domingo, 20 de junho de 2010

Contra a bajulação sufocante...

... uma lufada de ar fresco!

«Saramago è stato dunque un uomo e un intellettuale di nessuna ammissione metafisica, fino all'ultimo inchiodato in una sua pervicace fiducia nel materialismo storico, alias marxismo. Lucidamente autocollocatosi dalla parte della zizzania nell'evangelico campo di grano, si dichiarava insonne al solo pensiero delle crociate, o dell'inquisizione, dimenticando il ricordo dei gulag, delle "purghe", dei genocidi, dei samizdat culturali e religiosi.»

excerto do artigo L'onnipotenza (presunta) del narratore, in Osservatore Romano, edição quotidiana, 20 de Junho de 2010.

47 comentários:

O Sousa da Ponte disse...

Preferi o padre Carreira das Neves.

Luis disse...

E posso saber onde estão tais escritos?
Há link?

Grato.

Jairo Entrecosto disse...

É mesmo uma lufada de ar fresco, depois de tantos lugares comuns e endeusamento.

Já agora, aproveito para divulgar um texto que o comentador Vital deixou no meu blogue a propósito de Saramago:

http://www.gabrielferreira.com.br/

Lembro-me de teres criticado Saramago, a propósito de Caim, precisamente por ele não ser verdadeiramente "ateu", no sentido filosófico, mas apenas alguém interessado em polémicas. Penso que, numa perspectiva ateísta, Camus arrasa a antirreligiosidade e o comunismo militante de Saramago, como tão bem explica esse texto.

Cumprimentos.

Simão disse...

É sintomático que a sua "lufada de ar fresco" seja escrita em italiano para responder à morte do maior escritor português desde Eça. Parece que a bajulação sufocante afinal só se justifica se tiver como destinatário um senhor de Roma, vestido de branco. Assim se conhecem os patriotas de alcova.

joaquim disse...

Subscrevo inteiramente a "lufada de ar fresco".

Realmente não há nada como morrer para que muito rapidamente as pessoas se esqueçam das atitudes erradas das pessoas em vida.
Porque uma coisa é perdoar, outra é esquecer.
Os actos ficam na memória, mas se perdoados podem ser recordados sem causar azedume ou ressentimento.
E depois logo vêm as comparações com homens grandes da Pátria Portuguesa, que o foram não só como escritores, mas também como homens, o que não se pode dizer de Saramago.

Enfim, paz à sua alma, e que possa ter alcançado a infinita misericórdia de Deus, que ama até os seus inimigos mais "arreigados".

Um abraço

Anónimo disse...

Lufada de ar fresco, pois

Ha até quem denigra portugal, e os seus embaixadores reconhecidos no estrangeiro universalmente, ao não conseguir passar de uma mentalidade politica de pequinois para uma vastidão l cultura universall, denigrem portugal, ao não reconhecer os seus embaixadores culturais no estrangeiro, ja passou o tempo em que só eramos conhecidos pelas “sardines”, mas com pessoas assim acredito que nunca sairiamos de tal. Se não é dos nossos não pode brilhar, acontece que brilhou ganhou a imortalidade fora de portas, e já agora mostrem ai um nobel da literatura dos que voces gostam,. Pois é tivemos um egas moniz que ja foi posto em causa a atribuição do prémio pela crueldade que representava a pratica médica por ele proposta, mas é mais um a juntar ao saramago, quando houver mais digam.

Camoes e pessoa, são conhecidos para nós e para a lusofonia e pouco mais, mas não tiveram a projecção internacional de saramago, pessoa e saramago sim, este pode dizer-se que muito por virtude do nobel, mas também pelas suas obras que se impuseram por si a partir dai, é atraves dele que muitos leitores estrangeiros podem chegar a outros autores portugueses, como foi através de alguns nobeis que eu tomei conhecimento de outros autores estrangeiros de qualidade e desconhecidos para mim. Se fizer um inquérito todos sabem quem é cristiano ronaldo, menos sabem que é saramago, mas muito, mesmo, muito poucos sabem quem é o nosso presidente da republica, assim como você provavelmente não saberá o nome do presidente da república de muitos paises, mas saberá um nome famoso: um futebolista, um escritor, um premio nobel um actor, enfim, o senhor não sabe o que é é ser embaixador cultural seja do que for.

Se não gostam do homem e da sua ideologia é uma coisa, outra é a sua obra, e a sua projecção internacional quer goste ou não repito, alcançou projecção internacional universal, não é pela sua ideologia que os seus livros venderam mais de um milhão nos EUA e estão traduzidos em mais de 60 paises e alguns adaptados ao cinema, não denigram portugal e os seus embaixadores culturais porque voces não tem outros para mostrar, para a troca, deixem a mentalidade de pequinois, portugal tem la mais um nome registado na historia do nobel

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

Não me posso pronunciar sobre a obra de Saramago, ou sobre a atribuição do Nobel a ele, pois nunca li uma só linha escrita por ele. Tenho imenso livro de qualidade para ler antes de morrer, e suspeito que não vou ter tempo para Saramago.

O que dele conheço são as suas declarações públicas, de um fanatismo anti-religioso triste e ignorante.

O meu problema com Saramago está na sua posição política.

Um tipo que sanciona os crimes dos regimes comunistas, um tipo que, perante a evidente malvadez do comunismo, persiste em defender os criminosos é uma pessoa sobre a qual só se pode ter uma opinião negativa.

Mais uma vez: não estou a fazer crítica literária. Estou a criticar uma pessoa em concreto, José Saramago, que viveu a vida a defender o indefensável, o que nenhuma pessoa decente pode alguma vez defender: a tirania e o genocídio de Estado.

Cumprimentos

Espectadores disse...

Simão,

«É sintomático que a sua "lufada de ar fresco" seja escrita em italiano para responder à morte do maior escritor português desde Eça.»

Maior escritor português desde Eça?Isso é que é uma frase, hã?
É este tipo de frases sentimentalonas, mas ocas, que eu critico. Qual é a sua base para fazer essa afirmação? Número de livros vendidos?

Esse pode ser o critério de um editor, mas não de um crítico literário.

«Parece que a bajulação sufocante afinal só se justifica se tiver como destinatário um senhor de Roma, vestido de branco. Assim se conhecem os patriotas de alcova.»

Não me venha dar lições de patriotismo enquanto defende Saramago. Era ele um patriota? Tenha juízo. Nenhum comunista coerente é patriota. Tal e qual como Cunhal, Saramago só tinha olhos para o PCUS (Partido Comunista da União Soviética), essa bela instituição que tanto fez (em termos de contagem de cadáveres) pelo patriotismo lusitano (e pelo patriotismo de outros países, a começar pelo Russo).

Cumprimentos

Anónimo disse...

Nem vou perder tempo a pronunciar o que quer que seja depois do que o senhor disse,

O senhor não conhece a obra e acredito que tenha muito para ler, mas permite-se fazer comparaçoes assim sem mais, “Maior escritor português desde Eça?Isso é que é uma frase, hã?É este tipo de frases sentimentalonas, mas ocas, que eu critico. Qual é a sua base para fazer essa afirmação? Número de livros vendidos?” São epocas diferentes e estilos diferentes entre eça e saramago, se tivesse acompanhado alguma coisa de saramago sabia que esta pergunta lhe foi colocada e ele mesmo respondeu que os seus romances não tinham nada a ver com os romances oitocentistas na medida em que estes versavam quase todos sobre assuntos de familias, ele nunca faria romances desse tipo. Numero de livros vendidos? Pode ser, traduzido em mais de 60 paises, um milhaõ de livros vendidos num pais tão comunista como os EUA, adpataçoes ao cinema. É obra. Opinião de um editor mas não de um critico literario, porque não ouve a opinião de harold bloom. Houvesse muitos escritores portugueses assim.

Conhece a pessoa ideologicamente e acha que a academia sueca quando premiou saramago premiou a pessoa, não a obra, pois é, desconhece-se a obra e ataca-se o homem pela sua ideologia, não é o senhor que vocifera aqui vezes sem conta contra ataques ad hominem, se o querem denegrir por ser comunista ele nunca o negou, e a sua obra triunfou num meio não comunista. O argumento dos fracos anda a volta do ser comunista, triunfem esses invejosos que só sabem denegrir mas não são capazes de idênticas pisadas. Venha la esse lobo antunes, seria bom era mais um nome nobel portugues, mas será? Ou é só argumento dos falhados.


Já agora se se preocupa com a igreja preocupe-se com isto

Cardeal suspeito de corrupção

O cardeal Crescenzio Sepe, arcebispo de Nápoles, é suspeito de corrupção agravada, num gigantesco esquema de favores envolvendo obras públicas, sobretudo contratos destinados a grandes eventos em Itália, como a cimeira do G8 realizada no ano passado em Áquila
Os magistrados da cidade de Perugia disseram que Sepe, de 67 anos, e Pietro Lunardi, antigo ministro das Infraestruturas e Transportes, de 2001 a 2006, estão a ser investigados no âmbito de uma teia de corrupção destinada a obter contratos para obras públicas.

Espectadores disse...

Ó Anónimo,

Você não está a fazer sentido.
Vou tentar outra abordagem:

1) Não fiz qualquer crítica à obra, mas você escreve como se eu tivesse feito: eu simplesmente disse que nunca tinha lido Saramago: isso é crime?

2) Critiquei a pessoa, e nem me pronunciei sobre o prémio da academia sueca, porque não gosto da pessoa; não gosto de Saramago! Isso é crime?

E já expliquei porque é que não gosto: ele era uma pessoa com um preconceito anti-religioso primário e superficial, e que usou a sua popularidade para atacar a verdade de Jesus Cristo. Ora faz parte do meu feitio não gostar de pessoas que combatem a verdade. Para além disso, Saramago, durante toda a vida, branqueou os crimes do comunismo.

Só isso, jovem.
Mais nada. Até pode bem ser o maior artista da literatura de toda a História da Humanidade. Não mudaria o meu juízo. Como também acho que o Dawkins é um cretino imbecil, e filosoficamente ignorante, e no entanto, é um biólogo magnífico e um talentoso escritor de divulgação científica.

Conheço algumas pessoas que gostam da obra literária de Saramago e detestam o homem. Se calhar, se eu tivesse tempo para ler Saramago, até poderia gostar da obra. Mas isso não mudaria a terrível opinião que tenho da sua pessoa.

Cumprimentos,

Bernardo Motta

Anónimo disse...

É verdade que sim, que não fez directamente qualquer critica a obra, não leu é uma opção, mas por não ler é que não pode extrapolar para comparaçoes presuntivamente superiores em relação a eça, são coisas diferentes. Quem fez alusão a obra fui eu, para lhe demonstar que ha duas facetas a obra e a pessoa. Mas la vem o senhor com a verdade, sempre a fazer-se de lorpa, não é inocente o titulo contra a bajulação sufocante, quando muitos dos apoiantes de saramago são apoiantes da sua obra independentemente da pessoa. Assim como não é inocente o ataque feito pela imprensa do vaticano precisamente agora na morte e focando o seu passado marxista.

Anónimo disse...

http://www.snpcultura.org/pcm_igreja_expressa_
pesar_pela_morte_jose_saramago.html

Porque é que o senhor como portugues, não colocou ai a posição da igreja portuguesa, porque é diametralmente oposta ao que o senhor pretendia passar como mensagem, pois é entre ela e a escrita do vaticano é como da noite para o dia.

Igreja expressa pesar pela morte de José Saramago

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura. José Saramago ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres.

Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença.

Lisboa, 18 de Junho de 2010

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

«É verdade que sim, que não fez directamente qualquer critica a obra, não leu é uma opção, mas por não ler é que não pode extrapolar para comparaçoes presuntivamente superiores em relação a eça, são coisas diferentes.»

Hã?
Você é que disse que ele era a melhor coisa do mundo literário português a seguir ao Eça. E eu perguntei com base em quê...

«não é inocente o titulo contra a bajulação sufocante, quando muitos dos apoiantes de saramago são apoiantes da sua obra independentemente da pessoa.»

Mas eu critico a bajulação da pessoa, e não da obra. Estou farto de dizer isso. Não entendo como é que tanta gente consegue passar uma caneta correctora sobre as amizades ideológicas do Saramago, pintando-o como um santo na Terra.

«Assim como não é inocente o ataque feito pela imprensa do vaticano precisamente agora na morte e focando o seu passado marxista.»

O seu passado?
A sua vida inteira!

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

«Porque é que o senhor como portugues, não colocou ai a posição da igreja portuguesa, porque é diametralmente oposta ao que o senhor pretendia passar como mensagem, pois é entre ela e a escrita do vaticano é como da noite para o dia.»

Quanta asneira!!

1) A posição do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura não é a posição da Igreja portuguesa, como refere

2) A posição do jornalista italiano que citei não é uma posição oficial do Vaticano: o que é que julga? que o Papa aprova, um a um, todos os artigos do Osservatore Romano?

3) Discordo, e não pouco, da posição do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e se tiver tempo e inspiração escreverei sobre isso; acho que a posição que refere está errada, mesmo que seja muito bem intencionada (e é, quase de certeza); acho que é abusivo chamar Saramago de místico, ou dizer que ele era muito bíblico na sua escrita, pois estamos a falar de um ateu, de um materialista e de um marxista, pelo que não há volta a dar; penso que a generosidade e a bondade cristã do Padre Tolentino (que julgo ser o autor do parecer que refere) foram longe demais, quase que espiritualizando Saramago à força

Anónimo disse...

“Hã?
Você é que disse que ele era a melhor coisa do mundo literário português a seguir ao Eça. E eu perguntei com base em quê...”

Eu disse isso? Ora ora veja la bem quem escreveu isso, que até deixou nome, eu aproveitei porque você entrou por ai fazendo comparações sem ter lido a obra como confirmou. E depois tudo o que o senhor diz demonstra como a cegueira ideológica nos pode cegar para os obras das pessoas e para a literatura e projecção dessa literatura em língua portuguesa no estrangeiro, o que Saramago deixou não foi ideologia foram livros, o problema em volta desta questão é apenas um insulto a decência que se esperava, mas cada um esta no seu direito de ler, não ler, gostar, não gostar. E continua as tiradas lorpas sobre misticismo e padre Tolentino, e o gramar Saramago a força, paciência. E já agora ainda bem que o vaticano não emitiu a sua voz oficialmente, mas aquelas que foram expressas permite-nos concluir onde esta o azedume.

Espectadores disse...

Anónimo,

«Eu disse isso? Ora ora veja la bem quem escreveu isso, que até deixou nome»

Ok, foi um Simão que disse isso.

«eu aproveitei porque você entrou por ai fazendo comparações sem ter lido a obra como confirmou.»

Onde é que me pronunciei sobre a obra literária de Saramago?

«o que Saramago deixou não foi ideologia foram livros»

O Saramago deixou-nos ideologia e livros. E duvido que os livros não tenham, pelo menos alguns deles, um pouco da sua ideologia.

É esta ideologia que me repugna, e que eu critico. Como sugeriu o Jairo, veja um pouco desse activismo ideológico de Saramago aqui:

http://www.gabrielferreira.com.br/

Não nos faça de parvos.
Saramago era escritor. Não direi se bom, se mau. Não me sinto qualificado para essa avaliação, primeiro porque não conheço a sua obra (nunca li nenhum livro dele), e segundo porque não sou crítico literário.
Mas Saramago também era pensador ("intelectual", como hoje em dia se usa com fartura e excesso). E é sobre esse pensamento, sobre essa visão errada do real, que eu incido as minhas críticas.

«o problema em volta desta questão é apenas um insulto a decência que se esperava, mas cada um esta no seu direito de ler, não ler, gostar, não gostar.»

Obrigado por nos reconhecer esse direito. Nos dias que passam, ligando-se a televisão ou a rádio, constata-se um medo, um quase pavor, em tecer críticas a Saramago. Todos fizeram romaria, de todos os quadrantes políticos. É um ambiente de cortar à faca, onde não se respira liberdade de pensamento. A idolatria de Saramago (da pessoa e da obra) tornou-se em algo obrigatório, e ninguém explica porquê.

«E continua as tiradas lorpas sobre misticismo e padre Tolentino, e o gramar Saramago a força, paciência. E já agora ainda bem que o vaticano não emitiu a sua voz oficialmente, mas aquelas que foram expressas permite-nos concluir onde esta o azedume.»

O azedume é justo, e faz falta.
Diz o povo que quem não se sente não é filho de boa gente. Um tipo que escreve isto só pode merecer o azedume de todo o bom católico:

«Quando a igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle, não tanto das almas, porque à igreja não importam as almas, mas dos corpos. O sonho da igreja sempre foi nos transformar em eunucos.»

É este o Saramago que me enoja, o mentiroso, defensor de uma ideologia de mentira. Mas talvez seja melhor (e mais cristão) dizer, é este o Saramago do qual tenho pena.

Anónimo disse...

O azedume é justo, e faz falta.
Diz o povo que quem não se sente não é filho de boa gente. Um tipo que escreve isto só pode merecer o azedume de todo o bom católico:

de tudo o que disse, é uma pescadinha de rabo na boca, mas cuidado com figado.

Anónimo disse...

ja agora desculpe la para acabar só esta provocação, como o senhor deve ter batido palmas quando um tal sousa lara impediu um livro que estava nomeado para um premio europeu de concorrer,é lindo não é? os portugueses censurarem os seus escritores. antigamente havia um index.

Jairo Entrecosto disse...

Sousa Lara teve toda a razão do mundo.
Cabia-lha a ele seleccionar as obras candidatas a um prémio europeu de literatura e ele decidiu de acordo com as suas convicções. Como ele próprio afirma hoje, não há caso nenhum. Ele era(é) católico, de direita e conservador. Foi nomeado secretário de estado de um governo democraticamente eleito. Agiu em conformidade com a sua consciência e com TODA a legitimidade política.
A ideia passada para muita gente ( algumas que nem sequer leram o livro) é que Sousa Loura censurou Saramago. Mas que ele fez foi seleccionar obras portuguesas para candidatura a um prémio. A coisa mais natural do mundo, é deixar livros de fora.

E Saramago? Será que não censurava nada quando mandava no DN, tendo lá sido colocado pelos comunistas? Os 30 jornalistas que se indignaram com ele e foram saneados politicamente, revoltaram-se porquê?
Por terem liberdade de informar?

Querem que Saramago fique para a história como pobrezinho censurado, quando ele é que censurou e calou jornalistas.

http://tsf.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=768316

Anónimo disse...

Sousa Lara teve toda a razão do mundo.
Cabia-lha a ele seleccionar as obras candidatas a um prémio europeu de literatura e ele decidiu de acordo com as suas convicções

teve teve. no index também tinham toda a razão do mundo, quando é que estas pessoas aprendem a ser democraticas ou como diz a nota da pastoral

"e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença"

joaquim disse...

«quando é que estas pessoas aprendem a ser democraticas»

Talvez como José Saramago, não?

O grande democrata saneador e apoiante de uma das mais ferozes ditaduras que houve no mundo!!!

Anónimo disse...

Não Joaquim muito ao lado,esse argumento ja só pega com velhos, pertence a um passado acabado, se tem saudades desses debates va por esses jardins que deve haver muito disponivel para isso. Mas com Sousa Lara e porque? porque atacou o patrimonio religioso dos portugueses, komeiny decretou uma fatwa a outro escritor por motivos semelhantes, Sousa Lara representa um espirito que eu julgava ultrapassado mas digno do índex mas que existe. Por isso eu tentei ver se se separava a obra do autor mas não, a liberdade de consciência e expressão ainda não é bem vinda em certos meios.

A liberdade que Saramago usou para escrever acabou deixando os católicos mais fervorosos assustados. O Vaticano nunca viu com bons olhos qualquer tipo de trabalho que, de uma forma ou outra, fosse contra a "história oficial" de Jesus relatada na Bíblia. Até o livro "A última Tentação de Cristo'; do grego Nikos Kazantizakis, que, mesmo trabalhando sobre um possível delírio "mundano" de Jesus, não deixa de ser respeitoso, foi olhado de forma torta pela Igreja. Outro exemplo foi a versão livre feita pelo cineasta francês Jeann Luc Gordad, na década de 1980, em Je vaus salue Marie, que foi execrada por católicos de todo o mundo. E em lisboa o falecido presidente abecassis e um grupo de catolicos foi em vigilia para a frente do cinema onde era exibida a obra. Quando Saramago foi eleito pela Academia Sueca como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. A decisão foi atacada pelo Vaticano, que condenou a oferenda a “um comunista com visão antirreligiosa do mundo”, segundo noticiou na época o diário oficial do Vaticano L?Osservatore Romano, e agora que morreu continua.

O maior golpe que o livro de Saramago sofreu em seu país não veio da imprensa, e sim do governo de Portugal de um governo de um pais não confessional.

O romance de José Saramago Evangelho segundo Jesus Cristo foi cortado, foi cortado, não escolhido, mas cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, pelo Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara. Porquê?
"Porque não representa Portugal"
"Esta minha atitude nada tem a ver com estratégias de venda, nem sequer com opções literárias. E muito menos com as escolhas políticas de Saramago. Não entrou em linha de conta o facto de ele ser comunista ou pertencer à Frente Nacional para a Defesa da Cultura"
"A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os."
Afirmações de Sousa Lara ao Público, 25 de Abril de 1992

As justificações merecem reflexão

Muito deste espírito anda aqui naqueles que dizem que “Diz o povo que quem não se sente não é filho de boa gente. Um tipo que escreve isto só pode merecer o azedume de todo o bom católico” O pior é que este azedume quando se tem poder faz os Sousa laras em potencia.

joaquim disse...

E eu estou absolutamente de acordo com Sousa Lara na interpretação que faz, quer o anónimo goste quer não.

Aliás é perfeitamente incrível que alguém esteja aqui há tanto tempo a escrever como anónimo.

E os católicos não estão nada assustados, nem estiveram, porque as incursões de Saramago pela Biblia são de uma pobreza confrangedora, e para além disso a Biblia é eterna e Saramago iremos ver quanto tempo fica na memória dos portugueses.

O argumento não pega é para quem apenas quer ver virtudes num homem que apenas foi amargo, ressentido, apoiante de uma ditadura feroz, que dividiu muito mais do que uniu e que quando não lhe deram a importância que julgava ter, amofinou-se e foi-se embora.

E a apartir de agora fica, por mim, a falar sozinho, por todas as razões e mais uma, a de que não falo com anónimos.

Anónimo disse...

"E eu estou absolutamente de acordo com Sousa Lara na interpretação que faz, quer o anónimo goste quer não."

esta de acordo com isto? defende então a censura, é contra aliberdade de pensamento e expressão. A mim é me indiferente porque o senhor não tem poder, mas gosto de ver o pensamento

"A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses.

o que é que o distingue a si do pensamento do komeiny em relação ao salman rushie, não o condenava a morte porque isso ja não se usa, mas a condenação do pensamento essa sim esta no seu pensamento. muito bem admiro estes democratas.

joaquim disse...

Saramago não ofendeu Deus: ofendeu, isso sim, a literatura. Em 171 páginas de um enredo típico dos guiões de telenovela, não descortinamos nada de sublime, um assomo que seja de boa literatura. Ainda que se possa exceptuar duas ou três frases, todo o resto é forçado, infantil, tosco. A desmontagem que se reclama fazer do Antigo Testamento serve apenas a desmontagem da sua escrita. E o que resta dela? Uma algaraviada de ideias desconjuntadas, com as emendas à vista, sem requinte de linguagem, reforçada por um incomodativo discurso de cumplicidade com o leitor, e uma caterva de ideias feitas servidas de boçalidade e, pior, de imprudência linguística em forma de jargão militante. Na melhor das hipóteses, o leitor sente-se enganado, julgando estar a ler um dos indefectíveis discípulos de Saramago, em cópia mal amanhada. Há, aliás, um tom narrativo quase didáctico, como se Saramago fizesse questão de escrever para uma turma cabotina, pouco acostumada a ler a Bíblia, explicando-a – mal – em tom pretensamente irónico. Mas o que é ou pretende ser ironia em Caim acaba por tornar-se um exercício canhestro (como as patas do burro) de enumeração de narrativas bíblicas que, segundo o autor, lhe servem o propósito de ofender a figura do Deus cristão: contámos cerca de 15 ofensas a Deus – desde o filho da puta (p. 82) ao maléfico/ maligno/cruel (pp. 85, 86, 106, 127, 145), passando pelo materialista opulento (p. 112), desavergonhado (p.l13), vingativo (p. 121), injusto (p. 136), incapaz de nos amar (p. 143), estúpido (p. 150), invejoso (p. 164) e caricaturável (p. 173). Em suma, um manual de maus costumes. Mas se Saramago transformou uma obra literária - que é, apesar de valor ínfimo - num ajuste de contas, talvez tenha perdido algum tempo: podia dizer tudo isto numa crónica de jornal e invectivar Deus ainda de outras formas. Nada acrescentaria nada.

Saramago usou ainda de artifícios rudimentares, como o de criar diálogos infantis (a roçar o ridículo), para chegar a conclusões previsíveis, mesmo antes de as expor. Apresenta Caim como uma espécie de antí-herói que lhe serve de suporte para uma consciência magoada e crítica de um Deus arbitrário. Usa ainda o sistema operatório das "mudanças de presente" para condensar a narrativa, tornando-a inverosímil e completamente postiça. Usa e abusa de expressões deslocadas no tempo, no sentido de parodiar aquilo que acha paródico, esquecendo que a sua obra se torna, ela mesma, um arremedo sem eira nem beira. Passa, de forma abrupta, de sequência a sequência, sem transições prudentes. Enfim, Saramago esgotou todas as possibilidades do mau gosto para chegar a um fim: o de desmascarar o Deus do Antigo Testamento, através de episódios bíblicos (o sacrifício de Isaac, Sodoma e Gomorra, etc.). Faltou-lhe o talento e a técnica. E aos leitores prestou apenas um serviço informativo e formativo, no pior sentido desta palavra. Escreveu ao serviço de um seguidismo serôdio e cego.

Como militante comunista, sinto-me envergonhado. Primeiro, porque Saramago parece querer responder a um certo apelo ideológico da esquerda que se molda no jacobinismo mais rasteiro. Depois, porque acredito que o Partido Comunista (como outros) conta nas suas fileiras com pessoas que se distinguem pela qualidade do seu trabalho e da sua arte, e sobretudo pela honestidade com que o fazem. E a obra Caim de maneira nenhuma se ajusta a esses princípios. Estou ainda pasmado pelo facilitismo de Saramago e pelo facto de certa imprensa abrigar de forma escandalosa um produto medíocre, apressado e sem classificação literária. Falar de Deus, porque se trata de Deus, não é o mesmo que dizer coisas relevantes.

António Jacinto Pascoal,
militante do PCp, Arronches

Carta a Director, publicada no Público de 30 de Outubro de 2009

Anónimo disse...

O Joaquim o seu pensamento ja o sei, censura em tudo que se refira a religião, liberdade de pensamento e expressão. Que quer mais? se me estava a interpelar a mim com quem manteve o ultimo dialogo e depois de ter dito há tempos atrás que não dialogava com anonimos, e depois de ter dito agora:

"Aliás é perfeitamente incrível que alguém esteja aqui há tanto tempo a escrever como anónimo"

e

"a apartir de agora fica, por mim, a falar sozinho, por todas as razões e mais uma, a de que não falo com anónimos."

se esse comentario era para mim, pois so lhe tenho a dizer que seja fiel a sua palavra. Cumpra.

Jairo Entrecosto disse...

O anónimo pensa que uma ofensa à religião das pessoas nunca pode ser criticada ou ter consequências, como a não candidatura de uma obra a um prémio Europeu, que foi uma decisão legítima e a mais óbvia por parte de um governo democratico de orientação direitista.
Saramago teria feito o mesmo se fosse ele o secretário de estado e a Bíblia tivesse sido editada nesse ano. Afinal, não a considerava um manual de maus costumes? ;)

Sousa Lara até pode representar um espírito ultrapassado,o que só é de lamentar.
Não se pode negar que, num ambiente esquerdista e pró-comunista de quase pensamento único, incluindo na escola pública que foi encharcada com noções marxistas desde o 25 de Abril até hoje, Sousa Lara teve a coragem de marcar uma posição fora dos lugares comuns sobre política cultural. É que cultura antes de tudo, significa conservadorismo e respeito pela tradição, por aquilo que funcionou ao longo de séculos e nos permitiu termos a sociedade com que nos deparamos ao nascer.

Anónimo disse...

Não foi legitima, foi censura ao contrario do que o senhor diz, e portugal não é dos católicos nem o estado é para servir os católicos mas todos os cidadãos, ele não escolheu a lista, a lista tinha os nomes e ele riscou um , não com argumentos literarios, politicos, pessoais, segundo ele mas religiosos. Próprios de umestado confessional, só encontro paralelo no julgamneto de rushie por komeiny.

Mas o caso é outro diz o senhor:

“que foi uma decisão legítima e a mais óbvia por parte de um governo democratico de orientação direitista.
Saramago teria feito o mesmo se fosse ele o secretário de estado e a Bíblia tivesse sido editada nesse ano.”

É verdade que sim, que Saramago teria feito o mesmo se tivesse poder, o que só vos coloca no mesmo saco, a única diferença é que em extremos opostos mas com métodos comportamentais semelhantes, censura, contra a liberdade de pensamento e expressão, tudo aquilo que é fundamental numa cabeça democrática não existe.

Jairo Entrecosto disse...

Porque é que os argumentos religiosos não pode servir num estado laico?
Deus não existe? A religião é prejudicial?
È isso que quer que o estado assuma?

Há diferença entre um estado confessional, um estado laico e um estado ateu.

Argumentos religiosos, num estado laico, valem tanto como qualquer outro. Para o bem e para o mal. ;)

Escolheram aquele governo e não outro.


Claro que Sousa Lara, ao contrário de Saramago, não fez CENSURA alguma. O livro continou a ser lido e vendido; apenas não teve a autorização governamental para representar o país num concurso literário. Decisão política absolutamente legítima, de um governo democraticamente eleito por uma base de apoio que defendia determinados valores, incluindo religiosos.

Anónimo disse...

"Porque é que os argumentos religiosos não pode servir num estado laico?
Deus não existe? A religião é prejudicial?
È isso que quer que o estado assuma?"

O meu caro senhor, ainda não percebeu a história. O estado não tem que assumir nada disso, quem assume isso são os cidadãos,a fé é pessoal, o estado esta acima dos cidadãos por meio de um "contrato" que todos lhe conccederam e por isso deve tratar a todos por igual. Quem não fez ainda isto são os muculmanos onde a religião domina o estado, a lei religiosa é lei civil e fonte de direito. tenha paciencia. eu ja disse como vocês pensam "democraticamente" e qual o vosso pensamento quer me convencer de que? tenha paciencia

"Claro que Sousa Lara, ao contrário de Saramago, não fez CENSURA alguma. O livro continou a ser lido e vendido"

Já lhe disse que fez censura. Quanto ao resto, pois esta bem, não fez mais porque o tempo das fogueiras quer de livros quer de pessoas ja não conjuga com a nossa mentalidade de ocidentais democraticos, os que o somos, mas ainda funciona nos gabinetes.

Jairo Entrecosto disse...

"O estado não tem que assumir nada disso,"

Então, terá de concordar que, num estado LAICO, argumentos religiosos são tão legítimos como quaisquer outros.

Anónimo disse...

O meu caro senhor, ainda não entendeu

Claro que sim, desde que não impliquem censura, sejam contra a liberdade de pensamento e expressão. e não impliquem tratamento privilegiado por causa da religião. Só as pessoas podem ter fé só as pessoas podem ser religiosas e ter religião e o estado a todas deve tratar por igual, qual a duvida? eu sei qual a vossa duvida em relação ao social esta ai expressa nos comentários e nos posts


Ainda não percebeu

Estado laico não é estado sem fé, ateu ou que se antepõe a convicções religiosas, mas tão somente estado não confessional, sem religião oficial ou obrigatória. Assim, ao contrário do que parece à primeira vista, a expressão laico não se opõe, nem repudia, mas antes, coexiste pacificamente com as religiões, sem molestá-las ou coibi-las Cabe ao estado e à sociedade em geral não encorajar manifestações de intolerância daqueles que se sintam ofendidos pela livre expressão da fé alheia. Não basta a força e a coerção para a solução das crises nas relações interpessoais. A verdadeira paz não se faz com o silenciar do outro, pois quando há um vencedor, sempre resta um vencido humilhado e pronto a desafogar os instintos de vingança, Como mecanismo eficaz de inibição da violência, da correção de rumos e da solução de desentendimentos, a religião deveria ser tratada com maior deferência e atenção.

O que aconteceu foi o contrario disto e é isso que os senhores defendem.

Olhe tenha paciência, a civilização democrática ocidental começou a separar-se da igreja a partir do século XVI, foi bom, e por isso podemos ver o que é viver sob regimes teocráticos como os islâmicos. Já vivemos assim. Fale ai com o Joaquim que deve ter muito mais para conversar.

Jairo Entrecosto disse...

-Então, terá de concordar que, num estado LAICO, argumentos religiosos são tão legítimos como quaisquer outros.

"Claro que sim, desde que não impliquem censura, sejam contra a liberdade de pensamento e expressão. e não impliquem tratamento privilegiado por causa da religião."

Certo. No caso de Sousa Lara, não ouve censura censura contra a liberdade de pensamento e de expressão. Apenas uma avaliação política, com argumentos religiosos ( que admite serem legítimos num estado laico), sobre o uso que Saramgo deu à sua liberdade de pensamento e expressão, e que levaram o político em causa a considerar que a obra não merecia constar de uma lista portuguesa candidata a prémio europeu, por não representar, antes faltar ao respeito, a uma grande parte dos portugueses.

"Só as pessoas podem ter fé só as pessoas podem ser religiosas e ter religião e o estado a todas deve tratar por igual, qual a duvida?"

A dúvida deve ser sua, pois compara a utilização de justificação ou argumentos religiosos por um político, para tomar uma decisão legítima, com sentenças de morte.

"eu sei qual a vossa duvida em relação ao social esta ai expressa nos comentários e nos posts "

Não percebi. Se sabe, o melhor é ser mais claro.

"Ainda não percebeu
Estado laico não é estado sem fé, ateu ou que se antepõe a convicções religiosas, mas tão somente estado não confessional, sem religião oficial ou obrigatória."

Eu percebi. E ajudei o senhor anónimo a perceber que num estado laico não se podem considerar os argumentos ilegítimos apenas porque são religiosos. Isso é acabar com a neutralidade do estado. Como disse, argumentos religiosos valem tanto como quaisquer outros numa democracia laica.

Jairo Entrecosto disse...

"Assim, ao contrário do que parece à primeira vista, a expressão laico não se opõe, nem repudia, mas antes, coexiste pacificamente com as religiões, sem molestá-las ou coibi-las"

Exacto. Mas o senhor anónimo é que disse que Sousa Lara fez algo contra o estado laico. Se o estado laico não pode repudiar a religião,porque é que disse que os argumentos religiosos de Sousa Lara eram inválidos num estado laico?

"Cabe ao estado e à sociedade em geral não encorajar manifestações de intolerância daqueles que se sintam ofendidos pela livre expressão da fé alheia."

Então, Saramago pode sentir-se ofendida pela livre expressão da fé alheia, e os outros que se sintam ofendidos pela livre expressão de Saramago, já fazem "manifestações de intolerância"? Não têm o direito de se sentirem ofendidos e de agirem politicamente, tendo em conta os ofendidos que representam?

"Não basta a força e a coerção para a solução das crises nas relações interpessoais. A verdadeira paz não se faz com o silenciar do outro, pois quando há um vencedor, sempre resta um vencido humilhado e pronto a desafogar os instintos de vingança."

Hum...Sousa Lara não silenciou ninguém, está mal informado. A verdadeira paz não sei como se faz, mas há guerras em que temos de entrar, por muito medo que o anónimo tenha da vingança do vencido humilhado. Claro, se todos fizéssemos e pensássemos como Saramago e restantes comunistas querem, viveríamos numa paz imensa e um mundo muito bonito. O chamado "comer e calar".

"Como mecanismo eficaz de inibição da violência, da correção de rumos e da solução de desentendimentos, a religião deveria ser tratada com maior deferência e atenção."

Por quem, por Saramago ou por Sousa Lara?

"O que aconteceu foi o contrario disto e é isso que os senhores defendem."

O que aconteceu foi uma ninharia que só deu no que deu porque já nessa altura alguém achava que argumentos religiosos não podem servir para decisões políticas, "porque o estado é laico". Maior contradição(invocar a neutralidade como justificação para a diferenciação) é impossível!

"Olhe tenha paciência, a civilização democrática ocidental começou a separar-se da igreja a partir do século XVI, foi bom, e por isso podemos ver o que é viver sob regimes teocráticos como os islâmicos."

Bem, o seu revisionismo histórico agradaria imenso a um comunista como Saramago. E continua com os exageros, lá vai buscar de novo os regimes teócraticos.

Senhor anónimo: num regime teocrático, o que é religioso torna-se obrigatoriamente lei, num estado ateu ( como o dos soviéticos) o que é religioso nunca pode servir de motivação a lei ou decisão política.

Releia o debate, e veja que o anónimo se posiciona como defensor do estado ateu. Pelo contrário, não encontrará nenhum comentário meu a sugerir uma teocracia. Insisti foi na neutralidade do estado, que legitima qualquer político a decidir com base nas suas convicções; incluindo religiosas.

Anónimo disse...

“Lara, não ouve censura contra a liberdade de pensamento e de expressão. Apenas uma avaliação política, com argumentos religiosos,”

Engraçado uma avaliação politica com argumentos religiosos.

O que não pode fazer num estado laico, invocar o primado da religião para afastar uma obra e mais, não foi não incluir. Sendo assim até seria correcto. Se fosse assim ele a escolher. O romance evangelho segundo jesus cristo foi cortado da lista dos concorrentes ao prémio literário europeu por Sousa Lara, com base no patrimônio religioso, é invocado o primado da religião sobre a decisão para tal do estado. O estado é neutro não entende e por isso não entende muitas mais coisas que acontecem na sociedade porque a sua visão esta aqui “ teve a coragem de marcar uma posição fora dos lugares comuns sobre política cultural. É que cultura antes de tudo, significa conservadorismo e respeito pela tradição, por aquilo que funcionou ao longo de séculos e nos permitiu termos a sociedade com que nos deparamos ao nascer.”

A sua visão é do primado do religioso sobre o civil, é uma organização da sociedade com comportamentos padronizados em que o estado deve tomar partido por uma religião.

Quanto ao resto que o senhor diz como isto, é temas já debatidos nada a acrescentar.

“Sousa Lara não silenciou ninguém” “O que aconteceu foi uma ninharia que só deu no que deu porque já nessa altura alguém achava que argumentos religiosos não podem servir para decisões políticas,”

Uma ninharia diz o senhor, censura liberdade de pensamento e expressão são ninharias.

Mas qual estado ateu qual carapuça estamos a falar de um estado laico próprio das civilizações democráticas ocidentais e vem o senhor falar num estado ateu como o dos soviéticos, em que mundo esta ainda?, As pessoas não devem ser impedidas de manifestar fé. Mas o estado não tem fé nenhuma, A mistura entre estado e religião nunca deu certo, sempre privou a liberdade de milhares de pessoas de manifestarem fé distinta da fé da maioria. O estado laico é independente das religiões e tolera-as a todas, mas buscar a união de qualquer religião com o estado é sacrificar uma grande história de busca pela liberdade. E no final das contas, o patrimônio público não pode vincular-se a opinião religiosa de quem quer que seja. E eu sinceramente, não preciso de regras calcadas na fé em deus para querer paz, harmonia ou tolerância, Espero que todos possam seguir sua fé, manifestando-a em seus corações, Não odeio religião alguma, tanto que, se encontro um adepto de satanás nas ruas, não sinto por ele nenhuma repulsa, por sinal, conheço vários. E num hospital, ficaria interessante a figura de um demónio dissecando um cadáver? Que tal um demónio numa cruz?

Olhe por mim a conversa não tem mais interesse

Jairo Entrecosto disse...

"Engraçado uma avaliação politica com argumentos religiosos."

O que há de engraçado?

"O que não pode fazer num estado laico, invocar o primado da religião para afastar uma obra e mais, não foi não incluir."

O anónimo insiste na palermice de invocar o estado laico para dizer que a religião é uma motivação e justificação inadmissível para um político tomar decisões. Está mesmo com problemas em perceber o que é "neutralidade", não está?

"O romance evangelho segundo jesus cristo foi cortado da lista dos concorrentes ao prémio literário europeu por Sousa Lara, com base no patrimônio religioso,"

Que existe, ou não?

"é invocado o primado da religião sobre a decisão para tal do estado. O estado é neutro"

Mas a sociedade e os governos não o são. Os governos, veja lá, são políticos, ideológicos e apoiados por "partidos" e sectores da sociedade que defendem determinados valores.
Como o estado é neutro, obviamente não pode dizer que a religião não serve como justificação para decisão política. Isso seria num estado ateu, que tomava uma posição oficial sobre a religião. Para a próxima posso fazer um desenho...


"A sua visão é do primado do religioso sobre o civil, é uma organização da sociedade com comportamentos padronizados em que o estado deve tomar partido por uma religião."

Não. A minha visão é de liberdade. Um político conservador tem todo o direito de tomar decisões de acordo com as suas convições, incluindo religiosas. Já lhe disse isto quantas vezes?

"Uma ninharia diz o senhor, censura liberdade de pensamento e expressão são ninharias."

Precisamente por não ter ocorrido nenhuma censura à liberdade de pensamento e expressão é que se tratou de uma ninharia. Sabe o que significa censura à liberdade de pensamento e expressão?

Jairo Entrecosto disse...

"Mas qual estado ateu qual carapuça estamos a falar de um estado laico próprio das civilizações democráticas ocidentais e vem o senhor falar num estado ateu como o dos soviéticos, em que mundo esta ainda?"

Boa pergunta. Devolvo-a, quando o senhor anónimo diz que argumentos religiosos não podem servir como justificação para decisão política,pensa que está a viver em que mundo, na União Soviética?

"A mistura entre estado e religião nunca deu certo, sempre privou a liberdade de milhares de pessoas de manifestarem fé distinta da fé da maioria."

Senhor anónimo, a ideia de que a religião não pode estar no espaço público, incluindo como factor de discussão e decisão política, é que só deu desgraças e mortes, muito mais do que qualquer regime confessional!

"O estado laico é independente das religiões e tolera-as a todas, mas buscar a união de qualquer religião com o estado é sacrificar uma grande história de busca pela liberdade."

O comunista ou socialista, quando é secretário de estado, toma decisões de acordo com as suas convições. Nessa altura, não vejo ninguém a berrar contra a suposta associação do estado a uma ideologia. Quando se trata do religioso, já acham que ele não tem o direito de decidir com as suas convições, quando também está mandatado pelo voto para tal.

"E no final das contas, o patrimônio público não pode vincular-se a opinião religiosa de quem quer que seja."

Isso é no estado ateu. O senhor classifica a "opinião religiosa" como diferente de qualquer outra opinião. E quer que o estado também o faça. E acha que isso é "estado laico e neutro". Enfim...

"E eu sinceramente, não preciso de regras calcadas na fé em deus para querer paz, harmonia ou tolerância"

Não tenho nada a ver com aquilo que o senhor anónimo diz querer.

"Espero que todos possam seguir sua fé, manifestando-a em seus corações,"

Eu espero que todos possam decidir livremente de acordo com as suas convições. Não faço considerações sobre a fé dos outros.

"Não odeio religião alguma, tanto que, se encontro um adepto de satanás nas ruas, não sinto por ele nenhuma repulsa, por sinal, conheço vários."

O senhor anónimo é um bondoso. Mas que nos interessa isso para o que estamos a discutor?
Tenha é cuidado com os adoradores de satanás, em princípio, eles adoram alguém que lhes tem muita repulsa e ódio... :)

"E num hospital, ficaria interessante a figura de um demónio dissecando um cadáver? Que tal um demónio numa cruz?"

Que tal? Poderia configurar uma ofensa gratuita e imbecil à tradição e sentimento religioso do povo. E crucifixos,expostos por vontade popular, ofendem alguém como e porquê, pode saber-se?

Anónimo disse...

“O comunista ou socialista, quando é secretário de estado, toma decisões de acordo com as suas convições. Nessa altura, não vejo ninguém a berrar contra a suposta associação do estado a uma ideologia. Quando se trata do religioso”

O que há para discutir consigo? O senhor não vê o estado despido de religiosidade, ou há o religioso ou há o comunista, por isso eu perguntei-lhe em que mundo vive, a ex URSS ainda existe, essa querela faz sentido.Já lhe disse que vocês e comunistas estão no mesmo saco em extremos opostos mas com métodos comportamentais iguais, no que toca a censura, liberdade de pensamento, e expressão. E não entende o que lhe venho a dizer, as pessoas tem convicções sim, no seu poder discricionário e se não prejudicarem ninguém a sua religiosidade manifestada nas decisões não levanta problemas. O caso do livro e Sousa Lara não preenche esses requisitos e já lhe disse porque. Não foi ele que selecionou as obras, e se fosse ele que selecionasse as obras o saramago não teria feito parte de candidato a prémio nobel. Já agora vocês criticaram cavaco silva por causa da lei do casamento homosexual, pois é, cá está, cavaco silva foi um presidente de todos, tomou uma decisão sob uma lei, não proposta por ele já aprovada, e que não prejudicava ninguém, só tentava igualar em direitos e foi de encontro aquilo que o estado deve ser, sem condicionalismos religiosos, já considerava que o presidente podia fazer valer a sua convicção pessoal religiosa de fosse ele o primeiro ministro e como tal nunca fizesse tal lei.

“Isso é no estado ateu. O senhor classifica a "opinião religiosa" como diferente de qualquer outra opinião. E quer que o estado também o faça. E acha que isso é "estado laico e neutro". Enfim...”

O senhor é que não entende eu vou lhe explicar pela ultima vez, estado ateu e laico, vamos a ver, no estado laico já lhe disse como é, ninguém é perseguido pelas suas opções religiosas, mas não pode fazer vale-las como condição de privilegio veja bem a ver se entende de vez, há o estado ateu, e há o estado laico. As duas instituições não se confundem. O primeiro declara que deus não existe, e proíbe a existência das religiões, ou, no máximo, aceita-as como manifestações folclóricas. É o que aconteceu na ex- união soviética na china e em outros países, salvo erro, todos comunistas. O segundo trata-se apenas de um arranjo político, encontrado como forma de encontrar a paz entre cidadãos de diferentes religiões. As guerras religiosas são as mais drásticas, porque não admitem negociação; como tudo se trata de dogma, ou o plano de uma determinada religião se impõe sobre os outros, ou sucumbe ante eles. Não há saída. No estado laico, o que não se permite é que se utilize o estado para beneficiar cidadãos em detrimento de outros, com base em preceitos religiosos, entendeu.

Anónimo disse...

“Não tenho nada a ver com aquilo que o senhor anónimo diz querer.”

Tem, mais a frente é perceptível que tem, o senhor mesmo diz isso, tem, o problema é esse, se tivessem poder tinham, esses são os Sousa laras em potencia que o senhor revela aqui.

(“Que tal? Poderia configurar uma ofensa gratuita e imbecil à tradição e sentimento religioso do povo. E crucifixos,expostos por vontade popular, ofendem alguém como e porquê, pode saber-se?”

A provocação funcionou, e só prova ate que ponto estão dispostos a tolerar aquilo que é diferente, a intolerância salta logo, já configura ofensa ao sentimento religioso do povo. “E crucifixos ofendem alguém como e porque?” E os outros não tem o direito a afixar os seus símbolos também porque ofendem a quem, a si? Ao povo? Essa entidade abstrata é homogênea, quem lhe disse? que tem o poder de esmagar as diversidades que se manifestam no seu seio. Belo pensamento que confirma tudo o que venho dizendo, já foi assim já, e nem há muito tempo, quem não tivesse comportamentos padronizados era um proscrito social, o melhor era ir viver para onde não fosse conhecido.

É que a questão que vimos a debater é esta

Hipoteticamente num estado laico e igualitário, então poderíamos ter representações de todos os credos, indus islâmicos judaicos etc. um grande ramalhete a enfeitar as paredes, cada qual apelando a sua simbologia, ou não? Não, para estas mentes, só os católicos poderiam ter o seus, só os católicos teriam direito a sua simbologia. É esse o sentimento do povo. Esta é boa. Cada pessoa é livre de usar essa simbologia fios ao pescoço com cruzes, nas cabeceiras de cama, nos templos, para consolo espiritual de que necessita , mas não em edifícios públicos porque são de todos porque também são meus e posso não precisar desse consolo que outros necessitam, nem tenho nada que impor os meus simbolos aos outros, e portanto não pode ser o estado a adoptar uma simbologia especifica nas suas instituições, porque esta a ser parcial, mesmo que se diga que a maioria da população assim é católica.As convicções vivem na intimidade de cada um e terminam na sua esfera não podem ser impostas, não podem esmagar os outros porque são maioria, e não se trata de o estado estar a proibir determinada simbologia mas tão somente não ser o estado a adoptar e não ter preferência por nenhuma nas suas instituições.

Símbolos culturais é uma coisa símbolos religiosos é outra convém não confundir.

Anónimo disse...

Caro bernardo se não leu Saramago está tudo dito, tem zero letgitimidade para "mandar abébias" sobre o nosso prémio Nobel e um grande escritor. Com os seus ódio de estimação pode ficar você que temos pouco a ver com isso. Saramago para que o senhor aprenda, não legitimou quaisquer genocidios de Estado. Era comunista mas nem sequer de índole estalinista como o PCP. Se quer fazer essas afirmações informe-se primeiro pois demonstra uma séria ignorância sobre o assunto.

Quanto à Igreja acho profundamente lamentável ter vindo autenticamente denegrir a imagem do Saramago após a sua morte. A Igreja é de todos não só de alguns que se consideram "mais iguais do que outros" como já disse Orwell que já agora também lhe aconselho vivamente que leia. Encontre lá algum tempo no meio de tanta literatura eclesiástica que lhe rouba tanto tempo. A Obra de Saramago ficou, a Igreja como se encontra de momento, já veremos.

Cumprimentos

João "o discipulo amado" Silveira disse...

Anónimo, tem aqui o testemunho de uma ex-comunista, que conheceu bem o saramago: http://networkedblogs.com/5fcwp

Anónimo disse...

"Anónimo, tem aqui o testemunho de uma ex-comunista, que conheceu bem o saramago:"

O que é que eu tenho a ver com isso. sou algum juiz

Anónimo disse...

É fantástico a Igreja vir falar dos Gulags quando se "esqueceu" dos campos de concentração nazis... e inclusive os legitimou de forma "subjectiva" ao assinar uma concordata com Hitler. Está tudo dito.

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

«É fantástico a Igreja vir falar dos Gulags quando se "esqueceu" dos campos de concentração nazis... e inclusive os legitimou de forma "subjectiva" ao assinar uma concordata com Hitler. Está tudo dito.»

Sugiro que estude melhor o assunto.

Segundo o historiador alemão Konrad Repgen, a concordata “não era uma aliança mas um instrumento de defesa”, “German Catholicism”, p. 205.

Diz o historiador John Conway (University of British Columbia): “The conclusion of the Reich Concordat with the new Nazi regime in 1933 is therefore not to be seen as a sign of the Vatican’s approval, but rather an attempt to control [the regime’s] unpredictable revolutionary fervor with some legally binding framework.”, John S. Conway, “The Vatican, Germany and the Holocaust”, p. 106-107.

Esclarecido?

Espectadores disse...

Anónimo,

Outra nota rápida, para ajudar ao seu desconhecimento de História. A Concordata da Igreja Católica com o Terceiro Reich data de 20 de Julho de 1933. Nessa altura, não havia campos de concentração. Hitler tinha acabado de subir ao poder de forma democrática, vencendo as eleições a 5 de Março de 1933.

Anónimo disse...

Ajudando-o também no seu claro desconhecimento e deturpação dos factos, a perseguição aos judeus na Alemanha começou oficialmente em 1938 mas o anti semitismo fazia parte da doutrina nazi já em 1933.

Já agora instrumento de defesa do quê e de quem? esclareça por favor.

Anónimo disse...

A “perseguição” aos judeus começou logo que os nazis tomaram o poder em 1933, com uma enxurrada de decretos, logo em 1933 a proibição dos judeus do funcionalismo publico, a proibição de médicos judeus terem doentes não judeus, proibição de judeus estudarem medicina, 1935 As leis de nuremberga excluíram os judeus da cidadania alemã e proibiram os casamentos ou relacionamentos com não judeus, em 1937/38 a noite de cristal. Enfim só o pacelli e que não sabia destas coisas por isso fez uma concordata