segunda-feira, 1 de março de 2010

Oprah e as Irmãs Dominicanas

Simplesmente espantoso...
Oprah Winfrey entrevista as Irmãs Dominicanas de Maria.
A idade média, nesta comunidade de freiras dominicanas nas imediações de Detroit, é de 26 anos. Temos muito que aprender com os católicos norte-americanos!







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A manifestação do último Sábado

Escreve assim o Ten. Cor. João José Brandão Ferreira, a propósito da manifestação do último Sábado, pela Família e contra a hegemonia da contra-cultura "LGBT":

«Cumpre saudar a família real nas pessoas de SAR o Sr. D. Duarte e mulher, a Duquesa D. Isabel, que estiveram na linha da frente da manifestação. Assim deve ser, pois o exemplo deve vir de cima.

Já da hierarquia da Igreja se esperava mais. É certo que a manifestação não era de católicos (e seria bom que numa próxima oportunidade se pudesse contar não só com os evangélicos, mas também com judeus, muçulmanos e hindús), mas sim de todos os portugueses que se queiram bater pelos princípios fundamentais da sua cultura, identidade e liberdades fundamentais, que lhes vêm do princípio da nacionalidade.

Sem embargo, o que está em jogo, também, são princípios doutrinários da Igreja de Cristo. Compreendemos a necessidade de prudência, de reflexão e de ponderação. Mas quando o que está em causa são coisas essenciais, vai-se à luta com tudo o que se tem. Os generais têm que se pôr à frente das tropas, senão tal facto vai-se reflectir no moral das mesmas. Dá ideia, até, que se perdeu a Fé… Há coisas com que não se pode contemporizar sob pena de derrota total e humilhação. Na dúvida, evoca-se o Espírito Santo e vai-se ao combate, porque de um combate se trata!»


Achei muito pertinente esta observação!
Se, por vezes, eu critico alguns monárquicos mais entusiasmados por parecerem colocar a causa monárquica acima da Igreja, ou pelo menos considerarem (erradamente) que cristianismo e monarquia são indissociáveis, desta vez o exemplo veio da causa monárquica, nas pessoas dos Duques de Bragança.

Muitos monárquicos, por ignorância ou conveniência, esquecem os males que as monarquias absolutista e constitucional fizeram à Igreja em Portugal. Há muito monárquico que julga que os atentados ao cristianismo e à Igreja só começaram com o Afonso Costa e com a pandilha da Primeira República, mas estão enganados, e devem fazer um exame de consciência.

Mas a lição que nos deram os senhores Duques de Bragança neste último Sábado é uma lição que não deve ficar esquecida. Ao estarem na linha da frente, deram o mais belo exemplo do que é a essência da causa monárquica e da figura do monarca. E, com esse gesto simples e claro, deixaram os senhores Bispos na delicada situação de ausentes.

Nós, os leigos, estamos cá para fazer a nossa parte. Mas esperamos mais dos senhores Bispos. Precisamos deles.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O totalitarismo anticristão já começou no Reino Unido...

Sim, o título deste "post" é chocante.
Não falsamente chocante, no sentido de ampliar um problema menor.
O título é realmente chocante, pois o problema é grande e tende a avolumar.

No Reino Unido, vive-se desde há uns anos a esta parte uma batalha árdua entre o Governo e as instituições de ensino religioso. O objecto da batalha é o conteúdo da "educação sexual" que é proposta pelos novos totalitários.

Durante algum tempo, pessoas bem intencionadas acharam que as escolas religiosas teriam a liberdade de ensinar a sua doutrina e moral livremente.

Estavam enganadas, é claro.
Como já vem sendo típico, o lobo aproveita-se da mansidão das ovelhas para "abrir caminho".

Apesar de isto já ser antigo, só agora se começam a sentir os efeitos desta nova viragem legislativa de sabor totalitário e anticristão.

Segue-se o ponto 67 do documento "Legislative Scrutiny: Sexual Orientation Regulations", elaborado pelo "Joint Committee on Human Rights" (Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes do Reino Unido). O documento data 2007.

Veja-se esta magnífica pérola totalitária (o negrito é meu):

«67. We do not consider that the right to freedom of conscience and religion requires the school curriculum to be exempted from the scope of the sexual orientation regulations.
In our view the Regulations prohibiting sexual orientation discrimination should clearly apply to the curriculum, so that homosexual pupils are not subjected to teaching, as part of the religious education or other curriculum, that their sexual orientation is sinful or morally wrong. Applying the Regulations to the curriculum would not prevent pupils from being taught as part of their religious education the fact that certain religions view homosexuality as sinful.
In our view there is an important difference between this factual information being imparted in a descriptive way as part of a wide-ranging syllabus about different religions, and a curriculum which teaches a particular religion’s doctrinal beliefs as if they were objectively true. The latter is likely to lead to unjustifiable discrimination against homosexual pupils. We recommend that the Regulations for Great Britain make clear that the prohibition on discrimination applies to the curriculum and thereby avoid the considerable uncertainty to which the Northern Ireland Regulations have given rise on this question. We further recommend that the Government clarifies its understanding of the Northern Ireland Regulations on this matter.»
Fonte: Legislative Scrutiny: Sexual Orientation Regulations

Cá está: as novas linhas orientadoras "anti-discriminação" implicam, na óptica destes iluminados, que uma escola cristã, por exemplo, deixa de poder ensinar que a homossexualidade é imoral ou pecaminosa.

Espectáculo!
Se o Sócrates descobre isto...

P.S. Os que simpatizam com estas novas "linhas orientadoras" irão porventura apontar-me o final do ponto 67 que acabei de citar, alegando que esse texto permite que se apresente aos alunos, de forma "descritiva", o ensinamento cristão acerca da homossexualidade como sendo um "facto" em si mesmo, e não como sendo ensinamento "objectivamente verdadeiro". Ou seja, pode-se dizer à miudagem que os cristãos acham a homossexualidade imoral e pecaminosa, mas não se pode dizer, no contexto de uma escola cristã, que essa avaliação cristã é verdadeira. Espantoso! É a "nova escola" no seu melhor, relativista até ao âmago. A escola deixa de ser o lugar onde se fala verdade, e se ensinam verdades, para passar a ser uma montra de "opiniões" e "correntes" de ideias. E cada miúdo que mastigue e faça a sua própria verdade. Não sei porquê, mas isto tem um saborzinho maçónico...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A bochecha de Serápis

A recente burla "hollywoodesca" que dá pelo nome de "Ágora", já aqui criticada, está montada para evocar e difundir a ideia de uma turba de cristãos fanáticos que, pelo seu excesso de zelo fanático, teriam destruído a Biblioteca de Alexandria, e com ela, toda a ciência antiga.

Por detrás da linda história de amor romanceada em torno da filósofa Hipátia, a "lição" que o senhor Amenábar nos quer dar com o seu filme é esta: o cristianismo é obscurantista, fanático e inimigo do conhecimento.

No entanto, o que a História nos diz é radicalmente diferente: para além de não ter qualquer suporte documental a teoria da destruição da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos, o episódio importante da destruição dos templos pagãos em Alexandria não tem a ver com zelo anti-científico e obscurantista. Tem a ver precisamente com o oposto: com zelo anti-obscurantista.

Até um historiador como Gibbon, que sempre que pode dá a sua palmadazinha no cristianismo, escreve algo espantoso acerca da destruição do Serapeum, o templo dedicado a Serápis, na cidade de Alexandria:

«A estátua colossal de Serápis estava envolta na ruína do seu templo e religião. Um grande número de chapas de diferentes metais, juntas artificialmente, compunha a figura majestática da divindade, que tocava em ambos os lados as paredes do santuário. O aspecto de Serápis, a sua postura sentada, e o ceptro, que ele tinha na sua mão esquerda, eram extremamente similares às representações típicas de Júpiter. Ele distinguia-se de Júpiter pelo cesto colocado na sua cabeça, pelo emblemático monstro que ele tinha na sua mão direita, e pela cabeça e corpo de uma serpente bifurcada em três caudas, que estavam por sua vez terminadas por cabeças triplas de um cão, um leão e um lobo.

Afirmava-se com convicção que se alguma mão ímpia se atrevesse a violar a majestade do deus, os céus e a terra regressariam instantaneamente ao caos original. Um soldado intrépido, animado pelo zelo, e armado com um machado de guerra pesado, subiu a escada; e até a multidão cristã esperava, com alguma ansiedade, o evento do combate. Ele desferiu um golpe vigoroso contra a bochecha de Serápis; a bochecha caiu no chão; o trovão manteve-se silencioso, e ambos os céus e a terra continuaram a manter a sua ordem e tranquilidade costumeiras.

O soldado vitorioso repetiu os seus golpes: o gigantesco ídolo foi derrubado e partido em pedaços; e os membros de Serápis foram arrastados ignominiosamente pelas ruas de Alexandria. A sua carcaça desfigurada foi queimada no Anfiteatro, por entre os gritos da populaça; e várias pessoas atribuíram a sua conversão à descoberta da impotência da sua divindade titular.»


- Edward Gibbon, History Of The Decline And Fall Of The Roman Empire, cap. 28.

Talvez nos faça confusão, à nossa moderna e higienizada mentalidade, imaginar multidões de cristãos aos gritos, durante estes dias "agitados" em Alexandria. Cometeram-se excessos? É certo que sim: a morte violenta da filósofa Hipátia (crime de natureza política) é o melhor exemplo desse tipo de excessos cometidos pela populaça.

Mas muitas vezes, embriagados pela propaganda anticristã, não nos damos conta do facto capital: nesses dias conturbados, morria o mundo velho e começava um novo. As manifestações ruidosas de cristãos um pouco por toda a Alexandria, com o seu quê de eufórico, com o seu quê de histérico, reflectem um espírito de catarse, quando toda uma civilização "acorda" do torpor da multiforme superstição pagã para a Verdade do Deus Uno e Vivo, Criador de um Cosmos racional e estruturado.

A verdade dos factos é diametralmente oposta à mentira cinematográfica de Aménabar. A morte do paganismo não foi a morte da ciência, foi o seu nascimento...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pio XII - "Much-maligned pontiff"

Much-maligned pontiff, um artigo de Dimitri Cavalli, no Haaretz. Este artigo vem referido no boletim Zenit de 1 de Fevereiro de 2010.

Alguns excertos (o negrito é meu)...

(...)

On April 4, 1933, Eugenio Cardinal Pacelli, the Vatican secretary of state, instructed the papal nuncio in Germany to see what he could do to oppose the Nazis' anti-Semitic policies.

On behalf of Pope Pius XI, Cardinal Pacelli drafted an encyclical, entitled "Mit brennender Sorge" ("With Burning Anxiety"), that condemned Nazi doctrines and persecution of the Catholic Church. The encyclical was smuggled into Germany and read from Catholic pulpits on March 21, 1937.

Although many Vatican critics today dismiss the encyclical as a light slap on the wrist, the Germans saw it as a security threat. For example, on March 26, 1937, Hans Dieckhoff, an official in the German foreign ministry, wrote that the "encyclical contains attacks of the severest nature upon the German government, calls upon Catholic citizens to rebel against the authority of the state, and therefore signifies an attempt to endanger internal peace."

(...)

After the death of Pius XI, Cardinal Pacelli was elected pope, on March 2, 1939. The Nazis were displeased with the new pontiff, who took the name Pius XII. On March 4, Joseph Goebbels, the German propaganda minister, wrote in his diary: "Midday with the Fuehrer. He is considering whether we should abrogate the concordat with Rome in light of Pacelli's election as pope."

During the war, the pope was far from silent: In numerous speeches and encyclicals, he championed human rights for all people and called on the belligerent nations to respect the rights of all civilians and prisoners of war. Unlike many of the pope's latter-day detractors, the Nazis understood him very well. After studying Pius XII's 1942 Christmas message, the Reich Central Security Office concluded: "In a manner never known before the pope has repudiated the National Socialist New European Order ... Here he is virtually accusing the German people of injustice toward the Jews and makes himself the mouthpiece of the Jewish war criminals." (Pick up any book that criticizes Pius XII, and you won't find any mention of this important report.)

In early 1940, the pope acted as an intermediary between a group of German generals who wanted to overthrow Hitler and the British government. Although the conspiracy never went forward, Pius XII kept in close contact with the German resistance and heard about two other plots against Hitler.

(...)

Throughout the war, the pope's deputies frequently ordered the Vatican's diplomatic representatives in many Nazi-occupied and Axis countries to intervene on behalf of endangered Jews. Up until Pius XII's death in 1958, many Jewish organizations, newspapers and leaders lauded his efforts. To cite one of many examples, in his April 7, 1944, letter to the papal nuncio in Romania, Alexander Shafran, chief rabbi of Bucharest, wrote: "It is not easy for us to find the right words to express the warmth and consolation we experienced because of the concern of the supreme pontiff, who offered a large sum to relieve the sufferings of deported Jews ... The Jews of Romania will never forget these facts of historic importance."

The campaign against Pope Pius XII is doomed to failure because his detractors cannot sustain their main charges against him - that he was silent, pro-Nazi, and did little or nothing to help the Jews - with evidence. Perhaps only in a backward world such as ours would the one man who did more than any other wartime leader to help Jews and other Nazi victims, receive the greatest condemnation.

(...)

sábado, 30 de janeiro de 2010

O "Casamento Homossexual"

Preâmbulo

Caros todos,

Apesar do meu nome constar neste blog desde o exacto dia da sua criação, tem sido parca a minha contribuição, quer em número de posts, quer em comentários aos post colocados pelo Bernardo. Resta-me a esperança que a quantidade não seja sinónimo de qualidade… Já agora, aproveito para felicitar e agradecer aos “comentadores residentes” pela qualidade dos vossos argumentos que, aliados às excelentes respostas do Bernardo, têm contribuído para o amadurecimento da minha Fé.

Duarte Fragoso


O "Casamento Homossexual"

Sinto-me como que sugado pelo turbilhão de informação sobre o tema, que não era tema mas passou a ser, do novo modelo de Casamento. De facto, toda esta informação, marcada por um radicalismo a raiar o fanático, tem lançado uma espécie de onda magnética sobre a opinião pública, deixando-a meio atordoada. De tal forma isto é assim que neste momento, em que supostamente já teria havido um debate profundo e esclarecedor sobre o tema, a pergunta que se impõe, pelo menos para mim, é a seguinte:

Mas afinal o que é que está em causa com o alargamento do Casamento a pessoas do mesmo sexo?

Se olharmos para o tema de uma forma objectiva, despindo-o de toda a “bull-shit” para aí apregoada, concluímos que não estão em causa nem direitos fundamentais nem tão pouco discriminações inaceitáveis, que tantos parecem interessados em fazer parecer. Na verdade, acabamos por concluir que tudo não passa de uma questão de concepção. Concebemos o Casamento como ele de facto é, ou seja, reflectindo a união entre um homem e uma mulher, ou, pelo contrário, achamos que o conceito de Casamento deve ser alargado, passando a reflectir também outro tipo de uniões, nomeadamente entre pessoas do mesmo sexo?
É tão só isto que está em causa.

É evidente que as consequências da adulteração do conceito de Casamento, nomeadamente com o alargamento do mesmo a uniões entre pessoas do mesmo sexo, é um erro grave com consequências nefastas para a sociedade. E considero que se trata de um erro grave pelas razões simples que abaixo enumero:

- Identificar de forma igual, relações que são absolutamente diferentes:
Uma relação entre um homem e uma mulher é, obrigatoriamente, diferente de uma relação entre dois homens ou duas mulheres. É diferente a todos os níveis; antropológico; filosófico; sociológico. E por isso mesmo, estes dois tipos de relação têm, obrigatoriamente, direitos e deveres diferentes, portanto devem ser enquadradas de forma diferente. Independentemente de um tipo de relação ser, ou não, melhor do que o outro, o que é um facto é que são diferentes. Assim como um jovem é diferente de um velho e ambos têm direitos e deveres diferentes na sociedade, sem que isso encerre algum tipo de discriminação negativa. Trata-se de situações distintas que devem ser olhadas como tal, sem prejuízo de ninguém.

- Construir uma igualdade artificial através da legislação:
Procura-se forçar uma igualdade falsa através da legislação. Chamar pelo mesmo nome, a partir do dia x, duas coisas que são diferentes e por isso denominadas de forma diferente. Isto é de tal forma absurdo que os defensores da causa, são os primeiros a apelidar este novo conceito de Casamento como o “Casamento Homossexual”. Se lhe chamassem apenas Casamento, as pessoas associariam a uma união entre um homem e uma mulher. Ou, pelo mesmo, não iriam perceber a que tipo de relação é que o seu interlocutor se estava referir, dado que este estaria a utilizar o mesmo nome para se referir a duas relações totalmente distintas entre si.

- Adulterar o Conceito de Casamento:
A partir do momento em que se adultera o conceito de casamento, alargando-o a relações entre pessoas do mesmo sexo, abrimos um precedente perigoso e que se pode
revelar perverso. A partir desse momento qual será o argumento para impedir o alargamento do conceito de Casamento a relações entre várias pessoas, a poligamia, ou a relações incestuosas?

- Estabilidade da família e defesa da procriação:
Não é por acaso que a sociedade se organizou, espontaneamente, em família e que daí tenha surgido o Casamento. A família é a base e o equilíbrio da sociedade. É o garante da sua continuidade. Ao adulterar aquilo que é o Casamento, o acto que oficializa publicamente a relação entre um homem e uma mulher e que os apresenta, perante a sociedade, como uma família apta, entre outras coisas, a procriar, pode ter consequências muito graves. O desmoronar da instituição família significa o desmoronar da sociedade.

- Aumento da homofobia:
Ao transformar um não tema num tema, apenas para servir todos os oportunismos políticos e dar palco a tantos pavões cheios de vaidades, podemos estar a aumentar a homofobia, dado que estamos a criar um ambiente propício ao extremar de posições. Alguém acha que os homossexuais que efectivamente têm uma vida difícil, não alguns histéricos que adoram desafiar a sua própria dignidade naquelas paradas deprimentes, que vivem no seu recato e que se dão ao respeito, estão interessados neste espectáculo? Alguém acha que esses homens e mulheres se vão casar?
Por tudo isto, parece-me claro que esta proposta de lei é um autêntico disparate. Um atentado social a todos os níveis. Em suma, uma inconsciência sem limites!
Ao mesmo nível desta proposta de lei, está a recusa da Assembleia da Republica face ao pedido de realização de um referendo sobre o tema, apresentado numa petição subscrita por mais de 90.000 Portugueses. Lembro que este elevadíssimo número de assinaturas foi recolhido em tempo recorde, sem recurso a qualquer máquina partidária, o que reflecte bem o sentimento colectivo dos Portugueses face a este assunto.

Os grupos parlamentares que recusaram o referendo justificaram a sua decisão tendo por base dois argumentos:

- Esta proposta já constava nos programas eleitorais do PS, PCP, BE e VERDES, sufragados nas últimas eleições e, portanto, a AR teria toda a legitimidade para legislar sobre este tema;

- Não se referendam direitos básicos.

Ora ambos os argumentos são fracos e facilmente refutáveis. O primeiro argumento cheira mesmo a batota… Digo isto porque seria fácil desafiar o PS a encontrar 1 só eleitor, que tenha votado no Partido Socialista, que conheça as mais de 700 medidas que constam no programa eleitoral do PS e, para além disso, concorde com todas essas medidas. É evidente que a existir algum eleitor nessas circunstâncias será, certamente, uma minoria.
Já o segundo argumento apresenta também inúmeras debilidades, a começar pelo facto de ser contraditório face ao primeiro. Se não se referendam direitos básicos, então porque estaria esse mesmo direito presente nos programas eleitorais acima referidos? Confuso não? Mas a resposta é simples. O alargamento do Casamento a uniões entre pessoas do mesmo sexo estava presente nos programas eleitorais dos partidos de esquerda porque, efectivamente o que está em causa não é um direito, é tão só uma questão de concepção do modelo de Casamento.
Resumindo, são dois argumentos frágeis que tentam justificar o injustificável. E o injustificável é o facto de a AR ter, pura e simplesmente, ignorado uma petição fortíssima, organizada de um dia para o outro que reflecte o pulsar da sociedade civil. É evidente que este tema deve ser alvo de um referendo, porque tem a ver com a mais elementar organização social. Isto é claro para todos aqueles que não foram dominados por este fanatismo absurdo.

Não há dúvida que no fim do dia a Assembleia da República, símbolo absoluto da democracia, fica manchada por um tique ditatorial inaceitável, protagonizado, sobretudo, por uma esquerda burguesa e arrogante, que se considera dona das vontades do povo e, como demonstra ao recusar ouvi-lo, o despreza profundamente.

Duarte Fragoso

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os dezasseis salvadores crucificados

Num comentário anónimo recebido num "post" lá para trás, inserido por alguém que assina "Kikas", encontra-se esta frase, que aqui reproduzo porque revela um fenómeno de desinformação que está ainda activo na sociedade, e que importa desmontar:

«Sabia que Tanto Jesus, como Krisna, Bachus, Horus, Zeus, Buda e mais uma serie deles nasceram todos no dia 25 dezembro filhos de uma virgem?»


Isto é uma aldrabice, que não está sustentada em nenhum facto histórico ou documental. Uma das mais relevantes fontes desta treta encontra-se na obra pseudo-histórica "The World's Sixteen Crucified Saviors" (1875), da autoria do norte-americano Kersey Graves (1813-1883).

Esta aldrabice, que circula há décadas em vários formatos, assenta nas seguintes ideias-chave, que são transmitidas por várias pessoas, de forma acrítica, como se fossem verdade: que há dezenas ou mais de "salvadores", relevantes para as principais religiões mundiais, cujas vidas, alegadamente, teriam relatos idênticos: nascimento de uma virgem, realização de milagres, filiação divina, morte numa cruz, entre outras. Evidentemente, o facto de que os pontos em comum, que são apontados erradamente às vidas de Buda, Krishna, Mitra, Hórus, entre outros, são pontos da vida de Cristo mostra de forma clara a génese anti-cristã destas tretas.

Até o site ateu Infidels, diz o seguinte acerca das tretas de Graves:

«The World's Sixteen Crucified Saviors: Or Christianity Before Christ is unreliable» - ver Kersey Graves and The World's Sixteen Crucified Saviors (2003)

Graves não é o primeiro a disseminar estas tretas anti-cristãs e pseudo-históricas, pois elas não são inventadas de raiz no último quartel do século XIX. A imaginação de Graves era fértil, mas não ao ponto de ser ele o criador de tudo. Seria interessante fazer a história da montagem da obra de Graves. Mas, para o espectador atento destes fenómenos modernos, o que é relevante destacar é que, hoje em dia, estas tretas sobrevivem na Internet, em sites de porcaria, que se alimentam de lixo regurgitado por autores manhosos da vaga "new age" dos anos 60 e 70, que por sua vez foram beber a Graves, directa ou indirectamente, ou a outros autores anticristãos do estilo de Graves. Em bom rigor, a génese deste estilo "literário" e panfletário deverá estar localizada nos primórdios do "iluminismo" e do "deísmo" anti-cristão, por volta do início do século XVIII. Num "post" sobre o filme-propaganda "Hipátia", referi o escritor britânico John Toland (1670-1722), tão importante para a montagem do mito moderno em torno da filósofa neoplatónica Hipátia de Alexandria. É nos círculos intelectuais de ideias semelhantes às de Toland (evidentemente, não só na sociedade anglo-saxónica, mas também na francesa, na alemã, na portuguesa, na italiana, etc.) que podemos encontrar o primeiro fervilhar destas ideias, numa altura em que o entusiasmo panfletário levava à escrita e disseminação de obras, cujo objectivo era sobretudo político e não científico-histórico.

Quem estiver interessado pode encontrar no Google Books uma edição contemporânea (da Cosimo Classics) da obra de Graves aqui (se bem que a descrição de lombada desta edição seja tão má quanto a própria obra):

The World's Sixteen Crucified Saviors

Para terminar, transcrevo mais alguns comentários do site "Infidels" relativos à obra de Kersey Graves:

«Graves often does not distinguish his opinions and theories from what his sources and evidence actually state.
Graves often omits important sources and evidence.
Graves often mistreats in a biased or anachronistic way the sources he does use.
Graves occasionally relies on suspect sources.
Graves does little or no source analysis or formal textual criticism.
Graves' work is totally uninformed by modern social history (a field that did not begin to be formally pursued until after World War II, i.e., after Graves died).
Graves' conclusions and theories often far exceed what the evidence justifies, and he treats both speculations and sound theories as of equal value.
Graves often ignores important questions of chronology and the actual order of plausible historical influence, and completely disregards the methodological problems this creates.
Graves' work lacks all humility, which is unconscionable given the great uncertainties that surround the sketchy material he had to work with.
Graves' scholarship is obsolete, having been vastly improved upon by new methods, materials, discoveries, and textual criticism in the century since he worked. In fact, almost every historical work written before 1950 is regarded as outdated and untrustworthy by historians today.»


Apesar das fortes críticas que este site ateu faz a Graves, nem todos estes comentários são aceitáveis: é risível a afirmação gratuita de que qualquer trabalho histórico anterior a 1950 é visto como "datado" ou "não fiável" pelos historiadores de hoje.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Deus não muda ao sabor dos tempos!

Com a clareza a que já nos habituou, recomendo a leitura deste texto do Joaquim Mexia Alves:

Deus não muda ao sabor dos tempos!

A pouco e pouco...

UK Party Leader Says Faith Schools Must Teach Homosexuality is "Normal and Harmless"
By Thaddeus M. Baklinski

LONDON, January 13, 2010 (LifeSiteNews.com) – U.K. Liberal Democrat leader Nick Clegg is wooing the vote of British homosexuals by stating that his party (the third largest party in the U.K.) would legislate that all faith schools in the UK would be legally obliged to teach their students that homosexuality is normal and without any risk to physical or mental health.

In an interview with the gay lifestyle magazine Attitude, Clegg outlined a number of proposals to advance '"gay rights" in the UK, including forcing all schools, including faith-based schools, to implement anti-homophobia bullying policies and to teach that homosexuality is "normal and harmless."

Clegg said that faith schools must not become "asylums of insular religious identity."

"If they're suffering higher rates of homophobic bullying and violence then we need to put serious pressure on them. It needs to be a requirement; it just needs to be a requirement across the piece."

He also proposed to end the ban on homosexual men being allowed to give blood, and to allow same-sex couples the same legal rights as heterosexual married couples and the right to use the word "marriage" rather than civil partnership.

Clegg's proposals were quickly condemned by church leaders and pro-family groups.

One senior Anglican bishop, who was not identified, told The Independent, “I think this will go down badly even among the not overtly evangelical. Instituting something that must be taught, come what may, is frighteningly fascist.”

Janina Ainsworth, chief education officer for the Church of England, said she saw no reason for changing the current laws governing sex education in schools. “The Church’s traditional teaching is that sex should be set within the framework of a faithful marriage, and sex education in church schools will be delivered within that context,” she said.

"Further upheaval of the guidance for sex education would not be welcomed by many schools, church or otherwise,” Ainsworth added.

Norman Wells of the Family Education Trust, told the Daily Mail, ''Not only is Nick Clegg showing a woeful lack of respect for faith schools, but he is also totally disregarding the deeply-held views of parents."

"The vast majority of parents do not want their children’s schools to be turned into vehicles to promote positive images of homosexual relationships. It is a fundamental principle of education law that children must be educated in accordance with the wishes of their parents."

Wells further charged that "Nick Clegg is pushing a radical social agenda which would only cause confusion among vulnerable young people and expose them to increased risks to their physical and emotional health."