Tenho-me confrontado com alguns ateus que, na sua "imparcialidade" anti-religiosa, não compreendem porque é que Deus havia de ser Uno. Eles recusam Deus liminarmente, sem apelo nem agravo. E como não aceitam qualquer tipo de argumento abonatório da existência de Deus, optam por negar em pé de igualdade tanto o monoteísmo como o politeísmo.
Há dias, tentei explicar a um deles que o politeísmo era um erro. Ao que o dito ateu me retorquiu que, na impossibilidade de provar que Deus existia, era impossível saber se existia apenas um Deus, ou vários deuses!
É surpreendente! Não é possível ser-se mais "imparcial" na recusa de Deus!
Assim, nada como deixar aqui estas palavras de René Guénon, retiradas de um texto sobre o Demiurgo, que foram escritas em 1909, quando Guénon tinha apenas 22 anos:
"Alguns julgaram que deveriam admitir dois princípios distintos, opostos um ao outro, mas esta hipótese está descartada pelo que referi anteriormente. Com efeito, estes dois princípios não podem ser ambos infinitos, porque então se excluiriam ou se confundiriam; se só um fosse infinito, este seria o princípio do outro; e, se ambos fossem finitos, não seriam verdadeiros princípios, já que dizer que aquilo que é finito pode existir por si mesmo, é admitir que algo pode sair do nada, posto que todo o finito tem um princípio lógico senão cronológico. Neste último caso, em consequência, um e outro, sendo finitos, devem proceder de um princípio comum, que é infinito, o que nos leva à consideração de um Princípio único. Adicionalmente, muitas doctrinas que observamos como dualistas, não o são senão em aparência; no Maniqueísmo, como na religião de Zoroastro, o dualismo não é mais do que uma doutrina puramente exotérica, encobrindo uma verdadeira doutrina esotérica da Unidade: Ormuz e Ahrimán são os dois engendrados por Zervané-Akérêné, e devem fundir-se com ele no final dos tempos. A Dualidade é então necessariamente produzida pela Unidade, pois não pode existir por si mesma" - René Guénon, "O Demiurgo", publicado na resenha póstuma "Mélanges", Capítulo I, Parte I - Edições Gallimard, Paris, 1976.
Bernardo
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Saiu mais um "Terra da Alegria"...
segunda-feira, 12 de julho de 2004
À segunda-feira...
... é dia de Terra da Alegria!
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
domingo, 11 de julho de 2004
O simbolismo de Janus - Parte I
A noite já vai alta, e não dará para escrever muito.
Este é um tema que eu aprecio bastante, o do simbolismo de Janus, a divindade indo-europeia, que entre outras coisas, dá o nome ao mês de Janeiro.
Este simbolismo será analisado através da obra de Guénon, como tem sido hábito meu.
Foi Louis Charbonneau-Lassay (1871-1946) quem, pela primeira vez, deu a conhecer a Guénon este símbolo cristão, encontrado em Luchon (França) num medalhão gravado num manuscrito monacal do século XV:
Este símbolo é, como veremos nos próximos artigos, bastante próximo do simbolismo de Janus/Jana, do "deus da dupla face", uma masculina ("Janus") e outra feminina ("Jana" ou "Diana"). Como poderemos ver, este símbolo também é o símbolo de Cristo, como fica patente no monograma I.H.S. no topo do medalhão.
Este tema vem também a propósito de algo que aconteceu neste blogue há umas semanas atrás. Eu tinha escrito sobre a falsa polémica de saber se era ou não S. João que estava à direita de Cristo no mural de Leonardo da Vinci, e, na altura, tinha referido a coincidência de o fazer no dia de S. João. Foi o José quem me alertou para a "burrada"! O S. João em questão no mural é S. João Evangelista (e Apóstolo), quando o S. João celebrado a 24 de Junho é o S. João Baptista.
Prontamente, apaguei a minha asneira do texto, porque não vinha nada a propósito. Mas estas coincidências têm sempre um propósito didáctico! E para mim, foi o de ir investigar a natureza da dualidade simbólica entre S. João Evangelista e S. João Baptista (o "S. João" dos Santos Populares, do 24 de Junho). Esta "investigação" acabou por me levar ao simbolismo do Janus romano, e da sua surpreendente ligação com o simbolismo do próprio Cristo, e dos dois S. João que a doutrina católica venera em extremos diametralmente opostos do calendário, S. João Baptista a 24 de Junho e S. João Apóstolo e Evangelista a 27 de Dezembro.
Mas deixemos a continuação para depois...
Bernardo
Este é um tema que eu aprecio bastante, o do simbolismo de Janus, a divindade indo-europeia, que entre outras coisas, dá o nome ao mês de Janeiro.
Este simbolismo será analisado através da obra de Guénon, como tem sido hábito meu.
Foi Louis Charbonneau-Lassay (1871-1946) quem, pela primeira vez, deu a conhecer a Guénon este símbolo cristão, encontrado em Luchon (França) num medalhão gravado num manuscrito monacal do século XV:

(retirado de http://www.plotinus.com/janus.htm)
Este símbolo é, como veremos nos próximos artigos, bastante próximo do simbolismo de Janus/Jana, do "deus da dupla face", uma masculina ("Janus") e outra feminina ("Jana" ou "Diana"). Como poderemos ver, este símbolo também é o símbolo de Cristo, como fica patente no monograma I.H.S. no topo do medalhão.
Este tema vem também a propósito de algo que aconteceu neste blogue há umas semanas atrás. Eu tinha escrito sobre a falsa polémica de saber se era ou não S. João que estava à direita de Cristo no mural de Leonardo da Vinci, e, na altura, tinha referido a coincidência de o fazer no dia de S. João. Foi o José quem me alertou para a "burrada"! O S. João em questão no mural é S. João Evangelista (e Apóstolo), quando o S. João celebrado a 24 de Junho é o S. João Baptista.
Prontamente, apaguei a minha asneira do texto, porque não vinha nada a propósito. Mas estas coincidências têm sempre um propósito didáctico! E para mim, foi o de ir investigar a natureza da dualidade simbólica entre S. João Evangelista e S. João Baptista (o "S. João" dos Santos Populares, do 24 de Junho). Esta "investigação" acabou por me levar ao simbolismo do Janus romano, e da sua surpreendente ligação com o simbolismo do próprio Cristo, e dos dois S. João que a doutrina católica venera em extremos diametralmente opostos do calendário, S. João Baptista a 24 de Junho e S. João Apóstolo e Evangelista a 27 de Dezembro.
Mas deixemos a continuação para depois...
Bernardo
quarta-feira, 7 de julho de 2004
Desabafos sobre a "religião do Diabo"...
Há coisas surpreendentes!
Então não é que um artigo do Timóteo Shel gerou, há pouco tempo, mais de uma centena de comentários, numa acesa discussão de crentes versus ateus?
Desta vez, os papéis inverteram-se... Era o Pedro Fontela quem defendia (sozinho) a equipa do "Diário de uns Ateus". E, sozinho, era zurzido por aquela boa gente toda!
Gostei do debate, e gostei de ter tanta gente tão clarividente e sensata a defender a causa dos crentes, dando assim umas salutares "palmadas" ao Pedro Fontela. Aposto que o Pedro descobriu muita coisa nova que nem suspeitava que existia...
Uma dessas coisas que o Pedro Fontela descobriu pela primeira vez foi a obra do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho. O Marcus Pimenta citou uns quantos textos do filósofo, textos esses bem a propósito, que são tão claros quanto conclusivos face a uma série de falsas questões nas quais os nossos amigos do "Diário" tanto insistem.
O Olavo de Carvalho tornou-se, assim, numa pedra no sapato do Pedro Fontela. Não sei como vai ele tirá-la de lá... Porque as palavras de Olavo revestem-se de uma sobriedade, de um rigor linguístico, de uma cultura filosófica, e de uma precisão demonstrativa que torna as coisas complicadas para estes nossos amigos anti-católicos.
Um dos meus arqui-inimigos dessas bandas é o André Esteves, feroz ateu, que há pouco tempo me confessou que gostava dos satanistas. E como essa tirada veio tão a propósito do artigo do Timóteo! Essa "religião do Diabo", que é a dos ateus ressaibiados, é (apesar de eles negarem) uma forma de crença bastante cega pelo preconceito, e sobretudo pela ignorância generalizada e desconcertante face a tudo o que cheire a religião.
Neste momento, estarão o Pedro Fontela e os seus amigos a pensar: "de onde veio este Olavo de Carvalho"? Pois, meus caros, isso é o problema de quem se mete a falar sobre assuntos que não domina!
O rigor e o cuidado que apresentam muitos dos textos de Olavo de Carvalho, tem, julgo eu, uma forte e benéfica inspiração do trabalho de René Guénon, e de outros elementos importantes da corrente tradicionalista que rejuvenesceu o panorama intelectual do século XX (Schuon, Burckhardt, Nasr, Coomaraswamy, entre outros).
Repare-se que não estou com isto a assinar por baixo tudo o que Olavo escreveu ou disse. Estou apenas a dizer que, tendo ido beber à obra de René Guénon, Olavo encontra-se numa posição solidíssima, e é portanto natural que ele tenha escrito textos de uma clareza e de uma clarividência que surpreenda o comum ateu.
Meus caros ateus do "Diário", a realidade, infelizmente para o ateísmo, é BEM mais complexa do que vocês a vêem... Mas isso já se topava a milhas, bastando ver apenas a forma literalista e infantil como vocês lidavam com os textos sagrados do Islão ou do cristianismo...
Quando pela primeira vez mencionei aqui a existência deste reduto de ateus bloguísticos, afirmei que eles pareciam sofrer de uma profunda atrofia intelectual. A expressão era, sem dúvida, forte. E na altura, retraí-me dela. Mas não posso deixar de afirmar que, decorridos já vários confrontos em que se fez ver a estes senhores que o Mundo não era a caixa de areia em que eles brincavam (caixa de areia essa desenhada por "gurus" deles como Sagan ou Hawkins, ou Jay Gould), eles continuaram e teimaram em não reconhecer a estreiteza assustadora das suas ideias.
Em vão, eu tentei dizer que o ateísmo até podia ser muito mais do que aquilo que eles estavam a fazer passar! Imagine-se! Eu, a defender que o ateísmo poderia ser melhor do que o deles! Mas cheguei a esse ponto!
Não estou a tentar convertê-los! Acho isso impossível, em virtude da longa devastação intelectual a que estiveram e estão sujeitos (o facto de fazerem um grupo coeso, que se defende dos ataques da Verdade também não ajuda). Estou a tentar torná-los em melhores ateus! Sou atrevido? Imodesto? Caramba, estamos a falar das mesmas pessoas que disseram que ensinavam aos crentes coisas sobre religião que os próprios crentes desconheciam! Então, haverá melhor retribuição ao esforço de melhoria que eles fazem nos crentes, do que contribuirmos nós também para torná-los em melhores ateus? Melhores, intelectualmente dizendo, obviamente...
Agora, convertê-los? Para quê? Vanitas, vanitas...
Se "atrofia intelectual" é termo forte, deixem-me ao menos usar o de "miopia intelectual"! Ao menos, a miopia pode ser corrigida por prescrições oftalmológicas adequadas. Se ainda for a tempo!
Bernardo
P.S.: Caros ateus do "Diário"... Quando é que vocês vão sair da toca, arregaçar as mangas, e enfrentar o touro de frente? Já se sabe que a vossa reacção vai ser a de sempre: ignorar Olavo de Carvalho, ignorar René Guénon, como ignoraram S. Tomás de Aquino, ou Aristóteles. Face ao peso esmagador da erudição e da intelectualidade, o macaco esconde-se... Ou estarei enganado? Teremos ateus à altura?
Então não é que um artigo do Timóteo Shel gerou, há pouco tempo, mais de uma centena de comentários, numa acesa discussão de crentes versus ateus?
Desta vez, os papéis inverteram-se... Era o Pedro Fontela quem defendia (sozinho) a equipa do "Diário de uns Ateus". E, sozinho, era zurzido por aquela boa gente toda!
Gostei do debate, e gostei de ter tanta gente tão clarividente e sensata a defender a causa dos crentes, dando assim umas salutares "palmadas" ao Pedro Fontela. Aposto que o Pedro descobriu muita coisa nova que nem suspeitava que existia...
Uma dessas coisas que o Pedro Fontela descobriu pela primeira vez foi a obra do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho. O Marcus Pimenta citou uns quantos textos do filósofo, textos esses bem a propósito, que são tão claros quanto conclusivos face a uma série de falsas questões nas quais os nossos amigos do "Diário" tanto insistem.
O Olavo de Carvalho tornou-se, assim, numa pedra no sapato do Pedro Fontela. Não sei como vai ele tirá-la de lá... Porque as palavras de Olavo revestem-se de uma sobriedade, de um rigor linguístico, de uma cultura filosófica, e de uma precisão demonstrativa que torna as coisas complicadas para estes nossos amigos anti-católicos.
Um dos meus arqui-inimigos dessas bandas é o André Esteves, feroz ateu, que há pouco tempo me confessou que gostava dos satanistas. E como essa tirada veio tão a propósito do artigo do Timóteo! Essa "religião do Diabo", que é a dos ateus ressaibiados, é (apesar de eles negarem) uma forma de crença bastante cega pelo preconceito, e sobretudo pela ignorância generalizada e desconcertante face a tudo o que cheire a religião.
Neste momento, estarão o Pedro Fontela e os seus amigos a pensar: "de onde veio este Olavo de Carvalho"? Pois, meus caros, isso é o problema de quem se mete a falar sobre assuntos que não domina!
O rigor e o cuidado que apresentam muitos dos textos de Olavo de Carvalho, tem, julgo eu, uma forte e benéfica inspiração do trabalho de René Guénon, e de outros elementos importantes da corrente tradicionalista que rejuvenesceu o panorama intelectual do século XX (Schuon, Burckhardt, Nasr, Coomaraswamy, entre outros).
Repare-se que não estou com isto a assinar por baixo tudo o que Olavo escreveu ou disse. Estou apenas a dizer que, tendo ido beber à obra de René Guénon, Olavo encontra-se numa posição solidíssima, e é portanto natural que ele tenha escrito textos de uma clareza e de uma clarividência que surpreenda o comum ateu.
Meus caros ateus do "Diário", a realidade, infelizmente para o ateísmo, é BEM mais complexa do que vocês a vêem... Mas isso já se topava a milhas, bastando ver apenas a forma literalista e infantil como vocês lidavam com os textos sagrados do Islão ou do cristianismo...
Quando pela primeira vez mencionei aqui a existência deste reduto de ateus bloguísticos, afirmei que eles pareciam sofrer de uma profunda atrofia intelectual. A expressão era, sem dúvida, forte. E na altura, retraí-me dela. Mas não posso deixar de afirmar que, decorridos já vários confrontos em que se fez ver a estes senhores que o Mundo não era a caixa de areia em que eles brincavam (caixa de areia essa desenhada por "gurus" deles como Sagan ou Hawkins, ou Jay Gould), eles continuaram e teimaram em não reconhecer a estreiteza assustadora das suas ideias.
Em vão, eu tentei dizer que o ateísmo até podia ser muito mais do que aquilo que eles estavam a fazer passar! Imagine-se! Eu, a defender que o ateísmo poderia ser melhor do que o deles! Mas cheguei a esse ponto!
Não estou a tentar convertê-los! Acho isso impossível, em virtude da longa devastação intelectual a que estiveram e estão sujeitos (o facto de fazerem um grupo coeso, que se defende dos ataques da Verdade também não ajuda). Estou a tentar torná-los em melhores ateus! Sou atrevido? Imodesto? Caramba, estamos a falar das mesmas pessoas que disseram que ensinavam aos crentes coisas sobre religião que os próprios crentes desconheciam! Então, haverá melhor retribuição ao esforço de melhoria que eles fazem nos crentes, do que contribuirmos nós também para torná-los em melhores ateus? Melhores, intelectualmente dizendo, obviamente...
Agora, convertê-los? Para quê? Vanitas, vanitas...
Se "atrofia intelectual" é termo forte, deixem-me ao menos usar o de "miopia intelectual"! Ao menos, a miopia pode ser corrigida por prescrições oftalmológicas adequadas. Se ainda for a tempo!
Bernardo
P.S.: Caros ateus do "Diário"... Quando é que vocês vão sair da toca, arregaçar as mangas, e enfrentar o touro de frente? Já se sabe que a vossa reacção vai ser a de sempre: ignorar Olavo de Carvalho, ignorar René Guénon, como ignoraram S. Tomás de Aquino, ou Aristóteles. Face ao peso esmagador da erudição e da intelectualidade, o macaco esconde-se... Ou estarei enganado? Teremos ateus à altura?
segunda-feira, 5 de julho de 2004
Simon Cox junta-se a Dan Brown
Este fim-de-semana deparei-me, numa livraria em Lisboa, com um livro mesmo ao lado do "Código Da Vinci". Trata-se do livro de Simon Cox, "Cracking The Da Vinci Code: The Facts Behind The Fiction".
Dizem os críticos:
"The first non-fiction companion to Dan Brown's mega-selling novel The Da Vinci Code."
"Non-fiction"?
"Facts"?
Que lata... Estive a folhear o livro, e aquilo está cheio de tretas. Claramente, este livro foi escrito para emparelhar e dar mais força ao romance de Dan Brown. Quando as pessoas me julgavam paranóico por atacar aquilo que diziam ser "só um romance", não estavam a avaliar bem a natureza e os objectivos desta onda "brownesca", que não é coisa nem recente nem inocente.
A infâmia de Simon Cox está em apresentar um livro pretensamente "factual", para que os leitores mal preparados (que serão quase todos) possam catalogar o "Código Da Vinci" como romance, e olhar para o livro de Simon Cox como os "factos" por detrás do romance. Boa estratégia!
Simon Cox, editor-chefe da revista pseudo-científica Phenomena, será uma das últimas pessoas a escolher para obter esclarecimentos. O negócio de Cox é a venda de revistas de fraco calibre científico sobre arqueologia e mistérios da antiguidade. Com muito menos qualidade, a revista segue a tónica da Atlantis de Paul le Cour dos anos sessenta. A Phenomena é uma espécie de "Super Interessante" da Arqueologia.
Bernardo
Dizem os críticos:
"The first non-fiction companion to Dan Brown's mega-selling novel The Da Vinci Code."
"Non-fiction"?
"Facts"?
Que lata... Estive a folhear o livro, e aquilo está cheio de tretas. Claramente, este livro foi escrito para emparelhar e dar mais força ao romance de Dan Brown. Quando as pessoas me julgavam paranóico por atacar aquilo que diziam ser "só um romance", não estavam a avaliar bem a natureza e os objectivos desta onda "brownesca", que não é coisa nem recente nem inocente.
A infâmia de Simon Cox está em apresentar um livro pretensamente "factual", para que os leitores mal preparados (que serão quase todos) possam catalogar o "Código Da Vinci" como romance, e olhar para o livro de Simon Cox como os "factos" por detrás do romance. Boa estratégia!
Simon Cox, editor-chefe da revista pseudo-científica Phenomena, será uma das últimas pessoas a escolher para obter esclarecimentos. O negócio de Cox é a venda de revistas de fraco calibre científico sobre arqueologia e mistérios da antiguidade. Com muito menos qualidade, a revista segue a tónica da Atlantis de Paul le Cour dos anos sessenta. A Phenomena é uma espécie de "Super Interessante" da Arqueologia.
Bernardo
De novo Dan Brown e o Código Da Vinci
Decidi fazer uma busca rápida pela Internet, em sites de língua portuguesa, pelas palavras "Dan Brown"... Fiquei chocado!
Toda a gente está a ler o livro e a adorar... Era o que eu temia...
Ninguém, nem por um momento, duvida de Dan Brown, que é um autor e uma pessoa que eles nem conhecem! Não estamos a falar de Umberto Eco, cujos romances de conteúdo histórico deixam-nos sempre perplexos, a pensar no que é verdade e no que é mentira. Umberto Eco escreve e está connosco há décadas. E é uma pessoa séria...
E contudo, tantas vezes que vejo pessoas a compararem o "Código Da Vinci" ao "Nome da Rosa". Porquê? Porque é um romance sobre religião? É que não têm mais nada a ver!
Na firme esperança de que este comentário surgirá nos motores de busca, cá fica mais uma vez uma chamada de atenção para os leitores portugueses e brasileiros que estão fascinados com este livro:
1. Dan Brown é mal intencionado a partir do momento em que ele inicia o romance com a nota, nada inocente, de que os detalhes do romance são verídicos; nada é mais falso;
2. Dan Brown retirou material das obras de autores como Henry Lincoln, Michael Baigent, Richard Leigh, Clive Prince, Lynn Picknet, Margaret Starbird, entre tantos outros; estes autores não se queixam, porque escrevem todos o que escrevem com um mesmo objectivo comum;
3. Dan Brown não percebe nada de História: estamos a falar de um homem que acha que "Da Vinci" é o nome de Leonardo; de um homem que acha que os Templários foram queimados, e as suas cinzas lançadas ao Tibre, em Roma, quando o Papa Clemente V (que extinguiu os Templários), vivia no exílio em Avignon (França); de um homem que, ignorando que a Igreja Católica nem sempre esteve no Vaticano, insiste em chamar a Igreja Católica de "The Vatican"; de um homem que acha que Leonardo da Vinci pintou Maria Madalena ao lado de Cristo no mural da Última Ceia; de um homem que acredita que foi Constantino quem elevou Cristo a divindade (ignorando portanto profundamente o que foi e o que tratou o concílio de Niceia em 325); de um homem que acha que foram os Templários os construtores de igrejas na Idade Média; de um homem que acha que os Evangelhos Apócrifos foram escritos ao mesmo tempo (ou até antes!) dos Evangelhos Sinópticos; enfim, este texto poderia ocupar tantas páginas como as páginas do seu romance;
4. E por fim, e o que é mais grave, Dan Brown recuperou a mitologia de Rennes-le-Château! Como é possível que NENHUM dos seus adoradores aqui em Portugal conheça, sequer, o nome de Rennes-le-Château?? Quando foi precisamente a esta farsa de triste memória que Dan Brown foi buscar toda a sua inspiração?
Para quem não sabe, Rennes-le-Château é um lugarejo perdido no sul de França, onde teve lugar a criação de uma das mais longas, complexas, e terríveis farsas pseudo-históricas da modernidade. A lista de "grão-mestres" do pretensamente secular "Prieuré de Sion" que Dan Brown refere no romance foi retirada de um panfleto forjado, intitulado "Dossiers Secrets", que foi depositado na Biblioteca Nacional em Paris, nos anos sessenta, por Pierre Plantard, sob o pseudónimo de Henri Lobineau.
O "Prieuré de Sion" foi criado nos anos cinquenta, e que agruparia uma juventude "católica, monárquica e cavaleiresca" em torno de Pierre Plantard (que se auto-intitulava "Pierre de France"), o arrogante e pretenso "descendente" da Dinastia Merovíngia. Contudo, as origens bem mais modestas de Pierre Plantard, bem como a sua simpatia pelo regime de Vichy, a sua tendência anti-judaica, e o seu cadastro na polícia, são tudo coisas ocultadas da opinião pública.
Para quê ir mais longe? As pessoas que lêem Dan Brown nem sabem o que é Rennes-le-Château! Palavras para quê?! Por favor, informem-se. Até a Internet, que nestas coisas costuma não ser de fiar, está cheia de material refutatório...
A pior coisa é cair na esparrela do "génio criativo" de Dan Brown.
Para saber mais sobre Rennes-le-Château:
http://bmotta.planetaclix.pt
Para saber mais sobre o Prieuré de Sion:
http://www.priory-of-sion.com
Bernardo
Toda a gente está a ler o livro e a adorar... Era o que eu temia...
Ninguém, nem por um momento, duvida de Dan Brown, que é um autor e uma pessoa que eles nem conhecem! Não estamos a falar de Umberto Eco, cujos romances de conteúdo histórico deixam-nos sempre perplexos, a pensar no que é verdade e no que é mentira. Umberto Eco escreve e está connosco há décadas. E é uma pessoa séria...
E contudo, tantas vezes que vejo pessoas a compararem o "Código Da Vinci" ao "Nome da Rosa". Porquê? Porque é um romance sobre religião? É que não têm mais nada a ver!
Na firme esperança de que este comentário surgirá nos motores de busca, cá fica mais uma vez uma chamada de atenção para os leitores portugueses e brasileiros que estão fascinados com este livro:
1. Dan Brown é mal intencionado a partir do momento em que ele inicia o romance com a nota, nada inocente, de que os detalhes do romance são verídicos; nada é mais falso;
2. Dan Brown retirou material das obras de autores como Henry Lincoln, Michael Baigent, Richard Leigh, Clive Prince, Lynn Picknet, Margaret Starbird, entre tantos outros; estes autores não se queixam, porque escrevem todos o que escrevem com um mesmo objectivo comum;
3. Dan Brown não percebe nada de História: estamos a falar de um homem que acha que "Da Vinci" é o nome de Leonardo; de um homem que acha que os Templários foram queimados, e as suas cinzas lançadas ao Tibre, em Roma, quando o Papa Clemente V (que extinguiu os Templários), vivia no exílio em Avignon (França); de um homem que, ignorando que a Igreja Católica nem sempre esteve no Vaticano, insiste em chamar a Igreja Católica de "The Vatican"; de um homem que acha que Leonardo da Vinci pintou Maria Madalena ao lado de Cristo no mural da Última Ceia; de um homem que acredita que foi Constantino quem elevou Cristo a divindade (ignorando portanto profundamente o que foi e o que tratou o concílio de Niceia em 325); de um homem que acha que foram os Templários os construtores de igrejas na Idade Média; de um homem que acha que os Evangelhos Apócrifos foram escritos ao mesmo tempo (ou até antes!) dos Evangelhos Sinópticos; enfim, este texto poderia ocupar tantas páginas como as páginas do seu romance;
4. E por fim, e o que é mais grave, Dan Brown recuperou a mitologia de Rennes-le-Château! Como é possível que NENHUM dos seus adoradores aqui em Portugal conheça, sequer, o nome de Rennes-le-Château?? Quando foi precisamente a esta farsa de triste memória que Dan Brown foi buscar toda a sua inspiração?
Para quem não sabe, Rennes-le-Château é um lugarejo perdido no sul de França, onde teve lugar a criação de uma das mais longas, complexas, e terríveis farsas pseudo-históricas da modernidade. A lista de "grão-mestres" do pretensamente secular "Prieuré de Sion" que Dan Brown refere no romance foi retirada de um panfleto forjado, intitulado "Dossiers Secrets", que foi depositado na Biblioteca Nacional em Paris, nos anos sessenta, por Pierre Plantard, sob o pseudónimo de Henri Lobineau.
O "Prieuré de Sion" foi criado nos anos cinquenta, e que agruparia uma juventude "católica, monárquica e cavaleiresca" em torno de Pierre Plantard (que se auto-intitulava "Pierre de France"), o arrogante e pretenso "descendente" da Dinastia Merovíngia. Contudo, as origens bem mais modestas de Pierre Plantard, bem como a sua simpatia pelo regime de Vichy, a sua tendência anti-judaica, e o seu cadastro na polícia, são tudo coisas ocultadas da opinião pública.
Para quê ir mais longe? As pessoas que lêem Dan Brown nem sabem o que é Rennes-le-Château! Palavras para quê?! Por favor, informem-se. Até a Internet, que nestas coisas costuma não ser de fiar, está cheia de material refutatório...
A pior coisa é cair na esparrela do "génio criativo" de Dan Brown.
Para saber mais sobre Rennes-le-Château:
http://bmotta.planetaclix.pt
Para saber mais sobre o Prieuré de Sion:
http://www.priory-of-sion.com
Bernardo
quarta-feira, 30 de junho de 2004
Vergonhosa decisão...
... do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Leia-se a notícia no Público.
Esta notícia é verdadeiramente surpreendente:
"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entende que não existe qualquer violação da liberdade religiosa na interdição do uso do véu islâmico nas escolas e universidades."
Diz o tribunal que:
"a liberdade de manifestar a religião pode ser restringida a fim de preservar os valores democráticos e os princípios invioláveis da liberdade de religião e da igualdade dos cidadãos perante a lei"
Será que ninguém se dá conta do anacronismo? "a liberdade pode ser restringida", diz o tribunal... Ou seja, já não é bem uma liberdade. Como todas as novas "liberdades" que se aplicam aos crentes, trata-se de uma pseudo-liberdade. Querem eles "preservar valores" e "princípios"!
Que "valores"? Até dá vontade de rir. Nunca houve tanta falta de valores e princípios como nos tempos que correm, onde a pulsão niilista acomete com todas as suas forças para destruir a verdadeira espiritualidade onde quer que esta se manifeste. Qual é o mal com o uso dos véus? Ofende quem não usa?
Repare-se no outro lado da questão, o da aluna islâmica que quer usar o véu...
Então se uma estudante islâmica quer usar, por pudor, o seu véu, ela tem que aturar a falta de pudor dos outros. Até aqui tudo bem, porque foi ela quem escolheu estudar numa escola ocidental. Mas porque raio ficariam ofendidas ou "pressionadas" as restantes alunas?
"o tribunal não perdeu de vista que existem movimentos políticos extremistas, na Turquia, que procuram impor a toda a sociedade os seus símbolos religiosos e a sua concepção de sociedade baseada em princípios religiosos"
De que "movimentos políticos extremistas" falam eles? Do Islão? Desde quando é que ser islâmico, e querer viver a sua vida de acordo com as crenças islâmicas, é fazer parte de "movimentos políticos extremistas"? Estes senhores, com esta decisão infame e injusta, não estão a combater o que eles chamam eufemisticamente de "movimentos políticos extremistas". Estão sim a combater a religião, mais concretamente e neste caso o Islão. Pulsão niilista anti-religiosa, é o que isto é.
"As escolas podem tomar medidas para prevenir que certos movimentos religiosos fundamentalistas pressionem os estudantes que não praticam a fé da mesma forma e os que não têm a mesma fé"
Mas de que pressão falam eles, meu Deus?
Se uma criança levar um crucifixo ao peito para a escola, estará a "pressionar" os restantes alunos?
Que o Governo francês é pateta, isso não admira e é do conhecimento geral. A forma como conduziram toda esta questão do véu, a troco de um forçado e abusivo "laicismo" foi desastrosa e ficará na memória como um momento negro da pseudo-democracia francesa.
Agora, que seja o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a ditar semelhante sentença, parece-me particularmente grave.
A patetice e o gosto pelo saloio tomaram de assalto as instituições a nível europeu. Como pode qualquer pessoa confiar o que quer que seja a este tribunal quando ele falha tão cabalmente, e numa questão tão elementar de justiça como esta?
De acordo com a mais elementar liberdade, toda e qualquer mulher islâmica deve poder usar o véu que quiser, como quiser, e onde quiser. Tudo o resto é conversa.
Afinal, para quê tudo isto? Para travar o Islão. Não para travar o terrorismo ou o fanatismo (usar o véu nada tem de fanático, é um preceito normal e natural do Islão), mas sim para travar a religião. Dizem eles que é tudo em nome de uma "separação entre religião e estado", mas ninguém está a discutir poderes, mas sim a discutir a liberdade das mulheres islâmicas poderem trajar o véu, que é parte do seu vestuário tradicional, quando frequentam uma escola ocidental.
Tudo isto é muito triste e medíocre.
Bernardo
Leia-se a notícia no Público.
Esta notícia é verdadeiramente surpreendente:
"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entende que não existe qualquer violação da liberdade religiosa na interdição do uso do véu islâmico nas escolas e universidades."
Diz o tribunal que:
"a liberdade de manifestar a religião pode ser restringida a fim de preservar os valores democráticos e os princípios invioláveis da liberdade de religião e da igualdade dos cidadãos perante a lei"
Será que ninguém se dá conta do anacronismo? "a liberdade pode ser restringida", diz o tribunal... Ou seja, já não é bem uma liberdade. Como todas as novas "liberdades" que se aplicam aos crentes, trata-se de uma pseudo-liberdade. Querem eles "preservar valores" e "princípios"!
Que "valores"? Até dá vontade de rir. Nunca houve tanta falta de valores e princípios como nos tempos que correm, onde a pulsão niilista acomete com todas as suas forças para destruir a verdadeira espiritualidade onde quer que esta se manifeste. Qual é o mal com o uso dos véus? Ofende quem não usa?
Repare-se no outro lado da questão, o da aluna islâmica que quer usar o véu...
Então se uma estudante islâmica quer usar, por pudor, o seu véu, ela tem que aturar a falta de pudor dos outros. Até aqui tudo bem, porque foi ela quem escolheu estudar numa escola ocidental. Mas porque raio ficariam ofendidas ou "pressionadas" as restantes alunas?
"o tribunal não perdeu de vista que existem movimentos políticos extremistas, na Turquia, que procuram impor a toda a sociedade os seus símbolos religiosos e a sua concepção de sociedade baseada em princípios religiosos"
De que "movimentos políticos extremistas" falam eles? Do Islão? Desde quando é que ser islâmico, e querer viver a sua vida de acordo com as crenças islâmicas, é fazer parte de "movimentos políticos extremistas"? Estes senhores, com esta decisão infame e injusta, não estão a combater o que eles chamam eufemisticamente de "movimentos políticos extremistas". Estão sim a combater a religião, mais concretamente e neste caso o Islão. Pulsão niilista anti-religiosa, é o que isto é.
"As escolas podem tomar medidas para prevenir que certos movimentos religiosos fundamentalistas pressionem os estudantes que não praticam a fé da mesma forma e os que não têm a mesma fé"
Mas de que pressão falam eles, meu Deus?
Se uma criança levar um crucifixo ao peito para a escola, estará a "pressionar" os restantes alunos?
Que o Governo francês é pateta, isso não admira e é do conhecimento geral. A forma como conduziram toda esta questão do véu, a troco de um forçado e abusivo "laicismo" foi desastrosa e ficará na memória como um momento negro da pseudo-democracia francesa.
Agora, que seja o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a ditar semelhante sentença, parece-me particularmente grave.
A patetice e o gosto pelo saloio tomaram de assalto as instituições a nível europeu. Como pode qualquer pessoa confiar o que quer que seja a este tribunal quando ele falha tão cabalmente, e numa questão tão elementar de justiça como esta?
De acordo com a mais elementar liberdade, toda e qualquer mulher islâmica deve poder usar o véu que quiser, como quiser, e onde quiser. Tudo o resto é conversa.
Afinal, para quê tudo isto? Para travar o Islão. Não para travar o terrorismo ou o fanatismo (usar o véu nada tem de fanático, é um preceito normal e natural do Islão), mas sim para travar a religião. Dizem eles que é tudo em nome de uma "separação entre religião e estado", mas ninguém está a discutir poderes, mas sim a discutir a liberdade das mulheres islâmicas poderem trajar o véu, que é parte do seu vestuário tradicional, quando frequentam uma escola ocidental.
Tudo isto é muito triste e medíocre.
Bernardo
Pseudo-intelectualidade serôdia...
... é o que se pode encontrar neste artigo do "Diário de uns Ateus", da autoria do nosso arqui-inimigo André Esteves.
Bem sei que estes senhores não podem representar o pensamento ateu, mas nem tão-pouco o pensamento ateu português! Porquê? Porque estes senhores não sabem (nem sentem) bem o que é isso de nacionalismo.
Para eles, rima com "fascismo" e com "patriotismo".
É este um dos grandes perigos de alienação intelectual do ateísmo. É que, na sua voragem "uniformizadora", cujo objectivo máximo é ateizar todo o Universo (Deus incluído), estes senhores não vêem interesse algum em posturas nacionalistas.
Por isso, vêm para a blogosfera criticar aqueles pobres medíocres coitados que andam pelas ruas a festejar as vitórias futebolísticas do Euro 2004. Que triste exemplo nos dão estes senhores armados em intelectuais e (bem pior) defensores da intelectualidade.
Por isso, nas noites de vitória de Portugal, ficam em casa a ler autores ateus, a escrever para blogues ateus, a trocar mails com OUTROS ateus, enfim, numa doentia e medíocre embriaguez ateia.
Pois sim: eu estive na rua a festejar TODAS as vitórias de Portugal. E berrei, e saltei, e corri, e festejei, e tudo o que convém e é salutar a qualquer português que se preze. Porque, caros senhores do "Diário", esses jogadores de futebol (oh, tão intelectualmente incapazes que eles são) defendem bem melhor o País do que vossas excelências. Mas enfim, para quem não vê o interesse neste tipo de coisas "patrióticas" (palavra que para eles ainda cheira a Salazar), todo este discurso é escusado.
Meus caros ateus "uniformizadores", para já, nem todos os ateus pensam como vocês (graças a Deus!). Há por aí ateus patriotas, que eu sei. Conheço alguns, bons.
Mas já se sabe que o perigo da postura ateia está na ausência total de princípios metafísicos. Esta ausência total cria um vácuo intelectual, e é preciso uma mente mais exercitada para conseguir ocupar eficientemente este vácuo. Estes senhores, que no seu preconceito aglutinam conceitos como Deus e Pátria, julgam que ao negar o primeiro, têm que recusar o segundo. E por isso ficam em casa.
Obviamente que me preocupo com as desgraças políticas que se abateram sobre o nosso país. Obviamente que condeno fortemente os últimos tristes acontecimentos provocados pelo nosso (des)Governo. Sinto uma profunda vergonha pelos políticos que servem o nosso país.
Mas sinto um profundo orgulho na nossa selecção.
O erro seria dizer que Portugal está bem graças ao futebol!
Portugal não está bem, está MAL. Muito MAL.
Mas, no futebol, está muito bem, e de parabéns!
Este país investiu muito esforço pessoal e institucional no Euro 2004. Eu sempre fui contra esta opção de investimento, porque sempre achei e acho que era um erro de prioridades. Mas agora que já se investiu, não querer tirar o máximo do Euro 2004 a todos os níveis é não ter consciência patriótica.
Triste seria ter que dizer:
"Só eu sei porque não fico em casa"
Mas, graças a Deus, não tenho que dizer tal frase, porque 10 milhões de portugueses, quando saem à rua a festejar, sabem bem porque é que não ficam em casa.
Desculpem-me o tom ligeiramente demagógico deste texto, mas achei importante partilhar a minha viva e decidida repulsa por este tipo de posturas tristes, serôdias, e pseudo-intelectuais.
Para terminar, um recado para alguns dos comentadores do artigo que referi: para ser "intelectual" à vossa maneira, não basta recusar Deus! Já agora, para ser intelectual, ajuda ter alguma cultura e (porque não?) escrever bem em português e sem erros ortográficos e gramaticais!
Bernardo
Bem sei que estes senhores não podem representar o pensamento ateu, mas nem tão-pouco o pensamento ateu português! Porquê? Porque estes senhores não sabem (nem sentem) bem o que é isso de nacionalismo.
Para eles, rima com "fascismo" e com "patriotismo".
É este um dos grandes perigos de alienação intelectual do ateísmo. É que, na sua voragem "uniformizadora", cujo objectivo máximo é ateizar todo o Universo (Deus incluído), estes senhores não vêem interesse algum em posturas nacionalistas.
Por isso, vêm para a blogosfera criticar aqueles pobres medíocres coitados que andam pelas ruas a festejar as vitórias futebolísticas do Euro 2004. Que triste exemplo nos dão estes senhores armados em intelectuais e (bem pior) defensores da intelectualidade.
Por isso, nas noites de vitória de Portugal, ficam em casa a ler autores ateus, a escrever para blogues ateus, a trocar mails com OUTROS ateus, enfim, numa doentia e medíocre embriaguez ateia.
Pois sim: eu estive na rua a festejar TODAS as vitórias de Portugal. E berrei, e saltei, e corri, e festejei, e tudo o que convém e é salutar a qualquer português que se preze. Porque, caros senhores do "Diário", esses jogadores de futebol (oh, tão intelectualmente incapazes que eles são) defendem bem melhor o País do que vossas excelências. Mas enfim, para quem não vê o interesse neste tipo de coisas "patrióticas" (palavra que para eles ainda cheira a Salazar), todo este discurso é escusado.
Meus caros ateus "uniformizadores", para já, nem todos os ateus pensam como vocês (graças a Deus!). Há por aí ateus patriotas, que eu sei. Conheço alguns, bons.
Mas já se sabe que o perigo da postura ateia está na ausência total de princípios metafísicos. Esta ausência total cria um vácuo intelectual, e é preciso uma mente mais exercitada para conseguir ocupar eficientemente este vácuo. Estes senhores, que no seu preconceito aglutinam conceitos como Deus e Pátria, julgam que ao negar o primeiro, têm que recusar o segundo. E por isso ficam em casa.
Obviamente que me preocupo com as desgraças políticas que se abateram sobre o nosso país. Obviamente que condeno fortemente os últimos tristes acontecimentos provocados pelo nosso (des)Governo. Sinto uma profunda vergonha pelos políticos que servem o nosso país.
Mas sinto um profundo orgulho na nossa selecção.
O erro seria dizer que Portugal está bem graças ao futebol!
Portugal não está bem, está MAL. Muito MAL.
Mas, no futebol, está muito bem, e de parabéns!
Este país investiu muito esforço pessoal e institucional no Euro 2004. Eu sempre fui contra esta opção de investimento, porque sempre achei e acho que era um erro de prioridades. Mas agora que já se investiu, não querer tirar o máximo do Euro 2004 a todos os níveis é não ter consciência patriótica.
Triste seria ter que dizer:
"Só eu sei porque não fico em casa"
Mas, graças a Deus, não tenho que dizer tal frase, porque 10 milhões de portugueses, quando saem à rua a festejar, sabem bem porque é que não ficam em casa.
Desculpem-me o tom ligeiramente demagógico deste texto, mas achei importante partilhar a minha viva e decidida repulsa por este tipo de posturas tristes, serôdias, e pseudo-intelectuais.
Para terminar, um recado para alguns dos comentadores do artigo que referi: para ser "intelectual" à vossa maneira, não basta recusar Deus! Já agora, para ser intelectual, ajuda ter alguma cultura e (porque não?) escrever bem em português e sem erros ortográficos e gramaticais!
Bernardo
segunda-feira, 28 de junho de 2004
Constituição do novo governo
Apesar do assunto ser sério, não resisto a partilhar o mail que me acabaram de enviar, cujo autor desconheço... Está genial...
Segundo o hebdomadário de S. Bento da Porta Aberta, o governo poderá ter a seguinte composição:
Primeiro-ministro: Santana Lopes
Ministra dos Negócios Estrangeiros: Cinha Jardim
Ministra da Economia e Finanças: Lili Caneças
Ministro da Educação, da Cultura, da Ciência e das Universidades: Alberto João Jardim
Ministro da Administração Interna: Valentim Loureiro
Ministro da Justiça: Ferreira Torres
Ministro das Oposições com direito a uma coluna diária na 3ª série do Diário da República: Pacheco Pereira
Ministro das Pescas e do Ambiente: Vasco Graça Moura
Ministro da Defesa e Propaganda Nacional: Luís Filipe Scolari
Ministro das comunidades urbanas e das aldeias: Luís Filipe Meneses
Ministro das privatizações e das empresas públicas: Zézé Beleza
Com uma equipa destas, de certeza que nunca mais haveria tédio na Assembleia da República...
Bernardo
Segundo o hebdomadário de S. Bento da Porta Aberta, o governo poderá ter a seguinte composição:
Primeiro-ministro: Santana Lopes
Ministra dos Negócios Estrangeiros: Cinha Jardim
Ministra da Economia e Finanças: Lili Caneças
Ministro da Educação, da Cultura, da Ciência e das Universidades: Alberto João Jardim
Ministro da Administração Interna: Valentim Loureiro
Ministro da Justiça: Ferreira Torres
Ministro das Oposições com direito a uma coluna diária na 3ª série do Diário da República: Pacheco Pereira
Ministro das Pescas e do Ambiente: Vasco Graça Moura
Ministro da Defesa e Propaganda Nacional: Luís Filipe Scolari
Ministro das comunidades urbanas e das aldeias: Luís Filipe Meneses
Ministro das privatizações e das empresas públicas: Zézé Beleza
Com uma equipa destas, de certeza que nunca mais haveria tédio na Assembleia da República...
Bernardo
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