sexta-feira, 25 de junho de 2010

A existência do Diabo

«São ponto assente da doutrina evangélica e eclesiástica as seguintes conclusões: a existência dos demónios, puros espíritos criados bons por Deus, mas que se perverteram por culpa própria; o poder maléfico que têm sobre os homens, chegando mesmo a tomarem posse de homens e objectos; a potestade que Cristo exerceu e que, depois, conferiu aos que acreditam nele, de expulsar os demónios em seu nome. Quem não acredita nestas verdades está fora da fé cristã» - Gabriele Amorth, "Exorcistas e Psiquiatras", Paulus Editora, Lisboa, 2004, p. 30.

Dizia Baudelaire: "la plus belle des ruses du diable est de vous persuader qu'il n'existe pas.". E, realmente, nisto, o Diabo tem tido o maior dos sucessos. Como explica o Padre Amorth neste livro, o ofício de exorcista esteve desprezado pela grande parte da hierarquia da Igreja Católica durante os últimos três séculos. Há toda uma legião de sacerdotes que nunca presenciou um exorcismo, e mesmo muitos Bispos que não dão grande (ou nenhuma) credibilidade ao múnus do exorcista. Com o recrudescer do interesse dos nossos contemporâneos pelo ocultismo, pela feitiçaria e pela "new age", os malefícios estão a aumentar exponencialmente, como se esperava, e torna-se necessário, de novo, reconhecer o valor do anúncio de Cristo: "Expulsarão os demónios em meu nome" (São Marcos, 16, 17-18).

Como bem recorda o Padre Amorth, um cristão, mesmo sendo sacerdote ou Bispo, que perdeu a fé nas verdades acerca dos anjos e dos demónios, e na verdade da acção do Príncipe das Trevas sobre o Mundo e sobre a Humanidade, está fora da fé cristã. Tal cristão perdeu a visão cristã da realidade, que é afinal de contas, a visão verdadeira da realidade. Tal cristão adoptou a visão herética e modernista do real, pois deixou entrar na sã doutrina cristã os erros filosóficos dos positivistas. Como frisa o Padre Amorth, há décadas que esses erros se têm vindo a infiltrar nos seminários e nas universidades católicas. O resultado? A proliferação, em rédea solta, da acção do maligno, e a total impotência de grande parte do clero no que toca à ajuda espiritual às pessoas reféns dessas influências demoníacas.

É bem verdade o que a tradição diz acerca da Virgem Maria como sendo a guardiã da sã doutrina: onde há Maria não há heresia. Ela, que espezinha a serpente a seus pés, ajudar-nos-á nesse combate urgente, que durará até ao final dos tempos, e do qual só pode sair um vencedor: Deus.

43 comentários:

L disse...

Olá, Bernardo?

Tenho alguma dificuldade em perceber, ao certo, o que se entende por diabo. Especialmente quando se fala nestes termos:

"há décadas que esses erros se têm vindo a infiltrar nos seminários e nas universidades católicas. O resultado? A proliferação, em rédea solta, da acção do maligno, e a total impotência de grande parte do clero no que toca à ajuda espiritual às pessoas reféns dessas influências demoníacas."

Isso significa que o ser humano é apenas um boneco à mercê de demónios e influências malignas? Onde está o livre arbítrio, então? Onde está a responsabilidade individual?

Esse diabo é uma entidade ou uma metáfora?

Leonor

O Sousa da Ponte disse...

Eu francamente estava convencido que o inferno e os diabos eram coisa de igrejas evangélicas.

Pensava que a Igreja Católica já tinha descartado o inferno e o diabo

Anónimo disse...

Bem a Igreja católica já começou a modificar esse rumo.

Desde o concílio vaticano II, a igreja católica retirou discretamente de seus ensinamentos as terríveis histórias de punição após a morte. Há anos, o papa joão paulo II decidiu que o inferno não é um lugar físico, onde as pessoas seriam cozidas em fogo eterno, como se apregoou durante séculos, mas um estado da alma, em que o sofrimento do pecador seria causado não pelas chamas e sim pela ausência de Deus.
«O céu não é o paraíso nas nuvens nem o inferno é a terradora fornalha. O primeiro, é uma situação em que existe comunhão com Deus e o segundo é uma situação de rejeição» .

Nuno disse...

Vejo que o Bernardo faz bem em escrever sobre o diabo, e sobre o inferno, pois estas realidades são, como os comentários deixam adivinhar, pouco compreendidos hoje em dia.

E percebe-se, nesta era de mais Prozac e menos Platão, que tudo o que sequer levante a mais ínfima ponta de sofrimento é tido como vil, cruel, desagradável e a evitar. É engraçado que mesmo assim ainda há quem pense de forma diferente:

http://www.wook.pt/ficha/contra-a-felicidade/a/id/1460094

A respeito do inferno, é tudo muito simples. O inferno existe porque o homem é tão livre, mas tão livre, que é capaz de rejeitar Deus eternamente! A liberdade que lhe foi dada é absoluta e tem este potencial, tem esta força. Assim, não só a Igreja não descarta o inferno, nem o diabo, como estas são realidades importantes da sua teologia, as quais até estão intimamente ligadas à antropologia, à liberdade intrínseca do homem, mais do que parecem.

Isto está um bocado longe da imagem infantil de um juiz nos céus a mandar para o enxofre sulfuroso todos os que metem a pata na poça.


Nuno

joaquim disse...

Do Catecismo da Igreja Católica

§1035 O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

Anónimo disse...

Voces por favor não acabem com o maligno nem com o inferno. Tiram trabalho a muita gente, lá se vão os exorcismos, os filmes sobre exorcismos, as iconografias relacionadas, as confissões e tudo o que gira a volta disto. Eu gosto mantenham.

Espectadores disse...

Olá Leonor,

Tudo bem?

«Tenho alguma dificuldade em perceber, ao certo, o que se entende por diabo.»

Antes de mais nada, o Diabo é um demónio. E todo o demónio é, antes de mais nada, um anjo "caído", ou seja, um anjo que se rebelou contra Deus.

Por isso, o ponto de partida deve ser o de entender o que é um anjo. Na hierarquia da Criação, antes mesmo de criar um ser dotado de corpo e alma como é o ser humano, Deus criou seres imateriais, sem corpo. São os anjos. São criaturas que não estão sujeitas ao tempo e ao espaço, mas são dotadas de inteligência, de vontade e de liberdade. O cristianismo dá a seguinte explicação para o surgimento do Mal: Lúcifer (do latim "lux ferens", o portador da luz) começou por ser fiel a Deus, mas a dada altura rebelou-se contra Deus, e levou consigo uma multidão de anjos. Esses anjos revoltosos e traidores são os demónios. O Diabo, ou Satanás, ou Lúcifer (são vários termos com passados históricos e culturais diferentes, mas representantes da mesma entidade), é o líder desse grupo de anjos revoltosos e traidores.

«Isso significa que o ser humano é apenas um boneco à mercê de demónios e influências malignas?»

Não, nada disso.
Os livros do Padre Amorth são excelentes porque ele fala do que sabe e da sua experiência. Ele diz, neste mesmo livro, que o Diabo nada pode fazer sem a concordância (mesmo que inconsciente) do ser humano. Na hierarquia da Criação, os anjos foram criados antes do Homem, mas o Homem é criado à imagem e semelhança de Deus (e os anjos não), pelo que o Homem é a criatura mais amada por Deus. O Diabo tem inveja disso mesmo. O Diabo teme todo o homem ou mulher de vida santa.

«Onde está o livre arbítrio, então? Onde está a responsabilidade individual?»

Pode parecer-te algo de espantoso, mas é precisamente a noção de Diabo que permite a melhor explicação para a origem do Mal. O Diabo, com a sua liberdade, fez entrar o Mal na Criação. E, tentando o Homem, fez entrar o Mal na humanidade. É isso que os cristãos chamam de "Pecado Original", e foi esse pecado primeiro que Cristo, com a sua morte na Cruz, sanou para sempre. Cristo venceu o Mal.

Em relação ao ser humano, repito, é um ser livre, e capaz de tomar decisões livres. E pode ser responsabilizado pelas suas decisões livres. Perguntas onde está a responsabilidade individual? Ora eu não estou a dizer que a responsabilidade por um acto errado humano deve ser atribuída ao Diabo. Vejamos o Diabo como aquele mau conselheiro que nos leva a cometer algo de errado. A responsabilidade é nossa, ou se quiseres, compartilhada com o Diabo, mas nunca deixa de ser nossa. Por isso é que os cristãos acreditam num Juízo Final, quando Cristo será perfeitamente justo ao avaliar a nossa vida e as nossas livres decisões.

Eu demorei alguns anos a entender o que é isso da acção do Demónio na vida humana. Eu mesmo, em várias alturas, dou-me conta, sobretudo quando tenho alguma lucidez, da acção do Demónio, quando eu deixo a maldade marcar algum acto meu. O acto é sempre meu, mas foi graças à acção do Diabo que o Homem começou a pecar. Ele é o pai da mentira e do erro. Claro que, como ensina o Padre Amorth, a acção do Diabo, ou dos demónios, nas nossas vidas é, na maioria dos casos, uma acção indirecta, traduzida na opção livre e humana pelo pecado. Mas há casos excepcionais e raros nos quais o Diabo toma conta de uma pessoa, e esses são os casos das possessões.

(continua)

Espectadores disse...

(continuação)

«Esse diabo é uma entidade ou uma metáfora?»

Para o cristão, o Diabo é uma entidade bem real, dotada de vontade e de liberdade. É verdade que há muitos cristãos, mesmo clero, que rejeitam a realidade do Diabo, quer por uma bizarra vergonha (medo de serem gozados pelos seus contemporâneos), quer por ignorância, quer por ambas.

A melhor resposta à tua questão é a que está no Catecismo da Igreja Católica (§2850, §2854), em particular o número 2851:

«2851. Nesta petição, o Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo.»

Mas nem era preciso ir ao Catecismo, bastava ir à fonte: Cristo foi tentado pelo Diabo, expulsou demónios, e veio ao Mundo para libertar a humanidade do Pecado Original, esse gesto motivado pelo Diabo. É muito bizarro ser-se cristão e rejeitar-se algo de tão basilar para a doutrina cristã.

O principal problema que a mentalidade moderna enfrenta quando olha para o conceito de Diabo é que, por tradição cultural, temos a nossa mente cheia de imagens fantásticas, e o nosso imaginário cheio de figuras e de símbolos muito antigos. E achamos que a melhor solução é mandar tudo fora, como restos de um passado caduco.

O desafio, para o cristão moderno, está em voltar às bases, e em tentar compreender, metafisicamente, o que é isso de um anjo e de um demónio. É um grande desafio: não pretendo ser capaz de responder a esse desafio, pois estou ainda em processo de aprendizagem. Mas o cristão sabe que não errará desde que se mantenha fiel à doutrina da Igreja.

Uma última nota: há muito católico, e mesmo teólogo, que te dirá que as referências aos exorcismos de Cristo não se devem tomar à letra, pois a sociedade da altura confundia possessão demoníaca com distúrbios psíquicos.

Aqui, perante os fenómenos de perturbação psíquica que a Humanidade sempre observou, a prudência e a lógica levam-nos a considerar as três hipóteses para os explicar:

a) só há distúrbios psíquicos, e não há possessões demoníacas

b) só há possessões demoníacas, e não há distúrbios psíquicos

c) há possessões demoníacas e distúrbios psíquicos (e podem mesmo afectar uma mesma pessoa ao mesmo tempo)

No tempo de Jesus, ninguém estava na posse do conhecimento que a ciência psiquiátrica tem vindo a descobrir nas últimas décadas. Houve importantes progressos científicos. Por isso, rejeitamos a opção b). Mas porque é que saltamos logo para a a), descartando a c)?
O livro do Padre Amorth está precisamente dedicado a explicar a diferença entre um distúrbio psíquico e uma possessão demoníaca. O livro conta com o testemunho de vários psiquiatras que trabalharam com o Padre Amorth, na firme convicção de que o exorcista e o psiquiatra têm, cada um, a sua esfera de actuação e os seus pacientes só ganham quando ambos, exorcista e psiquiatra, colaboram entre si.

Um abraço!

Bernardo

Espectadores disse...

Leonor,

Uma última palavra: sugiro que leias os livros do Padre Amorth, editados em português pela Paulus. E depois, tenta explicar-me os fenómenos que este sacerdote exorcista relata. Eu só consigo explicá-los pela realidade da existência do Diabo.

Claro que, para um céptico, é preferível chamar o Padre Amorth de mentiroso. Mas então, tens que começar a chamar mentirosos a muita gente. Vê, por exemplo, os vídeos do Padre Duarte Sousa Lara acerca do exorcismo, nesta página: http://www.santidade.net/videos.htm

Ele esteve em Roma, conviveu com o Padre Amorth, e decidiu seguir a vocação de exorcista. Ele está oficialmente nomeado como exorcista adjunto da Diocese de Lamego: http://www.santidade.net/nomeacao_exorcista.htm

Conheço pelo menos um padre, grande amigo meu, que presenciou um exorcismo. Se eu tivesse problemas filosóficos ou metafísicos com a existência do Diabo, teria que considerar esta gente toda maluca. Mas como, felizmente, entendi a visão cristã da realidade, e acho-a verdadeira, não preciso de duvidar de pessoas sérias e honestas.

Um abraço

Anónimo disse...

O valha-me deus estamos a voltar a idade média

Espectadores disse...

Caro Nuno,

Obrigado pelo comentário! Realmente, a existência do Diabo explica-se pelo conceito de liberdade. Foi porque Deus criou criaturas livres que o Mal surgiu. O mal é um subproduto indesejado por Deus, mas que decorre logicamente de Deus criar criaturas imperfeitas e livres. Se uma criatura é imperfeita e livre, mais cedo ou mais tarde, vai experimentar o mal.

Um abraço!

Espectadores disse...

Caro Sousa da Ponte,

«Eu francamente estava convencido que o inferno e os diabos eram coisa de igrejas evangélicas.

Pensava que a Igreja Católica já tinha descartado o inferno e o diabo»

Está mal informado.
Basta ler o Novo Testamento. Jesus Cristo fala no Inferno, e expulsa demónios. Qual é a dúvida? Se os evangélicos acreditam no Diabo isso só abona em favor deles.

Abraço!

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

«O valha-me deus estamos a voltar a idade média»

Em muitos aspectos importantes, era bem bom!
Imagino que escreveu isto em tom depreciativo. O que tem contra a Idade Média?

Anónimo disse...

Eu contra a idade média ora essa, voce é que desceu na minha análise ao seu pensamento, então você faz o mal e diz que é o diabo ou por influencia do diabo? Você acredita em exorcismos e acha que há pessoas possuidas pelo demo como acontecia na idade media com pessoas que tinham ataques neurologicos psicossomaticos e eram acusadas de bruxaria e queimadas na fogueira, você acredita no diabo como uma entidade que o leva a fazer o mal. Eu diria meu deus.

Voce pode ser influenciado por pessoas, não resistir a tentações ser fraco, mas dizer que é obra do diabo, nem ao diabo lembra. Depois cita uma pessoa

(Amorth defende que a tentativa de assassinato do papa João Paulo II em 1981, assim como os casos de abuso sexual cometidos por padres são exemplos de que o Diabo está em guerra com a igreja.

Em entrevista ao La Republica, o exorcista contou que o Demônio “pode permanecer escondido, ou falar diferentes línguas, ou mesmo se fazer parecer simpático”.

Amorth também comentou sobre como o cinema retrata o exorcismo e a magia.

Segundo ele, o filme O Exorcista, de 1973, em que dois padres lutam para exorcizar uma garota possuída é “substancialmente preciso”
.
Já a série do jovem bruxo britânico Harry Potter é descrita como “perigosa” pelo sacerdote, pois traça “uma falsa distinção entre magia negra e magia do bem”.

O exorcista-chefe da Igreja Católica disse a um jornal italiano que “o Diabo reside no Vaticano” e que bispos estariam “ligados” a ele.

Em entrevista ao diário La Republica, o padre Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que “é possível ver as consequências disso”.
O sacerdote, de 85 anos, disse ainda que há, na Igreja, “cardeais que não acreditam em Jesus e bispos ligados ao Demônio”.)

E o senhor pergunta-me o que eu tenho contra? Nada, nada, continuem que é divertido, João Paulo II tinha colocado a questão como deve ser, ou seja:

O céu e o inferno não são lugares físicos e reais, afirmou João Paulo II.

«O céu não é o paraíso nas nuvens nem o inferno é a terradora fornalha. O primeiro, é uma situação em que existe comunhão com Deus e o segundo é uma situação de rejeição» O purgatório, contudo, não é um mero estado de espírito, como o são o céu e o inferno, mas uma condição de vida - «aqueles que, depois da morte, vivem nesse estado de purificação, já estão imersos no amor de Cristo, que lhes tira todos os resíduos de imperfeição»

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

O que é que pretende?
Eu adivinho: pretende que João Paulo II não concordaria connosco. Quem disse que o Inferno ou o Céu são lugares físicos? O Padre Amorth diz isso?
A doutrina que defendemos é a mesma defendida por João Paulo II.

Não nos atire areia para os olhos, e não distorça a doutrina do Santo Padre João Paulo II.

Alguns factos importantes:

1) o catolicismo, durante o furor da caça às bruxas, dava frequentemente sinal de bom senso: as perseguições às bruxas ocorreram sobretudo em países protestantes (imagino que não saiba isto), e muitos bruxos e bruxas pediam para serem julgados pela Inquisição (em vez do poder jurídico local) porque sabiam que teriam julgamentos mais justos

2) o Papa João Paulo II não mudou a doutrina de sempre acerca do Céu e do Inferno: a doutrina católica nunca disse que se tratavam de lugares físicos (no espaço)

3) o Padre Amorth tem razão nas coisas que diz, e cabe-lhe a si explicar porque é que acha que não

4) a influência do Diabo no ser humano, algo evidente, não impede a responsabilização do ser humano pelos seus actos; salvo nos casos mais extremos de possessão, os pecados são da responsabilidade de quem os comete. Isso não impede que não tenhamos presente o risco das tentações do Maligno, eterno inimigo do Homem.

Porque não cita Paulo VI, que disse que "o fumo de Satanás entrou, por qualquer brecha, no Templo de Deus" ("Ho la sensazione che da qualche fessura sia entrato il fumo di Satana nel tempio di Dio.")?

Também quer ridicularizar Paulo VI?
O que quer você, Anónimo?

Anónimo disse...

Desculpe la mas nem vou entrar em dialogo consigo neste assunto. O que quero eu? Nada, mas você não entendeu? se eu citei um papa é porque o que ele diz é uma perspectiva correcta de abordar o tema mais nada. Acho infantil o que o senhor diz deste tema mais nada, mas isso sou eu, deve ter aqui muitos apoiantes neste assunto. Quanto ao padre amorth diz ele:

(“Um exorcista está habituado a ver fenômenos estranhos em grande quantidade e de tal maneira que se não os tivesse visto não acreditaria neles. Como, por exemplo, pessoas que durante os exorcismos cospem pregos, vidros, madeixas de cabelos, as mais variadas coisas.

Ou, então, a presença, em travesseiros ou colchões, de ferros retorcidos, de cordas com nós, de trançados muito apertados em forma de terço, de animais pré-históricos feitos de material semelhante ao plástico... O caso mais grave que estou acompanhando é o de uma pessoa de quem o demônio disse que fará vomitar um aparelho de rádio; já vomitou quase dois quilos de material. “)

eh. eh. eh.

O acreditar em historias de ficção tipo harry potter é que é perigoso, Eu vou pedir um radio vomitado, mas tem que o limpar, é mais barato que comprado, Divirta-se.

Anónimo disse...

pediam para serem julgados pela Inquisição (em vez do poder jurídico local) porque sabiam que teriam julgamentos mais justos


gostei desta

Gustavo disse...

"Um exorcista está habituado a ver fenômenos estranhos em grande quantidade e de tal maneira que se não os tivesse visto não acreditaria neles."

Está claro que o anônimo não viu, e mesmo assim quer um rádio...

hehehe

Agora, só entre nós, quantas histórias estranhas a ciência presenciou e não foi capaz de explicar?
Além do mais, é cientificamente impossível cuspir pregos, madeixas de cabelo e vidro?

Anónimo disse...

Ò gustavo, claro que é possivel, o homem até explica: o maligno é capaz de tudo.
O que a cicencia faz de positivo, é explicar fenómenos racionalmente, mas atenção nós aqui estamos a falar do maligno, eu já acredito e as minhas expectativas subiram, ja quero um rolls royce.
O que eu nunca julguei é que na época em que vivemos, pois sim, houvesse ideias destas e crenças destas, que agradaveis surpresas. A diversidade existe.

Anónimo disse...

Isto sem humor não vai lá

Espectadores disse...

Caro Anónimo,

«A diversidade existe.»

E que bom que isto é, não é?
Assim alguns de nós podem, realmente, meter a cabecinha de fora da caixa dos preconceitos em que a carneirada acredita.

A si, não sei se é crente ou não, alguém ensinou a catequese positivista e materialista. Pois então faça bom proveito dessa propaganda!

Se um cristão duvida de que o demónio possa materializar objectos, então pode, facilmente, começar a duvidar de outras coisas: de Jesus andar sobre as águas, das curas milagrosas de Jesus e dos apóstolos, da assunção de Nossa Senhora, etc... Uma vez que se entra na rampa positivista e materialista, só se acaba no ateísmo.

Boa sorte!

PS: Eu, felizmente, não sofro da doença de São Tomé.

Anónimo disse...

Felicidade plena, o que seria se todos fossemos rebanho. Agora vou ser sério e acabar, tenho duvidas que uma mente culta, esclarecida, acredite no diabo, no inferno, nos exorcismos, tal como o senhor os diz, e não metaforicamente. Se assim for, pois que bom a diversidade, é para isto que existe, não somos iguais e ainda bem cada qual com a sua idiossincracia. Quem nunca viu as possessões em directo das igrejas universais sem catecismo ou com catecismo. Estão no seu direito ou tem menos por causa disso. Eu também não sofro da doença de s. tomé sabe, mas há coisas que não entram no meu “caco” se não forem racionalmente compreensiveis, não é por estarem escritas que são para mim provas da verdade, não é que não existam não digo isso, mas que sejam razoavelmente compreensiveis. Muito do que o senhor diz nesta area e o tal exorcista, bem só com algum humor eu consigo digerir, mas que quer sou eu que sou assim, os meus avós ja acreditavam em tudo que o padre dizia. Palavra da fé.

Espectadores disse...

Caro Anónimo

Noto, e agradeço, uma mudança de tom nos seus comentários com este último, em que já exibe uma atitude mais simpática e mais dialogante.

«tenho duvidas que uma mente culta, esclarecida, acredite no diabo, no inferno, nos exorcismos, tal como o senhor os diz, e não metaforicamente.»

O que interessa não é a mente culta ou esclarecida. Está a montar uma falácia "ad hominem", ou seja, está a avaliar a mensagem pelo mensageiro: você diz assim, "se fulano A é culto, então não acredita em fenómeno B". Que lógica tem isso?

A discussão não deve partir daí, isso é bizarro. A discussão deve partir: "fenómeno B é real ou inventado?", ou talvez "fenómeno B é real, mas tem explicação natural?".

«mas há coisas que não entram no meu “caco” se não forem racionalmente compreensiveis»

Já somos dois! Desde que me deparei com os testemunhos do Padre Amorth (que para mim tem credibilidade) que não páro de pensar numa possível explicação racional (mesmo que sobrenatural) para isto.

NOTA: Sim, uma explicação sobrenatural pode ser racional. Só o positivista materialista é que acha que as explicações racionais são todas naturais.

Mas aqui, há dois aspectos a destacar:

1) O aspecto da fé: o crente cristão tem a obrigação de aceitar a totalidade da doutrina cristã, que inclui necessariamente a existência do Diabo, e a sua acção sobre o Homem; logo, todo o cristão coerente acredita nessas verdades da fé, que se integram com todas as outras, e que são indispensáveis para manter a doutrina coesa e coerente; exemplo: se o Diabo não é real, então Cristo não veio fazer nada à Terra

2) O aspecto da razão: diz, e bem, que era importante tentar encontrar uma explicação racional para os estranhos fenómenos relatados pelo Padre Amorth e por outros exorcistas credíveis, mas:

a) antes de mais, é essencial sobretudo tratar das pessoas, e o Padre Amorth diz isso de forma clara: ele não acreditaria nesses fenómenos estranhos se não os visse, mas ele não os quer explicar: quer apenas ajudar as pessoas afligidas por esses males, e ele constata, pelo exercício do exorcismo, que o exorcismo realmente atenua, ou elimina mesmo, esses fenómenos; ou seja, há uma validação empírica da eficácia do exorcismo, e é preciso olhar para ela

b) é tão importante procurar explicar racionalmente a verdade destes fenómenos, como seria procurar explicar a sua falsidade; se você acha isto tudo uma treta, não está ilibado da obrigação de explicar racionalmente o que se está a passar; no mínimo, explique porque é que, na sua opinião, o Padre Amorth é, ou um mentiroso, ou um iludido (há outras explicações naturais?)

Uma última nota: um padre amigo meu, em quem confio a minha vida se necessário, testemunhou-me um exorcismo no qual ele participou, a uma rapariga da província, que teria uns doze anos: assim que começa o exorcismo, a rapariga começa a falar latim fluente com o sacerdote. A rapariga tem ataques estranhos e violentos. Os ataques, bem como os estranhos fenómenos de glossolália (falar em línguas), cessam rapidamente. O que pensar disto?

Vamos dizer aos exorcistas para pararem, deixando as pessoas sem ajuda? Se os exorcistas (e as testemunhas) não mentem, é justo deixar as pessoas sem essa ajuda, só porque o mundo moderno tem uma filosofia materialista que não permite explicar estes fenómenos, que apelam para realidades imateriais?
Por causa de uma filosofia deficiente, deixamos as pessoas afligidas por estes males sem ajuda? Gozamos com o exorcista, que realmente ajuda pessoas, mesmo que não concordemos com a explicação que a Igreja dá para o que ele faz?

Cumprimentos

Anónimo disse...

“O que interessa não é a mente culta ou esclarecida”.

Pare, pare, pare, já disse o que tinha a dizer, eu não engulo sem mastigar primeiro.

Esta conversa não leva a nada, escusa de vir com silogismos feitos à medida para provar a sua lógica,

Primeiro ponto, não acredito no inferno
Segundo, não acredito no diabo
Terceiro, não acredito em possessões

A partir daqui só admito que se fale nisto metaforicamente. É a realidade, são as pessoas nefastas, más influencias, somos nós e os nossos vícios, nós e as nossas fraquezas que somos tudo isso: inferno, diabo, e possuídos. Não há ninguém para além de nós a comandar-nos. O meu pensamento ao contrario de si não esta condicionado pela fé, é livre.

Passe bem.

Gustavo disse...

Duas coisas:
1 - não respondeu minhas questões
2 - está a confiar e a depender da palavra do diabo para ter seu rádio ou seu rolls royce

Sim anônimo, é para rir mesmo!

E depois vem dizendo que não quer mais conversa, que já disse o que tinha que dizer.
Com a prontidão que tens em responder, percebemos o quanto é coerente.

Nuno disse...

Anónimo, ainda não percebi onde é que está o seu problema.

Pense apenas nisto: é preciso um lugar para o homem que decide rejeitar Deus para sempre (porque tem liberdade poderosa o suficiente para o fazer). Percebeu? E não o pense como um realidade física espacio-temporal, é uma realidade teológica.

Não está a tomar a devida atenção, por isso eu repito: o homem tem força suficiente para repudiar Deus, para sempre. Entende? Só esta frase diz mais da antropologia do que muito sistema pseudo-filosófico pós-moderno. É realmente possível diante da Luz escolher a Escuridão (exemplos disto chegam até nós todos os dias, no mais prático do nosso quotidiano).

Demore-se, peço-lhe, a mastigar esta frase.

Anónimo disse...

Bem, lá vem um nuno e um gustavo com as suas dúvidas existenciais e verdades teológicas, antropológicas e outras coisas que tais, só por falar em verdade teológica já diz muito. A ver se entendem a minha posição de vez.

Os lideres espirituais dos hebreus realizaram o que outros antes deles jamais tinham tido êxito em fazer, eles desantropomorfizaram o seu conceito de deus sem converte-lo numa abstração da deidade, compreensível apenas para os filósofos. O conceito da personalidade de deus, era já vago e nebuloso na época da fuga do Egito e só evoluiu gradualmente na mente hebraica, de geração para geração, como uma resposta ao ensinamento dos líderes espirituais. Os judeus amavam a justiça, a sabedoria, a verdade e a rectidão como poucos povos o fizeram, mas eles contribuíram menos que todos os povos para a compreensão intelectual e para o entendimento espiritual dessas qualidades divinas. Embora a teologia hebraica se tenha recusado a expandir-se, teve um papel importante no desenvolvimento de duas outras religiões mundiais, o cristianismo e o maometanismo.

O infortúnio era um grande factor nas vidas dos homens e mulheres primitivos que viviam constantemente no limite incerto de uma existência precária e acossada. O homem primitivo não alimentou ideias de um inferno, nem de punições futuras. O selvagem via a vida futura exactamente como via esta, menos com toda a má sorte que tinha tido neste, ainda hoje é assim, os desgraçados nesta vida esperam a recompensa na outra. Mais recentemente surgiu, um destino diferente para os bons espíritos e para os maus espíritos, o céu e o inferno foi concebido. As culturas clássicas falam no Hades.

A condenação eterna não é obra de deus, mas apenas o resultado das nossas acções actuais. Demore-se o tempo que quiser a digerir esta frase. Centrando o destino eterno da alma nas boas ou más obras presentes ou de súplica futura, reduz-se a questão da eternidade a um mero estado de espírito ou condição de vida, negando a existência real e física dos lugares do céu e inferno. A primeira vez que a palavra inferno aparece significava o lugar para onde iriam todos os mortos, tanto os bons quanto os maus. Não é o conceito que temos hoje dessa palavra, foi modificado após a influência cultural dos persas, passando a ser um lugar só para os maus. Na bíblia protestante, curiosamente, aparece em maior número de vezes, está aí a razão de se falar tanto nele nesse meio.

Por que motivo deus, ao instituir os dez mandamentos, não disse que iriam para o inferno todos que não os cumprissem. Não seria esse o momento para criá-lo?. Por outro lado, isso não seria uma injustiça? Afinal, os que viveram antes desse código de leis não tinham o inferno como castigo, somente os que vieram depois. Justiça deste tipo só mesmo produzida pela ignorância humana, que ainda não percebeu que deus não faz acepção de pessoas. Ora, as penas instituídas aos infractores nada têm a ver com inferno, mas com situações terrenas, ou seja, todas elas estão relacionadas com coisas do dia a dia. Isso prova que o inferno, na verdade, é uma criação humana.Se ler o livro dos mortos, dos antigos egipcios pelo menos também vai perceber o que será necessário para não ir para o inferno quando morrer. Até mesmo porque se deus não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira, não se pode falar em inferno eterno.

A crença do diabo está intimamente ligada a do inferno, A figura do diabo ou seja, a personificação do mal, o inimigo de deus, torna-se significativamente saliente no período cristão. Nas sociedades politeístas os deuses não eram bons nem maus, eram apenas deuses, apenas divindades. Inclusive para os hebreus, o mal não tinha uma representação.

Anónimo disse...

Basta observar o ritual em que se expiavam os pecados, que era o sacrificio de animais. Somente na era cristã é que se criou a imagem do mal. Personificou-se em um anjo caído, um anjo que traíra deus. Lúcifer. Isso é percebido nas sagradas escrituras. No velho testamento, que representa o período pré-cristão, o mal vem sempre em formas diversas. A cobra no paraíso, por exemplo. Já no novo testamento, as referências a satanás, lúcifer, demónios, etc., aparecem frequentemente

Na expansão do cristianismo, a imagem do diabo era atribuída às divindades pagãs. Como o deus celta cornudo que tem chifres ou o deus pã, por exemplo. Esta foi a forma da igreja católica romana, que desejava ser herdeira do império romano, de cristianizar os povos ocidentais. Posteriormente algumas divindades pagãs transformaram-se , para os católicos, em divindades cristãs. Na idade média, o cristianismo passou a ser a religião dominante, o clero era quem escrevia a ordem social e económica. Esta ordem e suas características vieram a fortalecer a figura do deus senhor, Aí é que se fortalece a imagem de um anjo traidor representante do mal. Tudo de ruim que acontecesse na vida das pessoas e da sociedade era atribuída a obra do traidor, isto é, do diabo. A única forma de escapar dos desígnios de lúcifer é através da igreja. A sociedade cristã dualizou, antagonizando praticamente tudo que diz respeito a natureza: bem e mal, luz e trevas, As imagens do inferno, do diabo, dos demónios serviam como forma de repressão e regulador social. Fazer com que os fiéis temessem as forças diabólicas e o inferno.

No período medieval, podemos começar dizendo que quem detinha o monopólio da comunicação com deus era o clero. Isto é, somente através da confissão ao padre e das penitências aplicadas por estes que se poderia redimir dos pecados. Era o clero cristão que poderia livrar os pecadores das garras do diabo através dos exorcismos e, mais tarde, através dos tribunais do santo ofício, a santa inquisição. O que fazia dessa classe, o clero, a classe mais poderosa da época. Monarquias clericais emergiram. O sacro império romano germânico dominou o mundo ocidental. A igreja era a salvação da terra.

Bem meus caros, o que esse padre amorth podia fazer, era filmar, mostrar as tais possessões e vomitanços, que assim a gente até podia dizer que era cinema mas sempre tinha mais algo em que acreditar, assim só vemos envelopes cheios de ferragens, óptimo sócio para uma casa de ferragens, Depois temos outro problema dizem que temos que acreditar, ok, porque não em bruxas, óvnis, necromantes, esse padre é sugestivo a necromancia, enfim se vamos por aqui é como diz o Bernardo, porque é que devemos por travões.

Eu acredito no que as pessoas dizem. Tivemos um bruxo de fafe a fazer magia branca pelo ronaldo, um bruxo espanhol a fazer magia negra contra o ronaldo e o pobre do ronaldo e os médicos enlaçados e dependentes deste duelo entre magias, temos uma alexandra solnado que fala com deus, temos indivíduos com sintomas psiquiatricos que tem visões, claro que eu acredito que estas pessoas falam verdade, e que vêem o que dizem ver pelo menos para elas, isso é verdade. Agora quererem-me convencer que isso é a realidade e eu também tenho que acreditar, vai um passo muito grande.

Desculpem lá, mas parece que estou a discutir com adolescentes, já disse a minha posição.

Primeiro - não há inferno.
Segundo - não há diabo.
Terceiro - não há possessões.

Estas coisas são próprias da ritualidade católica. Acreditam, bom proveito, espero que façam bem as digestões e não vomitem nunca as tais coisas que o padre exorcista diz. Em pleno século XXI estamos cheios de ingénuos supersticiosos cheios de medo de bichos papões como diabos infernos e possessões. Há uma frase da bíblia muito sugestiva conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Anónimo disse...

Só esqueci de fazer a citação do livro, mais tarde trarei.

Ilídio Barros disse...

Anónimo,

O que é a Verdade?

Anónimo disse...

O que é a verdade? boa pergunta nem cristo soube responder quando interrogado sobre isso por pilatos. Provavelmente tirando as leis fisicas e matemáticas universais, nunca encontrara uma verdade absoluta mas tente, é a velha busca da humanidade.

Ilídio Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ilídio Barros disse...

Anónimo,

"boa pergunta nem cristo soube responder quando interrogado sobre isso por pilatos"

Não terá sido Cristo, a questionar Pilatos quanto ao significado da palavra "Verdade"?

"Provavelmente tirando as leis fisicas e matemáticas universais, nunca encontrara uma verdade absoluta..."

Um Cristão não pode ter duvidas quanto a duas questões:

1º O ser humano é intuitivo (razão e coração) por natureza e portanto pode conhecer a verdade.

2º Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Nota: É por isso, por exemplo, que o Cristão sabe que o Inferno ou o Demónio existem, porque ao ler a Bíblia, ele encontra as seguintes palavras (proferidas por Cristo):

“Se tua mão te faz cair, corta-a. É melhor entrar na vida com uma só mão que manter ambas as mãos e ir para a Gehenna com seu fogo inextinguível” (Mc 9,43)

“afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos (Mt 25,41)

Um abraço.

Anónimo disse...

Não foi cristo, pilatos é que perguntou o que é a verdade, coisa a que cristo não tinha resposta a não ser a sua própria verdade subjectiva, eu sou o caminho a verdade e a vida.

O ser humano é intuitivo por natureza coração e razão e portanto pode conhecer a verdade, pois é, voce tem a receita que a humanidade ainda não tem, qual verdade? acreditar como voce diz no inferno no diabo em possessões, pois é qual verdade,a catolica? onde esta essa verdade intuitiva universal?

Segundo, se acredita no diabo no inferno e em possessoes ja chegou tarde, ja escrevi muito sobre isso, e o que eu tenho a ver com isso.

E só pssso dizer que fazem mais pelo obscurntismo que tudo o resto, já fiz um comentário la em cima onde dei um exemplo entre muitos da ignorância em que vocês com os textos que servem a vossa argumentação mergulham as pessoas.

Esse espirito no passado levou a perseguiçoes e fogueiras, vocês no passado fizeram fugir inteligências e capital deste país por causa das suas ideias, e que brilharam intelectualmente em paises nórdicos como holanda belgica etc onde não eram perseguidos nem importunados, vocês contribuiram para muito do nosso atraso cultural e mental,e nos dias de hoje ainda continuam com crendices e mais crendices.

Olhe eu ja afirmei no que escrevi, que não tenho problema nenhum com o que voces dizem, mas a verdade é que muita da sociedade ainda acredita nessaa crendices. Pois seja, e olhe continuem.

Ilídio Barros disse...

Anónimo,

"Não foi cristo, pilatos é que perguntou o que é a verdade..."

Tens razão, apenas queria dizer que indirectamente é Cristo que nos dias de hoje nos faz esta mesma pergunta, e que leva, por exemplo, o "anónimo" e eu a afirmarmos que o teorema de Pitágoras é uma verdade absoluta...

Cumprimentos.

Carlos Eduardo disse...

"Provavelmente tirando as leis fisicas e matemáticas universais, nunca encontrara uma verdade absoluta mas tente"

Safou por pouco. "Provavelmente", "provavelmente"...

Anónimo disse...

Mas para mim não é provavelmente, é objectivamente. as leis físicas e matemáticas que se aplicam em todo o universo, são universais não dependem da crença ou da verdade de cada um, impõe-se por si mesmas como absolutas e universais, o resto, provavelmente é a verdade subjectiva de cada um. O eu falar em provavelmente, foi para incluir estas verdades subjectivas que dependem de cada um, e da adesão de cada um, não são nem absolutas nem universais, e por isso não são verificáveis fora da crença de cada um, verdades perfeitamente valida mas subjectivas, que podem ser perigosas quando se tenta passar o provavelmente subjectivas ou seja o teorema de pitágoras é uma dessas verdades, eu sou o caminho a verdade e a vida e uma verdade subjectiva, e como vocês e a vossa verdade há 6 biliões de seres com a mesma ideia de que é "certo", aquilo que eles acham certo. A verdadeira maturidade intelectual consegue-se alcançar quando se perceber que a nossa particular verdade e moralidade não é universal.

Vejamos o nosso passado histórico, como um massacre em Lisboa

(“A esta turma de maus homens, e dos frades, que sem temor de Deus andavam pelas ruas concitando o povo a esta tamanha crueldade, se ajuntaram mais de mil homens da terra, da qualidade dos outros, que todos juntos segunda-feira continuaram nesta maldade com maior crueza, e por já nas ruas não acharem cristãos-novos, foram cometer com vaivéns e escadas as casas em que viviam, ou onde sabiam que estavam, e tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes........ Neste dia pereceram mais de mil almas, sem que na cidade alguém ousasse de resistir, pela pouca gente de sorte que nela havia por estarem os mais dos honrados fora, por causa da peste. E se os alcaides, e outras justiças, queriam acudir a tamanho mal, achavam tanta resistência, que eram forçados a se recolher a parte onde estivessem seguros, de não acontecer o mesmo que aos cristãos-novos”)

Aqui sim ve-se a verdadeira natureza da nossa verdade , aqueles detentores de uma "verdade absoluta universal", que lutam contra o mal em nome do bem, de deus, e do que esta nos textos sagrados matam impiedosamente. Todos estes que proclamam a virtude, identificando-a com a sua maneira de ver o mundo. Gente perigosa esta, se tiver poder.


A Inquisição criada depois da divisão da igreja romana universal e católica para combater e punir as heresias, as bruxarias e as manifestações contrárias ao catolicismo, acaba por ser utilizada como instrumento da política absolutista, tendo só sido suprimida pelas cortes constituintes em 1821. Quando foi instalada em Portugal tinha como objectivo defender a fé e a doutrina católica. Mais tarde passou a intervir na defesa da moral convencional, ou seja, apropria-se de casos da competência dos tribunais seculares e crimes como sodomia, bigamia, adultério, feitiçaria, porque existia heresia implícita nestes "crimes". D.João III deu autorização à inquisição para inquirir sobre pessoas culpadas de pecado nefando, pecado feito contra a ordem natural da função reprodutora do homem. A perseguição aos homossexuais atinge o seu auge no séc.XVIII. Portugal, comparando com a espanha, não foi muito sanguinário em relação a este "crime".

Anónimo disse...

Nas acusações Os denunciantes eram sobretudo as criadas, denunciam os patrões devido a conflitos de ordem monetária, e os vizinhos. As profissões liberais eram geralmente mais atingidas que os elementos administrativos, principalmente médicos, cirurgiões e boticários, porque tinham maior independência económica, social e mental, rivalidade entre cristãos-novos e cristãos-velhos no exercício dessas profissões agravava a situação. Sendo os primeiros geralmente melhor sucedidos, talvez porque utilizavam técnicas mais avançadas e mantinham contactos com comunidades judaicas estabelecidas no estrangeiro, os cristãos-velhos sentiam-se em desvantagem. Os médicos cristãos-novos eram acusados, sobretudo, de judaísmo; os cristãos-velhos de superstição, blasfémia, feitiçaria. A feitiçaria era outro dos "crimes" acusados, recorria-se à feitiçeira na expectativa de concretizar desejos irrealizaváveis, condenados socialmente, existiam também acusações de proposicões, ou seja, blasfémias contra as verdades do dogma, críticas ao comportamento da Igreja como instituição e sacrilégio.

O clero tinha um papel muito importante: participava na formação religiosa e moral da comunidade, isto é, informava sobre o que era pecado e o que se podia ou não fazer, especialmente no campo do sexo. Havia uma grande distinção entre classes, as mais altas, os nobres, poucos eram denunciados e muitas vezes essas denúncias eram censuradas ou arquivadas. O comportamento do tribunal também se adequava à condição social do réu. E escrevem-se coisas hoje em dia em posts, tais como, as pessoas preferiam ser julgadas pela inquisição porque era mais benevolente, sim, era se torturado por indicação médica, dizendo até que ponto havia resistencia fisica do condenado, (a), morria-se com o traje de s. benetino, em procissão, numa fogueira, em vez de morrer com o pescoço partido fora das vistas da populaça. As pessoas eram é masoquistas até na hora da morte.

Quase três séculos da nossa história, chegamos à triste conclusão que ela foi responsável pelo atraso e pela decadência portuguesa, quer no campo económico, porque saíram do país grandes homens de negócios, quer culturalmente, porque apesar de se terem distinguido alguns grandes nomes, apesar da censura ser bastante pesada, não houve mais avanços nos outros campos, enquanto que por toda a europa o séc.XVII foi o século da ciência, da técnica e das artes, o humanismo, que atravessou toda a europa, fazendo um corte com o passado e colocando o homem no centro do mundo, quase não se sentiu em portugal. Mas sim surgiu outra coisa aque esta ainda nas mentalidades, um espírito de intolerância, de denúncia, de ódio impregnou-se no espírito de grande parte dos portugueses e levou-os a perseguir, denunciar, e a praticar actos vergonhosos,e pidescos. A inquisição foi um dos actos mais infames da história da humanidade, em nome de deus e da verdade dos textos sagrados.

Ilídio Barros disse...

Anónimo,

"O ser humano é intuitivo por natureza coração e razão e portanto pode conhecer a verdade, pois é, voce tem a receita que a humanidade ainda não tem, qual verdade?"

Porque o caminho para a verdade é uma experiencia, só tens que pôr em prática as seguintes palavras:

"Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele" Jo14,21

"...o resto, provavelmente é a verdade subjectiva de cada um."

Pensamos de maneira diferente...

Um abraço!

Anónimo disse...

Quando conseguir transformar isso numa verdade objectiva diga, e va anuncia-la pelo planeta para testar a receptividade

Carlos Eduardo disse...

"são universais não dependem da crença ou da verdade de cada um, impõe-se por si mesmas como absolutas e universais,"
Não dependem de crença????
Impõe-se por si mesma?? No estilo "você não precisa crer"?

"não são nem absolutas nem universais, e por isso não são verificáveis fora da crença de cada um"
Sim, havia esquecido por completo que todas as leis físicas foram verificadas, e mais que isso, temos a certeza que estão corretas e serão corretas para sempre.

Ao passo que os cientistas caminham no sentido oposto, você aparece aqui e diz que são absolutas.
Chalmers
"por maior que seja, o número de observações ou experimentos é sempre limitado. Em virtude desta limitação, as conclusões devem ser consideradas não como certeza absoluta, mas como provavelmente verdadeiras”
A. F. Chalmers, O que é ciência afinal?, Brasiliense, São Paulo, 2000.

Mlodinow:
"Qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido de ser apenas uma hipótese: nunca é possível prová-la. Não importa quantas vezes os resultados dos experimentos estejam de acordo com alguma teoria, você nunca poderá ter certeza de que, na próxima vez, o resultado não a contradirá. Por outro lado, você pode desacreditar uma teoria encontrando uma única observação que seja discordante de suas previsões."
Stephen Hawking & Leonard Mlodinow, Uma nova história do tempo, Ediouro, Rio de Janeiro, 2005

Stewart:
"Nunca se pode ter certeza de que uma teoria é absolutamente correta, ainda que ela resista a um milhão de testes experimentais; pois – quem sabe? – poderá fracassar no milionésimo primeiro. Assim, às vésperas do 3º milênio d.C., os cientistas começam a abandonar a busca da verdade [...]. Estamos aprendendo, de maneira penosamente lenta, a não nos levar demasiado a sério."
Ian Stewart, Será que Deus joga dados?, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1991

De qualquer forma agradeço seus comentários, é sempre interessante ver como as pessoas depositam fé apenas na ciência, mesmo mal a conhecendo, e dizem que errados são apenas os outros.

Anónimo disse...

("são universais não dependem da crença ou da verdade de cada um, impõe-se por si mesmas como absolutas e universais,"
Não dependem de crença????
Impõe-se por si mesma?? No estilo "você não precisa crer"?)

Errados são apenas os outros, eu disse semelhante coisa, eu explico.

Mas é que é verdade, não dependem da crença de cada um, quanto muito podemos falar que dependem da instrução que cada um teve, mas essas leis funcionam sempre independentemente da nossa crença ou vontade e da nossa ignorancia, sermos católicos muçulmanos hindus etc. não altera em nada esta essência, Um sujeito pode lançar-se de uma janela pensando na sua crença que vai voar, a verdade é que de todas as vezes que se tentar nos vamos esborrachar, isso é uma verdade universal.

O meu caro não me interessa discutir mais nada neste assunto caso arrumado, mas você não me vai dizer que as leis da gravidade por exemplo dependem da crença ou leis matemáticas aplicadas na terra ou no universo, porque então esta a dizer uma grande mentira se quiser dizer que tais leis só são verificáveis e aplicáveis se nos crermos,se nós não crermos não se aplicam porque vale o principio voce precisa crer, ora bolas. Nós podemos desconhece - las ignora- las mas elas não dependem de nos acreditarmos, da nossa falta de conhecimentos ou dos nossos estudos.

Fé apenas na ciencia? pois é um criterio, depositar a fé em algo objectivo, ou depositar a fé em algo que nos cremos que seja assim, mas apenas cremos, temos intuições, .se não crermos não vale, até pode não existir, é subjectivo, como deus, o diabo, o inferno, ou as possessões crê-se ou não se crê, e apoiamo-nos na biblia. Paciência.

Anónimo disse...

O senhor carlos eduardo desculpe la só mais uma coisa que me parece subentendida no seu comentario e me passou ao lado, para terminar de vez e esclarecer o meu ponto de vista.

Deu-me a impressão na leitura do seu comentario, que o senhor estava a falar de verdades cientificas “mutáveis”, mudam ao longo do tempo, do avanço do conhecimento, e do progresso tecnologico, de “verdades laboratorias” que passando pela tese, contestação, se manterão válidas até serem postas em causa por outras “novas verdades”. Eu não contesto isso, isso é o progresso cientifico, nessa prespectiva essa verdade é relativa, não absoluta, mas enquanto verdade realtiva e não posta em causa é objectiva e válida, tanto como a que a venha substituir, e para mim isto apesar de relativo vale mais que uma verdade filosofica ou religiosa, que depende sempre de crença.

Mas quando eu falei em verdades absolutas e universais estava a situar-me fora deste campo ( por isso eu usei a palavra provavelmente),porque eu estava me referindo aquelas verdades universais absolutas que não dependendo de crenças, nos permitem por homens no espaço, aviões pesadissimos a voar, navios a flutuar, ou como os engenheiros do titanic dizer depois do embate no iceberg, temos x horas para ir a pique. Isto não depende de ninguém existe constata-se, e “esmaga-nos”.