quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

A guerra pró-aborto ainda mal começou...

É sempre interessante despender alguns segundos com o Google à procura na Internet de novidades em relação a acções da International Planned Parenthood Federation, e das suas associadas em cada país.

Na Eslováquia, a sucursal local desta multi-nacional pró-aborto está muito enervada com as objecções de consciência. Estar atento à estratégia internacional da IPPF é, de algum modo, assistir através de uma janela temporal àquilo que será o nosso futuro.

Sucede que a Eslováquia tem uma Concordata com a Santa Sé. Como Portugal também tem.
E que, recentemente, a Santa Sé e a Eslováquia têm caminhado no sentido de assinar conjuntamente um tratado que proteja a liberdade de consciência dos médicos católicos e dos estabelecimentos de saúde católicos. Leia-se aqui o esboço do texto.

O tratado não pode ser mais sensato: visto que, para a Igreja Católica (e para qualquer pessoa que queira pensar) o aborto mata, é normal que os católicos possam usar da objecção de consciência para não serem forçados a fazer algo que consideram eticamente inaceitável.

Pelos vistos, para a eslovaca Associação de Planeamento Familiar, as coisas não são bem assim. Num documento disponível on-line, encontramos este belo discurso destes promotores das liberdades reprodutivas:

«Since Slovakia joined the European Union in 2004, the expectation toward a positive influence on the strengthening of the human rights and gender equality has been very high. Those expectation were not fulfilled, visa versa, the efforts of the conservative political forces to limit reproductive rights in Slovakia continued in 2005 with full strange. The main political and ideological issue was the draft on the Treaty on the Right to Exercise the Objection of Conscience with the Holy See. If approved, the treaty would gain the status of an “international human rights treaty” and will take precedence over current Slovak law. The Treaty on conscience objection, the first in the history of concordats, has the purpose to protect the “free and unlimited” exercise of the conscientious objection based on Catholic teachings of faith in the area of reproductive healthcare, education, employment, legal and military services. Such action would be in breach of Slovakia’s own Constitution, in breach of the Charter of Fundamental Rights of the European Union, and in breach of international human rights treaties, including the Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women (CEDAW). The proposed regulation of the conscientious objection is also in a strong opposition with recommendation on reproductive healthcare policy endorsed by the European Union. A legal panel of human rights experts appointed by the European Commission has analysed the draft treaty and agreed, that it could restrict access to sensitive medical treatment such as abortions and in-vitro fertilization. The lawyers warned that the treaty could place Slovakia in breach of its obligations as a member of the EU and UN.» (negrito meu)

É que muitos ainda não se deram conta de que está em marcha, e há décadas, uma guerra à escala global para impor o aborto como um direito reprodutivo. Aqui em Portugal, na ressaca da recente vitória do aborto legal a 11 de Fevereiro, ainda estamos todos na fase do discurso "soft" do respeito pelas liberdades de consciência dos médicos e da generalidade do pessoal médico. Várias clínicas privadas no nosso país já se manifestaram objectoras de consciência, afirmando que não matarão nas suas instalações. E quando a nossa APF acordar? Aliás, ela não estará, certamente, a dormir nesta matéria.

O caso da Eslováquia mostra bem até onde estas organizações pretendem "esticar a corda" no que toca ao enforcamento das liberdades e direitos do indivíduo. O primeiro passo foi o de promover o fim do direito à vida ao embrião, até certa idade. Vitória ganha. Agora, enfrentam a dificuldade de ter que forçar à prática do aborto os médicos e enfermeiros objectores de consciência, e as clínicas e hospitais que não queiram, legitimamente, ser obrigados a matar.

O direito à objecção de consciência deveria estar acima de tudo, certo? A APF eslovaca discorda: diz que tal direito está a violar tratados internacionais e a comprometer o papel da Eslováquia na União Europeia!

Bela distorção das realidades...
Quem lê o texto acima, fica com a impressão de que há algo de ilegal com o uso "livre e ilimitado" (notem-se as aspas usadas no texto original) da objecção de consciência. Parece que a invasão da consciência alheia, e a compulsão à prática de um acto repulsivo para a consciência de qualquer médico bem formado, constituem a última fronteira a violar, por parte destes defensores dos "direitos reprodutivos" das mulheres.

Isto vai também chegar cá. É só uma questão de tempo até que surjam "quotas máximas" de objecção de consciência, e outros abusos do género. Quando isso acontecer, porque vai acontecer, espero que os profissionais de saúde se mostrem à altura do desafio. Quem achar que isto não vai acontecer em Portugal, ainda desconhece a forma eficaz, organizada e incansável como a IPPF se articula com as várias APFs de cada país para implementar uma estratégia promotora do aborto à escala mundial...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Um mundo sem alicerces

O artigo de João César das Neves, A enorme derrota da Igreja, publicado no Diário de Notícias no passado dia 19 de Fevereiro, vai de encontro àquela que julgo ser a posição essencial na defesa de questões fundamentais como a do aborto.

Quando se está certo, e a Igreja Católica, juntamente com todos os crentes e não crentes que votaram "não", estavam e estão certos, não se pode abdicar dessa posição de vantagem intelectual, em nome de uma falsa "conciliação" com quem errou (e ganhou), ou em nome de um falso populismo político.

Errar e ganhar são coisas perfeitamente compatíveis.
O "Sim" ganhou no dia 11, mas errou.
Por outro lado, e por simples lógica, o "não" perdeu mas acertou (já estava certo à partida).

Regressamos sempre ao relativismo: quem não sabe em que é que acredita, e que ideias defende, voga sempre ao sabor das marés, das modas, das estratégias políticas, das pequenas e medíocres guerrinhas ideológicas, e perde a sua identidade.

Há que recordar a razão de ser deste referendo: sucedeu que sete magistrados do Tribunal Constitucional votaram a favor da pergunta, contra seis, do dia 15 de Novembro de 2006, dia de triste memória. A vantagem de apenas um voto deveria ter sido claro sinal de que algo estava mal com este referendo. É, no mínimo, legítimo perguntar se a pergunta era ou não constitucional, uma vez que a resposta dada pelo Tribunal Constitucional saiu com apenas um voto de vantagem. Faz-nos supor que outra composição do colectivo poderia ter produzido uma resposta de sinal oposto, e zás! Não havia referendo para ninguém, por violação do Artigo 24º da Constituição (o tal da "inviolabilidade da vida humana")!

Os senhores magistrados que, eticamente confusos, aprovaram esta pergunta são um perfeito exemplo da realidade de uma anomalia intelectual na nossa "moderna" civilização.
Quem leu bem o texto do Acórdão n.º 617/2006, notou que se fala em John Rawls (1921-2002) como quem apela para um nome sonante para defender uma posição indefensável. Esse campeão norte-americano do relativismo ético moderno, John Rawls, defendia que, numa sociedade na qual convivem duas éticas diferentes (a deontológica clássica e a "moderna" utilitarista, por exemplo), a política deveria estar baseada numa estrutura liberal que permitisse a sua coexistência, numa óptica ao estilo de "máximo divisor comum".
Os senhores magistrados não podiam estar mais de acordo com o senhor Rawls:

«8. A reflexão sobre valores numa sociedade democrática, pluralista e de matriz liberal quanto aos direitos fundamentais tem sido objecto privilegiado do pensamento filosófico contemporâneo. Tal reflexão exprime-se na ideia de um “consenso de sobreposição” (overlapping consensus) desenvolvida por JOHN RAWLS, em Political Liberalism, 1993, p. 133 e ss.. O autor concebe a possibilidade de um consenso sobre valores políticos, como o respeito mútuo ou a liberdade, sem o sacrifício de valores mais abrangentes e de visões particulares, mas a partir da diversidade dos valores. Por exemplo, diferentes concepções religiosas podem confluir, sem abandonar a respectiva matriz, num núcleo de valores estritamente políticos.» (negrito meu)

É curioso que a defesa do direito à vida era algo de inegociável há poucos séculos atrás, em pleno Iluminismo. Na altura, tanto ateus como crentes teriam este ponto em comum. Um ateu clássico, não niilista nem anarquista, em pleno século XIX, não abdicaria de defender o direito à vida, e ficaria chocado se esse direito surgisse associado em regime de exclusividade à Religião. Alguns poucos ateus, ainda esclarecidos em plenas trevas modernas, sairam nesta campanha em defesa corajosa do "não" ateu ao aborto livre.
Estes poucos, mas lúcidos, ateus demonstraram uma maior cultura iluminista e racionalista que os distintos senhores magistrados que votaram a favor da pergunta do referendo, mostrando-se como fiéis "discípulos" de Rawls.

É em tempos destes que as palavras sábias de René Guénon (1886-1951) ganham sempre nova luz:

«A civilização moderna aparece na História como uma verdadeira anomalia: de todas as que conhecemos, é a única que se desenvolveu num sentido puramente material, a única também que não se apoia em nenhum princípio de ordem superior. Este desenvolvimento material, que continua há vários séculos e que se acelera cada vez mais, foi acompanhado por uma regressão intelectual, que esse desenvolvimento foi incapaz de compensar. Trata-se, entenda-se bem, da verdadeira e pura intelectualidade, que poderíamos igualmente chamar de espiritualidade, e recusamo-nos a dar tal nome àquilo a que os modernos se têm sobretudo aplicado: o cultivo das ciências experimentais com vista às aplicações práticas a que elas podem dar lugar.» - Regnabit, Junho de 1926, título original do artigo, La Réforme de la mentalité moderne, incorporado na obra Symboles de la Science Sacrée, cap. I.

Este desenvolvimento "puramente material" de que fala Guénon constata-se facilmente na popularidade que alcançaram obras filosóficas como as de John Rawls, e na forma como são usadas, um pouco por todo o confuso mundo ocidental, para "desconstruir" a Ética clássica, para dar umas belas machadadas aos alicerces civilizacionais reconhecidos pelo mundo saído do Iluminismo, que ao seu tempo, ainda concebia uma Ética universal como base indispensável de uma sociedade justa.

É certo que, filosoficamente, o materialismo moderno nasce com Descartes (1596-1650). Mas, nos séculos que se sucederam à transformação cartesiana da Filosofia, a maioria dos adeptos destas ideias novas não abdicava de clamar por uma Ética universal, fraterna e igualitária. Ainda não eram puros materialistas!
Nos nossos tristes tempos, entusiasmados como estamos pela concepção animalesca que fazemos de nós mesmos (meros "homens-máquinas", "homens-animais"), bela herança de Darwin e de Freud, de que servirá ainda a Ética iluminista? De que servirá apelar a "princípios éticos universais" como o do direito a viver?
Hoje em dia, quantos filósofos ateus ainda acreditam na existência destes princípios?
E, em bom rigor, o que é mais chocante, quantos filósofos cristãos contemporâneos ainda acreditam neles?
A afirmação final do materialismo está, finalmente, a chegar. O caminho foi preparado pelos filósofos utilitaristas de matriz cultural anglo-saxónica (pouco dada à Metafísica), que defendem uma pseudo-Ética, melhor dizendo, uma anti-Ética, baseada nos "desejos" e na "maximização da felicidade" como regras de construção de uma "ética moderna". Peter Singer, defensor do infanticídio, é um desses filósofos que alcançaram, ainda em vida, enorme popularidade nos meios académicos do ensino da Filosofia.

Hoje em dia, em pleno Portugal do século XXI, magistrados ideologicamente motivados gostam de recorrer a esta "moderna" anti-Ética para fazer prevalecer, a pouco e pouco, os seus desejos sociais mais profundos, para muitos ainda radicados numa visão marxista da História, para eles "sempre em Progresso". Eles não têm, porventura, a noção de que fazem colapsar a Ética ao aprovar perguntas destas para referendo. Se eles não a têm, como há de a ter o povo ignorante que, sucumbido à argumentação demagógica e populista do PS, do BE e do PCP, votou mal no dia 11 de Fevereiro?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

A rampa inclinada do colapso ético

Em 1948, foi definido o Juramento do Médico (World Medical Association), e rezava assim, tendo vigorado até 1968:

«Physician's Oath
At the time of being admitted as a member of the medical profession:

I solemnly pledge myself to consecrate my life to the service of humanity;
I will give to my teachers the respect and gratitude which is their due;
I will practice my profession with conscience and dignity; the health of my patient will be my first consideration;
I will respect the secrets which are confided in me; even after the patient has died ;
I will maintain by all the means in my power, the honor and the noble traditions of the medical profession; my colleagues will be my brothers;
I will not permit considerations of religion, nationality, race, party politics or social standing to intervene between my duty and my patient;
I will maintain the utmost respect for human life from the time of conception, even under threat, I will not use my medical knowledge contrary to the laws of humanity;
I make these promises solemnly, freely and upon my honor.»
(negrito meu)

Este juramento colocava forte ênfase na protecção da vida humana intra-uterina desde a concepção. A razão era simples: os horrores do nazismo e do estalinismo, que incluiam a prática livre do aborto em grande escala, tinham chocado a Humanidade de então, fragilizada pelas misérias da Segunda Guerra Mundial. Hoje, a prática do aborto livre já não choca. O que choca é criticá-lo. Mas, em 1948, considerou-se essa frase do juramento relativa à vida humana intra-uterina como sendo essencial matéria de direitos humanos. Note-se que o texto do Juramento do Médico foi estabelecido pela World Medical Association, e não pela Santa Sé!

Alteração de 1983, onde se lia:
"…respect for human life from the time of conception"

passou a ler-se:
"…respect for human life from its beginning"

Já era forte, nestes tempos, a pressão do mediático caso norte-americano Roe vs. Wade (1973), que inaugurou a era do aborto livre e legal no "moderno" mundo ocidental ...
Neste ano de 1983, com esta discreta alteração, começava a derrapagem ética da WMA em matéria de direito à vida intra-uterina...

Alteração de Maio de 2005, onde se lia:
"…respect for human life from its beginning"

passou a ler-se:
"…respect for human life"

E pronto!
A alteração de 1983 apenas significava uma cobardia terminológica (usar o termo mais vago, "beginning", era mais seguro e gerava menos "ondas" do que falar em "conception"). Mas a alteração de Maio de 2005 é bastante mais reveladora. Porque razão se suprimiu a expressão "from its beginning"? É que, cientificamente falando, qualquer manual de Medicina estabelece, hoje em dia, que o início da vida humana está na fertilização, no rápido processo biológico que culmina no zigoto. Ora, mantendo a palavra "beginning", mesmo sendo algo mais vago que o termo original, continuava a obrigar os médicos, deontologicamente, a não praticar abortos a pedido. E isso era mal visto pelos crescentes e poderosos movimentos pró-escolha.
Daí que a expressão "from its beginning" tivesse um tempo de vida limitado, acabando por cair de vez. Há que manter as consciências dos médicos abortófilos bem limpinhas! Quando a "chatice" fosse removida do Juramento, como foi finalmente em Maio de 2005, os médicos que matam já poderiam ficar mais descansados, evitando ser vistos como perjuros pelos seus pares.
Em breve, é previsível que a Ordem dos Médicos em Portugal venha a decidir a alteração ao código deontológico. É que, dizem alguns, "não faz sentido" manter proibições deontológicas como as do aborto a pedido, quando tal comportamento está em vias de se tornar legal. Pois sim...
O Código Deontológico dos médicos é um documento ético e disciplinar, não é?
Por isso, fará todo o sentido, nas curtas cabecitas desta gente, que a Ética "evolua" ao sabor das ideologias políticas e das guerras culturais do Governo actualmente em maioria... O que era errado antes de 11 de Fevereiro, ou seja, matar fetos, passa agora a ser certo. Bela ética!
Afinal, se os "estrangeiros" da WMA já o fizeram, se a OMS gosta do aborto livre, se o Parlamento Europeu já o promove (1), do que é que a Ordem dos Médicos está à espera?


(1) Jornal Oficial nº C 271 E de 12/11/2003 p. 0369 – 0374, em http://eur-lex.europa.eu

No Rescaldo

À distância de uma semana do referendo sobre a liberalização do aborto, persiste a amálgama de sentimentos e convicções que dividiu a sociedade portuguesa. Apesar da expressiva vitória do “Sim”, mesmo tendo em conta a elevadíssima abstenção, ninguém pode ficar indiferente à extraordinária mobilização da sociedade civil em torno dos movimentos cívicos que lideraram a campanha do “Não”.

A forte convicção que a defesa da vida e da dignidade das mulheres são centrais numa sociedade equilibrada e fraterna, mobilizou a sociedade civil de uma forma tão intensa que só encontro precedentes na revolução de Abril. É um sinal claro que a democracia Portuguesa caminha para uma nova fase, em que a sociedade civil pretende ter um papel activo, sobretudo nas questões fundamentais para o futuro do nosso país.

Também foi evidente que a mobilização em torno do “Sim” foi, na sua essência, muito diferente. Teve como base as máquinas partidárias, nomeadamente do PCP e do PS, e centrou-se sobretudo na vertente mais mediática do aborto. O argumento central foi a necessidade de erradicar o flagelo do aborto clandestino, ignorando de forma grosseira as causas que levam as mulheres a recorrer ao aborto.

Apesar de para a esmagadora maioria dos Portugueses o aborto ser sempre uma tragédia, os defensores do “Sim”, nomeadamente a vertente politica encabeçada pelo nosso Primeiro-Ministro, consideram que a sua legalização o torna num mal menor e definitivamente necessário para combater a sua clandestinidade. Uma posição cobarde e medíocre, espelho da nossa classe politica actual, que não oferece mais nada às mulheres, para além do sofrimento e desumanidade.

Apesar de não contestar a vitória do Sim, não posso deixar de salientar que foi alcançada por apenas 25% dos Portugueses, o que equivalerá, em grosso modo, à percentagem de cidadãos que pratica um voto militante nos seus partidos, nomeadamente no PCP e no PS. Tal como seria uma presunção inaceitável assumir que os Portugueses que se abstiveram votariam Não, também o é assumindo que esses mesmos Portugueses pretendem passar da lei actual para uma liberalização total do aborto.

Espero sinceramente que a Assembleia da República procure desenvolver uma lei equilibrada e consensual na sociedade Portuguesa e isso não passa certamente pela liberalização total do aborto.

Um abraço,

Duarte Fragoso.

Jovens políticos - «De pequenino se torce o pepino...»

Do Diário Digital:

"O líder da Juventude Popular, João Almeida, defendeu hoje que o CDS-PP faça «uma reflexão profunda» em Conselho Nacional, considerando que os resultados do referendo ao aborto demonstram que parte do eleitorado democrata-cristão não se revê na posição do partido.

«Se analisarmos os resultados do referendo a nível local e cruzarmos com os das últimas legislativas, há interpretações que têm de ser feitas, numa reflexão muito profunda que vai para além da questão da liderança», afirmou João Almeida, em declarações à Lusa.

Para o líder da Juventude Popular (JP), a vitória do «sim» em zonas de forte implantação do CDS-PP demonstra que «há pelo menos uma causa que o partido defende com a qual o eleitorado não está sincronizado»."


Desde pequeninos, os "jotas" são educados na máquina partidária.
Acostumam-se aos truques, aos esquemas, ao discurso, à propaganda.
Seja qual for o partido, seja à esquerda, seja à direita, o "jota" é sempre um benjamim político, guarda as bandeiras do "Partido" debaixo da cama, prepara e ensaia futuros discursos do "Partido" ao espelho, e desde tenra idade. Aprende que a política é a arte da comunicação enganosa.
Aprende que a intelectualidade serve a política e não o inverso.
João Almeida é um belo exemplar disto mesmo: é um espécime genuíno do puro "jota". Cá está: para ele, a derrota da posição anti-aborto do CDS-PP é um claro sinal de que, se há coisas a mudar, é nas posições "pouco populares" do "Partido", porque acima de tudo, está a obtenção de votos para o "Partido".
Afinal, a mudança para o nome "Partido Popular" já dava, anos atrás, provas da infiltração no CDS deste tipo de intelectualidade subserviente da política, onde o que conta, num "Partido", é ser votado. O resto é conversa.
Ideais?
Intelectualidade?
Projectos e propostas?
Nada disso! Para João Almeida, o problema fundamental, essencial, é que «parte do eleitorado democrata-cristão não se revê na posição do partido».

O direito ao aborto legal é um mal ético?
O João Almeida não faz ideia, nem quer saber.
O aborto legal causa sequelas na mulher? Mata uma vida humana?
O João Almeida não faz ideia, nem quer saber.
Não haveria soluções de apoio à maternidade que poderiam resolver o drama do aborto de vez, erradicando-o de vez?
O João Almeida não faz ideia, nem quer saber.
O problema é que o "Partido" perdeu parte do apoio do eleitorado e há que mudar alguma coisa! Há que mudar! Há que ganhar votos! E depressa, a tempo das próximas eleições! Rápido!

Quando vejo situações destas, firmo-me cada vez mais numa coisa boa que aprendi desde pequenino: nesta vida, pode-se abdicar do dinheiro, pode-se abdicar do poder, mas não se pode, de forma alguma, abdicar da integridade, da inteligência, da coerência intelectual, da seriedade. Senão, deixamos de ser homens. Passamos a ser vermes.
E é por estas e por outras que, desde que me lembro, nunca estive filiado em Partido algum, e nunca defendi nenhum Partido político.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Contestação a Darwin: a lista de cientistas já conta com 700

Vale a pena ler:
Dissent from Darwin

A afirmação que mais de 700 cientistas em todo o Mundo já subscreveram é a seguinte:

“We are skeptical of claims for the ability of random mutation and natural selection to account for the complexity of life. Careful examination of the evidence for Darwinian theory should be encouraged.”

“Somos cépticos face à afirmação de que a mutação aleatória e a selecção natural são capazes de explicar a complexidade da vida. Deve ser encorajado um exame cuidadoso às evidências a favor da teoria Darwiniana.” (tradução minha)

Apesar de a batalha contra o fanatismo darwinista, e em nome da Ciência, estar bem longe de estar ganha, isto é um sinal encorajador para todos aqueles que nunca se quiseram acomodar ao status quo, duvidando da suficiência do darwinismo e do neo-darwinismo para explicar a sofisticação e a complexidade da vida.

Esta situação já estaria resolvida há muito, e a Ciência já poderia saber hoje muito mais acerca da vida, se não tivesse sido o esforço insensato de alguns cientistas em promover a suposta definitude do darwinismo e do neo-darwinismo como armas de combate ideológico contra as religiões abraâmicas ou contra a religião em geral.

É certo que nem todos os cientistas que seguem cegamente o darwinismo estão ideologicamente comprometidos nesta guerra anti-religião. Muitos, certamente, evitam contestar o darwinismo por outras razões: muitos homens e mulheres de ciência preferem o "academicamente correcto" ao "cientificamente correcto". Hoje em dia, começa a ser seguro publicar artigos de contestação ao darwinismo. Mas não há muitos anos, esse "atrevimento" significava para muitos um grande escolho na sua carreira científica.

Ao menos, com iniciativas destas, e com o engrossar desta lista, começa a ser complicado chamar patetas ou tontos àqueles que não aderem totalmente às teorias propostas por Darwin e pelos seus mais fervorosos seguidores.

A «palhaçada» do aborto livre e legal

O título deste texto não tenciona fazer qualquer ataque à nobre arte circense, mas sim usar uma expressão corriqueira para manifestar o meu profundo nojo (intelectual e sensorial) perante o evoluir bem previsível, e em tão pouco tempo, desta triste situação.

«Ontem, o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, que chamou a si a questão, garantiu que o diploma não deverá aconselhamento obrigatório da mulher que pretende abortar – uma afirmação que foi contestada pelos movimentos que se bateram pelo “não” no referendo. Por outro lado, a lei deverá contemplar um período de reflexão de alguns dias, após a consulta médica inicial, de contornos também ainda não definidos.» - in Público, 14 de Fevereiro de 2007.

Continua a manipulação das palavras.... "Aconselhamento obrigatório" transmite, emocionalmente, a mesma sensação da expressão "prisão das mulheres", mesmo sem mulheres presas...
O PS, naturalmente, não está nada disponível para leis sensatas, nunca esteve, e se o Eng. José Sócrates o tentou sugerir com belas palavras na noite da vitória de triste memória, fê-lo claramente no melhor espírito de teatro político, do qual ele é mestre exímio.

Do mesmo modo que o Eng. Sócrates não via nem vê uma mulher que comete o crime de aborto como "criminosa", também não achará correcto "impor" a essa mulher o aconselhamento prévio, uma quase vil forma de "prisão psicológica", pensará ele e os seus correlegionários.

O regime anárquico de abolição do crime de aborto só pode ser seguido (em lógica e coerência) pelo regime libertário: deixem as mulheres abortar em paz!
Certo? Certo...

Na origem de tudo isto, não me tenho cansado de insistir, está uma dramática anomalia intelectual tripartida:

a) não ver a vida intra-uterina como plenamente humana, com direito a viver
b) não reconhecer a obrigatoriedade do estado em garantir a Justiça, por meio da protecção de direitos fundamentais
c) não criminalizar as condutas que atentam contra direitos fundamentais

Faltando estes três pontos, tudo cai por terra. O aborto torna-se num "direito reprodutivo". E, claro está, do mesmo modo que ninguém se lembra de impor consultas de métodos contraceptivos a ninguém, e porque o PS vê o aborto exactamente como contracepção, é natural que não queira impor às mulheres a consulta obrigatória, que seria a derradeira oportunidade para se fazer ver à mulher que planeia abortar os terríveis males físicos e psíquicos do aborto.
Ficamos, então, com a sugestão vaga feita às mulheres de que façam, onde quiserem, a sua experiência pessoal e individual de "gabinete de reflexão"...
Terá uma eficácia potente, como aquela do imperioso dia de reflexão pré-votação.
Seguramente que esta "reflexão" não será feita no conforto das salas arejadas das modernas clínicas das Yolandas Hernandez Dominguez desta vida. Era só o que mais faltava! Para quem faz da morte um negócio, faz algum sentido criar um serviço de aconselhamento prévio? Seria como um centro comercial ter à porta um gabinete a recomendar às pessoas que não comprem nada naquele espaço...

Quando a questão é, realmente, de vida ou de morte (vida da mãe, vida do feto), dá uma enorme tristeza ter que dizer "eu tinha razão", ou ter que relembrar o que eu disse, afirmando que votar SIM era uma grave asneira de graves consequências... Que era um cheque em branco para políticos incompetentes, ignorantes, desprovidos de um intelecto funcional, e ainda por cima ideologicamente comprometidos numa guerra cultural.
Estamos ainda nas primícias da degradação ética e moral à qual ainda vamos todos assistir no nosso tempo de vida.
A partir daqui é sempre a descer...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Modernismo: «o fumo de Satanás»

Quando reflectimos acerca do que escrevi nos textos anteriores, ou seja, acerca do facto de existirem sacerdotes e teólogos soi-disant "católicos" que defendem uma doutrina muito pessoal, e pouco católica, torna-se inevitável abordar a questão do modernismo.
O modernismo é uma heresia nascida no século XIX, que adquire visibilidade com a obra de Alfred Loisy (1857-1940), espalhando-se depressa no universo católico, e que foi denunciada e combatida desde muito cedo por papas como São Pio X (1835-1914), que inclusive fez promulgar um Juramento Anti-Modernista que deveria ser feito por todo e qualquer sacerdote católico.
Na encíclica Pascendi Domini Grecis, Pio X classifica o modernismo como a "síntese de todas as heresias", por isso se vê que a matéria não é ligeira.

O modernismo é bastante complexo e não é simples sintetizá-lo, mas pode-se fazer uma aproximação segura vendo-o como sendo uma leitura materialista e anti-metafísica da Revelação Cristã. O modernista deixa de ver os textos revelados como verdadeiros em si mesmos, passando a vê-los como uma possível leitura histórica, que teria validade no tempo dos seus autores terrenos, mas cuja validade poderia ser revista hoje pelo homem moderno. S. Tomás de Aquino defendia a veracidade das Escrituras do mesmo modo que defendia a veracidade de qualquer coisa: adequatio rei et intellectus, ou seja, é verdadeiro tudo aquilo que consiste na adequação das coisas (do "real") ao intelecto humano. As Sagradas Escrituras, possuindo certamente diversos níveis interpretativos mais profundos, são seguramente verdadeiras no seu primeiro e mais básico nível, o literal, conquanto o exegeta esteja munido das ferramentas hermenêuticas adequadas, que lhe permitem afastar toda e qualquer aparência de contradição.

Com o modernismo, é feita uma leitura "histórica" (e portanto anti-metafísica, porque destrói a invariância de espaço e de tempo) da Revelação. Segundo os modernistas, a veracidade literal das Sagradas Escrituras deveria ser revista, porventura negada em muitos aspectos, e deveria ser acomodada com as então recentes teorias científicas (das quais uma das mais importantes foi a de Darwin acerca da Evolução das Espécies).

Pio X reage com a necessária firmeza, afirmando que tal leitura anti-metafísica das Sagradas Escrituras estava contra o que de mais fundamental havia na fé católica. Segundo esta, apesar de nenhum enunciado bíblico poder alguma vez ser contrário à Razão (porque esta procede de Deus, a fé nunca pode ser irracional), os enunciados bíblicos, pela sua natureza de textos revelados (com forma humana e essência divina), permitem certamente inúmeros e indefinidos níveis de significado metafísico e doutrinal, sem nunca deixar de parte o significado literal.

Para evitar confusões, há que distinguir esta doutrina católica da inerrância do problema da sola scriptura protestante. O erro de um certo literalismo da hermenêutica protestante está na recusa de boa parte da tradição oral católica e apostólica, que é o garante de uma hermenêutica correcta e ortodoxa. Por outras palavras, o literalismo de que aqui se fala, para ser católico, deve ser contextualizado numa tradição oral que, atrevo-me a dizê-lo, pode ser vista como mais importante do que a escrita. E isto porque a palavra escrita é sempre consequência da palavra pensada ou falada.

Continuando na questão do relativismo histórico imposto pelos modernistas, os postulados verdadeiramente universais que surgem plasmados nos textos revelados, pela sua universalidade (catolicidade), não podem ter o seu critério de veracidade baseado no momento ou no local históricos. Tudo o que é universal, é-o ontem, como hoje e como amanhã. E é-o em qualquer lugar.

O modernismo rejeita tudo isto, sendo na verdade a materialização de um "suicídio de fé", pelo facto de fazer uma materialista e inaudita anti-hermenêutica dos textos revelados. Por esta razão, Pio X a classificou justamente como sendo a heresia que sintetiza todas as heresias.

Não obstante, o modernismo prosperou durante todo o século XX. Manifestou-se durante o Concílio Vaticano II, durante o qual, por exemplo, o cardeal de Viena, Franz König (1905-2004), considerado por muitos (com boas razões) como sendo modernista, fez um famoso discurso tentando contrariar a inerrância da Bíblia.

Não anda longe deste tema central para o catolicismo do século XX a contestação que muitos passaram a fazer, após o Vaticano II, aos dogmas de fé da Igreja Católica. Surgiu a ideia errada de que os dogmas tinham a sua justificação numa dada época histórica, e que agora poderiam ser contestados, e mesmo rejeitados se isso fosse conveniente. Como se a revelação crística e os textos sagrados possuissem prazo de validade!
Para mais, como já o disse noutra ocasião, este erro nasce da ignorância acerca da natureza distinta dos dogmata (os conceitos "interiores" da doutrina, invariantes por natureza) e dos kérigmata (as proclamações formais, e portanto "exteriores" dos mesmos). É aceitável discutir o revestimento formal de uma doutrina, a formulação textual da mesma. Aliás, esta discussão é, e foi, feita de forma corrente em qualquer Concílio. Mas para se alterar os conceitos interiores da doutrina católica, é necessário transformá-la noutra coisa que não católica, ou seja, distorcê-la ou destruí-la na sua essência.

Nos dias que correm, a praga do modernismo tornou-se na heresia católica mais importante de todas. É certo que poderíamos também evocar a heresia do gnosticismo como sendo hoje cultural e intelectualmente relevante (basta pensar no fenómeno "Código da Vinci" e similares). Mas, na minha opinião, o espaço fértil para o surgimento do neo-gnosticismo foi preparado, conscientemente ou não, pelos hereges modernistas dos finais do século XIX e do século XX, muitos deles figuras importantes no Concílio e hoje considerados e venerados por muitos como "teólogos excepcionais".

Agastados pela presença do modernismo no Vaticano II, determinados grupos decidiram demarcar-se deste Concílio, alegando que a heresia modernista se tinha apoderado dos trabalhos ao ponto de invalidar o Concílio como um todo. É uma questão complexa demais para a minha presente ignorância, pelo que me limito a afirmar a minha posição actual, sem conseguir demonstrá-la teoricamente: acredito, até demonstração em contrário, que o Vaticano II foi um concílio válido. Não considero esta posição como absoluta, o que seria insensato, uma vez que a História da Igreja presenciou alguns concílios que foram declarados inválidos. Julgo que as más consequências modernistas que foram retiradas do Concílio Vaticano II foram o resultado da heresia modernista que estava embutida nas crenças de alguns dos protagonistas conciliares (obrigados por Juramento a rejeitar o Modernismo), e nas crenças de muitos sacerdotes espalhados por todo o Mundo. Por isso, a minha posição actual é a de que o modernismo não estará, eventualmente, plasmado nos textos e deliberações do Concílio, mas sim nas interpretações erradas e abusivas, e nas aplicações concretas, que certos modernistas delas fizeram.

Nestes tempos em que vivemos, nos quais uma comunicação social catolicamente analfabeta (ou ideologicamente comprometida) procura sempre deixar falar, dar espaço de antena, e entrevistar os padres e teólogos dissidentes, nunca é demais relembrar que o modernismo é uma heresia, que é um atentado contra o que de mais essencial existe no catolicismo, e que é um fenómeno que está longe de ser explicado apenas de forma empírica, histórica ou sociológica...

É importante, hoje mais do que nunca, recordar as notáveis palavras do Papa Paulo VI, numa célebre homilia de 29 de Junho de 1972,

«Crediamo - osserva il Santo Padre - in qualcosa di preternaturale venuto nel mondo proprio per turbare, per soffocare i frutti del Concilio Ecumenico, e per impedire che la Chiesa prorompesse nell’inno della gioia di aver riavuto in pienezza la coscienza di sé. Appunto per questo vorremmo essere capaci, più che mai in questo momento, di esercitare la funzione assegnata da Dio a Pietro, di confermare nella Fede i fratelli. Noi vorremmo comunicarvi questo carisma della certezza che il Signore dà a colui che lo rappresenta anche indegnamente su questa terra» (negrito meu)

«da qualche fessura sia entrato il fumo di Satana nel tempio di Dio»

Paulo VI afirmava então, perante as nefastas consequências que muitos retiraram ilicitamente do Segundo Concílio Vaticano, que "(...) [através] de qualquer fissura teria entrado o fumo de Satanás no templo de Deus".

Espero que com este texto se entenda melhor porque razão decidi "provocar" os católicos portugueses ao abordar a questão da existência do Diabo, que no fundo, é a mesma questão da existência de criaturas (como tal, infra-divinas) num estado ôntico acima do humano (criaturas feitas "de puro intelecto", se quisermos). Negar o anjo caído é negar a demonologia. É negar que o Mal é uma "criatura intelectual", que é uma "ideia criada", que era boa antes da Queda, e que se degenerou devido à sua própria vontade de criatura livre em desobedecer ao seu Criador. Negar a demonologia é negar a angeologia, porque no fundo, os demónios são as hostes de Satanás, os anjos caídos que, por sua vontade, negaram obedecer a Deus, seguindo o Diabo na sua Queda.

(O conceito de "vontade" e o conceito de "liberdade" têm um imenso alcance metafísico e são centrais para se compreender a angeologia, mas isso terá que ficar para outra altura. Para já, gostaria apenas de deixar aqui a ideia de que Satanás, criação divina, com a sua existência, torna manifesta a ideia de "liberdade total para errar, para rejeitar Deus". É, por isso, a "causa" ôntica de todo o Mal. Isto não remove a responsabilidade ao católico, visto que este tem a sua consciência, e a sua contra-parte, a vontade, para optar, livremente, entre seguir o "pai da Mentira" ou seguir o Pai celestial.)

Negando a angeologia, temos o caminho aberto para negar o sobrenatural, e consequentemente, o significado e a suprema realidade da divindade. É da negação do sobrenatural, e mais ainda, da negação do Infinito divino como fonte e sustento ôntico do real, que nascem as confusões modernistas.

A recusa de muitos católicos modernos em reconhecer a realidade ôntica do Demónio como "ideia criada", como "criatura", tem origem na mesma confusão que os faz negar a inerrância da Bíblia, a virgindade real (física, biológica) da Virgem Maria, a realidade histórica literal da Ressurreição de Cristo, a realidade física da presença divina na Eucaristia, e enfim, tudo o que o catolicismo tem de supra-empírico. Por outras palavras, o modernista nega tudo o que o catolicismo tem de católico. Isso faz com que surja o inacreditável e o impossível, como vermos sacerdotes e teólogos "católicos" defenderem a posição do "sim" no recente referendo acerca da liberalização do aborto, ou manifestarem ideias confusas acerca da origem do ser humano.
O modernismo é um naufrágio pístico e doutrinal, que resulta de erros intelectuais facilmente solúveis, assim houvesse vontade dos seus protagonistas em proceder à sua correcção por via do estudo da Metafísica.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Outro "católico" pelo SIM

«A corrente laicista, que deseja a Igreja fechada na sacristia, não creio que seja maioritária na sociedade portuguesa, apesar do nosso passado anticlerical. Mas a grande alergia à presença activa da Igreja talvez resulte da ideia de que ela quer fazer da sociedade e do espaço público uma sacristia. As declarações e posições pouco católicas (sic) de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais (sic) (...)», Frei Bento Domingues, Por Opção da Mulher (negrito meu).

E quem terá ordenado este senhor?