Do Público de hoje, a respeito de declarações de Condoleezza Rice:
«Em defesa da CIA, Rice afirmou que não é surpreendente que a Casa Branca se tenha enganado em relação ao Iraque, porque "era um país fechado, com muito secretismo, que estava a fazer tudo o que era possível para enganar as Nações Unidas e o mundo".»
Se não fosse um assunto muito grave, e se a intervenção armada dos E.U.A. no Iraque não fosse um grave crime de guerra, até que daria vontade de rir ao ler estas palavras da Sr.ª Rice...
Bernardo
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
Terrorismo e niilismo
Eis uma entrevista ao filósofo francês André Glucksmann, feita pelo Le Figaro, e extraída de "O Mundo Depois da Guerra no Iraque", da Relógio d'Água:
«AG: O terrorismo niilista não é uma especificidade muçulmana, é por isso que sou completamente contra a tese do conflito das civilizações entendido como uma guerra de religião. O niilismo é o denominador comum das grandes ideologias extreminadoras que temos conhecido e conhecemos. Nazismo, comunismo e islamismo vestem diferentemente a mesma pulsão de aniquilamento que permite também essas iniciativas mais individuais e locais.
LF: Em que consiste essa pulsão destruidora?
AG: O niilismo religioso reclama-se de um deus mais aniquilador do que criador; os niilistas sem Deus alinham com os outros pretextos como a raça, a história, para se dedicarem do mesmo modo a fazer "tabula rasa". As crenças variam, mas não o furor que as instrumentaliza. Quer seja muçulmano, judeu ou cristão, o religioso tradicional fica desorientado. Ultrapassado.
LF: No fundo, essa pulsão destruidora tem pouco a ver com a religião?
AG: Estamos perante uma dissolução da religião, muito mais do que perante a sua afirmação fanática. A essência do niilismo não é religiosa.
(...)»
As palavras de Glucksmann estão plenas de lucidez.
O que ele chama de "niilismo" é o que eu referi aqui há meses como "anti-tradição" no contexto da "Idade Escura" dos hindus.
A crise do mundo moderno, em todas as suas vertentes, tem a sua razão profundamente enraizada em motivações anti-tradicionais, ou como diz Glucksmann, motivações "niilistas", que de facto nada têm de religiosas.
Bernardo
«AG: O terrorismo niilista não é uma especificidade muçulmana, é por isso que sou completamente contra a tese do conflito das civilizações entendido como uma guerra de religião. O niilismo é o denominador comum das grandes ideologias extreminadoras que temos conhecido e conhecemos. Nazismo, comunismo e islamismo vestem diferentemente a mesma pulsão de aniquilamento que permite também essas iniciativas mais individuais e locais.
LF: Em que consiste essa pulsão destruidora?
AG: O niilismo religioso reclama-se de um deus mais aniquilador do que criador; os niilistas sem Deus alinham com os outros pretextos como a raça, a história, para se dedicarem do mesmo modo a fazer "tabula rasa". As crenças variam, mas não o furor que as instrumentaliza. Quer seja muçulmano, judeu ou cristão, o religioso tradicional fica desorientado. Ultrapassado.
LF: No fundo, essa pulsão destruidora tem pouco a ver com a religião?
AG: Estamos perante uma dissolução da religião, muito mais do que perante a sua afirmação fanática. A essência do niilismo não é religiosa.
(...)»
As palavras de Glucksmann estão plenas de lucidez.
O que ele chama de "niilismo" é o que eu referi aqui há meses como "anti-tradição" no contexto da "Idade Escura" dos hindus.
A crise do mundo moderno, em todas as suas vertentes, tem a sua razão profundamente enraizada em motivações anti-tradicionais, ou como diz Glucksmann, motivações "niilistas", que de facto nada têm de religiosas.
Bernardo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2004
Reis Magos
Ontem foi dia de Reis.
Como sucede todos os anos, a imprensa recuperou a eterna questão da estrela. "Que estrela seria? Em que dia e em que mês teria sido vista?".
Contudo, o episódio da visita dos Reis Magos a Jesus traz em si uma mensagem muito mais importante do que uma aula de astronomia. Mais uma vez, é o intenso e profundo simbolismo do episódio que parece nunca ganhar a atenção e a compreensão merecidas.
Por isso, socorro-me de novo da obra de René Guénon:
"A este propósito, precisaremos também um ponto que parece nunca ter sido explicado de uma maneira satisfatória, e que, não obstante, é muito importante: fizemos alusão anteriormente aos «Reis Magos» do Evangelho, como unindo em si os dois poderes; diremos agora que estes personagens misteriosos representam na realidade nada mais que os três representantes do Agartha. O Mahânga oferece a Cristo o ouro e saúda-o como «Rei»; o Mahâtma oferece-lhe o incenso e saúda-o como «Sacerdote»; e finalmente, o Brahmâtmâ oferece-lhe a mirra (o bálsamo da incorruptibilidade, imagem do Amritâ) e saúda-o como «Profeta», o Mestre espiritual por excelência.
A homenagem rendida assim a Cristo nascido, nos três mundos que são os seus domínios respectivos, pelos representantes autênticos da tradição primordial, é ao mesmo tempo, observe-se bem, a prova da perfeita ortodoxia do Cristianismo em relação a esta." - René Guénon, "Le Roi du Monde", citado de Textos Tradicionales.
É esta a mensagem essencial e profunda da visita dos Reis Magos ao menino Jesus acabado de nascer, e que mostra o Cristianismo nascente pela pessoa de Jesus como uma tradição viva, autêntica e perene.
Bernardo
Como sucede todos os anos, a imprensa recuperou a eterna questão da estrela. "Que estrela seria? Em que dia e em que mês teria sido vista?".
Contudo, o episódio da visita dos Reis Magos a Jesus traz em si uma mensagem muito mais importante do que uma aula de astronomia. Mais uma vez, é o intenso e profundo simbolismo do episódio que parece nunca ganhar a atenção e a compreensão merecidas.
Por isso, socorro-me de novo da obra de René Guénon:
"A este propósito, precisaremos também um ponto que parece nunca ter sido explicado de uma maneira satisfatória, e que, não obstante, é muito importante: fizemos alusão anteriormente aos «Reis Magos» do Evangelho, como unindo em si os dois poderes; diremos agora que estes personagens misteriosos representam na realidade nada mais que os três representantes do Agartha. O Mahânga oferece a Cristo o ouro e saúda-o como «Rei»; o Mahâtma oferece-lhe o incenso e saúda-o como «Sacerdote»; e finalmente, o Brahmâtmâ oferece-lhe a mirra (o bálsamo da incorruptibilidade, imagem do Amritâ) e saúda-o como «Profeta», o Mestre espiritual por excelência.
A homenagem rendida assim a Cristo nascido, nos três mundos que são os seus domínios respectivos, pelos representantes autênticos da tradição primordial, é ao mesmo tempo, observe-se bem, a prova da perfeita ortodoxia do Cristianismo em relação a esta." - René Guénon, "Le Roi du Monde", citado de Textos Tradicionales.
É esta a mensagem essencial e profunda da visita dos Reis Magos ao menino Jesus acabado de nascer, e que mostra o Cristianismo nascente pela pessoa de Jesus como uma tradição viva, autêntica e perene.
Bernardo
domingo, 4 de janeiro de 2004
A "linhagem" de Jesus
Deu hoje no Canal História um documentário, que suponho seja já antigo e repetido, sobre a eterna especulação em torno das hipóteses fantasiosas de uma descendência humana de Jesus.
Pergunto-me quantos foram os espectadores, sentados no conforto de suas casas, que se deram conta do fraquíssimo conteúdo histórico deste documentário? Não terá o Canal História como objectivo a divulgação da (verdadeira) História?
Todo o documentário gira à volta de expressões como "diz-se que..." ou "pensa-se que...". Mas quem diz? Quem pensa?
Ao que parece, ninguém "pensa" neste documentário, visto estar cheio de falsidades.
Eis apenas algumas:
Jesus casou com Maria Madalena e teve descendência. Esta descendência, a chamada "linhagem sagrada", veio dar origem à primeira dinastia da actual França, os Merovíngios. Os cavaleiros Templários, eternamente arrastados para todo o tipo de especulações pseudo-esotéricas, teriam como principal função a "protecção da linhagem".
Os erros grosseiros do documentário são tantos que demoriaria muito mais tempo a corrigi-los que deu a cometê-los.
Godofredo de Bulhão, campeão da Cruzada que tomou Jerusalém em 1099, surge como figura de proa na tomada de Jerusalém, segundo o documentário, porque "era da linhagem de Jesus".
Claro que a Igreja Católica, o eterno inimigo, quando ataca os hereges cátaros no século XIII está, segundo o documentário, a atacar a "linhagem", verdadeira ameaça para o poder católico instituido.
Chega-se ao ponto de sugerir que o trovador germânico Wolfram von Eschenbach (séc. XIII), no seu Parzival, aludia à "linhagem sagrada" quando falava nos cavaleiros do Graal.
Numa deturpação abusiva, "santo graal" passa a "sangraal" ou seja "sang raal". Daqui, salta-se para "sang real".
Assim, o Graal seria o "sangue real" de Jesus, a sua dinastia perpetuada secretamente através de 2.000 anos de História. E o inimigo desta dinastia seria, claro, a Igreja Católica, usurpadora do poder que pertenceria por direito a esta "linhagem sagrada". Como não ver nestas teorias, para além do interesse económico de editoras e canais televisivos sem escrúpulos, uma agenda anti-católica clara e evidente? Baseada na ignorância generalizada da opinião pública em relação a estes assuntos?
Tudo isto transpira, é claro, às fantasias modernas do Prieuré de Sion e da mitologia moderna de Rennes-le-Château. Todo o suporte pseudo-histórico deste documentário foi inventado há menos de 50 anos atrás.
Fica aqui o aviso: cuidado com a péssima qualidade dos documentários do Canal História. Pergunto-me que objectivos terá o Canal História para permitir que material de tão má qualidade e tão tendencioso possa ter direito a aparecer num Domingo à tarde, como documentário para toda a família assistir...
Enfim, já quase não há nada no cenário audiovisual moderno em que se possa verdadeiramente confiar e que esteja isento de "agendas"...
Bernardo
Pergunto-me quantos foram os espectadores, sentados no conforto de suas casas, que se deram conta do fraquíssimo conteúdo histórico deste documentário? Não terá o Canal História como objectivo a divulgação da (verdadeira) História?
Todo o documentário gira à volta de expressões como "diz-se que..." ou "pensa-se que...". Mas quem diz? Quem pensa?
Ao que parece, ninguém "pensa" neste documentário, visto estar cheio de falsidades.
Eis apenas algumas:
Jesus casou com Maria Madalena e teve descendência. Esta descendência, a chamada "linhagem sagrada", veio dar origem à primeira dinastia da actual França, os Merovíngios. Os cavaleiros Templários, eternamente arrastados para todo o tipo de especulações pseudo-esotéricas, teriam como principal função a "protecção da linhagem".
Os erros grosseiros do documentário são tantos que demoriaria muito mais tempo a corrigi-los que deu a cometê-los.
Godofredo de Bulhão, campeão da Cruzada que tomou Jerusalém em 1099, surge como figura de proa na tomada de Jerusalém, segundo o documentário, porque "era da linhagem de Jesus".
Claro que a Igreja Católica, o eterno inimigo, quando ataca os hereges cátaros no século XIII está, segundo o documentário, a atacar a "linhagem", verdadeira ameaça para o poder católico instituido.
Chega-se ao ponto de sugerir que o trovador germânico Wolfram von Eschenbach (séc. XIII), no seu Parzival, aludia à "linhagem sagrada" quando falava nos cavaleiros do Graal.
Numa deturpação abusiva, "santo graal" passa a "sangraal" ou seja "sang raal". Daqui, salta-se para "sang real".
Assim, o Graal seria o "sangue real" de Jesus, a sua dinastia perpetuada secretamente através de 2.000 anos de História. E o inimigo desta dinastia seria, claro, a Igreja Católica, usurpadora do poder que pertenceria por direito a esta "linhagem sagrada". Como não ver nestas teorias, para além do interesse económico de editoras e canais televisivos sem escrúpulos, uma agenda anti-católica clara e evidente? Baseada na ignorância generalizada da opinião pública em relação a estes assuntos?
Tudo isto transpira, é claro, às fantasias modernas do Prieuré de Sion e da mitologia moderna de Rennes-le-Château. Todo o suporte pseudo-histórico deste documentário foi inventado há menos de 50 anos atrás.
Fica aqui o aviso: cuidado com a péssima qualidade dos documentários do Canal História. Pergunto-me que objectivos terá o Canal História para permitir que material de tão má qualidade e tão tendencioso possa ter direito a aparecer num Domingo à tarde, como documentário para toda a família assistir...
Enfim, já quase não há nada no cenário audiovisual moderno em que se possa verdadeiramente confiar e que esteja isento de "agendas"...
Bernardo
sexta-feira, 2 de janeiro de 2004
As cartas anónimas
É a indignação no PS relativamente ao mais recente fait-divers do caso Casa Pia:
Veja-se o que diz o Público:
«"Dizer-se que a situação é gravíssima, não chega por ser pouco", comentou hoje à Lusa um dos principais dirigentes do PS.».
Também não seria para mais, dada a situação. O magistrado João Guerra decidiu incluir no dossier do processo duas cartas anónimas que implicam Jorge Sampaio e António Vitorino, duas personalidades consideradas pela opinião pública como acima de qualquer suspeita.
Contudo, há que ter sempre a mais alta precaução relativamente a tudo o que sai da Comunicação Social, porque já nada é fiável. Neste caso, a Procuradoria Geral da República já emitiu um comunicado em que confirma a anexação das ditas cartas, mas afirmando que nem o Presidente da República nem o comissário europeu tiveram qualquer relação com a matéria investigada.
A inclusão de documentos "irrelevantes" (foi esta a expressão usada por João Guerra) num processo não é permitida pela lei. Por isso, parece-me pertinente enumerar as possíveis explicações, caso seja verdade que João Guerra o tenha mesmo feito. Primeiro, partamos do acto em si:
A) a inclusão dos documentos é totalmente ilegal, sem lugar a qualquer excepção;
B) existem determinadas situações em que tal acção pode ser legítima, e João Guerra poderá escudar-se atrás destas.
Deixo a opção B para quem sabe de Direito, que não é o meu caso.
Se, segundo alguma Comunicação Social, a opção A está correcta, então podemos ir mais além, enumerando as possíveis explicações:
1. Uma pura e inocente distracção levou ao cometimento de uma ilegalidade, ou seja, a inclusão de documentos irrelevantes para o processo;
2. A inclusão das cartas foi um acto pensado, e João Guerra não sabia que estava a incorrer numa ilegalidade;
3. A inclusão das cartas foi um acto pensado, e João Guerra sabia que estava a incorrer numa ilegalidade.
Não existem mais possibilidades.
As opções 1 e 2 parecem-nos estranhas, porque nos levariam a duvidar da competência do magistrado.
A opção 3 leva-nos a questionar que razões levaram o magistrado a cometer uma ilegalidade, se os documentos eram, como ele o diz, "irrelevantes".
O que se pode verificar é que qualquer uma das opções enfraquece sempre o processo e a credibilidade da Justiça.
Seja como for, há um facto que sobressai de todo este infeliz incidente: a inclusão de nomes que a opinião pública coloca acima de qualquer suspeita é um forte golpe no processo Casa Pia.
Se João Guerra fez uma ilegalidade premeditada, quem ganha com isso?
Bernardo
Veja-se o que diz o Público:
«"Dizer-se que a situação é gravíssima, não chega por ser pouco", comentou hoje à Lusa um dos principais dirigentes do PS.».
Também não seria para mais, dada a situação. O magistrado João Guerra decidiu incluir no dossier do processo duas cartas anónimas que implicam Jorge Sampaio e António Vitorino, duas personalidades consideradas pela opinião pública como acima de qualquer suspeita.
Contudo, há que ter sempre a mais alta precaução relativamente a tudo o que sai da Comunicação Social, porque já nada é fiável. Neste caso, a Procuradoria Geral da República já emitiu um comunicado em que confirma a anexação das ditas cartas, mas afirmando que nem o Presidente da República nem o comissário europeu tiveram qualquer relação com a matéria investigada.
A inclusão de documentos "irrelevantes" (foi esta a expressão usada por João Guerra) num processo não é permitida pela lei. Por isso, parece-me pertinente enumerar as possíveis explicações, caso seja verdade que João Guerra o tenha mesmo feito. Primeiro, partamos do acto em si:
A) a inclusão dos documentos é totalmente ilegal, sem lugar a qualquer excepção;
B) existem determinadas situações em que tal acção pode ser legítima, e João Guerra poderá escudar-se atrás destas.
Deixo a opção B para quem sabe de Direito, que não é o meu caso.
Se, segundo alguma Comunicação Social, a opção A está correcta, então podemos ir mais além, enumerando as possíveis explicações:
1. Uma pura e inocente distracção levou ao cometimento de uma ilegalidade, ou seja, a inclusão de documentos irrelevantes para o processo;
2. A inclusão das cartas foi um acto pensado, e João Guerra não sabia que estava a incorrer numa ilegalidade;
3. A inclusão das cartas foi um acto pensado, e João Guerra sabia que estava a incorrer numa ilegalidade.
Não existem mais possibilidades.
As opções 1 e 2 parecem-nos estranhas, porque nos levariam a duvidar da competência do magistrado.
A opção 3 leva-nos a questionar que razões levaram o magistrado a cometer uma ilegalidade, se os documentos eram, como ele o diz, "irrelevantes".
O que se pode verificar é que qualquer uma das opções enfraquece sempre o processo e a credibilidade da Justiça.
Seja como for, há um facto que sobressai de todo este infeliz incidente: a inclusão de nomes que a opinião pública coloca acima de qualquer suspeita é um forte golpe no processo Casa Pia.
Se João Guerra fez uma ilegalidade premeditada, quem ganha com isso?
Bernardo
terça-feira, 30 de dezembro de 2003
Fudamentalismo
É interessante o artigo de opinião de Eduardo Prado Coelho, no Público, intitulado "Teoria dos Sinais".
O artigo discorre sobre o cansaço geral relativamente à já massacrada questão da penalização da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez).
Alguns dos comentários deixaram-me perplexo. A dada altura, Prado Coelho diz que um dos lados começa a "abrir fissuras". Refere-se, claro, ao campo do "Não".
É certo que esse será o lado que abrirá fissuras. Melhor, esse lado cairá totalmente. Será mais um dos claros sinais dos tempos em que vivemos, desta triste Idade Escura.
Contudo, cairá, esperemos, com dignidade.
E a dignidade está, por exemplo, em apontar e identificar a iniquidade de algumas ideias.
Como, por exemplo, quando Prado Coelho se aproveita da triste frase do Bispo do Porto.
Ou quando o comentador diz, por exemplo, que "a lei não pode decidir sobre algo que diz respeito à consciência de cada um face a dados científicos e filosóficos que são manifestamente controversos e que podem ser susceptíveis de interpretações diversas". Muito bem!
Sugeria que fosse feita a mesma ilacção em relação a outras "interrupções voluntárias", como por exemplo, o suicídio (já vem a caminho a Eutanásia), ou até mesmo o homicídio.
"O homicídio não!", reagiriam chocados os partidários da despenalização da IVG. Mas não se dão conta de que o fundo da questão é o mesmo. Não se trata de liberdade de consciência coisa nenhuma! Trata-se de protecção legal para um ser humano ainda não nascido.
A certo ponto, Prado Coelho teoriza que "os que se opõem à despenalização do aborto começam a ter dúvidas e a deixar entrever que estão dispostos a ceder na prática para poderem manter uma posição de princípio no campo dos valores". Como diz que disse? O que é isto de "ceder na prática"? Se se trata de uma posição de princípio, seria imbecil fazer concessões de natureza "prática" ou pragmática.
Prado Coelho está com este artigo de opinião, sublinhe-se, a criticar uma crónica de José António Saraiva, do Expresso.
Entre vários pontos desta crítica do que chamou "Teoria dos Sinais", Prado Coelho critica, e com razão, que José António Saraiva diga que ninguém pretende "punir as mulheres que abortam". Segundo Prado Coelho, nenhuma lei deve ser feita para "dar sinais" à sociedade.
Concordo com esta crítica a José António Saraiva, porque a postura deste último deixou-o encurralado num beco argumentativo. Mas discordo profundamente do sentido que Prado Coelho quer dar a esta crítica!
Concordo que todas as leis sejam aplicadas.
Se há uma pena associada à violação de uma lei, pois então, nada mais natural que punir o infractor. Parece-me uma questão básica em termos de Direito.
Como também, para comentar outra polémica, não me perturba nada a redução da pena feita pelo Senhor Presidente da República a uma das condenadas pela prática ilegal da IVG. Trata-se de um procedimento normal.
Bernardo
P.S.: Apenas mais uma nota, relativa ao uso da palavra "fundamentalismo"... Quem tem Prado Coelho contra o fundamentalismo? Como a palavra indica, trata-se de uma postura assente em fundamentos! Talvez tivesse sido mais adequado usar a expressão "fanatismo", se bem que eu acho que a postura conservadora do "Não" nada tem de fanática em si, apesar de algumas demonstrações esporádicas e marginais de fanatismo, que infelizmente existem sempre.
O artigo discorre sobre o cansaço geral relativamente à já massacrada questão da penalização da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez).
Alguns dos comentários deixaram-me perplexo. A dada altura, Prado Coelho diz que um dos lados começa a "abrir fissuras". Refere-se, claro, ao campo do "Não".
É certo que esse será o lado que abrirá fissuras. Melhor, esse lado cairá totalmente. Será mais um dos claros sinais dos tempos em que vivemos, desta triste Idade Escura.
Contudo, cairá, esperemos, com dignidade.
E a dignidade está, por exemplo, em apontar e identificar a iniquidade de algumas ideias.
Como, por exemplo, quando Prado Coelho se aproveita da triste frase do Bispo do Porto.
Ou quando o comentador diz, por exemplo, que "a lei não pode decidir sobre algo que diz respeito à consciência de cada um face a dados científicos e filosóficos que são manifestamente controversos e que podem ser susceptíveis de interpretações diversas". Muito bem!
Sugeria que fosse feita a mesma ilacção em relação a outras "interrupções voluntárias", como por exemplo, o suicídio (já vem a caminho a Eutanásia), ou até mesmo o homicídio.
"O homicídio não!", reagiriam chocados os partidários da despenalização da IVG. Mas não se dão conta de que o fundo da questão é o mesmo. Não se trata de liberdade de consciência coisa nenhuma! Trata-se de protecção legal para um ser humano ainda não nascido.
A certo ponto, Prado Coelho teoriza que "os que se opõem à despenalização do aborto começam a ter dúvidas e a deixar entrever que estão dispostos a ceder na prática para poderem manter uma posição de princípio no campo dos valores". Como diz que disse? O que é isto de "ceder na prática"? Se se trata de uma posição de princípio, seria imbecil fazer concessões de natureza "prática" ou pragmática.
Prado Coelho está com este artigo de opinião, sublinhe-se, a criticar uma crónica de José António Saraiva, do Expresso.
Entre vários pontos desta crítica do que chamou "Teoria dos Sinais", Prado Coelho critica, e com razão, que José António Saraiva diga que ninguém pretende "punir as mulheres que abortam". Segundo Prado Coelho, nenhuma lei deve ser feita para "dar sinais" à sociedade.
Concordo com esta crítica a José António Saraiva, porque a postura deste último deixou-o encurralado num beco argumentativo. Mas discordo profundamente do sentido que Prado Coelho quer dar a esta crítica!
Concordo que todas as leis sejam aplicadas.
Se há uma pena associada à violação de uma lei, pois então, nada mais natural que punir o infractor. Parece-me uma questão básica em termos de Direito.
Como também, para comentar outra polémica, não me perturba nada a redução da pena feita pelo Senhor Presidente da República a uma das condenadas pela prática ilegal da IVG. Trata-se de um procedimento normal.
Bernardo
P.S.: Apenas mais uma nota, relativa ao uso da palavra "fundamentalismo"... Quem tem Prado Coelho contra o fundamentalismo? Como a palavra indica, trata-se de uma postura assente em fundamentos! Talvez tivesse sido mais adequado usar a expressão "fanatismo", se bem que eu acho que a postura conservadora do "Não" nada tem de fanática em si, apesar de algumas demonstrações esporádicas e marginais de fanatismo, que infelizmente existem sempre.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
A Time dá uma ajuda a Dan Brown
Na edição desta semana, a Time traz o seguinte artigo: "The Lost Gospels".
Fala-se no artigo da crescente popularidade dos "evangelhos proibidos", os apócrifos. O artigo discorre sobre a forma como o universo multimédia está cada vez mais a ressuscitar velhas heresias como o gnosticismo. E dá dois exemplos: a trilogia cinematográfica "Matrix" dos irmãos Wachowsky, e o inevitável best-seller instantâneo "The Da Vinci Code" de Dan Brown.
Contudo, como sempre, a Time dá os seus típicos "toques" de parcialidade. A certa altura, o artigo cita um excerto do Evangelho de Pedro, um dos apócrifos. Após a citação, vem este trecho:
«You probably haven't heard of [The Gospel of] Peter because by A.D. 350 church fathers had tarred it as heresy, along with dozens of other early Scriptures with names like the Gospel of Mary, the Acts of John, the Homilies of Clement, and the Gospel of Truth. Thus Peter and the others languished in ignominy, more or less forgotten.»
Não percebo qual é o problema que alguma mentalidade moderna tem com a questão das heresias e dos textos apócrifos.
Do mesmo modo que, no trabalho científico moderno, se rebatem teses absurdas, eliminando-as para subsistirem as mais válidas, também em Teologia se fez este importante trabalho de destrinçar a falsidade da verdade.
O facto de estes erros terem sido condenados há 1.700 anos, sem nunca mais terem sido readmitidos, deveria servir de comprovativo da estabilidade da doutrina.
O preconceito anti-clerical revolve frequentemente em torno da ideia de que a religião católica funciona com base no binómio "poder das autoridades" versus "massa de fiéis ignorantes e crédulos". Por isso, sucede que, de vez em quando, lá temos que suportar estas posturas pseudo-intelectuais de quem diz vir em socorro dos fiéis, enganados por uma Igreja tirana, falsa e déspota.
Não vou sequer debruçar-me sobre o tema da sexualidade de Jesus.
É bem sabido que alguns textos apócrifos mencionam, com margem para dúvidas, uma relação entre Jesus e Maria Madalena. Contudo, não foi tanto por isso que a Igreja Católica os rejeitou, mas sobretudo pelos seus erros teológicos.
Mais adiante no artigo, a Time "recupera" algumas posturas heréticas: a dos Ebionitas, a dos Marcionitas, e sobretudo a dos Gnósticos, que é a mais popular nos dias que correm.
Numa mensagem posterior, escreverei sobre estas heresias, para explicar sucintamente porque é que elas constituem graves erros teológicos, e porque é que os textos que as reflectiam não foram incluídos no cânone da Igreja.
Bernardo
Fala-se no artigo da crescente popularidade dos "evangelhos proibidos", os apócrifos. O artigo discorre sobre a forma como o universo multimédia está cada vez mais a ressuscitar velhas heresias como o gnosticismo. E dá dois exemplos: a trilogia cinematográfica "Matrix" dos irmãos Wachowsky, e o inevitável best-seller instantâneo "The Da Vinci Code" de Dan Brown.
Contudo, como sempre, a Time dá os seus típicos "toques" de parcialidade. A certa altura, o artigo cita um excerto do Evangelho de Pedro, um dos apócrifos. Após a citação, vem este trecho:
«You probably haven't heard of [The Gospel of] Peter because by A.D. 350 church fathers had tarred it as heresy, along with dozens of other early Scriptures with names like the Gospel of Mary, the Acts of John, the Homilies of Clement, and the Gospel of Truth. Thus Peter and the others languished in ignominy, more or less forgotten.»
Não percebo qual é o problema que alguma mentalidade moderna tem com a questão das heresias e dos textos apócrifos.
Do mesmo modo que, no trabalho científico moderno, se rebatem teses absurdas, eliminando-as para subsistirem as mais válidas, também em Teologia se fez este importante trabalho de destrinçar a falsidade da verdade.
O facto de estes erros terem sido condenados há 1.700 anos, sem nunca mais terem sido readmitidos, deveria servir de comprovativo da estabilidade da doutrina.
O preconceito anti-clerical revolve frequentemente em torno da ideia de que a religião católica funciona com base no binómio "poder das autoridades" versus "massa de fiéis ignorantes e crédulos". Por isso, sucede que, de vez em quando, lá temos que suportar estas posturas pseudo-intelectuais de quem diz vir em socorro dos fiéis, enganados por uma Igreja tirana, falsa e déspota.
Não vou sequer debruçar-me sobre o tema da sexualidade de Jesus.
É bem sabido que alguns textos apócrifos mencionam, com margem para dúvidas, uma relação entre Jesus e Maria Madalena. Contudo, não foi tanto por isso que a Igreja Católica os rejeitou, mas sobretudo pelos seus erros teológicos.
Mais adiante no artigo, a Time "recupera" algumas posturas heréticas: a dos Ebionitas, a dos Marcionitas, e sobretudo a dos Gnósticos, que é a mais popular nos dias que correm.
Numa mensagem posterior, escreverei sobre estas heresias, para explicar sucintamente porque é que elas constituem graves erros teológicos, e porque é que os textos que as reflectiam não foram incluídos no cânone da Igreja.
Bernardo
terça-feira, 16 de dezembro de 2003
De novo à carga...
Depois de uma longa ausência, justificada pelos melhores motivos, regresso com uma referência a um artigo que surgiu na edição desta semana da revista "U.S News", intitulado "The Jesus Code - Americans may be unique in revising the Christ story to get back to the original human preacher".
É um artigo muito preocupante, mas que só espanta os mais distraídos.
Tudo gira à volta de um romance de Dan Brown, que se está a tornar rapidamente num best-seller, chamado "The Da Vinci Code". Para quem conhece os meandros do mistério de Rennes-le-Château, tudo isto não será novo. Durante largos anos dediquei-me, e ainda o faço, a este mistério. Por isso, livros como o de Dan Brown, francamente, têm um estilo que já me enjoa. Já não se pode mais com as teorias do "segredo que a Igreja ocultou", do Jesus que casou com Maria Madalena, do Jesus que teve filhos, enfim, com a típica lista interminável de hipóteses revisionistas, feitas para causar escândalo, provocar o êxodo em massa dos crentes que ainda restam, e para gerar lucros aos autores e editores.
Dan Brown é tudo menos inovador. Há duas décadas atrás, o trio Michael Baigent, Henry Lincoln e Richard Leigh, autores do explosivo "The Holy Blood and the Holy Grail", avançava com exactamente as mesmas teorias, mas na forma de obra documental, o que é consideravelmente mais grave.
O livro de Dan Brown é um romance. Por isso, o autor pode escudar-se atrás do argumento de que a obra é ficcional.
O enredo, confesso que não o conheço com detalhe, gira à volta do tal segredo que a Igreja Católica ocultou. Na trama de Brown, a protecção e ocultação deste segredo está a cargo do Opus Dei. Como se lê no referido artigo, o "timing" é muito oportuno, numa altura em que os Estados Unidos estão a braços com os escândalos da Igreja Católica norte-americana. Mas não há qualquer base real na trama deste romance, o que o torna muito perigoso para os 4,3 milhões (número de cópias a colocar à venda) de potenciais compradores pelo mundo fora.
Insinua-se gratuitamente que a Igreja Católica é um covil de farsários, que se dedicam há 2 milénios a uma profunda e sofisticada fraude sobre a pessoa de Jesus. Ainda bem que surgiu o cérebro evoluido do senhor Dan Brown para, finalmente, depois de 2 mil anos de enganos e ilusões, ser detectada esta grande fraude.
Bem sei que estamos a falar de um romance, mas este deveria ganhar um prémio de subtileza. As hipóteses usadas por Brown na sua trama são tão subtis como um elefante numa loja de cristais.
Ao longo dos próximos dias regressarei a este tema, visto que considero o livro de Dan Brown tão perigoso que nunca será demais falar sobre o assunto. Até porque este best-seller será eventualmente publicado em português dentro de pouco tempo.
Para terminar, um aviso: o já velhinho livro de Baigent, Leigh e Lincoln foi recentemente reeditado em português. É uma obra a evitar, a não ser pelos interessados no pitoresco universo alucinado criado pelos seus autores. Trata-se de uma obra cujos danos intelectuais demorarão décadas a recuperar. O recente livro de Dan Brown piora, obviamente, ainda mais esta triste situação.
Concordo com o U.S. News, "americans are unique". Então em matéria de religião...
Bernardo
É um artigo muito preocupante, mas que só espanta os mais distraídos.
Tudo gira à volta de um romance de Dan Brown, que se está a tornar rapidamente num best-seller, chamado "The Da Vinci Code". Para quem conhece os meandros do mistério de Rennes-le-Château, tudo isto não será novo. Durante largos anos dediquei-me, e ainda o faço, a este mistério. Por isso, livros como o de Dan Brown, francamente, têm um estilo que já me enjoa. Já não se pode mais com as teorias do "segredo que a Igreja ocultou", do Jesus que casou com Maria Madalena, do Jesus que teve filhos, enfim, com a típica lista interminável de hipóteses revisionistas, feitas para causar escândalo, provocar o êxodo em massa dos crentes que ainda restam, e para gerar lucros aos autores e editores.
Dan Brown é tudo menos inovador. Há duas décadas atrás, o trio Michael Baigent, Henry Lincoln e Richard Leigh, autores do explosivo "The Holy Blood and the Holy Grail", avançava com exactamente as mesmas teorias, mas na forma de obra documental, o que é consideravelmente mais grave.
O livro de Dan Brown é um romance. Por isso, o autor pode escudar-se atrás do argumento de que a obra é ficcional.
O enredo, confesso que não o conheço com detalhe, gira à volta do tal segredo que a Igreja Católica ocultou. Na trama de Brown, a protecção e ocultação deste segredo está a cargo do Opus Dei. Como se lê no referido artigo, o "timing" é muito oportuno, numa altura em que os Estados Unidos estão a braços com os escândalos da Igreja Católica norte-americana. Mas não há qualquer base real na trama deste romance, o que o torna muito perigoso para os 4,3 milhões (número de cópias a colocar à venda) de potenciais compradores pelo mundo fora.
Insinua-se gratuitamente que a Igreja Católica é um covil de farsários, que se dedicam há 2 milénios a uma profunda e sofisticada fraude sobre a pessoa de Jesus. Ainda bem que surgiu o cérebro evoluido do senhor Dan Brown para, finalmente, depois de 2 mil anos de enganos e ilusões, ser detectada esta grande fraude.
Bem sei que estamos a falar de um romance, mas este deveria ganhar um prémio de subtileza. As hipóteses usadas por Brown na sua trama são tão subtis como um elefante numa loja de cristais.
Ao longo dos próximos dias regressarei a este tema, visto que considero o livro de Dan Brown tão perigoso que nunca será demais falar sobre o assunto. Até porque este best-seller será eventualmente publicado em português dentro de pouco tempo.
Para terminar, um aviso: o já velhinho livro de Baigent, Leigh e Lincoln foi recentemente reeditado em português. É uma obra a evitar, a não ser pelos interessados no pitoresco universo alucinado criado pelos seus autores. Trata-se de uma obra cujos danos intelectuais demorarão décadas a recuperar. O recente livro de Dan Brown piora, obviamente, ainda mais esta triste situação.
Concordo com o U.S. News, "americans are unique". Então em matéria de religião...
Bernardo
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
A guerra contra o terrorismo
Bem a propósito do atentado do dia de hoje em Istambul, aqui deixo um artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares.
"Que Alá seja misericordioso!"
Para ler, e reler...
Bernardo
"Que Alá seja misericordioso!"
Para ler, e reler...
Bernardo
quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Atlântida
A existência da Atlântida é um tema sempre polémico.
Não podemos, contudo, deixar que a eufórica tendência "New Age", sempre pronta para alucinações e fantasias, nos "tape a vista", fazendo-nos recusar a hipótese.
A postura do cepticismo radical, em relação a esta questão da Atlândida mas não só, sempre me pareceu irracional. É certo que, quando Platão escreveu sobre o continente perdido, já a história da Atlântida era um eco distante. Contudo, nada nos escritos de Platão nos faz pensar que este duvidasse da sua existência.
Hoje saiu no Público uma notícia deveras interessante:
"Especialistas situam a Atlântida em extremos opostos do Mediterrâneo"
Deixo a questão da localização da Atlântida para os arqueólogos.
O que me interessa afirmar aqui é que recusar a existência do continente é mais perigoso do que aceitá-la, visto que temos os relatos fiáveis de Platão, já para não falar na tradição oral.
A Terra pode mudar radicalmente em poucos milhares de anos.
Se sucedesse hoje um cataclismo à escala mundial, e a civilização ocidental como a conhecemos desaparecesse de vez, dentro de alguns milhares de anos tudo voltaria a ser paisagem selvagem.
O fundo dos mares, bem como a história da humanidade para lá dos 10.000 anos antes de Cristo, são dois abismos de desconhecimento profundo para a ciência moderna.
Aqueles que ridicularizam estas tentativas arqueológicas deveriam lembrar-se de que o mesmo foi feito no século XIX a Heinrich Schliemann quando este disse que iria encontrar Tróia só com base nos escritos de Homero.
Schilemann encontrou Tróia.
Bernardo
Não podemos, contudo, deixar que a eufórica tendência "New Age", sempre pronta para alucinações e fantasias, nos "tape a vista", fazendo-nos recusar a hipótese.
A postura do cepticismo radical, em relação a esta questão da Atlândida mas não só, sempre me pareceu irracional. É certo que, quando Platão escreveu sobre o continente perdido, já a história da Atlântida era um eco distante. Contudo, nada nos escritos de Platão nos faz pensar que este duvidasse da sua existência.
Hoje saiu no Público uma notícia deveras interessante:
"Especialistas situam a Atlântida em extremos opostos do Mediterrâneo"
Deixo a questão da localização da Atlântida para os arqueólogos.
O que me interessa afirmar aqui é que recusar a existência do continente é mais perigoso do que aceitá-la, visto que temos os relatos fiáveis de Platão, já para não falar na tradição oral.
A Terra pode mudar radicalmente em poucos milhares de anos.
Se sucedesse hoje um cataclismo à escala mundial, e a civilização ocidental como a conhecemos desaparecesse de vez, dentro de alguns milhares de anos tudo voltaria a ser paisagem selvagem.
O fundo dos mares, bem como a história da humanidade para lá dos 10.000 anos antes de Cristo, são dois abismos de desconhecimento profundo para a ciência moderna.
Aqueles que ridicularizam estas tentativas arqueológicas deveriam lembrar-se de que o mesmo foi feito no século XIX a Heinrich Schliemann quando este disse que iria encontrar Tróia só com base nos escritos de Homero.
Schilemann encontrou Tróia.
Bernardo
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