domingo, 27 de junho de 2010

O beijo de Judas?

Em Fátima, o Papa Bento XVI disse isto:
«As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor.» - Papa Bento XVI, 13 de Maio de 2010, Fátima, Encontro com as organizações da Pastoral Social.

Recentemente, um dos Bispos da Igreja Católica disse isto:
«D. Januário Torgal Ferreira: (...) Para mim, independentemente do conteúdo - eu não concordo com a noção de casamento -, concordo e aceito um homem que viva com um homem e uma mulher que viva com uma mulher. (...)

Entrevistador: A Igreja acolhe os homossexuais, na verdade. Desde que não pratiquem a sua homossexualidade...

D. Januário Torgal Ferreira: Com certeza que um casal homossexual não é um teórico, não é? E os afectos traduzem-se por essa prática, por essa fusão psíquico-afectiva da unidade misteriosa que é o ser humano.»
- Entrevista do Jornal i ao Bispo D. Januário Torgal Ferreira

Terá D. Januário beijado o anel do Pescador quando, juntamente com os Bispos portugueses, se encontrou com o Papa Bento XVI? Em nome da decência, esperemos que não.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A existência do Diabo

«São ponto assente da doutrina evangélica e eclesiástica as seguintes conclusões: a existência dos demónios, puros espíritos criados bons por Deus, mas que se perverteram por culpa própria; o poder maléfico que têm sobre os homens, chegando mesmo a tomarem posse de homens e objectos; a potestade que Cristo exerceu e que, depois, conferiu aos que acreditam nele, de expulsar os demónios em seu nome. Quem não acredita nestas verdades está fora da fé cristã» - Gabriele Amorth, "Exorcistas e Psiquiatras", Paulus Editora, Lisboa, 2004, p. 30.

Dizia Baudelaire: "la plus belle des ruses du diable est de vous persuader qu'il n'existe pas.". E, realmente, nisto, o Diabo tem tido o maior dos sucessos. Como explica o Padre Amorth neste livro, o ofício de exorcista esteve desprezado pela grande parte da hierarquia da Igreja Católica durante os últimos três séculos. Há toda uma legião de sacerdotes que nunca presenciou um exorcismo, e mesmo muitos Bispos que não dão grande (ou nenhuma) credibilidade ao múnus do exorcista. Com o recrudescer do interesse dos nossos contemporâneos pelo ocultismo, pela feitiçaria e pela "new age", os malefícios estão a aumentar exponencialmente, como se esperava, e torna-se necessário, de novo, reconhecer o valor do anúncio de Cristo: "Expulsarão os demónios em meu nome" (São Marcos, 16, 17-18).

Como bem recorda o Padre Amorth, um cristão, mesmo sendo sacerdote ou Bispo, que perdeu a fé nas verdades acerca dos anjos e dos demónios, e na verdade da acção do Príncipe das Trevas sobre o Mundo e sobre a Humanidade, está fora da fé cristã. Tal cristão perdeu a visão cristã da realidade, que é afinal de contas, a visão verdadeira da realidade. Tal cristão adoptou a visão herética e modernista do real, pois deixou entrar na sã doutrina cristã os erros filosóficos dos positivistas. Como frisa o Padre Amorth, há décadas que esses erros se têm vindo a infiltrar nos seminários e nas universidades católicas. O resultado? A proliferação, em rédea solta, da acção do maligno, e a total impotência de grande parte do clero no que toca à ajuda espiritual às pessoas reféns dessas influências demoníacas.

É bem verdade o que a tradição diz acerca da Virgem Maria como sendo a guardiã da sã doutrina: onde há Maria não há heresia. Ela, que espezinha a serpente a seus pés, ajudar-nos-á nesse combate urgente, que durará até ao final dos tempos, e do qual só pode sair um vencedor: Deus.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sviatoslav Richter toca Rachmaninov - Concerto para Piano e Orquestra N.º 2 em Dó menor



Este é o primeiro andamento do Concerto. Por volta dos 7 minutos, quando se nota um subtilíssimo "rallentando", como que a vincar o vórtice deste andamento, Sviatoslav Richter demonstra cabalmente a falsidade do materialismo, e a verdade acerca da alma humana, imaterial e sedenta da beleza e do amor de Deus. Não é preciso muito esforço mental para se constatar que um mecanismo complexo era incapaz de compor como Rachmaninov compôs ou de criar uma execução da peça como a de Richter. Logo, o ser humano é muito mais que um mecanismo complexo. Ambos os actos, a composição de uma peça e a sua execução, não são obra de um complexo mecanismo evoluído, mas sim de uma alma imaterial, livre, que aspira à beleza que não tem fim. É da alma de Rachmaninov que vem esta magnífica peça, e é da alma de Richter que vem esta magnífica execução.

domingo, 20 de junho de 2010

Contra a bajulação sufocante...

... uma lufada de ar fresco!

«Saramago è stato dunque un uomo e un intellettuale di nessuna ammissione metafisica, fino all'ultimo inchiodato in una sua pervicace fiducia nel materialismo storico, alias marxismo. Lucidamente autocollocatosi dalla parte della zizzania nell'evangelico campo di grano, si dichiarava insonne al solo pensiero delle crociate, o dell'inquisizione, dimenticando il ricordo dei gulag, delle "purghe", dei genocidi, dei samizdat culturali e religiosi.»

excerto do artigo L'onnipotenza (presunta) del narratore, in Osservatore Romano, edição quotidiana, 20 de Junho de 2010.

Chesterton sobre o controlo da população

“The answer to anyone who talks about the surplus population is to ask him, whether he is part of the surplus population; or if not, how he knows he is not.” - G. K. Chesterton

PS: A ler, de Chesterton, Social Reform vs. Birth Control (1927)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pobres desgraçadas

Da autoria do Padre Nuno Serras Pereira, mais um excelente texto como de costume...

«Deparei, no dia de hoje, com grandes parangonas nos jornais on-line apregoando que se tinha “consumado o casamento” de duas pessoas do mesmo sexo. Quando a mentira toma o poder, se infiltra na lei, metamorfoseando-a, se publicita na comunicação social e entra no linguajar comum acaba por dominar o pensamento, manipular as consciências e introduzir-se nas crenças e costumes de um povo. Como consequência minará a coesão social, desagregará a família fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, perverterá infância e a juventude, aumentará a violência, provocará a perseguição, suscitará graves problemas de saúde pública.

A falsidade da notícia é dupla: Primeiro porque diz que houve casamento quando o que houve foi um emparelhamento. Os ladrões e malabaristas das palavras cuidam que por mudarem o nome às coisas lhes transformam o ser. Ora estas são o que são independentemente da nossa opinião ou decisão. A realidade está aí e é dotada de uma consistência própria que resiste às nossas manigâncias e se afirma não obstante as nossas prestidigitações mentais, escritas ou verbais; em segundo lugar, porque afirma que o “casamento” foi consumado quando isso é evidentemente totalmente impossível (e se fora possível seria caso para perguntar como é que os jornalistas o sabiam – seria o “acto” público?).


Compactuar quer pessoal, quer institucionalmente, com a quimera daquelas duas desgraçadas afigura-se-me um manifesto desfavor e um enorme desamor para com elas. Pois que, recorrendo a S. Paulo, esta gente entrega-se “à imundície” e a “paixões vergonhosas” desonrando “entre si os próprios corpos” cometendo “torpeza(s)” com “sentimentos depravados”[1].»

[1] Cf. Rom, 1, 24-29

sábado, 5 de junho de 2010

Miserere - Gregorio Allegri (1582-1652)



«Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam.
Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut iustificeris in sermonibus tuis, et vincas cum iudicaris.
Ecce enim in inquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifestasti mihi.
Asperges me, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium et laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne proiicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et impii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea iustitiam tuam. Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocaustis non delectaberis.
Sacrificium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Ierusalem.

Tunc acceptabis sacrificium iustitiae, oblationes, et holocausta: tunc imponent super altare tuum vitulos.»

[Partitura]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Abortion Blackout

Nova campanha "online" norte-americana: acabar com o flagelo do aborto até 2010.
É possível? Claro que sim. Os EUA já estão em contra-ciclo, pois o aborto como pretenso "direito" está a cair em apoio popular. Os números do flagelo do aborto, nos EUA, falam por si. Só cá em Portugal, e em Espanha, e em mais meia dúzia de países governados por políticos sem ética é que o ciclo está em crescendo a favor do crime de aborto, entendido pelos "progressistas" como um novo "direito" a matar.

O primeiro obstáculo a vencer é o da propaganda das multi-nacionais que enriquecem matando seres humanos, como a International Planned Parenthood Federation.

Quando as pessoas se derem conta da dimensão do genocídio, sentirão aquele salutar arrepio na espinha: é o arrepio da vergonha e da indignação.

Campanhas como esta, baseadas em factos claros e duros, ajudam e muito!

Abortion Blackout

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vida artificial?

Anda tudo eufórico com as descobertas da Synthetic Genomics, de Craig Venter. Uns andam justamente eufóricos, pois trata-se de um avanço científico digno de comemoração. Outros andam felizes da vida, convencidos de que Craig Venter acabou de destruir a tese cristã de Deus Criador.

Como é sabido, Craig Venter não criou vida artificial. Ele substituiu o ADN natural de um micro-organismo (a levedura) por ADN sintético. E a nova célula, assim modificada, reproduziu-se como qualquer célula natural. O entusiasmo da equipa de Venter tem que se lhe diga: ao final de algumas gerações do processo reprodutivo deste micro-organismo em ambiente adequado, já não resta material da célula natural original. Por isso, um observador mais distraído, e menos treinado filosoficamente, poderia achar que se tinha criado vida artificial. Mas em bom rigor, Venter e a sua equipa transformaram uma forma de vida natural numa nova forma de vida com ADN artificial (sintetizado). Não partiram do zero. Nem de matéria inanimada. E o resultado final não é matéria inanimada: é vida.

Qualquer estudante de teologia cristã sabe que o conceito cristão de Criação, acto atribuído a Deus, corresponde a fazer surgir algo do nada ("ex nihilo"). Deste modo, é absurdo pretender que esta descoberta da equipa de Craig Venter belisca, sequer ao de leve, a noção cristã de Criação. Mesmo que tivesse sido criada vida artificial a partir de matéria inanimada (o que não é o caso), mesmo assim, não se poderia falar em criação "ex nihilo". O cristão, sobretudo o católico, não tem quaisquer problemas doutrinais ou filosóficos com esta descoberta, ou mesmo com uma possível descoberta futura de um processo para criar vida a partir de matéria inanimada.

Por outro lado, a legítima alegria por esta descoberta científica notável deve ser temperada com o bom senso e com a prudência. Um dos mais bem informados e esclarecidos testemunhos acerca dos prós e dos contras desta descoberta provém de Gregory E. Kaebnick, investigador do The Hastings Center (ver notícia aqui):

Written testimony of Gregory E. Kaebnick to the House Committee on Energy and Commerce

Deve-se ler este depoimento com atenção. Kaebnick tem toda a razão no que diz. A linha de investigação aberta por Venter e equipa não deve ser restringida pelo Governo norte-americano. Não coloca problemas éticos imediatos. No entanto, como Kaebnick avisa, de forma lúcida, há perigos e riscos bem reais nos horizontes de aplicação desta tecnologia, assim como há potenciais ganhos para a ecologia e para a medicina. A solução passa por permitir a investigação científica, mas ao mesmo tempo, sujeitá-la a rigorosos controlos e auditorias e a um amplo debate científico, ético e político.