"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
«Crenças e diferenças»
No seu artigo "Crenças e Diferenças", o Ludwig defende a incompatibilidade entre crença científica e crença religiosa.
Pretendo brevemente apontar alguns erros no artigo em questão, aproveitando algumas afirmações específicas feitas pelo Ludwig:
«Os crentes mais moderados defendem que as crenças científicas e religiosas estão ao mesmo nível, assentando as primeiras na ideia de um universo regular e observável e as últimas num deus que revela os seus mistérios.»
Há aqui um problema claro de generalização. O Ludwig não o especifica, mas esta frase não pode ser escrita assim. Os hindus, por exemplo, não confiam na regularidade e observabilidade do universo. Nem entendem Deus como alguém que revela coisas sagradas à Humanidade.
Mas há outro problema mais grave: na esfera concreta da crença católica, nenhum católico pode defender que as crenças científicas e religiosas estão ao mesmo nível. Há duas nuances importantes:
a) para o crente católico, a fonte da crença religiosa é Deus e nessa qualidade, trata-se de crença infalivelmente verdadeira; a crença científica, tendo sempre uma fundamentação empírica (mais ou menos sólida), nunca é definitiva e é sempre passível de refutação (pior caso) ou melhoria (melhor caso)
b) para o crente católico, a realidade é toda a mesma e foi toda criada por Deus, ou seja, o objecto da crença científica faz parte da mesma realidade do objecto da crença religiosa: os milagres de Cristo foram realizados no mesmo mundo real no qual se desenrolam todos os fenómenos estudados pela ciência
Um pouco adiante, o Ludwig escreve:
«A crença do cristão é diferente. O cristão que crê que Maria era virgem não está a assumir que, algures, existem os exames ginecológicos necessários para substanciar esta proposição, que pode ter acesso a esses registos e que, se os analisar cuidadosamente, concluirá que Maria era mesmo virgem. Esta sua crença não é condicional. Não depende de assumir que há fundamento objectivo para a proposição. É uma crença categórica. O cristão crê. Ponto final.»
Não é nada disto que o cristão diz. A crença cristã não é cega. Por exemplo, nenhum cristão pode afirmar a crença numa proposição refutada pela experiência ou pelo conhecimento prático das coisas. A fé é entendida como a aceitação daquilo que é revelado por Deus, e tem como objecto proposições às quais nunca chegaríamos pela via empírica. No entanto, a via empírica não pode refutar uma proposição de fé, senão essa proposição era falsa.
Por exemplo: imaginemos que alguns dos discípulos de Cristo afirmavam que o Mestre era imaterial. Isso era facilmente refutado pelo simples facto de que os discípulos próximos de Cristo poderiam facilmente fazer o teste.
Outro exemplo: imaginemos que se descobria uma sepultura muito antiga, com os restos mortais de uma mulher da Galileia, e que era possível estabelecer, graças a inscrições e a tradições orais e escritas, que se tratava da sepultura de Maria, Mãe de Cristo. Automaticamente, estava refutado o dogma da assunção de Maria aos céus, pois esse dogma afirma de modo categórico que o corpo de Maria foi "absorvido para fora" da materialidade, para fora do tempo e do espaço.
Segundo a forma errada como o Ludwig vê a fé cristã, então o cristão deveria manter a crença no dogma da assunção de Maria, MESMO que surgissem restos mortais de Maria. Ora isso é totalmente falso, e nenhuma verdade cristã é assumida CONTRA verdades empíricas demonstradas.
1) Não só não podem existir incompatibilidades entre a doutrina e as verdades manifestas e indiscutíveis (incluídas as regras da lógica, essenciais ao raciocínio coerente e estruturado)
2) Como são tidos e pesados todos os argumentos a favor de uma tese doutrinal: não se chegou a nenhum dogma da Igreja através de argumentos puros de autoridade, ou através de literalismos escriturísticos, mas sim através de longos e extensos debates (basta conhecer a história dos concílios para se ver como a Igreja amadureceu a exposição da sua doutrina)
O cristão afirma que Maria era virgem por várias fortes razões, que vão desde a tradição oral de quem viveu na altura próximo a Maria, até à coerência teológica que foi procurada tenazmente nos primeiros séculos: para Cristo ser realmente Deus (e este postulado data do tempo dos primeiros doze) e realmente Homem, teria que ter um progenitor humano (Maria) e outro divino (Espírito Santo). A doutrina cristã é o resultado de séculos de consolidação doutrinal (eliminando incoerências e contradições) efectuada sobre tradição escrita e oral.
O cristão não afirma que Maria era virgem só porque "está escrito", ou porque "alguém disse". Isso é fideísmo (ver abaixo), e é uma heresia.
«Esta é uma razão importante para a incompatibilidade entre a ciência e as religiões.»
Não há qualquer incompatibilidade entre fé cristã e ciência. Até seria ilógico supô-lo, uma vez que o cristianismo foi o berço e a motivação do progresso da ciência moderna.
O que se passa é que o cristão não defende um absurdo reducionismo filosófico. É por puro preconceito filosófico que o ateu materialista julga que a realidade tem que ser toda material porque o método científico (por natureza empírico) não vai mais longe. Ora isto é ridículo. Seria o mesmo que afirmar que não existe amor humano só porque não o conseguimos medir com instrumentos. É que o ateu materialista confunde mesmo o real com o empírico, como se não pudesse existir nada que não pudesse ser medido empiricamente. Isto é um preconceito filosófico, e nada tem a ver com ciência.
Já no que toca à compatibilidade entre outras religiões e ciência, então é certo que há muita fé religiosa que é incompatível em maior ou menor grau com a ciência, e é por isso que erra todo e qualquer ateu, como o Ludwig, que trata a crença religiosa toda por igual. Ao não distinguir aqueles credos (como o cristão) que afirmam cabalmente que nenhuma verdade de fé contradiz uma verdade de ciência, o Ludwig generaliza demais e acaba por ser injusto para com o cristianismo.
Por exemplo, o Hinduismo desconfia profundamente dos sentidos (por causa do conceito de "maya"), e por isso, é impossível a integração no hinduísmo da abordagem empírica essencial ao trabalho científico.
Outro exemplo: no Islão, a crença religiosa pode ser irracional, algo impossível na crença cristã. Por isso, é complicado conciliar, na mente do crente muçulmano, a doutrina do Islão com a metodologia do trabalho científico.
«Como as crenças científicas são todas condicionadas à premissa de haver fundamento objectivo, acessível e compreensível, para as proposições em que se crê, os cientistas têm uma exigência quase paranóica de registos de resultados, descrições detalhadas dos procedimentos, conclusões cautelosas, crítica aberta, verificação independente e todo esse aparato que nos dá confiança que, quando chegam a acordo acerca de algo, há por trás um forte fundamento para o que defendem.»
Eu não vejo nada de paranóico nisso. Essa boa escola do cientista é a boa escola da cosmovisão judaico-cristã. O cristão só pode valorizar o empirismo, uma vez que o Cristão acredita que a realidade é boa, porque é obra de um Deus bom, que não engana, e que os sentidos do Homem, feitos por Deus, são fiáveis, e que o intelecto humano, feito à imagem do de Deus, é minimamente fiável, e que ambos os intelectos partilham do uso da razão e da lógica.
Desafio o Ludwig a explicar como é que essa escola científica teria chegado aos nossos dias se não tivesse sido precisamente a Igreja Católica a pior inimiga das heresias opostas a essa escola, como a heresia gnóstica, ou a tradição hermético/ocultista ocidental, que via magia e "poderes ocultos" na Natureza.
«As religiões fazem o contrário. A crença incondicional e dogmática vira as religiões para dentro, para as suas figuras de autoridade ou escritos sagrados onde o fundamento último de tudo é o mistério insondável da fé.»
Isto é uma heresia cristã: chama-se "fideísmo". É estranhíssimo, mas está longe de ser um caso raro, que tantos ateus continuem a insistir numa generalização que acaba por ser injusta para com a Igreja Católica.
Como se pode ver aqui, a Igreja justamente considerou herética a filosofia de crença que o Ludwig tanto critica, e que ele julga erradamente ser algo geral e comum a todas as religiões. Há muitas religiões, mas não a cristã, que pensam assim. Vendo bem, da heresia do "fideísmo" à superstição pura e dura vai um passo curto.
Termino com um desafio: peço ao Ludwig que me aponte uma contradição, basta apenas uma, entre doutrina católica e ciência. Note-se bem: não pergunto se há coisas na doutrina católica que a ciência não pode nem provar nem refutar (é certo que as há). Pergunto se há verdades científicas que tenham refutado pontos da doutrina cristã...
Porque será que não existem?
Será só sorte da doutrina cristã?
Estará a primeira refutação ao virar da esquina?
Pretendo brevemente apontar alguns erros no artigo em questão, aproveitando algumas afirmações específicas feitas pelo Ludwig:
«Os crentes mais moderados defendem que as crenças científicas e religiosas estão ao mesmo nível, assentando as primeiras na ideia de um universo regular e observável e as últimas num deus que revela os seus mistérios.»
Há aqui um problema claro de generalização. O Ludwig não o especifica, mas esta frase não pode ser escrita assim. Os hindus, por exemplo, não confiam na regularidade e observabilidade do universo. Nem entendem Deus como alguém que revela coisas sagradas à Humanidade.
Mas há outro problema mais grave: na esfera concreta da crença católica, nenhum católico pode defender que as crenças científicas e religiosas estão ao mesmo nível. Há duas nuances importantes:
a) para o crente católico, a fonte da crença religiosa é Deus e nessa qualidade, trata-se de crença infalivelmente verdadeira; a crença científica, tendo sempre uma fundamentação empírica (mais ou menos sólida), nunca é definitiva e é sempre passível de refutação (pior caso) ou melhoria (melhor caso)
b) para o crente católico, a realidade é toda a mesma e foi toda criada por Deus, ou seja, o objecto da crença científica faz parte da mesma realidade do objecto da crença religiosa: os milagres de Cristo foram realizados no mesmo mundo real no qual se desenrolam todos os fenómenos estudados pela ciência
Um pouco adiante, o Ludwig escreve:
«A crença do cristão é diferente. O cristão que crê que Maria era virgem não está a assumir que, algures, existem os exames ginecológicos necessários para substanciar esta proposição, que pode ter acesso a esses registos e que, se os analisar cuidadosamente, concluirá que Maria era mesmo virgem. Esta sua crença não é condicional. Não depende de assumir que há fundamento objectivo para a proposição. É uma crença categórica. O cristão crê. Ponto final.»
Não é nada disto que o cristão diz. A crença cristã não é cega. Por exemplo, nenhum cristão pode afirmar a crença numa proposição refutada pela experiência ou pelo conhecimento prático das coisas. A fé é entendida como a aceitação daquilo que é revelado por Deus, e tem como objecto proposições às quais nunca chegaríamos pela via empírica. No entanto, a via empírica não pode refutar uma proposição de fé, senão essa proposição era falsa.
Por exemplo: imaginemos que alguns dos discípulos de Cristo afirmavam que o Mestre era imaterial. Isso era facilmente refutado pelo simples facto de que os discípulos próximos de Cristo poderiam facilmente fazer o teste.
Outro exemplo: imaginemos que se descobria uma sepultura muito antiga, com os restos mortais de uma mulher da Galileia, e que era possível estabelecer, graças a inscrições e a tradições orais e escritas, que se tratava da sepultura de Maria, Mãe de Cristo. Automaticamente, estava refutado o dogma da assunção de Maria aos céus, pois esse dogma afirma de modo categórico que o corpo de Maria foi "absorvido para fora" da materialidade, para fora do tempo e do espaço.
Segundo a forma errada como o Ludwig vê a fé cristã, então o cristão deveria manter a crença no dogma da assunção de Maria, MESMO que surgissem restos mortais de Maria. Ora isso é totalmente falso, e nenhuma verdade cristã é assumida CONTRA verdades empíricas demonstradas.
1) Não só não podem existir incompatibilidades entre a doutrina e as verdades manifestas e indiscutíveis (incluídas as regras da lógica, essenciais ao raciocínio coerente e estruturado)
2) Como são tidos e pesados todos os argumentos a favor de uma tese doutrinal: não se chegou a nenhum dogma da Igreja através de argumentos puros de autoridade, ou através de literalismos escriturísticos, mas sim através de longos e extensos debates (basta conhecer a história dos concílios para se ver como a Igreja amadureceu a exposição da sua doutrina)
O cristão afirma que Maria era virgem por várias fortes razões, que vão desde a tradição oral de quem viveu na altura próximo a Maria, até à coerência teológica que foi procurada tenazmente nos primeiros séculos: para Cristo ser realmente Deus (e este postulado data do tempo dos primeiros doze) e realmente Homem, teria que ter um progenitor humano (Maria) e outro divino (Espírito Santo). A doutrina cristã é o resultado de séculos de consolidação doutrinal (eliminando incoerências e contradições) efectuada sobre tradição escrita e oral.
O cristão não afirma que Maria era virgem só porque "está escrito", ou porque "alguém disse". Isso é fideísmo (ver abaixo), e é uma heresia.
«Esta é uma razão importante para a incompatibilidade entre a ciência e as religiões.»
Não há qualquer incompatibilidade entre fé cristã e ciência. Até seria ilógico supô-lo, uma vez que o cristianismo foi o berço e a motivação do progresso da ciência moderna.
O que se passa é que o cristão não defende um absurdo reducionismo filosófico. É por puro preconceito filosófico que o ateu materialista julga que a realidade tem que ser toda material porque o método científico (por natureza empírico) não vai mais longe. Ora isto é ridículo. Seria o mesmo que afirmar que não existe amor humano só porque não o conseguimos medir com instrumentos. É que o ateu materialista confunde mesmo o real com o empírico, como se não pudesse existir nada que não pudesse ser medido empiricamente. Isto é um preconceito filosófico, e nada tem a ver com ciência.
Já no que toca à compatibilidade entre outras religiões e ciência, então é certo que há muita fé religiosa que é incompatível em maior ou menor grau com a ciência, e é por isso que erra todo e qualquer ateu, como o Ludwig, que trata a crença religiosa toda por igual. Ao não distinguir aqueles credos (como o cristão) que afirmam cabalmente que nenhuma verdade de fé contradiz uma verdade de ciência, o Ludwig generaliza demais e acaba por ser injusto para com o cristianismo.
Por exemplo, o Hinduismo desconfia profundamente dos sentidos (por causa do conceito de "maya"), e por isso, é impossível a integração no hinduísmo da abordagem empírica essencial ao trabalho científico.
Outro exemplo: no Islão, a crença religiosa pode ser irracional, algo impossível na crença cristã. Por isso, é complicado conciliar, na mente do crente muçulmano, a doutrina do Islão com a metodologia do trabalho científico.
«Como as crenças científicas são todas condicionadas à premissa de haver fundamento objectivo, acessível e compreensível, para as proposições em que se crê, os cientistas têm uma exigência quase paranóica de registos de resultados, descrições detalhadas dos procedimentos, conclusões cautelosas, crítica aberta, verificação independente e todo esse aparato que nos dá confiança que, quando chegam a acordo acerca de algo, há por trás um forte fundamento para o que defendem.»
Eu não vejo nada de paranóico nisso. Essa boa escola do cientista é a boa escola da cosmovisão judaico-cristã. O cristão só pode valorizar o empirismo, uma vez que o Cristão acredita que a realidade é boa, porque é obra de um Deus bom, que não engana, e que os sentidos do Homem, feitos por Deus, são fiáveis, e que o intelecto humano, feito à imagem do de Deus, é minimamente fiável, e que ambos os intelectos partilham do uso da razão e da lógica.
Desafio o Ludwig a explicar como é que essa escola científica teria chegado aos nossos dias se não tivesse sido precisamente a Igreja Católica a pior inimiga das heresias opostas a essa escola, como a heresia gnóstica, ou a tradição hermético/ocultista ocidental, que via magia e "poderes ocultos" na Natureza.
«As religiões fazem o contrário. A crença incondicional e dogmática vira as religiões para dentro, para as suas figuras de autoridade ou escritos sagrados onde o fundamento último de tudo é o mistério insondável da fé.»
Isto é uma heresia cristã: chama-se "fideísmo". É estranhíssimo, mas está longe de ser um caso raro, que tantos ateus continuem a insistir numa generalização que acaba por ser injusta para com a Igreja Católica.
Como se pode ver aqui, a Igreja justamente considerou herética a filosofia de crença que o Ludwig tanto critica, e que ele julga erradamente ser algo geral e comum a todas as religiões. Há muitas religiões, mas não a cristã, que pensam assim. Vendo bem, da heresia do "fideísmo" à superstição pura e dura vai um passo curto.
Termino com um desafio: peço ao Ludwig que me aponte uma contradição, basta apenas uma, entre doutrina católica e ciência. Note-se bem: não pergunto se há coisas na doutrina católica que a ciência não pode nem provar nem refutar (é certo que as há). Pergunto se há verdades científicas que tenham refutado pontos da doutrina cristã...
Porque será que não existem?
Será só sorte da doutrina cristã?
Estará a primeira refutação ao virar da esquina?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
Sofisma "gay"

(Max Mutchnick - fonte: http://www.proudparenting.com, obtida da Internet Movie Database)
«Sofisma. 1. Raciocínio ou argumento intencionalmente falso, com aparência de verdadeiro, com o qual se pretende enganar alguém. 2. Engano, logro.», - Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências (Verbo).
A palavra "gay" dispensa definições...
Vou criticar um texto publicado num site "gay & lesbian friendly" cujo nome eufemístico é "Proud Parenting". Faz sentido. Orgulho "gay". Parentalidade orgulhosa. Faz?
(O autor é Max Mutchnick, criador e produtor executivo da série televisiva "Will & Grace". Confesso que, por várias vezes, vi episódios dessa série, e até me ri de algumas das piadas. É bem sabido que, hoje em dia, nos canais televisivos dedicados a séries, há uma grande fatia de séries "gay & lesbian friendly". A tendência é descarada e assumida. "Will & Grace" é uma série muito inteligente, com sentido de humor, e cheia de propaganda "gay & lesbian". O humor é uma arma poderosa. Como em todas as séries de grandes audiências feitas com essa intenção "educativa", a coisa está tão bem feita que conseguimos ver os episódios, rimo-nos das piadas, e nunca nos vêm à cabeça as perversões sexuais que os casais "gay & lesbian" fazem debaixo dos lençóis - a coisa sexual está completamente edulcorada: como se o público a ensinar fosse infantil - e de facto é, visto que, sendo um público heterossexual, está ainda nos primeiros anos da formação "gay & lesbian")
Max Mutchnick relata uma situação vivida num aeroporto por si e pelo seu "companheiro" Erik, a quem ele se refere como "husband". Max, Erik, e duas gémeas de colo, dirigiam-se ao controlo de segurança do aeroporto quando foram interpelados por um segurança. Como se pode verificar pelo relato de Max, o segurança olhava perplexo para aquele grupo improvável: dois homens adultos acompanhados por dois bebés do sexo feminino.
Pelo texto, é fácil constatar a arrogância de Max, que do alto da sua popularidade "hollywoodesca", trata o segurança como se este fosse um anormal. Ora, o segurança apenas está a tomar contacto com as chamadas "novas realidades da família moderna". Nesta história sinistra, o segurança representa aquele que Chesterton apelidava de "the common man", ou seja, ele representa o senso comum da pessoa comum.
O que eu pretendo, com este meu texto, não é qualquer tipo de despudorado ataque homofóbico, aliás incompatível com a mais elementar caridade cristã, que nos inclina moralmente a tratar com misericórdia (com a "miséria do outro" no coração) toda e qualquer pessoa cuja vida seja vivida em profundo erro. Nesse sentido, olho para Max Mutchnick como quem olha para uma tragédia humana, e infelizmente, há tantas. Devemos sentir real e sincera compaixão por pessoas nesta situação. (Propositadamente, escrevi "por pessoas nesta situação", e não "por pessoas assim").
No entanto, a compaixão não obriga ao silêncio perante sofismas e soberbas. O facto de Max ter sido, neste episódio, um arrogante de primeira, e de ter exercido a sua arrogância aplicando um manhoso sofisma ao desgraçado do segurança, permite-me, a mim e a qualquer pessoa que preze a decência e a inteligência, escrever esta crítica.
Ora vamos ao cerne da questão...
O segurança estava então muito curioso com aquela singela "família"...
E, de forma espontânea, o segurança pergunta a Max:
"Where did you get your kids?"
E vem a resposta superior de Max:
"I made them."
Certamente perante o olhar estupefacto do segurança, Max dá, ali mesmo, uma aula ao segurança acerca de "gestacional surrrogacy". Ele mesmo o diz. O que completa o quadro professoral de soberba do sofista "gay".
«There's a donor. She gives us the eggs. We never meet her. She is not the "mom". There is no mom. There's a surrogate. She's the oven.»
E aqui temos o sofisma.
Escarrapachado.
Sem vergonha.
Não há "mãe", ensina Max.
Ela é apenas "o forno", ensina Max de forma complacente para com o segurança.
Ora isto é uma mentira científica. Uma mentira biológica. Uma mentira.
O genoma de qualquer ser humano, mesmo das desgraçadas das crianças adoptadas por "casais LGBT" é composto por 50% de genes provenientes de um espermatozóide, e por 50% de genes provenientes de um óvulo.
Se há coisa certa, ó Max, é que as gémeas que tinhas ao colo têm mãe!
Mas é também útil olhar para a metáfora escolhida por Max para a mãe das crianças: ela é "o forno". Alguém mergulhado na cultura LGBT poderia dizer que o Max estava apenas a simplificar uma questão complexa e sofisticada para que o bruto do segurança a compreendesse. Mas não estamos perante apenas uma simplificação. Estamos perante uma mudança de contexto. Max não está apenas a simplificar um processo gestacional. Está a desnaturá-lo.
Ao referir-se à mãe das crianças como "o forno", ele trai claramente o que lhe vai dentro da cabeça: a "coisificação" de pessoas. Se ele "coisifica" a mãe, tornando-a num forno, então coisifica (talvez inconscientemente) as crianças que adoptou, talvez encarando-as, quem sabe, como patos à Pequim ou cataplanas de marisco. As crianças que Max e "companheiro" trazem ao colo não são fruto do amor dos seus respectivos pais pela mãe. São fruto do capricho humano: são coisas que eles compraram. E como deve ser caro o processo técnico que eles seguiram para as obter...
É assim que Max, tentando simplificar a linguagem para o bruto, trai o seu pensamento e revela a sua filosofia desumana, que "coisifica" pessoas.
Mas a aula ainda não tinha acabado...
«(Giants prefer short sentences with small words).»
Este é o "à parte" cínico e arrogante de Max. Já todos sabemos que aqueles que não querem entrar no autocarro "LGBT" são, no mínimo, burros, e no máximo, homofóbicos cheios de ódio.
«My husband and I (the Giant winced) fertilized four eggs. They went inside the surrogate. Two of the eggs took.»
Os outros dois ovos fertilizados, que se lixe, certo, Max?
Mas aqui temos mais erros concretos: Max não fertilizou nada. Nem Erik. Eles doaram espermatozóides, e algum técnico de laboratório fez a fertilização dos óvulos da mãe com os espermatozóides de Max e Erik. É também por esta causa que a frase de Max referida atrás, "We made them.", é também ela uma mentira clara. As crianças foram feitas em laboratório. E cresceram e desenvolveram-se dentro da barriga da "mãe", o "forno".
«Fraternal twins were born 8 months and two weeks later. One of them was biologically his. One of them was biologically mine. But they're both ours, you know?»
Bom... Lamento, mas é necessário voltar a tocar a campainha da lógica.
Supondo que a precisão científica deste complexo processo gestacional foi rigorosamente controlada, e que Max e Erik sabiam exactamente que os dois ovos que se fixaram eram realmente, um cuja paternidade era de Max e outro cuja paternidade era de Erik, ou seja, tomando esse rigor como certo, ainda é preciso salvar a lógica: se isso é verdade, uma das crianças é filha de Max, a outra é filha de Erik, e são ambas filhas da sua mãe, "o forno". Mas não é muito lógico dizer que a filha de Max é filha de Erik, ou vice-versa. A não ser que Max se refira a uma paternidade afectiva, o que é algo diferente, mas Max não explica essa diferença na sua aula.
«You can do that?»
Pergunta o segurança, claramente vítima, também ele, do deslumbramento tecnológico que faz quase toda a gente olhar para novas técnicas de fertilização e gestação como uma criança olha para uma caixa de X-Men...
Max terá sorrido com benevolência: "You can!".
Se se pode fazer, que mal tem?
Em breve nos cinemas (será que cá também?)
«We had a whole plan to sell abortions: it was called Sex Education. Break down their natural modesty. Separate them from their parents and their values and become the sex expert in their lives, so they turn to us, when we would give them a low-dose birth control pill they would get pregnant on, or a defective condom.
Our goal was three to five abortions from every girl from the ages 13 to 18.»
- Carol Everett, antiga proprietária de quatro clínicas de aborto em Dallas, no Texas, E.U.A.
domingo, 9 de agosto de 2009
Progressistas e Conservadores
Um dos mais preocupantes sinais de esquizofrenia colectiva consiste em usar palavras cujo significado já se perdeu, ou em usá-las com um significado novo e ilógico, porque nada tem a ver com a sua etimologia.
O "progressista" e o "conservador" surgem assim, a partir do século XIX (e a moda não passa de moda), como dois dos mais irritantes adjectivos de uso comum. Irritantes porque, de tanto e mau uso, tornaram-se em palavras ocas. Todos as usam, e ninguém se dá conta da tontice.
Estes adjectivos nasceram na política, e da política. O "conservador" era, e ainda é, associado com a chamada "direita" política, e o "progressista" com a chamada "esquerda". Escusado será dizer que "direita" e "esquerda" são, também eles, termos muito irritantes, cuja frequência de uso é directamente proporcional à vacuidade do discurso onde surgem inseridas.
Tudo isto é muito pateta. Porque, na verdade, não é nada recomendável alguém ser conservador. E não é mais recomendável alguém ser progressista.
É o mesmo tipo de tontice daquele maluco que é pelo olho direito, ou daquele residente do hospital psiquiátrico que diz que prefere o rim esquerdo.
Como dizia o Chesterton, e como é bem sabido, a ocupação do progressistas consiste em fazer asneiras e a dos conservadores consiste em evitar que elas sejam corrigidas.
Eu acrescentaria que a paranóia do progressista está em preferir o novo porque é novo (mesmo que seja algo muito mau) e a paranóia do conservador está em preferir o velho porque é velho (mesmo que seja algo muito mau).
Evidentemente, não existem progressistas, como não existem conservadores. Quando muito, existirão nalguma ala psiquiátrica, afectados por alguma patologia rara. Mas, cá fora, simplesmente não existem.
Porque até o progressista mais radical e mais fanático é o primeiro a reconhecer a rotina conservadora do seu banho frequente (já nem digo diário, mas apenas frequente): é quase certo que o progressista não consegue inovar no que toca às partes do corpo que tem que lavar todos os dias: nessa matéria, e em muitas outras, não há progresso possível: um braço é sempre um braço e tem que ser limpo, um pé é sempre um pé, e claramente tem que ser limpo. E assim por diante, numa conservadora monotonia, mas que conserva o progressista num estado socialmente apresentável.
Já o conservador mais radical e mais fanático não tem como fugir ao facto de que, com a devida rotina, há que progredir da roupa suja para a roupa lavada. Sentirá, certamente, uma raiva contra a mudança que lhe vem do seu obstinado conservadorismo, mas conservador que se preze não é socialmente apresentável se não trocar de vez em quando a sua roupa suja por roupa lavada.
Alguém distraído pensaria agora que é a higiene que une o progressista ao conservador, mas é preciso ir mais além. O exemplo que dei mostra, claramente, que a higiene pode ser uma ponte entre progressistas e conservadores, mas a coisa é mais profunda. É agora o momento certo para se fazer uma revelação bombástica...
É que... na verdade... o ideal seria mudar do mau para bom, ou seja, ser progressista para melhor, e o ideal seria também, e ao mesmo tempo, manter o bom, ou seja, ser conservador face ao melhor.
Por isso, a pessoa equilibrada é progressista para melhor e conservadora face ao melhor. E então, a pessoa equilibrada, dotada do mais elementar bom senso, não se atreve a proferir esse disparate que é o de se intitular progressista ou conservador.
Os mais que simpáticos visitantes deste blogue, esse raro mas valioso grupo de apoiantes, já devem estar neste momento a pensar porque razão ainda não meti nenhum ingrediente religioso, visto que neste blogue quase só se fala de religião. Mas já vem aí, o ingrediente religioso...
É que, se é certo que há pessoas que vêem tudo do ponto de vista religioso (eu sofro dessa obsessão), há também pessoas que vêem tudo do ponto de vista político. Sabendo de antemão que há muita gente que diz que há assuntos para os quais a religião não é chamada, atrevo-me a dizer, de outro ponto de vista, que há assuntos para os quais a política não é chamada (escândalo!). É verdade. É que há mesmo assuntos desses...
Por exemplo, quando os "media", ou a opinião pública (tantas vezes andam de mãos dadas), falam sobre religião, costumam dizer "este bispo é conservador", ou então "aquele padre é progressista", ou ainda "venceu a ala conservadora do Vaticano", ou então "a Igreja precisa de um Papa mais progressista". Tal esquizofrenia é doentia e intoxicante. Porque acharão que uma Igreja deve ser analisada com ferramentas clássicas (mas não por isso inquestionáveis) da política?
Todo este texto vai então, descaradamente, desembocar nesta afirmação peremptória: não há católicos progressistas. Nem há católicos conservadores. Há católicos. Ponto final. E depois há católicos com problemas de identidade (ah, se os há!).
É que, mais uma vez, os epítetos de "progressista" e de "conservador" mostram-se incapazes de ajudar-nos a compreender realidades complexas. Porque, claramente, não servem para classificar pessoas. Logo, não servem como adjectivos aglutinadores de pessoas parecidas, se nem sequer acertam na classificação de uma só pessoa que seja.
Por exemplo: os teólogos chamados de "progressistas" nos anos 60 andavam todos entusiasmados com a ideia de abolir o dogma. Pregaram até à exaustão a liberdade de consciência do leigo, a sua autonomia e o seu inegável direito até a decidir a própria doutrina católica, ou a doutrina católica que cada um queria para si. Foram idolatrados e adorados, estes teólogos. Depois, ficaram sem audiência. Os leigos foram-se embora. Os seminários por eles orientados ficaram vazios. Dos alunos por eles ensinados, poucos seguiram vocações. Foi o deserto.
A certa altura, a Igreja entendeu pôr fim a essa patetice do "teólogo progressista", cujo problema não era ser teólogo, mas sim achar-se, e ser visto como, progressista, visto que, como vimos, não há pessoas progressistas nem conservadoras. Que não haja a mais pequena dúvida de que a Igreja tem a mesma tenacidade em querer acabar com os "teólogos conservadores", ou seja, gente a querer manter as coisas na mesma só por serem antigas. Se assim não fosse, espécimes raras como as de teólogos a defender a escravatura ou a defender os autos-de-fé ainda andariam por aí a ensinar cursos de Teologia.
(Note-se que, mais uma vez, o teólogo "conservador" em fim de carreira, que defendia obstinadamente coisas indefensáveis, fazia parte da mesma estirpe que, em tempos, apresentara essas coisas indefensáveis como "progresso")
Mas o que é irónico constatar, hoje em dia, é que o "teólogo progressista" dos anos 60, ainda cheio de ímpeto durante os anos 70 e 80, hoje em dia é um dinossauro fossilizado. Uma Igreja nova, rejuvenescida, que sabe desmontar os disparates do chamado "espírito do Concílio" (totalmente contrário ao que realmente se passou e decidiu no Concílio), realmente sobreviveu às paranóias de alguns (a certa altura, muitos) teólogos "progressistas". E, hoje em dia, o "progressista" passou a ser visto por muitos como um "conservador", como alguém que se opõe tenazmente às orientações realmente progressistas (no sentido de ir do pior para o melhor) de Roma. Visto que tal estirpe de teólogo optou, no seu tempo de juventude, por criar uma teologia individual e própria, essa teologia individual e própria envelheceu e definhou, como todas as coisas que não são eternas nem verdadeiras. E, ao se deparar com a futilidade das suas guerras de juventude, o agora velho teólogo, se se mantiver obstinado e não quiser seguir o rumo do verdadeiro progresso, irá naturalmente tentar "conservar" o velho só porque é seu, só porque representa os seus tempos de juventude. Ele não se dá conta, na verdade, de que caiu na fatalidade do conservador, do conservador que ele tanto repudiava em novo: é que ele, na verdade, tombou na pedra de tropeço de todos os conservadores: está a conservar o velho por ser velho.
Termino com um desafio aos que trombeteiam diariamente as palavras "progressista" e "conservador": façam um esforço sério por nos explicar porque é que querem mudar (e porque é que consideram o antes como mau e o depois como bom), e porque é que querem conservar (porque é que consideram bom o que querem conservar).
Já basta de querer lançar o novo só por ser novo, e de querer manter o velho só por ser velho...
O "progressista" e o "conservador" surgem assim, a partir do século XIX (e a moda não passa de moda), como dois dos mais irritantes adjectivos de uso comum. Irritantes porque, de tanto e mau uso, tornaram-se em palavras ocas. Todos as usam, e ninguém se dá conta da tontice.
Estes adjectivos nasceram na política, e da política. O "conservador" era, e ainda é, associado com a chamada "direita" política, e o "progressista" com a chamada "esquerda". Escusado será dizer que "direita" e "esquerda" são, também eles, termos muito irritantes, cuja frequência de uso é directamente proporcional à vacuidade do discurso onde surgem inseridas.
Tudo isto é muito pateta. Porque, na verdade, não é nada recomendável alguém ser conservador. E não é mais recomendável alguém ser progressista.
É o mesmo tipo de tontice daquele maluco que é pelo olho direito, ou daquele residente do hospital psiquiátrico que diz que prefere o rim esquerdo.
Como dizia o Chesterton, e como é bem sabido, a ocupação do progressistas consiste em fazer asneiras e a dos conservadores consiste em evitar que elas sejam corrigidas.
Eu acrescentaria que a paranóia do progressista está em preferir o novo porque é novo (mesmo que seja algo muito mau) e a paranóia do conservador está em preferir o velho porque é velho (mesmo que seja algo muito mau).
Evidentemente, não existem progressistas, como não existem conservadores. Quando muito, existirão nalguma ala psiquiátrica, afectados por alguma patologia rara. Mas, cá fora, simplesmente não existem.
Porque até o progressista mais radical e mais fanático é o primeiro a reconhecer a rotina conservadora do seu banho frequente (já nem digo diário, mas apenas frequente): é quase certo que o progressista não consegue inovar no que toca às partes do corpo que tem que lavar todos os dias: nessa matéria, e em muitas outras, não há progresso possível: um braço é sempre um braço e tem que ser limpo, um pé é sempre um pé, e claramente tem que ser limpo. E assim por diante, numa conservadora monotonia, mas que conserva o progressista num estado socialmente apresentável.
Já o conservador mais radical e mais fanático não tem como fugir ao facto de que, com a devida rotina, há que progredir da roupa suja para a roupa lavada. Sentirá, certamente, uma raiva contra a mudança que lhe vem do seu obstinado conservadorismo, mas conservador que se preze não é socialmente apresentável se não trocar de vez em quando a sua roupa suja por roupa lavada.
Alguém distraído pensaria agora que é a higiene que une o progressista ao conservador, mas é preciso ir mais além. O exemplo que dei mostra, claramente, que a higiene pode ser uma ponte entre progressistas e conservadores, mas a coisa é mais profunda. É agora o momento certo para se fazer uma revelação bombástica...
É que... na verdade... o ideal seria mudar do mau para bom, ou seja, ser progressista para melhor, e o ideal seria também, e ao mesmo tempo, manter o bom, ou seja, ser conservador face ao melhor.
Por isso, a pessoa equilibrada é progressista para melhor e conservadora face ao melhor. E então, a pessoa equilibrada, dotada do mais elementar bom senso, não se atreve a proferir esse disparate que é o de se intitular progressista ou conservador.
Os mais que simpáticos visitantes deste blogue, esse raro mas valioso grupo de apoiantes, já devem estar neste momento a pensar porque razão ainda não meti nenhum ingrediente religioso, visto que neste blogue quase só se fala de religião. Mas já vem aí, o ingrediente religioso...
É que, se é certo que há pessoas que vêem tudo do ponto de vista religioso (eu sofro dessa obsessão), há também pessoas que vêem tudo do ponto de vista político. Sabendo de antemão que há muita gente que diz que há assuntos para os quais a religião não é chamada, atrevo-me a dizer, de outro ponto de vista, que há assuntos para os quais a política não é chamada (escândalo!). É verdade. É que há mesmo assuntos desses...
Por exemplo, quando os "media", ou a opinião pública (tantas vezes andam de mãos dadas), falam sobre religião, costumam dizer "este bispo é conservador", ou então "aquele padre é progressista", ou ainda "venceu a ala conservadora do Vaticano", ou então "a Igreja precisa de um Papa mais progressista". Tal esquizofrenia é doentia e intoxicante. Porque acharão que uma Igreja deve ser analisada com ferramentas clássicas (mas não por isso inquestionáveis) da política?
Todo este texto vai então, descaradamente, desembocar nesta afirmação peremptória: não há católicos progressistas. Nem há católicos conservadores. Há católicos. Ponto final. E depois há católicos com problemas de identidade (ah, se os há!).
É que, mais uma vez, os epítetos de "progressista" e de "conservador" mostram-se incapazes de ajudar-nos a compreender realidades complexas. Porque, claramente, não servem para classificar pessoas. Logo, não servem como adjectivos aglutinadores de pessoas parecidas, se nem sequer acertam na classificação de uma só pessoa que seja.
Por exemplo: os teólogos chamados de "progressistas" nos anos 60 andavam todos entusiasmados com a ideia de abolir o dogma. Pregaram até à exaustão a liberdade de consciência do leigo, a sua autonomia e o seu inegável direito até a decidir a própria doutrina católica, ou a doutrina católica que cada um queria para si. Foram idolatrados e adorados, estes teólogos. Depois, ficaram sem audiência. Os leigos foram-se embora. Os seminários por eles orientados ficaram vazios. Dos alunos por eles ensinados, poucos seguiram vocações. Foi o deserto.
A certa altura, a Igreja entendeu pôr fim a essa patetice do "teólogo progressista", cujo problema não era ser teólogo, mas sim achar-se, e ser visto como, progressista, visto que, como vimos, não há pessoas progressistas nem conservadoras. Que não haja a mais pequena dúvida de que a Igreja tem a mesma tenacidade em querer acabar com os "teólogos conservadores", ou seja, gente a querer manter as coisas na mesma só por serem antigas. Se assim não fosse, espécimes raras como as de teólogos a defender a escravatura ou a defender os autos-de-fé ainda andariam por aí a ensinar cursos de Teologia.
(Note-se que, mais uma vez, o teólogo "conservador" em fim de carreira, que defendia obstinadamente coisas indefensáveis, fazia parte da mesma estirpe que, em tempos, apresentara essas coisas indefensáveis como "progresso")
Mas o que é irónico constatar, hoje em dia, é que o "teólogo progressista" dos anos 60, ainda cheio de ímpeto durante os anos 70 e 80, hoje em dia é um dinossauro fossilizado. Uma Igreja nova, rejuvenescida, que sabe desmontar os disparates do chamado "espírito do Concílio" (totalmente contrário ao que realmente se passou e decidiu no Concílio), realmente sobreviveu às paranóias de alguns (a certa altura, muitos) teólogos "progressistas". E, hoje em dia, o "progressista" passou a ser visto por muitos como um "conservador", como alguém que se opõe tenazmente às orientações realmente progressistas (no sentido de ir do pior para o melhor) de Roma. Visto que tal estirpe de teólogo optou, no seu tempo de juventude, por criar uma teologia individual e própria, essa teologia individual e própria envelheceu e definhou, como todas as coisas que não são eternas nem verdadeiras. E, ao se deparar com a futilidade das suas guerras de juventude, o agora velho teólogo, se se mantiver obstinado e não quiser seguir o rumo do verdadeiro progresso, irá naturalmente tentar "conservar" o velho só porque é seu, só porque representa os seus tempos de juventude. Ele não se dá conta, na verdade, de que caiu na fatalidade do conservador, do conservador que ele tanto repudiava em novo: é que ele, na verdade, tombou na pedra de tropeço de todos os conservadores: está a conservar o velho por ser velho.
Termino com um desafio aos que trombeteiam diariamente as palavras "progressista" e "conservador": façam um esforço sério por nos explicar porque é que querem mudar (e porque é que consideram o antes como mau e o depois como bom), e porque é que querem conservar (porque é que consideram bom o que querem conservar).
Já basta de querer lançar o novo só por ser novo, e de querer manter o velho só por ser velho...
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Artigos de Stanley Jaki
Com o recente desaparecimento do Pe. Jaki, começam a multiplicar-se os artigos da sua autoria que são colocados "online". Não sei se estes artigos seus, editados nas publicações do Intercollegiate Studies Institute, já estavam "online" há muito tempo ou não, mas só os descobri hoje no site do First Principles, e são inestimáveis:
A Thousand Years from Now
Science and the Future of Religion
The Modernity of the Middle Ages
The Physics of Impetus and the Impetus of the Koran
History as Science and Science in History
Science: Revolutionary or Conservative?
The Three Faces of Technology
Censorship and Science
Einstein and the Absolute Beneath the Relative
Estes textos (e basicamente tudo o que escreveu o Pe. Jaki em mais de quarenta livros e incontáveis artigos) são de leitura obrigatória, tanto para o católico que precisa de aprender que a sua fé católica é a mãe da ciência moderna, como para qualquer pessoa que ainda esteja sob o efeito nocivo da mitologia anticlerical dos últimos séculos.
Não são poucos os que têm tentado, ao longo de gerações e a todo o custo, criar uma artificial incompatibilidade entre cristianismo e ciência, e que têm tido sucesso na propaganda do conceito de "cristianismo obscurantista", de uma Igreja Católica inimiga do conhecimento científico. Aproveita-se a parca cultura de muita gente para lhes incutir ideias diametralmente opostas à verdade dos factos.
Também em Portugal, com a "lenda negra" acerca dos Jesuítas, tem-se tentado a todo o custo esconder a produção científica portuguesa nos séculos que antecederam o "iluminismo" do Marquês de Pombal. A razão é simples: essa produção científica está em choque frontal com a ideologia em voga, que atribui à Companhia de Jesus, e à Igreja Católica, todo o presumido "atraso" científico do nosso país.
Com o trabalho de Jaki, damo-nos conta de que este fenómeno propagandístico anticristão assume uma escala global. E quem sofre, nestas jogadas de bastidor, é a própria Ciência.
A Thousand Years from Now
Science and the Future of Religion
The Modernity of the Middle Ages
The Physics of Impetus and the Impetus of the Koran
History as Science and Science in History
Science: Revolutionary or Conservative?
The Three Faces of Technology
Censorship and Science
Einstein and the Absolute Beneath the Relative
Estes textos (e basicamente tudo o que escreveu o Pe. Jaki em mais de quarenta livros e incontáveis artigos) são de leitura obrigatória, tanto para o católico que precisa de aprender que a sua fé católica é a mãe da ciência moderna, como para qualquer pessoa que ainda esteja sob o efeito nocivo da mitologia anticlerical dos últimos séculos.
Não são poucos os que têm tentado, ao longo de gerações e a todo o custo, criar uma artificial incompatibilidade entre cristianismo e ciência, e que têm tido sucesso na propaganda do conceito de "cristianismo obscurantista", de uma Igreja Católica inimiga do conhecimento científico. Aproveita-se a parca cultura de muita gente para lhes incutir ideias diametralmente opostas à verdade dos factos.
Também em Portugal, com a "lenda negra" acerca dos Jesuítas, tem-se tentado a todo o custo esconder a produção científica portuguesa nos séculos que antecederam o "iluminismo" do Marquês de Pombal. A razão é simples: essa produção científica está em choque frontal com a ideologia em voga, que atribui à Companhia de Jesus, e à Igreja Católica, todo o presumido "atraso" científico do nosso país.
Com o trabalho de Jaki, damo-nos conta de que este fenómeno propagandístico anticristão assume uma escala global. E quem sofre, nestas jogadas de bastidor, é a própria Ciência.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Lixo mental
João César das Neves
DESTAK | 21 | 05 | 2009 07.48H
Vivemos num tempo que, tendo muito cuidado com o que mete no estômago e pulmões, não dá atenção ao que mete no cérebro. A cada passo ouvimos recomendações sobre saúde, alimentação e ambiente, multiplicam-se os produtos dietéticos, actividades saudáveis, locais sem fumo.
Ao mesmo tempo todos passam horas a absorver o pior lixo mental na televisão, computador, livros e revistas.
Filmes boçais, sites infames, programas idiotas, revistas escabrosas, videojogos obscenos, séries imbecis constituem a dieta intelectual dos cidadãos, tão conscientes da sua saúde física. Na ficção como nas notícias, a violência extrema, pornografia descarada, egoísmo, gula, desonestidade são produtos comuns.
Assim é inevitável a descida ao abismo espiritual a que se assiste. Sabemos bem que se não tivermos cuidado com a nutrição e não atendermos aos equilíbrios ambientais cairemos na obesidade e a poluição será avassaladora. Não admira portanto que, recusando-nos a formular orientações para o espírito, se acabe na decadência ética e estética. Isso em nome da liberdade, que rejeitamos na saúde e ambiente.
A razão da situação é clara. Os nossos avós, sem cuidado com comida, fumo e ecologia, eram moralistas intolerantes. Nós, censurando-os asperamente, corrigimo-los cuidando do corpo e libertando o espírito. Isso foi-nos fácil porque, afinal, os erros sanitários e a ditadura moral em que nos educaram não eram tão graves que nos impedissem de reagir. Os nossos netos saudáveis terão muito mais dificuldade em recuperar da porcaria intelectual em que nós os educámos.
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
DESTAK | 21 | 05 | 2009 07.48H
Vivemos num tempo que, tendo muito cuidado com o que mete no estômago e pulmões, não dá atenção ao que mete no cérebro. A cada passo ouvimos recomendações sobre saúde, alimentação e ambiente, multiplicam-se os produtos dietéticos, actividades saudáveis, locais sem fumo.
Ao mesmo tempo todos passam horas a absorver o pior lixo mental na televisão, computador, livros e revistas.
Filmes boçais, sites infames, programas idiotas, revistas escabrosas, videojogos obscenos, séries imbecis constituem a dieta intelectual dos cidadãos, tão conscientes da sua saúde física. Na ficção como nas notícias, a violência extrema, pornografia descarada, egoísmo, gula, desonestidade são produtos comuns.
Assim é inevitável a descida ao abismo espiritual a que se assiste. Sabemos bem que se não tivermos cuidado com a nutrição e não atendermos aos equilíbrios ambientais cairemos na obesidade e a poluição será avassaladora. Não admira portanto que, recusando-nos a formular orientações para o espírito, se acabe na decadência ética e estética. Isso em nome da liberdade, que rejeitamos na saúde e ambiente.
A razão da situação é clara. Os nossos avós, sem cuidado com comida, fumo e ecologia, eram moralistas intolerantes. Nós, censurando-os asperamente, corrigimo-los cuidando do corpo e libertando o espírito. Isso foi-nos fácil porque, afinal, os erros sanitários e a ditadura moral em que nos educaram não eram tão graves que nos impedissem de reagir. Os nossos netos saudáveis terão muito mais dificuldade em recuperar da porcaria intelectual em que nós os educámos.
João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
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