Face à crescente onda de violência anticristã, há ateus que reagem assim:
SOS chrétiens !
E outros que reagem assim:
Totalitarismos e vitimização: a invenção da cristofobia
No primeiro caso, o ateu francês Bernard-Henry Lévy conclui:
«Permis de tuer quand il s’agit des fidèles du « pape allemand » ? Permis, au nom d’une autre guerre des civilisations non moins odieuse que la première, d’opprimer, humilier, supplicier ? Eh bien, non. Il faut, aujourd’hui, défendre les chrétiens.»
Que faz ele?
Simples: defender a ética. Bernard-Henry Lévy considera que matar seres humanos inocentes está mal. E tem razão. Mesmo se esses seres humanos inocentes forem fiéis seguidores do "papa alemão".
No segundo caso, a ateia Palmira Silva dispara:
«Esta nova onda de cristianovitimização que invade o espaço etéreo cristão (...) foi amplificada recentemente quer pela condenação à morte por blasfémia de Asia Bibi no Paquistão quer pelo ataque da al-Qaeda à Catedral de Nossa Senhora da Salvação em Bagdad, que vitimou 70 crentes.»
O massacre de 31 de Outubro é, aos olhos desta ateia militante, um factor ampliador da tal "onda de cristianovitimização", essa mania cristã de inventar mártires. Nojento.
Para mais, a autora nem se dá conta da "matemática" perversa que, de forma subliminar, está a defender:
«Ou que, numa guerra que já matou pelo menos um milhão de pessoas, de acordo com os únicos estudos peer-reviewed, dizer «Our people in Iraq today are persecuted, threatened and suffer martyrdom. Since 2005, 900 Christians have been killed, among them five priests and the archbishop of Mosul» é um insulto à memória das centenas de milhares que morreram nesta guerra abominável.»
É evidente que uma só morte de um inocente é uma morte horrorosa e injusta. É evidente que gritar bem alto uma só injustiça destas não ofende coisíssima nenhuma a memória de outras vítimas de injustiça. Será que os seres humanos se medem ao quilo? Raio de moral...
Juntamente com pontapés na moral, surge ainda este pontapé na razão:
«Claro que é completamente irrelevante que seja exactamente a religião a causa de ambas as barbáries»
É, obviamente, um disparate dizer que a religião, sequer a islâmica, foi a causa do massacre dos católicos siríacos na igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Badgade, no passado dia 31 de Outubro. A causa desse massacre está bem identificada: uma matilha de assassinos da al-Qaeda, que dificilmente será classificada por alguém racional como sendo uma organização religiosa.
Mas desçamos à suposição, para facilitar a desmontagem da anti-lógica da Palmira. Suponhamos que, em vez de sequazes da al-Qaeda, tínhamos a entrar pela igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Badgade, um séquito de monges beneditinos armados até aos dentes. Assim, em vez de os cristãos de Bagdade serem massacrados por terroristas da al-Qaeda, sê-lo-iam por monges beneditinos.
Diria a Palmira que a causa do crime era a religião? Causa por via das vítimas, ou causa por via dos atacantes? Qual seria a religião causadora da barbárie? O cristianismo dos que assistiam à missa (mais valia estarem em casa, se fossem ateus), ou o cristianismo dos atacantes? Seria uma eventual divergência teológica uma "causa religiosa" na anti-lógica da Palmira? Que pessoa mentalmente sã carrega num gatilho com base numa divergência teológica? Há contradição mais gritante?
Na verdade, não é assim que se usa o cérebro.
A barbárie de 31 de Outubro não se explica pela (suposta) religião islâmica dos terroristas que invadiram aquela igreja de Bagdade. A barbárie explica-se pelo facto de que aqueles terroristas eram bárbaros, muito, mas muito antes de pretenderem ser muçulmanos. Assim, a causa da barbárie está na barbaridade dos assassinos. Na sua crueldade. E aí, sociologicamente, encontraríamos o fio condutor que nos levaria a uma longa cadeia causal. Se há muçulmanos que não matam pessoas, e eles existem, então o Islão não é a causa das barbáries que alguns cometem em seu nome.
Um frade franciscano ficou conhecido, na Segunda Guerra Mundial, pela sua requintada crueldade nos campos de concentração da Croácia. Será que a Palmira Silva considera que a formação fransciscana deste frade foi a causa para os seus actos cruéis?
Quando um cristão mata um inocente, e isso é fenómeno raro (estatisticamente mais raro do que o fenómeno de um ateu matar um inocente), fá-lo em traição aos princípios cristãos, e não numa relação de causa-efeito entre os princípios cristãos e o gesto criminoso.
Isso toda a gente sabe. Os honestos, como Bernard-Henry Lévy tiram daí as devidas ilações para os gestos e as atitudes do dia-a-dia. Mesmo que, em nome da coerência e dos princípios éticos, um ateu tenha que se ver conduzido, pela sua consciência, a agir em defesa de cristãos perseguidos. Como fez Lévy.
A defesa do ateísmo pode ser feita de forma civilizada, cordata, com base em princípios éticos. Não é o "vale tudo". A guerrilha anticristã não deve falar mais alto do que a defesa dos direitos humanos. Qualquer cristão digno desse nome deveria ter vergonha de si mesmo se não colocasse em segundo plano o debate fé-ateísmo para vir em defesa de um ateu inocente vítima de um assassinato bárbaro e cruel.
PS: Aqui fica uma vénia ao nosso caro Jairo, que nos alertou para o "post" inacreditável da Palmira Silva.
"Mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" - Primeira Carta de São Pedro, cap. 3, vs. 15.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Falsos mártires e mártires verdadeiros
Certa corrente de ateísmo fanático sustenta que a religião é a causa, ou uma das principais causas, da violência no Mundo. Os seus porta-vozes advogam o fim da religião como forma de provocar o fim da violência. Os facínoras da Al-Qaeda, essa organização de malfeitores assassinos, parecem dar razão a essa corrente de ateísmo fanático, pois os seus actos violentos surgem sempre travestidos de religião, da religião islâmica.
Domingo, 31 de Outubro de 2010.
O dia do banho de sangue na igreja siríaco-católica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Bagdade. Uma matilha de assassinos da Al-Qaeda cometeu, nesse dia, bárbaros crimes em nome do Islão. Somente um observador muito distraído é que acharia que a Al-Qaeda é uma organização religiosa. Evidentemente, é uma organização política e os seus motivos são políticos. Mais concretamente, são objectivos terroristas.
O que urge, nos dias que correm, é fazer ver ao Ocidente que o martírio cristão não parou, e não mostra sinais de parar. Contra a apatia ocidental, é preciso chamar a atenção para os crimes diários contra cristãos.
Um dos mais negros e brutais exemplos é o do massacre de dia 31 de Outubro.
Marco Pedersini escreveu um relato impressionante. Esse relato pode ser lido de várias formas. A leitura mais imediata dá-nos um retrato de horror, de crimes hediondos, e mostra-nos cenas de crueldade animalesca por parte dos facínoras da Al-Qaeda. Mas há uma leitura mais profunda...
Os assassinos retratam-se como sendo mártires. Dizem que, quando se fizerem explodir, irão para o Paraíso. Rezam a Alá no meio dos corpos de homens, mulheres, crianças e bebés que assassinaram sem piedade. "Infiéis", chamaram-lhes. Seria um insulto chamar "cães" a esses assassinos, pois a espécie canina não o merece, nem de perto nem de longe. A melhor forma de apelidar esses assassinos, e a mais realista, é chamar-lhes de "demónios", pois de tal forma estavam possuídos por forças demoníacas que estavam privados de tudo o que é realmente humano.
Nessa leitura mais profunda dos acontecimentos do massacre de 31 de Outubro, surge uma luminosa lição para os Hitchens, para os Dawkins, para os Harris, enfim, para os patetas do neo-ateísmo fanático: a lição acerca dos falsos mártires e dos mártires verdadeiros.
Leia-se com calma, sem pressas, o texto de Pedersini. Veja-se a diferença entre a atitude dos assassinos e das vítimas. Veja-se, sobretudo, o amor infinito a Cristo, esse amor que não pode ser sufocado, nem por balas, nem por sangue, nem por explosivos.
Nesse Domingo, antes do início do massacre, quando os fiéis assistiam, tranquilamente, ao início da Missa dominical, escutaram da boca de um dos prelados a seguinte passagem do Evangelho segundo São Mateus, capítulo 16:
Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»
Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»
Nesse Domingo, pouco depois de escutarem este santo evangelho, aquela comunidade de católicos iraquianos viu abrir-se, à sua frente, as portas do Abismo. O sangue correu. Mas o amor, como sempre, venceu.
Três nomes destacam-se da cena trágica: os dos padres Wasim, Rafael e Thair. Sacerdotes dignos e heróicos, verdadeiros pastores do seu rebanho. No dia da sua ordenação, entregaram as suas vidas sob a forma do sacerdócio. No dia 31 de Outubro entregaram as suas vidas por amor a Deus e aos seus paroquianos. Essa foi a sua vitória sobre os assassinos. Essa é a forma de Cristo vencer.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Balada n.º 1 em Sol Menor, Op. 23, de Chopin
Uma gravação antiga do magnífico Vladimir Horowitz (1903-1989), a interpretar uma das mais incríves e difíceis peças do repertório para piano solo.
sábado, 27 de novembro de 2010
Sim, sim, não, não
«Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal», Evangelho segundo São Mateus, 5, 37.
Dada a confusão que grassa em alguns meios anticatólicos, cá vai um rápido "catholic doctrine for dummies":
1. A moral católica é contra o preservativo?
Não.
A moral (em geral, não só a católica) incide sobre actos e não objectos.
2. A moral católica é contra o uso do preservativo para fins contraceptivos?
Sim.
A moral católica considera imoral qualquer tipo de acção que vise impedir a natural fertilidade humana.
3. A moral católica é contra as relações sexuais fora do contexto do matrimónio?
Sim.
A moral católica considera que a sexualidade humana tem a sua expressão natural e legítima apenas no contexto de uma união matrimonial fiel entre um homem e uma mulher: no amor total, fiel, exclusivo e fecundo entre um homem e uma mulher.
4. O Papa considera errado o uso do preservativo no combate à SIDA?
Sim.
4.a) Porque não é eficaz a combater o fenómeno: não reduz, e até aumenta, a frequência dos comportamentos de risco
4.b) Porque a SIDA dissemina-se, sobretudo, pela promiscuidade sexual, sendo que a moral católica considera imoral essa promiscuidade (ver ponto 3); a Igreja defende que o combate à SIDA passa pelo combate à promiscuidade sexual.
5. A moral católica considera imoral o uso de preservativos por prostitutas ou prostitutos?
Sim.
5.a) Porque a moral católica considera imoral a prostituição, e todo o sexo fora do contexto do matrimónio
5.b) Porque a moral católica também considera imoral o objectivo contraceptivo que possa existir nesse uso do preservativo
6. Bento XVI considerou justificado o uso de preservativos por prostitutas ou prostitutos?
Não.
Bento XVI considerou que, em certos casos, "a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer". Se o Papa falou em "um primeiro passo para a moralização" é sinal de que esse primeiro passo ainda não é moral, e que o comportamento do prostituto ou da prostituta é moralmente inaceitável.
7. Mas Bento XVI não usou a palavra "justificado" ao descrever a utilização do preservativo por um prostituto"?
Não.
7.a) Há um problema com a tradução do texto original alemão para português; a frase original, em alemão, é "Es mag begründete Einzelfälle geben, etwa wenn ein Prostituierter ein Kondom verwendet...", de onde se retira a palavra "begründete" que se deve interpretar como "fundamento"; ora "fundamento", no original, retira à frase todo o peso que ela teria se a palavra fosse "justificado", uma palavra com forte conotação moral; o fundamento ao qual o Papa alude está relacionado com esse uso ser "um primeiro passo para a moralização" (ver ponto 6).
7.b) Se o Papa diz, logo a seguir no texto, que "É evidente que ela [a Igreja] não a considera uma solução verdadeira e moral", então seria uma contradição ler a palavra "fundamento" como se fosse uma justificação moral, pois se uma solução (o uso do preservativo) não é nem verdadeira nem moral, não pode ser justificada.
PS: Ler o excelente artigo do Padre Joseph Fessio acerca deste problema de tradução: Guestview: Did the Pope “justify” condom use in some circumstances?
Dada a confusão que grassa em alguns meios anticatólicos, cá vai um rápido "catholic doctrine for dummies":
1. A moral católica é contra o preservativo?
Não.
A moral (em geral, não só a católica) incide sobre actos e não objectos.
2. A moral católica é contra o uso do preservativo para fins contraceptivos?
Sim.
A moral católica considera imoral qualquer tipo de acção que vise impedir a natural fertilidade humana.
3. A moral católica é contra as relações sexuais fora do contexto do matrimónio?
Sim.
A moral católica considera que a sexualidade humana tem a sua expressão natural e legítima apenas no contexto de uma união matrimonial fiel entre um homem e uma mulher: no amor total, fiel, exclusivo e fecundo entre um homem e uma mulher.
4. O Papa considera errado o uso do preservativo no combate à SIDA?
Sim.
4.a) Porque não é eficaz a combater o fenómeno: não reduz, e até aumenta, a frequência dos comportamentos de risco
4.b) Porque a SIDA dissemina-se, sobretudo, pela promiscuidade sexual, sendo que a moral católica considera imoral essa promiscuidade (ver ponto 3); a Igreja defende que o combate à SIDA passa pelo combate à promiscuidade sexual.
5. A moral católica considera imoral o uso de preservativos por prostitutas ou prostitutos?
Sim.
5.a) Porque a moral católica considera imoral a prostituição, e todo o sexo fora do contexto do matrimónio
5.b) Porque a moral católica também considera imoral o objectivo contraceptivo que possa existir nesse uso do preservativo
6. Bento XVI considerou justificado o uso de preservativos por prostitutas ou prostitutos?
Não.
Bento XVI considerou que, em certos casos, "a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer". Se o Papa falou em "um primeiro passo para a moralização" é sinal de que esse primeiro passo ainda não é moral, e que o comportamento do prostituto ou da prostituta é moralmente inaceitável.
7. Mas Bento XVI não usou a palavra "justificado" ao descrever a utilização do preservativo por um prostituto"?
Não.
7.a) Há um problema com a tradução do texto original alemão para português; a frase original, em alemão, é "Es mag begründete Einzelfälle geben, etwa wenn ein Prostituierter ein Kondom verwendet...", de onde se retira a palavra "begründete" que se deve interpretar como "fundamento"; ora "fundamento", no original, retira à frase todo o peso que ela teria se a palavra fosse "justificado", uma palavra com forte conotação moral; o fundamento ao qual o Papa alude está relacionado com esse uso ser "um primeiro passo para a moralização" (ver ponto 6).
7.b) Se o Papa diz, logo a seguir no texto, que "É evidente que ela [a Igreja] não a considera uma solução verdadeira e moral", então seria uma contradição ler a palavra "fundamento" como se fosse uma justificação moral, pois se uma solução (o uso do preservativo) não é nem verdadeira nem moral, não pode ser justificada.
PS: Ler o excelente artigo do Padre Joseph Fessio acerca deste problema de tradução: Guestview: Did the Pope “justify” condom use in some circumstances?
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Ravel - Concerto para Piano e Orquestra em Sol Maior - Adagio Assai
A pianista francesa Hélène Grimaud (1969-), uma das mais talentosas do nosso tempo, toca o segundo andamento do Concerto para Piano e Orquestra em Sol Maior de Maurice Ravel (1875-1937).
É frustrante tentar escrever alguma coisa de profundo acerca deste profundo Concerto. Digamos que este Concerto tem, lá dentro, quase tudo o que a vida tem. No segundo andamento abre-se uma janela para o Céu. Hélène Grimaud é uma excelente escolha para se escutar uma boa interpretação deste Concerto, porque ela "vestiu" a peça e, enquanto a toca, está a vivê-la.
Uma coisa magnífica, este segundo andamento. Uma das coisas mais bonitas que temos a sorte de presenciar nesta vida.
Faz-nos pensar que Ravel está vivo. Não daquela forma que se costuma dizer: "músico tal está vivo através da sua música, que ainda hoje é tocada". Não. Ravel está vivo porque a sua alma vive. Porque só uma alma imortal, como é a alma do ser humano, é capaz de transcender todo o Cosmos desta forma. O Cosmos não é suficientemente grande para lá caberem dentro duas notas desta peça, quanto mais toda a música criada pela Humanidade.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O Cardeal Burke fala sobre a nova "crise" mediática em torno do uso do preservativo
O recentemente feito Cardeal Raymond Burke, norte-americano natural do Wisconsin, em entrevista ao National Catholic Register, demonstra na prática as razões que fazem dele um dos mais espectaculares Cardeais do colégio cardinalício e uma das figuras de proa da Igreja Católica contemporânea.
É, até ao momento, uma das melhores e mais autorizadas desmontagens da mais recente trapalhada mediática em torno do livro-entrevista que o Papa Bento XVI concedeu ao jornalista alemão Peter Seewald, e que será editado muito em breve em várias línguas. Em Portugal, será editado pela Lucerna, com o título Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald.
O Cardeal Burke, depois de desmontar as trapalhices de alguns órgãos mediáticos, que afirmaram erradamente que Bento XVI tinha mudado a doutrina da Igreja face ao uso do preservativo, faz uma interessante apresentação do livro-entrevista de Peter Seewald a Bento XVI, uma obra que, tudo indica, nos irá dar um dos mais actuais e detalhados retratos de Bento XVI e do seu pensamento.
PS: Ver também a nota oficial do Director da Sala de Imprensa da Santa Sé em resposta ao alarmismo mediático levantado em torno da questão do uso do preservativo: NOTA DEL DIRETTORE DELLA SALA STAMPA DELLA SANTA SEDE, P. FEDERICO LOMBARDI, S.I., SULLE PAROLE DEL SANTO PADRE NEL LIBRO "LUCE DEL MONDO", A RIGUARDO DELL’USO DEL PROFILATTICO , 21.11.2010.
É, até ao momento, uma das melhores e mais autorizadas desmontagens da mais recente trapalhada mediática em torno do livro-entrevista que o Papa Bento XVI concedeu ao jornalista alemão Peter Seewald, e que será editado muito em breve em várias línguas. Em Portugal, será editado pela Lucerna, com o título Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald.
O Cardeal Burke, depois de desmontar as trapalhices de alguns órgãos mediáticos, que afirmaram erradamente que Bento XVI tinha mudado a doutrina da Igreja face ao uso do preservativo, faz uma interessante apresentação do livro-entrevista de Peter Seewald a Bento XVI, uma obra que, tudo indica, nos irá dar um dos mais actuais e detalhados retratos de Bento XVI e do seu pensamento.
PS: Ver também a nota oficial do Director da Sala de Imprensa da Santa Sé em resposta ao alarmismo mediático levantado em torno da questão do uso do preservativo: NOTA DEL DIRETTORE DELLA SALA STAMPA DELLA SANTA SEDE, P. FEDERICO LOMBARDI, S.I., SULLE PAROLE DEL SANTO PADRE NEL LIBRO "LUCE DEL MONDO", A RIGUARDO DELL’USO DEL PROFILATTICO , 21.11.2010.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Agustín Barrios Mangoré - La Catedral
A guitarrista paraguaia, Berta Rojas, toca o Allegro da peça "La Catedral", do mestre paraguaio Agustín Barrios (1885-1944), também conhecido pelo seu nome artístico "Nitsuga Mangoré" ("Agustin" soletrado pela ordem inversa, sendo "Mangoré" uma palavra guarani). Um dos maiores compositores do Paraguai, e um dos mais frutíferos compositores para guitarra, Barrios pode bem ser chamado o Bach das Américas. Barrios recebeu a sua formação musical com os jesuítas e manteve uma forte fé católica toda a vida. Culturalmente, era um artista ecléctico que soube fazer a fusão entre a tradição musical europeia e as suas raízes índias (guarani).
Reza a tradição que, um dia, Barrios teria ficado maravilhado ao escutar uma peça de Bach tocada no órgão de uma catedral (fala-se da de Asunción, capital do Paraguai, ou da catedral de San José, no Uruguai), e que a peça "La Catedral" seria inspirada nessa experiência.
Barrios foi um dos primeiros artistas a gravar peças para guitarra em disco, entre 1913 e 1928, em Buenos Aires.
Um artista honesto e muito admirado, Barrios morreu sem posses, mas rodeado da família e amigos. O site Musica Paraguaya tem várias recordações do artista, das quais destaco esta relativa à sua morte:
«Muy pronto Barrios es ganado por el cariño y la generosa atención que le brindan los salvadoreños. Es nombrado profesor de guitarra del Conservatorio Nacional de Música de San Salvador, donde durante cinco años, de 1939 a 1944, vive una vida de paz, rodeado del cariño de sus amigos y alumnos, y venerado como un ser legandario.Hasta hoy nadie olvida su figura de elegante bohemio y su extraordinaria personalidad de artista. Todos exclamaban a su paso: "Allá va el gran Mangoré!". Sin que nadie presagiara su fin, un día sufre un ataque al corazón, del cual se repone aparentemente. Unos días después, el 7 de Agosto de 1944, rodeado de sus alumnos, reclama la presencia de un sacerdote, con quien habla largamente, mientras en la casa se hacía música de guitarra. Barrios entonces les dice: " No temo al pasado, pero no sé, si podré superar el misterio de la noche".»
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Um dia na Jerusalém Celeste
(foto: J. Salmoral)
Não sei explicar o que se passou no passado dia 7 de Novembro, na missa de dedicação da nova Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, presidida pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI. Só sei que gostava de lá ter estado. Aqui fica um vislumbre de um dia na Jerusalém Celeste. O cenário é, claro, a magnífica obra do grande Antonio Gaudí, o justamente chamado "Arquitecto de Deus". O que se segue é o texto, retirado do Missal, do momento da iluminação do altar e da igreja. Ver o vídeo deste exacto momento aqui. O cântico Alça’t ja, Jerusalem é magnífico, quer pela beleza da língua catalã, quer pela música em si mesma.
Barcelona, 7 de Novembro de 2010, Igreja da Sagrada Família
Iluminação do Altar e da Igreja
O Santo Padre entrega uma vela acesa a um diácono, dizendo:
Que brilli en l’Església la llum de Crist,
perquè tots els pobles arribin
a la plenitud de la veritat.
Doze seminaristas ajudam à iluminação plena da Igreja: é a imagem da presença de Cristo, luz do mundo, na assembleia, e também da luz que estamos chamados a irradiar, assim como da glória luminosa do Céu. Enquanto se leva a cabo esta iluminação e ornamentação do altar e da Igreja, o povo dos fiéis canta: Alça’t ja, Jerusalem:
Alça't ja, Jerusalem, sigues radiosa!
Car ha vingut del cel una llum clara,
perquè il·lumini els pobles de la terra;
ens ve a portar el goig, la veritat.
Alça't ja, Jerusalem, perquè el Senyor ha vingut a tu.
1. La tenebra s'estén damunt la terra,
tots els pobles es perden en la nit.
Però a tu, el Senyor un jorn vindrà
i sa glòria en tu resplendirà.
Jerusalem, desvetlla't ja.
2. D'Orient cap a tu vénen fent via
tots els pobles, portant els seus presents.
Car en tu ha nascut un Déu Infant,
el Messies pel món tan esperat.
Jerusalem, desvetlla't ja.
Não sei explicar o que se passou no passado dia 7 de Novembro, na missa de dedicação da nova Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, presidida pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI. Só sei que gostava de lá ter estado. Aqui fica um vislumbre de um dia na Jerusalém Celeste. O cenário é, claro, a magnífica obra do grande Antonio Gaudí, o justamente chamado "Arquitecto de Deus". O que se segue é o texto, retirado do Missal, do momento da iluminação do altar e da igreja. Ver o vídeo deste exacto momento aqui. O cântico Alça’t ja, Jerusalem é magnífico, quer pela beleza da língua catalã, quer pela música em si mesma.
Barcelona, 7 de Novembro de 2010, Igreja da Sagrada Família
Iluminação do Altar e da Igreja
O Santo Padre entrega uma vela acesa a um diácono, dizendo:
Que brilli en l’Església la llum de Crist,
perquè tots els pobles arribin
a la plenitud de la veritat.
Doze seminaristas ajudam à iluminação plena da Igreja: é a imagem da presença de Cristo, luz do mundo, na assembleia, e também da luz que estamos chamados a irradiar, assim como da glória luminosa do Céu. Enquanto se leva a cabo esta iluminação e ornamentação do altar e da Igreja, o povo dos fiéis canta: Alça’t ja, Jerusalem:
Alça't ja, Jerusalem, sigues radiosa!
Car ha vingut del cel una llum clara,
perquè il·lumini els pobles de la terra;
ens ve a portar el goig, la veritat.
Alça't ja, Jerusalem, perquè el Senyor ha vingut a tu.
1. La tenebra s'estén damunt la terra,
tots els pobles es perden en la nit.
Però a tu, el Senyor un jorn vindrà
i sa glòria en tu resplendirà.
Jerusalem, desvetlla't ja.
2. D'Orient cap a tu vénen fent via
tots els pobles, portant els seus presents.
Car en tu ha nascut un Déu Infant,
el Messies pel món tan esperat.
Jerusalem, desvetlla't ja.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Pornografia para crianças
Simplesmente inacreditável...
Quando julga que o seu filho ou filha estão numa visita de estudo ao Pavilhão do Conhecimento, podem estar na realidade a assistir e a participar numa acção de pornografia para crianças. Um bando de tarados organizaram este "evento" (des)educativo intitulado Sexo... e então?
O que terá aprendido o seu filho ou filha no final deste dia tão científico? Coisas lindas como esta, bastante adequadas às idades escolares em questão, e informação 100% científica, nada ideológica, nada polémica, muito consensual.
O Ricardo, um rapaz novo que surge logo no início da reportagem da SIC, está enojado com um simulador de beijos com a língua. A jornalista pergunta-lhe: "Ricardo, o que é estás a fazer?". Ele, atrapalhadíssimo, como qualquer criança normal, responde: "Não sei, mas nem me interessa!".
O Ricardo está a ser abusado psicologicamente pelos autores desta exposição, bem como pelo professor que o levou a este abuso. E os pais do Ricardo, não fora esta reportagem televisiva, provavelmente não seriam informados do abuso psicológico.
A jornalista insiste, mais à frente, com uma rapariga: "Há alguma coisa aqui que vos tenha feito impressão?". A rapariga, atrapalhada, admite, como qualquer criança normal: "Há... algumas...". E a entrevistadora: "Como por exemplo?". A rapariga dá um exemplo: "O homem a penetrar na mulher, faz-me confusão."
Grandes bestas, os selvagens tarados que fazem isto a crianças.
Não há palavras no vocabulário que sejam suficientes para insultar os organizadores e os promotores desta selvajeria. Isto é roubar a infância às crianças. É um abuso e uma violência psicológica inadmissível. É não respeitar os ritmos de crescimento de cada criança. É não respeitar a privacidade e o direito à pudícia das crianças. É cuspir na cara dos pais que acreditam numa sexualidade com valores e com responsabilidade.
Eu não imagino com facilidade o que fará um adulto querer ver-se envolvido num projecto destes, mas suponho que duas razões possíveis sejam:
a) esse adulto trabalhar para a indústria do sexo (venda de pornografia, venda de contraceptivos, venda de material de deseducação sexual, etc.)
b) esse adulto ser um pedófilo tarado
Uma senhora de nome Rosália Vargas, legendada como "Presidente «Ciência Viva»", suponho que por ser responsável por este conteúdo pseudo-científico, explica a razão de ser de uma zona da exposição que está proibida a adultos. Ao invocar as razões para tal zona, esta senhora refere: "É respeitar o direito à privacidade que os mais novos têm nestas questões".
Pois esta exposição é o exacto oposto das razões apontadas por Rosália Vargas. Esta exposição desrespeita precisamente o direito à privacidade que os mais novos têm nestas questões. A sexualidade dos adultos é forçada às crianças, que são obrigadas a "crescer" depressa demais e a lidar com situações para as quais não estão preparadas, nem querem legitimamente estar preparadas. Uma criança tem o direito a ser criança.
Em qualquer Estado decente, esta pandilha de pedófilos estaria presa.
PS: Como curiosidade de rodapé, sucede que eu almoço, quase todos os dias, na cafetaria do Pavilhão do Conhecimento. Há uns dias a esta parte, uma das paredes da cafetaria, que faz paredes meias com a loja do Pavilhão, tinha uma zona preta para as crianças preencherem, a giz, com as suas recordações da exposição que acabaram de ver. Gostaria de ter tirado uma fotografia, para poder partilhar aqui o rol de vulgaridades que estavam retratados nessa zona preta: calão, desenhos ordinários, enfim, toda a brejeirice que só pode resultar de fazer passar um grupo de crianças por uma exposição desta natureza: enquanto que os mais novos devem sair incomodados e desconfortáveis, e felizes por estarem cá fora, já os mais velhos e atrevidos aproveitam, obviamente, todas as oportunidades que lhes derem para a brejeirice. Aos olhos dos novos e tarados pedagogos, isto é Ciência... Conhecimento... Educação...
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
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