sábado, 28 de maio de 2011

15 de Maio de 2011: o rito antigo de volta a São Pedro!


Quando foi eleito para a cátedra de São Pedro, Bento XVI foi considerado por muitos como um papa de transição. Com seis anos de papado concluídos, Bento XVI não pára de surpreender, refutando os que o viam como um Papa meramente transitório entre João Paulo II e um futuro Papa mais novo (Joseph Ratzinger foi eleito Papa com 78 anos de idade).

No dia 7 de Julho de 2007, Bento XVI encerrou um capítulo doloroso para a Igreja, e escancarou as portas do futuro da liturgia romana, com a promulgação da Carta Apostólica Summorum Pontificum, na qual liberou o uso do rito antigo, agora chamado de "forma extraordinária" da liturgia romana, cuja última edição datava de 1962, durante o Papado de João XXIII. Digo doloroso, porque na esteira de reforma litúrgica que culminou com a publicação do novo missal (agora chamado de "forma ordinária" da liturgia romana) de Paulo VI, não foram poucas as pessoas que quiseram, desde então, manter a prática do rito antigo, enquanto este era abandonado um pouco por toda a parte. E, tragicamente, alguns grupos de católicos, por vezes chamados de "tradicionalistas", associaram a manutenção da prática desse rito à rejeição do Concílio Vaticano II. Alguns mais extremistas, rejeitando não só a reforma litúrgica e o Vaticano II, chegaram ao ponto de dizer que a Sé de Pedro estava vaga desde Pio XII, considerando hereges todos os papas posteriores (são os "sedevacantistas"). Estes movimentos, cuja desobediência a Roma varia em maior ou menor grau, afastaram-se da Igreja Católica, e o seu afastamento gerou feridas. Por outro lado, outros movimentos dentro da Igreja, cuja heresia modernista varia em maior ou menor grau, promovendo consciente ou inconscientemente uma erosão da liturgia (aliás, em contraste com as decisões do Concílio), geraram feridas de sinal oposto. Bento XVI está a colocar um ponto final em tudo isto, dando uma lição, quer aos "tradicionalistas" que desobedecem ao Santo Padre, quer aos hereges "modernistas" que têm promovido, no último meio século, a dissolução da tradição católica, nomeadamente da liturgia.

Bento XVI, em 2007, com a Summorum Pontificum, sarou essas feridas. Bento XVI não iniciou este processo, uma vez que João Paulo II já tinha dado passos importantes no sentido do que veio a ser a Summorum Pontificum (por exemplo, a Carta Apostólica Ecclesia Dei, de 1998). Mas Bento XVI levou o processo até ao fim.

Porque é que tudo isto é importante?
Alguns católicos julgam que isto não passa de saudosismos inúteis. Outros julgam que isto implica o regresso do latim à liturgia. Os equívocos são imensos. O missal de Paulo VI era em latim, e o rito ordinário previa o uso do vernáculo como excepção. Infelizmente, o vernáculo tornou-se regra, a tal ponto que hoje em dia o comum dos fiéis tem enormes dificuldades em pronunciar as mais simples expressões litúrgicas em latim. No espaço de meio século, os católicos praticamente perderam um património litúrgico multissecular, quer simbólico, quer pictórico, quer arquitectónico, quer musical, quer textual, quer gestual.

A depredação litúrgica que se seguiu ao Vaticano II não consistiu numa obediência a esse grande concílio, mas sim numa traição ao mesmo. Hoje em dia, as nossas liturgias estão marcadas pela banalização de gestos espúrios à tradição católica, confusões infindáveis acerca do papel dos leigos e do sacerdote na liturgia, e emprego de formas musicais de tão má qualidade, e de origem tão pouco sacra, que se tornou impossível reconhecê-las como música litúrgica. Deitámos fora um tesouro.

Bento XVI está a recuperar esse tesouro, que todos nós deitamos na lixeira há meio século atrás. Esta recuperação ficará na História como uma das marcas mais indeléveis do seu papado. Mantendo a fidelidade ao Concílio Vaticano II, e à reforma litúrgica que culminou no Missal de Paulo VI (afinal de contas, o rito ordinário, ou seja, principal da liturgia romana), o actual Papa trouxe de volta o usus antiquior, e com ele voltou todo o esplendor litúrgico dessa tradição. Como o Papa explica, a forma ordinária da liturgia romana pode ser enriquecida com a prática da forma extraordinária, e vice-versa. É precisamente a mesma hermenêutica da "reforma na continuidade", aplicada agora à liturgia, que Bento XVI tem aplicado de forma incansável em defesa da correcta leitura do Vaticano II.

Os velhos do Restelo dirão que a forma extraordinária é antiquada. Mas, um pouco como dizia o Chesterton, há algo de curioso acerca das coisas consideradas antiquadas pelos que se acham "modernos". Se uma coisa sobrevive tempo suficiente para ser considerada antiquada pelos "modernos", é porque tem certamente mais valor do que outras coisas que nem sequer sobreviveram para receber esse epíteto dos bem-pensantes do nosso tempo.

Aqui em Portugal, não tem faltado resistência à Summorum Pontificum. Dizem-nos que é porque os portugueses não estão interessados na forma extraordinária, ou porque já se esqueceram do latim. Uma curiosa ironia, visto que, como referi atrás, o rito ordinário, o de Paulo VI, prescreve o latim como norma. Ou seja, os guardiães do rito ordinário não o têm aplicado bem, o que teve com consequência a óbvia erosão da cultura litúrgica dos fiéis. No entanto, cresce de dia para dia o número de católicos desejosos de conhecer e de viver essa experiência litúrgica multissecular que é a forma extraordinária do rito romano.

Na Summorum Pontificum, Bento XVI propôs um período de três anos para se avaliar a eficácia da sua aplicação e para se debaterem eventuais dificuldades. Passado esse período, e depois de realizados três Congressos dedicados ao tema, a Comissão Pontifícia Ecclesia Dei assinou, no passado dia 30 de Abril, a instrução Universae Ecclesiae, tornada pública a 13 de Maio, uma data que certamente não é uma coincidência.

Este documento torna definitiva a liberalização do rito antigo para todos os fiéis que o pretenderem, esclarecendo certos termos e expressões da Summorum Pontificum que tinham recebido interpretações erradamente restritivas. Aguardo com grande expectativa a primeira missa segundo o usus antiquior aqui em Lisboa. Será certamente algo de admirável e memorável!

No passado dia 15 de Maio, quase meio século depois, a forma extraordinária do rito romano regressou à Basílica de São Pedro. Uma data histórica! Foi celebrada Missa Pontifícia no Faldistório, no altar da Cátedra, pelo Cardeal Walter Brandmüller. O facto de ter sido o Cardeal Brandmüller a celebrá-la enche-me de imensa satisfação. Trata-se de um grande historiador, um dos maiores especialistas em história conciliar, e um dos braços direitos de Bento XVI na defesa da interpretação do Concílio Vaticano II segundo a hermenêutica da continuidade, e contra a hermenêutica da ruptura, que pretende fazer do Vaticano II um Concílio contra todos os anteriores. Brandmüller é um dos mais recentes cardeais do Colégio Cardinalício (20 de Novembro de 2010), mas a sua obra publicada é há muito conhecida dos que se interessam por certos temas importantes da História da Igreja, como sejam o caso Galileu, o papel da Igreja Católica na Segunda Guerra Mundial, ou a história dos Concílios.

52 comentários:

Nuno CB disse...

E mais, Walter Brandmuller foi criado Cardeal com mais de 80 anos o que, aos olhos de muitos, não faz sentido nenhum, porque não vai poder votar no conclave.
Felizmente o Santo Padre sabe o que faz.
Rezemos pelo Papa que, nos seus aposentos privados, celebra a Santa Missa na forma ordinária do rito romano em latim (resta saber se não há um ou dois dias por semana em que a celebração é na forma extraordinária! hehe)

Bom post. Boas notícias.

Lopo disse...

Grande Post.
Nuno que sabes que eu nao sei sobre "nos seus aposentos privados, celebra a Santa Missa na forma ordinária do rito romano em latim (resta saber se não há um ou dois dias por semana em que a celebração é na forma extraordinária! hehe"
já agora uma dúvida aposentos nao seram sempre privados?
O papa celebrará nos aposentos ou na sua capela? ;) A capela pertence aos aposentos?
abrçao

Anonimo disse...

Ah e o rito bracarense? querem ver que ninguém conhece.

joaquim disse...

Caro Bernardo

Concordo com muitas coisas que aqui escreveu.

Não concordo com isto: «o vernáculo tornou-se regra, a tal ponto que hoje em dia o comum dos fiéis tem enormes dificuldades em pronunciar as mais simples expressões litúrgicas em latim.»

Eu sou desse tempo e já nessa altura «o comum dos fiéis tinha enormes dificuldades em pronunciar as mais simples expressões litúrgicas em latim.»

E sobretudo não fazia a minima ideia do que estava a dizer.

Eram Missas de entrar calado e sair mudo.

Era "ridiculo", este é o termo, ouvir cantar por exemplo o "Tantum Ergum", pois as palavras não eram palavras, eram apenas sons parecidos com as palavras em latim o que tornava o cântico numa sem sentido.

Há uns tempos a minha mãe, (ainda viva nessa altura), pediu-me para com um meu irmão, cantarmos o Tantum Ergum, para um Bispo nosso amigo, tal como o cantávamos em Fátima, quando adolescentes.

O Bispo riu até ás lágrimas, porque o latim eram apenas sons.

Nada tenho nada contra a Missa em latim e terei até gosto em dela participar, mas estou absolutamente de acordo com a Missa na língua vernácula.

Concordo que há exageros, sem dúvida, como os há naqueles que querem a Missa em latim apenas e só, e que como muito bem diz, não consideram os Papas a seguir a Pio XII, que morreu já uns anos depois de eu ter nascido.

Não me parece que este assunto, tratado com bom senso e discernimento, como o tem feito Bento XVI, constitua um problema para a Igreja, a menos que se tornar o mesmo numa espécie de "vitórias e derrotas", se bem me faço entender.

Um abraço amigo em Cristo

Nuno CB disse...

Caro Joaquim,
A oração chama-se Tantum Ergo e não Tantum Ergum.
O caso específico que referiu é exactamente o que é: um caso específico, que é o seu.

No meu caso sei pelas minhas avós que não era assim. Aliás, uma delas chegou a aprender latim na escola e outra sabe perfeitamente as respostas todas da Missa antiga bem pronunciadas e o que elas significam.

Lopo,
tens toda a razão. Referia-me à capela privada do Santo Padre.

joaquim disse...

Caro Nuno CB

Essa é uma opinião sua.

Eu sou "testemunha viva" das Missas a que assisti, (e coloco mesmo assisti), desde a mais tenra idade até ser introduzido o vernáculo, desde Lisboa até á provincia onde sempre passei as férias, com muita gente e não só comigo.

Com efeito estudava-se um latim incipiente, "misturado" com o Português, mas já no Liceu avançado.

Quantos Portugueses chegaram lá, naquele tempo?

Obrigado pela correcção do latim, que se deveu à pressa da escrita.

Um abraço

Lopo disse...

serao e nao seram. nuno era so brincadeirinha. mas cm e que sabes isso?
lopo

Nuno CB disse...

Caro Joaquim,
Disse: "Essa é uma opinião sua."

Não era uma opinião minha, apenas apresentei o caso das minhas avós.
O meu objectivo é mostrar que não se pode generalizar dessa maneira.

É que o Joaquim disse que "o comum dos fiéis tinha enormes dificuldades em pronunciar as mais simples expressões litúrgicas em latim".

Mas, tendo em conta os casos que eu conheço, poderia dizer exactamente o contrário.

Ou seja, eu não tenho dúvidas que muitas pessoas não sabiam pronunciar bem o latim, mas ao menos sabiam alguma coisa. O problema com a entrada do vernáculo fez com que nem mesmo a maior parte dos sacerdotes e bispos soubessem pronunciar bem o latim! (ainda que o novus ordo em latim possa ser celebrado)

Lopo,
Que o Papa celebra a Santa Missa em latim li numa entrevista do Zenit ao sacristão do Santo Padre, que pode ser lida aqui:

http://www.zenit.org/article-28041?l=portuguese (faz pesquisa da palavra "latim" e aparece logo)

Em relação à celebração na forma extraordinária, é apenas uma especulação, mas não considero que esteja longe da realidade!

joaquim disse...

Caro Nuno CB

Longe de mim estabelecer uma polémica em matéria de união e não de divisão.

No entanto permita-me que lhe diga que a generalização neste caso é bastante real.

Estudei em Lisboa até ir para a guerra e portanto, durante o tempo de aulas, assistia à Missa, sobretudo na Paróquia de São Mamede.

Em tempo de férias vinha para casa dos meus pais, no concelho de Leiria e, portanto assistia à Missa numa zona mais "rural".

Tanto num lado como no outro, a esmagadora maioria das pessoas sabiam as respostas em latim, muito mais pelos "sons", do que por saberem o que as palavras queriam dizer.

Aliás a instrução em Portugal nesse tempo era de dificil acesso.

Mas lembro-me bem também que para além desses escassos moemntos de "diálogo" entre sacerdote e fiéis durante a Missa, todas as outras orações eram pronunciadas em surdina pelo sacerdote, e os fiéis nem sequer as ouviam.

Também e muito pelo facto de que, mesmo que as ouvissem, não saberiam o que as mesmas queriam dizer.

Quanto ao problema de que hoje em dia os sacerdotes sabem pouco latim, ou pronunciá-lo sequer, dou-lhe razão mas isso advém, julgo eu, dos programas de ensino nos Seminários.

Agora, caro Nuno, digo-lhe sem qualquer receio de errar, que a utilização do vernáculo na Missa aproximou os fiéis e permitiu uma muito mais participada e vivida celebração.

Há exageros? Sem dúvida!

Corrijam-se e caminhemos em união e comunhão, como o nosso Papa Bento XVI nos exorta constantemente.

Um abraço amigo em Cristo

Rui A. disse...

Desculpem interferir na "discussão", mas tenho que dar razão ao Joaquim.
Se disser que só 10-15% da população portuguesa, na altura, saberia latim (actualmente estaremos nos 1-2%), não estarei muito longe da realidade.
Se haviam 75% de analfabetos até meados do séc. XX, como poderia ser diferente em relação ao latim?
E agora deixo mais umas perguntas:
Como o restabelecimento do latim na liturgia poderá unir uma comunidade que não o fala?
Passaremos a assistir a uma missa ou a participar?
Eu acredito em participar na missa, perceber o que é dito, agir em comunhão (com todos) e não sentir-me à parte/excluido, longe do processo, simplesmente assistir.
abcs em Cristo,
rui

Bernardo Motta disse...

Caros amigos,

Já tarde, intrometo-me na vossa discussão. Eu concordo, quer com o Joaquim, quer com o Nuno.

Explico-me. A posição do Papa Bento XVI não consiste, nem no abandono do latim (claramente, com a Summorum Pontificum, o Santo Padre apela para a recuperação do latim como língua sacra), nem no abandono do vernáculo (já previsto no missal de Paulo VI).

O Joaquim tem razão quando diz que muita gente, na altura, dizia os sons por imitação, sem fazer ideia do que dizia.

O Nuno tem razão quando diz que foi uma pena perder-se o pouco de conhecimento litúrgico que se tinha antes da reforma litúrgica de Paulo VI. Hoje em dia, perderam-se as coisas mais elementares. Pelo menos o ordinário da missa deveria ser sabido em latim por todos os fiéis.

E, hoje em dia, estamos em clara vantagem. O bom do vernáculo é que nos fez decorar a liturgia em português, e agora estamos em condições de entender melhor a liturgia em latim.

Como defende o Papa, a forma ordinária do rito romano pode alimentar a forma extra-ordinária, e vice-versa.

Como diz o Joaquim, eu não tenho nada contra o vernáculo: a compreensão do rito é essencial, e essa compreensão deve ser uma compreensão da letra, do simbolismo e dos gestos do ritual. Mas seria uma pena a perda do latim, e das formas litúrgicas do rito antigo, pois o latim é a língua oficial da Igreja Católica e do rito romano, e a forma antiga do rito tem a particularidade de ser património multissecular da Igreja.

Para além de tudo isto, vivemos num mundo plural, e é absolutamente essencial que se use o latim em liturgias de grandes multidões, pois o latim cumpre perfeitamente a função de colocar todos os povos de todas as línguas a rezar em conjunto.

Já tive várias vezes a experiência traumatizante de estar numa missa em francês ou em inglês, e de não conseguir rezar com a comunidade local. A existência, em todas as paróquias importantes, de pelo menos uma missa dominical segundo o rito antigo permitiria um melhor acolhimento aos católicos estrangeiros, em viagem ou em trabalho por outras paragens. E seria importantíssimo para os grandes eventos, com pessoas de várias nações.

Um abraço a todos!

joaquim disse...

Assino por baixo, caro Bernardo!


Um abraço para todos.

João "o discipulo amado" Silveira disse...

Nem me falem em latim, tenho exame quarta-feira! Rezem por mim (pode ser em latim ou vernáculo, desde que resulte!)

Bernardo Motta disse...

João,

Mas só só estudas linguas mortas? Quarta-feira é latim, na semana passada foi grego. Para quando, o exame de aramaico, de elamita, de amonita?

Abraço!

João "o discipulo amado" Silveira disse...

A culpa é da Igreja obscurantista, que usou essas línguas exóticas. Tudo seria mais simples se tivessem escrito tudo em português (respeitando já o acordo ortográfico).

JSarto disse...

De passagem por este excelente espaço, não pude deixar de ler estes comentários.

Parece-me que há aqui um notório equívoco, quero crer que apenas por mera falta de informação, de alguns comentadores: o Santo Padre não tornou obrigatória a assistência ao rito tradicional, nem baniu a utilização litúrgica do vernáculo; ao invés, determinou antes que é legítima a pretensão dos fieis que o desejem - pretensão que constitui um autêntico direito - de poderem assistir à celebração da Missa segundo o rito tradicional latino-gregoriano ou tridentino, devendo quem de direito acolher e satisfazer tal pretensão sem quaisquer entraves de má-fé, ao contrário do que sucedia até agora por muitas dioceses por esse mundo fora (entre as quais, infelizmente, a maior parte das portuguesas).

Possam, pois, os bispos e presbíteros nacionais estar à altura do que o Santo Padre lhes ordena, dando cumprimento ao determinado por este e manifestando, assim, uma verdadeira e efectiva comunhão com o Romano Pontífice.

Bernardo Motta disse...

Caro amigo JSarto,

Obrigado pela sua visita, e pelo seu comentário! O seu blogue é uma referência para mim há já largos anos. Bem-haja pelo seu trabalho!

Um abraço,

Bernardo

PS: Há certas pessoas na hierarquia eclesiástica, aqui em Portugal, que temem o efeito da aplicação da Summorum Pontificum, que será um forte antídoto contra a deriva modernista de boa parte da nossa igreja. Mas agora Bento XVI tornou a coisa definitiva, é inevitável, e é só esperar pelos seus frutos!

Anonimo disse...

Mas então como é que é isso, o ritual romano é bom é mau ou um mero capricho formalistico.O que traz de melhor para o funcionamento da igreja actual, ninguém diz nada. É que eu adoro rituais folclore....

JSarto disse...

Caro Bernardo Motta, antes de mais, muito obrigado pelas suas palavras, que me dão ânimo a prosseguir um trabalho muitas vezes penoso e nem sempre bem entendido.

Esqueci-me de referir, mas é importante salientar que é minha firma crença que se o rito latino-gregoriano fosse oficiado nas igrejas portuguesas em igualdade de circunstâncias com o rito paulino, ou ao menos com o destaque que o Santo Padre pretende que aquele tenha, no prazo de seis meses a dois anos o rito tradicional registaria um enorme acréscimo de novos fiéis, especialmente jovens, em detrimento do rito reformado, a exemplo do que tem sucedido no resto do mundo católico, e muitos outros fiéis menos jovens retomariam uma prática religiosa entretanto abandonada. Suponho, aliás, ser este o grande medo inconfessado de muito boa gente insuspeita no interior da Igreja…

Bernardo Motta disse...

Caro JSarto,

Estou plenamente de acordo consigo. Tenho uma pequena amostra disso mesmo, pois tenho falado com vários amigos, alguns mais novos do que eu, com interesse na forma extraordinária do rito romano.

Um abraço!

Bernardo Motta disse...

PS: Desde há uns meses que me juntei a um coro gregoriano (http://www.facebook.com/cantogregoriano?sk=info) e posso atestar o interesse e a aprovação que tal iniciativa tem gerado entre os fiéis.

Anonimo disse...

Vou ja estudar latim.

joaquim disse...

Meus caros amigos

Não me parece que nenhum dos comentadores tenha tido a intenção ou impressão de que o Santo Padre tornava obrigatória a ssistência ao rito tradicional e que tenha banido a utilização litúrgica do vernáculo.

Eu não tive com certeza, e os outros comentadores nem de perto nem de longe fazem tal afirmação ou levam sequer a inferir essa ilação.

Caros JSarto e Bernardo

Julgo, e perdoem-me se julgo mal, que estais a pensar sobretudo em jovens instruídos, universitários e pessoas de mais idade, como eu.

No entanto nos meios da "provincia" em que vivo, tenho a impressão exactamente contrária, ou seja, que o regresso em termos iguais do rito tradicional, com o rito no vernáculo, para além de ser neste momento uma "impossibilidade" prática, iria afastar fiéis da Eucaristia.

Isso do «grande medo inconfessado de muito boa gente insuspeita no interior da Igreja…» acho uma coisa perfeitamente incrível de se dizer, de se afirmar.

Não me concordo de modo nenhum nesse tipo de afirmações gratuitas.

Eu sou pela comunhão e não pela divisão, e julgo que Bento XVI está a fazer um trabalho de extrema coerência e sensatez neste assunto, precisamente para evitar este tipo de afirmações.

Um abraço em Cristo para todos

Manuel Pedro disse...

Caro Bernardo, perdoe-me a intromissão,

A páginas tantas diz o seguinte: "Aguardo com grande expectativa a primeira missa segundo o usus antiquior aqui em Lisboa."

Quando diz que aguarda é porque deseja que tal venha a acontecer ou porque tem informações que lhe permitem saber que tal virá de facto a suceder a breve trecho, nomeadamente porque já poderá ter havido resposta positiva por parte do patriarcado a algum pedido oficializado por parte de um grupo de fiéis feito nesse sentido?

Peço novamente que me perdoe a intromissão, visto não ser comentador habitual deste seu espaço.

Cumprimentos.

Bernardo Motta disse...

Caro Joaquim,

Eu concordo absolutamente consigo, e estamos todos em linha com o Santo Padre, que deixou bem claro que o rito de Paulo VI é a forma ordinária (e portanto, a forma mais comum) do rito romano.

Não acredito, nem que o Papa Bento XVI queira fazer da forma extraordinária a nova norma litúrgica (ele afirmou a prioridade que o rito de Paulo VI, o "novus ordo", ocupa no rito romano), nem que isso seja praticável em todas as paróquias, como o Joaquim tão bem refere.

Há, no entanto, algo no qual talvez discordemos. O rito de Paulo VI é um rito em latim, que prevê o vernáculo em situações excepcionais (nas leituras, por exemplo) que devem ser aprovadas caso a caso. Como sabemos, nos últimos 50 anos, isso não foi respeitado, e o vernáculo tornou-se na norma, ao ponto de a esmagadora maioria das missas de hoje não conter uma só palavra de latim, por vezes nem nas músicas do ordinário.

Mesmo numa paróquia de província, eu não concordo, nem acho bem, que se tenha chegado a um ponto em que ninguém faz ideia de algo tão elementar como rezar o Sanctus ou o Agnus Dei em latim.

Não sei como se vai sair deste exagero de perda absoluta e total do latim em certas paróquias, mas eu acho que essa perda é nociva e é um problema a corrigir. No entanto, e nisso julgo estarmos todos de acordo, essa correcção não consiste na substituição integral do vernáculo por latim.

Acredito que a forma extraordinária do rito romano vai permanecer como a minoritária, por exemplo, nas grandes paróquias, haver pelo menos uma missa dominical na forma extraordinária era algo de muito bom, na minha opinião. Sendo que a maioria das missas seria na forma ordinária do rito romano (que, todavia, na minha opinião, não tem que ser 100% em vernáculo, e pode beneficiar, por exemplo, do canto do ordinário da missa ser em latim, total ou parcialmente).

Acho mesmo, como o Papa, que é possível ter o melhor de dois mundos, a tal comunhão de que o Joaquim fala. E que a proximidade entre as duas formas do rito romano vai ser benéfica para ambas.

Um abraço

Bernardo Motta disse...

Caro Manuel Pedro,

Seja sempre bem-vindo, e comente sempre que quiser. As caixas de comentários estão abertas, sem moderação (aliás, como se vê, com alguns comentários impertinentes que por vezes surgem), e todos são bem-vindos!

Obrigado pelo seu comentário.
Que eu saiba, não há nada de previsto. Eu desejo isso, eu e muita gente, e todos sabemos que o Patriarcado (e outras dioceses do país) se têm manifestado contra, violando desse modo as normas da Summorum Pontificum. A Universae Ecclesiae torna agora muito mais difícil, a certas pessoas com poder, o negar da forma extraordinária do rito romano a quem o pedir. Por isso mesmo é que eu acho que já podemos aspirar a essa experiência, pois removidos todos os obstáculos por parte de Roma, é mesmo só uma questão de tempo. O nosso clero, infelizmente, nem sempre é muito obediente a Roma, mas o Santo Padre tem o talento e a inspiração para saber levar a água (de Jesus Cristo) ao moinho!

Um abraço!

Bernardo Motta disse...

Caro Joaquim,

«Não me concordo de modo nenhum nesse tipo de afirmações gratuitas.»

Todos sabemos que há, dentro da Igreja, pessoas que trabalham (mesmo que cheias de boa vontade) contra a comunhão que o Joaquim refere. Há, em Portugal, situações de escândalo de desobediência a Roma, perpetrada por teólogos, padres e por vezes mesmo Bispos, e essas situações são geradoras de divisão e destroem a desejada comunhão.

Penso que o JSarto se referia a isso, ou seja, ao facto de que a concretização da vontade do Santo Padre, com o regresso (ainda que minoritário) da forma extraordinária do rito romano, seja algo capaz de dar a essas pessoas que fomentam a divisão no seio da Igreja um sinal claro de que ser católico é estar com o Papa, e que o Papa é o centro da nossa unidade, centro esse desejado pelo próprio Salvador.

Todas estas iniciativas de Bento XVI têm a ver com a unidade, como bem sabe. E do que tenho lido do JSarto, não acredito que ele defenda outra coisa que não a unidade da Igreja em torno do Santo Padre.

Um abraço!

joaquim disse...

Caro Bernardo

Totalmente de acordo consigo.

Curiosamente deixe-me dizer-lhe que se vai verificando, mesmo aqui na provincia o regresso, de pelo menos, o Kyrie, o Sanctus, o Agnus Dei, e até por vezes algumas saudações em latim, daquelas mais conhecidas do meu tempo.

Ainda agora na Beatificação de Madre Maria Clara no Restelo, foi cantado o Kyrie.

Concordo consigo, obviamente, que a riqueza do latim na Eucaristia deve ser acarinhada e em muitos casos, (Festas Litúrgicas mais importantes), "utilizada", sobretudo na Oração Eucaristica, por exemplo, o que de algum modo de quando em vez tem vindo a ser feito.

Na paz e na comunhão em Cristo, em Igreja, um abraço amigo

Bernardo Motta disse...

PS: Quando eu escrevi aqui há uns tempos sobre a minha experiência com a conferência recente do "Nós Somos Igreja" no convento dos Dominicanos, em Lisboa, frisei precisamente que a assistência e os apoiantes dessa iniciativa não incluía praticamente nenhuns jovens. E que, curiosamente, o pequeno grupo de pessoas que comigo se deslocou a esse evento para fazer contraditório, era composto por pessoas bastante jovens.

Basta ver, por exemplo, o que está a suceder em paróquias como a da Baixa-Chiado (São Nicolau é uma paróquia exemplo), que atraem as novas gerações pela forma rigorosa e obediente como seguem o Santo Padre em questões litúrgicas e doutrinárias.

Hoje em dia, cresce uma franja da juventude católica que se apaixona pela ortodoxia e pela beleza da liturgia genuína. E não duvido do que diz o JSarto, de que há pessoas dentro da Igreja, que nos últimos anos têm atraído a juventude através de liturgias distorcidas e de doutrina frágil (e nalguns casos herética), e que têm agora receio de que a juventude lhes fuja para paróquias ou padres mais fiéis a Roma.

Um abraço!

PS: Omito nomes em concreto, mas se quiser, podemos discutir isto por mail. Seria indelicado da minha parte referir nomes, mas se for necessário eu fundamentar o que escrevi, poderei falar consigo em privado.

joaquim disse...

Caro Bernardo

Mais uma vez de acordo consigo.

Quanto a essas pessoas de que fala, estão em "contramão", mas não é só pelo latim, mas sim e também por muito mais coisas como sabe.

O latim poderá ser mais um pretexto!

Tenho "experiências" de pessoas que conheço, que infelizmente mudaram a sua comunhão com a Igreja e a Doutrina por terem ouvido alguns desses "arautos" que pregam a "sua" doutrina, ou a sua maneira de a ver, de a interpretar, em desunião o Magistério da Igreja.

Rezemos por eles e por nós, para que nos mantenhamos fiéis e em comunhão na Igreja, com o Santo Padre.

Um abraço

Bernardo Motta disse...

Ora nem mais, Joaquim, um abraço!

joaquim disse...

Caro Bernardo

Sei que sim e concordo consigo.

Para mim uma das grandes virtudes de João Paulo II com os jovens, foi nunca lhes responder "nim" mas apenas e tão só, sim e não.

Os jovens, (e eu falo bastante com jovens em retiros e até na catequese), gostam de coisas claras e não de meias-tintas.

Um abraço

Anonimo disse...

Dominus vobiscum

Bernardo Motta disse...

Caro Anónimo,

"Dominus vobiscum"

et cum spiritu tuo!

Anonimo disse...

E muito bem, ja podemos começar o rito.

In nomine patri fili et spiritu sancte.

Estou a gostar.

João "o discipulo amado" Silveira disse...

Já começou mal. É: In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.

A função sintática é complemento determinativo (do Pai, do Filho...), por isso essas 4 palavras estão em genitivo:

Patris/Patris (Nominativo/Genitivo)
Filium/Filii
Spiritus/Spiritus
Sanctum/Sancti

João "o discipulo amado" Silveira disse...

Errata: Pater/Patris

Anonimo disse...

Pois o meu latim ja é antigo mesmo, do tempo da quo primum tempore.

Mas diga la é isso não é?
bem me parecia que era.

JSarto disse...

Caro Joaquim

No entanto nos meios da "provincia" em que vivo, tenho a impressão exactamente contrária, ou seja, que o regresso em termos iguais do rito tradicional, com o rito no vernáculo, para além de ser neste momento uma "impossibilidade" prática, iria afastar fiéis da Eucaristia.

Porquê? Se porventura há fiéis a quem agrada o “Novus Ordo”, com o “Novus Ordo” continuarão. Ninguém os priva de nada… Portanto, com o devido respeito, tal argumento parece-me muito pouco sólido e sem outra real consequência que não seja a de continuar a privar os fiéis do acesso ao rito tradicional, em notória infracção à lei universal da Igreja…

Isso do «grande medo inconfessado de muito boa gente insuspeita no interior da Igreja…» acho uma coisa perfeitamente incrível de se dizer, de se afirmar.

Não me concordo de modo nenhum nesse tipo de afirmações gratuitas.


Mias uma vez com o devido respeito, não são afirmações gratuitas. Basta recordar as reacções muito negativas de vários bispos portugueses aquando da promulgação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” pelo Santo Padre. E dos casos públicos, notórios e devidamente documentados, com origem no mesmo episcopado, de frustração constante da aplicação prática do mesmo “Motu Proprio”. Ou por que razão teria surgido a “Universae Ecclesiae”, se a aplicação do “Summorum Pontificum fosse a desejada por Bento XVI, e não só em Portugal?...

Ora, em conclusão, o retorno do rito tradicional não é mais uma hipótese académica! Tal retorno está aí! E portanto, quem quiser pode fazer a riquíssima experiência espiritual do rito tradicional, fazendo assim aquilo que o Santo Padre quer que se faça!

JSarto disse...

Caros Joaquim e Bernardo Motta

Não por acaso, a chamada "reforma da reforma litúrgica" é mesmo um dos grandes desideratos do pontificado do actual Papa. Bento XVI pretende um "Novus Ordo" mais digno e reverente, em continuidade com a grande tradição litúrgica da Igreja e modelado referencialmente pelo rito tradicional. Também no "Novus Ordo" tem de haver lugar para as celebrações "ad orientem", com recurso ao latim (eminentemente no "Canon"), ao gregoriano e à musica de órgão. E o povo não se assusta com estas coisas. Mesmo em Portugal, e na província, a experiência está a ser feita - http://christusvinchit.blogs.sapo.pt/

Quanto ao rito tradicional, sendo o rito de uma minoria, mas de imensa minoria, haverá que fazer a pedagogia do mesmo junto da maioria dos fiéis, em suma, haverá que origem a um novo e verdadeiro movimento litúrgico.

Bernardo Motta disse...

Caro JSarto,

Totalmente de acordo.
Obrigado pelo link! É da diocese de Angra, certo?

Um abraço!

joaquim disse...

Caro JSarto

Não pretendo e nas minhas palavras não é essa a ideia que pretendo passar, até porque não a tenho, privar os fiéis seja do que for, que a Santa Sé autorize.

Falo da minha experiência pessoal na vida diária com estas comunidades, e que é uma vida empenhada em Igreja.

Quanto àqueles que se opõe ou criticam, já respondi noutro comentário acima.

Tudo deve ser feito com a sempre louvável sensatez milenar da Igreja, e é isso não tenho dúvidas, que Bento XVI, deseja.



Um abraço

Nuno CB disse...

Várias coisas que acho necessário ter em consideração:

1-Apesar de falarmos em formas diferentes do mesmo rito, é e será sempre a mesma Missa, o Santo Sacrifício de Jesus na cruz.
Ou seja, não se pode falar numa Missa melhor que a outra porque o Santo Sacrifício é só um.

"Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do Sacrifício da Missa, porque aquelas são obras de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus." S. João Maria Vianney

2-Tal como o Bernardo já disse, a forma ordinária do rito romano está preparada para ser rezada em latim. E mais, está também prevista para ser rezada "ad orientem", uma vez que, apesar de isto não estar escrito no missal, está bem explícito no missal os momentos em que o sacerdote se deve virar para o povo.

2.1.A Oração Eucarística I, ou Canône Romano, pode também ser rezado no novus ordo, apesar de quase nenhum sacerdote o fazer regularmente, ainda que seja lindíssimo. (prefiro acreditar que o problema está em ser um pouco mais longa que as outras)

2.2.Por fim, este mesmo canône romano e outras partes da Santa Missa podem também ser rezados em silêncio pelo sacerdote, tal como na Missa antiga!

É MUITO IMPORTANTE perceber que a Missa não é um diálogo entre o sacerdote e o povo, mas entre o sacerdote e o próprio Deus.

3-Em Lisboa já é celebrado o novus ordo em latim para todo o povo:

Domingos e dias santos de guarda:
18h00m Igreja do Sacramento (Chiado)

Quartas-feira:
12h15m Oratório de S. Josemaria (Sete Rios)

JSarto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JSarto disse...

Caro Bernardo

A ligação é da diocese de Angra, efectivamente.

Caro Nuno CB

Não duvido de que o valor intrínseco do Sacrifício da Cruz seja o mesmo em qualquer rito católico; mas também não duvido de que o rito tradicional latino-gregoriano expressa e exterioriza tal dimensão sacrificial de forma mais perfeita do que o “Novus Ordo”. Quanto ao resto que afirma, 100% de acordo!

Caro Joaquim

Anoto e registo as suas palavras.

Um abraço para todos!

Francisco disse...

Missa celebrada com o novus ordo em latim e cantada em gregoriano na Igreja do Sacramento (Chiado), pelo Padre Armindo Borges e por quem mais aparecer! Hoje às 18h (disponíveis versões bilingues com partitura) http://www.facebook.com/event.php?eid=209259079119335

Francisco disse...

O Papa Pio XII escreveu em 1947: «Como, em verdade, nenhum católico fiel pode rejeitar as fórmulas da doutrina cristã compostas e decretadas com grande vantagem em época mais recente da Igreja, inspirada e dirigida pelo Espírito Santo, para voltar às antigas fórmulas dos primeiros concílios, ou repudiar as leis vigentes para voltar às prescrições das antigas fontes do direito canônico; assim, quando se trata da sagrada liturgia, não estaria animado de zelo recto e inteligente aquele que quisesse voltar aos antigos ritos e usos, recusando as recentes normas introduzidas por disposição da divina Providência e por mudança de circunstâncias.» (encíclica Mediator Dei et Hominum, ponto 56 da v.portuguesa)

Para quem ler os documentos peri-conciliares, parece evidente que uma das razões (talvez para nós a mais imediata e relevante) para o Papa Bento XVI ter reforçado o uso da "forma extraordinária" do rito latino seja, não o regresso ao missal antigo, mas isso sim o regresso à dignidade com que se celebrava a missa pelo missal antigo. E isto é uma bênção para toda a Igreja de rito latino, não apenas para uma minoria tradicionalista, porque todos nós devemos celebrar a liturgia com dignidade, independentemente do missal usado ou sequer do rito que herdámos "dos nossos pais".

Na linha do que disseste, nada obsta a que numa qualquer missa paroquial do novus ordo:
- se rezem certas partes em vernáculo e outras em latim, ou mesmo a totalidade da missa em latim, excepto homilia.
- se dê à assembleia um livretezito com os textos da missa em português e em latim, para que todos (locais e estrangeiros) possam seguir a oração e participar activamente.
- que toda a missa de uma ponta à outra seja cantada em gregoriano com algumas peças polifónicas de vez em quando, quer pelo celebrante, quer pela assembleia, quer pelo cantor ou pela schola cantorum, isoladamente ou em conjunto, conforme previsto.
- que se adaptem as entoações e melodias gregorianas tradicionais àquilo que fôr dito em vernacular (por exemplo as leituras).
- que se use incenso na missa todos os Domingos e solenidades.
- que nos momentos apropriados, tanto o sacerdote, como o povo e o coro estejam todos inequivocamente voltados para Cristo, conforme a arquitectura do templo.
- que os acólitos, leitores, cantores e restantes ministros litúrgicos sejam do sexo masculino (excepto em circunstâncias muito específicas e provisórias), sejam indivíduos conhecidos pela assembleia como publicamente piedosos, recebam a adequada formação para o desempenho das suas funções, e vistam durante a celebração os trajes litúrgicos tradicionalmente prescritos, e que o sacerdote se paramente devidamente.
- etc.

Seria um retrocesso, por exemplo, voltar-se à fórmula da consagração usada no vetus ordo, incrustada com a expressão "mysterium fidei" como se tivessem sido palavras do próprio Jesus, ou que se reduzissem as passagens da sagrada escritura lidas para nossa edificação. Penso que o caminho a seguir é cada um ser sincero com o seu pastor local e dizer-lhe que gostaria muito que as coisas se fizessem com maior solenidade, oferecer ajuda para a sua implementação, e frequentar os templos onde aparentemente isso se faça. Um grande abraço e continuação de bom trabalho aqui com os espectadores :D

Bernardo Motta disse...

Francisco,

Obrigado pelos teus comentários, pela informação rigorosa e valiosa, e pela tua visita. Volta sempre!

Um abraço

BLUESMILE disse...

"que os acólitos, leitores, cantores e restantes ministros litúrgicos sejam do sexo masculino"

Muito gostam vocês de rapazinhos de saias,,,,

BLUESMILE disse...

Francisco:

Tens alguma aversão especial contra mulheres - acólitas, leitoras, ministras da comunhão, cantoras e , já agora, catequista, ou é apenas uma predilecçãoe especial por pessoas do sexo masculino?
E, a ser assim, quais as bases teológica de tal predilecção?

Espectadores disse...

Caro Bluesmile,

Assim de repente, queria observar o seguinte acerca dos seus comentários...

1) Você quando comenta neste espaço, comenta como convidado; se eu deixo os comentários abertos e sem aprovação prévia, é semelhante a eu ter a porta de minha casa entreaberta; ora você acabou de entrar em minha casa, de insultar o dono da casa, e de insultar um dos amigos do dono da casa

2) Quando eu falo com alguém com quem não tenho intimidade, eu não me dirijo a essa pessoa por "tu"; pedia-lhe o mínimo de boas maneiras, por favor

3) Se o seu primeiro comentário é rasca e ordinário (é óbvio que é), já o seu segundo comentário, apesar de ser pouco educado (trata um dos meus amigos por "tu", sem o conhecer), é pelo menos um comentário com uma pergunta minimamente relacionada com o tema em questão; e devo destacar essa significativa melhoria do seu primeiro comentário para o segundo comentário, indicando uma ligeira subida no tom e na racionalidade

4) A sua pergunta (segundo comentário) evidencia uma ignorância (talvez invencível, se você demonstrar sistematicamente essa falta de abertura para a aprendizagem) acerca de liturgia; é por demais evidente, para quem tem os rudimentos litúrgicos, qual é a razão do que o Francisco (e bem) apontou; a sua pergunta, aliás colocada de forma deselegante e a roçar o ordinário e o boçal, trai a sua ignorância acerca do tema

5) Você esconde-se atrás do anonimato para fazer as suas invectivas mal educadas e boçais; acha isso muito corajoso ou intrépido?

Dois conselhos, que lhe dou gratuitamente:

a) seja muito, mas muito mais civilizado nos seus próximos comentários, se não quiser vê-los apagados sumariamente sem aviso prévio; aliás, ESTE é o meu aviso prévio

b) se quer que alguém aqui debata consigo, tente debater, por favor; ficará surpreendido com o nosso gosto pelo debate, quando somos interpelados por pessoas educadas que gostam de debater, e sabem debater.

Cumprimentos,

Bernardo Motta

João "o discípulo amado" Silveira disse...

Bernardo, se não me engano este comentador é uma comentadora. O que torna ainda mais a grave a forma ordinária como comenta.

Podes ver aqui o nível: http://vidadecadela.blogspot.com/2011/10/caderneta-de-cromos_11.html