quarta-feira, 12 de maio de 2010

Terreiro do Paço - Nascente



Tentei chegar cedo ao Terreiro do Paço. Mas por volta das 15 horas, já só consegui ter esta vista. No sector Poente, mesmo de frente para o altar, havia uma área enorme que esteve vazia até perto das 17 horas. Por várias vezes pensei, e comigo pensaram os que estavam ao meu lado, que alguém teria que preencher aquele espaço fantástico. Vieram aos magotes, milhares de jovens vestidos de "t-shirt" azul, e encheram depressa uma área que parecia enorme.
O discurso de muitos inimigos do catolicismo está repleto de alusões depreciativas à terceira idade: que os crentes são quase sempre idosos (pretendendo-se com isso desprestigiar o catolicismo, sabe-se lá porquê: a presença da terceira idade, com a sua sabedoria de vida, tende pelo contrário a prestigiar). Perante uma imagem destas, que ilustra a dimensão da adesão da juventude ao Papa e à Igreja Católica, uma adesão espontânea e entusiasta, as críticas mudam de tom: a desculpa passa a ser a de que a juventude que lá esteve terá que ser ignorante, inculta e acrítica. Para algumas pessoas, tudo vale...
Mas, mais uma vez, uma imagem vale mais do que mil palavras mentirosas.

Terreiro do Paço - Poente



O Terreiro do Paço, nas horas que antecederam a primeira missa presidida pelo Santo Padre em Portugal. É nestes momentos, e com estas imagens, que se dissipam as palavras vãs dos que vaticinaram o fracasso do evento. Também se vê que, pese embora a realidade da propaganda mediática que alguns fazem contra a Igreja Católica, os "media" também mostram aqui a sua valência positiva: a transmissão televisiva não pôde ocultar que algo de especial se passou ontem no Terreiro do Paço ao final da tarde.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Papa na Nunciatura


A Av. Luís Bívar estava à cunha. Uma barulheira incrível.
Viva o Papa Bento XVI! Viva Portugal, Terra de Santa Maria!

Papa na Avenida da República


A Av. da República estava eufórica. Inesquecível.

Quase ninguém leu isto, pois não?

No programa "Prós e Contras" terminado há poucas horas atrás, a apresentadora lançou a pergunta: "Qual é o legado que este Papa vai deixar?". Bom... Para além de se achar erradamente que Bento XVI já deu tudo o que tinha para dar, há que ver que ele já nos deixou toneladas de coisas boas.

Com o Papa Bento XVI quase a aterrar em Lisboa, achei que era interessante ir ao baú de Joseph Ratzinger buscar uma coisa boa, que está mesmo no topo, pois não é muito antiga. Trata-se do seu esplêndido discurso na Aula Magna da Universidade de Regensburgo, a 12 de Setembro de 2006.

Cada vez tenho menos dúvidas de que este discurso foi distorcido e manipulado precisamente porque era bom demais para ser conhecido no original. É que era um contributo importante e decisivo para a questão da fé racional e racionalmente consistente. A "catequese" novo-laicista pretende que a fé é uma coisa privada e supersticiosa, incompatível com a razão. Bento XVI estragou-lhes o arranjinho, pelo que as suas palavras teriam que ser mediaticamente distorcidas, para que quase ninguém as recebesse na forma original.

Então, pro memoria, e contra o esquecimento, e contra a distorção mediática, cá vai... Bento XVI no seu melhor!

No sétimo colóquio (διάλεξις – controvérsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador aborda o tema da jihād, da guerra santa. O imperador sabia seguramente que, na sura 2, 256, lê-se: «Nenhuma coacção nas coisas de fé». Esta é provavelmente uma das suras do período inicial – segundo uma parte dos peritos – quando o próprio Maomé se encontrava ainda sem poder e ameaçado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia também as disposições que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcorão. Sem se deter em pormenores como a diferença de tratamento entre os que possuem o «Livro» e os «incrédulos», ele, de modo surpreendentemente brusco – tão brusco que para nós é inaceitável –, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: «Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava». O imperador, depois de se ter pronunciado de modo tão ríspido, passa a explicar minuciosamente os motivos pelos quais não é razoável a difusão da fé mediante a violência. Esta está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. Diz ele: «Deus não se compraz com o sangue; não agir segundo a razão – «σὺν λόγω» – é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e não da violência nem da ameaça... Para convencer uma alma racional não é necessário dispor do próprio braço, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa ameaçar de morte uma pessoa...».

Nesta argumentação contra a conversão através da violência, a afirmação decisiva está aqui: não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus. E o editor, Theodore Khoury, comenta: para o imperador, como bizantino que cresceu na filosofia grega, esta afirmação é evidente; mas não o é para a doutrina muçulmana, porque Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está vinculada a nenhuma das nossas categorias, incluindo a da razoabilidade. Neste contexto, Khoury cita uma obra do conhecido islamita francês R. Arnaldez, onde este assinala que Ibn Hazm chega a declarar que Deus nem sequer estaria vinculado à sua própria palavra e que nada O obrigaria a revelar-nos a verdade. Se fosse a sua vontade, o homem deveria inclusive praticar a idolatria.

Aqui gera-se um dilema, na compreensão de Deus e consequentemente na realização concreta da religião, que nos desafia hoje de maneira muito directa: a convicção de que o agir contra a razão estaria em contradição com a natureza de Deus, faz parte apenas do pensamento grego ou é válida sempre e por si mesma? Penso que, neste ponto, se manifesta a profunda concordância entre o que é grego na sua parte melhor e o que é a fé em Deus baseada na Bíblia. Modificando o primeiro versículo do livro do Génesis, o primeiro versículo de toda a Sagrada Escritura, João iniciou o prólogo do seu Evangelho com estas palavras: «No princípio era o λόγος». Ora, é precisamente esta a palavra que usa o imperador: Deus age «σὺν λόγω», com logos. Logos significa conjuntamente razão e palavra – uma razão que é criadora e capaz de se comunicar, mas precisamente enquanto razão. Com este termo, João ofereceu-nos a palavra conclusiva para o conceito bíblico de Deus, uma palavra na qual todos os caminhos, muitas vezes cansativos e sinuosos, da fé bíblica alcançam a sua meta, encontram a sua síntese. No princípio era o logos, e o logos é Deus: diz-nos o evangelista. Este encontro entre a mensagem bíblica e o pensamento grego não era simples coincidência. A visão de São Paulo – quando diante dele se estavam fechando os caminhos da Ásia e, em sonho, viu um macedónio que lhe suplicava: «Passa à Macedónia e vem ajudar-nos!» (cf. Act 16, 6-10) – esta visão pode ser interpretada como a «condensação» da necessidade intrínseca de aproximação entre a fé bíblica e a indagação grega.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os anúncios da Adecco...

Nas últimas horas os ditos anúncios têm sido apagados de vários sites de emprego (basta abrir o Google e procurar por "Adecco Papa" e verificar que a maioria dos anúncios desapareceu), mas ainda se pode ver o anúncio em alguns deles. Por exemplo, às 18 horas de hoje, neste site e neste site, ainda se pode ler o seguinte:

«A Adecco, Líder Mundial de Recursos Humanos, no seguimento da sua política de desenvolvimento e expansão, pretende recrutar Apoiantes (M/F) ao Papa Bento XVI na sua missão a Lisboa no dia 11 de Maio de 2010:

Local: Praça do Comércio.
Horário de trabalho: Manhã e/ou tarde

Requisitos:
- Muito boa apresentação;
- Gosto pelo contacto com o público;
- Dinamismo e responsabilidade;
- Resistência Física.

Entregamos:
- 1 T-shirt alusiva ao evento (ficará para os participantes)
- 1 Bandeira ou 1 Faixa alusiva ao evento (a devolver a agência)

Se reúne os requisitos, envie já o seu Curriculum Vitae para: merchandising@adecco.com com a REF:APB.»


Mas o mais provável é que estes anúncios sejam em breve apagados, assim que as empresas responsáveis pelos respectivos sites se dêem conta e apaguem os ditos.

O que está a acontecer?

1) Se o anúncio é a sério, porque é que está a ser retirado dos vários sites de emprego? Já preencheram todas as vagas?

2) Alguém acredita que os organizadores da Visita do Papa recorreriam à medida desonesta, imoral e desesperada de pagar "apoiantes"?

3) Alguém acredita que são precisos mais "apoiantes" para encher as ruas, avenidas e praças de Lisboa, Fátima e Porto, que vão ser poucas e apertadas para acolher todos os católicos que irão ver o Papa?

Não é difícil entender para que é que serve um anúncio destes.
Serve, entre outros propósitos, para isto e para isto.

E, é claro, serve para lançar ainda mais alto o papagaio da "imoralidade" da Igreja Católica. «Que raio de gente, estes católicos, hã? Andam por aí, a aproveitar-se do desemprego para comprar "apoiantes"? Que vergonha...»

Mas não terá sido "atrevido" da parte dos autores do anúncio a expressão "Muito boa apresentação"? Alguém acredita que a religião do Cristo crucificado, a religião do Bom Samaritano, iria pedir "boa apresentação"? O anúncio já era arriscado (pretender que a Igreja Católica compraria "apoiantes"), mas não terá sido arriscado demais meter a frase da "muito boa apresentação", deixando assim a cauda de fora?

O que dirá este gente quando vir o banho de multidão?
Que a Adecco está a facturar em grande com a vinda do Papa?

Visita do Papa - agradece-se divulgação


Esclarecimento da Organização da Visita do Santo Padre a Portugal:



ESCLARECIMENTO

Na sequência de notícias dando conta de que estaria em curso uma acção de recrutamento de pessoas para participarem nas Missas presididas pelo Santo Padre, a Comissão Organizadora da Visita do Papa Bento XVI a Portugal informa que não recorreu a qualquer serviço de recrutamento para trabalho temporário relacionado com as cerimónias que vão ter lugar em Lisboa, Fátima e Porto.

Milhares de voluntários associaram-se a este momento sem receberem nada em troca.

É esse o espírito que torna esta Viagem um momento de alegria para muitos portugueses.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Projecto Emergência Vida

Projecto Emergência Vida

«A Emergência-Vida é um projecto da Associação Emergência Social, uma Instituição Particular de Solidariedade Social que tem como finalidade activar uma rede solidária de apoio, acessoria e ajuda à mulher para superar qualquer conflito surgido diante de uma gravidez imprevista.

-Atendimento directo e acompanhamento, com voluntários formados, a qualquer mulher que se sinta só ou abandonada diante uma gravidez imprevista.

-Encaminhamento dos voluntários formados para o atendimento directo a mulheres grávidas em situação de exclusão social que requisitem a nossa ajuda.»

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Notas sobre a "New Age"

Na secção "Artigos em PDF", mesmo ali do lado direito, foi acrescentado um ficheiro PDF intitulado "Notas sobre a «New Age»". Não se trata de um estudo completo, mas sim de uma recolha de informação sobre a corrente "New Age", separada por tópicos. Como sucede com todos os artigos nessa secção, também este será melhorado ao longo do tempo, e novas actualizações serão disponibilizadas no mesmo local.

Bento XVI sobre a felicidade

«Feliz o homem que dá; feliz o homem que não utiliza a vida em proveito próprio, mas que a dá; feliz o homem misericordioso, bom e justo; feliz o homem que vive no amor de Deus e do próximo. É assim que se vive bem e, vivendo assim, não precisamos de ter medo da morte, porque estamos na felicidade que vem de Deus e nunca acaba»

- Catequese da Audiência Geral de 2 de Novembro de 2005, em "Bento XVI, Pensamentos espirituais", n.º 65, Lucerna, 2006, recebido via lista de distribuição É o Carteiro

Esta é uma excelente definição de felicidade, e ligada de forma muito simples e clara à verdade da vida eterna.