Bem a propósito do atentado do dia de hoje em Istambul, aqui deixo um artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares.
"Que Alá seja misericordioso!"
Para ler, e reler...
Bernardo
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Atlântida
A existência da Atlântida é um tema sempre polémico.
Não podemos, contudo, deixar que a eufórica tendência "New Age", sempre pronta para alucinações e fantasias, nos "tape a vista", fazendo-nos recusar a hipótese.
A postura do cepticismo radical, em relação a esta questão da Atlândida mas não só, sempre me pareceu irracional. É certo que, quando Platão escreveu sobre o continente perdido, já a história da Atlântida era um eco distante. Contudo, nada nos escritos de Platão nos faz pensar que este duvidasse da sua existência.
Hoje saiu no Público uma notícia deveras interessante:
"Especialistas situam a Atlântida em extremos opostos do Mediterrâneo"
Deixo a questão da localização da Atlântida para os arqueólogos.
O que me interessa afirmar aqui é que recusar a existência do continente é mais perigoso do que aceitá-la, visto que temos os relatos fiáveis de Platão, já para não falar na tradição oral.
A Terra pode mudar radicalmente em poucos milhares de anos.
Se sucedesse hoje um cataclismo à escala mundial, e a civilização ocidental como a conhecemos desaparecesse de vez, dentro de alguns milhares de anos tudo voltaria a ser paisagem selvagem.
O fundo dos mares, bem como a história da humanidade para lá dos 10.000 anos antes de Cristo, são dois abismos de desconhecimento profundo para a ciência moderna.
Aqueles que ridicularizam estas tentativas arqueológicas deveriam lembrar-se de que o mesmo foi feito no século XIX a Heinrich Schliemann quando este disse que iria encontrar Tróia só com base nos escritos de Homero.
Schilemann encontrou Tróia.
Bernardo
Não podemos, contudo, deixar que a eufórica tendência "New Age", sempre pronta para alucinações e fantasias, nos "tape a vista", fazendo-nos recusar a hipótese.
A postura do cepticismo radical, em relação a esta questão da Atlândida mas não só, sempre me pareceu irracional. É certo que, quando Platão escreveu sobre o continente perdido, já a história da Atlântida era um eco distante. Contudo, nada nos escritos de Platão nos faz pensar que este duvidasse da sua existência.
Hoje saiu no Público uma notícia deveras interessante:
"Especialistas situam a Atlântida em extremos opostos do Mediterrâneo"
Deixo a questão da localização da Atlântida para os arqueólogos.
O que me interessa afirmar aqui é que recusar a existência do continente é mais perigoso do que aceitá-la, visto que temos os relatos fiáveis de Platão, já para não falar na tradição oral.
A Terra pode mudar radicalmente em poucos milhares de anos.
Se sucedesse hoje um cataclismo à escala mundial, e a civilização ocidental como a conhecemos desaparecesse de vez, dentro de alguns milhares de anos tudo voltaria a ser paisagem selvagem.
O fundo dos mares, bem como a história da humanidade para lá dos 10.000 anos antes de Cristo, são dois abismos de desconhecimento profundo para a ciência moderna.
Aqueles que ridicularizam estas tentativas arqueológicas deveriam lembrar-se de que o mesmo foi feito no século XIX a Heinrich Schliemann quando este disse que iria encontrar Tróia só com base nos escritos de Homero.
Schilemann encontrou Tróia.
Bernardo
segunda-feira, 10 de novembro de 2003
Os dois problemas fundamentais da epistemologia
A epistemologia, para os mais distraídos, estuda o conhecimento científico. É um ramo essencial do conhecimento na medida em que serve de regulador e de observador crítico ao trabalho das ciências.
Segundo Karl Popper, os dois problemas fundamentais da epistemologia são a indução e a demarcação entre ciência e metafísica.
Hoje interessa-me falar sobretudo do segundo.
É certo que o que é entendido hoje por metafísica, que significa literalmente "o que está para além da física", difere muito do sentido que lhe dava, por exemplo, Aristóteles. Sucede o mesmo com o conceito de "física", hoje em dia convertido num ramo muito específico do conhecimento. Por isso, a leitura dos filósofos e epistemólogos modernos pode ser, por vezes, desconcertante devido à estreiteza da linguagem como ferramenta de comunicação (principalmente para tratar temas como a metafísica) e à alteração do significado dos conceitos ocorrida ao longo da História.
Karl Popper agrada-me, sobretudo, pela sua análise fortemente crítica. Para Popper, uma questão fundamental é a separação dos dois domínios. Ele recusou duas teorias de demarcação que tinham sido avançadas antes:
a) a demarcação pela "base observacional"; ou seja, tudo o que não fosse observável estaria fora das ciências empíricas e pertenceria ao domínio da metafísica
b) a demarcação pelo uso do método indutivo; ou seja, tudo o que não seguisse métodos indutivos pertenceria ao domínio da metafísica.
Popper apontou, e bem, as falhas destas teorias de demarcação. Existe um imenso conjunto de teorias abstratas e altamente especulativas, por exemplo, na física moderna através de Einstein. Por isso, cai por terra a demarcação pela "base observacional". O segundo critério de demarcação é também facilmente refutado pela constatação de que, fora da ciência, existem numerosos exemplos do uso do método indutivo. Popper exemplifica com a Astrologia, que ele classificou de "pseudo-ciência".
Como demarcar então conhecimento científico e conhecimento metafísico?
Popper sugere a "refutabilidade ou falsificabilidade de um sistema teórico".
Assim, apesar de Popper não se interessar por metafísica, o que deriva da sua inclinação ou gosto pessoais, pelo menos não foge da necessidade de imposição de uma demarcação. Fica por discutir se a opinião de Popper em relação à metafísica era tão depreciativa como a de muitos colegas seus. Depreciar a metafísica é depreciar o superior em detrimento do inferior. A própria etimologia da palavra "metafísica" é suficiente para o demonstrar cabalmente.
Bernardo
Segundo Karl Popper, os dois problemas fundamentais da epistemologia são a indução e a demarcação entre ciência e metafísica.
Hoje interessa-me falar sobretudo do segundo.
É certo que o que é entendido hoje por metafísica, que significa literalmente "o que está para além da física", difere muito do sentido que lhe dava, por exemplo, Aristóteles. Sucede o mesmo com o conceito de "física", hoje em dia convertido num ramo muito específico do conhecimento. Por isso, a leitura dos filósofos e epistemólogos modernos pode ser, por vezes, desconcertante devido à estreiteza da linguagem como ferramenta de comunicação (principalmente para tratar temas como a metafísica) e à alteração do significado dos conceitos ocorrida ao longo da História.
Karl Popper agrada-me, sobretudo, pela sua análise fortemente crítica. Para Popper, uma questão fundamental é a separação dos dois domínios. Ele recusou duas teorias de demarcação que tinham sido avançadas antes:
a) a demarcação pela "base observacional"; ou seja, tudo o que não fosse observável estaria fora das ciências empíricas e pertenceria ao domínio da metafísica
b) a demarcação pelo uso do método indutivo; ou seja, tudo o que não seguisse métodos indutivos pertenceria ao domínio da metafísica.
Popper apontou, e bem, as falhas destas teorias de demarcação. Existe um imenso conjunto de teorias abstratas e altamente especulativas, por exemplo, na física moderna através de Einstein. Por isso, cai por terra a demarcação pela "base observacional". O segundo critério de demarcação é também facilmente refutado pela constatação de que, fora da ciência, existem numerosos exemplos do uso do método indutivo. Popper exemplifica com a Astrologia, que ele classificou de "pseudo-ciência".
Como demarcar então conhecimento científico e conhecimento metafísico?
Popper sugere a "refutabilidade ou falsificabilidade de um sistema teórico".
Assim, apesar de Popper não se interessar por metafísica, o que deriva da sua inclinação ou gosto pessoais, pelo menos não foge da necessidade de imposição de uma demarcação. Fica por discutir se a opinião de Popper em relação à metafísica era tão depreciativa como a de muitos colegas seus. Depreciar a metafísica é depreciar o superior em detrimento do inferior. A própria etimologia da palavra "metafísica" é suficiente para o demonstrar cabalmente.
Bernardo
quinta-feira, 6 de novembro de 2003
Camarate
Saiu hoje no Público a seguinte notícia:
"Auditoria ao Fundo de Defesa do Ultramar revela irregularidades"
O artigo avança, dir-se-ia a medo, com a seguinte frase introdutória: "Poderá sair reforçada a teoria de atentado no caso Camarate".
"Poderá sair reforçada"?
Ainda haverá alguém que duvide do atentado e das suas razões?
Obviamente, estas razões prendem-se com as movimentações do Fundo de Defesa do Ultramar, autêntico "saco azul" que foi usado repetidas vezes para negócios de armamento que importa esclarecer.
O livro de Ricardo Sá Fernandes, "O Crime de Camarate" já tem alguns anos, mas aparentemente não provocou ondas nenhumas, e isto apesar de ser um trabalho de investigação extenso, exaustivo e convincente. De que é que estamos à espera? Alguém ainda espera alguma coisa desta Comissão Parlamentar de Inquérito? Que andam eles a inquirir?
O problema é que alguns culpados e responsáveis ainda estão vivos. Só quando estas pessoas morrerem é que se poderá "saber" a verdade, até às últimas consequências. Estão envolvidas pessoas de todos os quadrantes políticos e também das Forças Armadas, sempre intocáveis.
Adelino Amaro da Costa foi assassinado no preciso momento em que ia iniciar uma investigação ao Fundo do Ultramar. Sá Carneiro teve o azar de partilhar o Cessna com Amaro da Costa.
E assim partiram juntos para o Porto naquela noite fatídica, numa viagem que terminou poucos minutos depois da descolagem com a detonação de um engenho explosivo.
As provas existem. Sá Fernandes apresenta-as de forma irrefutável. Vestígios de explosivos. Peritagem dos destroços. Depoimentos de pessoas envolvidas. Relatos de testemunhas oculares.
O português comum, como sempre, nada sabe sobre isto. Pior... Não se interessa.
Bernardo
"Auditoria ao Fundo de Defesa do Ultramar revela irregularidades"
O artigo avança, dir-se-ia a medo, com a seguinte frase introdutória: "Poderá sair reforçada a teoria de atentado no caso Camarate".
"Poderá sair reforçada"?
Ainda haverá alguém que duvide do atentado e das suas razões?
Obviamente, estas razões prendem-se com as movimentações do Fundo de Defesa do Ultramar, autêntico "saco azul" que foi usado repetidas vezes para negócios de armamento que importa esclarecer.
O livro de Ricardo Sá Fernandes, "O Crime de Camarate" já tem alguns anos, mas aparentemente não provocou ondas nenhumas, e isto apesar de ser um trabalho de investigação extenso, exaustivo e convincente. De que é que estamos à espera? Alguém ainda espera alguma coisa desta Comissão Parlamentar de Inquérito? Que andam eles a inquirir?
O problema é que alguns culpados e responsáveis ainda estão vivos. Só quando estas pessoas morrerem é que se poderá "saber" a verdade, até às últimas consequências. Estão envolvidas pessoas de todos os quadrantes políticos e também das Forças Armadas, sempre intocáveis.
Adelino Amaro da Costa foi assassinado no preciso momento em que ia iniciar uma investigação ao Fundo do Ultramar. Sá Carneiro teve o azar de partilhar o Cessna com Amaro da Costa.
E assim partiram juntos para o Porto naquela noite fatídica, numa viagem que terminou poucos minutos depois da descolagem com a detonação de um engenho explosivo.
As provas existem. Sá Fernandes apresenta-as de forma irrefutável. Vestígios de explosivos. Peritagem dos destroços. Depoimentos de pessoas envolvidas. Relatos de testemunhas oculares.
O português comum, como sempre, nada sabe sobre isto. Pior... Não se interessa.
Bernardo
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Twin Peaks
A não perder!
A Sic Radical (quem diria?) está a repor a série de culto de David Lynch.
Ontem, terça-feira, já transmitiram à noite o primeiro episódio.
Como é tão raro dar alguma coisa aproveitável na televisão, aqui fica o aviso.
Bernardo
A Sic Radical (quem diria?) está a repor a série de culto de David Lynch.
Ontem, terça-feira, já transmitiram à noite o primeiro episódio.
Como é tão raro dar alguma coisa aproveitável na televisão, aqui fica o aviso.
Bernardo
ESTUDANTES!!!
O ano lectivo começou em Setembro e desde então até ao dia de hoje, 5 de Novembro, temos assistido a greves, invasões, vigílias e manifestações, protagonizadas e organizadas pelos estudantes do nosso ensino superior.
Tendo em conta o tempo despendido na participação e organização de tão distintos e importantes eventos, será que resta algum tempo aos estudantes para estudarem e assistirem às aulas?
Pois... é natural que também estejam contra a lei das prescrições!
Abraço,
Duarte
Tendo em conta o tempo despendido na participação e organização de tão distintos e importantes eventos, será que resta algum tempo aos estudantes para estudarem e assistirem às aulas?
Pois... é natural que também estejam contra a lei das prescrições!
Abraço,
Duarte
Mito Moderno nº. 4 - Freud e a Psicanálise
Foi editado recentemente, pela editora Campo das Letras, o livro de Richard Webster "Fred estava errado. Porquê?".
Este livro é uma fortíssima crítica ao legado de Freud. Webster não é, obviamente, pioneiro na crítica a Freud. Inúmeros académicos já se tinham manifestado contra a psicanálise e a sua classificação como ciência.
Os argumentos de Webster são muitos, mas aqui ficam os mais importantes:
Freud destruiu registos e documentos numa clara tentativa de dificultar o trabalho dos biógrafos futuros.
Freud não foi original: Webster explica e expõe quem foram os seus inspiradores.
A psicanálise nunca produziu resultados claros da cura de um ou mais pacientes, ou seja, o efeito terapêutico da psicanálise deixa muito a desejar (na minha opinião, mais do que ser ineficaz na cura a psicanálise pode mesmo ser prejudicial).
O número de casos em que Freud se baseou é extremamente limitado, não tendo existido, portanto, ampla comprovação das suas teorias em casos-prova concretos.
Resumindo, Webster classifica a psicanálise de pseudo-ciência porque o trabalho de Freud não cumpriu os mais básicos requisitos do método científico e o resultado final dificilmente pode ser classificado de "ciência".
Esta é uma das características da fase do ciclo em que nos encontramos. As teorias "sensação" desta era moderna, recebidas no início com um entusiasmo quase fanático, estão agora a ser contestadas e mesmo recusadas definitivamente. O turbilhão metamórfico do conhecimento científico actual deveria levar o espectador atento a questionar-se sobre o fundamento de toda a ciência moderna.
O problema principal da ciência moderna está na ausência de principios transcendentais.
A falsa questão "religião vs. ciência" tem-nos atormentado tempo a mais. Não se tratam de conceitos incompatíveis em absoluto. Tratam-se de dois domínios hierarquicamente diferentes da mesma Verdade. Contudo, a ciência moderna não deve iludir-se: sem estar apoiada em princípios transcententais não irá a lado nenhum. Andará em círculos, numa cadeia permanente de produção de novas teorias e subsequente refutação das mesmas.
Bernardo
Este livro é uma fortíssima crítica ao legado de Freud. Webster não é, obviamente, pioneiro na crítica a Freud. Inúmeros académicos já se tinham manifestado contra a psicanálise e a sua classificação como ciência.
Os argumentos de Webster são muitos, mas aqui ficam os mais importantes:
Freud destruiu registos e documentos numa clara tentativa de dificultar o trabalho dos biógrafos futuros.
Freud não foi original: Webster explica e expõe quem foram os seus inspiradores.
A psicanálise nunca produziu resultados claros da cura de um ou mais pacientes, ou seja, o efeito terapêutico da psicanálise deixa muito a desejar (na minha opinião, mais do que ser ineficaz na cura a psicanálise pode mesmo ser prejudicial).
O número de casos em que Freud se baseou é extremamente limitado, não tendo existido, portanto, ampla comprovação das suas teorias em casos-prova concretos.
Resumindo, Webster classifica a psicanálise de pseudo-ciência porque o trabalho de Freud não cumpriu os mais básicos requisitos do método científico e o resultado final dificilmente pode ser classificado de "ciência".
Esta é uma das características da fase do ciclo em que nos encontramos. As teorias "sensação" desta era moderna, recebidas no início com um entusiasmo quase fanático, estão agora a ser contestadas e mesmo recusadas definitivamente. O turbilhão metamórfico do conhecimento científico actual deveria levar o espectador atento a questionar-se sobre o fundamento de toda a ciência moderna.
O problema principal da ciência moderna está na ausência de principios transcendentais.
A falsa questão "religião vs. ciência" tem-nos atormentado tempo a mais. Não se tratam de conceitos incompatíveis em absoluto. Tratam-se de dois domínios hierarquicamente diferentes da mesma Verdade. Contudo, a ciência moderna não deve iludir-se: sem estar apoiada em princípios transcententais não irá a lado nenhum. Andará em círculos, numa cadeia permanente de produção de novas teorias e subsequente refutação das mesmas.
Bernardo
sexta-feira, 31 de outubro de 2003
SOBRE ESTA PEDRA
O Papa está a fazer uma coisa muito difícil, em que o “corpo é que paga”. Está a morrer diante de nós, depois de envelhecer diante de nós, restituindo a uma parte da vida, que escondemos em lares sórdidos para nosso conforto, uma dignidade essencial. É uma opção que muitos não compreenderam, porque têm o culto da juventude e da eficácia, da energia e da vitalidade, e não perceberam a última lucidez deste homem – a de nos devolver a integridade da vida toda.
O Papa é um dos homens de estado com maior influência na história do século XX, e, junto com Reagan, acabou com o império soviético. Mas não se ficou por aí: devolveu, pelo exemplo, à Igreja católica, uma imagem pública espiritual, que a burocratização do papado tinha perdido nos últimos séculos. A Igreja vai torná-lo santo rapidamente, mas desta vez o milagre está a ver-se todos os dias.
Pacheco Pereira
BLOG: Posted 18:35 by JPP em 01/10/2003
Abraço,
Duarte.
O Papa é um dos homens de estado com maior influência na história do século XX, e, junto com Reagan, acabou com o império soviético. Mas não se ficou por aí: devolveu, pelo exemplo, à Igreja católica, uma imagem pública espiritual, que a burocratização do papado tinha perdido nos últimos séculos. A Igreja vai torná-lo santo rapidamente, mas desta vez o milagre está a ver-se todos os dias.
Pacheco Pereira
BLOG: Posted 18:35 by JPP em 01/10/2003
Abraço,
Duarte.
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
A anarquia de alguns "estudantes"...
Quem me conhece sabe que tenho pouca paciência para estudantes contestatários.
Sobretudo no que toca ao eterno assunto das propinas.
"Estudantes de Letras de Lisboa interrompem reunião de Conselho Directivo", li hoje no Público...
«Os estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa interromperam hoje uma reunião do Conselho Directivo em que devia ser aprovado o valor das propinas para este ano, o que levou à suspensão do encontro. O mesmo aconteceu há uma semana, quando os alunos interromperam a mesma reunião.
Os estudantes recorrem a este expediente para mostrar a sua oposição à fixação de qualquer valor para a propina na faculdade em resposta ao "sucessivo desinvestimento do Estado no ensino superior", tendo em conta que a nova legislação atribui às universidades a responsabilidade de fixar o valor de propina anual.»
O caos a que isto chegou é bem claro. A interrupção de uma reunião do Conselho Directivo parece-me, a mim que sou antiquado, uma ofensa grave por parte de todos os que nela participem.
Castigos?
Sanções disciplinares para estes pequenos anarcas, para estes jovens revolucionários?
Não me parece que venham a fazê-las...
Os "estudantes" da Faculdade de Letras que participaram nesta fantochada, e que serão na esmagadora maioria iletrados, mostram desta maneira como estão claramente contra conceitos como autoridade, respeito, dignidade, obediência, decência, civismo, educação, JUSTIÇA, entre tantos outros.
Ao menos quando se interrompem as sessões parlamentares em São Bento lá surge a PSP para mostrar aos abusadores o caminho para a saída!
Bernardo
Sobretudo no que toca ao eterno assunto das propinas.
"Estudantes de Letras de Lisboa interrompem reunião de Conselho Directivo", li hoje no Público...
«Os estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa interromperam hoje uma reunião do Conselho Directivo em que devia ser aprovado o valor das propinas para este ano, o que levou à suspensão do encontro. O mesmo aconteceu há uma semana, quando os alunos interromperam a mesma reunião.
Os estudantes recorrem a este expediente para mostrar a sua oposição à fixação de qualquer valor para a propina na faculdade em resposta ao "sucessivo desinvestimento do Estado no ensino superior", tendo em conta que a nova legislação atribui às universidades a responsabilidade de fixar o valor de propina anual.»
O caos a que isto chegou é bem claro. A interrupção de uma reunião do Conselho Directivo parece-me, a mim que sou antiquado, uma ofensa grave por parte de todos os que nela participem.
Castigos?
Sanções disciplinares para estes pequenos anarcas, para estes jovens revolucionários?
Não me parece que venham a fazê-las...
Os "estudantes" da Faculdade de Letras que participaram nesta fantochada, e que serão na esmagadora maioria iletrados, mostram desta maneira como estão claramente contra conceitos como autoridade, respeito, dignidade, obediência, decência, civismo, educação, JUSTIÇA, entre tantos outros.
Ao menos quando se interrompem as sessões parlamentares em São Bento lá surge a PSP para mostrar aos abusadores o caminho para a saída!
Bernardo
terça-feira, 28 de outubro de 2003
J. K. Rowling e a Sociedade Teosófica
Que raio de título! Explico-me...
Volto de novo ao Harry Potter da escritora J. K. Rowling.
Não resisti a escrever estas linhas depois de saber que, na escola de feitiçaria de Hogwarts, é usado pelos alunos (não sei bem em que contexto, talvez numa aula) um livro de Adivinhação, obviamente ficcional, chamado "Unfogging the Future", cuja autora se chama Cassandra Vlabatsky.
Todos sabemos que J. K. Rowling tem especial mestria na escolha dos nomes dos lugares e das personagens, e que os usa como jogos de palavras e charadas verdadeiramente surpreendentes e de grande efeito cómico.
Agora, o nome escolhido por Rowling para a autora deste livro ficcional é um nome, no mínimo, muito suspeito.
Cassandra Vlabatsky?
Claro que o grande público, nomeadamente 99,9 % dos leitores de Rowling, não deve fazer ideia de quem foi Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), nem em que consistiu e consiste a sua Sociedade Teosófica.
A Sociedade Teosófica, fundada por Blavatsky, foi a percursora do New Age. Blavatsky introduziu no Ocidente uma verdadeira avalanche de pseudo-doutrinas que não são mais do que a deturpação consciente e desonesta das verdadeiras doutrinas orientais. Blavastky e a Sociedade Teosófica exerceram uma enorme influência, prejudicial, nas mentalidades do século XX, e sucede que hoje em dia já quase se esqueceu esta mulher e a sua obra infernal.
Não vou atacar os livros de J. K. Rowling, nem menosprezar as suas histórias, que admito serem bastante complexas e empolgantes, apesar de não fazerem parte dos meus gostos de leitura. É obviamente desejável recuperar a literatura de aventura e o entusiasmo pela leitura em si, sobretudo junto da juventude, e J. K. Rowling é, nesse aspecto, uma autora que merece destaque.
Agora, não posso deixar de questionar que motivações estarão por trás da escolha do nome Vlabatsky por parte de Rowling. Pura coincidência? A pura coincidência parece-me muito pouco provável. Se, por outro lado, Rowling conhece bem Blavatsky e a sua obra, e quis fazer uma charada com o seu nome, lanço aqui um alerta aos leitores, e sobretudo aos pais dos leitores: estejam atentos e informem-se sobre quem era Blavatsky e sobre o que ela fez.
Seria muito perigoso, sobretudo para os leitores mais novos, se J. K. Rowling estivesse a deixar "transpirar" para as suas obras, e para um público não preparado, os ideais e as teorias da Sociedade Teosófica. Repito, já é bastante suspeito que ela brinque com coisas sérias, fazendo a deturpação Blavatsky/Vlabatsky. Faz-me pensar o que achará J. K. Rowling das ideias de Blavatsky, e na inspiração que poderá ter tirado de obras desta como "The Secret Doctrine" ou "Isis Unveiled".
Espero estar a exagerar, mas aqui fica o aviso.
Bernardo
Volto de novo ao Harry Potter da escritora J. K. Rowling.
Não resisti a escrever estas linhas depois de saber que, na escola de feitiçaria de Hogwarts, é usado pelos alunos (não sei bem em que contexto, talvez numa aula) um livro de Adivinhação, obviamente ficcional, chamado "Unfogging the Future", cuja autora se chama Cassandra Vlabatsky.
Todos sabemos que J. K. Rowling tem especial mestria na escolha dos nomes dos lugares e das personagens, e que os usa como jogos de palavras e charadas verdadeiramente surpreendentes e de grande efeito cómico.
Agora, o nome escolhido por Rowling para a autora deste livro ficcional é um nome, no mínimo, muito suspeito.
Cassandra Vlabatsky?
Claro que o grande público, nomeadamente 99,9 % dos leitores de Rowling, não deve fazer ideia de quem foi Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), nem em que consistiu e consiste a sua Sociedade Teosófica.
A Sociedade Teosófica, fundada por Blavatsky, foi a percursora do New Age. Blavatsky introduziu no Ocidente uma verdadeira avalanche de pseudo-doutrinas que não são mais do que a deturpação consciente e desonesta das verdadeiras doutrinas orientais. Blavastky e a Sociedade Teosófica exerceram uma enorme influência, prejudicial, nas mentalidades do século XX, e sucede que hoje em dia já quase se esqueceu esta mulher e a sua obra infernal.
Não vou atacar os livros de J. K. Rowling, nem menosprezar as suas histórias, que admito serem bastante complexas e empolgantes, apesar de não fazerem parte dos meus gostos de leitura. É obviamente desejável recuperar a literatura de aventura e o entusiasmo pela leitura em si, sobretudo junto da juventude, e J. K. Rowling é, nesse aspecto, uma autora que merece destaque.
Agora, não posso deixar de questionar que motivações estarão por trás da escolha do nome Vlabatsky por parte de Rowling. Pura coincidência? A pura coincidência parece-me muito pouco provável. Se, por outro lado, Rowling conhece bem Blavatsky e a sua obra, e quis fazer uma charada com o seu nome, lanço aqui um alerta aos leitores, e sobretudo aos pais dos leitores: estejam atentos e informem-se sobre quem era Blavatsky e sobre o que ela fez.
Seria muito perigoso, sobretudo para os leitores mais novos, se J. K. Rowling estivesse a deixar "transpirar" para as suas obras, e para um público não preparado, os ideais e as teorias da Sociedade Teosófica. Repito, já é bastante suspeito que ela brinque com coisas sérias, fazendo a deturpação Blavatsky/Vlabatsky. Faz-me pensar o que achará J. K. Rowling das ideias de Blavatsky, e na inspiração que poderá ter tirado de obras desta como "The Secret Doctrine" ou "Isis Unveiled".
Espero estar a exagerar, mas aqui fica o aviso.
Bernardo
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