sexta-feira, 27 de maio de 2011

A moral viscosa de Passos Coelho

É de se pasmar...
Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...

«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»

Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.

Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.

E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.

Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".

O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.

Adenda (30 de Maio) : Após ler os comentários que foram feitos a este "post", sinto-me obrigado a clarificar o seguinte: este "post" visava criticar o oportunismo político de Passos Coelho, que está claramente a querer ir buscar mais uns quantos votos à direita do PSD, dando na entrevista à RR um ar de "conservador" que choca com o ar de "progressista" que ele quis dar há uns tempos, quando pela primeira vez se pronunciou sobre o tema do aborto. No entanto, este meu "post" não deve ser interpretado como um apelo ao voto no CDS, e vejo que alguns leitores assim o interpretaram (o meu texto permitia essa interpretação). Não critico as pessoas que, de boa consciência católica, queiram votar CDS por causa das várias posições pró-vida desse partido, mas eu não estou em condições de recomendar o voto no CDS, uma vez que não tenho a minha decisão ainda tomada nessa matéria. É sabido que há posições dentro do CDS que não são compatíveis com a Doutrina da Igreja, pelo que a questão não é fácil.

31 comentários:

Anonimo disse...

Plenamente de acordo. Só estou para ver se aquelas alminhas que insistem em rezar o terço a porta da clinica dos arcos, não pensarão de maneira diferente também. É que um novo referendo é mais uma nova hipotese de ganhar o não ao aborto. Referendos, referendos, referendos, ora agora ganhas tu, ora agora ganho eu.

João "o discipulo amado" Silveira disse...

passos coelho é um sócrates que ainda não chegou ao poder

Alma peregrina disse...

Plenamente de acordo...

Mas, que dizer do CDS-PP? Eu devo dizer que estou um pouco confuso sobre se esse partido merecerá ou não o meu voto...

Rodrigo Faria de Castro disse...

O CDS também não é solução. Colocaram como cabeça de lista de Lisboa alguém que é a favor do aborto livre e do "casamento" gay.

Na anterior legislatura tinha na bancada 3 deputados a favor do "casamento" gay.

Alguém acha que este partido é solução??

Mas há um que é solução...

joaquim disse...

Caro Bernardo

Se estou de acordo consigo em relação á moral de Passos Coelho, não o estou em relação a uma hipotética diferença de Paulo Portas.

Se essa é uma razão para não se votar em Passos Coelho, é-o também para não votar em Paulo Portas.

Basta ver as suas declarações acerca do assunto e por exemplo os factos aqui mencionados por Rodrigo Faria de Castro e que são do conhecimento público.

A escolha é muito dificil em termos de coerência de valores e ainda mais se os valores forem cristãos, e eu, francamente não vejo essa diferença entre Passos Coelho e Paulo Portas.

Cada um deles quer tirar votos ao outro.

Em quem votar?

Deus nos ajude!

Um abraço

Lopo disse...

Bom post amigo Bernardo.
Sempre tive esta opinião de Passos Coelho, agora a dúvida é se votarei Portas ou não. Penso que tambem ele pouco, ou nada fará para melhorar a moral de Portugal. que me diz?
Um abraço

Rodrigo Faria de Castro disse...

Ninguém me perguntou mas eu vou votar Portugal Pro Vida (PPV). Nenhum outro, nem perto, defende os Valores Fundamentais.

Portugal pro Vida
ser ou não ser... eis a questão

http://portugalprovida.blogspot.com
email: portugalprovida@gmail.com

O PPV concorre em 12 distritos: LISBOA, PORTO, LEIRIA, ÉVORA, AVEIRO, GUARDA, VIANA DO CASTELO, FARO, BRAGA, CASTELO BRANCO, COIMBRA, SETÚBAL

Se votou NÃO no Referendo, vote agora no PPV!

Precisamos de uma Ala provida no Parlamento.



O «Portugal pro Vida» é um partido político que se estrutura sobre Princípios e Valores fundamentais - como o respeito pela Vida Humana, pela Família e pela cidadania democrática - para propor políticas socialmente sustentáveis, norteadas pela doutrina social da Igreja; Políticas que reconheçam e recompensem o esforço das famílias que, gerando novas Vidas, asseguram com sacrifício próprio o futuro de Portugal!

Anonimo disse...

Va la a gente entender estes católicos. São contra o aborto, o homem estende-lhes a mão e diz: se querem uma nova oportunidade para mudar a lei do aborto podem contar comigo para um novo referendo. E esta malta só se preocupa com a coerencia moral do homem e não com o geito que isso pode dar para mudar a lei do aborto.

J.AO disse...

Anonimo, preocupa-nos a coerência, sim senhor, sobretudo quando alguém é responsável por algo que agora faz a leve sugestão de tentar corrigir.

Quanto menos limitadas as circunstâncias em que se realizam abortos, mais escandalosas se tornam na defesa do direito à vida e da sua inviolabilidade. Mas o princípio é o mesmo. Foi dito aqui várias vezes, será que não leu ou não quer entender? A culpa de não nos entender parece ser mais sua que nossa.

Se vem alguém com falinhas mansas dizer algo tão vago como "ah se calhar devíamos olhar para isso outra vez, na altura somos capazes de ter feito asneira ao aceitar assim" - não são os católicos que não se entendem, mas sim quem se deixa enganar, aqueles que pensam tal como o Anonimo. Passos Coelho não só fez o que fez como anda à caça de votos à direita. Infelizmente a questão da vida está particionada à direita quando é algo do mais universal que pode haver. Erros históricos que dificilmente se corrigem.

Anonimo disse...

"Anonimo, preocupa-nos a coerência, sim senhor,"

Pois eu também sou adepto de que nem os fins justificam os meios nem os meios justificam os fins, por principio, há sempre excepções. Acontece que aqui haveria alguém que se disporia a ajudar os católicos (claro que a troco do voto, mas isso não é garantido o voto é secreto) a poder tentar mais uma vez combater a lei do aborto, está visto que o meio não justifca o fim e a coerencia catolica obligé. A lei do aborto que continue, fica para outra ocasião se a houver claro, a coerencia acima de tudo.

Rodrigo Faria de Castro disse...

Quem garante que o PSD cumpriria o que o Passos Coelho hipotetizou? Depois diriam que nem estava no programa de governo... Cuidado com os lobos vestidos de cordeiro!!


Quanto ao PP "CDS só aceita nova consulta popular quando passarem, pelo menos, dez anos sobre a anterior"
http://aeiou.expresso.pt/cds-portas-nao-admite-novo-referendo-sobre-aborto=f651388

O PP tem 5 deputados por Lisboa.

Espera subir desta vez, com a cabeça de lista pro aborto e pro "casamento" gay.
http://www.ionline.pt/conteudo/65468-teresa-caeiro-nao-se-deve-fazer-experimentalismos-com-criancas-ponto-final

O 6º deputado é pro "casamento" gay. Logo se o PP cresce em Lisboa- elege mais um deputado anti-família.


O 3º por Lisboa (elegível) também é a favor do "casamento" gay

"Teresa Caeiro, João Rebelo e Assunção Cristas apresentaram declarações de voto, justificando o voto contra pela vinculação ao partido e pela manutenção de uma “posição homogénea” do grupo"
http://ww2.publico.pt/Media/revolta-em-surdina-no-ps-no-dia-do-sim-ao-casamento-gay_1416948?p=1


Quem tem ouvidos para ouvir oiça

Anonimo disse...

“Quem garante que o PSD cumpriria o que o Passos Coelho hipotetizou? Depois diriam que nem estava no programa de governo... Cuidado com os lobos vestidos de cordeiro!!”

Conversa mesmo de católicos: lobos, cordeiros, rebanho.

É que nem é isso que se interroga nesta mera questão hipotética,porque é isso mesmo, aliás ninguém garante nada, nem ninguém garante que alguém vote no psd por isso. Uma eleição não é um certificado de boa governabilidade, O voto só legitima os governantes no poder, não é um certificado de garantia de quem vai governar, não é um certificado de desenvolvimento, mas se não gostarmos ou se escolhemos mal podemos apea-los antes ou no minimo ao fim de quatro anos

O que se interroga é uma questão de hierarquização de valores. O homem tem uma moral viscosa dizem, ok.

Os católicos defendem o não ao aborto, ele não prometeu nada, o caso é esse, ele somente disse que se grupos de cidadãos apresentassem petições a favor de novo referendo ao aborto ele não se oporia, não foi ele que prometeu ou esta no seu programa de governo fazer, não disse que mudaria a sua opinião pessoal, a tal suposta viscosidade, e votaria agora, não ao aborto. Mostrou apenas abertura para que se esse hipotese dos cidadãos aparecesse deixava-a passar, mas não seria ele a tomar a inicativa ou o seu partido a propo-la, não disse nada disso.

Numa hierarquização de valores, o não ao aborto para os católicos devia estar a frente da coerencia ou não coerencia pessoal de passos coelho, a defesa da vida, é isto que me intriga. Parece que por passos coelho dar o aval a uma eventual proposta de referendo por iniciativa de outros, ( e claro que é uma tentativa de pesca de votos ) quando ele próprio votou a favor no referendo pelo sim no passado e levou a esta lei existente, é mais importante para os catolicos rejeitar isso por falta de coerencia da personagem do que aproveitar isso e uma eventual hipotese que levasse a um novo referendo e a uma possivel vitoria do não, na defesa da vida e da possivel mudança da lei. Mas enfim catolicos, coerencia acima de tudo.

Bernardo Motta disse...

Caros amigos,

Obrigado pelos vossos comentários. Infelizmente, a redacção deste meu "post" permitia a intepretação de que eu estaria a defender o voto no CDS, enquanto eu próprio não tenho ainda uma decisão tomada sobre esta matéria.

Ou votarei CDS, ou votarei PPV, ou votarei em branco.

Mas, por favor, não interpretem este meu "post" como uma defesa no voto CDS. Como sabemos, apesar do notório trabalho político que o CDS tem feito em matérias cruciais de ética e de protecção à família, há ainda vozes dentro do CDS que defendem ideias contrárias à Doutrina da Igreja.

Um abraço!

Rodrigo Faria de Castro disse...

"CDS só aceita nova consulta popular quando passarem, pelo menos, dez anos sobre a anterior"

http://aeiou.expresso.pt/cds-portas-nao-admite-novo-referendo-sobre-aborto=f651388



O 6º deputado é pro "casamento" gay. Logo se o PP cresce em Lisboa- elege mais um deputado anti-família.

Alma peregrina disse...

Caro Bernardo Mota:

Obrigado pela sua clarificação! Eu, pela minha parte, nunca considerei o seu post como uma apologética do voto no CDS-PP... limitei-me a pedir a sua opinião e a dos comentadores católicos da sua caixa de comentários, que me parecem pessoas bem informadas no que diz respeito a política.

É que eu também me sinto muito dividido... Mas, pelos vistos, as opções que me dividem são, precisamente, aquelas que dividem o Bernardo.

Muito obrigado por tudo!

Pax Christi

Anonimo disse...

"CDS só aceita nova consulta popular quando passarem, pelo menos, dez anos sobre a anterior"

Ai o paulinho disse isso? Eh eh eh

E qual é a logica de serem 10 anos???? que contas é que ele fez para chegar ao número 10 e não outro, numero de legislaturas, dificil cada uma so tem 4 a não ser que conte faze-lo com duas legislaturas e meia.

Podia ser já para o próximo ano, daqui a 10 anos, 20 anos, 30 anos, 100 anos, Mas não me comprometam durante os proximos 10 anos, ou pelo menos durante esta campanha eleitoral em relação a este tema.

Anonimo disse...

"O 6º deputado é pro "casamento" gay. Logo se o PP cresce em Lisboa- elege mais um deputado anti-família."

Anti familia porque?? vai fazer cruzada contra a familia, as leis da familia??? e se o homem fosse celibatario era anti que? anti nada?????

Bernardo Motta disse...

Partilho convosco uma útil e pertinente reflexão acabada de chegar à minha caixa de correio, escrita pelo Padre Nuno Serras Pereira:

«As eleições políticas implicam necessariamente uma escolha moral por parte de quem vota ou de quem se abstém. É sobre alguns aspectos desta escolha que agora me detenho sem considerar a moralidade do político que se apresenta como candidato nem a do líder que decide quem são as pessoas que se apresentam, em nome do seu partido político, à votação dos eleitores.

Já se sabe que em nenhuma circunstância é lícito escolher o mal. Consequentemente nunca é legítimo votar num candidato porque ele advoga o aborto, ou a eutanásia, ou a supressão da liberdade de ensinar e de aprender, enfim porque se propõe repudiar qualquer princípio ou valor inegociável.

Não obstante podem dar-se circunstâncias tais em que a um católico seja lícito votar nas listas desse ou desses partidos não porque mas apesar de apresentarem gente dessa espécie. Aliás, em circunstâncias excepcionais poderá ser inclusive moralmente obrigatório fazê-lo.

Se, por exemplo, o poder estiver nas mãos de políticos perversos cuja governação e legislação se caracterizaram por roubos, matanças e destruições (cf. Jo. 10, 10), quer físicas quer morais, e houver razões fundadas para concluir que o único modo de limitar esses males horrendos será através da votação em um ou mais partidos que, sendo embora deficientes e com alguma perversão, o possam substituir no poder parece, claro, que o católico ao votar nele/s está, não a procurar o mal mas a escolher o bem possível.

Se o eleitor tem razões fundadas para julgar que o voto num partido limpo será, nessa circunstância, inútil no sentido em que poderá impedir a vitória daquele/s que poderiam limitar o mal, parece evidente que deverá canalizar o seu voto para o bem possível nessa circunstância.»

Anonimo disse...

E lá se vai a coerencia acima de tudo

Alma peregrina disse...

Oh, Bernardo... por essa lógica, até se podia votar PSD!

Essa intervenção do Padre Nunes da Serra refuta por completo o seu post. Afinal de contas, que interessa que Pedro Passos Coelho nos tome como parvos? O que interessa é que ele (mais do que o CDS-PP) é a principal arma contra Sócrates!

Ou seja, vamos sempre ser tomados como parvos, porque vamos ter sempre o nosso voto refém (vai haver sempre gente como Sócrates a concorrer às eleições).

O que quer dizer, que as políticas Pró-Vida e Pró-Família estarão sempre democraticamente condenadas!

Sinceramente, recuso-me a contribuir para essa palhaçada!

Bernardo Motta disse...

Caro Alma Peregrina,

Eu limitei-me a partilhar o texto do Padre Serras Pereira. Nesse texto, não são referidos nomes, apesar de podermos intuir que, por "partido limpo", ele alude ao PPV, e que por "bem possível", ele alude ao CDS, mas isso somos nós a intuir!

Eu sou sincero: não tenho a minha ideia formada, e não decidi se voto CDS, PPV ou em branco. É evidente que o voto no PPV deixa a consciência descansada, mas o problema é que o PPV, com todo o respeito pelos seus elementos e pelo valor do seu trabalho, não me parece ter a vocação e a estrutura de um partido que ofereça as garantias de capacidade de governar (em todas as pastas) que um partido mais sólido terá.

O que eu gostava mesmo era de ver o CDS assumir-se como um partido cristão, porque acho muito mais viável o CDS como partido governante do que o PPV.

Dito isto, a questão moral torna-se difícil, mesmo difícil, e se fosse fácil não a estaríamos aqui a discutir:

a) ou voto CDS, para dar um sinal ao CDS de que as suas políticas pró-vida e pró-família (inexistentes no PSD) são valorizadas por mim enquanto eleitor, APESAR das poucas vozes dentro do CDS com ideias contrárias à doutrina da Igreja

b) ou voto PPV, e tenho a minha consciência tranquila, apesar de eu saber que o PPV nunca governará e não tem estrutura nem vocação para governar

c) ou voto em branco, se não me decidir até ao dia 5

Acho, sinceramente, que o texto do Padre Serras Pereira não se aplica ao PSD, partido do qual não saem leis pró-vida ou pró-família como do CDS.

Enquanto que toda a gente sabe que o Paulo Portas é contra o aborto, apesar de ter sido oportunista (e errada) a sua frase de não tocar na lei do aborto durante dez anos, todos sabemos que a posição de Passos Coelho é inaceitável para um eleitor católico.

Apesar de tudo, o CDS é um partido muito mais compatível com os ideais católicos do que o PSD.

Um abraço!

PS: Eu insisto nisto: como não decidi ainda o que vou fazer, tudo o que aqui escrevo é à laia de desabafo, pois não tenho as ideias claras nesta matéria.

Anonimo disse...

"Dito isto, a questão moral torna-se difícil, mesmo difícil, e se fosse fácil não a estaríamos aqui a discutir"

Oh! Oh! nem depois da explicação do padre???? eu já tinha dito e redito o que o padre disse. A coisa é tão simples, o churchil já a tinha dito há décadas. Se para derrotar o hitler fosse preciso aliar-se ao diabo, vamos la aliar-nos ao diabo. ( ele e os aliados na II guerra mundial, aliaram-se ao comunismo, ao estaline, que depois acabaram a combater mas primeiro combateram o mal maior). Se para evitar um mal maior temos que praticar um mal menor não há escolha. Ó catolicos qual é o prurido? coerencia acima de tudo eh eh eh. As coisas não são absolutas.

CSousa disse...

Será o MEP um "partido limpo" também?

Anonimo disse...

Só será se o Bernardo assim o classificar.

Alma peregrina disse...

Completamente de acordo com a sua análise dos factos, caro Bernardo.

Um abraço e muito obrigado pelos inputs.

Pax Christi

Rodrigo Faria de Castro disse...

Bernardo,

Porque acha que PPV não tem vocação para governar? O que o leva a dizer isso?

O PPV não concorre para Governo, mas para Deputados. Poderá ser o fiel da balança e hipoteticamente vir a fazer parte de Governo de coligação caso precisassem de mais um...

Não vote em branco- ao menos no PPV! O branco era se não houvesse nenhum que concordasse.

Se o PPV tiver um deputado não fica satisfeito? Acha que andará na AR a fazer incompetências?

Quer o 6º deputado do CDS na AR? Ou preferiria um do PPV com 5 do CDS?

Ao votar, a consciência tranquila não é o mais importante? Ou colaborar com o menos mal?

abraço
Rodrigo

Bernardo Motta disse...

Caro Rodrigo,

Não me interprete mal: admiro a iniciativa e a coragem dos membros do PPV e dos seus apoiantes. No entanto, eu tenho dificuldade em me rever na estratégia do PPV.

A meu ver, se for mais expedito fazer o possível para tornar o CDS num partido cada vez mais representativo para os cristãos, então essa estratégia faz mais sentido do que criar um partido monocausal, como o PPV. Eu entendo que, idealmente, todos os partidos deveriam ser pró-vida. E a existência do PPV como partido monocausa choca um pouco, julgo eu, com essa visão.

Acho mais provável que se consiga mudar o CDS a partir de dentro, e isso já está a suceder com alguns dos cristãos influentes no CDS, como por exemplo, com a Assunção Cristas, que o Rodrigo criticou.

Se, por um lado, o voto no PPV seria a opção mais fácil para mim (consciência tranquila de votar em políticos de doutrina cristã), por outro lado, considero que o voto no CDS poderá gerar mais frutos no futuro próximo.

E não concordo rigorosamente nada consigo, quando diz que votar no CDS é colaborar com o "menos mal". Apesar de tudo, o CDS, em bloco, tem posições claras: anti-aborto, contra o casamento homossexual, a favor de políticas pró-família, e assim por diante.

É verdade que há pessoas no CDS cuja solidez doutrinal cristã deixa a desejar, como a Teresa Caeiro ou o Adolfo Mesquita Nunes (de quem sou amigo, e a quem já critiquei as posições pelo "sim" ao aborto). No entanto, já acho algo injusta a forma como mistura a Assunção (que também conheço pessoalmente) no grupo, dado o trabalho notável que ela desenvolveu aquando do último referendo, em defesa do "não", e o trabalho pró-família que tem feito dentro do CDS. Sim, ela tem uma posição doutrinalmente errada no que toca à homossexualidade, mas que eu saiba, é o único ponto de fricção, e mesmo assim, na votação da lei do casamento homossexual, ela votou em bloco com o partido.

Um abraço,

Bernardo

PS: Em resumo, pode ser mais fácil convencer alguns dos cristãos bem-intencionados do CDS que defendem ideias contrárias à doutrina cristã, levando-os a um maior rigor doutrinal, do que pretender criar um partido do zero, como o PPV, com ambições de vir a governar. É que governar implica muita coisa, e não apenas uma política pró-vida. Implica legislar em todas as matérias que regem uma sociedade.

Bernardo Motta disse...

PS: Não comentei a alusão de Paulo Portas à actual lei do aborto... Considero que essa triste declaração do líder do CDS, manifestando indisponibilidade para mudar a lei do aborto antes que esta faça dez anos, é uma declaração demagógica, feita para ganhar votos. Não acredito que ele considere justa e ética a actual lei.

Bernardo Motta disse...

Rodrigo,

«Se o PPV tiver um deputado não fica satisfeito? Acha que andará na AR a fazer incompetências?»

Sim, se o PPV elegesse um ou mais deputados, dada a actual situação anti-vida, eu ficaria satisfeito. No entanto, não concordo com essa estratégia. Ficaria mais satisfeito por ver um CDS composto por cristãos coerentes. E já estivemos mais longe desse cenário, na era Monteiro...

maria disse...

acompanhei estas reflexões, soltei umas boas gargalhadas à conta do anónimo (uma preciosa mais-valia neste blogue) e deixo um link;

http://theosfera.blogs.sapo.pt/653696.html

s.catumba disse...

Vai ser visto como provocação, mas eu acho muito sinceramente que o melhor é votar CDU.
Porque o que é mesmo mesmo anti-família é a quantidade de medidas anti-sociais que a direita promove. Ser livre de ter uma família como e quando se quer é o melhor sentido! Depois, de que serve defender a família se se defende a precariedade deles? Para ficar em casa dos pais até aos 35? Ou nunca criar casa própria? E de que serve querer ter um filho se se estiver desempregado ou com um emprego e salários instáveis?

Eu quererei ter uma família "tradicional" (tradicional no formato, mas com um sentido bem equalitário, e sem chefes de família, isso sim tradicional) mas quero tê-la de forma saudavel e planeada, e que os meus amigos possam ter a deles com as pessoas de quem gostem mesmo, do mesmo ou de outro sexo. Que engravidem ou adoptem. Que possam animar a vida de uma criança sem pais. Amor à vida como tanto proclamam é isso.

Saudações.
sergio