ora se eles não estão preparados para fazer nada, não deveria ser essa a sua principal preocupação?
A questão não pode ser a do dinheiro, ou da falta dele.
Lanço aqui algumas sugestões aos contestatários, para que possam reunir facilmente os eurozitos que precisam para pagar a propina:
1. Não comprem trajes académicos, sobretudo se não estiverem a estudar na Universidade de Coimbra! É ridículo... E os trajes são quase tão caros como a propina média;
2. Não peçam tanto dinheiro aos vossos paizinhos para gasolina, álcool e tabaco; aproveitem antes para lhes pedir que vos paguem as propinas, e assim o português médio não terá que pagar a vossa vida diletante;
3. Àqueles estudantes mais politizados, que tal pegar no dinheiro que vos chega dos partidos, fazer um bolo, e pagar as propinas a vocês e aos vossos amigos?
Bernardo
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