... do excerto de Jean Borella que apresentei no último artigo.
Caro Francisco, sempre às ordens! Desculpa só a fraca qualidade da tradução, mas não tenho um dicionário à mão e isto vai ser feito a olho!
"Não há, então, inconveniência radical entre a essência feminina e o sacerdócio. Não podem senão existir inconveniências relativas à natureza particular, e mesmo única, do sacerdócio cristão. E, antes de mais, dever-se-ia afirmar que estas inconveniências relativas não são senão a contrapartida de uma conveniência maior para uma outra função [da mulher] na economia geral do cristianismo. É então a natureza do sacerdócio cristão, desejada por Cristo, que determina conveniência e inconveniência, sendo entendido, mais uma vez, que estas nada têm de arbitrário, e contribuem pelo contrário a fazer do homem e da mulher o que eles devem ser para Deus. Assim, a abolição desta distinção quanto à aptidão dos dois sexos ao sacerdócio teria por efeito, não somente alterar (ou mesmo enfraquecer) a essência verdadeira do sacerdócio cristão, mas ainda perverter a relação que a mulher cirstã possui com a economia da salvação, e por via das consequências, arruinar definitivamente a ordem da sociedade cristã. Porque não é indiferente, para esta sociedade, que a distinção dos sexos, que está na base de toda a organização social, esteja sancionada e conservada por uma instituição divina, que, sózinha, lhe dá o seu sentido verdadeiro. Repousando apenas em critérios biológicos, ou seja, em última análise, animais, é toda a organização social que passa a estar "animalizada". E cada qual sabe que um homem reduzido à sua animalidade não é mais que uma besta. Querendo apagar todos os sinais distintivos dos dois sexos, os feministas não se dão conta que se condenam necessariamente a sofrer a ditadura da inapagável distinção psicológica, a qual, reinando, não conhece outros limites que os da sua própria satisfação e não pode senão ir ao ponto de transformar as mulheres em puras fêmeas para machos reduzidos à função genesíaca. Esta é a verdade rigorosamente inscrita na revolução do «segundo sexo»." - Jean Borella, "De la Femme et du Sacerdoce".
A tradução é má, mas que fique bem claro que Jean Borella repudia a expressão "segundo sexo"! Para ele, e eu partilho desta opinião, o feminismo é um dos maiores atentados à verdadeira essência da mulher que a História humana alguma vez assistiu. Obviamente que o machismo, nem é preciso dizer, é uma postura de, e para, imbecis. A "luta dos sexos" só tem lugar no mundo complexo, variável e inconstante da psique e da emotividade humanas. No plano de Deus, apesar de terem "papéis" diferentes, homem e mulher são seres em "igualdade hierárquica".
Se algo ficou pouco claro deste pequeno excerto, porque eu tive que escolher uma parte pequena (o resto pode ser lido no site que indiquei), foi como expõe Jean Borella o papel da mulher no plano salvífico de Deus, de acordo com a doutrina católica. Remeto os leitores para o artigo de Jean Borella, porque isso exigiria um artigo grande só por si. Se eu puder, regressarei a este tema, traduzindo mais alguns excertos do referido artigo, sobretudo nesta última parte do papel da mulher, que é deveras interessante.
Um abraço,
Bernardo
ADENDA: Quando usei a palavra "feminismo", fi-lo, aliás como Jean Borella, no sentido de "extremismo feminista". Evidentemente que não podemos estar contra a protecção da mulher e dos seus genuínos direitos, bem como a protecção dos genuínos direitos de quem quer que seja. Contudo, e fica bem claro pela posição aqui apresentada, não considero o sacerdócio na sua forma especificamente cristã um direito genuíno da mulher.
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
quarta-feira, 1 de setembro de 2004
segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Acerca da aptidão da mulher para o sacerdócio cristão
Este tema polémico faz sempre estalar muito verniz. Para responder a algumas contestações que me dirigiram, relativas a existir um suposto "machismo" na minha discordância com o sacerdócio feminino na sua forma cristã, queria deixar-vos com as palavras lúcidas do comentador católico Jean Borella (uma série de artigos dele pode ser encontrada em http://membres.lycos.fr/borellajean/):
"Il n’y a donc pas de disconvenance radicale entre l’essence féminine et le sacerdoce. Il ne peut y a avoir que des disconvenances relatives à la nature particulière, et même unique, du sacerdoce chrétien. Et, bientôt plutôt, faudrait-il affirmer que ces disconvenances relatives ne sont que la contre-partie d’une convenance majeure pour une autre fonction dans l’économie générale du christianisme. C’est donc la nature du sacerdoce chrétien, voulue par le Christ, qui détermine convenance et disconvenance, étant entendu, encore une fois, qu’elles n’ont rien d’arbitraire, et contribuent au contraire à faire de l’homme et de la femme ce qu’ils doivent être pour Dieu. Ainsi, l’abolition de cette distinction quant à l’aptitude des deux sexes au sacerdoce aurait pour effet, non seulement d’altérer (et peut-être même d’anéantir) l’essence véritable du sacerdoce chrétien, mais encore de bouleverser la relation que la femme chrétienne entretient avec l’économie du salut, et par voie de conséquences, à ruiner définitivement l’ordre de la société chrétienne. Car il n’est pas indifférent, pour cette société même, que la distinction des sexes, qui est à la base de toute organisation sociale, se trouve sanctionnée et consacrée par une institution divine, qui, seule, lui donne son véritable sens. A ne reposer que sur des critères biologiques, c’est-à-dire, en dernière analyse, animaux, c’est l’organisation sociale tout entière qui s’en trouve animalisée. Et chacun sait qu’un homme réduit à son animalité est moins qu’une bête. En voulant effacer tous les signes distinctifs entre les deux sexes, les féministes ne se rendent pas compte qu’ils se condamnent nécessairement à subir la dictature de l’ineffaçable distinction physiologique, laquelle, régnant, ne connaît d’autres limites que celles de sa propre satisfaction et ne peut aller qu’à transformer les femmes en pures femelles pour des mâles réduits à la fonction génésique. Telle est la vérité rigoureusement inscrite dans la révolution du « deuxième sexe »." - Jean Borella, "De la Femme et du Sacerdoce".
Ressalvo um pormenor da extrema importância: a minha discordância face ao sacerdócio feminino aplica-se especificamente à sua forma cristã. A leitura cuidada do artigo de Jean Borella permitirá uma compreensão mais profunda deste ponto de vista, que partilho na íntegra com o autor citado (o que não implica, obviamente, a minha concordância com outras suas posições).
Bernardo
"Il n’y a donc pas de disconvenance radicale entre l’essence féminine et le sacerdoce. Il ne peut y a avoir que des disconvenances relatives à la nature particulière, et même unique, du sacerdoce chrétien. Et, bientôt plutôt, faudrait-il affirmer que ces disconvenances relatives ne sont que la contre-partie d’une convenance majeure pour une autre fonction dans l’économie générale du christianisme. C’est donc la nature du sacerdoce chrétien, voulue par le Christ, qui détermine convenance et disconvenance, étant entendu, encore une fois, qu’elles n’ont rien d’arbitraire, et contribuent au contraire à faire de l’homme et de la femme ce qu’ils doivent être pour Dieu. Ainsi, l’abolition de cette distinction quant à l’aptitude des deux sexes au sacerdoce aurait pour effet, non seulement d’altérer (et peut-être même d’anéantir) l’essence véritable du sacerdoce chrétien, mais encore de bouleverser la relation que la femme chrétienne entretient avec l’économie du salut, et par voie de conséquences, à ruiner définitivement l’ordre de la société chrétienne. Car il n’est pas indifférent, pour cette société même, que la distinction des sexes, qui est à la base de toute organisation sociale, se trouve sanctionnée et consacrée par une institution divine, qui, seule, lui donne son véritable sens. A ne reposer que sur des critères biologiques, c’est-à-dire, en dernière analyse, animaux, c’est l’organisation sociale tout entière qui s’en trouve animalisée. Et chacun sait qu’un homme réduit à son animalité est moins qu’une bête. En voulant effacer tous les signes distinctifs entre les deux sexes, les féministes ne se rendent pas compte qu’ils se condamnent nécessairement à subir la dictature de l’ineffaçable distinction physiologique, laquelle, régnant, ne connaît d’autres limites que celles de sa propre satisfaction et ne peut aller qu’à transformer les femmes en pures femelles pour des mâles réduits à la fonction génésique. Telle est la vérité rigoureusement inscrite dans la révolution du « deuxième sexe »." - Jean Borella, "De la Femme et du Sacerdoce".
Ressalvo um pormenor da extrema importância: a minha discordância face ao sacerdócio feminino aplica-se especificamente à sua forma cristã. A leitura cuidada do artigo de Jean Borella permitirá uma compreensão mais profunda deste ponto de vista, que partilho na íntegra com o autor citado (o que não implica, obviamente, a minha concordância com outras suas posições).
Bernardo
quinta-feira, 5 de agosto de 2004
O Evangelho de Tomé e o "sagrado feminino"
Todos temos tido contacto recente com leitores do best-seller "O Código Da Vinci", de Dan Brown. Uma das "teorias" avançadas neste romance pouco inocente é o de que os evangelhos apócrifos são mais genuínos que os evangelhos canónicos de Mateus, Marcos, Lucas e João que foram incorporados no cânone do Novo Testamento. Além disto, os adeptos destas "teorias" (que frequentemente não as vêem como "teorias" mas sim como factos) costumam dizer que um importante conjunto destes evangelhos apócrifos, conhecido como "textos de Nag Hammadi" (local no Egipto onde foram descobertos em 1945), ou "evangelhos gnósticos", traz importante informação em relação ao que eles chamam de "sagrado feminino", ou "culto da Deusa", ou seja, que Jesus teria casado com Maria Madalena, e que esta teria sido escolhida para liderar a Igreja após a morte de Jesus. No seguimento desta "teoria", a Igreja Católica (evidentemente "malévola" ao ponto de querer "esconder a verdade") teria feito tudo para a substituir por Pedro, que se asseguraria de que o "culto da Deusa" ficaria sepultado para a posterioridade.
Mas um dos trechos dos evangelhos gnósticos que é menos citado pelos nossos entusiastas do "sagrado feminino" é este trecho do Evangelho de Tomé, que contradiz imediatamente a "teoria" de que o "culto da Deusa" está presente nestes evangelhos:
"Disse-lhes Simão Pedro: que Maria se aparte de nós porque as mulheres não são dignas da Vida. Disse-lhes Jesus: Vede, eu mesmo a guiarei, para fazer dela macho, para que também ela seja um espírito vivo, semelhante a vós machos, pois cada mulher que se tornar macho irá para o reino dos céus." - Evangelho de Tomé, 51:18 (660) a 51:26 (668).
Fonte:
http://www.geocities.com/Athens/9068/log114.htm
(obter primeiro o ficheiro de fonte copta "coptic2.ttf", e colocar este ficheiro em c:\windows\fonts)
Antes de se pronunciarem sobre os evangelhos apócrifos em geral, e sobre os evangelhos gnósticos em particular, e antes de começarem a disparatar sobre os "segredos que a Igreja escondeu", algumas pessoas deveriam começar por se interrogar porque é que a Igreja recusou considerar estes textos como parte integrante do cânone bíblico.
As razões para esta recusa são:
a) razões teológicas, e
b) razões históricas.
Por um lado, o lado teológico, estes textos estão prenhes de heresia gnóstica (não me é possível desenvolver aqui e agora o que é esta heresia e porque é que é uma heresia), por outro lado, pelo lado histórico, estes textos estão temporalmente distantes da vida de Jesus (foram todos compostos a partir do século II d.C, ao contrário dos evangelhos canónicos que pertencem ao século I d.C., sendo S. João o mais tardio e que por vezes é datado até no máximo aos primeiros anos do século II d.C.), e por isso, os factos da vida de Jesus que lá vêm relatados são duvidosos e menos credíveis que os que foram (por essa razão e por outras) incluídos no cânone do Novo Testamento.
O Evangelho de Tomé pertence ao grupo de textos achados no Egipto, em Nag Hammadi, em 1945. Apesar de escritos em cóptico, não se faça confusão! Estes textos não pertencem à Igreja Copta, uma Igreja desde há séculos em cisma com a Igreja Católica, mas que nada tem a ver com a heresia do gnosticismo. Mais ainda, importantes membros e dirigentes da Igreja Copta tiveram um papel fundamental na luta contra as heresias gnósticas. Os evangelhos gnósticos foram muito provavelmente elaborados por seguidores de líderes gnósticos como Valentiniano, nascido em Alexandria por volta do ano 100 d.C. Deverão ter sido escritos em Alexandria ou em comunidades vizinhas. Alexandria foi um importante centro na difusão do gnosticismo.
A minha sugestão para todos os interessados seria:
1. Tentar aceder às fontes directas dos evangelhos apócrifos: há imensos sites na internet com o texto original em cóptico (caso dos textos de Nag Hammadi) e aramaico (caso dos textos de Qumran), e com as devidas transliterações e traduções para inglês;
2. Tentar aceder à documentação da Igreja Católica (textos conciliares, obras patrísticas, compêndios anti-heresia, etc.) para compreender quais foram as razões desta condenação da Igreja aos textos gnósticos, e a homens como Valentiniano.
Bernardo
Mas um dos trechos dos evangelhos gnósticos que é menos citado pelos nossos entusiastas do "sagrado feminino" é este trecho do Evangelho de Tomé, que contradiz imediatamente a "teoria" de que o "culto da Deusa" está presente nestes evangelhos:
"Disse-lhes Simão Pedro: que Maria se aparte de nós porque as mulheres não são dignas da Vida. Disse-lhes Jesus: Vede, eu mesmo a guiarei, para fazer dela macho, para que também ela seja um espírito vivo, semelhante a vós machos, pois cada mulher que se tornar macho irá para o reino dos céus." - Evangelho de Tomé, 51:18 (660) a 51:26 (668).
Fonte:
http://www.geocities.com/Athens/9068/log114.htm
(obter primeiro o ficheiro de fonte copta "coptic2.ttf", e colocar este ficheiro em c:\windows\fonts)
Antes de se pronunciarem sobre os evangelhos apócrifos em geral, e sobre os evangelhos gnósticos em particular, e antes de começarem a disparatar sobre os "segredos que a Igreja escondeu", algumas pessoas deveriam começar por se interrogar porque é que a Igreja recusou considerar estes textos como parte integrante do cânone bíblico.
As razões para esta recusa são:
a) razões teológicas, e
b) razões históricas.
Por um lado, o lado teológico, estes textos estão prenhes de heresia gnóstica (não me é possível desenvolver aqui e agora o que é esta heresia e porque é que é uma heresia), por outro lado, pelo lado histórico, estes textos estão temporalmente distantes da vida de Jesus (foram todos compostos a partir do século II d.C, ao contrário dos evangelhos canónicos que pertencem ao século I d.C., sendo S. João o mais tardio e que por vezes é datado até no máximo aos primeiros anos do século II d.C.), e por isso, os factos da vida de Jesus que lá vêm relatados são duvidosos e menos credíveis que os que foram (por essa razão e por outras) incluídos no cânone do Novo Testamento.
O Evangelho de Tomé pertence ao grupo de textos achados no Egipto, em Nag Hammadi, em 1945. Apesar de escritos em cóptico, não se faça confusão! Estes textos não pertencem à Igreja Copta, uma Igreja desde há séculos em cisma com a Igreja Católica, mas que nada tem a ver com a heresia do gnosticismo. Mais ainda, importantes membros e dirigentes da Igreja Copta tiveram um papel fundamental na luta contra as heresias gnósticas. Os evangelhos gnósticos foram muito provavelmente elaborados por seguidores de líderes gnósticos como Valentiniano, nascido em Alexandria por volta do ano 100 d.C. Deverão ter sido escritos em Alexandria ou em comunidades vizinhas. Alexandria foi um importante centro na difusão do gnosticismo.
A minha sugestão para todos os interessados seria:
1. Tentar aceder às fontes directas dos evangelhos apócrifos: há imensos sites na internet com o texto original em cóptico (caso dos textos de Nag Hammadi) e aramaico (caso dos textos de Qumran), e com as devidas transliterações e traduções para inglês;
2. Tentar aceder à documentação da Igreja Católica (textos conciliares, obras patrísticas, compêndios anti-heresia, etc.) para compreender quais foram as razões desta condenação da Igreja aos textos gnósticos, e a homens como Valentiniano.
Bernardo
sexta-feira, 23 de julho de 2004
In memoriam
Inesquecível. Enquanto Portugal existir, que nunca nenhum português se esqueça da enorme dívida de gratidão para com este grande homem.
Bernardo
terça-feira, 20 de julho de 2004
Foi por culpa do Timóteo Shel que eu...
... cedi à nostalgia (ver "Us and Them" em http://timoteoshel.blogspot.com/).
"The sweet smell of a great sorrow lies over the land
Plumes of smoke rise and merge into the leaden sky:
A man lies and dreams of green fields and rivers,
But awakes to a morning with no reason for waking
He's haunted by the memory of a lost paradise
In his youth or a dream, he can't be precise
He's chained forever to a world that's departed
It's not enough, it's not enough
His blood has frozen and curdled with fright
His knees have trembled and given way in the night
His hand has weakened at the moment of truth
His step has faltered
One world, one soul
Time pass, the river roll
And he talks to the river of lost love and dedication
And silent replies that swirl invitation
Flow dark and troubled to an oily sea
A grim intimation of what is to be
There's an unceasing wind that blows through this night
And there's dust in my eyes, that blinds my sight
And silence that speaks so much louder than words,
Of promises broken" - D. J. Gilmour (Pink Floyd) - A Momentary Lapse of Reason (1987)
Bernardo
P.S. Sempre que ouço esta música, faz-me lembrar o Kali Yuga em que se encontra o mundo em que vivemos...
"The sweet smell of a great sorrow lies over the land
Plumes of smoke rise and merge into the leaden sky:
A man lies and dreams of green fields and rivers,
But awakes to a morning with no reason for waking
He's haunted by the memory of a lost paradise
In his youth or a dream, he can't be precise
He's chained forever to a world that's departed
It's not enough, it's not enough
His blood has frozen and curdled with fright
His knees have trembled and given way in the night
His hand has weakened at the moment of truth
His step has faltered
One world, one soul
Time pass, the river roll
And he talks to the river of lost love and dedication
And silent replies that swirl invitation
Flow dark and troubled to an oily sea
A grim intimation of what is to be
There's an unceasing wind that blows through this night
And there's dust in my eyes, that blinds my sight
And silence that speaks so much louder than words,
Of promises broken" - D. J. Gilmour (Pink Floyd) - A Momentary Lapse of Reason (1987)
Bernardo
P.S. Sempre que ouço esta música, faz-me lembrar o Kali Yuga em que se encontra o mundo em que vivemos...
segunda-feira, 19 de julho de 2004
"A Língua dos Pássaros", na Terra da Alegria
Hoje é dia de Terra da Alegria, e no número de hoje abundam bons textos, sendo que a temática dos artigos incide sobretudo no diálogo inter-religioso.
O meu artigo fala sobre a "Língua dos Pássaros", ou como também é por vezes referida, a "Língua dos Anjos". Este artigo faz parte de uma intenção minha de escrever sobre a temática da angeologia, que é um tema fortemente incompreendido, mesmo pelos crentes.
Há muito boa gente, crente, que se envergonharia se tivesse que admitir publicamente que acredita em anjos ou em demónios. Dessa postura tão frequente quanto inaceitável, que só pode derivar de uma crença pouco informada ou insegura, é fácil cair-se na tentação de ver os textos sagrados das diversas tradições espirituais como simples "textos poéticos". A "metamorfose" da exegese do texto revelado numa profana "análise poética" é algo de profundamente deplorável. Aqueles que vêem os textos sagrados como simples "poemas" estão gravemente equivocados, e estão mais influenciados pela atitude materialista moderna do que supõem.
O texto de Guénon que traduzi para o artigo de hoje na Terra da Alegria é um texto muito útil, porque demonstra de forma clara e abrangente que as tradições espirituais verdadeiras só podem concordar entre si, e que sob as aparentes diferenças de forma, encontra-se uma unidade doutrinal que inviabiliza a tese da sua origem ser puramente humana.
O texto serve também de lição para alguns ateus que vêem o fenómeno da espiritualidade e da crença como um amontoado de superstições tolas e vazias de realidade. Que este texto sirva para dar força aos crentes que vacilem perante alguns aspectos da sua fé, para que estes não duvidem da necessidade da intelectualidade na atitude do crente, e para que estes não se deixem intimidar por certos discursos anti-religiosos ofensivos, que para a pessoa informada não passam de patéticas demonstrações de ignorância.
O diálogo inter-religioso só pode ser favorecido pelo conhecimento do trabalho de intérpretes competentes como Guénon, que conhecendo a fundo as várias doutrinas ao serviço do Homem, souberam lançar luz e mostrar paralelos onde por vezes eles pareciam não existir. "Entente et non fusion", dizia Guénon. O verdadeiro Ecumenismo deverá ser um entendimento ao nível dos princípios metafísicos, e nunca a fusão das várias formas tradicionais numa suspeita "nova religião".
Os perigosos discursos "neo-religiosos", que falam de uma nova forma de encarar a espiritualidade, que advogam o laxismo doutrinal para permitir uma melhor "fusão" das diversas tradições, são discursos fortemente anti-tradicionais. De forma insuspeita, romances como o "Código Da Vinci" de Dan Brown vão permitindo preparar a massa ingénua da opinião pública no sentido desta aceitar mais facilmente este tipo de ideias "neo-religiosas". Estas ideias são traições às diversas formas da Verdade revelada. A diversidade das formas do revelatum é consequência da diversidade das culturas humanas por esse Mundo fora. Pessoas diferentes necessitam de mensagens com forma diferente, que melhor se adapte à sua maneira de ser.
Por isso, apelo aos católicos para que, ajudados por uma profunda compreensão da doutrina católica, saibam também estudar, compreender e aceitar a profundidade das restantes doutrinas válidas, que servem o útil propósito de lançar, por vezes, nova luz sobre aspectos mais obscuros da nossa própria doutrina.
Evitemos, sobretudo, estes dois grandes perigos:
1. A tentação de nos mudarmos para outra tradição na expectativa de encontrar aquilo que julgamos faltar à nossa tradição;
2. A tentação de aceitar como algo de bom e desejável a instituição de uma nova religião, feita da fusão das religiões ainda existentes: esta fusão seria o golpe final na verdadeira espiritualidade, seria uma dissolução da verdadeira espiritualidade numa mescla caótica, indistinta e sincrética.
Bernardo
O meu artigo fala sobre a "Língua dos Pássaros", ou como também é por vezes referida, a "Língua dos Anjos". Este artigo faz parte de uma intenção minha de escrever sobre a temática da angeologia, que é um tema fortemente incompreendido, mesmo pelos crentes.
Há muito boa gente, crente, que se envergonharia se tivesse que admitir publicamente que acredita em anjos ou em demónios. Dessa postura tão frequente quanto inaceitável, que só pode derivar de uma crença pouco informada ou insegura, é fácil cair-se na tentação de ver os textos sagrados das diversas tradições espirituais como simples "textos poéticos". A "metamorfose" da exegese do texto revelado numa profana "análise poética" é algo de profundamente deplorável. Aqueles que vêem os textos sagrados como simples "poemas" estão gravemente equivocados, e estão mais influenciados pela atitude materialista moderna do que supõem.
O texto de Guénon que traduzi para o artigo de hoje na Terra da Alegria é um texto muito útil, porque demonstra de forma clara e abrangente que as tradições espirituais verdadeiras só podem concordar entre si, e que sob as aparentes diferenças de forma, encontra-se uma unidade doutrinal que inviabiliza a tese da sua origem ser puramente humana.
O texto serve também de lição para alguns ateus que vêem o fenómeno da espiritualidade e da crença como um amontoado de superstições tolas e vazias de realidade. Que este texto sirva para dar força aos crentes que vacilem perante alguns aspectos da sua fé, para que estes não duvidem da necessidade da intelectualidade na atitude do crente, e para que estes não se deixem intimidar por certos discursos anti-religiosos ofensivos, que para a pessoa informada não passam de patéticas demonstrações de ignorância.
O diálogo inter-religioso só pode ser favorecido pelo conhecimento do trabalho de intérpretes competentes como Guénon, que conhecendo a fundo as várias doutrinas ao serviço do Homem, souberam lançar luz e mostrar paralelos onde por vezes eles pareciam não existir. "Entente et non fusion", dizia Guénon. O verdadeiro Ecumenismo deverá ser um entendimento ao nível dos princípios metafísicos, e nunca a fusão das várias formas tradicionais numa suspeita "nova religião".
Os perigosos discursos "neo-religiosos", que falam de uma nova forma de encarar a espiritualidade, que advogam o laxismo doutrinal para permitir uma melhor "fusão" das diversas tradições, são discursos fortemente anti-tradicionais. De forma insuspeita, romances como o "Código Da Vinci" de Dan Brown vão permitindo preparar a massa ingénua da opinião pública no sentido desta aceitar mais facilmente este tipo de ideias "neo-religiosas". Estas ideias são traições às diversas formas da Verdade revelada. A diversidade das formas do revelatum é consequência da diversidade das culturas humanas por esse Mundo fora. Pessoas diferentes necessitam de mensagens com forma diferente, que melhor se adapte à sua maneira de ser.
Por isso, apelo aos católicos para que, ajudados por uma profunda compreensão da doutrina católica, saibam também estudar, compreender e aceitar a profundidade das restantes doutrinas válidas, que servem o útil propósito de lançar, por vezes, nova luz sobre aspectos mais obscuros da nossa própria doutrina.
Evitemos, sobretudo, estes dois grandes perigos:
1. A tentação de nos mudarmos para outra tradição na expectativa de encontrar aquilo que julgamos faltar à nossa tradição;
2. A tentação de aceitar como algo de bom e desejável a instituição de uma nova religião, feita da fusão das religiões ainda existentes: esta fusão seria o golpe final na verdadeira espiritualidade, seria uma dissolução da verdadeira espiritualidade numa mescla caótica, indistinta e sincrética.
Bernardo
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Sobre o politeísmo...
Tenho-me confrontado com alguns ateus que, na sua "imparcialidade" anti-religiosa, não compreendem porque é que Deus havia de ser Uno. Eles recusam Deus liminarmente, sem apelo nem agravo. E como não aceitam qualquer tipo de argumento abonatório da existência de Deus, optam por negar em pé de igualdade tanto o monoteísmo como o politeísmo.
Há dias, tentei explicar a um deles que o politeísmo era um erro. Ao que o dito ateu me retorquiu que, na impossibilidade de provar que Deus existia, era impossível saber se existia apenas um Deus, ou vários deuses!
É surpreendente! Não é possível ser-se mais "imparcial" na recusa de Deus!
Assim, nada como deixar aqui estas palavras de René Guénon, retiradas de um texto sobre o Demiurgo, que foram escritas em 1909, quando Guénon tinha apenas 22 anos:
"Alguns julgaram que deveriam admitir dois princípios distintos, opostos um ao outro, mas esta hipótese está descartada pelo que referi anteriormente. Com efeito, estes dois princípios não podem ser ambos infinitos, porque então se excluiriam ou se confundiriam; se só um fosse infinito, este seria o princípio do outro; e, se ambos fossem finitos, não seriam verdadeiros princípios, já que dizer que aquilo que é finito pode existir por si mesmo, é admitir que algo pode sair do nada, posto que todo o finito tem um princípio lógico senão cronológico. Neste último caso, em consequência, um e outro, sendo finitos, devem proceder de um princípio comum, que é infinito, o que nos leva à consideração de um Princípio único. Adicionalmente, muitas doctrinas que observamos como dualistas, não o são senão em aparência; no Maniqueísmo, como na religião de Zoroastro, o dualismo não é mais do que uma doutrina puramente exotérica, encobrindo uma verdadeira doutrina esotérica da Unidade: Ormuz e Ahrimán são os dois engendrados por Zervané-Akérêné, e devem fundir-se com ele no final dos tempos. A Dualidade é então necessariamente produzida pela Unidade, pois não pode existir por si mesma" - René Guénon, "O Demiurgo", publicado na resenha póstuma "Mélanges", Capítulo I, Parte I - Edições Gallimard, Paris, 1976.
Bernardo
Há dias, tentei explicar a um deles que o politeísmo era um erro. Ao que o dito ateu me retorquiu que, na impossibilidade de provar que Deus existia, era impossível saber se existia apenas um Deus, ou vários deuses!
É surpreendente! Não é possível ser-se mais "imparcial" na recusa de Deus!
Assim, nada como deixar aqui estas palavras de René Guénon, retiradas de um texto sobre o Demiurgo, que foram escritas em 1909, quando Guénon tinha apenas 22 anos:
"Alguns julgaram que deveriam admitir dois princípios distintos, opostos um ao outro, mas esta hipótese está descartada pelo que referi anteriormente. Com efeito, estes dois princípios não podem ser ambos infinitos, porque então se excluiriam ou se confundiriam; se só um fosse infinito, este seria o princípio do outro; e, se ambos fossem finitos, não seriam verdadeiros princípios, já que dizer que aquilo que é finito pode existir por si mesmo, é admitir que algo pode sair do nada, posto que todo o finito tem um princípio lógico senão cronológico. Neste último caso, em consequência, um e outro, sendo finitos, devem proceder de um princípio comum, que é infinito, o que nos leva à consideração de um Princípio único. Adicionalmente, muitas doctrinas que observamos como dualistas, não o são senão em aparência; no Maniqueísmo, como na religião de Zoroastro, o dualismo não é mais do que uma doutrina puramente exotérica, encobrindo uma verdadeira doutrina esotérica da Unidade: Ormuz e Ahrimán são os dois engendrados por Zervané-Akérêné, e devem fundir-se com ele no final dos tempos. A Dualidade é então necessariamente produzida pela Unidade, pois não pode existir por si mesma" - René Guénon, "O Demiurgo", publicado na resenha póstuma "Mélanges", Capítulo I, Parte I - Edições Gallimard, Paris, 1976.
Bernardo
Saiu mais um "Terra da Alegria"...
segunda-feira, 12 de julho de 2004
À segunda-feira...
... é dia de Terra da Alegria!
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
Ementa do dia:
- o Gabriel Silva discute o uso da terminologia "direita" versus "esquerda", concordo com practicamente tudo o que ele diz, se bem que eu o diria de outra forma. Mas é um tema denso... Fica para um futuro artigo sobre como eu vejo isto de "esquerda" e "direita".
- eu trago um artigo sobre a "Espada do Islão" ("Sayful-Islam"), que pretende ser um artigo de resposta àqueles senhores que me acusam de distorcer o Islão a meu bel-prazer, tentando ocultar que se trata de uma religião guerreira, e portanto, cúmplice do terror; espero ter sido claro, e ter demonstrado que o terrorismo moderno dos membros da Al-Qaeda é pseudo-islâmico, porque com os seus actos ofende gravemente os ensinamentos do Profeta.
- a Marvi apresenta-nos um texto lucidíssimo em torno da protecção da privacidade do ser humano, sobretudo no que toca à privacidade no sofrimento; gostei particularmente da citação de Miguel Torga que ela nos trouxe...
- O Lutz traz-nos o teólogo Eugen Drewermann, que eu desconhecia; antes de comentar, vou tentar saber mais sobre a obra e as opiniões deste teólogo, que o Lutz avisa desde já que não é muito bem visto pela ortodoxia católica. O tema é fascinante: o Lutz principia com uma frase bombástica: "Não acredito numa vida após a morte, mas acredito que somos eternos." - definitivamente a não perder.
- para terminar, o Marco Oliveira traz-nos uma poderosa analogia entre nascimento e morte; não posso deixar de afirmar que estou plenamente de acordo com o o Marco: o simbolismo que ele apresenta é profundíssimo e abre os horizontes para a compreensão da morte.
Enfim, como sempre, a não perder, esta TdA!
(perdoem-me a auto-promoção...)
Bernardo
domingo, 11 de julho de 2004
O simbolismo de Janus - Parte I
A noite já vai alta, e não dará para escrever muito.
Este é um tema que eu aprecio bastante, o do simbolismo de Janus, a divindade indo-europeia, que entre outras coisas, dá o nome ao mês de Janeiro.
Este simbolismo será analisado através da obra de Guénon, como tem sido hábito meu.
Foi Louis Charbonneau-Lassay (1871-1946) quem, pela primeira vez, deu a conhecer a Guénon este símbolo cristão, encontrado em Luchon (França) num medalhão gravado num manuscrito monacal do século XV:
Este símbolo é, como veremos nos próximos artigos, bastante próximo do simbolismo de Janus/Jana, do "deus da dupla face", uma masculina ("Janus") e outra feminina ("Jana" ou "Diana"). Como poderemos ver, este símbolo também é o símbolo de Cristo, como fica patente no monograma I.H.S. no topo do medalhão.
Este tema vem também a propósito de algo que aconteceu neste blogue há umas semanas atrás. Eu tinha escrito sobre a falsa polémica de saber se era ou não S. João que estava à direita de Cristo no mural de Leonardo da Vinci, e, na altura, tinha referido a coincidência de o fazer no dia de S. João. Foi o José quem me alertou para a "burrada"! O S. João em questão no mural é S. João Evangelista (e Apóstolo), quando o S. João celebrado a 24 de Junho é o S. João Baptista.
Prontamente, apaguei a minha asneira do texto, porque não vinha nada a propósito. Mas estas coincidências têm sempre um propósito didáctico! E para mim, foi o de ir investigar a natureza da dualidade simbólica entre S. João Evangelista e S. João Baptista (o "S. João" dos Santos Populares, do 24 de Junho). Esta "investigação" acabou por me levar ao simbolismo do Janus romano, e da sua surpreendente ligação com o simbolismo do próprio Cristo, e dos dois S. João que a doutrina católica venera em extremos diametralmente opostos do calendário, S. João Baptista a 24 de Junho e S. João Apóstolo e Evangelista a 27 de Dezembro.
Mas deixemos a continuação para depois...
Bernardo
Este é um tema que eu aprecio bastante, o do simbolismo de Janus, a divindade indo-europeia, que entre outras coisas, dá o nome ao mês de Janeiro.
Este simbolismo será analisado através da obra de Guénon, como tem sido hábito meu.
Foi Louis Charbonneau-Lassay (1871-1946) quem, pela primeira vez, deu a conhecer a Guénon este símbolo cristão, encontrado em Luchon (França) num medalhão gravado num manuscrito monacal do século XV:

(retirado de http://www.plotinus.com/janus.htm)
Este símbolo é, como veremos nos próximos artigos, bastante próximo do simbolismo de Janus/Jana, do "deus da dupla face", uma masculina ("Janus") e outra feminina ("Jana" ou "Diana"). Como poderemos ver, este símbolo também é o símbolo de Cristo, como fica patente no monograma I.H.S. no topo do medalhão.
Este tema vem também a propósito de algo que aconteceu neste blogue há umas semanas atrás. Eu tinha escrito sobre a falsa polémica de saber se era ou não S. João que estava à direita de Cristo no mural de Leonardo da Vinci, e, na altura, tinha referido a coincidência de o fazer no dia de S. João. Foi o José quem me alertou para a "burrada"! O S. João em questão no mural é S. João Evangelista (e Apóstolo), quando o S. João celebrado a 24 de Junho é o S. João Baptista.
Prontamente, apaguei a minha asneira do texto, porque não vinha nada a propósito. Mas estas coincidências têm sempre um propósito didáctico! E para mim, foi o de ir investigar a natureza da dualidade simbólica entre S. João Evangelista e S. João Baptista (o "S. João" dos Santos Populares, do 24 de Junho). Esta "investigação" acabou por me levar ao simbolismo do Janus romano, e da sua surpreendente ligação com o simbolismo do próprio Cristo, e dos dois S. João que a doutrina católica venera em extremos diametralmente opostos do calendário, S. João Baptista a 24 de Junho e S. João Apóstolo e Evangelista a 27 de Dezembro.
Mas deixemos a continuação para depois...
Bernardo
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