sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Razões para não votar Cavaco Silva - Parte III

A Lei da Exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez
(Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril).


É um título horroroso para uma lei: "Exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez". Está escrito assim, de propósito, para não saltar aos olhos o horror de lei que é. Trocado por miúdos, trata-se da Lei do Aborto: da lei que legitima, legaliza, subsidia (e portanto, promove) o aborto "por opção da mulher", ou seja, do aborto sem perguntas. Do aborto porque sim. Do aborto "não tens nada a ver com isso".

Se dúvidas existissem de que a dita lei promove o aborto, bastaria verificar como os números apoiam a conclusão que se poderia fazer pela via do bom senso: no primeiro ano (Julho de 2007 a Junho de 2008) 15.370 abortos "por opção da mulher"; no segundo ano (Julho de 2008 a Junho de 2009) 18.856 abortos "por opção da mulher"; e no terceiro ano de vigência da lei (Julho de 2009 a Junho de 2010) 19.456 abortos "por opção da mulher".
(Fonte: Federação Portuguesa pela Vida)

Em 2007, por altura do referendo, despendi algum tempo e esforço na elaboração de um argumentário contra o pretenso direito a abortar. Esse argumentário ainda se encontra numa secção do lado direito deste blogue, intitulada "Artigos em PDF". Passados estes anos, chego à conclusão de que argumentários deste tipo de pouco valem. E sobretudo porque o outro lado da barricada, onde se encontram os defensores do pretenso direito a abortar, não quer um debate ético e racional sobre o tema "aborto". Eles querem que se possa abortar. Ponto final. Porque querem sexo livre, e às vezes a contracepção falha, e há que abortar. Faz tudo parte de um mesmo esquema maquiavélico: educação sexual para promover a promiscuidade, contracepção para promover a promiscuidade, aborto para resolver as falhas da contracepção. É uma indústria e ao mesmo tempo uma ideologia. Para esta gente, o nosso tempo gasto em argumentários é tempo desperdiçado. Quando muito, os argumentários serão úteis para quem, honestamente, tem dúvidas sobre a matéria. Os defensores do pretenso "direito" ao aborto não têm dúvidas. Muito menos honestas.

Hoje em dia, e passados três anos de aborto livre em Portugal, e sabe-se lá quantas facturas da Yolanda passadas ao Estado Português (que tem que pagar a "clínicas" privadas para que estas o ajudem a matar portugueses), o negócio prospera. Com o aumento evidente do número de casos de aborto, fica patente como o aborto "legal" está longe de ser uma excepção, ou mesmo uma pretensa solução para o aborto clandestino. Além de que abortar é matar um ser humano. E é, realmente, secundário se o matamos clandestinamente ou "legalmente". A subtil distinção tem, mais uma vez, laivos de Terceiro Reich.

Desde a promulgação desta lei criminosa e assassina o aborto aumentou.
Mataram-se, "legalmente", e "por opção da mulher", 53.682 portugueses. Gente que, de outra forma, teria nascido. Gente que já teria hoje direito ao seu moderno "Cartão de Cidadão". Gente que teria um nome. Uma vida.

A única reacção natural, racional, lógica, estruturada, e bem formada a esta lei hedionda é a reacção de nojo. De asco. De repulsa. De vómito. De náusea. Em Portugal, e desde Julho de 2007, mataram-se mais de 50.000 bebés portugueses, quer em hospitais públicos, quer em clínicas privadas subsidiadas pelo Estado Português. Sim, senhor contribuinte, eu e o senhor, com os nossos impostos, ajudámos a matar uma destas crianças. Sim, senhora contribuinte, eu e a senhora, com os nossos impostos, ajudámos a matar uma destas crianças. Uma percentagem pequena do total, este nosso contributo, mas ajudámos ao total...

Felizmente para os "profissionais" da vampiresca indústria do aborto, a maioria destes crimes é perpetrada pela via do aborto químico, algo que deixa um rastro de pequenas dimensões (dada a tenra idade do ser humano em questão), sendo portanto um tipo de crime cujo efeito material é facilmente negligenciado pela sociedade... O pior rastro, esse, fica na consciência da mãe que matou o seu filho.

Cavaco Silva assinou esta monstruosidade a 10 de Abril de 2007. Está lá o nome dele. Só por esta razão, uma pessoa de bem não pode voltar a votar em Cavaco Silva. Mas, infelizmente, há mais razões...

(continua)

2 comentários:

O Inimputável disse...

Um bom trabalho explicativo.

joaquim disse...

Caro Bernardo

Óptimo!

Se dentro de mim já havia uma certeza quanto ao meu voto, essa certeza confirmou-se.

Irei votar em ... ninguém!

Um abraço amigo