sábado, 26 de maio de 2012

Alvin Plantinga - Ciência e religião teísta



Alvin Plantinga é um dos mais competentes filósofos analíticos da actualidade. E é a principal figura por detrás do regresso da filosofia cristã às universidades anglo-saxónicas (na Europa continuamos atolados, em boa parte, num pós-modernismo decadente). Mas ele é bem mais do que isso: é uma pessoa impecável, um excelente comunicador. Nesta palestra, Plantinga apresenta o seu mais recente livro sobre a relação entre ciência e religião: "Science and religion - where the conflict really lies". Nesse livro, Plantinga não defende apenas que o conflito entre cristianismo e ciência é ilusório ou superficial: ele defende que o conflito está entre ateísmo (o naturalismo materialista) e ciência. Nesta palestra, Plantinga apresenta o seu principal argumento: quando conjugadas, as teses do ateísmo materialista e do evolucionismo destroem a nossa confiança nas nossas capacidades cognitivas. Se tudo o que existe é matéria e se o evolucionismo é um processo não guiado, então as nossas faculdades cognitivas não são minimamente fiáveis. E por isso, a eventual crença de um ateísmo evolucionista e materialista auto-refuta-se. Vale a pena ver o vídeo várias vezes, com a calma e o tempo que ele merece.

4 comentários:

Nuno CB disse...

Várias vezes?! lol

1h11m48s várias vezes??

Mas esta teoria de que o ateísmo/naturalismo é contra a ciência não é uma consequência da ideia base do Pierre Duhem, de que o pensamento científico moderno tem as suas bases no cristianismo medieval?

Bernardo Motta disse...

Olá Nuno!

Devo confessar que ainda só vi o vídeo duas vezes. Mas vou ter que ver mais umas quantas, para perceber melhor o argumento, que já li no livro dele, mas que ainda não percebo bem.

Plantinga diz que, se a nossa mente é totalmente redutível à matéria, ou quando muito, se a mente é "emergente" da matéria, então o conteúdo cognitivo do nosso cérebro é irrelevante para a evolução. As nossas estruturas neuronais podem estar adaptadas por via darwiniana, mas o conteúdo dessas estruturas pode estar ou não. Planting estipula uma percentagem 50/50 para que uma data estrutura neuronal adaptada à sobrevivência contenha um conteúdo verdadeiro (ou falso). E com base nisso, considerando que um sistema de crenças intelectuais requer uma malha complexa de estruturas neuronais, a probabilidade de um sistema de crenças ser verdadeiro é muito baixa, se a probabilidade de um só conteúdo cognitivo estar certo for realmente 50%. As probabilidades multiplicam-se: se a minha crença implica a conjunção de dois conteúdos destes, a probabilidade dessa crença ser verdadeira é de 50% x 50%, ou seja, 25%. Se a minha crença implicar a conjunção de três destes conteúdos, a probabilidade dessa crença ser verdadeira é de 50% x 50% x 50% = 12,5%, e assim por diante...

Com algumas dezenas de conteúdos apenas a estruturar uma determinada crença, chegamos a probabilidades quase nulas de conseguirmos ter crenças verdadeiras.

O argumento parece-me muito poderoso, mas é preciso dominar alguns conceitos de filosofia da mente para o podermos articular bem. Daí a sugestão de se ver o filme várias vezes! ;)

Abraço

Nuno CB disse...

lol

Erro meu em menosprezar, então.

Obrigado pela explicação, though!

Sou capaz de comprar o livro.

Bernardo Motta disse...

Fazes bem em comprar o livro mas prepara-te para encontrares partes do livro que te vão dar luta. Em relação ao vídeo acima, não percas os últimos minutos, com a conclusão do John Bergsma, que é muito boa!

Abraço