segunda-feira, 5 de abril de 2010

Padre Gonçalo Almada sobre os casos de pedofilia

A IGREJA E A PEDOFILIA – Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada (inédito)

Anselmo Borges fala sobre pedofilia na Igreja Católica

A pedofilia na Igreja Católica

Já é uma situação muito estranha para um católico ter que criticar outros católicos para defender a Igreja Católica de ataques vis. É ainda mais estranha a situação de se ter que criticar um padre para defender a Igreja.

Consciente dessa situação estranha, queria destacar e criticar algumas afirmações do Padre Anselmo Borges, no artigo acima referido:

«Na semana passada, fui abordado por vários jornalistas sobre a calamidade dos padres pedófilos. Que achava?»

O artigo começa com esta frase...
Surge na minha cabeça uma pergunta imediata: porque abordam os jornalistas o Padre Anselmo Borges para lhe pedir a sua opinião? Acaso é ele dignitário da Igreja? Acaso representa ele a Igreja Católica em Portugal? Então porque razão há este fascínio do jornalista pelo Padre Anselmo Borges?
O próprio deveria fazer a si mesmo essa pergunta, e interrogar-se acerca do que fará dele uma pessoa interessante para ser entrevistada por um jornalista acerca de temas polémicos relacionados com a Igreja...

Regra geral, devo admitir que este artigo do Padre Anselmo Borges não tem tanta matéria criticável como outros textos seus. Mas mesmo assim...

«Mas, aqui, há quem pergunte se não foram ignoradas as responsabilidades do Vaticano nestes erros e silêncios.»

Pelos vistos, o próprio Padre Anselmo Borges também pergunta! Mas não dá a resposta. É pena: deixa a insinuação no ar, sem a defender ou refutar, e passa ao ponto seguinte. E a certa altura, rebenta a bomba:

«Até há pouco tempo, a Igreja pensou que era a guardiã da moral e queria impor os seus preceitos a todos, servindo-se inclusivamente do braço secular, ao mesmo tempo que se julgava imune à crítica.»

Esta frase poderia ter sido escrita pelo Afonso Costa, a figura-chave do anticlericalismo do início do século XX. Mas não: é uma frase escrita por um padre, por um sacerdote de Jesus Cristo.

A frase merece ser desmontada, para melhor a entendermos: o que me choca, realmente, é o Padre Anselmo Borges duvidar de que a Igreja Católica seja a guardiã da moral, da moral de Deus, incarnado em Jesus Cristo. Isso é que me choca, e chocará qualquer católico. Evidentemente, o que logo se segue é pacífico: toda a gente hoje em dia acha mal que a Igreja tivesse imposto, por vezes, a sua vontade pela força. Isso não se contesta. O que já é um erro histórico do Padre Anselmo Borges é, logo a seguir, ele achar que a Igreja se serviu "do braço secular", fazendo disso uma regra, quando na realidade, a História prova quantas inúmeras vezes o dito braço secular se serviu da Igreja para o que bem lhe apeteceu.

Depois, vem isto:

«A Igreja tem dificuldade em lidar com a nova situação, mas, de qualquer modo, tendo sido tão moralista no domínio sexual, tem agora de confrontar-se com este tsunami, que exige uma verdadeira conversão e até refundação, no sentido de voltar ao fundamento, que é o Evangelho.»

É espantoso ver um Padre católico a dizer que alguém é demasiado "moralista", como se defender a Moral fosse algo que tivesse um limite superior que implicasse perda de dignidade: como se alguém que defendesse a Moral para lá daquilo que a "vox populi" considera razoável, esse alguém tivesse que ser um maldito de um "moralista".

Francamente...
E o parágrafo termina com uma afirmação inacreditável: o Padre Anselmo Borges sugere à sua Igreja que volte "ao fundamento, que é o Evangelho". É caso para perguntar: de que Igreja fala Anselmo Borges?

Finalmente, Anselmo Borges termina com aquela que, pelos vistos, parece ter sido a sua motivação para escrever o artigo:

«Em todo o caso, será necessário pensar na rápida revogação da lei do celibato. Aliás, a Igreja não pode impor como lei o que Jesus entregou à liberdade. Enquanto se mantiver o celibato como lei, a Igreja continuará debaixo do fogo da suspeita.»

Neste parágrafo, está uma ofensa, talvez involuntária, a todos os sacerdotes: Anselmo Borges, na prática, está a sugerir que os homens que escolhem o sacerdócio não fazem uma escolha livre. Por outro lado, também entristece ver um padre tão preocupado com o "fogo da suspeita", tão amedrontado das vozes do Mundo...

Mas por detrás deste artigo, esconde-se algo de mais profundo.

É que os teólogos dissidentes padecem de uma tentação à qual cedem facilmente: orientam tudo em função da dissidência. Eles querem a revolução doutrinal, querem o "direito" a abortar, o "direito" ao divórcio, o "direito" à homossexualidade, o "direito" à contracepção artificial, o "direito" à ordenação das mulheres, o "direito" ao sexo antes (e fora) do casamento, o "direito" ao casamento dos sacerdotes. Defendem estes "direitos" todos, e não se cansam de os defenderem, mesmo quando para tal é preciso explorar, consciente ou inconscientemente, as misérias da humanidade.

Gary Wills, John Corwnell, e outros ex-seminaristas exploraram e alinharam nas "lendas negras" contra Pio XII só para poderem promover a sua agenda dissidente. Anselmo Borges aparece aqui na triste figura de quem está, na prática, a explorar mediaticamente estes casos de crimes de abuso sexual contra menores para promover a sua agenda dissidente.

É que é uma dupla tragédia: por um lado, ele não se dá conta de que a campanha mediática é contra o Papa e contra tudo o que a Igreja representa. E em vez de defender a sua Igreja (naquilo que se pode defender, entenda-se), alinha em muita da injustiça das críticas anticatólicas. Mas por outro lado, aproveita-se do caso mediático para usar os microfones, os jornais e os "sites" na Internet para promover o seu "catolicismo" dissidente.

Deveria ter vergonha!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Nós somos (outra) Igreja

O impagável movimento "Nós Somos Igreja", em reacção à carta do Papa acerca da questão irlandesa, acaba de publicar um comunicado vampiresco, que se aproveita das vítimas de abusos sexuais dentro da Igreja para promover, mais uma vez, a sua "agenda" anticatólica:

IMWAC Press Release on some aspects of the pastoral letter of Pope Benedict XVI to the Catholic Church in Ireland

Vejamos um excerto:

«The Catholic reform movement considers a review of the Church's sexual teaching essential. This must include the question of mandatory celibacy in the Latin Church, which has already been suggested even by bishops and cardinals. Even if there is no simple causal relationship between mandatory celibacy and sexual violence, the law of mandatory celibacy is a visible expression of the hostility of a male church against sexuality and women. The lack of collegial and democratic structures as a means of making the ecclesial structures accountable to the laity is also a problem that should be taken into account. Only when the structural problems are acknowledged and addressed can the Church become credible and bring about forgiveness and reconciliation.»

Este texto, que vale a pena ler na íntegra para nos darmos conta da profundidade da sua desonestidade, ofende em duas frentes principais:

1) Ofende a razão: quem acredita que é o celibato o culpado pelos casos de abuso sexual? se um celibatário é, por definição, quem se abstém de sexo, como seria o celibato sacerdotal culpado pelos abusos sexuais?

2) Ofende a Igreja: quem acredita que estes tipos são católicos ou que podem falar em nome da Igreja Católica?

Que coisa será o "Catholic reform movement"? Quem são estes tipos? Quem é esta gente? E quem acreditará nestes mentirosos?

A Igreja católica nunca teve tal coisa como "democratic structure", e em documento algum do Vaticano II se fala na criação de tal estrutura. O lema católico é, e sempre foi, "cum Petro et sub Petro", com Pedro e sob Pedro.

Viva o Papa!
Abaixo estes miseráveis auto-proclamados católicos!

PS: As minhas desculpas aos leitores mais sensíveis, e que possam ficar arrepiados com a minha linguagem, aparentemente indicadora de espírito pouco cristão para com este movimento dito "católico".
Se Deus Nosso Senhor nos convida à fraternidade e à paz, também nos deixa este mandamento evangélico (São Mateus 10, 16):

«Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas.»

Numa altura em que os lobos recebem atenção mediática, e tentam levar-nos à perdição, temos que estar atentos, não nos deixarmos enganar pelos manhosos, e levantar a voz pela verdade.

terça-feira, 9 de março de 2010

Somos nómadas e peregrinos...

“…Somos nómadas e peregrinos. É assim que devemos entender a Terra, a nossa vida, a forma de nos relacionarmos uns com os outros. Somos apenas hóspedes na Terra; mas isto também nos faz recordar a nossa peregrinação mais profunda e misteriosa, faz-nos lembrar que a Terra não é a nossa meta definitiva, que estamos a caminho de um mundo novo e que também as coisas da Terra não são as derradeiras e definitivas. Mal ousamos dizê-lo, porque somos censurados por aqueles que alegam que os cristãos não se preocupam com as coisas terrenas e descuram a edificação da cidade nova neste mundo, porque julgam ter sempre o pretexto de se refugiarem no outro. Mas isto não é verdade. Aquele que se lança de cabeça no mundo e para quem a Terra é o único céu transforma a Terra num inferno, porque faz dela o que ela não pode ser, porque quer ter nela o que é definitivo…”


Neste pequeno excerto da extraordinária reflexão Pascal “Mistério Pascal”, o então Cardeal Joseph Ratzinger, agora o nosso Papa Bento XVI, exorta-nos a viver como nómadas, como peregrinos que buscam uma chegada, mas cientes que o seu caminho não está traçado, cientes que o caminho se faz andando. Não se trata de profetizar uma forma de vida inconsequente, leviana ou irresponsável; pelo contrário, trata-se de anunciar a vida como ela é e assim descobrir como viver na plena consciência da nossa condição. E é a consciência desta condição de nómadas que somos na Terra que nos liberta e nos leva aos outros, com a simplicidade de quem busca e de quem leva tudo o que possui no coração.

Deus fez-Se homem em Jesus Cristo, desceu à nossa condição e entrou no tempo e no espaço. Foi verdadeiramente homem, igual a nós, no sofrimento, na exposição à tentação, na dor, no medo, foi igual a nós em tudo excepto no pecado. Foi através do amor infinito que se esgota e renasce no próximo que Deus feito homem salvou a humanidade, que a libertou do pecado anunciando o mandamento novo, “Que vos ameis uns aos outros, como Deus vos Ama”. Acabaram-se as trevas, o medo, o sofrimento eterno.

Jesus Ressuscitado mostrou-nos que o Amor vence a morte e nos transporta para a dimensão da vida eterna. Mas só quem vive como nómada nesta Terra pode descobrir esse amor extraordinário que Jesus anuncia no mandamento novo. Quem, por seu turno, procura na “Terra o seu único céu transforma a Terra num inferno”.

Nesta altura em que nos preparamos para a festa da Páscoa, lembremos a partida de Jesus para o deserto, onde jejuou durante quarenta dias e foi tentado três vezes por Satanás. De todas as vezes que o Diabo tentou Jesus, começou sempre da mesma forma, “Se Tu és filho de Deus…”. Tal como nos lembra o Papa Bento XVI no seu livro Jesus de Nazaré, os soldados romanos, quando jogavam sortes sobre as vestes de Jesus, repetiam esta mesma frase, “Se és filho de Deus, desce da cruz”. Esta frase tão típica da humanidade tem, como podemos constatar ao ler os Evangelhos, origem no Diabo, fonte de todo o mal e de todo o pecado. E é uma frase do Diabo porque, de facto, a sua essência nega Deus, ou seja, limita a nossa capacidade de amar porque procura condicionar o Amor e a verdade de Deus à nossa lógica.

Na Carta Encíclica Spe Salvi o Santo Padre abordou as principais correntes ateístas que marcaram profundamente a história dos últimos séculos da sociedade ocidental (a Revolução Francesa, o Marxismo, entre outras) e constatou que todas elas, sucessivamente, se revelaram falsas, sobretudo porque procuraram obter da Terra algo que ela não lhes podia dar, ou seja, “o seu único céu”, aquele que é definitivo. Este abandono de Deus, que tem levado a humanidade a tanto sofrimento, consubstancia-se na incapacidade de amar o outro pelo outro. Porque quando amamos o outro apenas por aquilo que ele é, descobrimos nele algo de extraordinário, algo de divino, descobrimos nele o milagre da criação de Deus. Mas se retiramos Deus das nossas vidas deixamos de ter a capacidade de amar o outro pelo outro e passamos a amá-lo em função de nós próprios, das nossas necessidades, desejos, projectos e aspirações... Deixa de ser um amor gratuito e passa a ser um amor que cobra. Deixamos de cumprir o Mandamento Novo e tornamo-nos seres que, em lugar de viver para servir, vivem para ser servidos. E assim conhecemos o frio da noite e o horror do penhasco porque estamos irremediavelmente sós.

É este ateísmo que se enraíza na tentação, porque como lembra o Papa Bento XVI, mais uma vez no seu livro Jesus de Nazaré, “Faz parte da natureza da tentação a sua aparência moral: não nos convida directamente a realizar o mal, seria demasiado grosseiro. Finge que indica o melhor: abandonar finalmente as ilusões e empregar eficazmente as nossas forças para melhorar o mundo. Além disso, apresenta-se com a pretensão do verdadeiro realismo. O real é o que se constata: poder e pão. Comparadas com isto, as coisas de Deus aparecem irreais, um mundo secundário de que verdadeiramente não há necessidade”, que guiou a humanidade à encruzilhada onde se encontra:

- Colonizações e descolonizações absolutamente desregradas que foram e são fonte de tanta angústia, sofrimento e morte;

- Guerras e acções terroristas que devastam a humanidade;

- Metade do mundo a viver abaixo do limiar da pobreza, numa situação de total falta de dignidade, sem acesso aos bens mais básicos como a água potável e a alimentação;

- Em contra-ciclo, a outra metade do mundo vive na sociedade da abundância, na era dos direitos que ignoram os deveres: reclama para si todos os direitos, mesmo os supérfluos, e ignora de uma forma fria e insensível o sofrimento dos seus irmãos que nada têm;

- A economia mundial que se desliga progressivamente da política e passa a olhar o lucro como o fim último de toda a sua actividade, esquecendo que a razão da sua existência é o desenvolvimento da humanidade;

- A imoralidade que se confunde com a moralidade, o ataque à família, o aborto, a droga...

Tudo isto nos revela dois mundos distintos; um mundo de pessoas que vivem sem as condições mínimas, mesmo sem que aquelas que a dignidade humana pressupõe; e um outro mundo que vive centrado no conforto, mas que dá mostras de sofrer de uma doença maligna: basta olhar para o aumento das taxas de suicídio, para o disparo do consumo dos anti-depressivos, para a solidão que ataca sem remorso.

Tudo isto se consubstancia na ausência de Deus.
Tudo se consubstancia na procura do único céu, do céu definitivo, aqui na Terra.

Contudo, como peregrinos que somos, fazemos a nossa caminhada para a Páscoa. Tal como Jesus, passamos agora pelo deserto; mas, também como Jesus, depende de nós resistir à tentação. Jesus veio anunciar-nos a boa nova do perdão e da esperança. Basta que coloquemos Deus no centro das nossas vidas para podermos edificar na Terra a Civilização do Amor. Como dizia S. Paulo “Agora vemos por um espelho, e de maneira obscura, o que depois veremos face a face. Agora conheço apenas uma parte, mas não conhecerei conforme também sou conhecido. Agora permanecem fé, esperança, amor, todos juntos. Mas o maior de todos é o amor.”

Tal como Cristo Crucificado, façamos também nós com que o mundo fique suspenso pelo nosso amor e assim descobriremos a beleza da nova civilização, a civilização do amor, que a Ressurreição de Jesus anunciou.

Uma Santa Páscoa,
Duarte Macieira Fragoso

segunda-feira, 1 de março de 2010

Oprah e as Irmãs Dominicanas

Simplesmente espantoso...
Oprah Winfrey entrevista as Irmãs Dominicanas de Maria.
A idade média, nesta comunidade de freiras dominicanas nas imediações de Detroit, é de 26 anos. Temos muito que aprender com os católicos norte-americanos!







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A manifestação do último Sábado

Escreve assim o Ten. Cor. João José Brandão Ferreira, a propósito da manifestação do último Sábado, pela Família e contra a hegemonia da contra-cultura "LGBT":

«Cumpre saudar a família real nas pessoas de SAR o Sr. D. Duarte e mulher, a Duquesa D. Isabel, que estiveram na linha da frente da manifestação. Assim deve ser, pois o exemplo deve vir de cima.

Já da hierarquia da Igreja se esperava mais. É certo que a manifestação não era de católicos (e seria bom que numa próxima oportunidade se pudesse contar não só com os evangélicos, mas também com judeus, muçulmanos e hindús), mas sim de todos os portugueses que se queiram bater pelos princípios fundamentais da sua cultura, identidade e liberdades fundamentais, que lhes vêm do princípio da nacionalidade.

Sem embargo, o que está em jogo, também, são princípios doutrinários da Igreja de Cristo. Compreendemos a necessidade de prudência, de reflexão e de ponderação. Mas quando o que está em causa são coisas essenciais, vai-se à luta com tudo o que se tem. Os generais têm que se pôr à frente das tropas, senão tal facto vai-se reflectir no moral das mesmas. Dá ideia, até, que se perdeu a Fé… Há coisas com que não se pode contemporizar sob pena de derrota total e humilhação. Na dúvida, evoca-se o Espírito Santo e vai-se ao combate, porque de um combate se trata!»


Achei muito pertinente esta observação!
Se, por vezes, eu critico alguns monárquicos mais entusiasmados por parecerem colocar a causa monárquica acima da Igreja, ou pelo menos considerarem (erradamente) que cristianismo e monarquia são indissociáveis, desta vez o exemplo veio da causa monárquica, nas pessoas dos Duques de Bragança.

Muitos monárquicos, por ignorância ou conveniência, esquecem os males que as monarquias absolutista e constitucional fizeram à Igreja em Portugal. Há muito monárquico que julga que os atentados ao cristianismo e à Igreja só começaram com o Afonso Costa e com a pandilha da Primeira República, mas estão enganados, e devem fazer um exame de consciência.

Mas a lição que nos deram os senhores Duques de Bragança neste último Sábado é uma lição que não deve ficar esquecida. Ao estarem na linha da frente, deram o mais belo exemplo do que é a essência da causa monárquica e da figura do monarca. E, com esse gesto simples e claro, deixaram os senhores Bispos na delicada situação de ausentes.

Nós, os leigos, estamos cá para fazer a nossa parte. Mas esperamos mais dos senhores Bispos. Precisamos deles.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O totalitarismo anticristão já começou no Reino Unido...

Sim, o título deste "post" é chocante.
Não falsamente chocante, no sentido de ampliar um problema menor.
O título é realmente chocante, pois o problema é grande e tende a avolumar.

No Reino Unido, vive-se desde há uns anos a esta parte uma batalha árdua entre o Governo e as instituições de ensino religioso. O objecto da batalha é o conteúdo da "educação sexual" que é proposta pelos novos totalitários.

Durante algum tempo, pessoas bem intencionadas acharam que as escolas religiosas teriam a liberdade de ensinar a sua doutrina e moral livremente.

Estavam enganadas, é claro.
Como já vem sendo típico, o lobo aproveita-se da mansidão das ovelhas para "abrir caminho".

Apesar de isto já ser antigo, só agora se começam a sentir os efeitos desta nova viragem legislativa de sabor totalitário e anticristão.

Segue-se o ponto 67 do documento "Legislative Scrutiny: Sexual Orientation Regulations", elaborado pelo "Joint Committee on Human Rights" (Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes do Reino Unido). O documento data 2007.

Veja-se esta magnífica pérola totalitária (o negrito é meu):

«67. We do not consider that the right to freedom of conscience and religion requires the school curriculum to be exempted from the scope of the sexual orientation regulations.
In our view the Regulations prohibiting sexual orientation discrimination should clearly apply to the curriculum, so that homosexual pupils are not subjected to teaching, as part of the religious education or other curriculum, that their sexual orientation is sinful or morally wrong. Applying the Regulations to the curriculum would not prevent pupils from being taught as part of their religious education the fact that certain religions view homosexuality as sinful.
In our view there is an important difference between this factual information being imparted in a descriptive way as part of a wide-ranging syllabus about different religions, and a curriculum which teaches a particular religion’s doctrinal beliefs as if they were objectively true. The latter is likely to lead to unjustifiable discrimination against homosexual pupils. We recommend that the Regulations for Great Britain make clear that the prohibition on discrimination applies to the curriculum and thereby avoid the considerable uncertainty to which the Northern Ireland Regulations have given rise on this question. We further recommend that the Government clarifies its understanding of the Northern Ireland Regulations on this matter.»
Fonte: Legislative Scrutiny: Sexual Orientation Regulations

Cá está: as novas linhas orientadoras "anti-discriminação" implicam, na óptica destes iluminados, que uma escola cristã, por exemplo, deixa de poder ensinar que a homossexualidade é imoral ou pecaminosa.

Espectáculo!
Se o Sócrates descobre isto...

P.S. Os que simpatizam com estas novas "linhas orientadoras" irão porventura apontar-me o final do ponto 67 que acabei de citar, alegando que esse texto permite que se apresente aos alunos, de forma "descritiva", o ensinamento cristão acerca da homossexualidade como sendo um "facto" em si mesmo, e não como sendo ensinamento "objectivamente verdadeiro". Ou seja, pode-se dizer à miudagem que os cristãos acham a homossexualidade imoral e pecaminosa, mas não se pode dizer, no contexto de uma escola cristã, que essa avaliação cristã é verdadeira. Espantoso! É a "nova escola" no seu melhor, relativista até ao âmago. A escola deixa de ser o lugar onde se fala verdade, e se ensinam verdades, para passar a ser uma montra de "opiniões" e "correntes" de ideias. E cada miúdo que mastigue e faça a sua própria verdade. Não sei porquê, mas isto tem um saborzinho maçónico...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A bochecha de Serápis

A recente burla "hollywoodesca" que dá pelo nome de "Ágora", já aqui criticada, está montada para evocar e difundir a ideia de uma turba de cristãos fanáticos que, pelo seu excesso de zelo fanático, teriam destruído a Biblioteca de Alexandria, e com ela, toda a ciência antiga.

Por detrás da linda história de amor romanceada em torno da filósofa Hipátia, a "lição" que o senhor Amenábar nos quer dar com o seu filme é esta: o cristianismo é obscurantista, fanático e inimigo do conhecimento.

No entanto, o que a História nos diz é radicalmente diferente: para além de não ter qualquer suporte documental a teoria da destruição da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos, o episódio importante da destruição dos templos pagãos em Alexandria não tem a ver com zelo anti-científico e obscurantista. Tem a ver precisamente com o oposto: com zelo anti-obscurantista.

Até um historiador como Gibbon, que sempre que pode dá a sua palmadazinha no cristianismo, escreve algo espantoso acerca da destruição do Serapeum, o templo dedicado a Serápis, na cidade de Alexandria:

«A estátua colossal de Serápis estava envolta na ruína do seu templo e religião. Um grande número de chapas de diferentes metais, juntas artificialmente, compunha a figura majestática da divindade, que tocava em ambos os lados as paredes do santuário. O aspecto de Serápis, a sua postura sentada, e o ceptro, que ele tinha na sua mão esquerda, eram extremamente similares às representações típicas de Júpiter. Ele distinguia-se de Júpiter pelo cesto colocado na sua cabeça, pelo emblemático monstro que ele tinha na sua mão direita, e pela cabeça e corpo de uma serpente bifurcada em três caudas, que estavam por sua vez terminadas por cabeças triplas de um cão, um leão e um lobo.

Afirmava-se com convicção que se alguma mão ímpia se atrevesse a violar a majestade do deus, os céus e a terra regressariam instantaneamente ao caos original. Um soldado intrépido, animado pelo zelo, e armado com um machado de guerra pesado, subiu a escada; e até a multidão cristã esperava, com alguma ansiedade, o evento do combate. Ele desferiu um golpe vigoroso contra a bochecha de Serápis; a bochecha caiu no chão; o trovão manteve-se silencioso, e ambos os céus e a terra continuaram a manter a sua ordem e tranquilidade costumeiras.

O soldado vitorioso repetiu os seus golpes: o gigantesco ídolo foi derrubado e partido em pedaços; e os membros de Serápis foram arrastados ignominiosamente pelas ruas de Alexandria. A sua carcaça desfigurada foi queimada no Anfiteatro, por entre os gritos da populaça; e várias pessoas atribuíram a sua conversão à descoberta da impotência da sua divindade titular.»


- Edward Gibbon, History Of The Decline And Fall Of The Roman Empire, cap. 28.

Talvez nos faça confusão, à nossa moderna e higienizada mentalidade, imaginar multidões de cristãos aos gritos, durante estes dias "agitados" em Alexandria. Cometeram-se excessos? É certo que sim: a morte violenta da filósofa Hipátia (crime de natureza política) é o melhor exemplo desse tipo de excessos cometidos pela populaça.

Mas muitas vezes, embriagados pela propaganda anticristã, não nos damos conta do facto capital: nesses dias conturbados, morria o mundo velho e começava um novo. As manifestações ruidosas de cristãos um pouco por toda a Alexandria, com o seu quê de eufórico, com o seu quê de histérico, reflectem um espírito de catarse, quando toda uma civilização "acorda" do torpor da multiforme superstição pagã para a Verdade do Deus Uno e Vivo, Criador de um Cosmos racional e estruturado.

A verdade dos factos é diametralmente oposta à mentira cinematográfica de Aménabar. A morte do paganismo não foi a morte da ciência, foi o seu nascimento...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pio XII - "Much-maligned pontiff"

Much-maligned pontiff, um artigo de Dimitri Cavalli, no Haaretz. Este artigo vem referido no boletim Zenit de 1 de Fevereiro de 2010.

Alguns excertos (o negrito é meu)...

(...)

On April 4, 1933, Eugenio Cardinal Pacelli, the Vatican secretary of state, instructed the papal nuncio in Germany to see what he could do to oppose the Nazis' anti-Semitic policies.

On behalf of Pope Pius XI, Cardinal Pacelli drafted an encyclical, entitled "Mit brennender Sorge" ("With Burning Anxiety"), that condemned Nazi doctrines and persecution of the Catholic Church. The encyclical was smuggled into Germany and read from Catholic pulpits on March 21, 1937.

Although many Vatican critics today dismiss the encyclical as a light slap on the wrist, the Germans saw it as a security threat. For example, on March 26, 1937, Hans Dieckhoff, an official in the German foreign ministry, wrote that the "encyclical contains attacks of the severest nature upon the German government, calls upon Catholic citizens to rebel against the authority of the state, and therefore signifies an attempt to endanger internal peace."

(...)

After the death of Pius XI, Cardinal Pacelli was elected pope, on March 2, 1939. The Nazis were displeased with the new pontiff, who took the name Pius XII. On March 4, Joseph Goebbels, the German propaganda minister, wrote in his diary: "Midday with the Fuehrer. He is considering whether we should abrogate the concordat with Rome in light of Pacelli's election as pope."

During the war, the pope was far from silent: In numerous speeches and encyclicals, he championed human rights for all people and called on the belligerent nations to respect the rights of all civilians and prisoners of war. Unlike many of the pope's latter-day detractors, the Nazis understood him very well. After studying Pius XII's 1942 Christmas message, the Reich Central Security Office concluded: "In a manner never known before the pope has repudiated the National Socialist New European Order ... Here he is virtually accusing the German people of injustice toward the Jews and makes himself the mouthpiece of the Jewish war criminals." (Pick up any book that criticizes Pius XII, and you won't find any mention of this important report.)

In early 1940, the pope acted as an intermediary between a group of German generals who wanted to overthrow Hitler and the British government. Although the conspiracy never went forward, Pius XII kept in close contact with the German resistance and heard about two other plots against Hitler.

(...)

Throughout the war, the pope's deputies frequently ordered the Vatican's diplomatic representatives in many Nazi-occupied and Axis countries to intervene on behalf of endangered Jews. Up until Pius XII's death in 1958, many Jewish organizations, newspapers and leaders lauded his efforts. To cite one of many examples, in his April 7, 1944, letter to the papal nuncio in Romania, Alexander Shafran, chief rabbi of Bucharest, wrote: "It is not easy for us to find the right words to express the warmth and consolation we experienced because of the concern of the supreme pontiff, who offered a large sum to relieve the sufferings of deported Jews ... The Jews of Romania will never forget these facts of historic importance."

The campaign against Pope Pius XII is doomed to failure because his detractors cannot sustain their main charges against him - that he was silent, pro-Nazi, and did little or nothing to help the Jews - with evidence. Perhaps only in a backward world such as ours would the one man who did more than any other wartime leader to help Jews and other Nazi victims, receive the greatest condemnation.

(...)

sábado, 30 de janeiro de 2010

O "Casamento Homossexual"

Preâmbulo

Caros todos,

Apesar do meu nome constar neste blog desde o exacto dia da sua criação, tem sido parca a minha contribuição, quer em número de posts, quer em comentários aos post colocados pelo Bernardo. Resta-me a esperança que a quantidade não seja sinónimo de qualidade… Já agora, aproveito para felicitar e agradecer aos “comentadores residentes” pela qualidade dos vossos argumentos que, aliados às excelentes respostas do Bernardo, têm contribuído para o amadurecimento da minha Fé.

Duarte Fragoso


O "Casamento Homossexual"

Sinto-me como que sugado pelo turbilhão de informação sobre o tema, que não era tema mas passou a ser, do novo modelo de Casamento. De facto, toda esta informação, marcada por um radicalismo a raiar o fanático, tem lançado uma espécie de onda magnética sobre a opinião pública, deixando-a meio atordoada. De tal forma isto é assim que neste momento, em que supostamente já teria havido um debate profundo e esclarecedor sobre o tema, a pergunta que se impõe, pelo menos para mim, é a seguinte:

Mas afinal o que é que está em causa com o alargamento do Casamento a pessoas do mesmo sexo?

Se olharmos para o tema de uma forma objectiva, despindo-o de toda a “bull-shit” para aí apregoada, concluímos que não estão em causa nem direitos fundamentais nem tão pouco discriminações inaceitáveis, que tantos parecem interessados em fazer parecer. Na verdade, acabamos por concluir que tudo não passa de uma questão de concepção. Concebemos o Casamento como ele de facto é, ou seja, reflectindo a união entre um homem e uma mulher, ou, pelo contrário, achamos que o conceito de Casamento deve ser alargado, passando a reflectir também outro tipo de uniões, nomeadamente entre pessoas do mesmo sexo?
É tão só isto que está em causa.

É evidente que as consequências da adulteração do conceito de Casamento, nomeadamente com o alargamento do mesmo a uniões entre pessoas do mesmo sexo, é um erro grave com consequências nefastas para a sociedade. E considero que se trata de um erro grave pelas razões simples que abaixo enumero:

- Identificar de forma igual, relações que são absolutamente diferentes:
Uma relação entre um homem e uma mulher é, obrigatoriamente, diferente de uma relação entre dois homens ou duas mulheres. É diferente a todos os níveis; antropológico; filosófico; sociológico. E por isso mesmo, estes dois tipos de relação têm, obrigatoriamente, direitos e deveres diferentes, portanto devem ser enquadradas de forma diferente. Independentemente de um tipo de relação ser, ou não, melhor do que o outro, o que é um facto é que são diferentes. Assim como um jovem é diferente de um velho e ambos têm direitos e deveres diferentes na sociedade, sem que isso encerre algum tipo de discriminação negativa. Trata-se de situações distintas que devem ser olhadas como tal, sem prejuízo de ninguém.

- Construir uma igualdade artificial através da legislação:
Procura-se forçar uma igualdade falsa através da legislação. Chamar pelo mesmo nome, a partir do dia x, duas coisas que são diferentes e por isso denominadas de forma diferente. Isto é de tal forma absurdo que os defensores da causa, são os primeiros a apelidar este novo conceito de Casamento como o “Casamento Homossexual”. Se lhe chamassem apenas Casamento, as pessoas associariam a uma união entre um homem e uma mulher. Ou, pelo mesmo, não iriam perceber a que tipo de relação é que o seu interlocutor se estava referir, dado que este estaria a utilizar o mesmo nome para se referir a duas relações totalmente distintas entre si.

- Adulterar o Conceito de Casamento:
A partir do momento em que se adultera o conceito de casamento, alargando-o a relações entre pessoas do mesmo sexo, abrimos um precedente perigoso e que se pode
revelar perverso. A partir desse momento qual será o argumento para impedir o alargamento do conceito de Casamento a relações entre várias pessoas, a poligamia, ou a relações incestuosas?

- Estabilidade da família e defesa da procriação:
Não é por acaso que a sociedade se organizou, espontaneamente, em família e que daí tenha surgido o Casamento. A família é a base e o equilíbrio da sociedade. É o garante da sua continuidade. Ao adulterar aquilo que é o Casamento, o acto que oficializa publicamente a relação entre um homem e uma mulher e que os apresenta, perante a sociedade, como uma família apta, entre outras coisas, a procriar, pode ter consequências muito graves. O desmoronar da instituição família significa o desmoronar da sociedade.

- Aumento da homofobia:
Ao transformar um não tema num tema, apenas para servir todos os oportunismos políticos e dar palco a tantos pavões cheios de vaidades, podemos estar a aumentar a homofobia, dado que estamos a criar um ambiente propício ao extremar de posições. Alguém acha que os homossexuais que efectivamente têm uma vida difícil, não alguns histéricos que adoram desafiar a sua própria dignidade naquelas paradas deprimentes, que vivem no seu recato e que se dão ao respeito, estão interessados neste espectáculo? Alguém acha que esses homens e mulheres se vão casar?
Por tudo isto, parece-me claro que esta proposta de lei é um autêntico disparate. Um atentado social a todos os níveis. Em suma, uma inconsciência sem limites!
Ao mesmo nível desta proposta de lei, está a recusa da Assembleia da Republica face ao pedido de realização de um referendo sobre o tema, apresentado numa petição subscrita por mais de 90.000 Portugueses. Lembro que este elevadíssimo número de assinaturas foi recolhido em tempo recorde, sem recurso a qualquer máquina partidária, o que reflecte bem o sentimento colectivo dos Portugueses face a este assunto.

Os grupos parlamentares que recusaram o referendo justificaram a sua decisão tendo por base dois argumentos:

- Esta proposta já constava nos programas eleitorais do PS, PCP, BE e VERDES, sufragados nas últimas eleições e, portanto, a AR teria toda a legitimidade para legislar sobre este tema;

- Não se referendam direitos básicos.

Ora ambos os argumentos são fracos e facilmente refutáveis. O primeiro argumento cheira mesmo a batota… Digo isto porque seria fácil desafiar o PS a encontrar 1 só eleitor, que tenha votado no Partido Socialista, que conheça as mais de 700 medidas que constam no programa eleitoral do PS e, para além disso, concorde com todas essas medidas. É evidente que a existir algum eleitor nessas circunstâncias será, certamente, uma minoria.
Já o segundo argumento apresenta também inúmeras debilidades, a começar pelo facto de ser contraditório face ao primeiro. Se não se referendam direitos básicos, então porque estaria esse mesmo direito presente nos programas eleitorais acima referidos? Confuso não? Mas a resposta é simples. O alargamento do Casamento a uniões entre pessoas do mesmo sexo estava presente nos programas eleitorais dos partidos de esquerda porque, efectivamente o que está em causa não é um direito, é tão só uma questão de concepção do modelo de Casamento.
Resumindo, são dois argumentos frágeis que tentam justificar o injustificável. E o injustificável é o facto de a AR ter, pura e simplesmente, ignorado uma petição fortíssima, organizada de um dia para o outro que reflecte o pulsar da sociedade civil. É evidente que este tema deve ser alvo de um referendo, porque tem a ver com a mais elementar organização social. Isto é claro para todos aqueles que não foram dominados por este fanatismo absurdo.

Não há dúvida que no fim do dia a Assembleia da República, símbolo absoluto da democracia, fica manchada por um tique ditatorial inaceitável, protagonizado, sobretudo, por uma esquerda burguesa e arrogante, que se considera dona das vontades do povo e, como demonstra ao recusar ouvi-lo, o despreza profundamente.

Duarte Fragoso